21.11.06
Alexander Litvinenko, by Globetrotter
I believe he was sincerely trying to shed some light in the murder of Anna Politkovskaya. For an agent who shifted sides long after the Cold War was over, trying to trace back the murderers of Anna was a reason to give a reason to his life. I also believe that those who made a photo of him in the hospital bed, want to capitalize in cold wars.
May the Angels of Relief hold him. When a person such as Anna Politkovskaya is murdered, the country becomes personified in her. Russia is Anna Politkovskaya. Shame on those who hide in the shadow of this icon of Russia. And blessed be those ones who fall holding her flag.
Go, Angel, who fight in the veins of Alexander, against the angel of pain...
20.11.06
Bem vindos à Globália, por Rui Matos

GLOBÁLIA - é uma fábula visionária sobre a globalização da autoria de Jean-Christophe Rufin. O autor traça um retrato do presente através da sua projecção no futuro, e é isso que faz de Globália uma história de aventuras que continua a tradição de grandes romances de antecipação tipo Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley ou de 1984 de George Orwell. Mas sem o seu fulgor e mestria, é claro. Nessa linha, aproveitámos o título e nada melhor do que o 10 de Junho para, sob a égide do grande Luís Vaz de Camões - promover aqui textos, reflexões, críticas e outros citrinos relacionados com valores que nos são caros: Liberdade, Segurança e Prosperidade. Porventura, os três valores mais importantes da contemporaneidade e, também, os mais difíceis de realizar no interior das sociedades, já para não falar no sistema internacional, onde nunca reinou lei nem roque.
Aqui, como no romance, todos somos do mesmo Estado: a Globália; todos falamos a mesma língua, o anglo-global e só a limitação da realização daquela troika de valores (Liberdade, Segurança e Prosperidade) pode restringir a nossa actuação. Este é um espaço do "fora" e do "dentro", da razão e da emoção, a recortar os caminhos da reflexão e da intervenção crítica e cívica na blogosfera. Mais um espaço transversal - sem fronteiras...
Neste tempo futuro em que se situa a Globália, haverá espaço para o romance?
Há um lugar central. A defesa da leitura e em particular da ficção é qualquer coisa de essencial, porque é o único verdadeiro acesso individual à expressão. A única liberdade directa é escrever. A possibilidade de escrever, de escrever histórias, é verdadeiramente uma liberdade individual. O cinema já não é assim. Depende do meio, o controlo político, social. O livro é o último meio revolucionário ao alcance de todos.
Em português com sotaque do Brasil, o escritor francês confessou sentir-se um aluno em vésperas das férias grandes. Entre as Maurícias e Lisboa, com uma paragem em Paris, chega ao fim de um mês de viagens de avião. É tempo de voltar ao novo romance, cuja escrita foi interrompida há três anos, quando assumiu a presidência da ONG Action Contre la Faim (RUI MATOS)
18.11.06
Aforismos em Novembro, por Pedro Cem
2 - A linha da sua vida sofreu muitas quebras. Mas sempre que a olhava, mudava de plano onde a linha se reflectia e, por isso, linha mais recta que aquela, não havia.
3 -- Quis ser filósofo para triunfar na vida. Desperdiçou o Saber que estava todo escrito antes, o qual era o chão do lago, cuja superfície lhe reflectia o rosto.
4 -- Do geral para o particular, e vice-versa, é como antes para depois e vice-versa.
5 -- A força da democracia não é democrática. Espalha-se porque é invejada. Retrai-se se é imposta.
6 -- Porque me reservo o direito extremo de matar, não posso concordar com o Aborto.
7 -- Quem reflecte, perde sempre a primeira e a segunda votação.
8 -- O meio-caminho entre o zero e o infinito é o maior número que se conseguir imaginar, porque imaginação também tem sono e, a certa altura, não diz nada de jeito.
9 -- A média de tudo não cabe em tudo. E quando a metem lá, explode com tudo.
10 -- A Liberdade como um fim em si é igual à Ditadura do Paradoxo.
11 -- Na Internet falta a Comunicaçao não-verbal. Na rua, falta a comunicação verbal. Na Internet viciamo-nos em nervoso miudinho. Na rua, viciamo-nos em miudinhas pelo que a Internet acabará transformada numa rua de lanterna vermelha.
12 -- Se cada instante, olhos nos olhos, pode mudar a Eternidade, é melhor que aprendamos a perder em tudo o que não forem instantes, para podermo-nos fitar, olhos nos olhos.
13 -- Um disparate é um bom despertador. Um disparate continuado é como um biombo entre nós e uma tarde clara. Guardar uma tarde clara no pensamento é como querer meter um biombo entre a Terra e o Sol e, por isso, os iluminados vivem em eclipses.
14 -- Entre Ségolène e Sarkozy, qualquer pessoa honesta vota em Le Pen.
D Manuel II no Youtube

A Time acaba de publicar um artigo sobre a revolução no Youtube, criado por Steve Chen Chad Hurley e Jawed Karim, numa noite de 2004, em Silicon Valley e adquirido entretanto pela Google. Quando as pessoas começaram a ver o youtube, apropriaram-se dele. 70.000 videos são lá colocados diariamente, numa das maiores confirmações da visão de Tim Berners-Lee, o criador da internet, que jurou desmassificar a comunicação e conseguiu! É verdade! Como exemplo de proveito e lazer aqui fica o que antes era impensável. Um inglês chega a Fullwel Park, não acredita que D. Manuel II lá viveu uns 20 anos mas descobre a verdade, os arredores e testemunhas. Espantoso! Como se diz no video, feito sem subsídiodependências
Velhos são os trapos, por Pedro Cem
Como o tempo mudou! O tempo em que se tinha de entrar em certos lugares só com gravata e aquele em que se não podia dar um beijo em público ou ir nu para a praia. Em certos lugares em França, as moças muçulmanas, não podem entrar com o jilbad, uma espécie de túnica, em vez do uniforme. Em Inglaterra, a Professora -- aliás competente -- que usava o hijab, ou lenço que só deixa ver os olhos, foi suspensa do trabalho e perdeu a acção em tribunal.
Está visto que estas orientações contraditórias não podem prevalecer. Mas a Lei muda ao sabor das maiorias políticas, nunca houve tantas Leis a dispôr sobre tantas coisas e também nunca houve tantas práticas que prosseguem independentemente da Lei, nomeadamente o negócio rendoso de importar subdesenvolvidos para todos os fins: trabalho escravo, prostituição, transplantes, pedofilia, solidão.
O primeiro remédio que se afigura para isto, não é fazer uma discursata sobre os "limites da Liberdade", ou sobre os limites da Lei. Há que encarar de frente a fonte de todas estas coisas. Os Muçulmanos dizem buscá-la em Deus, conforme a Lei revelada no Corão e na sua Tradição e nós (quem somos nós?) no palavreado e num turbilhão de sensações e subsídios que mudam mais rápido que a própria sombra. Sim, senhor, pois o que falta mesmo é a vontade de um Rei, nesta Nação, que dissesse o que lhe agradava e o que lhe desagradava. E que fosse essa a expressão da Nação.
A unidade da expressão, quando fosse necessária ( e isso notar-se-ia por formas democráticas e não democráticas que fossem reconhecidas não apenas por nós mas também pelos nossos antepassados) havia de se pronunciar, estabelecendo o ponto a partir do qual funcionaria o bom-senso. Quem não quer admitir o uniforme de um colégio, funda outro colégio. Quem não quer endossar o uniforme das Forças Armadas, faz objecção de consciência. Mas quem quer andar nu pela rua, alargue a sua sensibilidade e descubra por que é que isso pode magoar os outros. Quem quer andar todo coberto pela rua, que ande, excepto quando a Autoridade lhe exigir a identificação, podendo esta aceitar certa especialidade de tratamento se tiver tempo e meios para isso.
Num mundo ao qual se dá a volta em 24 horas, as distâncias têm de ser perservadas. Nós não somos um avião e temos direito de resistir a quem nos quiser embarcar.
17.11.06
The housemaid and the hangman, by Blogtrotter
Let's pretend that the persons we admire, such as Napoleon or Maometh, were above any suspicion. Let's cross S. Peter's Square and imagine that behind those walls, sanctity and compassion have flourished, beyond any reasonable doubt. Let's switch on the TV and breath in the colours of Democracy and Freedom till dawn. Let's believe there are Civilizations, pregnant with the Son of God, ready to unfurl waves of wisemen and leaders whose sayings and writings should occupy our minds till we fall blind and smashed with devotion for their sayings. Maybe, then, with a much longed for book in our hands we'll wake up and say: I won't read it.
Let's take everything which is heavy and dignified, moulded in golden bronze and then, yawn of pleasure in front of the housemaid Ségolène Royale, who smiles all the time over her big breast, leading all the smart and determined housewives for a new Century of girl's power. Maybe we'll wake up then. The Great Heidegger and the Great Nietzsche said that thinking his hard, it requires owl's eyes to see the Reality, it is not just for anyone and everything returns, just give yourself up to this Grand Reality.
Yes, yes. And just wake up of this stupid, abject dream.
Go do something loving and caring.
15.11.06
A crush for Condoleezza, by Globetrotter
Is it me or is it my imagination, but is it happening something new with Condoleezza Rice?
She is getting more beautiful as if she knew something we don't even guess.
But we, sailor's race, we know. We know why Ebony covers the splendour of the golden sun; Because we know, that the colours of life, when they hold together, they do not get white, they get dark. And we know how tenderness hides in a somber look, how the magnetism of life grabs our heart, when the sunlight flows down a dark face and makes it shine as a golden secret.
She's shining more than the handful of black actrices who managed to rut a career in Hollywood. She may have no future and she's now, probably slipping out of the chains of duty and grandeur. Is she going to let surface that dignity of black America, that jelly which flows out of the whip wounds, that music in shining summer dawns that holds the lips together and make the eyes illuminate the sun with the splendour of shadow?
I hope it will. And even my heart gets captive if Condoleeza is growing happy. She deserves it and there is somebody out there who always deserved the blessing beauty of Condoleezza.
Yes it's Summer, Summer of St. Martin who gave away his mantle.
15 Novembro - A República brasileira
Foi o Marechal Deodoro da Fonseca (que em 3 de Fevereiro de 1887 enviara ao Imperador uma carta de protesto contra o desprestígio que atingia o exército dirigiu-se ao Quartel General para dissolver o ministério, formar um governo provisório e assumir a chefia.
Benjamim Constant precisava do prestígio de Deodoro para a implantação da República; o Marechal Deodoro - levando consigo a brigada revoltada - dirigiu-se ao Quartel General e informou o Visconde de Ouro Preto de sua deposição e da dissolução do ministério, esclarecendo que ia levar ao Imperador a lista dos novos ministros!. Mas - como já se disse - o Imperador encontrava-se em Petrópolis, e Deodoro (envelhecido e doente) regressou a casa. Ao anoitecer do dia 15 Benjamim Constant convenceu Deodoro da Fonseca a aderir à causa republicana. E o Imperador NADA FEZ para defender o trono. Também ele estava velho e alquebrado, vindo a falecer em 1891, em Paris. A quase totalidade dos servidores do Império, passaram ao serviço da República sem interrupção.
Damião de Gós e a vitória da razão
Rodney Stark"O sucesso do Ocidente deve-se a quatro grandes vitórias da razão. A primeira foi o desenvolvimento, dentro da teologia cristã, da fé no progresso. A segunda foi a forma como a fé no progresso incentivou inovações tecnológicas e de organização, muitas vezes apoiadas por centros monásticos. A terceira vitória foi que, graças à teologia cristã, a razão influenciou a filosofia e a prática política de tal maneira que surgiram na Europa medieval estados responsáveis com um elevado grau de liberdade pessoal. A vitória final foi a aplicação da razão ao comércio, que resultou no surgimento do capitalismo dentro dos ambientes seguros proporcionados por esses estados. Foram estas as vitórias que levaram o Ocidente a vencer. "
14.11.06
The end of the fashion, by Globetrotter

Britain has offered us a peculiar way of coping with modernity. Because it was an Island, Britain managed to reconcile modernity with tradition in a very implosive way. When the Stuarts were restored, the only way of avoiding a Revolution was to decree libertinage at a national scale, as the plays of Wicherley depict. This added to the bloodshed of Cromwell times, made up of Britain the home of hipocrisy, the cult of Terror and a dislexya we admired as "very british", until we found out it was raw pragmatism and we were on the way.
The speech of Tony/Chery Blair yesterday was but an example. As if he was standing in a Theme-Park, Blair is said to have wooed Syria an Iran. It is not true. He receeded to the bastion waving the american flag, his most valued asset. He flags now the "Whole Middle East', instead of the "Grand' Middle East, but, in the end, everything boils down to the Middle-East. So many grand designs, the demagoguery of fixing the clock's mechanism in History and, after all, the Middle-East is very simple, as he stated. Yes, it is. Instead of a brawl every day in Gaza, we have a carnage, every hour, in Iraq. Long after the lies have been unveiled, their soundtrack reverberates as an echo.
These Chery-Blairs should be hold responsible and also denazifyed, on how their demagoguery in buying the Trade-Unions' leaders with good standards of living would inevitably push Britain to a colonial adventure. It was written by marxists such as Immanuel Wallerstein that they should do that or die with Communism, so, they should pantomine they were capitalists. And they did it so well that they went as far as pretending to be imperialists so that there could be a role to social climbers when the world was ebbing back again to the Nation-State. The conservatives let him play, as following the principle: if you cannot do it yourself, let other do it for you. They're also full of social climbers.
But Blair was not a liar. He was just a gypsy seller. He wanted, really to keep the establishment of Labour and their priviliged ones. The only virtue of a socialist is the one of obbeying the doctrine. And Blair did it. Behind, Chery Blair kept her biological plan: motherhood and professional success. How useful is to be a judge in England when her boyish husband is juggling with handgrenades and their best-man, Peter Mandelson cannot even live his own gaiety in a world which is returning to the traditional ways! Yes, a determined social climber may even use a boy as prime-Minister, to care only about her own, egoistical interests. How Britain managed to produce this Chery Blair was not Hipocrisy but the Rocky Horror Show.
12.11.06
Os apanhados da Globalização
Se há um surrealista activo no mundo, é com certeza o inglês Sacha Baron Cohen, muito mais conhecido pelos heterónimos Ali G (jornalista), Borat (correspondente do Kazakhstan), e Bruno (o fashion man austríaco e gay) capaz de inventar um patois com mistura de cockney-Rasta e as confusões constantes ("incesto confundido" com "incenso" e "bilingue" com "bisexual"; chamando Noam Chomsky como "Norman".Com os seus “apanhados” Ali G faz um assalto aos idiotas e às idiossincrasias da cultura e da política americanas e da " Àsia Central" e das "fobias" dos Europeus. Uns percebem o jogo, como o grande conservador anti-guerra Pat Buchanan. Outros ficam confusos, como o médico frustrado pela inabilidade de Ali diferenciar entre o "veterano" e o "veterinário". Cohen não é pateta. As perguntas sobre o aborto, ensino da religião nas escolas, Iraque, e a segurança estão lá.
"Temos recursos naturais, trabalhadores optimos e as prostitutas mais limpas da Ásia Central, diz Borat sobre o seu amado país. O sério é que os governantes kazakhs ameaçaram processar o comediante britânico. Borat respondeu: "Não tenho qualqquer conexão com o Sr. Cohen e apoio plenamente a decisão do governo em processar esse judeu...".
11.11.06
Bandarra.
Agora que doze cidadãos moveram uma queixa crime contra o ministro que se disse iberista, fica aqui uma homenagem ao sapateiro de Trancoso.As suas trovas ao D. Fuão ou D. João foram inspiradas pelos Comuneros que se revoltaram contra Carlos V. O imperador dos euromilhões lançou a Espanha para a Europa para ela se esquecer de si própria. Como escreveu Henry Kamen, a Espanha nunca decaíu porque nunca subiu. E Portugal só recomeçou a subir quando se libertou em 1640. Conclusão: o iberimso é mau para Portugal e para a Espanha.
PS. O tal ministro disse que Portugal e Espanha partilhavam uma mesma língua. Isso é verdade: o Galego
8.11.06
The Swindlers of the XXth Century, by Globetrotter

Donald Rumsfeld fell. It's likely that Saddam will be executed by Christmas, as a present for us Christians (and a revenge too, coming from those ones who could get rid of Saddam only because someone else, from outside, decided to do it). These two old partners, Saddam and Donald, fall at the same time but one breaks his neck. Rumsfeld was getting old, he served faithfully, he had no hidden agendas as the lunatics of Neo-conservatism, because he was no lunatic and he began to understand that a a good servant only gets to power when all the rest fall before the time he does ( if he cannot be the Prince, he will withdraw before the Prince has fallen). Rumsfeld was getting old, his agressive hairdo as the one of a dog ready to attack, became soft as the crest of an ageing rooster, he was looking at things, moving his lips in a creeping astonishment as if he was about to say the only thing the old Buddenbrook managed to say in the end:" It's amazing!". And how historical were Rumsfeld final words..."the first war of the twenty first Century!" He was a fellow of Saddam indeed: both of them wanted, Iraq could be the Mother of all future wars... and he rubbed his hands as an accomplishment, because he never claimed to be a Pacifist, neither a believer. He won't glitter for that accomplishment but he was, once, the "boss".
And still we pray, as the first Christians, for our Rulers, so that they can be illuminated. We cannot judge them as criminals, although they're able to kill many more than a gang of mobsters. If we kill them, as they did, we may get some relief, but we'll be exasperating the only way we have to deal with a bomb we happened to mistake for a chair. So, we cannot desmiss Saddam by hanging him. Likewise, we have to go on praying for Bush and for the Democrats, who, according to the tradition of J. F. Kennedy, McNamara and Lyndon Johnson, probably will follow McCain's advice, and involve even more troops, intensify the war, until the day that natural selection will choose the most modern of the Baathists, ready to take both power in Baghdad and the killings of the season, in his hands. Saddam won't be ressurected, by then, just because of jealousy (exactly as Stalin in the sequence Yeltsin-Putin). The shiites will go on enduring its reactionnary perspective of an iconoclastic Islam, but they'll seize the opportunity to quench their thirst, which gives them strength for remaining the exception of the exception, the one which has no rule.
We'll remember one perfidious character, above all: Tony Blair, the British swindler, who managed to convince the Americans, that, with the British experience in the country, they would hold back the shiites, while the Americans would purify the sunnites of Communism, keeping the Curds aside, in their improbable Country. The program of Blair, the son of an ambitious man who belonged to the Communist Party and who finally managed to have a career in the Conservatives has always been: 'the only way is up, baby!". Blair, the man who invented the fiction of "The Third Way", in order to buy the Labour Party with "I'm not here to lose elections", was only driven by the illusory Revenge of Fame. This was the dream of the swindlers of the XXth Century: stun the opponents with Glitter. Something african and primitive that the outcasts of "looking well at all costs" have carved during the psychadelic Revolution of the seventies. In order to lapidate its way through against an aristocracy who despised them, the petty bourgeoisie didn't hesitate in shunning the labour classes. And Cherie Blair, the patetic "poshy" of Blair's young phantasies, finally got what she wanted: her position as a Judge.
7.11.06
Uma alegoria sobre a Morte anunciada, por André Bandeira
Respirar fogo é uma forma horrível de morrer. Bouwers sobreviveu. Louvado seja Deus e a brisa que nos penetra os pulmões, talvez ainda amanhã e talvez ainda depois de amanhã. E louvados sejam os aromas que traz a humilde brisa, os cantos dos pássaros e tudo vale a pena para que vivamos todos, sem excepção, mais um dia.
6.11.06
A garra do Escorpião, por Pedro Cem
Mas a lição tem outra, por trás: se a alternativa é entre a Tortura do Sono e uma Pesadelo acordado, então um país que tenha riquezas naturais é maldito e outro, que não as tem, é um condenado. Tirem-me deste filme de Terror! Qualquer pretexto é bom para fazer um Homem sofrer, na fôrca... além de execuções só há condenações. Vivemos na Idade do Assassínio e os prazeres ecológicos que nos prometem só acredita neles, quem é louco. É sim senhor, é tempo de nos deixarmos da palhaçada a que chamamos Ciência e encararmos a sério um saber mais antigo, que nos diz que estamos na Idade das trevas, com ou sem Bush. A Democracia é a Besta e a Liberdade é a Morte. Se quiserem um termo de comparação para se aperceberem que estão nas trêvas, fechem os olhos e sonhem ainda com um Amor amigo e carinhoso, com um dia de Sol, que a todos alumia, com um rio de água que se pode beber e um vento que se pode respirar. Sonhem com um bébé nos braços, um cão e um gato pousados nas vossas pernas. Não temos todos direito a isso? Temos mas estragámos tudo com a maldita música dos flautistas loucos, por queremos algo mais no Universo, uma musicazinha.
Sim, Saddam não pode ser morto. É preciso que se rquebre o círculo inconsolável. Eles queriam também matar o Fidel Castro, o Putine, o Mugabe, o Kadhaffi só para depois podermos desejar fazer o mesmo ao Bush, ao Blair, ao Howard e aos outros. Um eterno desejo de vingança a que chamam liberdade a quem agora têm o topete de chamar justiça. Por esta vingança até se fazem filhos, quando o melhor, assim, era nunca os fazer, bébés que nascem como bolas de fogo.
Dar um mínimo de crédito à Administração que depois da Guerra Irão-Iraque ( um milhão de mortos) provoca uma Guerra Civil iraquiana que já vai num número quase igual, é aceitar sujeitá-la a sufrágio, como quem aceita concorrer à Câmara Municipal contra o Imperador Nero, na lista A e o Procônsul Pilatos na Lista B.
Tratam-se de heréticos, presos de alucinações diabólicas na contemplação de imagens religiosas, ao entrarem nas capelas da idade Media, que estão hipnotizados, seguindo o flautista louco que os conduz à terra originária dos servidores do Inferno e pelo qual estão fascinados: o Irão.
5.11.06
The Juggler of Baghdad, by Globetrotter
Slowly, slowly the scales are falling from my eyes. Starry night above and moral Law in me. I know I may die miserable, as if I committed the suicide a frenzy Romeo threatened to, at the feet of the Friar bound to marry him, in case the stunning Juliet didn't show up...I just have to abandon any hope of anchoring my life to something which goes beyond my visible existence. But we never learn. Marshall Keitel, who was bloodthirsty, was true when he regretted in his final speech in Nuremberg, the evil and brutal regime he served. He simply asked to be executed by the Death squad. Request denied.
Slowly, slowly I recover from the hangover which brutalized my loving senses since somebody burst into them, drumming the tambourine, that the skyes were about to open. They're open for long.They're open inside us, but we do not see, we take the moral law inside us , as the starry night above.
All Arabs are now speaking of blood and revenge. All their hearts are spongy with blood. But the first explanation which comes to our lips, tastes plasma too. A fake judge, ugly as a nightmare, in executive blue shirt and phantasy tie, rattles tenths of articles of "iraqi Law" to a defiant and nice-looking oldman who's about to live forever in arab hearts. We see a man being stygmatised with death on his forefront, in front of the Cameras, and we sit on a sofa, between publicity and a handsome journalist, in the Century where doctors fight to overcome cancer and scientists dream with us of life, in a faraway planet, in a Century where generous people try to repair the man-made disasters which are going to kill thousands before the end of the year. We're idiots when we say that Saddam just reaped the fruits of the trees he planted ( what do we know? Or what did we forget about our own pleasures in Saddam's aliances?). The judge will be cursed by all of them, even the ones who triggered him. Outside the Court, 40.000 heavy armed soldiers shiver at anything which moves, in a "failed country" where about one hundred people are being executed and tortured every day, despite so many brand new uniforms, and shining machine-guns. The "international Community" has decided by means of the International Criminal Court that an international Tribunal will only judge a genocidal criminal if his own country is not able to do it. What lays outside the Court, is it a country?! Or is it a battlefield? Or is it a War? This won't be the first trial of a new shining path. This will be the last of a perfidious series begun in Nuremberg. It is precisely now that the West -- which boasted to update the world -- begins to oxidate and fall dead apart-- as Kant said -- before being really dead.
And if the "nation able to judge" is Baghdad, where does the "international community" dwell? Be prepared to die in the next decades, just for uttering these two words: international community. Remember the nice-looking Bremer shouting to the microphones "we got the man'? Our children will teach our grand-children: cover your face, you little Bremer!
Former Attorney-General Ramsay was expelled from the Court, by the ugly Judge because "he was making fun of the Trial". The "West" may be about to fall but, once, we were great.
We're simply not able to get out alone in the Wild and hold our breath at the starry night. We look in between, to the darkness, and our eyes blind deep, deep dark.
You shall not murder. Sentencing a man to death in an orderly Court is to premeditate a murder. Whoever he may be. But doing it in a Court like that, is pure assassination.
Leave the muslim face of God alone. Do not merchandize between shiites and sunnites as if it was a business opportunity you think you're seeing. You're dancing-juggling with hand-grenades.
Yes, you shall not murder.Those who take arms, not for defending what is legitimate, will perish by arms.
Diário de uma Vida

| Diário de uma Vida | |
Antres do direito à vida , há o facto da vida. É melhor estar informado antes de se tomar posição. Veja o Video do espantoso desenvolvimento de um feto no ventre materno. Clique Aqui
4.11.06
O mais perigoso
America is now seen as a threat to world peace by its closest neighbours and allies, according to an international survey of public opinion published today that reveals just how far the country's reputation has fallen among former supporters since the invasion of Iraq.
![]() The ICM poll ranks the US president with some of his bitterest enemies as a cause of global anxiety. |
The survey has been carried out by the Guardian in Britain and leading newspapers in Israel (Haaretz), Canada (La Presse and Toronto Star) and Mexico (Reforma), using professional local opinion polling in each country.
It exposes high levels of distrust. In Britain, 69% of those questioned say they believe US policy has made the world less safe since 2001, with only 7% thinking action in Iraq and Afghanistan has increased global security.
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1.11.06
Trainspotting these days long, by Globetrotter
31.10.06
Que viva Lula!
Lula teve que lidar com um permanente questionamento de suas qualificações. Como em tentativas anteriores de chegar à presidência, sofreu a manipulação de preconceitos e estereótipos, que tornou tão extraordinário a sua eleição. Ao tentar desqualificá-lo no passado, parte da orgulhosa elite brasileira transformou-o em símbolo mais forte. Com Lula, venceram muitos outros, afirmando-se capazes de transcender as suas origens e superar as barreiras.
Após as eleições de 2002 houve uma mudança nas atitudes dos eleitores de classe popular, apontando para o aumento de auto-estima e da confiança de que o Brasil iria melhorar.. Então a alternância se faria completa, chegando à própria ação do governo: um governo diferente, com gente diferente, fazendo coisas diferentes. Ao eleger Lula, os seus eleitores contavam com uma demora que poderia ser longa, até que ele e sua turma se familiarizassem com o poder e suas artimanhas.
A maioria da população fazia uma comparação favorável do governo Lula com os antecessores. Em áreas de ação governamental, esperava-se mais, em outras menos, mas as boas surpresas (macroeconomia, política externa) sempre foram maiores que as negativas (saúde, emprego, segurança). Não houve a crise cambial de 1999, o apagão de 2001 ou o desequilíbrio de 2002.
Para melhorar as condições de vida dos mais pobres, Lula fez até mais que muitos esperavam. O Bolsa Família é o símbolo desse compromisso, tal como os programas como o Pro-Uni, o Luz para Todos. Houve aumento do poder de compra, aumento do salário real, barateamento de produtos de consumo.
Quanto ao “mensalão, não foi capaz de matar a candidatura Lula. De facto, o PT comprava os votos dos deputados de Brasília para ter votações maioritárias parlamentares. É mau ? è, sim senhor"! Mas péssimo era a fome, o crime e a frustração de uns 50 milhões de brasileiros ! E isso Lula ajuda a mudar. Aparte a frustração de muitos “formadores de opinião”, incapazes de formar qualquer opinião, o eleitorado percebeu a gravidade das denúncias do "mensalão". Mas o eleitorado fez a ponderação de acertos e erros, chegando à conclusão que os primeiros foram maiores que os segundos. Mandar Lula de volta para casa, seria um golpe grande demais para seus eleitores. A derrota de Lula seria a admissão que não há saída fora das oligarquias.
Ainda bem que Lula ganhou, agora em nome da Comunidade Sul-Americana de Nações. Desde Cuzco 2005 que ela existe, e a Mercosul é o seu eixo e o seu destino. Se Alckmin tivesse ganho, seria o robot da desregulamentação em nome dos interesses norte-americanos. O eleitorado brasileiro percebeu tudo isso e deu vitória esmagadora a Lula. Hão-de aparecer os intelectuais frustrados a dizer que ele beberrica e só tem o 6º ano. Pois é! Mas os intelectuais que não beberricam e são doutores é que não chegam a número 1 da governação.
Finalmente, para nós, Portugueses, falta agora que Lula descubra mais a Lusofonia. Já o começou a fazer criando o dia da Língua Portuguesa e o respectivo Museu. Agora é preciso que descubra mais Portugal.
30.10.06
Why did Anna Politkovskaya have to die? by Globetrotter
27.10.06
A inglesa e o Duque...

A inglesa e o Duque, o filme de Eric Rohmer, jovem cineasta de 80 anos, sobre a Revolução Francesa de 1789, passou muito despercebido em Portugal, excepto pelo “tour de force” de animação computorizada a partir de pinturas a óleo da época. Os fundos de decoração teatral, faz transparecer uma atmosfera singular e estranha, entre a melancolia e o ensimesmamento. Só isso mereceria um Óscar de efeitos especiais. Mas o filme é especial porque trata o liberalismo aristocrático e anglófilo dos aristocratas que actuavam na Assembleia Constituinte, o que em Portugal se chamaria partido do meio-termo, com Palmela, Mouzinho e outros.
Durante a Revolução francesa, após ter sido amante do Duque de Orléans, Graça Elliott, uma inglesa, permanece sua fiel amiga e conselheira. A sua relação, apesar de comportamentos e convicções formalmente opostas, vai desde a amizade quase fraterna à confrontação ideológica brutal. Mas em redor dos dois protagonistas, da pequena história, articulam-se os grandes acontecimentos históricos.
A visão não-revolucionária da Revolução Francesa por Eric Rohmer é a apologia de uma terceira via, que não venceu. Orléans é o aristocrata que defendia uma solução no âmbito da “legitimidade” revolucionária, em choque com os “puros” de direita, para os quais a Revolução constituía algo de abominável e de funesto. Neste segundo grupo, estão os arrogantes que serão os futuros emigrados de Coblença, que nada aprendem e nada esquecem, cheios da história de Boulainvilliers sobre a Grande França, dos Francos que subjugaram os gauleses, cheia do fundamentalismo cristão de Bossuet. e o futuro anti-parlamentarismo de todos os contra-revolucionários franceses até Maurras.No primeiro grupo – monarchien – que é o centro do filme de Rohmer - estão os ecos de Edmund Burke. Esta segunda corrente, minoritária no seio do grande grupo aristocrata, aglutinou os espíritos anglófilos como Cazalès e os seus amigos, Montlosier, Rully, des Roys, Puisaye, defensores da liberdade, mas ligados aos corpos intermédios (nobreza, Parlamento, clero...), e seus privilégios honoríficos. Com o duque de Orléans, os monarchiens pertencem ao campo dos revolucionários. Queriam em 1789 a reunião das três ordens – contra os aristocratas –a sua concepção do mundo político e social não é democrática. Mas o futuro é cada vez mais precário. Cada gesto, cada palavra pode conduzir à perda. Na adversidade, os personagens revelam-se, e Rohmer fustiga a hipocrisia, a estupidez de todos. De um lado, os revolucionários com métodos que podiam ser dos nazis ou dos soviéticos. Do outro, os nobres que traem para sobreviver. O filme merece ser visto como uma lição sobre a história de todas as revoluções
A declaração de Mecca
A declaração de Mecca vem na sequência da fatwa de 11 de março 2005 por 41 clérigos muçulmanos em Espanha; (b) da fatwa de 30 de março 2005 dos muçulmanos contra o terrorismo (FMAT) em Washington; e a fatwa de 17 Maio 2005 por 58 clérigos, juristas e professores do Paquistão.
Ao ignorar osesforços dos "muçulmanos moderados" contra o assassinato em nome da Jihad agora considerad apostasia, o Ocidente deixa-se arrastar pela estúpida e arrogante liderança americana. Deixem os muçulmanos entender-se sobre que Jihad (luta) e Itjihad ( esforço de reinterpretação) desejam...!
Bismillahi Al-Rahmani Al-Rahimi
In the Name of God, Most Compassionate, Most Merciful
We the scholars of Iraq, from both the Sunnis and the Shiites, having met in Makkah Al-Mukarramah in Ramadan of the Lunar Hijra year of 1427H (2006) and deliberated on the situation in Iraq and the disastrous plight of the Iraqi people, issue and proclaim the following Declaration:
The crimes committed on sight on grounds of sectarian identity or belonging, such as those now being perpetrated in Iraq, fall within the ambit of “wickedness, and mischief on the earth”, which was prohibited and proscribed by Almighty God: (...)
The espousal of a school of thought, whatever it may be, is not a justification for killing or aggression, even if some followers of that school commit a punishable act since:(...)
Any provocation of sensitivities or sectarian, ethnic, geographical, or linguistic strife should be shunned and averted. Similarly, any name-calling, abuse, or vilification and invectives uttered by any one party in attack on another should be avoided in view of the express prohibition by the Holy Quran, which labeled such conduct as “blasphemy”:
Certain things and principles should never be forfeited, including in particular the unity, cohesion, cooperation, and solidarity in piety and righteousness, which should all be preserved and protected against any attempt to tear them asunder(...)
24.10.06
O referendo, por Pedro Cem
Mas não! Aí vem o Aborto. De novo os pró-vida e os pró-escolha. Amanhã vamos referendar quando se desliga a máquina e, depois quando se desliga a Responsabilidade do Amor, como foi em Angola, Moçambique e Timor, que morreram para cima de um milhão de pessoas. E, eu que pensava que ia dormir descansado ao pôr-do-sol, puxar o cobertor esburacado sobre o peito e dizer para o meu gato: “Ah, Tareco, amanhã vai ser melhor, fez-se Justiça!”. Miau, diz-me ele! Miau?! Se calhar foi porque o mandei castrar...
Como se pode abater um milhar para salvar milhar e meio, a terapêutica da Guerra evita que uma série de pobres mulheres tenham de gramar os filhos decepados o resto da vida. Evita-se-lhes assim uma vida miserável, para eles e para elas. Eles são como girinos, podem ir para a vala comum como quem vai pela pia abaixo.
Eu sei que há não sei quantas mulheres a morrerem por vãos de escada, barbeiros e clínicas espanholas, no nosso país, todos os anos. Mas porque estão a morrer cem pessoas por dia no Iraque, e são iraquianos que se matam entre si, não vou eu aprovar a Guerra, nem quem a provocou e quer continuar ( isso mesmo: se a coisa passa por meter o Saddam cá fora e também negociar com ele, há que o fazer, o mais tardar, hoje). Negoceia-se, emenda-se e corrije-se o que se pode, minora-se o mal, trata-se dos vivos, estejam eles onde estiverem, na barriga da Mãe, ou no rés-do-chão de Canaã, depois dum gandulo do Hezbollah ter ido lá disparar um míssil. Faz-se o juiz julgar com pulso honrado e bom mas não se anda aí a estourar foguetes para ir fazer um aborto como quem vai buscar o retorno do IRS.
Já que vem aí o referendo, proponho uma pergunta assim:
“Concorda com o direito de, em qualquer circunstância, você ou alguém que lhe é chegado interromper voluntáriamente a gravidez, até às dez semanas de gestação?”.
Ah, jubentude, digam-lhes como é que é...
22.10.06
A Ética de um Republicano, por Pedro Cem

(Imagem Mad Vit , por Lucy Pepper)
Diz uma lenda persa que Zoroastro voltará, do fundo de um lago, por uma virgem, e expulsará turcos, romanos e islâmicos. Os seus sequazes, entretanto, vão sendo purificados na arte de transportar cadáveres. "Os Arianos" e os areeiros, são uma agência funerária. Tanta areia no deserto e morre-se pela nafta, as lágrimas da Ahriman, o Senhor das Trevas que faz arder o fogo efémero, cheio de fumo.
Pode-se dizer qualquer coisa e diz-se muito na TV. Mas o que se não diz é ameaçador. Por cada palavra, Presidentes e transeuntes, deixam montes de sombra. Os cientistas chamam-lhe anti-matéria, outros chamam-lhe asneira. Tanta asneira! O bêbedo da aldeia fala: não escutamos.
Venha o diabo os escolha, Republicanos e Democratas, o filhinho do Papá ou a Mulher do Meninó, Sócrates ou Lopes, Mullahs ou Generais. Tenho a sensação que tudo isto é o fim-do-mundo mas antes de acabar o Mundo, acabo eu e tu, e acabamos mal.
Chove tanto que afoga, depois do Sol reduzir tudo a cinzas. Mussolini, o fascista, gritava numa varanda, em 1921, que, se tudo falhasse, restava a Anarquia à gente de Itália. A Anarquia era a ordem escondida com que sobreviveriam. No apogeu do seu Poder não tirou uma vírgula ao que disse. E acabou mal, na mesma, ele que não foi covarde, nem suicida.
Agora que tudo parece falhar, que fazer?
No cruzeiro do caminho, somos branco e preto, índio e chinês, gigantes da montanha e peixinhos do Mar, cabelo duro e olhos azuis, um pé no cais, outro no barco, ala-ala, Alá, valha-nos Deus! De bom grado devolvamos o Falar ao Rei antigo e que o Arco seja de um só, absoluto, sim, que vai absolvido pela Grei e leva a Coroa de Espinhos, pois nós guardamos as Cinco chagas. De um só e apenas de um, seja o Arco do Ser: a Monarquia. Como Caronte há só um na passagem para o Inferno, só há um Rei Pescador no caminho de volta.
Entre o Rei reposto e o Povo posto, há-de fermentar o môsto. Não queiras saber da Trindade, deixa-te cair do Cabo abaixo, o Vento te levará. Entre a quadratura do círculo, diária, a que a Desolação nos condena e fragilidade humana do Rei, haverá um terreno comum. E ficará sempre comum, e de ninguém, mesmo sem Constituição, algures entre o Mar e a Terra, o Pinhal do Ar Livre.
17.10.06
Living under a Remote Control, by Globetrotter

3 - The small Embrayer plane which caused the death of 155 people in what has been called the biggest tragedy of brazilian aviation, had its transponder set at an inaudible level, during 15 minutes, while navigating in the same channel of the fallen plane. The pilots had lowered the sound. But they were not their own passengers' terrorists. Moreover, they showed such a cold blood that they managed to rescue 7 passangers in a situation where the probability of success is very low. The pilots on the big plane, did all they were supposed to do but they didn't succeed.
4 - Experts say that the clues in Anna Politkovskaya murder certainly lead to the young and handsome Head of the pro-Russian Chechen Government, Ismail Khadirov, who vehemently denied his responsability in the slain of any woman. The motives behind the stabbing to death of another journalist, this turn, the head of the powerful News agency Itar-Tass, seem diverse. What do they have in common? Many things. One of them could be the commonality of sensations between a conscient man who's penetrated several times by a naked blade and the a terrified woman, in a narrow lift cabin, being dilacerated by four gunshots.
6 - Marc Foley was the Chairman of a Commission in the US Senate, responsible for children who had been missing or abused.
7 - Kim Jong-Il and his government have taken the UN Resolution as "an act of war". They are talking of a set of words and injunctions from what seems to be the closest possible to such a thing as an "international community". And what this latter, whatever it may be, has put in common, are the ways and ends of avoiding war. An act of war stops short of waging it, but the utterance of "war" saves us from these technicalities.
8 - We remember people in Washington preaching the goodness of bombing Teheran, waving a flask with a white powder inside, philosophizing on the compellance of pre-emptive attacks to pursue the universal and basic right to Democracy. Where are they gone, now? Did a daring Dictator, somewhere in the Far-East, clap his hands and made them fly away as a flock of sparrows? No. They just have to pass from words to deeds and they're learning that a deed, among a collection of people, is something different from emptying a square. They may not look back when they step alone in an arena but people do look around whenever they fill it.
9 - Experts speak of more than half a million people dead, after three years of "Iraqi Freedom", but the report may not be credible. A powerful terrorist army has proclaimed an islamic State in the West and center of Iraq, but that's not credible. Is Saddam Hussein going to be hanged or shot? Either of both is credible. If Bin Laden may be either killed on the run or brought to Justice, what difference does it make one more drop of blood on the tree of Liberty?
10 - One hundred sailors from Sri Lanka were killed ashore, while travelling back to their homes on a holiday. The wild, wild sea didn't like their prayers. They exhausted all of them during the tsunami and the attackers were blind long before the wave had arisen in the horizon.
11 - In Portugal people discuss the legal Right of resorting to Abortion until 10 weeks of pregnancy. Maybe they'll discuss one day the Right of resorting to Euthanasia, until 10 weeks of longevity. One thing has nothing to do with the other, except, the fact that a decision has to be taken.
12 - Michele Bachelet, the Chilean Prime-Minister, was once tortured, side by side, with her mother, by the military of Pinochet. She never managed to put this latter in prison. She didn't like, either, the speech which Chávez, the President of Venezuela, made recently at the United Nations.
15.10.06
Novos Blogs Super-recomendados
Lúcia Pimenta - Não há dúvida que é um génio da ilustração!
Jack Straw & Hamdi Zaqzouq
Nem todos os dias, os moderadores vencem. Aqui está uma vitória do ex-ministro Straw em acordo com o minsitro da Relgião, do Egipto. O acontecimento tem a maior importância num momento em que se debate o papel dos 88 deputados da Irmandade Muçulmana, no Parlamento egípcio de 454 lugares.Cairo, 13 Oct. (AKI) - The niqab, a Muslim headdress that leaves only the eyes exposed, is not a religious object, Egypt's religion minister said Friday, entering the debate started by British ex-minister Jack Straw, who said he asked Muslim women visiting him to show their faces to facilitate dialogue. "Nor is the niqab a duty deriving from the Sharia" added Mohammad Hamdi Zaqzouq. "I know I will be criticised for my words but I think some Muslims are committing a fundamental error, focusing on external and superficial aspects, without exploring more relevant themes, and hence providing a distorted image of Islam" he said.
Straw last month triggered debate by inviting Muslim women in Britain to leave at home their veils, saying he would like to see their faces, "understand the expression of his constituents".
14.10.06
Então, a malta não veio?!
“Eles já comeram muito; agora é a nossa vez”
José Barbosa para Israel Anahory, Câmara Municipal de Lisboa, 5 de Outubro de 191013.10.06
Uma Praga Ocidental, por Pedro Cem

Tudo começou por uma ideia oceânica de que "o Mundo é meu" ( e o Céu também). À traulitada e ao cacête, o coração não se demovia deste enlêvo. Todos nos haviam de amar quando aparecêssemos de corpo bem feito e armadura.
Quando os calhaus começaram a chover e alguns dos nossos caíram, até inventámos a vida além-túmulo, cheia de carinhos só para nós, como se a Distracção e Ignorância não fossem nada...
Depois elegemos o filhinho do Papá para nos governar. E da Mãmã,também. Porque Mulher que queira, até manda chover no Deserto. E lá foi o filhinho do Papá governar-nos. Era estúpido que nem uma porta e, pior de tudo, ninguém lho disse. E saíram asneiras atrás de asneiras.
Inventámos a Revolução, a Liberdade e a Democracia. De cada vez que um calhau nos caía num pé e uivávamos de Dor, vinha um outro sentimento oceânico: um 'Mundo dourado de Senhores e da Virtude"ou um "Mundo dos Livres e da Justiça". A um, seguia-se sempre o outro.
De tanto universalismo e globalização, ficou-nos um ardor na cara, um rubôr de estupidez.
Algo, do silêncio do Universo, nos disse que, afinal, não éramos os Eleitos, nem os Senhores, nem os Justos. Ah, descobrimos confortados que, ao menos éramos homens e até nos dispusémos à mais alegre das degradações para nos ajoelharmos a outros Senhores humanos, que houvessem por aí, pois tudo era um Senhorio. Mas o resultado foram apenas três dias de Carnaval de consentimentos infames que acabavam em pauladas furiosas. Então só nos restou chamar pelo Papá. E pela Mãmã.
Começando a duvidar que nos estivessem reservados os "carinhos do céu", ficámos com os carinhos da Mãmã e com a companhia à força, da Prima, para as brincadeiras.
Alguém nos disse que, se tínhamos sido os melhores, era porque merecíamos. Disse-nos a Mãmã.
Mas que matilha de macacos em que nos tornámos! Todos na árvore da Ciência do Bem e do Mal, às macacadas, quando, em torno, se acabara o Paraíso.
E agora, o que nos resta, é o arrepio de medo, do que se vai seguir, quando acabar a brincadeira...
10.10.06
Oops, I did it again! by Globetrotter

Tonight, on stage, the actors improvise. But only tonight, because tomorrow their improvisation will be embedded in the script itself. No more beginnings. Lavoisier just kicks off one more round in the carousel that never stops. Kim, the improbable Powerful, is already accelerating the carousel where he stepped in: "next time, if you, Americans, are not flexible enough, I'll launch one of my nuclear missiles, "which nobody knows for sure, whether it will really take off or fall, nose down, on the neighborhood. Look at Ahmedinejad: he came all the way from being depicted as "Wanted", side by side with Osama b.Laden, up to the point of glittering in prime-time, on CNN. We are even compelled to believe that the much more exposed and primitive nuclear program of Teheran, is now less threatening than the one of North Korea, and even relieved because they'll always have terrorists as an option.
Security is no longer an affair of State, neither an affair of Nations. Security is no longer a rumour to exploit day to day, by a restless journalist, dopped in miracle and wonder. Security is denial, precisely as the Hungarians are doing, now, everyday, in front of their Parliament.
The stop-and-go of US fireworks is coming to an end, just as euphoria doesn't tackle depression, but exhausts the patient. After all, the "American Century" of neo-conservatism, only managed to radicalize Islam, which could be wordly-going, but didn't carve a springborad, to make American universalism bounce back as the "Empire of Evil", once, did. Experts say that, more than the Afghan war, the USSR collapsed because of Ronald Reagan's Star Wars, which led Moscow to neglect russian consummer standards, in order to cope with the arms race. Now, the West finds itself in the same situation. Preventive wars and pre-emption only managed to spin more pre-emptions round and covert actions made the hunter weary of his own dog. Worse than that: pre-emptive wars only succeeded ( if they'll ever do) in weak States.
We shouldn't care whether Condie Rice, or Senator Foley, or Rudolph Giuliani are going to rebound. We should care of ourselves, with the means we have, even if they're parochial, philistine or primitive, such as Nation, Tradition and Frontier. The world wasn't redesigned after the dissolution of the USSR because the bedrock of brave new worlders has always been shlugginess.
It may be that we won't have nothing else than our fingers to write on the water but that will probably keep us afloat on a tide that nobody is able to predict. Maybe marxists are putting their Champagne bottles on the rocks, to celebrate the end of the capitalist society, in thirty years or so. But they will be blind by that time...they won't even remember where the fridge was.
8.10.06
Uma praga russa, por Pedro Cem

Anna Politkosvkaya morreu, com quatro tiros, dentro do elevador, pequenino e estreito, do seu apartamento exíguo de Moscovo. Tinha sido mediadora durante o sequestro terrorista no Teatro Nordeste e fora alvo de uma tentativa de envenenamento quando se dirigia a Beslan, para o mesmo fim. Dizia um pianista russo durante aquilo que eles chamam a Grande Guerra da Pátria e nós Segunda Guerra Mundial que "hoje não quero pensar em Música mas apenas em matar alemães e enterrá-los bem fundo na terra". O Verão está a morrer na estepe, o Sol voa baixo, a Natureza morre e Anna será enterrada bem fundo na terra. Na estepe, o vento levará os soluços dos seus filhitos órfãos, como já levou tantos gemidos, os transformou em uivos de lobo e os trouxe de novo, na Primavera, com os gritos das andorinhas. Na Chechénia o fantasma de Basayev continuará a dançar sobre um pé e o viking islâmico Omarov a cortar-lhe a erva por baixo, com a foice grande.
Há uma alma russa que suporta todas as dores e, de rastos na lama e no frio, toma um balanço sem fim. Essa alma não vive no Kremlin, nem bate às portas de Novgorod. Essa alma foge a correr pela estepe, com o filhinho nos braços. Algures na fronteira onde vagueiam os povos sem mapa, alguém dará fogo de aquecer e água de beber ao filhinho que Anna não teve. Também a estepe sem fim, traz a doce rendição, dos que vencem sendo vencidos e dos que têm o ar míope, confundido e escolheram não ter mar, como Politkovskaya.
O relâmpago cairá na estepe, sobre o assassino que julga fugir. Porque todos os lobos que guardam a Santa Rússia, saiem esta noite a monte para lhe indicarem o caminho.
7.10.06
Foi finalmente descoberta a "ética republicana"

No 5 de Outubro, quando as televisões transmitiram a celebração da data na Câmara Municipal de Lisboa, permaneceu a dúvida se havia mais pessoas nos varandins dos Paços do Concelho se na Praça do Município. O ritual comemorativo do regime republicano já nada diz à população; 16 anos de “balbúrdia sanguinolenta” e 48 de ditadura fizeram com que o princípio nunca plebiscitado se esvaísse, sem sangue nem drama. Ficam 32 anos de Democracia. A precisarem de novo impulso.
O assessorado discurso do PR, que se pode consultar na página oficial que também fala ede uma exposição de carros de luxo da Presidência e da ineleita Maria Cavaco (sic) e outros brindes reverte à " instauração de uma ética republicana de serviço público". Por Amor de Deus! Que assessor escreve isto!" E que assessorado o aceita ! Estamos em 2006, ou em 1906 onde ainda era legítimo arvorar esperanças na república tout court . . . Que ridículo seria se alguém ligasse a fundo ! Que ridículo é , porque ninguém liga. Que embrulhada misturar um saudável apelo à anti-corrupção com palhaçadas sobre "ética republicana". Ainda se o homem se lembrasse de virtudes mais normais, como as do cristianismo. Mas "quod oleum non dat..."
Agora noutro tom:
Conforme o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de 2005, dos primeiros 20 países – com mais alto nível de vida, maior justiça social, e maior participação popular – todos são democracias e 12 são monarquias constitucionais que, aliás, vêem à cabeça. Os reis despojados de poderes políticos têm cada vez maior apoio entre a população, apesar de alguns os acusarem de constituir um precedente para a desigualdade entre os cidadãos. Em 2006, o livro For Sweden indica que o rei Carlos XVI Gustavo desfruta de 80% de aprovação. A popularidade da família real de Espanha está
5.10.06
Fundamental, por Pedro Cem

A Comunidade Amish nos EUA é aquela da Igreja Mennonita holandesa, protestante, mais isolada do Mundo. Rejeita grande parte do Mundo moderno, como automóveis, rádio ou televisão, só baptiza os seus membros quando são crescidos, usa uma roupa uniforme semelhante à do séc. XIX, não tem Igreja senão a casa de uns e outros, tem um bispo por cada centena de pessoas e a comunidade é paternalmente governada por quatro anciãos. Rejeita o Serviço militar e por isso, fugiu da Alsácia, para a Polónia, daí para a Rússia e, finalmente, fugindo aos soviéticos e aos Kaisers, para os EUA. Foi perseguida por Calvinistas e Católicos.
O assassino que os martirizou era um bom marido, bom pai, não era fanático religioso, apesar de filho de um polícia exemplar, não tinha a mania das armas, tinha 32 anos e estava empregado. Mostrou critério ao poupar metade dos sequestrados e sentimentos, na sua ultima conversa, por telemóvel, com a mulher. Era um homem angustiado pela perda da primeira dos seus quatro filhos, nascida prematura e alegou, ao falar com a mulher, que tinha abusado de duas crianças afins, quando tinha doze anos. Embora tal não pareça verdade, equipou-se com material para o sequestro que indica querer concretizar o que então alegou, ou seja, obsessões pedófilas.
Os Amish não podem viver numa ilha rodeada de violência e pornografia ( a divulgação do video de Mohammed Atta e Siad Jarrah, respectivamente líderes do atentado a um das Torres Gémeas e do avião da Pennsyilvania é obscena) sem que ou nós os imitemos ou eles nos imitem a nós. Como parece que eles são mais perserverantes e até começamos a comer os produtos ditos biológicos que eles produzem e de que vivem há séculos, a única segurança que lhes podemos dar é: não consertar a TV quando se estragar, evitar roupa libertina, pensar num meio de locomoção que não o automóvel, reservar as armas para aqueles que tradicionalmente as podem usar e voltar à terra, esperando que quem usa armas o venha a fazer também. Ah...e relativizar a democracia.
Não precisamos de acreditar em Deus, nem baptizarmo-nos pela segunda vez, agora que somos crescidos. Porquê? Porque a primeira reacção dos Amish após o concluir da tragédia, foi fazer uma colecta para ajudar os pais das crianças assassinadas e a viúva do assassino. Contra uma classe destas só nos resta rendermo-nos.
3.10.06
Religion is just Hate and Will of Power, by Globetrotter
Instead of living their own way which is never free, since it is autonomous and requires the reference to some recurring perfectionism and self-sacrifice, the Amish are now envisaging to carry guns.
After surviving almost intact to wars, aggressive nationalisms, persecutions, in Europe, now they must ( they have) to share the Fourth Amendment of the US Constitution, renounce their abhorrence of guns and carry them as any regular citizen of the Brave New World.
As a matter of fact, they were one of the building blocks of America, the guardians of the pure stream which flows from our conscience and not from our appetite.
Now, they just have to be like anyone else. They'll have to lesson to radio because of Police alerts, watch soap-operas and real life shows to defuse stress, hold mobile phones for security reasons, have someone else's bishop, go to church every Sunday, even Drive-in churches with coca-cola and fodder for the horses.
One of the signs that New York was raising from the ashes after September 11, was the reappearance of an Amish vendor who used to offer a large variety of biological products, at the underground entrance in the Rockfeller center ( we call them "biological products" despite the fact that they are the same products that the Amish have been breeding for centuries). Be sure that just looking to the tenderness of their products would make any honest man cry.
Be democrats, be republicans, be Eagles, poor Amish dodos! God is just a taxation concept, you have to be free, you must follow democratic rules and trends, read Rosseau and the Marquis of Sade, leave the Bible for those who master ancient Languages. Your wives are certainly oppressed, your old men are not allowed to file for euthanasia, your children are being abused since you put them working on land when they are twelve and your young men have the right to wear buttoned coats, skirts and expand all the gaiety inside them.
Be free, join the army to fight in the cruzade against the muslim fanatics.
And I, who just thought, you were a piece of Heaven on Earth...
Today I'm Amish, and I share the pain you feel, knowing for certain that your clean hands hold the keys of Peter.
1.10.06
Falcão e Borsalino, por André Bandeira
Falcone costumava-se chamar a si mesmo, o "morto que caminha". Era siciliano como grande parte dos seus antagonistas.
Neste tempo de inocentes a ir pelos ares, Falcone não era inocente. Sabia com quem lidava. Um dia, um dos seus guardas queria casar-se e pediu para ser transferido. Ele ia dar-lhe a transferência porque aquele posto não era muito bom para a saúde. Perguntou-lhe se o guarda gostava do trabalho. Ele disse que não. Mas não se transferiu. Perguntou-lhe depois: mas afinal não te foste embora? Já gostas do trabalho? Não, respondeu o Guarda. Mas gosto de si.
Falcone ria pouco. No mundo onde nasceu e onde acabou por morrer, não há muito para rir. A terra é pobre, desprezada, era melhor se calhar ser independente para chorar sozinha, foi invadida por tipos de fora, desde que há memória mas Falcone acreditou em Roma. Ou não acreditou, mas acreditou que há uma Ordem qualquer, uma razão de ser para isto tudo. Alguns dos mais fiéis de Mussolini, até ao fim, eram sicilianos que, como se sabe, abriram a estrada para Roma aos Aliados, não sem antes matarem um comunista, Tresca, que se bateu contra Mussolini desde o princípio depois de Mussolini o deixar sair. Foi em Chicago mas o mafioso que votou contra, matou depois o tipo que mandou liquidar Tresca. Os sicilianos de Mussolini eram juízes e advogados, meteram-se a soldados nas Brigadas Negras. Homens calados, quando chegavam às aldeias dos partiggiani, pediam para falar: deixavam-se ficar, de braços cruzados atrás das costas, expostos às balas fazendo os seus discursos pela honra da Itália, pela Ordem que era melhor que o caos, etc. Ninguém os ouvia mas tinham conseguido quebrar o seu silêncio interior, guardado de séculos, para cantarem aquelas palavras em que tinham acreditado. Muitas vezes era o seu último canto.
Aqui há pouco tempo, um destes sicilianos cansados de caos, que se recusou a pagar o pizzo, e andava com a cabeça a prémio, perguntaram-lhe numa entrevista porque fazia aquilo. Respondeu ao jornalista: porque quando morrer, tu terás de me amar.
Assassinato em Samarcanda

O ex-embaixador britânico no Uzbekistão, Craig Murray, escreveu um livro extraordinário sobre os anos em que serviu em Tashkent, de
O Uzbekistan tem reservas do gás. E o governo de Karimov, velho apparatchik soviético é apoiado por EUA. Desde 2002 Murray recebia provas das técnicas de tortura dos dissidentes. Corpos, baleados, esfaqueados, e escaldados Na base aérea de Karshi-Khanabad em Uzbekistan, torturava-se. Os E. U.A esperava contratos do gás natural de Uzbekistan. Mas em 2004 atrasado, os Uzbeks contrataram com a Gazprom
A CIA falava de operacionais conhecidos do al-Qaeda no Uzbekistan. Mas a informação vinha da polícia secreta de Karimov. E os dissidentes torturados falavam da al-Qaeda.
“Assassinato em Samarcanda" deve ajudar ao despertar sobre o embuste da "guerra no terror." Se esta "guerra no terror" promove um Karimov, e os dirigentes “vodka”; se tortura para obter falsas informações sobre meia dúzia de "terroristas" da "al-Qaeda que cada vez menos diferença fazem, mas que justificam a própria “ guerra ao terror”, estamos perante a morte moral do Ocidente. Este é o ponto central. Os EUA perderam a superioridade moral para conduzir o Ocidente. Os europeus não têm a superioridade material para o fazer. E agora?
30.9.06
27.9.06
Reconciliação, por André Bandeira


Estive a ver uma entrevista de Brigitte Bardot, no canal Le Monde, Vies Publiques, Vies Privées. Parece que faz hoje 72 anos.
Que bonita que é Brigitte Bardot, agora. E que bonita que é por dentro.
É bom que se saiba que, nem tudo na entrevista parece verdadeiro, e que Brigitte Bardot nos apresenta uma vida falhada. Sim, falhada...
B.B. diz-nos que sabia desde pequena que era uma mulher só. E sabia-o muito bem ( eu demorei a saber e não o sei bem ainda, ou não quero). Mulher de coragem extraordinária, não deixou por isso de tentar a sorte que sabia não ter. Foi ríspida, à medida que via a sorte fugir exponencialmente, deixou alguns homens magoados a fundo pelo meio, sabendo que ela se iria ainda magoar mais, mas poupando contudo a dor toda de uma vez só, pelo dever que tinha de viver. Foi egoísta mas não foi trágica. Reconhece-se que é ainda muito sensível, depois de trinta anos de solidão que disse ter dedicado ao sofrimento dos animais. Vendeu a casa para a sua Fundação, parece que Mitterrand lhe deu algo que a permite viver num apartamento. Dá dinheiro a outras causas como, por exemplo, a de um negro americano, Farley Hetchett, que foi executado, no Texas, no passado dia 12. É contra a pena de morte mas acha que os que assassinam crianças devem ser executados e admite a contradiçao ( B.B. nunca conseguiu ser mãe). Elogiou Lionel Jospin e lutou por Le Pen. É de Direita porque foi educada assim. Ainda se levanta às vezes a chorar e lamenta o seu envelhecimento. Disse que, algumas vezes, o desespero foi tão grande que roçou o suicídio. Mas escolheu viver (quando me lembra da notícia de há uns anos -- que suscitou a intervenção de Mitterrand -- de que B.B. fôra detida, zonza, pela estrada, na Côte d'Azur, a tentar comprar serviços de homens, já não me envergonho dela). Disse muitas coisas contraditórias mas afirma que a vida é impiedosa e duríssima, pelo que não a chega a amar mas detesta a morte. Avisa contra a celebridade que diz que faz os outros estabelecerem relações artificiais connosco, as quais depois se pagam e, segundo, B.B., tudo se paga na vida.
Esta mulher teve a enormíssima sorte de poder pagar. E está a fazê-lo, porque teve a coragem de enfrentar o seu próprio destino.
Espero que as mulheres que amei e que conheci, ou talvez as que queira amar ainda, as veja agora como Brigitte Bardot nos ensina, ou seja que uma Mulher ou um Homem, antes do legítimo direito ao Amor e à Felicidade, tem o direito a ser eles próprios. E que ignorar quem somos, em nome da Felicidade, é egoisticamente trágico. A Tragédia que nos pode aparecer se decidirmos viver, ao menos não será nem cega, nem egoísta.
Reconcilio-me hoje, um pouco, com a minha infelicidade.
A minha infelicidade como a de muitos dos que me lêem, é bonita como Brigitte Bardot, porque é uma dádiva. Deus deu-nos ao Mundo, a ti e a mim, como a deu a ela.
Mona Lisa por André Bandeira
Esta novíssima explicação não explica nada. E estavam quase a deixar Mona Lisa em paz...
Sim, deixem Mona Lisa em paz e concentrem-se nas pessoas reais de todos os dias, que, entre o silêncio e as palavras, entre a morte e a vida, passam pelo Tempo, com sentimentos e pensamentos, passam pela vida com uma “alma”. Por trás de um rosto ( e também do focinho de um animal ou por trás de uma paisagem) existe algo que vem do fundo dos tempos e se prolonga para além deles. Podem dar-lhe um nome que seja vosso, podem até dar-lhe uma segunda cara, meter-lhe uma auréola ou um turbante em volta e depois fazer umas jihads e umas cruzadas pelo meio mas sobretudo, deixai as pessoas em paz. O que vêdes é apenas um insecto chocando contra o vidro que vos rodeia. E já agora: rezar também faz bem, porque pode transformar muita coisa, sendo certo que 100% do que existe, existe para os nossos olhos.




