10.10.06

Oops, I did it again! by Globetrotter


Tonight, on stage, the actors improvise. But only tonight, because tomorrow their improvisation will be embedded in the script itself. No more beginnings. Lavoisier just kicks off one more round in the carousel that never stops. Kim, the improbable Powerful, is already accelerating the carousel where he stepped in: "next time, if you, Americans, are not flexible enough, I'll launch one of my nuclear missiles, "which nobody knows for sure, whether it will really take off or fall, nose down, on the neighborhood. Look at Ahmedinejad: he came all the way from being depicted as "Wanted", side by side with Osama b.Laden, up to the point of glittering in prime-time, on CNN. We are even compelled to believe that the much more exposed and primitive nuclear program of Teheran, is now less threatening than the one of North Korea, and even relieved because they'll always have terrorists as an option.

Security is no longer an affair of State, neither an affair of Nations. Security is no longer a rumour to exploit day to day, by a restless journalist, dopped in miracle and wonder. Security is denial, precisely as the Hungarians are doing, now, everyday, in front of their Parliament.

The stop-and-go of US fireworks is coming to an end, just as euphoria doesn't tackle depression, but exhausts the patient. After all, the "American Century" of neo-conservatism, only managed to radicalize Islam, which could be wordly-going, but didn't carve a springborad, to make American universalism bounce back as the "Empire of Evil", once, did. Experts say that, more than the Afghan war, the USSR collapsed because of Ronald Reagan's Star Wars, which led Moscow to neglect russian consummer standards, in order to cope with the arms race. Now, the West finds itself in the same situation. Preventive wars and pre-emption only managed to spin more pre-emptions round and covert actions made the hunter weary of his own dog. Worse than that: pre-emptive wars only succeeded ( if they'll ever do) in weak States.

We shouldn't care whether Condie Rice, or Senator Foley, or Rudolph Giuliani are going to rebound. We should care of ourselves, with the means we have, even if they're parochial, philistine or primitive, such as Nation, Tradition and Frontier. The world wasn't redesigned after the dissolution of the USSR because the bedrock of brave new worlders has always been shlugginess.

It may be that we won't have nothing else than our fingers to write on the water but that will probably keep us afloat on a tide that nobody is able to predict. Maybe marxists are putting their Champagne bottles on the rocks, to celebrate the end of the capitalist society, in thirty years or so. But they will be blind by that time...they won't even remember where the fridge was.

8.10.06

Uma praga russa, por Pedro Cem


Anna Politkosvkaya morreu, com quatro tiros, dentro do elevador, pequenino e estreito, do seu apartamento exíguo de Moscovo. Tinha sido mediadora durante o sequestro terrorista no Teatro Nordeste e fora alvo de uma tentativa de envenenamento quando se dirigia a Beslan, para o mesmo fim. Dizia um pianista russo durante aquilo que eles chamam a Grande Guerra da Pátria e nós Segunda Guerra Mundial que "hoje não quero pensar em Música mas apenas em matar alemães e enterrá-los bem fundo na terra". O Verão está a morrer na estepe, o Sol voa baixo, a Natureza morre e Anna será enterrada bem fundo na terra. Na estepe, o vento levará os soluços dos seus filhitos órfãos, como já levou tantos gemidos, os transformou em uivos de lobo e os trouxe de novo, na Primavera, com os gritos das andorinhas. Na Chechénia o fantasma de Basayev continuará a dançar sobre um pé e o viking islâmico Omarov a cortar-lhe a erva por baixo, com a foice grande.

Há uma alma russa que suporta todas as dores e, de rastos na lama e no frio, toma um balanço sem fim. Essa alma não vive no Kremlin, nem bate às portas de Novgorod. Essa alma foge a correr pela estepe, com o filhinho nos braços. Algures na fronteira onde vagueiam os povos sem mapa, alguém dará fogo de aquecer e água de beber ao filhinho que Anna não teve. Também a estepe sem fim, traz a doce rendição, dos que vencem sendo vencidos e dos que têm o ar míope, confundido e escolheram não ter mar, como Politkovskaya.

O relâmpago cairá na estepe, sobre o assassino que julga fugir. Porque todos os lobos que guardam a Santa Rússia, saiem esta noite a monte para lhe indicarem o caminho.

7.10.06

Foi finalmente descoberta a "ética republicana"


No 5 de Outubro, quando as televisões transmitiram a celebração da data na Câmara Municipal de Lisboa, permaneceu a dúvida se havia mais pessoas nos varandins dos Paços do Concelho se na Praça do Município. O ritual comemorativo do regime republicano já nada diz à população; 16 anos de “balbúrdia sanguinolenta” e 48 de ditadura fizeram com que o princípio nunca plebiscitado se esvaísse, sem sangue nem drama. Ficam 32 anos de Democracia. A precisarem de novo impulso.
O assessorado discurso do PR, que se pode consultar na página oficial que também fala ede uma exposição de carros de luxo da Presidência e da ineleita Maria Cavaco (sic) e outros brindes reverte à "
instauração de uma ética republicana de serviço público". Por Amor de Deus! Que assessor escreve isto!" E que assessorado o aceita ! Estamos em 2006, ou em 1906 onde ainda era legítimo arvorar esperanças na república tout court . . . Que ridículo seria se alguém ligasse a fundo ! Que ridículo é , porque ninguém liga. Que embrulhada misturar um saudável apelo à anti-corrupção com palhaçadas sobre "ética republicana". Ainda se o homem se lembrasse de virtudes mais normais, como as do cristianismo. Mas "quod oleum non dat..."
Agora noutro tom:
Conforme o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de 2005, dos primeiros 20 países – com mais alto nível de vida, maior justiça social, e maior participação popular – todos são democracias e 12 são monarquias constitucionais que, aliás, vêem à cabeça. Os reis despojados de poderes políticos têm cada vez maior apoio entre a população, apesar de alguns os acusarem de constituir um precedente para a desigualdade entre os cidadãos. Em 2006, o livro For Sweden indica que o rei Carlos XVI Gustavo desfruta de 80% de aprovação. A popularidade da família real de Espanha está em crescendo. O 80º aniversário da rainha Isabel II de Inglaterra mostrou a resiliência britânica. Simeão da Bulgária foi primeiro-ministro de 2001 a 2005; quase todos os países da Europa do Leste restabeleceram as armas reais nos símbolos nacionais; eis exemplos que desafiam a imagem incontornável do republicanismo que, na Europa do início do século XXI, deixou de determinar as atitudes e comportamentos políticos das populações.

5.10.06

Fundamental, por Pedro Cem


A Comunidade Amish nos EUA é aquela da Igreja Mennonita holandesa, protestante, mais isolada do Mundo. Rejeita grande parte do Mundo moderno, como automóveis, rádio ou televisão, só baptiza os seus membros quando são crescidos, usa uma roupa uniforme semelhante à do séc. XIX, não tem Igreja senão a casa de uns e outros, tem um bispo por cada centena de pessoas e a comunidade é paternalmente governada por quatro anciãos. Rejeita o Serviço militar e por isso, fugiu da Alsácia, para a Polónia, daí para a Rússia e, finalmente, fugindo aos soviéticos e aos Kaisers, para os EUA. Foi perseguida por Calvinistas e Católicos.

O assassino que os martirizou era um bom marido, bom pai, não era fanático religioso, apesar de filho de um polícia exemplar, não tinha a mania das armas, tinha 32 anos e estava empregado. Mostrou critério ao poupar metade dos sequestrados e sentimentos, na sua ultima conversa, por telemóvel, com a mulher. Era um homem angustiado pela perda da primeira dos seus quatro filhos, nascida prematura e alegou, ao falar com a mulher, que tinha abusado de duas crianças afins, quando tinha doze anos. Embora tal não pareça verdade, equipou-se com material para o sequestro que indica querer concretizar o que então alegou, ou seja, obsessões pedófilas.

Os Amish não podem viver numa ilha rodeada de violência e pornografia ( a divulgação do video de Mohammed Atta e Siad Jarrah, respectivamente líderes do atentado a um das Torres Gémeas e do avião da Pennsyilvania é obscena) sem que ou nós os imitemos ou eles nos imitem a nós. Como parece que eles são mais perserverantes e até começamos a comer os produtos ditos biológicos que eles produzem e de que vivem há séculos, a única segurança que lhes podemos dar é: não consertar a TV quando se estragar, evitar roupa libertina, pensar num meio de locomoção que não o automóvel, reservar as armas para aqueles que tradicionalmente as podem usar e voltar à terra, esperando que quem usa armas o venha a fazer também. Ah...e relativizar a democracia.

Não precisamos de acreditar em Deus, nem baptizarmo-nos pela segunda vez, agora que somos crescidos. Porquê? Porque a primeira reacção dos Amish após o concluir da tragédia, foi fazer uma colecta para ajudar os pais das crianças assassinadas e a viúva do assassino. Contra uma classe destas só nos resta rendermo-nos.

3.10.06

Religion is just Hate and Will of Power, by Globetrotter

Freedom and Democracy have just arrived to the Amish Community in America.
Instead of living their own way which is never free, since it is autonomous and requires the reference to some recurring perfectionism and self-sacrifice, the Amish are now envisaging to carry guns.
After surviving almost intact to wars, aggressive nationalisms, persecutions, in Europe, now they must ( they have) to share the Fourth Amendment of the US Constitution, renounce their abhorrence of guns and carry them as any regular citizen of the Brave New World.
As a matter of fact, they were one of the building blocks of America, the guardians of the pure stream which flows from our conscience and not from our appetite.
Now, they just have to be like anyone else. They'll have to lesson to radio because of Police alerts, watch soap-operas and real life shows to defuse stress, hold mobile phones for security reasons, have someone else's bishop, go to church every Sunday, even Drive-in churches with coca-cola and fodder for the horses.
One of the signs that New York was raising from the ashes after September 11, was the reappearance of an Amish vendor who used to offer a large variety of biological products, at the underground entrance in the Rockfeller center ( we call them "biological products" despite the fact that they are the same products that the Amish have been breeding for centuries). Be sure that just looking to the tenderness of their products would make any honest man cry.
Be democrats, be republicans, be Eagles, poor Amish dodos! God is just a taxation concept, you have to be free, you must follow democratic rules and trends, read Rosseau and the Marquis of Sade, leave the Bible for those who master ancient Languages. Your wives are certainly oppressed, your old men are not allowed to file for euthanasia, your children are being abused since you put them working on land when they are twelve and your young men have the right to wear buttoned coats, skirts and expand all the gaiety inside them.
Be free, join the army to fight in the cruzade against the muslim fanatics.

And I, who just thought, you were a piece of Heaven on Earth...

Today I'm Amish, and I share the pain you feel, knowing for certain that your clean hands hold the keys of Peter.

Vá por aqui...

Tungsténio

para mim tanto faz

Sala Oval

1.10.06

Falcão e Borsalino, por André Bandeira

Vai estrear em Itália um filme sobre Falcone, o Juiz anti-máfia, que foi pelos ares com a sua mulher.
Falcone costumava-se chamar a si mesmo, o "morto que caminha". Era siciliano como grande parte dos seus antagonistas.
Neste tempo de inocentes a ir pelos ares, Falcone não era inocente. Sabia com quem lidava. Um dia, um dos seus guardas queria casar-se e pediu para ser transferido. Ele ia dar-lhe a transferência porque aquele posto não era muito bom para a saúde. Perguntou-lhe se o guarda gostava do trabalho. Ele disse que não. Mas não se transferiu. Perguntou-lhe depois: mas afinal não te foste embora? Já gostas do trabalho? Não, respondeu o Guarda. Mas gosto de si.
Falcone ria pouco. No mundo onde nasceu e onde acabou por morrer, não há muito para rir. A terra é pobre, desprezada, era melhor se calhar ser independente para chorar sozinha, foi invadida por tipos de fora, desde que há memória mas Falcone acreditou em Roma. Ou não acreditou, mas acreditou que há uma Ordem qualquer, uma razão de ser para isto tudo. Alguns dos mais fiéis de Mussolini, até ao fim, eram sicilianos que, como se sabe, abriram a estrada para Roma aos Aliados, não sem antes matarem um comunista, Tresca, que se bateu contra Mussolini desde o princípio depois de Mussolini o deixar sair. Foi em Chicago mas o mafioso que votou contra, matou depois o tipo que mandou liquidar Tresca. Os sicilianos de Mussolini eram juízes e advogados, meteram-se a soldados nas Brigadas Negras. Homens calados, quando chegavam às aldeias dos partiggiani, pediam para falar: deixavam-se ficar, de braços cruzados atrás das costas, expostos às balas fazendo os seus discursos pela honra da Itália, pela Ordem que era melhor que o caos, etc. Ninguém os ouvia mas tinham conseguido quebrar o seu silêncio interior, guardado de séculos, para cantarem aquelas palavras em que tinham acreditado. Muitas vezes era o seu último canto.
Aqui há pouco tempo, um destes sicilianos cansados de caos, que se recusou a pagar o pizzo, e andava com a cabeça a prémio, perguntaram-lhe numa entrevista porque fazia aquilo. Respondeu ao jornalista: porque quando morrer, tu terás de me amar.

Assassinato em Samarcanda


O ex-embaixador britânico no Uzbekistão, Craig Murray, escreveu um livro extraordinário sobre os anos em que serviu em Tashkent, de 2002 a 2004. Aí levanta a ponta do véu sobre a "guerra ao terror" de Bush-Blair. Claro que há grupos de terroristas islâmicos contra o Ocidente. Mas o centro da política americana na Ásia central é sobre o petróleo e o gás. Por detrás das pequenas " bases de nenúfar" dos E. U.A, com 1.000 a 3.000 homens cada, está o cerco do "Grande Médio oriente" que inclui a região do Mar Cáspio, Tengiz, as reservas do gás de Turkmenistão e Uzbekistão e o Golfo Persa. Em emergências, estas bases podem albergar 40.000 homens, como um nenúfar que se abre para receber uma rã ou um sapo. Com a ascensão dos gigantes económicos China e Índia, aumentará a pressão sobre o combustível nas décadas seguintes. A Europa é um importador. E Washington protege o acesso a combustível. O exagero da ameaça da al-Qaeda é um pretexto para a estratégia de cerco. Murray não o diz mas a estratégia inclui a conquista e a ocupação militar do Afeganistão e do Iraque.

O Uzbekistan tem reservas do gás. E o governo de Karimov, velho apparatchik soviético é apoiado por EUA. Desde 2002 Murray recebia provas das técnicas de tortura dos dissidentes. Corpos, baleados, esfaqueados, e escaldados Na base aérea de Karshi-Khanabad em Uzbekistan, torturava-se. Os E. U.A esperava contratos do gás natural de Uzbekistan. Mas em 2004 atrasado, os Uzbeks contrataram com a Gazprom

A CIA falava de operacionais conhecidos do al-Qaeda no Uzbekistan. Mas a informação vinha da polícia secreta de Karimov. E os dissidentes torturados falavam da al-Qaeda.

“Assassinato em Samarcanda" deve ajudar ao despertar sobre o embuste da "guerra no terror." Se esta "guerra no terror" promove um Karimov, e os dirigentes “vodka”; se tortura para obter falsas informações sobre meia dúzia de "terroristas" da "al-Qaeda que cada vez menos diferença fazem, mas que justificam a própria “ guerra ao terror”, estamos perante a morte moral do Ocidente. Este é o ponto central. Os EUA perderam a superioridade moral para conduzir o Ocidente. Os europeus não têm a superioridade material para o fazer. E agora?

27.9.06

Reconciliação, por André Bandeira



Estive a ver uma entrevista de Brigitte Bardot, no canal Le Monde, Vies Publiques, Vies Privées. Parece que faz hoje 72 anos.
Que bonita que é Brigitte Bardot, agora. E que bonita que é por dentro.
É bom que se saiba que, nem tudo na entrevista parece verdadeiro, e que Brigitte Bardot nos apresenta uma vida falhada. Sim, falhada...
B.B. diz-nos que sabia desde pequena que era uma mulher só. E sabia-o muito bem ( eu demorei a saber e não o sei bem ainda, ou não quero). Mulher de coragem extraordinária, não deixou por isso de tentar a sorte que sabia não ter. Foi ríspida, à medida que via a sorte fugir exponencialmente, deixou alguns homens magoados a fundo pelo meio, sabendo que ela se iria ainda magoar mais, mas poupando contudo a dor toda de uma vez só, pelo dever que tinha de viver. Foi egoísta mas não foi trágica. Reconhece-se que é ainda muito sensível, depois de trinta anos de solidão que disse ter dedicado ao sofrimento dos animais. Vendeu a casa para a sua Fundação, parece que Mitterrand lhe deu algo que a permite viver num apartamento. Dá dinheiro a outras causas como, por exemplo, a de um negro americano, Farley Hetchett, que foi executado, no Texas, no passado dia 12. É contra a pena de morte mas acha que os que assassinam crianças devem ser executados e admite a contradiçao ( B.B. nunca conseguiu ser mãe). Elogiou Lionel Jospin e lutou por Le Pen. É de Direita porque foi educada assim. Ainda se levanta às vezes a chorar e lamenta o seu envelhecimento. Disse que, algumas vezes, o desespero foi tão grande que roçou o suicídio. Mas escolheu viver (quando me lembra da notícia de há uns anos -- que suscitou a intervenção de Mitterrand -- de que B.B. fôra detida, zonza, pela estrada, na Côte d'Azur, a tentar comprar serviços de homens, já não me envergonho dela). Disse muitas coisas contraditórias mas afirma que a vida é impiedosa e duríssima, pelo que não a chega a amar mas detesta a morte. Avisa contra a celebridade que diz que faz os outros estabelecerem relações artificiais connosco, as quais depois se pagam e, segundo, B.B., tudo se paga na vida.
Esta mulher teve a enormíssima sorte de poder pagar. E está a fazê-lo, porque teve a coragem de enfrentar o seu próprio destino.
Espero que as mulheres que amei e que conheci, ou talvez as que queira amar ainda, as veja agora como Brigitte Bardot nos ensina, ou seja que uma Mulher ou um Homem, antes do legítimo direito ao Amor e à Felicidade, tem o direito a ser eles próprios. E que ignorar quem somos, em nome da Felicidade, é egoisticamente trágico. A Tragédia que nos pode aparecer se decidirmos viver, ao menos não será nem cega, nem egoísta.
Reconcilio-me hoje, um pouco, com a minha infelicidade.
A minha infelicidade como a de muitos dos que me lêem, é bonita como Brigitte Bardot, porque é uma dádiva. Deus deu-nos ao Mundo, a ti e a mim, como a deu a ela.

Mona Lisa por André Bandeira

Dizem as notícias que o segredo do sorriso misterioso de Mona Lisa era o de ter tido o seu segundo filho, pouco antes de posar para Leonardo da Vinci. Entretanto ouvi outras, como a de que era o auto-retrato dum feminino Leonardo, que os cientistas lhe tinham calculado vários dentes quebrados por trás do sorriso (eventualmente da lavra do marido) ou até aqueles que tinham medido o sentido esotérico da geometria exacta, desenhada por trás da pintura a óleo, em parábolas e elipses. Todas estas, tirando, claro, a explicação decisiva de que Mona Lisa era um extraterrestre.

Esta novíssima explicação não explica nada. E estavam quase a deixar Mona Lisa em paz...

Sim, deixem Mona Lisa em paz e concentrem-se nas pessoas reais de todos os dias, que, entre o silêncio e as palavras, entre a morte e a vida, passam pelo Tempo, com sentimentos e pensamentos, passam pela vida com uma “alma”. Por trás de um rosto ( e também do focinho de um animal ou por trás de uma paisagem) existe algo que vem do fundo dos tempos e se prolonga para além deles. Podem dar-lhe um nome que seja vosso, podem até dar-lhe uma segunda cara, meter-lhe uma auréola ou um turbante em volta e depois fazer umas jihads e umas cruzadas pelo meio mas sobretudo, deixai as pessoas em paz. O que vêdes é apenas um insecto chocando contra o vidro que vos rodeia. E já agora: rezar também faz bem, porque pode transformar muita coisa, sendo certo que 100% do que existe, existe para os nossos olhos.

25.9.06

Coisas Feias de Segunda-Feira


"Atentado contra o Papa" Titulo do romance entre os actuais best-sellers na Turquia. O subtítulo também diz muito: "Quem matará o Papa em Istanbul ?"
Mein Kampf também está na lista dos best-sellers turcos. E ninguém esqueceu Os Lobos, um romance e filme sobre um massacre de americanos por tropas turcas.
É só emoções fortes, lá para os lados do Bósforo.
É mesmo preciso reler a posta anterior do André.

24.9.06

Coisas bonitas dum Domingo, por André Bandeira


Shalom, ao meu amigo Waldemar, porque é ano novo. Celebramos daqui, o Roshe Shana, até ao Yom Kippur, o dia do perdão universal. E à minha amiga Latiffa porque se iniciou o Ramadão. Como João Paulo II tinha pedido, em 2001, fiz um dia de jejum em homenagem aos meus irmãos muçulmanos. É o tempo da Grande Jihad, a da luta contra nós proprios. Fazer jejum, até de fumar, de ver imagens excitantes ou estimulantes na Televisão. O Concílio do Vaticano II, citando um texto de Gregório XVI ( séc. VII D. C. ) diz que nós, cristãos, estimamos os nossos irmãos muçulmanos, adoradores do Deus único, o Deus misericordioso e omnipotente, pela oração, pela esmola e pelo jejum e que eles procuram de um ponto de vista moral submeter-se inteiramente aos decretos de Deus, mesmo aqueles insondáveis, como quando Abraão partiu, com a morte na alma, para a montanha, com seu filho Isaac, seu único filho, disposto a sacrificá-lo. Os nossos irmãos muçulmanos que não aceitam Jesus como Messias, mas que acreditam que nasceu da Virgem Maria e que desapareceu no céu transformado em luz. E mesmo que o Valdemar não acredite em nada disto, poderemos admirar todo o saber de Amor, na tradição do Rabi Hillel, que Jesus ensinou e também a sua justa rispidez, como o Rabi Schammai ensinava.Tudo isto numa história que não tem fim. Vi que em Espanha há uma menina de 7 anos que ensina a sua velha vizinha, D. Pepa, a ler. E que há uma organização nos EUA, chamada Project Innocence que está já a tratar de 8000 casos de tipos no corredor da Morte a quem nunca fizeram as provas de DNA mas que se crê estarem inocentes. E sei que, neste momento, um médico exausto se bate pela vida de um seu paciente, num lado qualquer. Vi algo sobre os orfanatos na Roménia, onde havia cerca de 700.000 mil crianças tão abandonadas que algumas até se tinham cegado a si próprias para chamarem a atenção de um afecto que nunca tinham sentido. Sei que os estão a reduzir, a colocar em famílias de acolhimento, romenas, mas também a reduzir as Instituições onde algumas trabalhadoras têm mais tempo para eles e numa delas vi até um menino que tinha uma cara tão feliz só por ver a Instrutora a cantar-lhe e a dar-lhes um copito de sumo, todos alinhados em torno da mesa como um Jesus e os Apóstolos em miniatura. Mas também ouvi uma miúda da rua, que se veste de rapaz para não ser abusada, a chorar em frente à Câmara como se ainda reivindicasse o direito a um afecto que nunca conheceu. Dizem os especialistas que a entrada da Roménia na União Europeia vai ajudar os jovens pais a serem mais assertivos e a não deixarem os filhos ao Estado, à primeira dificuldade ( que às vezes é bem grande). Vi que os bébés abandonados têm algo de adulto nas suas caritas, não porque tenham sofrido como adultos ( são demasiado pequenos para adoptarem expressões correspondentes) mas porque ficam nos lábios e nos olhos com o torpor ou o espanto de adultos que não conseguem vencer os obstáculos. E depois, balançam continuamente, quando a solidão se tornou absoluta...balançam como um devoto hebreu ou muçulmano recitando versos dos seus textos sagrados.
E vi outras coisas muito bonitas, e muita gente boa e honrada. E ouvi até a história dum rapaz adoptado, do Mali, que quando chegou a adolescente, encorajado pelos colegas, quis ser muçulmano como fora ainda até aos oitos anos, antes de ser adoptado. Foi ter com o Iman, da sua mesquita em Paris e este disse-lhe: " O Corão manda que respeites os teus pais. Os teus pais são quem te adoptou, eles são cristãos, não podes reconverter-te se os ferires. Por isso, não voltes cá".

22.9.06

The Killing News by Globetrotter

Chavez made his speech. But he overlooked the rules. He doesn’t even know the limitations of the spoken word, since the dawn of times, especially in the place where he pronounced them…this said, in our times. Clinton referred that Chavez’s words won’t do any harm to the United States, but only to him and his country. What did he mean? Not Chavez who was crystal sharp, but Clinton, who could be interpreted has if he meant that everybody knows Bush Jr. for a demon and the enunciation of that fact doesn’t skip the duress of keeping him in power. Chavez had in his hand a book of Noam Chomsky, a genial Linguist who happens to be an idol of the 68’s generation. But that was only a coincidence, since Chavez doesn’t need a Linguist to make the headlines and Chomsky doesn’t need to weigh his words to have an impact. Reading we are: we even read the models’faces to guess whether their bodies are skinny enough not to pass the exam of Spanish catwalks…because we cannot avoid thinking of their tempting bodies, since “we like it like that”, as Kylie Minogue sings. Reading we go: the Pope’s speech and an old Byzantine Emperor’s words. As Chavez is in rage, so was the Emperor. Ali Sistani, the Shiite ayatollah of Iraq who avoided a bloodbath just after the invasion of that country was once declared as a Nobel Peace prize pretender and some images of him, had been, then, divulged, depicting the old man while reading the Qur’an. He smiled. That’s why holy Books are sacred: God speaks through a century-old tradition and often reveals Himself to the good-faith reader.
But we read too much. Nothing is definitely coded in the things we chase. Jesus didn’t have a personal Library. In Qanah he was happy once, earthly happy in the middle of the other’s happiness. He even performed his first miracle, after scolding His Mother, because He thought that His time hadn’t arrived yet. But He didn’t know that His time had indeed arrived. He didn’t have a personal computer with a pre-programmed pre-emptive signal.
A nun was liquidated in Somalia. So was her Somali body guard. News says that it had nothing to do with the outrage at the Pope’s words. Three Christians were executed in Indonesia, after five years of trial on the genocidal riots with Muslims in 2000. The courts in Indonesia are not great, neither the respect for Human life. And on we read. After being aware and informed, we find ourselves in a line of battle which engulfed us, unawares. Do we want it? Do we really think that there are not ways to settle things without killing or providing good kills? Killing doesn’t happen any time – one has often to have inculcated in his mind that he’s just defending himself. When was the last time we purified our thoughts and impressions, or, at least, put them in order? We certainly have the right to have and express an opinion. But we have the duty of living and allow living.

20.9.06

Fé, Oração e Universalidade, por André Bandeira

Três Cruzes no portinho da Arrábida (foto Lucy Pepper)
Há um pedreiro italiano, Ulberico Lambertucci, que descobriu a corrida aos 50 anos. Já lá vão outros anos, tem-se dedicado a correr por esse Mundo fora, primeiro com a sponsorização dos seus amigos de paróquia ou seja umas palmadas nas costas e uns abafadinhos, depois, com pouco mais do que isso, de modo que só lhe fizeram uma reportagem na TV, depois de ter atravessado a Ásia.

Foi a correr até Fátima mas primeiro até Loreto, do Santo Padre Pio, aquele das chagas nas mãos. Quando chegou a Loreto, passou pelo padre e pelos amigos que o esperavam, sem dizer nem xim nem mim e entrou na Igreja. Depois voltou aos amigos e disse, "primeiro Nossa Senhora, depois os amigos".

Entretanto viu que João Paulo II tinha problemas com a China, a Igreja subterrânea, o juramento de fidelidade da Igreja oficial à Constituição, as prisões, etc. Calou-se e foi a correr até à China. Demorou 180 dias, teve uma festazita no Kazquistão em que a gente de lá lhe deu o que pôde, o Governador recebeu-io dizendo o que admiravam a Itália e seguiu.

Perguntaram-lhe o que faz a maior parte do tempo que corre, por essas estepes, nevões e lamaçais, sózinho. Ulberico responde: 'a maior parte do tempo, rezo".

19.9.06

Banqueiros: be afraid!

Banqueiro em Kabul. Para lembrar que é este o início de todos os impérios financeiros; uma banca para trocar dinheiro, seja o que for que vai em redor; a "bancarrota" é quando o banco era partido por falta de pagamento ou corrupção. Entre o homem de KAbul e Rothschild a financiar as guerras napoleónicas e anti napoleónicas; ou o First Mannhatan Chase a financiar empréstimos do FMI e WB não há diferença. BE afraid! Primeira reacção; ser anti-plutocrata, a reacção saudável

16.9.06

Com Atraso indesculpável, MCH


Quando souber carregar o PPT que adaptei, carrego....

"A bolha um dia terá de estourar", Moniz Bandeira

11 de Setembro - Cinco anos
ENTREVISTA / MONIZ BANDEIRA - Publicado em 11.09.2006

O professor baiano Luiz Alberto Moniz Bandeira, um amigo de Portugal, é considerado um dos maiores estudiosos da história política internacional, e fala do lançamento de seu livro "As relações perigosas: Brasil - EUA (De Collor a Lula)".

Eleito pela União Brasileira de Escritores o Intelectual do Ano, em 2005, o cientista político e escritor baiano Luiz Alberto Moniz Bandeira é um crítico ácido da política externa americana. Em Formação do Império Americano, ele adverte que, mais dia, menos dia, o sonho americano vai virar pesadelo. "A bolha um dia terá de estourar", prevê o vencedor do Troféu Juca Pato, da Alemanha, de onde conversou com o Jornal do Commercio, por telefone e por e-mail.

JORNAL DO COMMERCIO -Em seu livro Formação do Império Americano, o senhor cita a previsão de dois senadores norte-americanos a respeito do domínio dos Estados Unidos sobre o mundo por, pelo menos, 25 anos. Esta "profecia" vai se cumprir?

MONIZ BANDEIRA - Não se trata propriamente de uma profecia, mas de um cálculo. É claro que os Estados Unidos já não são mais hoje uma estrela de primeira grandeza, como no tempo da Guerra Fria, em que se confrontava com a União Soviética e congregava todos os países do Ocidente e outros sob sua liderança. Hoje as áreas de contestação à sua hegemonia estão a aparecer em todos os continentes e os Estados Unidos não se mostram capacitados a responder aos desafios com que se defrontam. Na América Latina, o antiamericanismo cresce. A Venezuela está em confronto com os Estados Unidos, que não conseguiram impor a ALCA, em virtude da oposição do Brasil e da Argentina. A eleição de Evo Morales na Bolívia comprova essa tendência, que também se manifesta no Equador e no Peru. E o Plano Colômbia não conseguiu estabelecer a paz no país, onde as Farc dominam cerca de 40% do território. Foi outro fracasso. A Coréia do Norte e o Irã são outros focos de contestação e que não se curvam às pressões e ameaças dos Estados Unidos. A invasão do Afeganistão e do Iraque foi outro fiasco. Os Estados Unidos não venceram a guerra pela simples razão de que não conseguem estabelecer a paz. A luta continua nos dois países. E Israel, que serviu aos propósitos dos Estados Unidos ao atacar o Hezbollah no Líbano, fracassou também no seu objetivo. Não destruiu o Hezbollah e perdeu sua autoridade moral, em virtude da fúria devastadora de seus ataques, dos bombardeios indiscriminados, matando civis e destruindo a infra-estrutura do Líbano.

JC - A hegemonia dos EUA está com os dias contados?

MONIZ BANDEIRA - Não posso dizer com os dias contados. Mas o fato é que ela se esgarça, perde força cada vez mais, em decorrência não apenas de fatores externos, mas também de fatores internos. É lógico que o terrorismo não constitui um fator de coesão, como o foi o comunismo, representado pela União Soviética, o Bloco Socialista e partidos comunistas em todos os países. O terrorismo é um método de luta que os Estados Unidos, inclusive, sempre usaram, como, por exemplo contra Cuba, e usam. E, do ponto de vista econômico, os Estados Unidos continuam a emitir dólares sem lastro para comprar energia e manufaturas e os países que lhes vendem usam os mesmo dólares sem lastro para comprar bônus do Tesouro americano, financiando assim o déficit da conta corrente do balanço de pagamentos, que no último mês ascendeu a mais de US$ 900 bilhões. Ao mesmo tempo, apesar da desvalorização do dólar, os Estados Unidos não conseguem reduzir seu déficit comercial, que conflui com o déficit fiscal e entram em um círculo vicioso. O enfraquecimento do dólar produz a elevação do preço do petróleo, do qual os Estados Unidos importam metade do seu consumo diário, bem como de outras matérias-primas e bens de que necessitam, o que não permite uma redução substancial do déficit comercial. Por outro lado, o engajamento nas guerras do Iraque e Afeganistão e as necessidades militares em todas as regiões do mundo não lhe permitem cortar drasticamente o déficit fiscal. Os Estados Unidos possuem hoje uma economia de guerra e sem guerras não podem sustentar o seu funcionamento. Daí que necessitam consumir suas bombas e outros armamentos, em guerras diretas ou através de Estados-clientes, como Israel, de modo que possam fazer novas encomendas e manter o complexo industrial-militar, nível de emprego etc. Como conseqüência, o déficit fiscal não pode ser reduzido e tende a aumentar. O cenário que o professor Paul Krugman e o financista George Soros vislumbram, assim como o Asian Development Bank, é o colapso do dólar, algo como o que sucedeu com a Argentina, talvez menos intenso, mas que abalará toda a economia mundial. Alguns economistas entendem que o dólar está sobrevalorizado e pode sofrer uma queda brutal de 15% a 40%. O que ainda afasta essa possibilidade, mas não a elimina, é o fato de ser o dólar a moeda internacional de reserva. Mas não se deve esquecer que a maior parte do petróleo mundial é comercializada em dólar e o colapso do dólar sem dúvida acarretará uma enorme alta no preço do petróleo, o que também poderá ocorrer se o Irã for atacado ou os Estados Unidos tentarem desestabilizar o governo presidente Hugo Chávez na Venezuela. Daí porque há rumor de que certos contratos de petróleo tendem a passar para o euro o que acentuaria depreciação mais rápida do dólar. Naturalmente, que um colapso da economia americana, afetará gravemente todos os países do mundo e provocará mudanças radicais no panorama internacional. De qualquer modo, mesmo que não ocorra a curto ou a médio prazo, o colapso, ou que não ocorra, o fato é que se prevê que até 2030 a China vai superar os Estados Unidos e a tendência do mundo é para a multipolaridade. O Brasil, se construir a Comunidade Sul-Americana de Nações, pode constituir outro pólo, ao lado da União Européia, Rússia, Índia, Estados Unidos e China.

JC - Que países poderão fazer frente à atual potência hegemônica?

MONIZ BANDEIRA - A hegemonia americana é atualmente um fato. Sua economia é da ordem de US$ 12,36 trilhões, mas sua participação no PIB mundial está a decair, superada pelo conjunto das economias da China, Índia, Brasil e Rússia. Os EUA, porém, ocuparam militarmente alguns territórios da extinta União Soviética, e dos Estados que integravam o Bloco Socialista. A estratégia da ocupação desses territórios pelos EUA no Báltico, depois a Europa Central, a Ucrânia e a Bielorrússia, até os Bálcãs, e culminou na Ásia Central, com a invasão do Afeganistão, e em no Oriente Médio, com a invasão do Iraque. As bases militares americanas estão espalhadas por todas as regiões. Conforme salientou o professor José Luís Fiori, elas controlam quase todo o "Rimland", considerada por Nicholas Spykmana área geopolítica mais importante do mundo para o exercício do poder global e os EUA já construíram um "cinturão sanitário" separando a Alemanha da Rússia, e essa da China, a evidenciar que estes países já são, no século 21 considerados e tratados como os verdadeiros concorrentes dos EUA. A União Européia continua aliada dos EUA, mas a fratura já foi exposta pela guerra no Iraque. E ela somente poderá assumir um papel mais ativo e independente, quando construir sua própria força militar, separada da OTAN.

JC - As fragilidades da economia americana são o seu calcanhar de Aquiles?

MONIZ BANDEIRA - Os EUA são um império altamente dependente. Dependem de petróleo e gás e de capitais para financiar a conta corrente do seu balanço de pagamentos, o que só têm conseguido, artificialmente, mediante a emissão de dólares sem lastro. Seu consumo diário de petróleo era de 20,03 milhões de barris em 2003, mas tinha de importar mais da metade, cerca de 13,15 milhões de barris. Se houver qualquer ataque contra o Irã e/ou a Venezuela, o preço do petróleo pode disparar, saltar para US$ 200 ou mais. E acontecerá com os EUA? O maior adversário não é, portanto, nenhum país nem o terrorismo islâmico, mas a própria fragilidade de sua economia, em que os déficits-gêmeos não poderão ser sustentados indefinidamente. A bolha um dia terá de estourar. A recessão pode estar começando. Mas, nos EUA se aguça o problema social. Nos Estados Unidos, com uma população da ordem de 298,444,215 (junho de 2006), há cerca de 12% vivendo abaixo da linha de pobreza. O desastre de Louisiana, em virtude de furacão Katrina, demonstrou-o o estado miserável em que vive grande parte da população americana.

15.9.06

Umas Mulheres ideais, por André Bandeira


Morreu Oriana Fallaci, morreu Susan Sontag. As mulheres de Pereira, uma cidade na Colômbia, decidiram usar o seu "direito ao próprio corpo" e não dormirem com os seus maridos ou amigos quadrilheiros, enquanto estes não renunciarem às armas. Nem Oriana Fallaci se reconciliará com a Humanidade, nem Susan Sontag venceu a sua batalha final contra a doença , nem as mulheres de Pereira poderão vencer eternamente os seus "padilleros", nem saber se eles usam armas ou não, quando mais um cadáver dos que aparecem em Pereira, diáriamente, aparecer outra vez, depois de uma breve interrupção.
Muitos gatos aparecerão mortos, só por desporto, em Pereira e em outros lugares. André Glucksmann lembrou em "O Poder da Vertigem", há muito, que Freud dizia uns se dizem pacifistas porque se sabem violentos e outros seguem a violência porque procuram a paz.
A Paz é uma chatice e o corpo dá-se a batalhas massivas por cada hora que passa.
Contudo... que fique este sinal de paradoxo, esta interrogação em sorriso de Mona Lisa e que faz essas mulheres pobres de Pereira, menos produzidas que as Venezuelanas e menos castiças que as cubanas provarem o seguinte: pode-se não ser tudo e viver com um pouco menos, só por honra ao firmamento estrelado e uma noite tranquila.
E assim o nosso nada se acrescenta ao sorriso de Deus.

Biocombustíveis

A potência energética mundial passa pela possibilidade de ampliar a produção de biocombustíveis que são biodegradáveis. Além do etanol e do biodiesel, as pesquisas com o bioquerose, que atrai parceiros da aviação. O Biodiesel é produzido a partir de gorduras animais e óleos vegetais. O Etanol a partir de madeiras, caruma e matos da floresta. Em Portugal, o projecto industrial está no papel há sete anos, desde que o empresário Pedro de Avillez o tentou introduzir com a Abengoa, de Sevilha. No Brasil vai florescente e tem blog.

14.9.06

Interpretação do 11 de Setembro, por André Bandeira


Vi hoje o caso de Joaquín Martinez , um espanhol que estava no corredor da morte em Miami e conseguiu provar que era não-culpado de um duplo assassínio pelo qual fora condenado. Uma família unida e ibérica juntou-se, um bom Rei, um honrado cônsul, um homem bom, advogado norte-americano …

Vejo que as pessoas que entraram nas Torres Gémeas no dia 11 de Setembro de 2001, entraram no corredor da morte sabendo que eram inocentes. Os mesmos do 11 de Julho em Madrid e noutros lugares . Os miúdos que entraram no refúgio em Qanah, onde viriam a ser esquartejados, durante o sono, entre um canhão do Partido de Deus e um míssil do Povo de Deus, esses sabiam, por não saberem, serem um pouco culpados, ao andarem e terem nascido em fuga há muito tempo e, sobretudo, por serem inocentes.

Quem não tem, por definição, nenhuma culpa, é culpado, porque não entrou ainda no Mundo asfixiante da culpa. Eu matei um gatito prêto quando era miúdo e, apesar de o tentar ainda salvar, quando ele me agitava a sua patita, paralisado por uma dor que o seu mundo breve, de um barranco e uma lixeira entre a poeira não explicavam, nunca me esquecerei da sua carita desolada, de boquita aberta, tentando estender a patita talvez para pôr direito esse Mundo que se virara, brutalmente ao contrário. Deus sabe que nunca conseguirei ultrapassar esta dor dentro de mim, visto que não posso ressucitar este gatito e adormecermos os dois numa tarde de Verão, sózinhos, um velho adiado com um gato zarôlho nos joelhos, que só se têm um ao outro. Posso tentar ajudar animais, ser vegetariano, como já tentei, mas nunca ultrapassarei esta dor que me há-de acompanhar até ao fim da vida. E que Deus e vós me perdôem…

Assim é o mesmo com as pessoas que entram nos vários corredores da morte, sejam da Existência ou da História, sabendo-se culpados ou desconhecendo-o completamente. Vão para o corredor da morte como quem se mete numa escada rolante. Lembra-me dum casal de dois velhitos chineses, agarrados um ao outro, rindo um pouco envergonhados a tentarem meter o pé numa escada dessas e a retirarem-no várias vezes, sem conseguirem.

Descubro então que a única defesa para não cometer mais crimes, estejam eles ou não inscritos nos meus genes, é a de ter saudades e amar toda a abjecção duma vida falhada, obscura, disléxica e até anedótica se não fosse tão torta. Tenho a certeza que uma vida assim, me fará suspirar, quando vier o tropêço final, a brisazita de não fazer grandes disparates. Posso até somar os deveres de todas as religiões, tentar loucamente cumpri-los, perder a razão na penitência de pecados imaginários, fazer até tropeçar o pé esquerdo no pé direito que tropeçara antes, julgando sem saber bem que até pus o diabo tôlo.

Mas quantas pessoas por esse Mundo fora, apagadas e de quem já o vento se esqueceu, são a vitória definitiva contra todos os tortos e disparates que não chegámos a cometer ? E saber que essas pessoas rodam com o silêncio da Terra pelo Universo, pelos séculos dos séculos, adormecidos na colcha luminosa do Tempo, serena enfim meu coração.

Ah, enganei-me na tecla. Que bom chegar ao fim e tropeçar mais uma vez…

12.9.06

The widening Atlantic, Financial Times


Every year the annual “Transatlantic Trends” opinion survey provides a fascinating, if often alarming, insight into the state of transatlantic relations. The latest report, organised by the German Marshall Fund, has just been released. It deserves particular attention given the impending fifth anniversary of 9/11. It will not make for happy reading in Washington. But it is unlikely to cheer up the leaders of Iran either – there is surprisingly strong European support for the idea of military strikes against Iranian nuclear facilities.

The big picture is that European sympathy for the United States and support for US global leadership fell precipitately in the wake of the invasion of Iraq – and is still in the doldrums. In 2002, 64 per cent of Europeans saw American leadership in world affairs as “desirable”; by 2004 that had fallen to 36 per cent, and this year the figure is 37 per cent. Mention George W.Bush explicitly and approval ratings fall even further. Just 18 per cent of Europeans approve of his handling of world affairs.

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Behind the big picture there is a wealth of fascinating detail. There are four points that strike me as particularly interesting:

1) The sharpest decline in support for America has come in the most traditionally Atlanticist countries such as the Netherlands, Britain and Portugal. At a popular level, the traditional distinction between the pro-American British and the anti-American French no longer really holds. A chart of “Who supports the US most” shows the Romanians as the most pro-American country polled and the Turks as easily the most anti-American. The UK and France are grouped next to each other in the middle, with the British only marginally more supportive than the French.

2) Perhaps the most surprising and counter-intuitive trend is that all this European suspicion of American global leadership will not necessarily translate into opposition to military strikes on Iranian nuclear facilities. Both Americans and Europeans regards military strikes as the worst option available. But on both sides of the Atlantic, lots of people are prepared to contemplate military strikes as a last resort, “if diplomacy fails”: 53 per cent of Americans support military action under those circumstances, as do 45 per cent of Europeans. The French are actually marginally more bellicose than the Americans: 54 per cent of French people would support military strikes as a last resort.

3) Something strange and disturbing is happening in Turkey. For the first time ever less than 50 per cent of Turks (44 per cent to be precise) are prepared to accept the idea that “Nato is still essential”. Turkish support for joining the EU is still above 50 per cent - but only just. It stands at 54 per cent compared with 73 per cent two years ago. And Turks are dramatically out of sympathy with America. Asked to rate their feelings for other nations and groups of people out of 100, the most popular group are the Palestinians (47), followed by the EU (45), Germany (44) and Iran (43). America is down at 20, beaten in the unpopularity stakes only by Israel on 12.

4) Finally, although anti-Americanism in Europe is often dismissed as an elite phenomenon, a separate “European elites survey” suggests that exactly the opposite is true. GMF polled a large group of members of the European parliament and officials working for the European Commission. They found that 73 per cent of parliamentarians and 75 per cent of Commission officials were prepared to say that US leadership is “somewhat desirable”, compared with less than 40 per cent of the general public. Mind you, only one out of 50 Commission officials polled had a positive view of George W. Bush. Presumably that individual will now have to be found and sacked.

10.9.06

Ler Marx em Setembro, por André Bandeira


Porquê ler Marx? Agora, por Humanidade, a qual sobrevive sempre aos cataclismos ideológicos. E porque a sua voz dogmática, metálica, o seu desprezo pelos patuscos, burgueses ou revolucionários, sobrevive decerto ao marxismo.
É curioso recordar uma hipnose feita de corridas e aventuras, algum sexo, muita demagogia e irresponsabilidade e uma demorada orgia de Poder. Isso do materialismo histórico e do materialismo dialético estão sempre vivos, não é qualquer um que volta agora atrás a uma fase que se já passou, nestes ricorsi de Vico, ao tempo dos heróis de teatro. Biólogos e Físicos, nos EUA são todos marxianos, mesmo sem serem marxistas. O mais brilhante teórico de Relações Internacionais de hoje em dia, o norte-americano Wallerstein, é marxista. Só os economistas não são, porque esses estão a investir na Bolsa e são suficientemente discretos ou mentirosos a respeito do que sabem, para não irem para a cadeia. Aliás, o Mundo ficou marxista. Está todo socializado, cheio de oportunidades de prazer para as seduções e fumo de charuto de novos Marx. Marx seria o primeiro a aprovar o bombardeamento de Teerão. Deixem-se de doutrinas porque Marx por ele mesmo, como nos deu o receoso Raymond Aron ou descontrolado Louis Althusser, estão bem vivos nos estilos de Richard Branson da Virgin ou outros empresários de sucesso, que vivem como as plantas sensitivas, ao foco da Televisão. Felizmente que os primitivos russos e os chineses já se deixaram de interromper o processo deste carril de História que nem nos deixa piar. A doce transição para o socialismo está aí a ser feita pelos melhores individualismos e efeitos virtuais do Ocidente, senão mesmo pelos soldados americanos no Médio-Oriente, com as suas modas liberais, pragmáticas e despachadas, como a pilula ou a meia de nylon. Marx, no fundo, ao contrário do incestuoso maluco Bakunine, queria um Partido de fato e gravata, dentro da Lei. Detestava a Comuna de Paris e, por isso, talvez Brasillach e Rebatet, que eram fascistas, homenageavam regularmente o muro dos federados onde os operários e miseráveis de Paris morreram de peito aberto às balas, gritando frases de raiva variadas e incompreeensíveis. Marx é rebelde, inteligente, sedutor, não perdoa, tem muito de mediterrânico. O amor que sempre demostrou pela própria família revela um homem quente e bem vivo. É até digno de pena, a pena que ele não teve senão pelo Proletário ideal que o levaria ao estrelato, tão certo, como uma fórmula matemática, que só existia na sua cabeça e no coração vingador de Lenine, o qual tivera um nobilíssimo irmão. Há um Santo Marx, como ele gozou com o "Santo Bruno Bauer" e o "Santo Max Stirner"? Há sim. O Santo do Espírito de Hegel que sempre me fez desconfiar do erotismo balzaquiano das sessões de espiritismo. Tudo o que é real é o nosso espírito, as nossas teorias, as nossa verborreias de café e de engates galantes, os nossos ismos construídos em bibliotecas. Um espírito sempre a correr, necessáriamente para cima, como se a realidade fosse apenas uma anti-matéria impertinente da Razão. Este Santo é um Santo do Mal, com a foice do genocidio ou o cordel da guilhotina, na mão.
Realmente eram melhores, em vez do trocismo e do sectarismo de Marx, da sua vaidade e da sua irresponsabilidade, os revolucionários genuínos, pobres ou ricos, como Émil Henri ou Ravachol, que viveram a sua tragédia pessoal até ao fim, seguindo a sua consciência. Esses teriam lugar no perdão dos que foram sedentos de Justiça e não, como Marx, que, apesar do seu apurado sentido de Justiça, tinha era ambição de honrarias. Felizmente que o seu amor pela família, bem pouco eficaz, o salvou, no coração, antes de morrer. Morrer por ser incapaz de viver sem a mulher e a sua filha, ambas de nome Jenny ou ter um amigo como Engels até ao fim, não sei se todos teremos essa consolação.

5.9.06

News of the World, by Globetrotter


The poor Irwin died. But his death was registered in video, as most of his life. He was a good, benevolent ape-man, who decided to climb back the genealogical tree of other erect apes and try to live in harmony with Nature. His legacy remains, as the snapshot of his sincere, childish face, tenderly rubbing a baby crocodile, does. Australians are some of those outcasts from the western world, who were unfortunate and fortunate enough to sleep tight in Nature’s arms. They got a little bit of kangaroo, ostrich and of crocodile; they found their identity in a Continent where Nature managed to stay in a closed circuit for many years of the historic era. In the meantime, another ailing ape-man says that the worst is already gone, but not for his ailing people. Hunger and humiliation may justify shooting but never a State, except in a rough mind, could justify the death of a single man. And this ailing Fidel, now, flows in the cheering and tears he didn’t shed for the lonely losers he pushed to the execution wall, at desolate dawns. We should do everything we can to get him a nice wheel-chair and a nice sailing to a peaceful port of exile: he’s about to fight his worst battle, the one we all have to fight alone. There will be no chaos, after his departure and, at least, this rough and heartless ruler would be absorbed by the Past, which is a generous kingdom. Guenther Grass should be laughing at life. What an actor he was, how vivid, almost real he played! Will he find courage enough to say something in front of a mirror that doesn’t shed a second image, the one of Faust? I know the world is cynical but should the cynical go on receiving Nobel Prizes? They say that only mediocrity sticks to coherence, but he has been always coherent, a coherent liar. The Taliban are fighting back. They do not want to be free. They want to be themselves. Nobody wants to be free before being himself. In Israel everything is in turmoil. There are suspicions that the President himself and the Minister of Justice have raped or harassed someone. But P.M. Olmert justified the track of war because people were losing the pleasure of life, out of Hezbollah’s rockets. I guess there are many more reasons for the Israelis, who have the sacred right to live and exist where they deserved to be, for being depressed. And clap your hands, clap your hands! The British, French, Italian and German soldiers who have been summarily executed in the end of the First World War, on grounds of cowardice, have been finally rehabilitated. The news was discreet but the lesson stays. Some rebelled but these ones suffered alone in a living hell. May we finally hold their livid and desolate hands. Notorious women are running for Presidents. Behind a Great woman, there is always a cupid man.

3.9.06

Aphorisms at the end of Summer, by André Bandeira



1 - The sight of Beauty may cause some hormonal expectations which lead to the rejection and repugnance of ugliness. That's why ugly people do not bring with them, the so-called luck. They cut short, at sight, a certain degree of satisfaction which comes before fruition.

2 - The murder of God caused a creeping void. Now, that everybody is shouting and evoking God, we became colloquial with Him and we even deduce many deities from the word. That's why some Sun freaks take the Sea for a god. The Sea is unaccountably old, constant, and big. That's a god...

3 - Sensualism is very strong. We even call it Intuition.

4 - Between the world of facts and the one of words, we don't really need a cover-code, but we do need an intermediate code. We need a translator, not a dictionary. There is an ocean of complexity in between, we are part of it, every step of the way.

5 - The Ethics of Responsibility goes round in circles, even when it sums up the complexity of causes and consequences. At a certain point it spreads as the ondulatory concentric circles on the surface of a pond, which has been splashed by a stone. Every ethics becomes incorporated, embedded within facts. That's why the surface of the pond becomes quiet again. The one to change, that's the way we see it, not the pond.

6 - Identifying Reality by means of dividing it into things, certainly breaks the ungraspable flux of the mind. But this flux has made a thing out of us, long before we were tired of riding it.

7 - The feeling of Guilt, as any other Attribute, doesn't require a case to be there, in order to make itself conspicuous. There wouldn't be really anything without attribution. But the feeling of Guilt, in abstract, is just a Symbol of the wish for happinness, in rough times. In darkness, a diamond feels like a stone.

8 - Pan-sexuality, as they call it now, will be soon expanded to children. It has to do with the relentelessness of an unfulfilled desire. Is it possible to live unsatisfied, just for the sake of Beauty? Yes, it is. Because Desire is Life kicking inside our veins and more important than the statue of Venus, that's the Sunlight which sets it on.

9 - "Let's have lunch together", says a businessman to the the other, on the phone. Regular meals should be avoided by people who love and have to behave as urban guerrillas to go on loving.

10 - Masculine, that's the nature of willing. Fulfilment is feminine. Half of the world is waiting for the willing of the other half, to manifest. But Will doesn't come up for the sake of fulfilment.

12 - In the current state of affairs, where some master is manipulating pendulums and procedures to tame and lead any kind of awareness, it is good to have a constant point of view, even if it is the wrong one.

13 - Decision doesn't mean mastering the world. As a matter of fact, the one who decides, proceeds to the ablation of a part of the world. And he stays aside. That's why decision is not from this world, and requires a world beyond this one, which is never proven and which doesn't make part of the decision. Is it only a fiction? No. It is pure imagination. But without imagination we would never be able to decide and make our own, human world. Furthermore, we make it human precisely because it is not decided and made, neither in the same state of mind, nor in the same wave length of the world. When some say that deciding the wrong way is better that not taking a decision at all, they are not sating on the content of the decision, they are saving the face of humans, who have no ultimate reason for their actions. Humans are just essentially insufficient and decision only means the reconcilitiation with this insufficiency.

30.8.06

A Grande Mentira do Islamofascismo




A incompreensão do softpower que se apoderou dos neoconservadores de Washington leva-os a usar termos venenosos como Islamo-Fascistas para referir o Hizballah e o Hamas. O termo é um explosivo emocional, digno de Goebbles, e uma arma na guerra de informação contra essa outra ficção que é o “califado muçulmano”. Os termos são inventados para desumanizar ou demonizar os adversários e negar-lhes motivações políticas racionais. Assim, não é preciso ouvi-los nem falar com eles. Sem cair no paradoxo de Peter Ustinov que dizia que “o terrorismo é a guerra dos pobres, e a guerra é o terrorismo dos ricos.”, terrorismo e ‘fascista' são termos que perderam o significado original.

Uma boa definição de fascismo, como a de Robert Paxton, exige 4 ou 5 condições: 1. um sentido da crise fora das soluções tradicionais; 2. o sentimento de vítima, a justificar qualquer acção sem limites jurídicos ou morais; 3. a autoridade de um chefe acima da lei, que confia nos seus instintos; 4. o direito a dominar outros; 5. medo do contágio estrangeiro. O fascismo exige guerras de conquista, e ameaças para manter a nação em estado de ansiedade e hipertensão patriótica. Os que discordam são traidores. Os fascistas aliam-se sempre aos partidos conservadores tradicionais, e ao complexo militar-industrial.

Como escreveu Andrew Bosworth, o fundamentalismo islâmico “é um movimento transnacional oposto ao pseudo-nacionalismo necessário ao fascismo. No mundo muçulmano, nada há que se assemelhe aos estados fascistas ocidentais. A sociedade islâmica tradicional, com estruturas fragmentadas de poder, lealdades locais e tribais, e tomada de decisão por consenso, está muito longe do fascismo do estado industrial ocidental. O mundo muçulmano, além de algumas democracias razoáveis e funcionais, tem algumas ditaduras brutais, algumas monarquias semi-feudais, e alguns estados falhados e corruptos. Mas nenhuns destes regimes, se ajusta ao padrão do fascismo. Muitos regimes conservadores e militaristas não são fascistas. Que o diga Washinton ao falar com a Arábia saudita e os Principados do Golfo.

Os grupos militantes islâmicos (`terroristas' na terminologia ocidental) não entram nesta grelha delirante querem libertar territórios de ocupação estrangeira, derrubar regimes não-Islâmicos, quebrar a influência ocidental na região, e, nalguns casos, instaurar uma teocracia baseada na democracia islâmica. O “califado islâmico mundial” é uma fantasia digna de Bin Laden e dos lobbies frenéticos da direita de Washington. O único grupo fascista no Próximo Oriente era os Falangistas cristãos dos anos 30, no Líbano e aliados de Israel nos anos 80.

É grotesco que Bush e Blair mantenham a pretensão de travar uma nova guerra mundial. OS EUA travam uma guerra de terceiro mundo ou uma guerra de quarta geração (contra adversários não-estatais) dentro dos cânones do “ interesse nacional”. Mas a direita da América está a infectar a nação com as emoções políticas da Segunda Grande Guerra; no fundo projecta no exterior, os ódios racistas e religiosos que ainda tem pudor de usar no interior. Na Europa, o ódio anti-semita, a velha marca dos partidos de direita, passou do anti-judeu para o anti-muçulmano. Viu-se isso com a exploração dos cartoons da Dinamarca (que nem sequer eram grande coisa os publicados, não os efectivamente circulados no Médio Oriente).

Na América, ( e em alguns caniches europeus) não faltam tendências neo-fascistas em direitistas rambos. Advogam ataques preemptivos contra inimigos potenciais, captura dos recursos da outra nação, derrube de governos não cooperantes, domínio militar global, ódio aos Semitas (muçulmanos, para já, depois se verá), controlo policial intenso. Abusa-se do manto sagrado do patriotismo para promover o complexo militar-industrial. Incita-se à guerra nos órgãos do propaganda. E agora está na hora de chicotear a febre da guerra contra a Síria e o Irão como uma fuga para a frente, uma profecia auto-cumprida, após os desastres no Afeganistão, Iraque, Somália e Líbano.

25.8.06

The half of it, by Half-man


By halves we live. Half-way of a marriage, we desire somebody else. Half-way of desiring somebody else, we get involved with a third one, behind a counter or hanging from the same bar.
Half-way between the neck and the heels, there is a butt we phantazise about. Since the butt brings back less responsibilities, we know for the better, that being gazed back by eyes, which gaze over a shoulder, from the edge of a body which turned its back on us, is much more exciting. A body with no face means the ultimate nakedness, the one which we don´t even need to obtain.
By halves of halves we suffocate.
I met on the street, yesterday, a Portuguese, a retired one, one of those left-behinds in August. But this one was left on his own, many Augusts ago. He stated and he proved that he lives on 40 Euros a month. Since he had to retire after being run over, by a car, in the city, he's still discussing a compensation with the Insurance company. The Insurance takes time because this man is already on the eve of a fifth operation and his problem could be cut short. He also asks for alms. His name is Augusto Santos Sousa and he lives in Rua das Gaivotas, n. 28, 1362-Lisbon, P-Portugal. I gave him the 50 Euros I had in the wallet and decided to have a cold dinner, composed of left-overs, sitting by the fridge and thinking on the half of a sardine can a day, Augusto is getting by. He also raised his voice telling that he hadn't studied ( the equivalent of the sixth grade, quite a feat for a guy of his generation and background) to live through that humilliation. But he calmed down and stated he was going to have a substantial meal, after speaking to me. He tried to kiss my hand.
The day before I saw four men around a trash bin. One was an aged Nigger, with his penetrating, almost laughing look, the other was an Ucranian with his shaved head and his fraternal gesturing, and his leaning ahead attitude, as a man ready to work even if he didn't have eyes or legs. The other two were asians, dark and short as anguish. They were partitioning a bunch of fresh sardines that somebody had thrown away. In four parts.
They were living by quarters.
And soon we'll be living by less than quarters. In the abyss of selfishness and total madness, we'll be partitioned in much more than quarters.

23.8.06

A Iha dos Amores, AB



Que há de novo num traseiro? Ele há-os de diferentes carácteres. Deve-se mesmo fazer um código no mundo da moda para negociar a entrada de um novo carácter destes, ao léu.
Ora eu tiro o chapéu ( e só ele) a Elsa Rapôso, empresária também de si mesma, que aparece como uma estátua de bronze nos léus deste Verão, entre as giestas do Barão Brei...
Os casamentos ilustres já não fazem capas porque, para serem ilustres, têm de ser para a vida. Mas um divórcio para todos os Verões, isso é de encantar. Há algo de progressão lateral de uma equipa de râgueby, em campo: do marido, para o amante, do amante para o amigo, do amigo para a onda e da onda para o Barão. Não havendo já categorias nupciais para tanto ensaio, tudo me leva a crer que a nossa léu da semana, está em guerra com o mundo. E bem podia descansar um bocado para variar.
Mas uma mulher ultrajada é imparável. Excepto quando é ultrajante, porque temos que a parar. Não, a D. Elsa, não é o "corpo". E Portugal não é a Ilha dos Amores, para andarem por aí, mães de filhos, aos saltos, nuas, pelas giestas, mesmos que sejam as do barão.
Dorsos ebúrneos e peitos dourados, onde jazem duas opalas verdes como o Índico e o Pacífico, não são canto para o nosso poema épico. Cesse de nos olhar Sra. Elsa, porque essa técnica de fixar um homem até ele começar a rabiar, repetida milhares de vezes pela Imprensa, não é uma provocação, é uma falta de coração.
Tenha ao menos a noção higiénica que a emersão dos traseiros e peitos dourados é como qualquer coisa de casa-de-banho de Gare e de quartel, às sextas-feiras. E, se as opalas verdes brilham do anel dourado, na frescura do abismo, também depressa se transformam em dois oxiúros furfurescentes numa espiral de m... ao som do autoclismo. É esta a rima que lhe dedico, a si, que só consegue capas de revista, porque nem um poeta zarôlho lhe é capaz de achar graça.
Em suma: deixe de ser louca, poque não é o traseiro deste Verão e, muito menos "o Traseiro". Afinal, um traseiro, não tem carácter.

22.8.06

From Guns to Grass, by André Bandeira

Guenther Grass did what he wanted to do, when it pleased him so.
Somebody else allowed his silence, on condition he didn't touch some points. So he could make fire at random, at his will.
One of those obscure points was the possibility of interrogating Germany without a shadow of a doubt on his side. As a matter of fact, only a guy which had a big stain on his shirt, but a big cafetan all over, could work as the emperor's joker and pose questions freely. Everybody knows that freedom is only a starting point and, this way, he had a solid starting box under his feet.
He provided a service to the self-imagery of Germany, after the war, for many years long, and he did it as if following a series of mortgage instalments.
Only a volunteer, as he once was, and a not very well chosen one, would be able to do it and make business out of it.
Now, he payed all his bill, after he accomplished this unloading.
But a liar in late is so bad as a non reliable source.
We do not care about Grass´s guilt. There is an entire nations' too.
We certainly acquit him. But we'll never trust him again, even after his death. We shan't advice his books to young people, and young people won´t find charisma in his work. He cared so much about his own aftermath but he only managed to be a consumated successful actor.
He was funny as Democracy is.
They say that Democracies don't fight each other. But Mars, the god of war is older than Athena. He hits, and runs. Maybe Grass was only a Cold War Institution...

Líbano? Hanói ou Hong-Kong?


There is a duality that has defined Lebanon. Would Lebanon choose to be Hanoi or Hong Kong? That is, an international symbol of militancy and armed struggle, or a business entrepôt, a bastion of liberal capitalism and ecumenical permissiveness?

Lebanon today lies ravaged, its inhabitants suffering the consequences of Hezbollah's hubris and Israel's retribution. Beirut seems empty.
Israel may have hoped to unite the Lebanese people against Hezbollah. But as recriminations over the war spread, the delivery of aid across group lines will become more difficult, frustration will mount.
Coexistence, freedom and entrepreneurial drive had been the state of the country between independence in 1943 and the start of the civil war in 1975 and even beyond.

Many of the clichés were true: a neighborhood firefight might break out between militias in the morning, but by the end of the day people would be repairing their damaged properties. The Lebanese could be infuriatingly anarchic, stupidly selfish, but they were also determined to take initiatives and embrace new departures.
From the moment of Hariri's assassination on Feb. 14, 2005, it was clear that the Shiite political parties, particularly Hezbollah, did not share in the national distress. Shiites represent perhaps 35 to 40 percent of the Lebanese population. Hezbollah had gradually won over a large majority of the community, particularly poorer Shiites
In the early 1980's, the ''Party of God'' was a loose collection of groups organized and trained by Iran's Revolutionary Guard and dedicated to fighting Israel. After vanquishing its Shiite rival, the Amal movement, in fierce street fights, Hezbollah established in the southern suburbs of Beirut. When the civil war ended in 1990, it was virtually the only armed group allowed to retain its weapons. Syria had its own reasons to keep Hezbollah armed: as it negotiated with Israel for the return of the Golan Heights, the Assad regime wanted all the military leverage it could get

14.8.06

Guenther Grass serviu nas SS


Numa entrevista publicada dia 12 no Frankfurter Allgemeine Zeitung, Guenter Grass admitiu que serviu nas Waffen SS durante a segunda guerra mundial. O Prémio Nobel de 1999 debate memórias da sua juventude que deverão ser publicados no próximo mês Ofereceu-se para os submarinos aos 15 anos, mas não foi aceite. Foi chamado aos 17 para a 10ª divisão blindada "Frundsberg das Waffen SS em Dresden. Questionado porque fazia a divulgação, disse."Pesou em mim. O excesso de silêncio todos estes anos é uma das razões pela qual escrevi este livro. Tive que me confessar, finalmente."
É assim o porta-voz de uma geração dos alemães que cresceram na era nazi e sobreviveram à guerra. Tem sido activo na política de esquerda como apoiante crítico do partido social democrático, e considerado uma voz moral contra a xenofobia e a guerra.
A admissão de GG está a dividir a Alemanha. Para uns “não teve maneira de defender-se da propaganda nazi” disse o ensaista judeu Ralph Giordano. Mas Michael Wolffsohn, um historiador militar criticou uma espera tão longa. “O trabalho da sua vida é desvalorizado pelo seu silêncio persistente," escreveu Wolffsohn no Netzeitung.

Afinal GG é talvez uma vítima inesperada da Guerra do Líbano. Toca a todos, admitir os pontos fracos. Toca a alguns saberem deles redimir-se. Grass levou tempo demais para ser credível.

13.8.06

The memory of a Dictator, by André Bandeira


Seeing his photos causes me cramps. In the eylids, from the edges where some smile or grimace is supposed to begin. But what makes me worse is the number of people interviewed on the streets of Havana, who wish him rule for more fifty years. The obscenity of dicators has no limits. Maybe that's why we invented an after-life. This man has sent to a certain death, thousands of innocent people, who didn't feel the same way about Cubaness, or Democracy, or even Socialism. He orchestrated rallies, which worked as People's Courts where a guy, if he ever had the opportunity of defending himself, was bound to emerge as a target in the backyard's wall. But, at least, this things were held in the open air, under the sunny caribbean sky with a latin bluntness, full of words and saliva.
This man is celebrated as a rebel who managed to implement his own stance, against all odds, against the most powerful neighbour. But it is his is style, with no scruples, celebrating a way of doing Politics, with demagoguery, ruthlessness, death squads and latino-lover steps, a thing very much appreciated among all rebels who presume to have the right, as he had, of shaping the future according to their will. They call it Freedom, and New World, the world of dreams where those who know the nightmares are indians who got silent long, long ago.
It is his macho style the thing that remains and that every fool loves. I hope he'll recover quickly, the way his victims didn't. This time, History won't acquit him.

11.8.06

Quem era Franco? por André Bandeira

Consegui ler de uma assentada o livro "Franco - un balance histórico" de Pío Moa, que não e nenhum pássaro da N. Zelândia mas um jornalista espanhol. O assunto é perigoso, do ponto de vista de um portuga, com um vizinho tão grande e tão parecido de quem pouco o diferencia senão esse anel de noivado com a Liberdade que se chama Nação e que não se tira nem frente ao assaltante que nos diz que corta o dedo. Desta vez é um livro de Direita e de Direita democrática. Pouco conta que Moa tenha sido do PCE, em 75 e do PCE(E) GRAPO, depois. Não o esconde, porque-- penso -- nos cega com um foco de luz em cima. Moa distribuía,como dirigente destas formações, por capricho, os famosos panfletos que inundaram as ruas de Madrid, com o poema de mau-gosto, de Neruda em que este amaldiçoava Franco agonizante. O livro defende a tese que a democracia de Espanha, hoje em dia, se deve a Franco. Joga com números, nomeadamente de mortos, mas a correr, porque o seu livro é um Editorial. E é perigoso agora que os contadores de corpos, nos EUA estão a querer contar os de Franco ( é que a gente de Rifkin, jurou desenterrar tudo, até os assassinos de Tutankamon e a ideia não me horroriza). Para ele, Franco tinha ganho num instante, se não fosse aURSS a roubar o ouro de Madrid e a pôr no terreno bom material de guerra e comissários de élite. Mas também porque Franco sabia que pondo os seus legionários a combaterem nas ruas de Madrid, iria antecipar a Guerra do sec.XXI, a que nunca acaba,porque a gente das pedras e das torres é tão digna como a dos vales e das montanhas. Pontos interessantes: Franco consentia a monarquia mas, ao contrário do seu irmão Ramón, seguia a Lei e só se meteu contra a República, separando cuidadosamente as suas convicções pessoais do seu comando militar, quando a República chegou ao insuportável. Tem todos os pontos dos textos oficiais do regime franquista, com conclusões, remates e recomendações, de tal modo que o autor, ex-Grapo, parece que se esqueceu das alienações próprias das Ditaduras. Cita até a inteligentíssima resposta de Franco, a Vernon Walters, de que o seu monumento maior seria a "classe média espanhola" quando este enviado de Nixon,trocado em miúdos, lhe foi perguntar quando morria. Cita também a resposta a D. Juan de Borbón em que Franco lhe diz muito explicitamente que a revolta militar ( nacional e não nacionalista porque umCatólico segue sobretudo a Deus e evita o endeusamento pagão da "Nação") não foi monárquica nem tinha a intenção de restaurar a monarquia. Franco, aqui, separa o seu cuidado político,de novo,das convicções pessoais, apesar de querer, oportunamente, sacudir as lições do Rei.
Parece-me que o livro, vindo dum antigo anti-franquista, arqui-radical, a quem irritam sumamente as divisões da Espanha, venham elas da Direita regional ou da ultra-esquerda regionalizada, cai nos mesmos pecados da democracia radical, apesar de todas as suas profissões de fé anti-comunista. Para mais, diz que os actuais anti-franquistas, ou fizeram a carreira graças a Franco, ou contestaram-no de boquilha, nos cafés. Ele, Moa, é que sabe, que foi GRAPO.
Numa altura em que querem retirar as estátuas e as lápides de Franco, além de outras medidas legislativas que geraram enorme celeuma entre a Sensatez, os argumentos de Moa, que já têm um ano nas bancas, andam à volta do seguinte ponto: se fossem os oposicionistas a fazerem a transição para a Democracia, e não Franco, tinha acabado tudo noutro banho de sangue.
E Moa tem razão. Porque os oposicionistas eram pouco credíveis e os exilados tinham sido tão maus que até tinham vergonha de aparecerem à luz do dia. Parece que sim, que, em 1946, quando os maquis espanhóis, que eram parte substancial da Resistência francesa, se infiltraram em Espanha, a População os rechaçou e até denunciou.
Mas não pelo que Moa pensa. Um portuga sabe bem o que sopra de Espanha, em certas alturas, seja vermelho ou azul o pó que levanta. Por isso, o portuga não quer ser espanhol.
É que Franco foi bem mais sensato que outros ditadores do mesmo estilo, na época. Mas foi bem sanguinário também,como o não foram, nem Mussolini, à sua esquerda, nem Salazar, á sua direita. Ou foi-o suficientemente para dizermos que, se no testamento Franco se reclama verazmente católico, há sérias dúvidas sobre a sua Cristandade.
A razão porque a transição correu bem foi porque os espanhóis sabem bem o Monstro que é uma Guerra sobretudo civil. E Franco limitou-se a prolongar a sua ditadura militar indefinidamente, dando lugar a uma Monarquia que retomou a sequência da história espanhola, depois de uma República miserável.
Mas isso não significa que se legitime um Ditador que excedeu largamente -- apesar da sua prudência e inteligência superiores -- o seu mandato de militar em estado de excepção. A legitimidade de um ditador é, na origem, ilegítima e só se legitima com o tempo mas aí não sabemos como teriam corrido as coisas porque ele não deixou que elas acontecessem. E este Moa mete-me pena com o seu desencantamento. O mal dos radicais é que começam no Poder e acabam no Poder. Por isso, o Poder lhes parece sempre legítimo.
Por fim, fica-me uma grande interrogação sobre quem era Franco. Sobre a sua prudência e sobre a sua incapacidade de se legitimar. Que aprendeu ele com a gente do deserto? Pergunta bem actual, nesta guerra absurda dos cem anos em que nos querem meter: que foi que o fez calar, para sempre, o mesmo que fez os templários mudarem de religião? Não, não foi o saber secreto gnóstico que sobreviveu no Islão. Foi simplesmente o simples facto de que não se viaja impunemente. E isso não é mérito de um homem. É mérito da Humanidade.

9.8.06

FRANÇOISE GIROUD, por Maria Luísa Paiva Boléo


Há trinta anos atrás, nos anos 70, a minha cultura política internacional passava muito pelas páginas de "L'Express" de Servan-Schreiber e Françoise Giroud. Não me apercebi que ela morreu em 2003. Um bom texto de Maria Luisa Paiva Boléo lembra a escritora, a resistente e a mulher que foi FRANÇOISE GIROUD, de seu nome France Gourdji (1916-2003)

"Jornalista, escritora, cronista, ensaísta e política francesa, de origem suíça. Mulher de acção, combatente e militante, esteve na Resistência contra a ocupação da França na 2ª Guerra Mundial. Foi presa pela Gestapo e encarcerada em Fresnes. Manifestou-se já depois da guerra contra a Guerra da Argélia e foi uma acérrima defensora da causa das mulheres jornalistas. Em 1932 escreveu o guião do filme “Fanny” a que se seguiram “A Grande Ilusão” e “António e Antonieta”. Foi directora da revista Elle e co-fundadora com Jean-Jacques Servan-Schreider, seu grande amor, o semanário francês L'Express, de que foi directora de 1953 1974, quando passou a ser secretária de Estado do Governo de Jacques Chirac. Depois passou a secretária de Estado da Cultura de Raymond Barre. Teve uma intensa vida política até 1979. Em 1983 passou a editora do Nouvel Observateur. Fez crítica literária e publicou uma biografia de Alma Mahler(1988) e do casal Karl e Jenny Marx, 1992. Escreveu «Mon très cher amour» numa noite. Dentre as suas frases cheias de sabedoria disse "O discurso é o que distingue o ser humano do animal e o democrata do bruto" e ainda "O mais insuportável não é a infelicidade suportada, mas a infelicidade imaginada". Foi uma talentosa jornalista e como escritora deixou-nos biografias de grandes mulheres como Lou Salomé, Cosima Wagner, Marie Curie e Alma Mahler, entre outros. Escreveu um livro autobiográfico com o título "Arthur ou le bonheur de vivre" (1997).

8.8.06

IRAN: DA VINCI CODE BANNED

Tehran, 26 July (AKI) - The Iranian culture ministry said in a statement issued on Wednesday it was banning the Farsi edition of Dan Brown's bestseller The Da Vinci Code. The decision was reportedly taken after the Organisation for Islamic Communication - a body controlled by Iran's supreme leader Ayatollah Ali Khamenei - protested against the book which was denounced as "an offence to Christianity." The ban also concerns the film based on the novel.

7.8.06

Never again, one more time, by Johnny Bravo

I do not flirt with Death. She is a married one, despite widowing all the time. I know that if one gets "betrotted" to her, hey man, it's for life!
So, I don't count on her body in my bed, or I'll find myself to be counting bodies till I'll have to look for the smartest bomb and stop it! I'm not smart, nobody ever called me that, but I get the chicks all by myself, and smart bombs, only those ones with the big boobies... I tell them I'm the thoughest of the block and there we go, just the two of us, I do not kick the girlie-boys just because they're not as lucky as I am. You know, it's all in the pelvis.
So, don't count on me to fall into Mrs. Death devices. I don't look back, nor I smile to her. Sooner or later she will come after me, I know, but I don't feel like seeing my mother, or my cousin, or even that chick who switched me for another guy, fall into her arms 'cause it could happen to me and hurts to the bone before you go, only you and her, to the dark room.
Pain is not a marriage for life, and you can even divorce, on mutual consent.
I have no simpathy for the one who revenges better and the question of who began all this, is not my bizz. So, do not dress for Mrs. Death. She is of the marrying kind and you'll get married even before you undress. I told you, pal: she is of the marrying kind and she's widowing all the time, every step of the way. She doesn't need flowers or white frocks to get you caught. 'cause she is never alone. Better stay alone if ain't no chicks around...

5.8.06

Argonauts of the modern world, by "Margaret Mead"

One should have a look to the probably award-winning report of Sorous Samura, a cameraman from Sierra Leone, which is being broadcasted, these days, on the CNN. It is a report on illegal immigrants, come up from deep Africa, who wait in the bushes, for so long as three years, to cross to Ceuta,or Melilla, in Morocco. It is better than a good book, more calling than a sudden rush of blood to the head, or a theological tale.
Samura goes all the way down from the snowy bushes in Morocco, to the trailers entering England, where an illegal immigrant may try his luck and his life, hanging between the wheels or struggling against sleep in the fridges. Some swim all their way to Ceuta, after months warming up in camp-fires, sleeping under shreds of newspapers, running away from the Police and eating whatever.In Calais they count on some charity and they meet whichever human zeros from the world, be it from China, Kurdistan or Latin America. They cannot return, some of them will be killed. I've done the same, 30 years ago, somewhere between Spain and France. The dance is the same, but the sleepless night never ends.At some point, the guys celebrate Christmas in the bushes. They find a short pine and they decorate it with coloured newspaper rags and empty cans. They pray, for their children and wives they left behind. Some are sick and will never make it.
These guys are the mythological heros of our times, although they may offer no resistance when they are kicked to death by skin-heads in a night hole of Europe.Their dark faces are covered with the skin of God. We cannot let all of them in, but we have to do something now and right about them. We cannot take care of their frail lives and bomb others in any other place. Unless we want to rot in the deepest pit of hell.