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14.11.10

LVIII (Re)leituras - Jean Monlevade, de Jairo Martins de Souza, por André Bandeira

Eis aqui um bom exemplo de literatura regional. Um município de 80.000 almas, perto de Belo Horizonte, tem o nome de um dos primeiros alunos da Escola Politécnica de Paris, que fundou a cidade: Jean Monlevade. Numa prosa cuidadosa e com um subliminar sentido de humor, o autor faz a arqueologia, direi, industrial, deste município brasileiro associado à siderurgia. Minas Gerais tem hoje uma das maiores taxas anuais de crescimento do Mundo e esse facto deve-se, também, à exportação do minério de ferro.Por isso mesmo, o romance, bem construído (talvez com pouca definição das personagens secundárias), faz uma arqueologia do futuro. Em termos científicos (que, devido à formação do autor, são também da História das Ciências)o livro permitiu-me constatar que há uma arqueologia industrial de futuros antigos, no interior do Brasil. Em termos morais, isso faz o autor achar engraçados alguns pormenores dum quotidiano, nomeadamente português, do passado do Brasil, que facilmente podem levar aquele, nadando no meio da corrente espessa da narrativa, a enfurecer-se com o seu próprio passado. É que um passado, que é apenas um futuro, e uma ideia de futuro, não é apenas um passado. É uma ideia que se revolta por não nascer. Mas o passado do Brasil é muito mais um ridículo D. João VI, desembarcando no Rio, com a mulher e a filha, piolhosas, do que um aluno do Politécnico de Paris, investido pessoalmente por Napoleão. No rei barrigudo português há já muito daquele passado mediterrânico e africano que foi construindo o Brasil, apesar de não ter a disciplina e a auto-flagelação de um sistema franco, comandado por um corso sem escrúpulos. Não nego a pluralidade das origens europeias que formaram o Brasil. Prefiro, contudo, pensar num Jean de Monlevade que fugia duma Europa, talada pela violência, pela purga e pela traição, e que pensava encontrar no Brasil uma harmonia entre a Razão e os seus bosques franceses do Antigo Regime, então fuzilados e guilhotinados pela modernidade. Veja-se a gravura da capa. O Porvir, ao contrário do Futuro, é uma mistura surpreendente do Passado e do Fututo.

18.2.08

Mais um "projéctil" governamental



Os detalhes da construção da ponte Chelas-Barreiro nunca foram revelados publicamente pela RAVE ou pelo Ministério, para uma avaliação pelo cidadão. Tudo é feito por forma a tornar o processo num facto consumado. José Almada explica tudo no jornal on line Portugueses