4.11.06

O mais perigoso

America is now seen as a threat to world peace by its closest neighbours and allies, according to an international survey of public opinion published today that reveals just how far the country's reputation has fallen among former supporters since the invasion of Iraq.


The ICM poll ranks the US president with some of his bitterest enemies as a cause of global anxiety.

The survey has been carried out by the Guardian in Britain and leading newspapers in Israel (Haaretz), Canada (La Presse and Toronto Star) and Mexico (Reforma), using professional local opinion polling in each country.

It exposes high levels of distrust. In Britain, 69% of those questioned say they believe US policy has made the world less safe since 2001, with only 7% thinking action in Iraq and Afghanistan has increased global security.

T

1.11.06

Trainspotting these days long, by Globetrotter

1 - Clint Eastwood, who was once even mentioned for entering into Politics, as Ronald Reagan or Arnold Schwarznegger did, is now directing a movie on the fabrication of the "heros of Iwo Jima", the marines who raised the US flag on Mount Plasma, in that terrible battlefield of WWII, for a photo which, eventually became a symbol of the "American Century". "Dirty Harry" as Eastwood was called after the series of movies portraying a dry and merciless cop where he played the main role, is somewhat confounding his reputation of a Republican, and digging into more human subjects, notably the one of manipulation made by warmongers. It's not because of the coming elections in the USA and it's only a slide in the film of an Industry. But "Dirty Harry" is flying our grandparents flag which waves the stars and stripes of Liberty but remains attached to the pole of Truth.
2 - Samuel Beckett is being quoted in US newspapers for his sentence " fail again, fail better". He also said in a much less candid moment: we'd better turn back and walk towards the "ancient lights". That's the pure stream of America: generous, relentless hope. A stream blessed by a golden light, which glitters and shivers but never glues to the river's face.
3 - Recipee for the Tirany of "Me, I and Myself": widening up to Infinity in order to pulverize the Individual. Then, divide, all the way down a gigantic Witdth into monotonous and uniform small units. Take at random any one of them, as a sample of the Whole, and keep second thoughts during this demonstration of the Universe's structure ( details make us exasperate for the Big picture and the Big picture doesn't fill our curiosity) . Thus, any Individual becomes always anything and everything, except the one who's doing the demonstration and who keeps his feelings in the shadow, before the line of Time and always out of it. Distract and forget. The Subject makes an Object out of itself and, in the name of equality, the other Subjects are reduced to plain Objects. The remaining Subject is only me, who doesn't show up: or someone else, who has no face, neither requires to be demonstrated. If I am the pressupposition of any boundless Infinity, I am more than everything and nothing expresses me.
4 - I've looked at the Soviet movie of the thirties, soundtracked by Shostakovyks, "New Babylon". After looking at this lamentation over the French Commune of Paris, in 1871, which displays the naiveté of those who took part in it, the message is clear: how deep and hard is Human Suffering! However, one lesson may be learned. A soldier of the Regiment 155 who took the side of the Communards, shouts before dying by the bayonnet on a barricade raised against the Regiments of Versailles. " You want old Paris? You'll never have it!". This is the flame behind popular rebellions: an archaic Reason, neither from Left nor from the Right, a Reason against Modernity, bound to subside, but inextinguishable. Its defeat, fuels the Love and Patience of Time under the rubble of Repression.
5 - The wine was so dry, it dried my heart out. A German soldier undiggs some human bones in Afghanistan and caresses them for Posterity. Lesson , you German Warrior: let it be known that Celts got on te move, when the spiral of a falling Comet spinned out from the Sky. They merged with birds ans bushes, brooks and bees, butterflies and nightingales, rested in fog, woke up in laughter and weeping, woven in the same mad reel. Let it be know that our flying Pipes did surrender, under the faraway bridge of Arnhem, only in the end. But next time, nor even in the end, shall they surrender! We know that Richard, the Lionheart may never return and, we do in our own trousers just because of emotion, half-mad as Robin Hood and Litte John in the dew of bushes. But an irish Legend tells that, once an Irish fiddler, took the challenge of the Devil: and the Devil lost!

31.10.06

Que viva Lula!

Entre as muitas razões que explicam a vitória de Lula nas eleições de Outubro de 2006, está o desejo cumprido de alternância democrática depois de longos anos de arbítrio: Como disse Marcos Coimbra ”O PSDB teve os oito anos de FHC e fez pouco”. Além de alargar o espaço da democracia, a alternância com Lula tinha um sentido adicional: é uma alternância de classe no sistema. O Brasil mostrava a si mesmo que uma pessoa do povo, e não das velhas oligarquias, podia ser o número um.
Lula teve que lidar com um permanente questionamento de suas qualificações. Como em tentativas anteriores de chegar à presidência, sofreu a manipulação de preconceitos e estereótipos, que tornou tão extraordinário a sua eleição. Ao tentar desqualificá-lo no passado, parte da orgulhosa elite brasileira transformou-o em símbolo mais forte. Com Lula, venceram muitos outros, afirmando-se capazes de transcender as suas origens e superar as barreiras.
Após as eleições de 2002 houve uma mudança nas atitudes dos eleitores de classe popular, apontando para o aumento de auto-estima e da confiança de que o Brasil iria melhorar.. Então a alternância se faria completa, chegando à própria ação do governo: um governo diferente, com gente diferente, fazendo coisas diferentes. Ao eleger Lula, os seus eleitores contavam com uma demora que poderia ser longa, até que ele e sua turma se familiarizassem com o poder e suas artimanhas.
A maioria da população fazia uma comparação favorável do governo Lula com os antecessores. Em áreas de ação governamental, esperava-se mais, em outras menos, mas as boas surpresas (macroeconomia, política externa) sempre foram maiores que as negativas (saúde, emprego, segurança). Não houve a crise cambial de 1999, o apagão de 2001 ou o desequilíbrio de 2002.
Para melhorar as condições de vida dos mais pobres, Lula fez até mais que muitos esperavam. O Bolsa Família é o símbolo desse compromisso, tal como os programas como o Pro-Uni, o Luz para Todos. Houve aumento do poder de compra, aumento do salário real, barateamento de produtos de consumo.
Quanto ao “mensalão, não foi capaz de matar a candidatura Lula. De facto, o PT comprava os votos dos deputados de Brasília para ter votações maioritárias parlamentares. É mau ? è, sim senhor"! Mas péssimo era a fome, o crime e a frustração de uns 50 milhões de brasileiros ! E isso Lula ajuda a mudar. Aparte a frustração de muitos “formadores de opinião”, incapazes de formar qualquer opinião, o eleitorado percebeu a gravidade das denúncias do "mensalão". Mas o eleitorado fez a ponderação de acertos e erros, chegando à conclusão que os primeiros foram maiores que os segundos. Mandar Lula de volta para casa, seria um golpe grande demais para seus eleitores. A derrota de Lula seria a admissão que não há saída fora das oligarquias.
Ainda bem que Lula ganhou, agora em nome da Comunidade Sul-Americana de Nações. Desde Cuzco 2005 que ela existe, e a Mercosul é o seu eixo e o seu destino. Se Alckmin tivesse ganho, seria o robot da desregulamentação em nome dos interesses norte-americanos. O eleitorado brasileiro percebeu tudo isso e deu vitória esmagadora a Lula. Hão-de aparecer os intelectuais frustrados a dizer que ele beberrica e só tem o 6º ano. Pois é! Mas os intelectuais que não beberricam e são doutores é que não chegam a número 1 da governação.
Finalmente, para nós, Portugueses, falta agora que Lula descubra mais a Lusofonia. Já o começou a fazer criando o dia da Língua Portuguesa e o respectivo Museu. Agora é preciso que descubra mais Portugal.

30.10.06

Why did Anna Politkovskaya have to die? by Globetrotter

Reading Anna Politkovskaya is like learning a lesson on the hypnotic power of political language. No doubt that the use of words is a luxury and one of those which saves us of many pains. The State provides this sedative but we never know whether the State is a resource in the Defence against threats or if it is a threat in itself. Anna won't speak anymore, but Dostoievsky or some anarchists of the old Russia would know why, indeed she just couldn't.
Let's begin by stating that a Nuremberg Tribunal for the European-wide Balkans of the Twentieth Century, is missing in the backdrop of our european Consciousness. A Tribunal where some British, some Americans and a lot of Russians would have to sit and respond for several holocausts. Ideological composites such as "social-fascism" or "State capitalism" ( because the current Russian Nomenklatura only allows those milionaires who contribute to the obedient civil organizations) are empty words, raised to smoke-screen some essential questions of our Culture.
The current war of Russia in Northern Caucasus ( much wider than the journalistic soundbyte 'Chechnya", which , in fact, reaches as far as Daghestan, Northern Ossetia, Ingouchya and, of course, Georgia) reveals not only the terrible aspects of any other war but also the new ones of Military planning and executing murders against its own people, in order to get a purely military solution.
Russian Opposition, the one of Grygory Iavlinsky or the former chess champion, Gary Kasparov, whether it is not bribed by the Kremlin or doesn't manage in reviving any russian tradition, is going through a frightening metamorphosis. Its most active, effective and militant branch is the youth of the National-Bolshevik Party, the natsboly. Despite the combination of Nazi nationalism and bolshevik Imperialism, dictated by a former Punk-poet and soviet dissident, Edward Limonov, the Party's style and ideology are more palatable than its nazi parafernalia. The problem with this Party, beautified as it was, at its inception, with New-wave black-leathers, military boots, or skin-head daring is the fact that it intends to whitewash Bolshevism and avoid that it be included, straightforwardly as it should be, in the general phenomena of european Nazism. It is not by chance that Limonov, their leader ( a guy somewhat similar to the leader of the portuguese rock-band "Mão Morta") was not only befriended with the north-american artists Charles Bukovsky and Lou Reed, but also friend of the serbian nazi Radovan Karadzic and has, himself, participated im 'serbian missions" in Bosnia.
Yes, Anna Politkovsakaya had to die. Besides being in rage with the Secret Services' Dictatorship which took power in Moscow, she was also in rage against the "democratic Opposition", which collaborates with Power, in a low profile dictated by the West.
Before dying, she was already breathing through the tube of the lyrical solidarity, which is congenial to the Christian Russia, this means, she was leaning to the romantic leftism, so keen in whitwashing every type of crime, on condition it has been dictated by someome who's beautiful, white, and young. However, everybody knows that the first victims of Communism (and this as an exercise of effectiveness) are always those ones who place themselves on its "left".
Who killed her?
I doubt that it was those criminal lobbies that she fingered at -- everybody in Russia knows who they are. Neither the islamic allies of Moscow in Chechnya -- their brutallity is not so futile. It was certainly not Putin, no matter the agencies which are investing in him and he cannot control yet.
Politkovskaya was murdered by clever nazis. In Russia's recent History a large portion of genuine resistance against Nazism was something individual and with a national identity as it happend with the Ucranian National Army which had collaborated with the German Nazis, but only to hold the front against the Soviet Nazis. The "Banderewizi' were crushed, only in 1964.
All things accounted for, one takes two lessons of the slaying of Anna Politkovskaya:
First - the black Magic of Nazi propaganda is an offspring of Dadaism and other psychotropic aesthetic modernisms which flourished at the same time in Paris, red Moscow, black Rome or browning Berlin ( they also have a foothold in New York). One has to kill or blind something inside before taking the path of political assassination and Genocide.
Second - romantic leftism as the one of the natsoboly should have an hard look on itself and get back to the times before the French or American Revolutions in order to set its feet on something more solid than bloodshed. Fraction lines in the diverse an rich balcanic territory we call Europe have been erased during the World-War II and suffocated in the post-war period, when the rst of the world began its tectonic mouvement away from Europe.
In one of the last interviws of Anna Politkovskaya, a veteran of the War in Chechnya who's now in the business of "protection"( organized gangsterism against organized crime) told her that he and his former comrades-in-arms were for Zhirinovsky and they only saw a solution in an "authoritarian Monarchy" for Russia.
If there is no such thing ( either it is a Tirany or it is not a legitimate Monarchy , because Monarchy is authoritative but it doesn't even found its legitimacy in "Nation") russian leftism has to return to the original roots of political Authority of Europe, if it wants to remove the Secret Services from the Kremlin. Otherwise it will go on experimenting some young people in the hell which is the russian penitenciary system, incestuously longing for an eternal youth, which the liberal elite of Russia, in lack of self-esteem, will never recover.
Who killed Anna Politkovskaya? Whoever did it, didn't want to punish her for what she knew, since everbody guesses some of the bad news she could further report. They wanted to avoid she turned into the moral counsciousness of Russia. She was mother Russia against a leader, too young and cold to be called the father of Russia.
Her murder was a ritual one. Look not among the atheists, but among the neo-pagans of Russia, wherever they may be...

27.10.06

A inglesa e o Duque...


A inglesa e o Duque, o filme de Eric Rohmer, jovem cineasta de 80 anos, sobre a Revolução Francesa de 1789, passou muito despercebido em Portugal, excepto pelo “tour de force” de animação computorizada a partir de pinturas a óleo da época. Os fundos de decoração teatral, faz transparecer uma atmosfera singular e estranha, entre a melancolia e o ensimesmamento. Só isso mereceria um Óscar de efeitos especiais. Mas o filme é especial porque trata o liberalismo aristocrático e anglófilo dos aristocratas que actuavam na Assembleia Constituinte, o que em Portugal se chamaria partido do meio-termo, com Palmela, Mouzinho e outros.
Durante a Revolução francesa, após ter sido amante do Duque de Orléans, Graça Elliott, uma inglesa, permanece sua fiel amiga e conselheira. A sua relação, apesar de comportamentos e convicções formalmente opostas, vai desde a amizade quase fraterna à confrontação ideológica brutal. Mas em redor dos dois protagonistas, da pequena história, articulam-se os grandes acontecimentos históricos.
A visão não-revolucionária da Revolução Francesa por Eric Rohmer é a apologia de uma terceira via, que não venceu. Orléans é o aristocrata que defendia uma solução no âmbito da “legitimidade” revolucionária, em choque com os “puros” de direita, para os quais a Revolução constituía algo de abominável e de funesto. Neste segundo grupo, estão os arrogantes que serão os futuros emigrados de Coblença, que nada aprendem e nada esquecem, cheios da história de Boulainvilliers sobre a Grande França, dos Francos que subjugaram os gauleses, cheia do fundamentalismo cristão de Bossuet. e o futuro anti-parlamentarismo de todos os contra-revolucionários franceses até Maurras.No primeiro grupo – monarchien – que é o centro do filme de Rohmer - estão os ecos de Edmund Burke. Esta segunda corrente, minoritária no seio do grande grupo aristocrata, aglutinou os espíritos anglófilos como Cazalès e os seus amigos, Montlosier, Rully, des Roys, Puisaye, defensores da liberdade, mas ligados aos corpos intermédios (nobreza, Parlamento, clero...), e seus privilégios honoríficos. Com o duque de Orléans, os monarchiens pertencem ao campo dos revolucionários. Queriam em 1789 a reunião das três ordens – contra os aristocratas –a sua concepção do mundo político e social não é democrática. Mas o futuro é cada vez mais precário. Cada gesto, cada palavra pode conduzir à perda. Na adversidade, os personagens revelam-se, e Rohmer fustiga a hipocrisia, a estupidez de todos. De um lado, os revolucionários com métodos que podiam ser dos nazis ou dos soviéticos. Do outro, os nobres que traem para sobreviver. O filme merece ser visto como uma lição sobre a história de todas as revoluções

A declaração de Mecca

A declaração de Mecca foi assinada em 21 outubro de 2006, por 56 clérigos muçulmanos iraquianos ( Sunni e Shi'a) sob os auspícios Organização da Conferência islamica. É uma condenação dura em termos religiosos do terrorismo ao estilo da al-Qaeda islâmica, mas permanece ignorada.
A declaração de Mecca vem na sequência da fatwa de 11 de março 2005 por 41 clérigos muçulmanos em Espanha; (b) da fatwa de 30 de março 2005 dos muçulmanos contra o terrorismo (FMAT) em Washington; e a fatwa de 17 Maio 2005 por 58 clérigos, juristas e professores do Paquistão.
Ao ignorar osesforços dos "muçulmanos moderados" contra o assassinato em nome da Jihad agora considerad apostasia, o Ocidente deixa-se arrastar pela estúpida e arrogante liderança americana. Deixem os muçulmanos entender-se sobre que Jihad (luta) e Itjihad ( esforço de reinterpretação) desejam...!

Bismillahi Al-Rahmani Al-Rahimi
In the Name of God, Most Compassionate, Most Merciful

We the scholars of Iraq, from both the Sunnis and the Shiites, having met in Makkah Al-Mukarramah in Ramadan of the Lunar Hijra year of 1427H (2006) and deliberated on the situation in Iraq and the disastrous plight of the Iraqi people, issue and proclaim the following Declaration:
The crimes committed on sight on grounds of sectarian identity or belonging, such as those now being perpetrated in Iraq, fall within the ambit of “wickedness, and mischief on the earth”, which was prohibited and proscribed by Almighty God: (...)
The espousal of a school of thought, whatever it may be, is not a justification for killing or aggression, even if some followers of that school commit a punishable act since:(...)

Any provocation of sensitivities or sectarian, ethnic, geographical, or linguistic strife should be shunned and averted. Similarly, any name-calling, abuse, or vilification and invectives uttered by any one party in attack on another should be avoided in view of the express prohibition by the Holy Quran, which labeled such conduct as “blasphemy”:

Certain things and principles should never be forfeited, including in particular the unity, cohesion, cooperation, and solidarity in piety and righteousness, which should all be preserved and protected against any attempt to tear them asunder(...)

24.10.06

O referendo, por Pedro Cem

Vem aí o Aborto. E eu que esperava que viesse o julgamento do Mladic e do Karadzic, ou até do Bush, do Cheney, do Colin Powell e da Sra. Rice. E também outros julgamentos famosos, como os daqueles que fizeram a primeira e a segunda Guerra Mundial, mas não foram assentar o traseiro em Nuremberga, os que fizeram a Guerra dos Boxers, os massacres dos Índios e dos Negros. Ou até o de quem matou o Autarca Colaço, ex-amigo do Saleiro, que afinal não morreu carbonizado num desastre em 1997, mas metido dentro do carro depois de lavar uma pancada. Ou dos assassinos de Sá Carneiro e Amaro da Costa. E eu que queria bem isso, para não andarem tantos fantasmas a assombrar o meu pomar e vodus a fanarem-me a paz.

Mas não! Aí vem o Aborto. De novo os pró-vida e os pró-escolha. Amanhã vamos referendar quando se desliga a máquina e, depois quando se desliga a Responsabilidade do Amor, como foi em Angola, Moçambique e Timor, que morreram para cima de um milhão de pessoas. E, eu que pensava que ia dormir descansado ao pôr-do-sol, puxar o cobertor esburacado sobre o peito e dizer para o meu gato: “Ah, Tareco, amanhã vai ser melhor, fez-se Justiça!”. Miau, diz-me ele! Miau?! Se calhar foi porque o mandei castrar...

Como se pode abater um milhar para salvar milhar e meio, a terapêutica da Guerra evita que uma série de pobres mulheres tenham de gramar os filhos decepados o resto da vida. Evita-se-lhes assim uma vida miserável, para eles e para elas. Eles são como girinos, podem ir para a vala comum como quem vai pela pia abaixo.

Eu sei que há não sei quantas mulheres a morrerem por vãos de escada, barbeiros e clínicas espanholas, no nosso país, todos os anos. Mas porque estão a morrer cem pessoas por dia no Iraque, e são iraquianos que se matam entre si, não vou eu aprovar a Guerra, nem quem a provocou e quer continuar ( isso mesmo: se a coisa passa por meter o Saddam cá fora e também negociar com ele, há que o fazer, o mais tardar, hoje). Negoceia-se, emenda-se e corrije-se o que se pode, minora-se o mal, trata-se dos vivos, estejam eles onde estiverem, na barriga da Mãe, ou no rés-do-chão de Canaã, depois dum gandulo do Hezbollah ter ido lá disparar um míssil. Faz-se o juiz julgar com pulso honrado e bom mas não se anda aí a estourar foguetes para ir fazer um aborto como quem vai buscar o retorno do IRS.

Já que vem aí o referendo, proponho uma pergunta assim:
“Concorda com o direito de, em qualquer circunstância, você ou alguém que lhe é chegado interromper voluntáriamente a gravidez, até às dez semanas de gestação?”.

Ah, jubentude, digam-lhes como é que é...

22.10.06

A Ética de um Republicano, por Pedro Cem


(Imagem Mad Vit , por Lucy Pepper)

Diz uma lenda persa que Zoroastro voltará, do fundo de um lago, por uma virgem, e expulsará turcos, romanos e islâmicos. Os seus sequazes, entretanto, vão sendo purificados na arte de transportar cadáveres. "Os Arianos" e os areeiros, são uma agência funerária. Tanta areia no deserto e morre-se pela nafta, as lágrimas da Ahriman, o Senhor das Trevas que faz arder o fogo efémero, cheio de fumo.

Pode-se dizer qualquer coisa e diz-se muito na TV. Mas o que se não diz é ameaçador. Por cada palavra, Presidentes e transeuntes, deixam montes de sombra. Os cientistas chamam-lhe anti-matéria, outros chamam-lhe asneira. Tanta asneira! O bêbedo da aldeia fala: não escutamos.

Venha o diabo os escolha, Republicanos e Democratas, o filhinho do Papá ou a Mulher do Meninó, Sócrates ou Lopes, Mullahs ou Generais. Tenho a sensação que tudo isto é o fim-do-mundo mas antes de acabar o Mundo, acabo eu e tu, e acabamos mal.

Chove tanto que afoga, depois do Sol reduzir tudo a cinzas. Mussolini, o fascista, gritava numa varanda, em 1921, que, se tudo falhasse, restava a Anarquia à gente de Itália. A Anarquia era a ordem escondida com que sobreviveriam. No apogeu do seu Poder não tirou uma vírgula ao que disse. E acabou mal, na mesma, ele que não foi covarde, nem suicida.

Agora que tudo parece falhar, que fazer?

No cruzeiro do caminho, somos branco e preto, índio e chinês, gigantes da montanha e peixinhos do Mar, cabelo duro e olhos azuis, um pé no cais, outro no barco, ala-ala, Alá, valha-nos Deus! De bom grado devolvamos o Falar ao Rei antigo e que o Arco seja de um só, absoluto, sim, que vai absolvido pela Grei e leva a Coroa de Espinhos, pois nós guardamos as Cinco chagas. De um só e apenas de um, seja o Arco do Ser: a Monarquia. Como Caronte há só um na passagem para o Inferno, só há um Rei Pescador no caminho de volta.

Entre o Rei reposto e o Povo posto, há-de fermentar o môsto. Não queiras saber da Trindade, deixa-te cair do Cabo abaixo, o Vento te levará. Entre a quadratura do círculo, diária, a que a Desolação nos condena e fragilidade humana do Rei, haverá um terreno comum. E ficará sempre comum, e de ninguém, mesmo sem Constituição, algures entre o Mar e a Terra, o Pinhal do Ar Livre.

17.10.06

Living under a Remote Control, by Globetrotter


1 - There is a debate in Britain about the use of the headdress by muslim women. After Romano Prodi, Jack Straw and Prime-Minister Blair joined in, my barber has a say.He tells me, in the style of Gen. Dannart, the Commander-in-Chief of British Armed Forces: "you should have an haircut sometime soon". What does my hair have to do with a civil war in Iraq or muslim women, walking around in veils? Simple. One shouldn't be what he looks like: I, as a woman, a muslim woman as an equation, Blair as a liar and a British soldier, as an undertaker.
2 - An accident in Rome, in the railway: a young woman of thirty, a researcher in Statistics, dies and she is the only dead among one hundred casualties. She is the only one, and the trains of Rome stopped on her, only for a day. One week before there was a drill in Rome, over the simulation of a terrorist attack, in a scenario of hundreds of casualties.

3 - The small Embrayer plane which caused the death of 155 people in what has been called the biggest tragedy of brazilian aviation, had its transponder set at an inaudible level, during 15 minutes, while navigating in the same channel of the fallen plane. The pilots had lowered the sound. But they were not their own passengers' terrorists. Moreover, they showed such a cold blood that they managed to rescue 7 passangers in a situation where the probability of success is very low. The pilots on the big plane, did all they were supposed to do but they didn't succeed.

4 - Experts say that the clues in Anna Politkovskaya murder certainly lead to the young and handsome Head of the pro-Russian Chechen Government, Ismail Khadirov, who vehemently denied his responsability in the slain of any woman. The motives behind the stabbing to death of another journalist, this turn, the head of the powerful News agency Itar-Tass, seem diverse. What do they have in common? Many things. One of them could be the commonality of sensations between a conscient man who's penetrated several times by a naked blade and the a terrified woman, in a narrow lift cabin, being dilacerated by four gunshots.

6 - Marc Foley was the Chairman of a Commission in the US Senate, responsible for children who had been missing or abused.

7 - Kim Jong-Il and his government have taken the UN Resolution as "an act of war". They are talking of a set of words and injunctions from what seems to be the closest possible to such a thing as an "international community". And what this latter, whatever it may be, has put in common, are the ways and ends of avoiding war. An act of war stops short of waging it, but the utterance of "war" saves us from these technicalities.

8 - We remember people in Washington preaching the goodness of bombing Teheran, waving a flask with a white powder inside, philosophizing on the compellance of pre-emptive attacks to pursue the universal and basic right to Democracy. Where are they gone, now? Did a daring Dictator, somewhere in the Far-East, clap his hands and made them fly away as a flock of sparrows? No. They just have to pass from words to deeds and they're learning that a deed, among a collection of people, is something different from emptying a square. They may not look back when they step alone in an arena but people do look around whenever they fill it.

9 - Experts speak of more than half a million people dead, after three years of "Iraqi Freedom", but the report may not be credible. A powerful terrorist army has proclaimed an islamic State in the West and center of Iraq, but that's not credible. Is Saddam Hussein going to be hanged or shot? Either of both is credible. If Bin Laden may be either killed on the run or brought to Justice, what difference does it make one more drop of blood on the tree of Liberty?

10 - One hundred sailors from Sri Lanka were killed ashore, while travelling back to their homes on a holiday. The wild, wild sea didn't like their prayers. They exhausted all of them during the tsunami and the attackers were blind long before the wave had arisen in the horizon.

11 - In Portugal people discuss the legal Right of resorting to Abortion until 10 weeks of pregnancy. Maybe they'll discuss one day the Right of resorting to Euthanasia, until 10 weeks of longevity. One thing has nothing to do with the other, except, the fact that a decision has to be taken.

12 - Michele Bachelet, the Chilean Prime-Minister, was once tortured, side by side, with her mother, by the military of Pinochet. She never managed to put this latter in prison. She didn't like, either, the speech which Chávez, the President of Venezuela, made recently at the United Nations.

15.10.06

Novos Blogs Super-recomendados

Jorge Ferreira - Aí está como ser independente em política!

Lúcia Pimenta -
Não há dúvida que é um génio da ilustração!

Jack Straw & Hamdi Zaqzouq

Nem todos os dias, os moderadores vencem. Aqui está uma vitória do ex-ministro Straw em acordo com o minsitro da Relgião, do Egipto. O acontecimento tem a maior importância num momento em que se debate o papel dos 88 deputados da Irmandade Muçulmana, no Parlamento egípcio de 454 lugares.
Cairo, 13 Oct. (AKI) - The niqab, a Muslim headdress that leaves only the eyes exposed, is not a religious object, Egypt's religion minister said Friday, entering the debate started by British ex-minister Jack Straw, who said he asked Muslim women visiting him to show their faces to facilitate dialogue. "Nor is the niqab a duty deriving from the Sharia" added Mohammad Hamdi Zaqzouq. "I know I will be criticised for my words but I think some Muslims are committing a fundamental error, focusing on external and superficial aspects, without exploring more relevant themes, and hence providing a distorted image of Islam" he said.

Straw last month triggered debate by inviting Muslim women in Britain to leave at home their veils, saying he would like to see their faces, "understand the expression of his constituents".

14.10.06

Então, a malta não veio?!

“Eles já comeram muito; agora é a nossa vez”

José Barbosa para Israel Anahory, Câmara Municipal de Lisboa, 5 de Outubro de 1910

13.10.06

Uma Praga Ocidental, por Pedro Cem


Tudo começou por uma ideia oceânica de que "o Mundo é meu" ( e o Céu também). À traulitada e ao cacête, o coração não se demovia deste enlêvo. Todos nos haviam de amar quando aparecêssemos de corpo bem feito e armadura.
Quando os calhaus começaram a chover e alguns dos nossos caíram, até inventámos a vida além-túmulo, cheia de carinhos só para nós, como se a Distracção e Ignorância não fossem nada...
Depois elegemos o filhinho do Papá para nos governar. E da Mãmã,também. Porque Mulher que queira, até manda chover no Deserto. E lá foi o filhinho do Papá governar-nos. Era estúpido que nem uma porta e, pior de tudo, ninguém lho disse. E saíram asneiras atrás de asneiras.
Inventámos a Revolução, a Liberdade e a Democracia. De cada vez que um calhau nos caía num pé e uivávamos de Dor, vinha um outro sentimento oceânico: um 'Mundo dourado de Senhores e da Virtude"ou um "Mundo dos Livres e da Justiça". A um, seguia-se sempre o outro.
De tanto universalismo e globalização, ficou-nos um ardor na cara, um rubôr de estupidez.
Algo, do silêncio do Universo, nos disse que, afinal, não éramos os Eleitos, nem os Senhores, nem os Justos. Ah, descobrimos confortados que, ao menos éramos homens e até nos dispusémos à mais alegre das degradações para nos ajoelharmos a outros Senhores humanos, que houvessem por aí, pois tudo era um Senhorio. Mas o resultado foram apenas três dias de Carnaval de consentimentos infames que acabavam em pauladas furiosas. Então só nos restou chamar pelo Papá. E pela Mãmã.
Começando a duvidar que nos estivessem reservados os "carinhos do céu", ficámos com os carinhos da Mãmã e com a companhia à força, da Prima, para as brincadeiras.
Alguém nos disse que, se tínhamos sido os melhores, era porque merecíamos. Disse-nos a Mãmã.
Mas que matilha de macacos em que nos tornámos! Todos na árvore da Ciência do Bem e do Mal, às macacadas, quando, em torno, se acabara o Paraíso.
E agora, o que nos resta, é o arrepio de medo, do que se vai seguir, quando acabar a brincadeira...

10.10.06

Oops, I did it again! by Globetrotter


Tonight, on stage, the actors improvise. But only tonight, because tomorrow their improvisation will be embedded in the script itself. No more beginnings. Lavoisier just kicks off one more round in the carousel that never stops. Kim, the improbable Powerful, is already accelerating the carousel where he stepped in: "next time, if you, Americans, are not flexible enough, I'll launch one of my nuclear missiles, "which nobody knows for sure, whether it will really take off or fall, nose down, on the neighborhood. Look at Ahmedinejad: he came all the way from being depicted as "Wanted", side by side with Osama b.Laden, up to the point of glittering in prime-time, on CNN. We are even compelled to believe that the much more exposed and primitive nuclear program of Teheran, is now less threatening than the one of North Korea, and even relieved because they'll always have terrorists as an option.

Security is no longer an affair of State, neither an affair of Nations. Security is no longer a rumour to exploit day to day, by a restless journalist, dopped in miracle and wonder. Security is denial, precisely as the Hungarians are doing, now, everyday, in front of their Parliament.

The stop-and-go of US fireworks is coming to an end, just as euphoria doesn't tackle depression, but exhausts the patient. After all, the "American Century" of neo-conservatism, only managed to radicalize Islam, which could be wordly-going, but didn't carve a springborad, to make American universalism bounce back as the "Empire of Evil", once, did. Experts say that, more than the Afghan war, the USSR collapsed because of Ronald Reagan's Star Wars, which led Moscow to neglect russian consummer standards, in order to cope with the arms race. Now, the West finds itself in the same situation. Preventive wars and pre-emption only managed to spin more pre-emptions round and covert actions made the hunter weary of his own dog. Worse than that: pre-emptive wars only succeeded ( if they'll ever do) in weak States.

We shouldn't care whether Condie Rice, or Senator Foley, or Rudolph Giuliani are going to rebound. We should care of ourselves, with the means we have, even if they're parochial, philistine or primitive, such as Nation, Tradition and Frontier. The world wasn't redesigned after the dissolution of the USSR because the bedrock of brave new worlders has always been shlugginess.

It may be that we won't have nothing else than our fingers to write on the water but that will probably keep us afloat on a tide that nobody is able to predict. Maybe marxists are putting their Champagne bottles on the rocks, to celebrate the end of the capitalist society, in thirty years or so. But they will be blind by that time...they won't even remember where the fridge was.

8.10.06

Uma praga russa, por Pedro Cem


Anna Politkosvkaya morreu, com quatro tiros, dentro do elevador, pequenino e estreito, do seu apartamento exíguo de Moscovo. Tinha sido mediadora durante o sequestro terrorista no Teatro Nordeste e fora alvo de uma tentativa de envenenamento quando se dirigia a Beslan, para o mesmo fim. Dizia um pianista russo durante aquilo que eles chamam a Grande Guerra da Pátria e nós Segunda Guerra Mundial que "hoje não quero pensar em Música mas apenas em matar alemães e enterrá-los bem fundo na terra". O Verão está a morrer na estepe, o Sol voa baixo, a Natureza morre e Anna será enterrada bem fundo na terra. Na estepe, o vento levará os soluços dos seus filhitos órfãos, como já levou tantos gemidos, os transformou em uivos de lobo e os trouxe de novo, na Primavera, com os gritos das andorinhas. Na Chechénia o fantasma de Basayev continuará a dançar sobre um pé e o viking islâmico Omarov a cortar-lhe a erva por baixo, com a foice grande.

Há uma alma russa que suporta todas as dores e, de rastos na lama e no frio, toma um balanço sem fim. Essa alma não vive no Kremlin, nem bate às portas de Novgorod. Essa alma foge a correr pela estepe, com o filhinho nos braços. Algures na fronteira onde vagueiam os povos sem mapa, alguém dará fogo de aquecer e água de beber ao filhinho que Anna não teve. Também a estepe sem fim, traz a doce rendição, dos que vencem sendo vencidos e dos que têm o ar míope, confundido e escolheram não ter mar, como Politkovskaya.

O relâmpago cairá na estepe, sobre o assassino que julga fugir. Porque todos os lobos que guardam a Santa Rússia, saiem esta noite a monte para lhe indicarem o caminho.

7.10.06

Foi finalmente descoberta a "ética republicana"


No 5 de Outubro, quando as televisões transmitiram a celebração da data na Câmara Municipal de Lisboa, permaneceu a dúvida se havia mais pessoas nos varandins dos Paços do Concelho se na Praça do Município. O ritual comemorativo do regime republicano já nada diz à população; 16 anos de “balbúrdia sanguinolenta” e 48 de ditadura fizeram com que o princípio nunca plebiscitado se esvaísse, sem sangue nem drama. Ficam 32 anos de Democracia. A precisarem de novo impulso.
O assessorado discurso do PR, que se pode consultar na página oficial que também fala ede uma exposição de carros de luxo da Presidência e da ineleita Maria Cavaco (sic) e outros brindes reverte à "
instauração de uma ética republicana de serviço público". Por Amor de Deus! Que assessor escreve isto!" E que assessorado o aceita ! Estamos em 2006, ou em 1906 onde ainda era legítimo arvorar esperanças na república tout court . . . Que ridículo seria se alguém ligasse a fundo ! Que ridículo é , porque ninguém liga. Que embrulhada misturar um saudável apelo à anti-corrupção com palhaçadas sobre "ética republicana". Ainda se o homem se lembrasse de virtudes mais normais, como as do cristianismo. Mas "quod oleum non dat..."
Agora noutro tom:
Conforme o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de 2005, dos primeiros 20 países – com mais alto nível de vida, maior justiça social, e maior participação popular – todos são democracias e 12 são monarquias constitucionais que, aliás, vêem à cabeça. Os reis despojados de poderes políticos têm cada vez maior apoio entre a população, apesar de alguns os acusarem de constituir um precedente para a desigualdade entre os cidadãos. Em 2006, o livro For Sweden indica que o rei Carlos XVI Gustavo desfruta de 80% de aprovação. A popularidade da família real de Espanha está em crescendo. O 80º aniversário da rainha Isabel II de Inglaterra mostrou a resiliência britânica. Simeão da Bulgária foi primeiro-ministro de 2001 a 2005; quase todos os países da Europa do Leste restabeleceram as armas reais nos símbolos nacionais; eis exemplos que desafiam a imagem incontornável do republicanismo que, na Europa do início do século XXI, deixou de determinar as atitudes e comportamentos políticos das populações.

5.10.06

Fundamental, por Pedro Cem


A Comunidade Amish nos EUA é aquela da Igreja Mennonita holandesa, protestante, mais isolada do Mundo. Rejeita grande parte do Mundo moderno, como automóveis, rádio ou televisão, só baptiza os seus membros quando são crescidos, usa uma roupa uniforme semelhante à do séc. XIX, não tem Igreja senão a casa de uns e outros, tem um bispo por cada centena de pessoas e a comunidade é paternalmente governada por quatro anciãos. Rejeita o Serviço militar e por isso, fugiu da Alsácia, para a Polónia, daí para a Rússia e, finalmente, fugindo aos soviéticos e aos Kaisers, para os EUA. Foi perseguida por Calvinistas e Católicos.

O assassino que os martirizou era um bom marido, bom pai, não era fanático religioso, apesar de filho de um polícia exemplar, não tinha a mania das armas, tinha 32 anos e estava empregado. Mostrou critério ao poupar metade dos sequestrados e sentimentos, na sua ultima conversa, por telemóvel, com a mulher. Era um homem angustiado pela perda da primeira dos seus quatro filhos, nascida prematura e alegou, ao falar com a mulher, que tinha abusado de duas crianças afins, quando tinha doze anos. Embora tal não pareça verdade, equipou-se com material para o sequestro que indica querer concretizar o que então alegou, ou seja, obsessões pedófilas.

Os Amish não podem viver numa ilha rodeada de violência e pornografia ( a divulgação do video de Mohammed Atta e Siad Jarrah, respectivamente líderes do atentado a um das Torres Gémeas e do avião da Pennsyilvania é obscena) sem que ou nós os imitemos ou eles nos imitem a nós. Como parece que eles são mais perserverantes e até começamos a comer os produtos ditos biológicos que eles produzem e de que vivem há séculos, a única segurança que lhes podemos dar é: não consertar a TV quando se estragar, evitar roupa libertina, pensar num meio de locomoção que não o automóvel, reservar as armas para aqueles que tradicionalmente as podem usar e voltar à terra, esperando que quem usa armas o venha a fazer também. Ah...e relativizar a democracia.

Não precisamos de acreditar em Deus, nem baptizarmo-nos pela segunda vez, agora que somos crescidos. Porquê? Porque a primeira reacção dos Amish após o concluir da tragédia, foi fazer uma colecta para ajudar os pais das crianças assassinadas e a viúva do assassino. Contra uma classe destas só nos resta rendermo-nos.

3.10.06

Religion is just Hate and Will of Power, by Globetrotter

Freedom and Democracy have just arrived to the Amish Community in America.
Instead of living their own way which is never free, since it is autonomous and requires the reference to some recurring perfectionism and self-sacrifice, the Amish are now envisaging to carry guns.
After surviving almost intact to wars, aggressive nationalisms, persecutions, in Europe, now they must ( they have) to share the Fourth Amendment of the US Constitution, renounce their abhorrence of guns and carry them as any regular citizen of the Brave New World.
As a matter of fact, they were one of the building blocks of America, the guardians of the pure stream which flows from our conscience and not from our appetite.
Now, they just have to be like anyone else. They'll have to lesson to radio because of Police alerts, watch soap-operas and real life shows to defuse stress, hold mobile phones for security reasons, have someone else's bishop, go to church every Sunday, even Drive-in churches with coca-cola and fodder for the horses.
One of the signs that New York was raising from the ashes after September 11, was the reappearance of an Amish vendor who used to offer a large variety of biological products, at the underground entrance in the Rockfeller center ( we call them "biological products" despite the fact that they are the same products that the Amish have been breeding for centuries). Be sure that just looking to the tenderness of their products would make any honest man cry.
Be democrats, be republicans, be Eagles, poor Amish dodos! God is just a taxation concept, you have to be free, you must follow democratic rules and trends, read Rosseau and the Marquis of Sade, leave the Bible for those who master ancient Languages. Your wives are certainly oppressed, your old men are not allowed to file for euthanasia, your children are being abused since you put them working on land when they are twelve and your young men have the right to wear buttoned coats, skirts and expand all the gaiety inside them.
Be free, join the army to fight in the cruzade against the muslim fanatics.

And I, who just thought, you were a piece of Heaven on Earth...

Today I'm Amish, and I share the pain you feel, knowing for certain that your clean hands hold the keys of Peter.

Vá por aqui...

Tungsténio

para mim tanto faz

Sala Oval

1.10.06

Falcão e Borsalino, por André Bandeira

Vai estrear em Itália um filme sobre Falcone, o Juiz anti-máfia, que foi pelos ares com a sua mulher.
Falcone costumava-se chamar a si mesmo, o "morto que caminha". Era siciliano como grande parte dos seus antagonistas.
Neste tempo de inocentes a ir pelos ares, Falcone não era inocente. Sabia com quem lidava. Um dia, um dos seus guardas queria casar-se e pediu para ser transferido. Ele ia dar-lhe a transferência porque aquele posto não era muito bom para a saúde. Perguntou-lhe se o guarda gostava do trabalho. Ele disse que não. Mas não se transferiu. Perguntou-lhe depois: mas afinal não te foste embora? Já gostas do trabalho? Não, respondeu o Guarda. Mas gosto de si.
Falcone ria pouco. No mundo onde nasceu e onde acabou por morrer, não há muito para rir. A terra é pobre, desprezada, era melhor se calhar ser independente para chorar sozinha, foi invadida por tipos de fora, desde que há memória mas Falcone acreditou em Roma. Ou não acreditou, mas acreditou que há uma Ordem qualquer, uma razão de ser para isto tudo. Alguns dos mais fiéis de Mussolini, até ao fim, eram sicilianos que, como se sabe, abriram a estrada para Roma aos Aliados, não sem antes matarem um comunista, Tresca, que se bateu contra Mussolini desde o princípio depois de Mussolini o deixar sair. Foi em Chicago mas o mafioso que votou contra, matou depois o tipo que mandou liquidar Tresca. Os sicilianos de Mussolini eram juízes e advogados, meteram-se a soldados nas Brigadas Negras. Homens calados, quando chegavam às aldeias dos partiggiani, pediam para falar: deixavam-se ficar, de braços cruzados atrás das costas, expostos às balas fazendo os seus discursos pela honra da Itália, pela Ordem que era melhor que o caos, etc. Ninguém os ouvia mas tinham conseguido quebrar o seu silêncio interior, guardado de séculos, para cantarem aquelas palavras em que tinham acreditado. Muitas vezes era o seu último canto.
Aqui há pouco tempo, um destes sicilianos cansados de caos, que se recusou a pagar o pizzo, e andava com a cabeça a prémio, perguntaram-lhe numa entrevista porque fazia aquilo. Respondeu ao jornalista: porque quando morrer, tu terás de me amar.

Assassinato em Samarcanda


O ex-embaixador britânico no Uzbekistão, Craig Murray, escreveu um livro extraordinário sobre os anos em que serviu em Tashkent, de 2002 a 2004. Aí levanta a ponta do véu sobre a "guerra ao terror" de Bush-Blair. Claro que há grupos de terroristas islâmicos contra o Ocidente. Mas o centro da política americana na Ásia central é sobre o petróleo e o gás. Por detrás das pequenas " bases de nenúfar" dos E. U.A, com 1.000 a 3.000 homens cada, está o cerco do "Grande Médio oriente" que inclui a região do Mar Cáspio, Tengiz, as reservas do gás de Turkmenistão e Uzbekistão e o Golfo Persa. Em emergências, estas bases podem albergar 40.000 homens, como um nenúfar que se abre para receber uma rã ou um sapo. Com a ascensão dos gigantes económicos China e Índia, aumentará a pressão sobre o combustível nas décadas seguintes. A Europa é um importador. E Washington protege o acesso a combustível. O exagero da ameaça da al-Qaeda é um pretexto para a estratégia de cerco. Murray não o diz mas a estratégia inclui a conquista e a ocupação militar do Afeganistão e do Iraque.

O Uzbekistan tem reservas do gás. E o governo de Karimov, velho apparatchik soviético é apoiado por EUA. Desde 2002 Murray recebia provas das técnicas de tortura dos dissidentes. Corpos, baleados, esfaqueados, e escaldados Na base aérea de Karshi-Khanabad em Uzbekistan, torturava-se. Os E. U.A esperava contratos do gás natural de Uzbekistan. Mas em 2004 atrasado, os Uzbeks contrataram com a Gazprom

A CIA falava de operacionais conhecidos do al-Qaeda no Uzbekistan. Mas a informação vinha da polícia secreta de Karimov. E os dissidentes torturados falavam da al-Qaeda.

“Assassinato em Samarcanda" deve ajudar ao despertar sobre o embuste da "guerra no terror." Se esta "guerra no terror" promove um Karimov, e os dirigentes “vodka”; se tortura para obter falsas informações sobre meia dúzia de "terroristas" da "al-Qaeda que cada vez menos diferença fazem, mas que justificam a própria “ guerra ao terror”, estamos perante a morte moral do Ocidente. Este é o ponto central. Os EUA perderam a superioridade moral para conduzir o Ocidente. Os europeus não têm a superioridade material para o fazer. E agora?

27.9.06

Reconciliação, por André Bandeira



Estive a ver uma entrevista de Brigitte Bardot, no canal Le Monde, Vies Publiques, Vies Privées. Parece que faz hoje 72 anos.
Que bonita que é Brigitte Bardot, agora. E que bonita que é por dentro.
É bom que se saiba que, nem tudo na entrevista parece verdadeiro, e que Brigitte Bardot nos apresenta uma vida falhada. Sim, falhada...
B.B. diz-nos que sabia desde pequena que era uma mulher só. E sabia-o muito bem ( eu demorei a saber e não o sei bem ainda, ou não quero). Mulher de coragem extraordinária, não deixou por isso de tentar a sorte que sabia não ter. Foi ríspida, à medida que via a sorte fugir exponencialmente, deixou alguns homens magoados a fundo pelo meio, sabendo que ela se iria ainda magoar mais, mas poupando contudo a dor toda de uma vez só, pelo dever que tinha de viver. Foi egoísta mas não foi trágica. Reconhece-se que é ainda muito sensível, depois de trinta anos de solidão que disse ter dedicado ao sofrimento dos animais. Vendeu a casa para a sua Fundação, parece que Mitterrand lhe deu algo que a permite viver num apartamento. Dá dinheiro a outras causas como, por exemplo, a de um negro americano, Farley Hetchett, que foi executado, no Texas, no passado dia 12. É contra a pena de morte mas acha que os que assassinam crianças devem ser executados e admite a contradiçao ( B.B. nunca conseguiu ser mãe). Elogiou Lionel Jospin e lutou por Le Pen. É de Direita porque foi educada assim. Ainda se levanta às vezes a chorar e lamenta o seu envelhecimento. Disse que, algumas vezes, o desespero foi tão grande que roçou o suicídio. Mas escolheu viver (quando me lembra da notícia de há uns anos -- que suscitou a intervenção de Mitterrand -- de que B.B. fôra detida, zonza, pela estrada, na Côte d'Azur, a tentar comprar serviços de homens, já não me envergonho dela). Disse muitas coisas contraditórias mas afirma que a vida é impiedosa e duríssima, pelo que não a chega a amar mas detesta a morte. Avisa contra a celebridade que diz que faz os outros estabelecerem relações artificiais connosco, as quais depois se pagam e, segundo, B.B., tudo se paga na vida.
Esta mulher teve a enormíssima sorte de poder pagar. E está a fazê-lo, porque teve a coragem de enfrentar o seu próprio destino.
Espero que as mulheres que amei e que conheci, ou talvez as que queira amar ainda, as veja agora como Brigitte Bardot nos ensina, ou seja que uma Mulher ou um Homem, antes do legítimo direito ao Amor e à Felicidade, tem o direito a ser eles próprios. E que ignorar quem somos, em nome da Felicidade, é egoisticamente trágico. A Tragédia que nos pode aparecer se decidirmos viver, ao menos não será nem cega, nem egoísta.
Reconcilio-me hoje, um pouco, com a minha infelicidade.
A minha infelicidade como a de muitos dos que me lêem, é bonita como Brigitte Bardot, porque é uma dádiva. Deus deu-nos ao Mundo, a ti e a mim, como a deu a ela.

Mona Lisa por André Bandeira

Dizem as notícias que o segredo do sorriso misterioso de Mona Lisa era o de ter tido o seu segundo filho, pouco antes de posar para Leonardo da Vinci. Entretanto ouvi outras, como a de que era o auto-retrato dum feminino Leonardo, que os cientistas lhe tinham calculado vários dentes quebrados por trás do sorriso (eventualmente da lavra do marido) ou até aqueles que tinham medido o sentido esotérico da geometria exacta, desenhada por trás da pintura a óleo, em parábolas e elipses. Todas estas, tirando, claro, a explicação decisiva de que Mona Lisa era um extraterrestre.

Esta novíssima explicação não explica nada. E estavam quase a deixar Mona Lisa em paz...

Sim, deixem Mona Lisa em paz e concentrem-se nas pessoas reais de todos os dias, que, entre o silêncio e as palavras, entre a morte e a vida, passam pelo Tempo, com sentimentos e pensamentos, passam pela vida com uma “alma”. Por trás de um rosto ( e também do focinho de um animal ou por trás de uma paisagem) existe algo que vem do fundo dos tempos e se prolonga para além deles. Podem dar-lhe um nome que seja vosso, podem até dar-lhe uma segunda cara, meter-lhe uma auréola ou um turbante em volta e depois fazer umas jihads e umas cruzadas pelo meio mas sobretudo, deixai as pessoas em paz. O que vêdes é apenas um insecto chocando contra o vidro que vos rodeia. E já agora: rezar também faz bem, porque pode transformar muita coisa, sendo certo que 100% do que existe, existe para os nossos olhos.

25.9.06

Coisas Feias de Segunda-Feira


"Atentado contra o Papa" Titulo do romance entre os actuais best-sellers na Turquia. O subtítulo também diz muito: "Quem matará o Papa em Istanbul ?"
Mein Kampf também está na lista dos best-sellers turcos. E ninguém esqueceu Os Lobos, um romance e filme sobre um massacre de americanos por tropas turcas.
É só emoções fortes, lá para os lados do Bósforo.
É mesmo preciso reler a posta anterior do André.

24.9.06

Coisas bonitas dum Domingo, por André Bandeira


Shalom, ao meu amigo Waldemar, porque é ano novo. Celebramos daqui, o Roshe Shana, até ao Yom Kippur, o dia do perdão universal. E à minha amiga Latiffa porque se iniciou o Ramadão. Como João Paulo II tinha pedido, em 2001, fiz um dia de jejum em homenagem aos meus irmãos muçulmanos. É o tempo da Grande Jihad, a da luta contra nós proprios. Fazer jejum, até de fumar, de ver imagens excitantes ou estimulantes na Televisão. O Concílio do Vaticano II, citando um texto de Gregório XVI ( séc. VII D. C. ) diz que nós, cristãos, estimamos os nossos irmãos muçulmanos, adoradores do Deus único, o Deus misericordioso e omnipotente, pela oração, pela esmola e pelo jejum e que eles procuram de um ponto de vista moral submeter-se inteiramente aos decretos de Deus, mesmo aqueles insondáveis, como quando Abraão partiu, com a morte na alma, para a montanha, com seu filho Isaac, seu único filho, disposto a sacrificá-lo. Os nossos irmãos muçulmanos que não aceitam Jesus como Messias, mas que acreditam que nasceu da Virgem Maria e que desapareceu no céu transformado em luz. E mesmo que o Valdemar não acredite em nada disto, poderemos admirar todo o saber de Amor, na tradição do Rabi Hillel, que Jesus ensinou e também a sua justa rispidez, como o Rabi Schammai ensinava.Tudo isto numa história que não tem fim. Vi que em Espanha há uma menina de 7 anos que ensina a sua velha vizinha, D. Pepa, a ler. E que há uma organização nos EUA, chamada Project Innocence que está já a tratar de 8000 casos de tipos no corredor da Morte a quem nunca fizeram as provas de DNA mas que se crê estarem inocentes. E sei que, neste momento, um médico exausto se bate pela vida de um seu paciente, num lado qualquer. Vi algo sobre os orfanatos na Roménia, onde havia cerca de 700.000 mil crianças tão abandonadas que algumas até se tinham cegado a si próprias para chamarem a atenção de um afecto que nunca tinham sentido. Sei que os estão a reduzir, a colocar em famílias de acolhimento, romenas, mas também a reduzir as Instituições onde algumas trabalhadoras têm mais tempo para eles e numa delas vi até um menino que tinha uma cara tão feliz só por ver a Instrutora a cantar-lhe e a dar-lhes um copito de sumo, todos alinhados em torno da mesa como um Jesus e os Apóstolos em miniatura. Mas também ouvi uma miúda da rua, que se veste de rapaz para não ser abusada, a chorar em frente à Câmara como se ainda reivindicasse o direito a um afecto que nunca conheceu. Dizem os especialistas que a entrada da Roménia na União Europeia vai ajudar os jovens pais a serem mais assertivos e a não deixarem os filhos ao Estado, à primeira dificuldade ( que às vezes é bem grande). Vi que os bébés abandonados têm algo de adulto nas suas caritas, não porque tenham sofrido como adultos ( são demasiado pequenos para adoptarem expressões correspondentes) mas porque ficam nos lábios e nos olhos com o torpor ou o espanto de adultos que não conseguem vencer os obstáculos. E depois, balançam continuamente, quando a solidão se tornou absoluta...balançam como um devoto hebreu ou muçulmano recitando versos dos seus textos sagrados.
E vi outras coisas muito bonitas, e muita gente boa e honrada. E ouvi até a história dum rapaz adoptado, do Mali, que quando chegou a adolescente, encorajado pelos colegas, quis ser muçulmano como fora ainda até aos oitos anos, antes de ser adoptado. Foi ter com o Iman, da sua mesquita em Paris e este disse-lhe: " O Corão manda que respeites os teus pais. Os teus pais são quem te adoptou, eles são cristãos, não podes reconverter-te se os ferires. Por isso, não voltes cá".

22.9.06

The Killing News by Globetrotter

Chavez made his speech. But he overlooked the rules. He doesn’t even know the limitations of the spoken word, since the dawn of times, especially in the place where he pronounced them…this said, in our times. Clinton referred that Chavez’s words won’t do any harm to the United States, but only to him and his country. What did he mean? Not Chavez who was crystal sharp, but Clinton, who could be interpreted has if he meant that everybody knows Bush Jr. for a demon and the enunciation of that fact doesn’t skip the duress of keeping him in power. Chavez had in his hand a book of Noam Chomsky, a genial Linguist who happens to be an idol of the 68’s generation. But that was only a coincidence, since Chavez doesn’t need a Linguist to make the headlines and Chomsky doesn’t need to weigh his words to have an impact. Reading we are: we even read the models’faces to guess whether their bodies are skinny enough not to pass the exam of Spanish catwalks…because we cannot avoid thinking of their tempting bodies, since “we like it like that”, as Kylie Minogue sings. Reading we go: the Pope’s speech and an old Byzantine Emperor’s words. As Chavez is in rage, so was the Emperor. Ali Sistani, the Shiite ayatollah of Iraq who avoided a bloodbath just after the invasion of that country was once declared as a Nobel Peace prize pretender and some images of him, had been, then, divulged, depicting the old man while reading the Qur’an. He smiled. That’s why holy Books are sacred: God speaks through a century-old tradition and often reveals Himself to the good-faith reader.
But we read too much. Nothing is definitely coded in the things we chase. Jesus didn’t have a personal Library. In Qanah he was happy once, earthly happy in the middle of the other’s happiness. He even performed his first miracle, after scolding His Mother, because He thought that His time hadn’t arrived yet. But He didn’t know that His time had indeed arrived. He didn’t have a personal computer with a pre-programmed pre-emptive signal.
A nun was liquidated in Somalia. So was her Somali body guard. News says that it had nothing to do with the outrage at the Pope’s words. Three Christians were executed in Indonesia, after five years of trial on the genocidal riots with Muslims in 2000. The courts in Indonesia are not great, neither the respect for Human life. And on we read. After being aware and informed, we find ourselves in a line of battle which engulfed us, unawares. Do we want it? Do we really think that there are not ways to settle things without killing or providing good kills? Killing doesn’t happen any time – one has often to have inculcated in his mind that he’s just defending himself. When was the last time we purified our thoughts and impressions, or, at least, put them in order? We certainly have the right to have and express an opinion. But we have the duty of living and allow living.

20.9.06

Fé, Oração e Universalidade, por André Bandeira

Três Cruzes no portinho da Arrábida (foto Lucy Pepper)
Há um pedreiro italiano, Ulberico Lambertucci, que descobriu a corrida aos 50 anos. Já lá vão outros anos, tem-se dedicado a correr por esse Mundo fora, primeiro com a sponsorização dos seus amigos de paróquia ou seja umas palmadas nas costas e uns abafadinhos, depois, com pouco mais do que isso, de modo que só lhe fizeram uma reportagem na TV, depois de ter atravessado a Ásia.

Foi a correr até Fátima mas primeiro até Loreto, do Santo Padre Pio, aquele das chagas nas mãos. Quando chegou a Loreto, passou pelo padre e pelos amigos que o esperavam, sem dizer nem xim nem mim e entrou na Igreja. Depois voltou aos amigos e disse, "primeiro Nossa Senhora, depois os amigos".

Entretanto viu que João Paulo II tinha problemas com a China, a Igreja subterrânea, o juramento de fidelidade da Igreja oficial à Constituição, as prisões, etc. Calou-se e foi a correr até à China. Demorou 180 dias, teve uma festazita no Kazquistão em que a gente de lá lhe deu o que pôde, o Governador recebeu-io dizendo o que admiravam a Itália e seguiu.

Perguntaram-lhe o que faz a maior parte do tempo que corre, por essas estepes, nevões e lamaçais, sózinho. Ulberico responde: 'a maior parte do tempo, rezo".

19.9.06

Banqueiros: be afraid!

Banqueiro em Kabul. Para lembrar que é este o início de todos os impérios financeiros; uma banca para trocar dinheiro, seja o que for que vai em redor; a "bancarrota" é quando o banco era partido por falta de pagamento ou corrupção. Entre o homem de KAbul e Rothschild a financiar as guerras napoleónicas e anti napoleónicas; ou o First Mannhatan Chase a financiar empréstimos do FMI e WB não há diferença. BE afraid! Primeira reacção; ser anti-plutocrata, a reacção saudável

16.9.06

Com Atraso indesculpável, MCH


Quando souber carregar o PPT que adaptei, carrego....

"A bolha um dia terá de estourar", Moniz Bandeira

11 de Setembro - Cinco anos
ENTREVISTA / MONIZ BANDEIRA - Publicado em 11.09.2006

O professor baiano Luiz Alberto Moniz Bandeira, um amigo de Portugal, é considerado um dos maiores estudiosos da história política internacional, e fala do lançamento de seu livro "As relações perigosas: Brasil - EUA (De Collor a Lula)".

Eleito pela União Brasileira de Escritores o Intelectual do Ano, em 2005, o cientista político e escritor baiano Luiz Alberto Moniz Bandeira é um crítico ácido da política externa americana. Em Formação do Império Americano, ele adverte que, mais dia, menos dia, o sonho americano vai virar pesadelo. "A bolha um dia terá de estourar", prevê o vencedor do Troféu Juca Pato, da Alemanha, de onde conversou com o Jornal do Commercio, por telefone e por e-mail.

JORNAL DO COMMERCIO -Em seu livro Formação do Império Americano, o senhor cita a previsão de dois senadores norte-americanos a respeito do domínio dos Estados Unidos sobre o mundo por, pelo menos, 25 anos. Esta "profecia" vai se cumprir?

MONIZ BANDEIRA - Não se trata propriamente de uma profecia, mas de um cálculo. É claro que os Estados Unidos já não são mais hoje uma estrela de primeira grandeza, como no tempo da Guerra Fria, em que se confrontava com a União Soviética e congregava todos os países do Ocidente e outros sob sua liderança. Hoje as áreas de contestação à sua hegemonia estão a aparecer em todos os continentes e os Estados Unidos não se mostram capacitados a responder aos desafios com que se defrontam. Na América Latina, o antiamericanismo cresce. A Venezuela está em confronto com os Estados Unidos, que não conseguiram impor a ALCA, em virtude da oposição do Brasil e da Argentina. A eleição de Evo Morales na Bolívia comprova essa tendência, que também se manifesta no Equador e no Peru. E o Plano Colômbia não conseguiu estabelecer a paz no país, onde as Farc dominam cerca de 40% do território. Foi outro fracasso. A Coréia do Norte e o Irã são outros focos de contestação e que não se curvam às pressões e ameaças dos Estados Unidos. A invasão do Afeganistão e do Iraque foi outro fiasco. Os Estados Unidos não venceram a guerra pela simples razão de que não conseguem estabelecer a paz. A luta continua nos dois países. E Israel, que serviu aos propósitos dos Estados Unidos ao atacar o Hezbollah no Líbano, fracassou também no seu objetivo. Não destruiu o Hezbollah e perdeu sua autoridade moral, em virtude da fúria devastadora de seus ataques, dos bombardeios indiscriminados, matando civis e destruindo a infra-estrutura do Líbano.

JC - A hegemonia dos EUA está com os dias contados?

MONIZ BANDEIRA - Não posso dizer com os dias contados. Mas o fato é que ela se esgarça, perde força cada vez mais, em decorrência não apenas de fatores externos, mas também de fatores internos. É lógico que o terrorismo não constitui um fator de coesão, como o foi o comunismo, representado pela União Soviética, o Bloco Socialista e partidos comunistas em todos os países. O terrorismo é um método de luta que os Estados Unidos, inclusive, sempre usaram, como, por exemplo contra Cuba, e usam. E, do ponto de vista econômico, os Estados Unidos continuam a emitir dólares sem lastro para comprar energia e manufaturas e os países que lhes vendem usam os mesmo dólares sem lastro para comprar bônus do Tesouro americano, financiando assim o déficit da conta corrente do balanço de pagamentos, que no último mês ascendeu a mais de US$ 900 bilhões. Ao mesmo tempo, apesar da desvalorização do dólar, os Estados Unidos não conseguem reduzir seu déficit comercial, que conflui com o déficit fiscal e entram em um círculo vicioso. O enfraquecimento do dólar produz a elevação do preço do petróleo, do qual os Estados Unidos importam metade do seu consumo diário, bem como de outras matérias-primas e bens de que necessitam, o que não permite uma redução substancial do déficit comercial. Por outro lado, o engajamento nas guerras do Iraque e Afeganistão e as necessidades militares em todas as regiões do mundo não lhe permitem cortar drasticamente o déficit fiscal. Os Estados Unidos possuem hoje uma economia de guerra e sem guerras não podem sustentar o seu funcionamento. Daí que necessitam consumir suas bombas e outros armamentos, em guerras diretas ou através de Estados-clientes, como Israel, de modo que possam fazer novas encomendas e manter o complexo industrial-militar, nível de emprego etc. Como conseqüência, o déficit fiscal não pode ser reduzido e tende a aumentar. O cenário que o professor Paul Krugman e o financista George Soros vislumbram, assim como o Asian Development Bank, é o colapso do dólar, algo como o que sucedeu com a Argentina, talvez menos intenso, mas que abalará toda a economia mundial. Alguns economistas entendem que o dólar está sobrevalorizado e pode sofrer uma queda brutal de 15% a 40%. O que ainda afasta essa possibilidade, mas não a elimina, é o fato de ser o dólar a moeda internacional de reserva. Mas não se deve esquecer que a maior parte do petróleo mundial é comercializada em dólar e o colapso do dólar sem dúvida acarretará uma enorme alta no preço do petróleo, o que também poderá ocorrer se o Irã for atacado ou os Estados Unidos tentarem desestabilizar o governo presidente Hugo Chávez na Venezuela. Daí porque há rumor de que certos contratos de petróleo tendem a passar para o euro o que acentuaria depreciação mais rápida do dólar. Naturalmente, que um colapso da economia americana, afetará gravemente todos os países do mundo e provocará mudanças radicais no panorama internacional. De qualquer modo, mesmo que não ocorra a curto ou a médio prazo, o colapso, ou que não ocorra, o fato é que se prevê que até 2030 a China vai superar os Estados Unidos e a tendência do mundo é para a multipolaridade. O Brasil, se construir a Comunidade Sul-Americana de Nações, pode constituir outro pólo, ao lado da União Européia, Rússia, Índia, Estados Unidos e China.

JC - Que países poderão fazer frente à atual potência hegemônica?

MONIZ BANDEIRA - A hegemonia americana é atualmente um fato. Sua economia é da ordem de US$ 12,36 trilhões, mas sua participação no PIB mundial está a decair, superada pelo conjunto das economias da China, Índia, Brasil e Rússia. Os EUA, porém, ocuparam militarmente alguns territórios da extinta União Soviética, e dos Estados que integravam o Bloco Socialista. A estratégia da ocupação desses territórios pelos EUA no Báltico, depois a Europa Central, a Ucrânia e a Bielorrússia, até os Bálcãs, e culminou na Ásia Central, com a invasão do Afeganistão, e em no Oriente Médio, com a invasão do Iraque. As bases militares americanas estão espalhadas por todas as regiões. Conforme salientou o professor José Luís Fiori, elas controlam quase todo o "Rimland", considerada por Nicholas Spykmana área geopolítica mais importante do mundo para o exercício do poder global e os EUA já construíram um "cinturão sanitário" separando a Alemanha da Rússia, e essa da China, a evidenciar que estes países já são, no século 21 considerados e tratados como os verdadeiros concorrentes dos EUA. A União Européia continua aliada dos EUA, mas a fratura já foi exposta pela guerra no Iraque. E ela somente poderá assumir um papel mais ativo e independente, quando construir sua própria força militar, separada da OTAN.

JC - As fragilidades da economia americana são o seu calcanhar de Aquiles?

MONIZ BANDEIRA - Os EUA são um império altamente dependente. Dependem de petróleo e gás e de capitais para financiar a conta corrente do seu balanço de pagamentos, o que só têm conseguido, artificialmente, mediante a emissão de dólares sem lastro. Seu consumo diário de petróleo era de 20,03 milhões de barris em 2003, mas tinha de importar mais da metade, cerca de 13,15 milhões de barris. Se houver qualquer ataque contra o Irã e/ou a Venezuela, o preço do petróleo pode disparar, saltar para US$ 200 ou mais. E acontecerá com os EUA? O maior adversário não é, portanto, nenhum país nem o terrorismo islâmico, mas a própria fragilidade de sua economia, em que os déficits-gêmeos não poderão ser sustentados indefinidamente. A bolha um dia terá de estourar. A recessão pode estar começando. Mas, nos EUA se aguça o problema social. Nos Estados Unidos, com uma população da ordem de 298,444,215 (junho de 2006), há cerca de 12% vivendo abaixo da linha de pobreza. O desastre de Louisiana, em virtude de furacão Katrina, demonstrou-o o estado miserável em que vive grande parte da população americana.

15.9.06

Umas Mulheres ideais, por André Bandeira


Morreu Oriana Fallaci, morreu Susan Sontag. As mulheres de Pereira, uma cidade na Colômbia, decidiram usar o seu "direito ao próprio corpo" e não dormirem com os seus maridos ou amigos quadrilheiros, enquanto estes não renunciarem às armas. Nem Oriana Fallaci se reconciliará com a Humanidade, nem Susan Sontag venceu a sua batalha final contra a doença , nem as mulheres de Pereira poderão vencer eternamente os seus "padilleros", nem saber se eles usam armas ou não, quando mais um cadáver dos que aparecem em Pereira, diáriamente, aparecer outra vez, depois de uma breve interrupção.
Muitos gatos aparecerão mortos, só por desporto, em Pereira e em outros lugares. André Glucksmann lembrou em "O Poder da Vertigem", há muito, que Freud dizia uns se dizem pacifistas porque se sabem violentos e outros seguem a violência porque procuram a paz.
A Paz é uma chatice e o corpo dá-se a batalhas massivas por cada hora que passa.
Contudo... que fique este sinal de paradoxo, esta interrogação em sorriso de Mona Lisa e que faz essas mulheres pobres de Pereira, menos produzidas que as Venezuelanas e menos castiças que as cubanas provarem o seguinte: pode-se não ser tudo e viver com um pouco menos, só por honra ao firmamento estrelado e uma noite tranquila.
E assim o nosso nada se acrescenta ao sorriso de Deus.

Biocombustíveis

A potência energética mundial passa pela possibilidade de ampliar a produção de biocombustíveis que são biodegradáveis. Além do etanol e do biodiesel, as pesquisas com o bioquerose, que atrai parceiros da aviação. O Biodiesel é produzido a partir de gorduras animais e óleos vegetais. O Etanol a partir de madeiras, caruma e matos da floresta. Em Portugal, o projecto industrial está no papel há sete anos, desde que o empresário Pedro de Avillez o tentou introduzir com a Abengoa, de Sevilha. No Brasil vai florescente e tem blog.

14.9.06

Interpretação do 11 de Setembro, por André Bandeira


Vi hoje o caso de Joaquín Martinez , um espanhol que estava no corredor da morte em Miami e conseguiu provar que era não-culpado de um duplo assassínio pelo qual fora condenado. Uma família unida e ibérica juntou-se, um bom Rei, um honrado cônsul, um homem bom, advogado norte-americano …

Vejo que as pessoas que entraram nas Torres Gémeas no dia 11 de Setembro de 2001, entraram no corredor da morte sabendo que eram inocentes. Os mesmos do 11 de Julho em Madrid e noutros lugares . Os miúdos que entraram no refúgio em Qanah, onde viriam a ser esquartejados, durante o sono, entre um canhão do Partido de Deus e um míssil do Povo de Deus, esses sabiam, por não saberem, serem um pouco culpados, ao andarem e terem nascido em fuga há muito tempo e, sobretudo, por serem inocentes.

Quem não tem, por definição, nenhuma culpa, é culpado, porque não entrou ainda no Mundo asfixiante da culpa. Eu matei um gatito prêto quando era miúdo e, apesar de o tentar ainda salvar, quando ele me agitava a sua patita, paralisado por uma dor que o seu mundo breve, de um barranco e uma lixeira entre a poeira não explicavam, nunca me esquecerei da sua carita desolada, de boquita aberta, tentando estender a patita talvez para pôr direito esse Mundo que se virara, brutalmente ao contrário. Deus sabe que nunca conseguirei ultrapassar esta dor dentro de mim, visto que não posso ressucitar este gatito e adormecermos os dois numa tarde de Verão, sózinhos, um velho adiado com um gato zarôlho nos joelhos, que só se têm um ao outro. Posso tentar ajudar animais, ser vegetariano, como já tentei, mas nunca ultrapassarei esta dor que me há-de acompanhar até ao fim da vida. E que Deus e vós me perdôem…

Assim é o mesmo com as pessoas que entram nos vários corredores da morte, sejam da Existência ou da História, sabendo-se culpados ou desconhecendo-o completamente. Vão para o corredor da morte como quem se mete numa escada rolante. Lembra-me dum casal de dois velhitos chineses, agarrados um ao outro, rindo um pouco envergonhados a tentarem meter o pé numa escada dessas e a retirarem-no várias vezes, sem conseguirem.

Descubro então que a única defesa para não cometer mais crimes, estejam eles ou não inscritos nos meus genes, é a de ter saudades e amar toda a abjecção duma vida falhada, obscura, disléxica e até anedótica se não fosse tão torta. Tenho a certeza que uma vida assim, me fará suspirar, quando vier o tropêço final, a brisazita de não fazer grandes disparates. Posso até somar os deveres de todas as religiões, tentar loucamente cumpri-los, perder a razão na penitência de pecados imaginários, fazer até tropeçar o pé esquerdo no pé direito que tropeçara antes, julgando sem saber bem que até pus o diabo tôlo.

Mas quantas pessoas por esse Mundo fora, apagadas e de quem já o vento se esqueceu, são a vitória definitiva contra todos os tortos e disparates que não chegámos a cometer ? E saber que essas pessoas rodam com o silêncio da Terra pelo Universo, pelos séculos dos séculos, adormecidos na colcha luminosa do Tempo, serena enfim meu coração.

Ah, enganei-me na tecla. Que bom chegar ao fim e tropeçar mais uma vez…

12.9.06

The widening Atlantic, Financial Times


Every year the annual “Transatlantic Trends” opinion survey provides a fascinating, if often alarming, insight into the state of transatlantic relations. The latest report, organised by the German Marshall Fund, has just been released. It deserves particular attention given the impending fifth anniversary of 9/11. It will not make for happy reading in Washington. But it is unlikely to cheer up the leaders of Iran either – there is surprisingly strong European support for the idea of military strikes against Iranian nuclear facilities.

The big picture is that European sympathy for the United States and support for US global leadership fell precipitately in the wake of the invasion of Iraq – and is still in the doldrums. In 2002, 64 per cent of Europeans saw American leadership in world affairs as “desirable”; by 2004 that had fallen to 36 per cent, and this year the figure is 37 per cent. Mention George W.Bush explicitly and approval ratings fall even further. Just 18 per cent of Europeans approve of his handling of world affairs.

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Behind the big picture there is a wealth of fascinating detail. There are four points that strike me as particularly interesting:

1) The sharpest decline in support for America has come in the most traditionally Atlanticist countries such as the Netherlands, Britain and Portugal. At a popular level, the traditional distinction between the pro-American British and the anti-American French no longer really holds. A chart of “Who supports the US most” shows the Romanians as the most pro-American country polled and the Turks as easily the most anti-American. The UK and France are grouped next to each other in the middle, with the British only marginally more supportive than the French.

2) Perhaps the most surprising and counter-intuitive trend is that all this European suspicion of American global leadership will not necessarily translate into opposition to military strikes on Iranian nuclear facilities. Both Americans and Europeans regards military strikes as the worst option available. But on both sides of the Atlantic, lots of people are prepared to contemplate military strikes as a last resort, “if diplomacy fails”: 53 per cent of Americans support military action under those circumstances, as do 45 per cent of Europeans. The French are actually marginally more bellicose than the Americans: 54 per cent of French people would support military strikes as a last resort.

3) Something strange and disturbing is happening in Turkey. For the first time ever less than 50 per cent of Turks (44 per cent to be precise) are prepared to accept the idea that “Nato is still essential”. Turkish support for joining the EU is still above 50 per cent - but only just. It stands at 54 per cent compared with 73 per cent two years ago. And Turks are dramatically out of sympathy with America. Asked to rate their feelings for other nations and groups of people out of 100, the most popular group are the Palestinians (47), followed by the EU (45), Germany (44) and Iran (43). America is down at 20, beaten in the unpopularity stakes only by Israel on 12.

4) Finally, although anti-Americanism in Europe is often dismissed as an elite phenomenon, a separate “European elites survey” suggests that exactly the opposite is true. GMF polled a large group of members of the European parliament and officials working for the European Commission. They found that 73 per cent of parliamentarians and 75 per cent of Commission officials were prepared to say that US leadership is “somewhat desirable”, compared with less than 40 per cent of the general public. Mind you, only one out of 50 Commission officials polled had a positive view of George W. Bush. Presumably that individual will now have to be found and sacked.

10.9.06

Ler Marx em Setembro, por André Bandeira


Porquê ler Marx? Agora, por Humanidade, a qual sobrevive sempre aos cataclismos ideológicos. E porque a sua voz dogmática, metálica, o seu desprezo pelos patuscos, burgueses ou revolucionários, sobrevive decerto ao marxismo.
É curioso recordar uma hipnose feita de corridas e aventuras, algum sexo, muita demagogia e irresponsabilidade e uma demorada orgia de Poder. Isso do materialismo histórico e do materialismo dialético estão sempre vivos, não é qualquer um que volta agora atrás a uma fase que se já passou, nestes ricorsi de Vico, ao tempo dos heróis de teatro. Biólogos e Físicos, nos EUA são todos marxianos, mesmo sem serem marxistas. O mais brilhante teórico de Relações Internacionais de hoje em dia, o norte-americano Wallerstein, é marxista. Só os economistas não são, porque esses estão a investir na Bolsa e são suficientemente discretos ou mentirosos a respeito do que sabem, para não irem para a cadeia. Aliás, o Mundo ficou marxista. Está todo socializado, cheio de oportunidades de prazer para as seduções e fumo de charuto de novos Marx. Marx seria o primeiro a aprovar o bombardeamento de Teerão. Deixem-se de doutrinas porque Marx por ele mesmo, como nos deu o receoso Raymond Aron ou descontrolado Louis Althusser, estão bem vivos nos estilos de Richard Branson da Virgin ou outros empresários de sucesso, que vivem como as plantas sensitivas, ao foco da Televisão. Felizmente que os primitivos russos e os chineses já se deixaram de interromper o processo deste carril de História que nem nos deixa piar. A doce transição para o socialismo está aí a ser feita pelos melhores individualismos e efeitos virtuais do Ocidente, senão mesmo pelos soldados americanos no Médio-Oriente, com as suas modas liberais, pragmáticas e despachadas, como a pilula ou a meia de nylon. Marx, no fundo, ao contrário do incestuoso maluco Bakunine, queria um Partido de fato e gravata, dentro da Lei. Detestava a Comuna de Paris e, por isso, talvez Brasillach e Rebatet, que eram fascistas, homenageavam regularmente o muro dos federados onde os operários e miseráveis de Paris morreram de peito aberto às balas, gritando frases de raiva variadas e incompreeensíveis. Marx é rebelde, inteligente, sedutor, não perdoa, tem muito de mediterrânico. O amor que sempre demostrou pela própria família revela um homem quente e bem vivo. É até digno de pena, a pena que ele não teve senão pelo Proletário ideal que o levaria ao estrelato, tão certo, como uma fórmula matemática, que só existia na sua cabeça e no coração vingador de Lenine, o qual tivera um nobilíssimo irmão. Há um Santo Marx, como ele gozou com o "Santo Bruno Bauer" e o "Santo Max Stirner"? Há sim. O Santo do Espírito de Hegel que sempre me fez desconfiar do erotismo balzaquiano das sessões de espiritismo. Tudo o que é real é o nosso espírito, as nossas teorias, as nossa verborreias de café e de engates galantes, os nossos ismos construídos em bibliotecas. Um espírito sempre a correr, necessáriamente para cima, como se a realidade fosse apenas uma anti-matéria impertinente da Razão. Este Santo é um Santo do Mal, com a foice do genocidio ou o cordel da guilhotina, na mão.
Realmente eram melhores, em vez do trocismo e do sectarismo de Marx, da sua vaidade e da sua irresponsabilidade, os revolucionários genuínos, pobres ou ricos, como Émil Henri ou Ravachol, que viveram a sua tragédia pessoal até ao fim, seguindo a sua consciência. Esses teriam lugar no perdão dos que foram sedentos de Justiça e não, como Marx, que, apesar do seu apurado sentido de Justiça, tinha era ambição de honrarias. Felizmente que o seu amor pela família, bem pouco eficaz, o salvou, no coração, antes de morrer. Morrer por ser incapaz de viver sem a mulher e a sua filha, ambas de nome Jenny ou ter um amigo como Engels até ao fim, não sei se todos teremos essa consolação.