29.1.07

Doutrina Militar Russa - Revisão de Janeiro de 2007


Do meu colega WAis Ilya Platov recebi o seguinte:
The new Russian military doctrine presented on January 20th 2007 by General Gareev. The purpose of the new doctrine, elaborated under the auspices of the Russian General Staff and under the supervision of the President's Security Council, is to supersede the already existing "new" doctrine presented in 2000. What justifies such a change seven years later? Two issues are of interest: a) the definition of the most important threats to Russia from the outside, and b) military reform. The latter issue will be of a particular concern for Russian society, where the current draft system inherited from the USSR is considered to be corrupt, ineffective, and threatening to the lives of new recruits.

General Gareev justified the necessity for a new doctrine by announcing significant shifts in the "geopolitical and military-political sphere." He stated that some points of the previous doctrine are outdated and do not reflect Russia's new geopolitical situation. From an international relations standpoint, the fact of a new doctrine is part of a more general trend towards a "clarification" of Russia's positioning on the global arena. Priorities are much more clearly defined, as well as its main priorities and targets.

1) About the exact nature of "menaces," the doctrine is purposefully vague. Gen. Gareev made reference not only to direct military threats, but also to "covert" political, military and economic "threats," putting on the same level the collapse of the USSR and Yugoslavia, and recent "revolutions" in Georgia, Ukraine, and Kyrgyzstan, sponsored according to him by NATO and the US. Russia clearly wants to send an unambiguous message to the West to stay out of the "Near Abroad," considered as the main geopolitical priority, hence the necessity to keep a large army capable to protect an extended border.

2) At the same time, Gen. Gareev considers that the future war will be a "partisan" war, and not a "global conflict" with a great power. Internal security threats ("terrorism and separatism"), an avowed priority, are directly linked to the situation in the former Soviet republics. While their relative autonomy in the foreign policy domain is tolerated, any attempt to go to the "enemy side" provokes a very harsh reaction (i.e. deployment of NATO troops in Crimea, Georgia, etc.).

3) Concerning nuclear power, Russia needs to continue to develop its nuclear arsenal, as the possibility of global conflict is not excluded (NATO? China?). "Wars of the future will necessitate conventional, high-precision weapons, under a permanently maintained threat of using nuclear weapons."

The doctrine is pragmatic in inspiration: it discards "ideological issues" in favour of a 19th century-style realpolitik (this is my own impression). The NATO and US are not considered as ideological rivals, but competitors with whom it is possible to cooperate in selected fields (like anti-terrorism).

Perhaps the most interesting point is a renewed emphasis on energy issues, considered to be the main source of coming global conflicts in the next 10-15 years (very likely according to Gareev). Russia's main strength seems to be its energy resources. He pointed to the USA as the main source of such a threat, using Iraq as an example of a predatory quest for energy resources; he also mentioned the likelihood of "political and economic rivalries" arising from this competition. The general restated Russia's commitment to multilateralism, and estimated that the "USA is no longer able to carry the burden of global leadership," and that Russia is called to play the role of "geopolitical referee".

Concerning the much-needed reform of the Russian military, the doctrine states the following:

1) An assessment of the "critical" situation of the current system of obligatory military service: "the army […] is incapable of supplying young military men".

2) The new doctrine does not intend to eliminate obligatory military service, but to create a mixed system with a professional core supplemented by a draft army. The obligatory military service will be reduced from 2 to 1 year, and eventually to 6-8 months. While this does not solve Russia's problems, it will certainly reduce casualties due to mistreatment (usually carried on by second-year servicemen on the new recruits). According to Gen. Gareev estimates, the new system will be put in place within 5-6 years.

It is difficult to appreciate at this moment the reaction of the Russian public to the new doctrine. Media close to Putin underplay the "hostile" element of the doctrine, stressing that US and Russia are "partners" in the war against terror. The main concern will however be the issues of the reform of the military. Some observers consider that the doctrine advanced by Gareev artificially boosts the importance of "global threats" in order to justify the maintenance of a large Soviet-style army.

28.1.07

Sorte, por Pedro Cem

Quando era pequeno, três amigos fomos nadar para uma velha salina, em Darque, Viana do Castelo. Um de nós quase morreu afogado. Lutámos durante muito tempo para que ele viesse ao de cima. Um lutou mais do que eu e arrastou-se para a margem, desistindo. Por fim ele emergiu das águas, pobre moço franzino e feio, filho das ervas, que não conhecera nem o pai, nem a mãe e nadou como um desesperado os poucos metros que o separavam da margem. Caímos exaustos os três na margem, ninguém nos ouviria se gritássemos, ali ficámos a tremer, em silêncio, a chorar, os três.
Eu vi Saddam Hussein morrer. Um morte assim faria de Hitler, ou de Estaline, ou de Mao Zedong, justos. Sim. E começaria a fazê-los justos uma hora antes. O mistério da Morte reduz-nos a todos, como uma descoberta milenar, à condição da verdade. Os Guerreiros que viveram a experiência da Morte sabem isto muito bem. Mas nós, como loucos de Sodoma continuamos a bailar e dançar. Pior, continuamos a pensar, julgando que descobriremos a chave do Mundo. Entrei hoje na Igreja e S. Paulo falava. As profecias são parciais, o conhecimento é como uma imagem obscura no espelho. Só o Amor, que se não impacienta, que tudo suporta, que não tem rancôr, nem orgulho, que não tem interesse, permanecerá. O amor do Padre Pierre que teve a sorte de ser reconhecido, o amor talvez do Ayatollah Sistani que evitou uma Guerra ainda maior, sim e até o "amor" de Bill Clinton por Monica Levinsky. Prefiro um rapazola, que ainda tem devaneios eróticos, a mandar em mim que uma data de revolucionários moralistas. Quero lá saber da Democracia e da Justiça. Se ela não tem Amor, de nada serve.
Gosto do meu Povo de tristes, que não acertam, que não reagem, que não atinjem. Sei que quase todos, em pensamento, meteram a cabeça na corda de Saddam Hussein para que nenhuma corda pudesse enforcar um milhão de cabeças e arrebentasse. Sei que o meu Povo ouve os que defendem o Sim e os que defendem o Não em relação ao Aborto porque tentam, no fim, julgar com o coração. Uns ouvem mais os casos das mulheres que arriscam a vida para abortar, outros sabem que o Amor não existiria sem se tornar na coisa amada, por mais pequenina, por mais semente que fosse essa coisa. E sei que muitos continuarão a pensar, a pensar, só para ouvirem bem o bater do coração. Gosto do meu povo que se põe do lado do Sargento Luís Gomes que se apaixonou por uma coisa pequenina, e sei que o meu Povo ama a mãe, a brasileira Aidida e que gosta também do pai Baltazar. E sei que ouve os juristas e os especialistas para ouvir bem, muito bem, onde bate o coração. Sei que o meu Povo não toma partido para vencer o partido contrário. Toma partido, para, na sua humildade e pobreza de espírito, puder contribuir para uma boa solução. Benditos sejam os pobres de espírito porque deles é o Reino dos Céus. Que sorte que tenho de ter nascido neste Povo, ou em outro qualquer. Maria de Fátima, a jovem desempregada que morreu sozinha em Braga e que estava grávida, não chegou a dar à luz. Foi encontrada vinte dias depois, em estado de decomposição com um envelope com bastante dinheiro ao lado e o telemóvel a carregar. Maria de Fátima não deu à luz, talvez se tivesse suicidado quando o seu ucraniano partiu deixando-lhe apenas o dinheiro. Mas nós, mesmos tristes e desgraçados, ouviremos aquele telemóvel, mesmo sem ter dinheiro para comprar um. Porque não estamos sózinhos, desde o ventre das nossas mães. Que Sorte que temos em ter Esperança, Boa-Esperança.

Dia 28 de Janeiro - S. Tomás de Aquino






Fresco de Fra Angelico

Reproduzo aqui um fragmento do estudo de Eric Voegelin sobre o "intellectus bovinus" como lhe chamaram. (Tradução a publicar em breve nos Estudos de Ideias Políticas)

A obra de Tomás de Aquino (1225-1274) absorveu-o literalmente - morreu exausto antes de perfazer 50 anos - e absorveu-o existencialmente porque foi a expressão de uma vida ao serviço da investigação e ordenamento dos problemas da sua época. Afirmar que foi um grande pensador sistemático é uma meia-verdade. Sabia aplicar a sua mente imperial à multiplicidade de assuntos que o atraíam e distinguia-se por ter uma personalidade rica em sensibilidade, magnanimidade, energia intelectual e espírito sublime. A exclusiva vontade de ordenamento poderia produzir um sistema que fosse mais notável pela coerência do que pela captação da realidade. A grande receptividade poderia ter originado uma enciclopédia. Mas as duas faculdades combinaram-se num sistema que assinala o impulso dinâmico de Deus para o mundo através da causalidade criadora, e do mundo para Deus através do desiderium naturale:

A origem desta combinação deve-se ao sentimento que fez de Tomás um santo: a experiência da identidade entre a verdade de Deus e a realidade do mundo.

"A ordem das coisas na verdade é a ordem das coisas no ser". Esta frase da Summa Contra Gentiles significa que o intelecto divino está impresso na estrutura do mundo; que a descrição ordenada do mundo resultará num sistema que descreve a verdade de Deus: que cada ser tem a sua razão e sentido na hierarquia da criação divina; que cumpre a finalidade da existência ordenando-se ao fim último que é Deus.

A frase também se aplica ao homem individual. Ontologicamente, o intelecto humano veicula a marca do intelecto divino. Metodologicamente, o uso do intelecto revela a verdade de Deus manifesta no mundo. Praticamente, a tarefa do pensamento significa a orientação da mente para Deus.

Na história do pensamento político, Tomás de Aquino divide duas eras: os seus poderes de harmonização foram capazes de criar um sistema espiritual que absorveu os conteúdos do mundo em transição: o povo revolucionário, o príncipe natural e o intelectual independente. O seu sistema é medieval enquanto manifestação do espiritualismo cristão: é moderno porque expressa as forças que vão determinar a história política do Ocidente até aos nossos dias - o povo organizado com constituição, a sociedade comercial burguesa, espiritualismo da Reforma e o intelectualismo da ciência. Alcançou esta espantosa concentração do passado e do futuro mediante o milagre da sua personalidade. Absorveu e manteve em equilíbrio sentimentos muito distintos. Tinha algo da receptividade de Frederico II às forças da época, mas ultrapassa-o em espiritualidade. Realça o individualismo de carácter de João de Salisbury pelo personalismo espiritual cristão; o seu humanismo digere Aristóteles e cria o estudo das instituições israelitas; o individualismo espiritual de S. Francisco aparece ainda mais radical no espiritualismo de Tomás; o populismo franciscano é continuado pela evocação da comunidade do homens politicamente livres enquanto a limitação de Cristo aos pobres é ultrapassado pelo reconhecimento das funções do príncipe; a consciência secular de Fiora é traduzida nas ideias da expansão da Igreja no mundo. O horizonte estreito da irmandade monástica é alargado à visão imperial de um mundo de comunidades perfeitas cristãs; o intelectualismo de Sigério é equilibrado por uma orientação mas com uma espiritualidade igualmente forte.

Através destes equilíbrios, Tomás de Aquino tornou-se figura única que pôde dar voz à Cristandade medieval imperial na linguagem do Ocidente moderno. Ninguém como ele poderia ter representado no estilo grandioso o homem ocidental espiritual e intelectualmente amadurecido.

26.1.07

Avé Pierre! par Pedro Cem


Je ne sais pas si l'Abbé Pierre est allé pour le ciel. Tout le monde le dirait puisqu'il était déjá une éspèce de Saint avant qu'il était mort.
Je crois qu'il n'est pas allé pour le ciel. Parce qu'il était un de ceux qui croyait que Jésus est venu habiter entre nous, juste comme l'invité des pélérins d'Émmaus. Il l'a fait quand il s'est joint à la Résistance pendant l'invasion de la France par les Allemands. Il l'a fait quand il a soulevé tout le pays, au début des années cinquante, pendant un Hiver éxcessivement froid qui à gélé à mort un bébé d'une famille pauvre. Aujourd'hui les scandales et les tragédies sont fort plus singulières. C'est le froid des Hommes et pas le frère Hiver, qui tue. l'Abbé Pierre disait simplement que son amour pour le Christ l'empêchait de satisfaire ses besoins affectifs charnels avec une femme, par moyen d'un marriage, ou une relation durable avec une femme mais, pourtant, parfois il l'a fait. Il croyait q'un homme pourrait aimer un autre homme, ou une femme, une autre femme, aussi de cette façon-là. Il a eu un prêtre comme sécretaire pendant beaucoup d'années, de cette singularité affective et il l'a compris. Ils on passé le froid, la misère, la méfiance, chaqu'un vivant l'écharde dans sa chair, en se préoccupant plus des affaires journaliers des pauvres et des misérables. Il s'est mis du côtè de Garaudy, le philosophe de l'Humanisme communiste quand il s'est converti à l'Islamisme et traduit en Justice pour contester la doctrine officielle de l'Holocauste. Il s'est mis du côté des syndicalistes radicaux quand il a cru que c'était le chemin de la vérité et il les a fustigé aussi quand il a cru que c'était encore cette fois-ci, le chemin de la Vérité.
Il a été charnel, sec, tenace, déséspéré, révolté, humain, amusé, en colère, laid et beau comme un viel chêne. C'est pour ça qu'il n'est pas allé pour le ciel. Il est resté en arrière entre les pavés du trottoir que les parisiens de la Commune, arrachaient en rage et jétaient aux soldats, il est resté entre les cailloux des sentiers où les Chouans s'enffuyaient des Républicans de Paris. Il a crié comme un clochard de Paris et vociféré comme um guerrier gaulois nu, se jétant sur les Légions romaines dans une bataille qu'il savait perdue. Avec sa mine de druide, de fou de Dieu, d'anarchiste, de fasciste, de météque, de caillou.
Bénie soit la France de Sainte Jeanne D'Arc qui produit ces animations de la brousse, ces ombres du brouillard de Calais, quand les oiseaux sifflent les mêmes chansons des maquisards et des chouans.
Parce que nous croyons qu'il est vraisemblable que quelqu'Un a souffert et est mort pour nous, en se faisant chair, et poussière et pavé du trottoir, caillou du sol, par que notre vie ne fut pas en vain.

Davos, 25 de Janeiro de 2007, por Joseh Nye

Davos Day 2: The Term "War on Terrorism"

READ MORE: Joseph Nye, Davos

With 800 CEOs, two dozen heads of state, and topics ranging from global poverty to Web 2.0, Davos is impossible to describe. Like the blind men touching the elephant, each participant feels a different part of the beast. My favorite touch for the day went as follows: In a plenary session on terrorism, I asked David Cameron, head of Britain's Conservative Party, whether he agreed with the British Foreign Office position that the term "war on terrorism" was counterproductive because it reinforced the Al Qaeda narrative of being engaged in a holy war. He agreed, and said it would be better to call it a "struggle." Secretary of Homeland Security Michael Chertoff basically ducked the question. (Not long ago, the US State Department had tried to get the White House to stop using the term, but the move was vetoed by President Bush.) Pakistan Prime Minister Shaukat Aziz said not to worry about words because the root causes of terrorism were local deprivation (read: more aid to Pakistan). Gijs de Vries, Counter Terrorism Coordinator for the Council of the European Union, replied that the term "war" not only helped terrorist to recruit, but also led us to justify violating the rights and freedoms that provide the soft power we need to prevail in this struggle. Clearly, where people stood on this question depended on where they sat.

25.1.07

Esnoga 1675 - 2003

Painting of the Amsterdam Esnoga — considered the mother synagogue by the Spanish and Portuguese Jews — by Emanuel de Witte (ab. 1680). The Esnoga in the city of Amsterdam is the oldest continually functioning Sephardic synagogue in the world. It was founded by ex Maranos (Portuguese) Jews in 1675.Ver ARTIGO

Da minha visita a Amesterdão em 2003, trouxe entre outras coisas, uma publicação sobre a Grande Sinagoga ( Esnoga) Portuguesa da cidade, fundada em 1614 e restaurada actualmente no seu esplendor inicial. A publicação em neerlandês contém o serviço religioso judaico completo em língua portuguesa como ainda hoje se pratica entre a comunidade sefardita de que Bento de Espinosa foi um dos mais ilustres filhos.

Aqui deixo só para exemplo dessa lusofonia profunda uma parte dos poema escrito em 1935 por Abraão Alvares Vega (1901-1945) e que ilustra o lusitano, mesmo escorraçado do seu país mas continuando de nação. O poema é ligeiro mas os conteúdos surpreendentes não o são. (A minha tradução do neerlandês não é garantida.)

wij portugezen zijn spanjaarden gewezen
wij voelen ons van adel en zitten hoog in ´t zadel
met veel gewicht beladen wij hebben gravidade

wij portugezen met flegma in ons wezen
wij gaan niet over één nacht ijs, bezien alles voiorsichtig, wijs,
van achteren en van voren; dat noemen wij pachorra

Nós Portugueses apelidam-nos de Espanhóis
Mas sentimos a nossa nobreza e sentamo-nos na sela
Com elevação ; nós temos gravidade

Nós Portugueses somos conhecidos pela fleuma,
Tudo consideramos com cuidado e sabedoria
com previsão e futuro; a isso chamamos pachorra

24.1.07




Gosto desta estampa!
Digam porquê...

Belmiro, por Pedro Cem

Vi a entrevista de Belmiro de Azevedo a Judite de Sousa.
Belmiro tem um discurso cheio de contrastes, de desfeitas, de arestas. Belmiro não brinca em serviço e trabalha como um modêlo. Belmiro não é rico para ser rico mas porque entrou numa competição que lhe deu sentido à vida.
Certamente que Belmiro, se ganhar a OPA da PT, poderá vir a fazer algo de inovador na Indústria Portuguesa. Contudo, tem pela frente o complexo burocrático-lusitano que prefere deixar o Empresário no Norte, na Província, e guardar as Comunicações de Portugal para um conjunto de homens sabidos que, embora gerindo uma empresa privada, se sentem como que proprietários de um privilégio nacional, onde só entram os membros de uma certa élite, onde a Economia se confunde com a política e a política com um certo estilo de vida. Infelizmente, Empresários como Belmiro só existe um. Portugal é demasiado pequeno, havendo só um Belmiro de um lado e o complexo burocrático-lusitano do outro. Belmiro ficará sempre com o valor dos marginalizados, mas também com a etiqueta da deselegância ou da incapacidade estrutural, como uma galinha a querer voar.
Mandaram-lhe Judite de Sousa, uma rapariga de Letras, do Porto, uma mãe valorosa. Ela foi industriada para lhe fazer as perguntas que defendem a prudência, o charme e o veneno do complexo burocrático-lusitano onde o último critério, acaba por ser o bem-estar. A pobre Judite de Sousa até parecia saber de Economia, até parecia saber de Bolsa, até parecia saber de Jornalismo político. Mas Judite de Sousa é também um pilar do complexo burocrático-jornalístico e, de novo, com valor. De charmes queirosianos morre Portugal. E tudo é um Simplesmente Maria, para Adultos.
De Belmiro fica apenas o realismo dum país abandonado a uma luta entre os veludos eróticos de Lisboa e os ódios de morte da Província: "eles fazem como quem pede esmola. Estendem a mão a pedir mais e ninguém lhes deixa nada". " Não vou entregar os pontos ao meu Inimigo". " Pedir não paga imposto", " Só se descobrissem diamantes ou um pôço de petróleo nos edifícios da PT, aquilo se valorizaria mais do que oferecemos", "Os clientes da PT no Brasil, não têm dono", "O Eng. Sócrates é como um Director do Conselho de Administração do Governo. O Primeiro-Ministro vem primeiro e os outros Ministros vêm a seguir", " Existe uma conjuntura feliz entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro". Entre o Engenheiro da Beira Alta e o Empresário do Norte há uma espécie de canto folclórico, antes do rancho girar.

22.1.07

Elsa, Elsa... por Pedro Cem

Quem me dera estar apaixonado, ter dor de barriga, esperança, desespero, por amar! Com a idade aprendemos a ter a paixão num mundo paralelo, onde só vamos por um salto quântico.
Mas que frio aterrador, aquele que emana do silêncio com que Portugal inteiro se diverte com as digressões de Elsa Rapôso, bonita e infeliz mulher, Mãe de três filhos que certamente ama.
Noticia o Correio da Manhã que Elsa, além de se filmar, lança pregões pela Internet, para todos os lados, como se de uma Vénus indiana, com sanha de Kali, na Primavera, se tratasse. E, com isto, gere um negócio, como quem pega numa carteira esquecida sobre a mesa de um Bar.
Tudo isto parece o esgotar de Pompéia antes da erupção, o sight-seeing de Sodoma, antes da chuva de fogo. Como se a única arma desta mulher desprezada, fosse o dizer aos outros o que os outros pensam e calam. E como se a distância que vai da sua figura patética até à muralha da indiferença, fosse o quebrar de todas as interdições. Do alto das muralhas, os sentinelas sociais, olham a pobre viandante despojar-se de tudo, com os miasmas que eles guardam, a portas fechadas, dentro da muralha.
E todos a olhamos com um misto de prazer e deleite. Dentro das nossa muralhas abrimos uma janela dourada para a decadência acelerada de Elsa, esperamos até recolhê-la, feita num farrapo, na discrição da escuridão pois algo desta sua "vida" permanecerá no seu olhar e na sua bôca dorida que nós talvez possamos beijar e dizer "nossa".
Quando uma mulher não tem mais nada que o corpo para agredir é porque a nossa indiferença se tornou numa doença que nos corrói por dentro e pela qual já nem temos coragem para gritar por socorro.

21.1.07

Goa - Mafia e Al Qaeda - O que não se diz


O mundo está cada vez mais a mudar para o mesmo. A Goa chegou agora a Mafia em força e a Al Qaeda discretamente. As forças e movimentos não -estatais preparadas para acções de violência, a que MArtin van Creveld chama de 4ªgeração - actuam. A praia de Morjim é 'mini-Russia' de Goa, como se vê no placard da foto. A comunicação social indiana fala de M o l o t o v    O n    M a n d o v i . A partir da fachada de investimentos em propriedades e turismo, o tráfico de drogas, armas e sexo intensifica-se. Haverá ataques terroistas no futuro

COVER STORY: RUSSIAN MAFIA (OutlookIndia.com)
The Russian mafia has barged into Goa, running its arms and
drug trade freely Saikat Datta
Indian security agencies are concerned about the Russian
mafia's invasion
* The mafia is buying huge tracts of land in Goa, Delhi,
Maharashtra through benami companies
* Intelligence feedback is that the Russian mafia is
buying land to set up base for running its arms and
drugs trade
* Goa, with its poor policing, lax administration
is currently the most favoured destination
* There are fears that the Russian pockets of influence
could serve as safe havens for international criminals
and terrorists.
What has also kept Indian security agencies on their toes are
inputs from the CIA that two Al Qaeda operatives had visited
Goa lasts year. According to the US agency, one Yemeni and an
Algerian visited several popular nightclubs and beaches in
Goa, took photographs and conducted elaborate surveys of
beaches frequented by British and Israeli tourists. This was
revealed to the CIA during interrogations and information
gleaned from a laptop recovered in Iraq.

16.1.07

Concentração 1 de Fevereiro

No dia 1 DE FEVEREIRO DE 2007, será evocado o 99º Aniversário do REGICÍDIO que vitimou D. Carlos I e D. Luiz Filipe.

CONCENTRAÇÃO no Terreiro do Paço, junto à placa Evocativa do Regicídio em Lisboa, às 17:00 horas.

Será evocada a memória de um Grande Português, o Conde de Arnoso.

15.1.07

Eleito

Os neo-liberais portugueses, abundantes na blogosfera, já elegeram o seu preferido para o concurso Grandes Portugueses"

14.1.07

Agora. Por João Pedro Pimenta. Blog de expressão portuense, benfiquista, monárquica, católica e politicamente indeterminada.

Herdeiro de Aécio

Apesar do nome obscuro que homenageia "O Último dos Romanos" destemido em campo de batalha, é um repositório fantástico de informação, nacional e internacional. Tomara muitos jornais ter uma coluna assim.
Vejam, por exemplo, o post sobre a Somália

It is worth.... by David Krieger


David Krieger writes:

It is worth contemplating that the man who told the American people and
their Congress that Iraq had weapons of mass destruction necessitating
war, who took us to war illegally, who has branded innocent men as
"enemy combatants" and held them illegally at Guantanamo, who is
responsible for torture at Abu Ghraib prison, who authorized the
rendition of suspects so they could be tortured in other countries,
whose war in Iraq has led to over 3,000 American deaths, more than
occurred on 9/11, and hundreds of thousands of Iraqi deaths, who has
stretched our military so thin it may be unable to protect the country
in the case of a real crisis, who always asserted he took orders from
his commanders "on the ground" and then fired the commanders who gave
him advice he didn't want to hear, who now offers us "the surge" as a
last desperate attempt to save his own reputation at the expense of
American soldiers, is the same man who has his finger on the nuclear
button, believes in preemptive war and has warned that all options are
on the table, including the nuclear option.

12.1.07

A Guerra Peninsular 1807-1814 - Novo Blog



Um novo Blog a preparar um próximo livro. Por Manuel Amaral e Mendo Henriques.
Aproxima-se o Bicentenário da Guerra Peninsular!

A Guerra Peninsular 1807-1814

Camões


Oh! Consolar-me exclama e de mãos trémulas
A epístola fatal lhe cai: perdido
É tudo pois!
Almeida Garrett, Camões, Estância XXIII

Existe uma coincidência espantosa nos remotos anos após o fim da Guerra Peninsular; num tal momento da Pátria e do mundo, em torno de Camões se encontrarem na comunhão da mesma emoção de cons¬ciência nacional o Morgado de Mateus, (edição dos Lusíadas pelo Morgado de Mateus em Paris, na oficina de Firmin Didot. – em 1817 e 1819 expendendo uma fortuna e seu esforço na elaboração da mais monumental edição de Os Lusíadas, e o compositor José Domingos Bontempo, criando a obra-prima que lhe consagra o nome, a Missa de Requiem a quatro vozes consagrada à memória de Camões em 1818. o pintor Domingos António de Sequeira, expondo em 1824 no Salon de Paris A Morte de Camões, (Hoje no. Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa), E Portugal a publicação do poema Camões, de Almeida Garrett, em 1825 que inicia o movimento romântico. A todos Camões oferecia a expressão eloquente de quanto o momento histórico sugeria de pessimismo perante o que se afigurava de morte inevitável; mas também de tónico nas fortes estrofes do grande poema que faziam ressurgir a confiança no futuro. E era tal a certeza que levava o Morgado de Mateus a publicá-lo., Bontempo a tocá-lo, Sequeira a pintá-lo e Garrett a cantá-lo. O futebol tem hattrick. A arte teve quatro em um...

11.1.07

Somália - Mais uma guerra gnóstica

Durante uma década, a Somália foi um caso típico de Estado mais que falhado: desaparecido. Os Somális derrotaram mesmo os estados unidos, simolizado por Blackhawk down. De repente, a campanha Blitzkrieg pelo exército etíope pareceu mudar tudo. Os islamistas foram postos de lado por tanques e jactos. Veio o governo federal transitório, criado há anos mas quase invisível dentro da Somália. O Estado somali foi restaurado - ou assim parece. Este choque directo entre a ordem internacional dos estados e o anti-estado, será um exemplo instrutivo. Se o Estado somali falhar outra vez, o futuro pertence aos gnósticos da quarta geração.

A melhor suposição é que na Somália, a dependência do novo estado perante tropas estrangeiras será fatal. As guerras de estado contra o anti-estado são competições pela legitimidade e nenhum regime estabelecido por intervenção estrangeira pode ganhá-la. Contudo, se os islamistas não se organizarem eficazmente, o novo governo poderá ganhar por defeito. De qualquer modo, é seguro dizer que o resultado em Somália terá um impacto para além das fronteiras daquele pequeno país.

10.1.07

O “churrasco” da Direita Republicana

Neste fim de ano de 2006, parece que o desporto favorito da Direita Republicana Portuguesa é o churrasco dos seus líderes partidários, mas em fogo muito brando. No PSD o "assado" é o dr. Marques Mendes. No PP CDS, é o dr. Ribeiro e Castro. Há razões naturais e outras anti-natura para este procedimento.
A razão natural é que, perante a eventual consolidação da dupla Sócrates-Cavaco até 2009, a Direita Republicana sente que alguma coisa deve ser feita para robustecer a oposição. Vão ser quase 3 anos de oposição complicada. Como os dois grandes ausentes – Marcelo e Portas - ainda não sentem o momento conveniente - descansam a dar sermões na televisão e nos semanários. Quem actua são os “grupos de retirada”. Os Drs. António Pires de Lima, Nuno Melo e Telmo Correia, cada um à vez, acorrem para discutir a liderança do PP. No PSD, o panorama é mais complexo; o dr . Marques Mendes vai sofrendo assaltos do nortenho Meneses que, por sua vez sofre, os assaltos do prof. Marcelo enquanto a dra.ª Paula Teixeira da Cruz ataca na frente Sul. Uma evidência que entra em casa quase todos os dias, é esta balcanização da direita republicana portuguesa.
Mas o procedimento é anti-natura porque o "churrasco elitista" em lume brando dos líderes eleitos, até à véspera das legislativas de 2009, faz mal à democracia. Em vez de se concentrarem nos problemas económicos e sociais com solução política, concentram-se nos problemas de poder interno, cujas soluções não interessam senão a uma oligarquia de umas 3000 pessoas na Grande Lisboa e bastante menos - peço desculpa ao Porto - no Grande Porto. Que o país seja representado por políticos quezilentos que falam para as câmaras de TV como quem condescende em dar pérolas a porcos, como quem faz brilharetes para os amigos mas se está a marimbar para tudo excepto nos cargos, faz muito mal à democracia e à confiança dos eleitores. O ataque aos líderes eleitos e a procura de um líder ausente, em jeito de “mulheres à beira de ataque de nervos”, ofende a inteligência dos eleitores. E este género de exercícios de hipocrisia política são nocivos para quem os pratica e dão mau nome à política e aos políticos da república. No caso do CDS, todos já perceberam o ambiente de guerra aberta entre Ribeiro e Castro e o grupo parlamentar constituído por antigos dirigentes afectos a Paulo Portas. “ Afectos?” Dir-se-ia “ afectados” O mais espantoso é que a Direita Republicana tem dirigentes partidários eficazes. Mas esses não podem falar. Onde está Maria José Avillez no CDS? Onde está no PSD o tal António Borges?
A quem interessa esta situação de “balcanização” da Direita Republicana ? Numa palavra, à Esquerda e ao Big Business. A primeira continua a predominar na comunicação social. Assim, interessa-lhe alimentar o churrasco. Lentamente. Age muito bem, em termos políticos. Parabéns ao discreto dr. Pedro Silva Pereira. Uma vez que o recrutamento de dirigentes partidários na Direita deixou de ser conduzido pelo sentido de interesse nacional e por Causas, passou a servir objectivamente apenas o status quo e os médios e grandes grupos económicos. Quanto ao Big Business vive bem. Para quê incomodar-se com líderes da oposição, se tem o líder do governo pelo seu lado? Assim desinteressa-se do caso, deixando o terreno para actores menores
Bem gostaríamos que a Direita Democrática Portuguesa fosse mais digna. O eleitorado assim o merece com a sua espantosa constância de voto nos 2+ 2 partidos, uma constância que tornou Portugal um case-study de toda a politologia europeia. Os próprios partidos democráticos - que prestaram um serviço ao país após o 25 de Abril, afastando o espectro totalitário – mereciam melhor e deviam ser restaurados na formação de quadros, juventudes, debate interno, proximidade aos eleitores, etc. Onde isso já lá vai! –
Mas enquanto a Direita Democrática for republicana, auguro o pior! Não tem princípios, não tem causas, não tem desígnio senão passar de oposição a poder. Qual o espanto que se entretenha com o churrasco dos seus dirigentes?

8.1.07

Calma para o Ano Novo!

Um pastor da Serra da Estrela está perto do seu rebanho num pasto remoto quando de repente chega um BMW novinho com uma nuvem de poeira. Dele sai um indivíduo de uns 30 anos , com fato Brioni, sapatos Gucci, óculos de sol rayban e gravata YSL e pergunta ao pastor. "Se eu o disser exactamente quantas vacas você têm no seu rebanho, dá-me uma vitela?" O pastor olha o homem, a seguir olha o rebanho e responde, "Certo, porque não?" O indivíduo estaciona o carro, tira o computador Apple, liga-o ao telemóvel Cingular RAZR V3, e surfa uma página da NASA na Internet, onde chama um sistema de navegação satélite GPS para saber a sua posição exacta. Depois, chama outro satélite da NASA que faz a varredura da área com uma foto de alta definição. De seguida, abre a foto digital no adobe Photoshop e exporta-a para uma empresa de processamento de imagem em Hamburgo. Dentro de segundos, recebe um email no palm Pilot com imagem processada e os dados armazenados. Depois acede a uma base de dados MS-SQL através de um ODBC com uma folha de cálculo Excel e, após alguns minutos, recebe uma resposta. Finalmente, imprime um relatório de 3 páginas numa impressora miniaturizada hi-hi-tech, LaserJet e finalmente mostra-a ao pastor e diz: “Você tem exactamente 158 vacas e vitelos."
"Está certo” diz o pastor, pode levar um dos animais.
O indivíduo selecciona um dos animais e perante o olhar divertido do pastor, coloca-o no carro. Então diz o pastor, "Se eu lhe disser exactamente a sua ocupação, restitui-me o animal?" O indivíduo diz : "OK, porque não?" "Você é um funcionário da União Europeia ", diz o pastor "Boa! "diz o indivíduo," como acertou?" "É fácil " respondeu o vaqueiro. "Você apareceu aqui sem ninguém o chamar. Quer ser pago por uma resposta que eu já sei, a uma pergunta que eu nunca coloquei. Tentou mostrar-me que é mais esperto do que eu; e não sabe o que são vacas... Isto é um rebanho de ovelhas. Olhe, e agora, como combinado, restitua-me o meu cão."

Blogs recomendados

Embora há muito tempo leia, só agora fica a recomendação do INTERREGNO. Tempus fugit!
http://interregno.blogspot.com/

7.1.07

Discurso tácito


A Assembleia da República precisa de bandeira própria para mostrar que actua muito ou para disfarçar que actua pouco? O novo símbolo do órgão de soberania seria útil se viesse corresponder a uma alteração da sua postura, a um refroço dos seus poderes quando a maior parte da legislação é do Governo por autorização parlamentar. E num momento em que se afirma a importância de referendos, a AR vem indicar que é a única arena de transmissão da opinião pública. A democracia directa - referendo e direito de petição - vai para as malvas. Ou será que quiseram responder ao Forum da Democracia Real ?

Igreja célere

O bispo Stanislaw Wielgus foi obrigado a renunciar ao cargo de arcebispo de Varsóvia, após admitir que espiou em favor dos serviços secretos na era comunista da Polónia. Prevaricou, pagou, mesmo que os actos datem de há vinte anos. O episódio revela como a Igreja Católica mantém a memória longa e a acção rápida, numa acção simultaneamente nacional e internacional. Eleito a 6 de Dezembro, um mês depois , está fora. O papa Bento XVI está cada vez melhor!

5.1.07

Enforcamento - A história em directo no telemóvel


http://www.informationclearinghouse.info/article16030.htm


Officials taunted Saddam on the gallows. After he falls through the trap, abruptly cut off in his recitation of the Muslim profession of faith, someone in the room cries "The tyrant has fallen!" and the film shows the 69-year-old former strongman swinging on the rope, his eyes open and his neck twisted at a 90-degree angle to his right.

WARNING Some viewers may find the video disturbing. It should only be watched by a mature audience. 12/30/06 Runtime 3 Minutes

PARA DESCONTRAIR E NÂO PERDER - http://www.planetdan.net/pics/misc/georgie.htm

31.12.06

Vu de France


Le drapeau portugais nous raconte la défaite de l'islam conquérant

Nos amis français (et musulmans qui lisent France-Echos) doivent connaître la symbolique de ce drapeau, qui raconte la lutte sans merci que livrèrent avec succès les Portugais à l'envahisseur musulman. Le drapeau reprend le vert foncé de l'espoir, le rouge du sang versé pour la patrie et la sphère armillaire représente le globe terrestre, symbole de l'histoire d'exploration maritime des grands découvreurs portugais, qui ont permis d'anéantir le commerce des caravanes musulmanes. On y trouve également les armes de l'État — les sept châteaux ou citadelles de l'expansion territoriale (reprises sous le règne d'Alfonso Henriques au XIIe siècle aux Maures), dont celle de Lisbonne. Les cinq écus bleus sur l'écu blanc sont ceux de sa victoire sur les cinq rois maures lors de la bataille d'Ourique en 1139 où il est proclamé roi. Les cinq monnaies byzantines disposées en croix (des points ou besants) reprennent la disposition des cinq plaies du martyr du Christ, au nom duquel Alfonso Henriques défit ses ennemis.

Le drapeau portugais est donc le plus islamophobe de tous !

Lusoocelt

30.12.06

Desta vez só havia Barrabás!

















"Onde já há tanto medo, porquê acrescentar mais ?" O sacrifício Baal - Bush consumado!

Shame on you, by Globetrotter

A man is going to die. I cannot do anything. I cannot stretch my hand and reach him. And the worst is that, while doctors, mothers, fathers, brothers, jet-pilots in stormy skies or worried sailors in tempests, run to save their companions or fight back mortal diseases creeping on someone's veins, this man is going to die in the hands of other men who could save him.
He is just one more. As all of us who will die one day, he shrinks with his own sensations, looking to a small circle of light, getting smaller and smaller before the vessel of his feelings, finally wrecks. I look to the eyes of the actress Penélope Cruz, here in a magazine cover, by my side, and I ask myself what kind of magic tenderness has crafted those eyes. I imagine a beautiful girl I met, here standing by my side and I kneel begging her hands to hold my tears.
A man is going to die. One more. His blood will fall on the head of who ordered his death, over whoever, being able to save him, decided instead to deliver him to those ones who, after his death, won´t have more than one second of relief because of those he killed and are not able to return.
His blood is flowing already throughout Baghdad and is mouthing into the seven seas.
That extraordinary thing which is a body and a soul, in a way that we don´t see anything similar among the rocks of Mars, the frozen gas deserts or the furnaces in planets and stars as far as we can see, that thing which took millions of years to be, is going to crack in our hands.
Yes, I saw the old world come to the end. It was not in Hiroshima, it was not in Auschwitz. It is now. Now that I'm going to kill a third-rank, bloody tyrant, for whom nobody else sheds blood and who shed blood, for so many years, with the permission and tools of us, who are so keen of life.
Yes, I saw the old world crumble down. And the world to come will subside floating on blood, madness and absurd.
We'll never be so hated by the poor of the Earth, as from this day on. We were not able to open the doors of Nuremberg to Spring, we couldn´t open Spandau to a crazy oldman who didn´t manage to see the lirch boulevard for the last time and managed to gather his last strengths, just to hang himself. And it wouldn't add a grain of dust on his victims´ tombstones.
Pilat is asking the throng whom should he deliver and the throng shouts " Who cares? Kill, just kill!".
We do not deserve luck. We do not deserve pity. Nobody ever believes in our solutions. And if anybody did, the rocks on our way would pile up in a wall, the birds in the sky would ascend just to fall on us, nose down.
We lost our face forever and this infamous killing in no longer in our hands, since they turned into squids of luxury and carnage. We´d rather have then cut off. We open our mouth and it comes out a shriek, we open our eyes and the day is darkened and sunk into two black holes, we step up and the Universe, down under, collapses into the abyss.
It rains ice in the heat of Summer, the sun blazes in the heart of Winter, the ground cracks and we, as pellicans of a nightmare, crack the eggs and devour the cubs in our belly. Anyone will just long for killing before anyone else be born, and before being himself born, will dream of possessing a larger and darker bomb than the rest. There will be no new Order, only accounts to settle.
Against this mass of blood, only a river of tears can bring us some relief.
Shame on you! May God have mercy on your wilderness...

29.12.06

Atarturk descende de judeus portugueses? Por Inacio Steinhardt


O "marrano" Ataturk
Do meu amigo e colaborador Inacio Steinhardt transcrevo uma espantosa pesquisa que ele inicioi
Tuesday, December 26, 2006 Podem ver mais pesquisas do Inácio aqui

Itamar Ben-Avi, o filho de Eliezer Ben-Yehuda, célebre porque o seu pai, o renovador da língua hebraica em Erets Israel, proibiu, desde que o filho nasceu, que a criança ouvisse qualquer outra língua além do hebraico, conta uma história curiosa, que já foi reproduzida em muitas publicações, mas que vale a pena contar mais uma vez.
Itamar costumava frequentar o bar do hotel Kamenitz, em Jerusalém.
Uma noite, mo Outono de 1911, portanto durante o domínio otomano na Palestina, o proprietário perguntou-lhe se conhecia o oficial turco, que se sentava numa outra mesa.
Não, ele não o conhecia, porquê? "Porque é um dos oficiais mais importantes do Império Turco".
- "Como é que se chama?"
- "Mustafá Kemal."
- "Gostava de o conhecer"

O senhor Kamenitz, sem hesitar, fez as apresentações.
Conversaram em francês. E voltaram a encontrar-se muitas vezes, sempre na presença de uma boa garrafa de "arak", que se ia esvaziando noite fora, enquanto conversavam longamente sobre os diversos aspectos da política otomana.
Logo na primeira conversa, o jovem capitão confessou ao seu novo amigo que era descendente de Sabbetai Sevi. Já não era judeu, mas muçulmano, mas ainda admirava muito as ideias desse "vosso profeta", e recomendava que os judeus das Palestina as seguissem.
As ideias de Sabbetai Sevi, como já vimos num texto anterior, conduziam à assimilação. Um pouco, como diria Mendelssohn, "alemão na rua e judeu em casa", ou, no caso presente, "turco na rua", não interessa. Mustafá Kemal também preconizava a laicização do Estado. Tornar a Turquia um estado em que houvesse liberdade para não seguir a religião islâmica.
Dez dias depois, o capitão turco adiantou:
"Tenho em minha casa uma Bíblia em hebraico, impressa em Veneza. Já é bastante antiga, e lembro-me do meu pai me ter levado a um professor Karaita, que me ensinou a ler no livro. Ainda me lembro de algumas palavras"
É Itamar Ben-Avi que conta esta conversa, num livro já há muito esgotado.
E continua:
"Parou um momento, enquanto os seus olhos pareciam buscar algo no espaço, e continuou: Shemá Yisrael, Adonai Elohenu, Adonai Ehad".
"Mas essa é a nossa mais importante oração, capitão!"
"É também a minha oração secreta, cher Monsieur" – respondeu ele, enquanto enchia de novo os nossos copos.
Itamar não sabia então que o estava a ouvir não seria exactamente uma manifestação de Judaísmo. Uma das declarações secretas dos seguidores do falso messias era: "Sabbetai Sevi e nenhum outro é o verdadeiro Messias. Ouve à Israel, O Senhor é o nosso Deus, O Senhor é Único".
Talvez fosse daí, e não das lições do Karaita, que o oficial turco se lembrava das palavras do Shemá.
Mas não importa. Mustafá Kemal declarou ao seu novo amigo, então jornalista na Palestina, a sua origem judaica.
Mustafá nasceu em Salónica, em 12 de Março de 1881.
Teriam os seus antepassados pertencido a alguma das comunidades judaicas portuguesas, antes de se converterem ao Islão?
Não existe nenhuma indicação de tal facto.
Seu pai, Ali Rizá, funcionário da alfândega otomana na cidade, faleceu quando o filho ainda era muito novo. Diz a tradição que o nome adicional, Kemal, que significa "perfeito", lhe foi atribuído pelo professor de matemática, na escola militar secundária de Salónica.
Em 1907, aderiu ali ao "Comité da União e Progresso", conhecido normalmente como os "Jovens Turcos".
Em Setembro de 1922, as forças comandadas por Kemal, lutando contra o exército grego, tomaram Izmir. A vitória de Kemal na Guerra da Independência preservou a soberania da Turquia. O Tratado de Lausanne suplantou o Tratado de Sevres e a Turquia recuperou a totalidade da Anatólia e da Trácia oriental, do controlo Grego.
No ano seguinte, em 29 de Outubro de 1923, Mustafa Kemal comandava a revolta que derrubou o califado de Constantinopla e proclamou a República Turca, de que foi o primeiro presidente. Por isso lhe chamaram Ataturk, o Pai dos Turcos.
Kemal Ataturk foi um ditador, que transformou a Turquia num estado laico. Por quanto tempo ainda o será é hoje posto em dúvida.
Mas as leis do Islão foram severamente cerceadas. Proibiu o uso do alfabeto árabe na língua turca, que não pertence às línguas semitas, e passaram a utilizar o alfabeto latino.
A transliteração das palavras ocidentais, dos caracteres árabes, que se escrevem sem vogais, para o latino, causou uma barafunda enorme.
Vemos hoje, nas ruas de Istambul circularem os "taksi", e a portuguesíssima família judia portuguesa Albuquerque, de Istambul, é agora conhecida por todos com Albukreke.

3000 americanos e Baal

(Max Ernst)

As Forças Armada americanas estão à beira de ter 3000 mortos no Iraque além dos 46,880 baixas, entre feridos, em combate e acidente e doentes evacuados. Dos feridos em combate 15,387 + 6,670 (acidente) muitos seriam mortos não fossem os coletes blindados e os tratamentos hospitalares maciços. Isto para aferir da violência dos combates de rua e explosões de engenhos armadilhados. Por outras palavras. Os Americanos não podem ganhar. Só estão en Bagda para defender a Zona Verde.
Estão a fazer e fizeram muito mal a todo o Ocidente e, pela enésima vez na história moderna, serviram ao mundo a potência tecnológica e material inventada pela Europa mas esqueceram a potência espiritual que cá também nasceu. O Novo Ano vai-lhes ser ainda mais pesado. O culto de Baal-Bush não perdoa.

26.12.06

Amarrados:


«Atentemos rapidamente na pirâmide kafkiana em que se (des)equilibra a política de ordenamento portuguesa para percebermos a natureza da teia burocrática em que o país está enredado. (...) Desde o Programa Nacional de Política de Ordenamento do Território (PNOT) aos planos sectoriais com incidência territorial (PSIT) e planos especiais de ordenamento do território (PEOT), passando pelos planos regionais (PROT) e terminando nos planos intermunicipais (PIOT) e planos municipais de ordenamento do território (PMOT), que, por sua vez, compreendem os planos directos municipais (PDM), os planos de urbanização (PU) e os planos de pormenor (PP), o emaranhado de orientações é tão labiríntico quanto inoperante. »
(Nuno Sousa, Público)

25.12.06

Votos de Natal, por Pedro Cem


Que este Natal seja isso mesmo, um ponto no horizonte. Como o do arqueiro Zen, como o Cabo da Boa Esperança, do marinheiro desesperado. E como tantas outras coisas. Nem Jesus nasceu no Natal, nem o solestício de Inverno comanda um Povo que nem tem Destino, nem carta astral. Bom Natal aos que sofreram intimamente tentando comprar uma prendita, com orçamento precário e ,ainda assim, ficaram mal com a consciência. Os que se sentiram mal ao ver os mendigos, mesmo que profissionais, na Baixa e os que se desalentaram com as notícias das inundações na Indonésia e com mais uma bomba em Baghdad, ou uma guerra novinha em folha entre a Etiópia e a Somália. Bom Natal ao Mendo, valente Mendo, piloto deste vôo nocturno pela tempestade, ao Misantropo Enjaulado, que mesmo que não escrevesse Posts tão úteis e bons, só pelo nome dava um estaladão neste Mundo; ao Sobre o Tempo que Passa, escritor bem livre; ao Boca de Incêndio, da Guarda da nossa Terra; ao Bar Velho, dum Estudante que se não calou; ao Manchas do meu amigo Mourão, sempre simples e sensível; ao Sesimbra e Ventos do António e do Pedro, que me dão saudades e a tantos outros que fazem esta "Democracia digital", em que fico contente, ignorante que sou, com a palavra democracia. Vá lá, ouçam mais uma vez o "Last Christmas" do George Michael, esse bom cantor, apesar de tudo, que escreveu o "Like Jesus to a Child", embora a canção de Natal, vos possa ja invocar um Amor impossível ou até a Empregada da Tabacaria. Natal de contradição, de provação, de aturar às vezes pessoas que não o merecem, e ainda sair mal agradecido, ficar bloqueado no aeroporto, ou no combóio, fazer figura de parvo como num quadro de Edward Hopper, por essas ruas vazias.
Acho que Jesus teve hoje um bom presente e não podia James Brown morrer senão no dia de Natal; James Brown, esse menino pobre da Bronx, que ficou sempre pobre, apesar do dinheiro que tinha e que tentava dedicar, nos tempos de sorte, à gente da sua condição como um exemplo de fazerem alguma coisa boa na vida, a qual ele dificilmente conseguia endireitar. Decerto que ninguém dançava como ele, dançando sózinho como o pobre bêbedo que converteu Santo Agostinho, ninguém dançava como ele e foi certamente o que este Rei Mago, Belchior, deu na sua última romagem ao Deus-menino.
Isso mesmo. Sing Loud, I have a Soul and I'm proud.
E se não acreditas que tenho uma alma, olha bem para os meus pés.
Tenho a certeza que num quadrante do céu -- para quem quiser ver -- estarão em exibição contínua, para sempre, os filmes dos irmãos Marx e os musicais de Kelly e Astaire, os filmes todos do Tótó e, a partir de hoje, os concêrtos todos do James Brown.

O assalto da propaganda republicana , por Luís Aguiar Santos


Um dos grandes e mais repetidos equívocos que há sobre o significado e as consequências da propaganda republicana em Portugal (1860-1910) é que esta teria atacado essencialmente a monarquia, querendo preservar grande parte do edifício liberal. Ora, a propaganda republicana fez-se contra todas as instituições do regime: a monarquia, as Cortes (não só a Câmara dos Pares), o sistema judicial, a Universidade, a Igreja estabelecida, etc. As Cortes e, em particular, a Câmara dos Deputados, eram a instituição mais visada pela imprensa republicana, que tudo fez para as desacreditar junto da opinião pública, criando uma percepção generalizada da política parlamentar e dos seus naturais conflitos como uma "nojice" e um "escândalo sedicioso" que impedia a unidade nacional. Essa atitude era necessária para menorizar a ampla liberdade política que se vivia no País, incompatível com a suposta necessidade de uma revolução republicana para a conquistar.

É isso que explica que, após 1910, as primeiras eleições realizadas pela I República (em 1911) tenham sido o que de mais parecido houve antes de Salazar com umas eleições de partido único: os candidatos eram todos republicanos e uns poucos de socialistas foram convidados a participar. Depois, o partido republicano partiu-se em facções, para grande pena dos saudosos do tempo da propaganda, e criou-se uma ilusão de pluripartidarismo semelhante ao que existia antes de 1910. Nesse cadinho de desiludidos da "unidade republicana" se forjou a esperança numa União Nacional que "varresse" os partidos, como o 28 de Maio de 1926 (todo feito por republicanos), veio a permitir. Os republicanos, afinal, quando lhes coube moldar o País à imagem das suas ilusões, montaram a caricatura que construíram para denegrir a monarquia constitucional e o seu parlamento. Ironias da história.

24.12.06

O roteiro da paz de Bento XVI

http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia.asp?noticiaid=40555


No cerne da sua mensagem do Dia Mundial da Paz de 1 de Janeiro DE 2007, sobre os grandes temas da actualidade, o Papa Bento XVI colocou a Pessoa humana, coração da paz. Com esse tema como centro da meditação introduz o apelo das Escrituras num verdadeiro "roteiro da paz" que orienta áreas como o direito à vida e à liberdade religiosa, a igualdade de natureza de todas as pessoas, a "ecologia da paz", o papel dos Direitos humanos e Organizações internacionais, o Direito internacional humanitário, o direito interno dos Estados e o papel da Igreja em defesa da pessoa humana
Afastado dos conservadores que há uma década nos explicavam o "fim-da-história" e que agora insistem no "choque de civilizações" como "o sentido da história", Bento XVI introduz "sentido na história" através das Escrituras. Os problemas e as crises fundamentais da actualidade envolvem muito mais do que "atrasos" na adaptação da consciência humana a novas situações - o que poderia ser resolvido tant bien que mal por "novas moralidades" e "novas cidadanias". O problema é que a auto-interpretação do homem actual tem que ser libertada das enormes expectativas imanentistas que criam a insatisfação com a ordem instalada mas que renegam a " gramática" do direito natural.
Perante estas expectativas imanentistas, Bento XVI introduz a esperança de que a paz seja (2)"um dom e uma missão", a "criação de um universo ordenado" e a "redenção da história humana".(3) Existe uma "gramática" escrita no coração do homem pelo seu divino Criador com as normas do direito natural. O reconhecimento e o respeito pela lei natural são a base para o diálogo entre os crentes das diversas religiões e os não crentes. (4). O dever de respeitar a dignidade de cada ser humano, em cuja natureza se reflecte a imagem do Criador, tem como consequência que não se possa dispor da pessoa arbitrariamente, cabendo denunciar os atentados contra (5) as vítimas dos conflitos, do terrorismo e das formas de violência, provocadas pela fome, pelo aborto e pela eutanásia. São de denunciar (6) as desigualdades no acesso a bens essenciais, como a comida, a água, a casa, a saúde; e, por outro lado, as contínuas desigualdades entre homem e mulher no exercício dos direitos humanos fundamentais. (7). São inadmissíveis a exploração de mulheres tratadas como objectos e as numerosas formas de falta de respeito pela sua dignidade; (8). A experiência demonstra que toda a atitude de desprezo pelo ambiente provoca danos à convivência humana, e vice-versa. (9). A destruição do ambiente, e a apropriação violenta dos recursos da terra geram conflitos e guerras. (10). São inadmissíveis as concepções antropológicas que pregam a guerra em nome de Deus. (11). São inadmissíveis também "pela indiferença face àquilo que constitui a verdadeira natureza do homem. (12). É ineficaz que os direitos humanos sejam propostos como absolutos, mas com um fundamento apenas relativo. Como disse o mahatma Gandhi: "O Gange dos direitos desce do Himalaia dos deveres" (13). A Declaração Universal de 1948 é um compromisso moral assumido por toda a humanidade que fortalece a autoridade dos Organismos internacionais para defenderem os direitos fundamentais da pessoa e dos povos. (14). O direito internacional humanitário, e os instrumentos de segurança nacional devem combater a "praga do terrorismo". (15). A vontade de alguns Estados de possuírem armas nucleares deve ser contrariada por acordos internacionais que visem a não proliferação, e pelo esforço de procurar a definitiva abolição.
Este grandioso roteiro da paz do Papa Bento XVI demarca-se claramente das visões optimistas de que estamos numa década de expansão da democracia, da economia de mercado e das tentativas de paz pelo direito. Também não alimenta o pessimismo dos que referem a permanência de guerras não declaradas, genocídios, pobreza continuada, novos fundamentalismos, degradação ambiental, desemprego e esvaziamento do significado do trabalho, e doenças sociais como o SIDA e o consumo das drogas. Conforme os ensinamentos das Cartas Encíclicas Popu-lorum progressio e Sollicitudo rei socialis, proclama um humanismo integral com que a Igreja defende a transcendência da pessoa humana e com que dá continuidade ao diálogo ecuménico com outras religiões.
Mendo Castro Henriques
Dossier | Mendo Castro Henriques| 19/12/2006 | 13:04 | 4360 Caracteres | 181 | Dia Mundial da Paz

21.12.06

Carta do Canadá, por Fernanda Leitão

BOAS NOTÍCIAS NÃO SÃO NOTÍCIA

Sabemos que o mundo vai mal e está perigoso a ponto de nos deixar atemorizados, porque a comunicação social, um pouco por toda a terra, nos relata diariamente a maldade humana na sua prodigiosa criatividade. No entanto, quando abrimos o jornal ou ligamos a TV ou a rádio, temos sempre esperança de encontrar o oásis de uma boa notícia. Pura ilusão. A literatura efémera que é a imprensa, é feita por homens e mulheres, eles próprios temerosos, obsecados pela realização do que julgam ser um esconjuro.É claro que o mal é contagioso, mas não é menos certo que o bem também o é. Por essa razão todos precisamos de pais e educadores que nos formem pelo exemplo, de governantes e oposições que se imponham ao nosso respeito pela boa conduta, de sacerdotes que nos guiem pela sua prática despojada e luminosa. Relatar o que é bom, creio, trará a luz onde há só há sombra mediática.
Por tudo isto e porque estamos no Natal, a poucos dias da celebração do nascimento de quem deu sangue e vida pelos trastes que nós somos, tomo a liberdade de deixar no vosso sapatinho um apontamento bonito.O caso passou-se no Canadá, um país onde o livre mercado e o capitalismo existem e dominam, algumas vezes descambando em selvajaria. Só podem ter sido selvagens os que lançaram amigos meus ao desemprego, ao fim de 20 e muitos anos de leal serviço na mesma empresa, através de uma seca mensagem electrónica que os infelizes encontraram ao abrir o computador, como faziam todas as manhãs mal entravam nos escritórios.
Mariana era uma funcionária altamente qualificada de uma multinacional. Tinha aquilo que se chama de um lugarão, bem pago, com muitas viagens e mordomias várias. Viu reconhecido o seu talento, inteligência e preparação adquirida num bem sucedido curso universitário. Este ano foi nomeada directora dos recursos humanos da empresa, o que a deixou encantada na presunção de poder contribuir para melhores condições de todos os funcionários. Poucas semanas depois, ficou diante da armadilha: a administração encarregava-a de despedir uns centos de empregados, sacrificados no altar da famosa reestruturação empresarial, essa que, muitas vezes, não passa de substituir homens por máquinas, numa prova descarada de estar o homem ao serviço da economia e não esta ao serviço do homem, como manda a moral e o bom senso. Mariana, com o coração partido, procurou obedecer à ordem sem fazer muito sangue, isto é, escolhendo os funcionários que podiam saír com reforma ou os muito jovens que facilmente podiam arranjar trabalho noutro lado.Mas o compressor do capitalismo ganancioso tratou de a apertar cada vez mais. Até ao dia em que exigiu o despedimento de uma secretária de meia idade, competentíssima, alinhadíssima, a braços com uma situação conjugal grave que a obrigava a ser pai e mãe ao mesmo tempo.
Foi nessa altura que aconteceu o que é uma boa notícia. Mariana apresentou-se ao presidente da multinacional e tratou de lhe propor o seu próprio despedimento em troca do despedimento daquela mulher numa idade que não proporciona um emprego encontrado facilmente. O presidente ficou assombrado, mas Mariana não se poupou a argumentos até conseguir o seu objectivo.Saíu de cabeça levantada e coração leve. Não vai sentir remorsos na celebração da consoada. Depois das festas, passadas com o o marido e o seu primeiro filho, irá procurar outro trabalho.
Já agora, aqui vai o resto da boa notícia: Mariana é portuguesa, casada com um português. Não se considera uma intelectual vanguardista ou a Madre Teresa de Calcutá. É, apenas, uma pessoa de bem e de coragem. Um bom exemplo.
Desejo-lhe um Santo Natal, leitor.

19.12.06

Natal 2006, pelo Padre Mario de Oliveira

O DUAS CIDADES GOSTOU DESTES VOTOS QUE CIRCULAM NA NET. NÃO CONCORDA COM TUDO MAS GOSTA QUE HAJA SACERDOTES CUJO OBJECTIVO NA VIDA NÃO É SEREM BISPOS: O CORAÇÂO TEM RAZÔES QUE A RAZÂO DESCONHECE

É este o meu voto teológico de Natal 2006:
Mário, presbítero da Igreja do Porto.

1. Confesso que estou cansado do natal que o Templo e o Império em uníssono insistem em impor todos os anos às pessoas e aos povos em todo o mundo. Já não suporto mais estes natais. Enojam-me. Dão-me vómitos. São hipocrisia a rodos. São mentira que nos oprime e aliena. São natais que nos roubam a alma, a identidade, os afectos, a ternura, o tempo. São natais que nos exploram até ao osso. Inclusive, o pouco dinheiro que ainda conseguimos ganhar com o suor do próprio rosto é-nos extorquido nestes dias com requintes de fina selvajaria pelas blasfemas catedrais de consumo, plantadas em espaçosos e feéricos centros comerciais sem um pingo de humanidade, todos a abarrotar de coisas, a maior parte delas inúteis que compulsivamente adquirimos e carregamos para casa, como uma cruz sem redenção, numa desesperada e inconsciente tentativa de enchermos os buracos da alma que só afectos desinteressados e tecidos com os fios da Verdade e da Graça poderão preencher sem nos ficarem a pesar ainda mais. Temos fome de asas para voar e empanturram-nos com embrulhos de papéis coloridos e reluzentes fitinhas, para que nunca cheguemos a descobrir que é de Projecto e de Utopia que precisamos para ser/viver. Verdadeiramente, estes natais do Templo e do Império são o nosso pesadelo, a nossa desgraça, o nosso inferno. Ou nos livramos deles, já este ano e para o resto das nossas vidas, a fim de nos tornamos pessoas constitutivamente livres e festivas, humanas e sororais/fraternas, ou acabamos reduzidos, aos quarenta/cinquenta anos de idade, abaixo de embrulho, abandonado num qualquer lar de terceira idade, desses muitos que o actual Governo de José Sócrates, pelos vistos, está empenhado em espalhar por todo o país, como bidões de lixo à espera de Godot!

2. Confesso que já não percebo nada. Há dois mil anos, o Templo e o Império uniram-se para matar/crucificar o Homem Jesus de Nazaré que então os perturbava e enfurecia, devido às suas práticas políticas libertadoramente solidárias e fecundamente insurreccionais a favor das inúmeras vítimas que ambos produziam em nome de Deus, da Lei, da Religião, da Ordem. E não é que hoje, passado todo este tempo, o Templo e o Império continuam unidos, mas agora para nos fazer adorar como um deus mítico esse mesmo Homem Jesus que os dois furiosamente mataram/crucificaram? O facto, só por si, diz bem do Perverso que são o Templo e o Império e que nós, na ingenuidade e na superficialidade do nosso viver quotidiano, teimamos em reverenciar, na pessoa dos seus poderosos chefes, ao mesmo tempo que acatamos e cumprimos todos os seus decretos, como ordens do próprio Deus. Seremos assim tão cegos, que não vemos toda a marosca que a encenação democrática, em que nos obrigam a viver, habilmente esconde e que, hoje, o Templo e o Império juntos querem impor a todo o custo a todos os povos da terra, nem que seja à custa de criminosas e hediondas guerras como a que continua presentemente em curso no Iraque? Será que já nem com o coração conseguimos ver? E se nem com o coração vemos, ainda somos humanos?

3. Com as coisas neste pé, eis o meu voto teológico de Natal 2006, em cinco alíneas: a) temos, como Humanidade, de resgatar Jesus, o de Nazaré, das garras mentirosas e assassinas do Templo e do Império; b) temos que aprofundar, com a inteligência e o coração porque é que o Templo e o Império juntos tiveram tanta necessidade de matar Jesus e daquela maneira; c) temos que aprofundar porque é que o Templo e o Império correram depois a fazer de Jesus um mítico deus que os seus sacerdotes e teólogos obrigam todos os anos a nascer e a morrer; d) veremos então erguer-se diante da nossa consciência o Homem Jesus em toda a sua originalidade e singularidade, assim como a sua Causa política, a única que, se for acolhida e praticada pelos povos, humanizará/salvará os seres humanos e a própria Natureza, nossa Casa comum; e) começaremos de imediato a ser mulheres, homens ao jeito do Homem Jesus e, em comunhão com o seu Espírito, prosseguimos a sua Causa política entre as vítimas do Templo e do Império, e com elas. Até que Deus, o de Jesus, nos ressuscite/dê razão, como ressuscitou/deu razão a Jesus!
Fiquem com a minha Paz e o meu Afecto.
Pe. Mário de Oliveira, presbítero da Igreja do Porto.

18.12.06

Democracy, by Alain de Benoist

Do meu colega no WAIS, Alain de Benoist, envio a seguinte mensagem:
Which nation today is the most democratic and why?

The answer to this question depends of courseon what is meant by “democracy”.Democracy is a regime where political legitimacy depends on popular sovereignty. Sovereignty is something else than consent. The consent of the governed is not sufficient to make it a democracy. In a democracy, people decide by themselves as much as is possible. And the people decideas a people (peuple in French, Volk in German, popolo in Italian), as a whole body producing a general will, not as a simple collection of individuals. Representative democracy is a mix of democracy and liberalism. The principle of representation is a liberal one. It is not without reason that Max Weber said that what is the most liberal in a democracy is also what is the least democratic. Rousseau wrote that, in a representative democracy, the people are sovereign just one day (the day of the vote), while the representatives are sovereign the rest of thetime.Because it is a regime of popular sovereignty, democracy is also a regime which allows all the citizens to be involved in public life, which maximizes the possibility of political participation. For the Greeks, this participation was essential, because the public sphere (governed bypolitics) was the realm of liberty, while private sphere (governed by economy) was the realm of necessity. To be free meant to be able to participate in public life, not the possibility to escape from it. This is exactly the contrary of liberal ideology, which sees political power as a constant threat and the private sphere, so-called civil society, as the place of liberty (and commercial activities) par excellence. However, the principle of democracy is not liberty, but equality--not equality of natural abilities, but political equality, which means that all citizens are equally citizens, holders of the same political abilities. The concept of citizen cannot be understood without its contrary: the non-citizen. “One citizen, one vote” is a democratic rule;“one man, one vote” is not. But democracy cannot be reduced to the vote, which is only a technical means to check the agreement of views between the governed and the governants. Democracy is even less reducible to thei deology of human rights. A decision which contradicts the ideology of human rights can be taken democratically. It will be accepted by the partisans of democracy, but rejected by the partisans of human rights. The prevailing model of democracy is today the liberal model of representative and parliamentary democracy. This model is in crisis in most of the Western countries, where people vote less and less, because they feel that their representatives do not represent them anymore, and they therefore return more and more to the private sphere. This crisis of representation, whose results are the slow transformation of democracy into an oligarchy of the New Class, has not yet been resolved seriously. A democratic place is a place where there is real sovereignty of the people, real control of the governants by the people, the real possibility for the people to decide by themselves about what concerns them. That means participative democracy. The more participation, the more democracy.

17.12.06

A boa escolha de Nuno Rogeiro, por Pedro Cem

Nuno Rogeiro foi à Conferência sobre o Holocausto no Irão, com a intenção de fazer a sua apresentação "Holograms of Holocausts". Antes de ir, figura pública como é, telefonou a outra figura pública, Esther Mucznick, que lhe sublinhou o contexto perverso da Conferência. À última da hora -- sabendo que o líder da Klu Klux Klan estava na sala -- recusou-se finalmente a fazer a Conferência, tendo descrito a atitude como uma das difíceis da sua vida, na qual pensou em toda a sua família. Acredito nisto tudo.
Acredito também que Nuno Rogeiro fez um enorme disparate em ter-se deslocado ao Irão para participar na Conferência.
Não conheço o texto. Mas perdeu o contexto e tornou-se um pretexto.
Se Nuno Rogeiro andou a ler Roger Penrose e achou graça à parábola do holograma para descrever aquilo que Sloterdjik chama inflação e, no Portugal pós-pós-moderno ( um Portugal do Carrilho) se chama "bôlha" é porque anda fã da Ciência Popular. Como esta está tão perto, na sua querida América, da ficção, como a vulgata marxista estava, na antiga URSS, Rogeiro pôde pensar que é a componente cultural e psíquica que fazem os acontecimentos parecerem aquilo que não são e tornarem-se as parábolas em factos.
Mas Nuno Rogeiro conseguiu fazer como Gérard Phillippe no papel de Fausto em " La Beauté du Diable", filme dos anos trinta, em que Fausto se vê no espelho do Futuro e não beija a Raínha adúltera.
O problema é que, no mundo quântico e homossexual em que vivemos, futuro e passado são a mesma coisa. Rogeiro só pode exercer a liberdade com que nos armamos aos cucos, num imenso Presente sem sombra, amputando-se. Assim o teve que fazer, ao aperceber-se da Conferência fantoche, num país que não é tão pouco livre como se pensa e a quem certos livres, que não são tão livres como pensam, querem fazer muito mal.
Foi melhor que nada, mas a auto-mutilação não faz um mártir.
Para a próxima vez, de tanta presunção mostre Rogeiro mais humildade e pense naquilo que o malogrado bôbo da Corte, lhe chamou, num momento de inspiração: Nuno Ligeiro.

12.12.06

A beggar told me, by Globetrotter

1 - Liberty, Dignity, Mercy.
2 - People suffer with no words, because of a look, because of a scent, because of a wind. Praying every day means to rebuild a human bridge above all these things.
3 - Structuralism was the manipulation of those who acceeded to speak. Public sphere was sending them to the arena. Bureaucracy was the nightmare of confronting them with the fact that body language was stronger than the verbal one. And finally, post-modernism: so many amusements and happinesses, just to keep Agression intact.
4 - Moral law in me, starry sky above. It takes two poles: a lonely monologue is the Universe.
5 - Existence is only History ans History is mostly slavery.
6 - God is a blow of wind over the lawn of things.
7 - Always forgive and give away in this valley of tears. The ether betwwen things, the fluid with an impulsion force to make them surface, is patience.
8 - Everytime you win, lose a little bit, not to smash the others. Everytime you lose, win a litle bit not to let the others fall upwards, emboldened. Be the Moon of the Sun and the Sun of the Moon, so as to hold the roof of the Universe.
9 - Do we really return to the same place? Yes, we do, but with bits of our freedom eroded, just because we have to go to some place. The place may be different but that's the way we go, which makes it seem the same.
10 - Agression is born from Ignorance. And repetition it's its midwife.
11 - Koffi Annan, the wise ghanese said: capitalism is an ugly portrait of the world, so that the world may mirror itself as ugly. Every nation, either little or big, is a possibility of mankind: it's the bee inside which designs the perfect shape of the honeycomb, not any queen bee.
12 - The americans never speak of the qualities of being iranian. Because a rogue-state is even better than a national state.
13 - Both in Iraq and in Iran people has showed what it wanted, as Democracy requires. So, neither Democracy nor the will of the People is the basis for Peace.
14 - The best way of surviving is navigating the waves with no fixed helm. Better than revolutionary new laws, it's following old faiths.
15 - Longing for some old beauty, is a way of cure.

11.12.06

Tango chileno, por Pedro Cem

Pinochet morreu. Jaz deposto no caixão. Augusto. De bigode francês, que não era prussiano.
3000 ou mais jazem sem caixão, alguns no fundo do mar, alguns tirados aos pais como se os pais não vivessem neles, outros até na Presidência da República com um corte para sempre, por dentro, porque uma mulher pode sentar-se na marquesa, mas se senta na cadeira de tortura foi porque o torturador infringiu uma lei demasiado antiga. Não sei se, com isto, se evitaram 30.000 mortos numa guerra civil que dificilmente aconteceria num Chile sob a tutela dos EUA e este raciocínio não me serve para atropelar um gato, na estrada, mesmo se estou com pressa: ninguém pode ser perdoado por ter morto, em nome dos que morreriam ou não. Teria de ser perdoado pelo que pensou mas tudo se passa, então, no coração de um só. A América Latina lá ficou vermelha de uma ponta à outra. Ser pobre não é bom negócio para ninguém e fazer os outros muito pobres é muito mau negócio.
Os ossos de S.Paulo, o epiléptico, parece que foram descobertos numas escavações em Roma. De tal modo que posso imaginá-los chocalhando sobre o tampo de uma mesa de madeira, para serem etiquetados. Deve faltar uma vértebra na coluna, aquela que fez os seus irmãos, os Romanos, depositarem ternamente a sua cabecita apaixonada, ao lado dos seus braços cansados de gesticular. S. Paulo disse que no fim, nem um único cabelo nosso se perderia, ele que era calvo. Somados todos, não passamos de um ribeiro na história geológica da terra.
E Jesus, o rabi, juntou as cabeças de Pedro e Tiago à sua, uma crêspa, outra suave e disse que nunca nos abandonará até ao fim dos tempos.
Pobres tolos os que festejam a morte de Pinochet. Pobre tolos os que lhe tocam no caixão como se fosse um herói. A morte de Pinochet não ressuscita as vítimas, a madeira do seu caixão é apenas madeira, humilde madeira.
Um homem desesperado -certamente patético - bate com as mãos no peito e num caixão, alternadamente, enquanto uma camião os leva a ambos, sob o sol, para longe daquele lugar de filmagens em Bagdhad. Um palestiniano afaga o cabelo de um menino que vai a enterrar, o cabelo está tão sedoso que o menino parece ainda vivo. Uma Democracia respira sangue, outra constitui-se no sangue, só porque, num lado as pessoas votaram livremente e quiseram, mas agora querem mais que a liberdade de expressão e, no outro, as pessoas votaram livremente e quiseram, mas desejam muito menos que a liberdade de expressão. Afinal quem vai dentro do caixão e aquele menino quiseram aquilo mas alguém pensou nos seus íntimos desejos, perguntou a si próprio o que o marinheiro daquele caixão e o menino, desejavam no fundo?
Tenho na mente a imagem da mãe de Beslan acariciando os seus dois filhitos mortos, deitados lado a lado. Vejo-a inclinar-se como se rezasse a Alá mas a sua cabeça não chega a levantar-se, tão funda é a sua desolação. E vejo Bassayev, sem um pé e sem Seguro de Vida que ninguém lho vende, combatendo ainda nos bosques de fantasmas.
Que fazer com todos estes mortos...será que vamos todos a algum outro lado, que não seja a Morte?
Aprendam tango. É algo sublime. Dançar bem tango é melhor para o homem e a mulher que o conseguem, do que aquilo que podia suceder entre eles. O bom dançarino de tango, já caminha em forma de tango antes de arranjar um par e, por mais extraordinário que for a dança que arranjou, e por mais belo e válido que for o seu par, terminará apenas, caminhando em forma de tango...

Israel e/ou Palestina?

"To Israel, with hate--and guilt. Why Europe, unlike America, finds it so hard to love Israel " (The Economist, 8/19/06) summarizes Pew Global Attitudes Reports. Americans are very pro-Israel, with nearly 50% supporting Israel and only15% the Palestinians. Germany is the most pro-Israel country in Europe, 38% to 18%. The French are equally divided at 38 %. Britain has a slight tilt toward the Palestinians, 22% to 28%, Spain is very pro-Palestinian (8% to 30%) and Turkey even more so, 4% to 62%.

10.12.06

"Santa Liberdade"

En 1961, un grupo de galegos e portugueses toma por asalto o trasatlántico portugués Santa María- rebautizado co nome de SANTA LIBERDADE , que con máis de mil pasaxeiros a bordo, a maioría galegos, dirixíase dende Venezuela ó porto de Vigo. Baixo as ordes de Humberto Delgado e Henrique Galvaoe Xosé Velo, Xurxo Fernández de Soutomaior, o comando do DRIL- Directorio Revolucionario Ibérico de Liberación- quería chamar a atención sobre as Dictaduras de Franco e Salazar.Entrada en Recife.jpg O 27 de xaneiro de 1961 o presidente Kennedy informa de que o barco foi localizado ó norte da desembocadura do río Amazonas, de que non deu ordes de abordaxe e que a VI Flota ten como misión acompañar ó trasatlántico. O SANTA LIBERDADE entra en Recife despois de que Jánio Quadros, recén nomeado presidente do Brasil, conceda o dereito de asilo e deixa libres ós militares. A prensa española destaca a confabulación masónica. A portuguesa fala de complot internacional e de acto de piratería.


Tres dos membros do comando volven a atoparse por primeira vez para ser as personaxes centrais da película.

Cartel da película

O Santa María durante o secuestroA directora Margarita Ledo Andión, Catedrática de Comunicación Audiovisual na Universidade de Compostela recupera documentos gráficos da época e incorpora as únicas imaxes filmadas a bordo. Realizounas Luís Noya, un pasaxeiro da Guarda que estará en Goián para recordar como viviu a “Operación Dulcinea” o nome desta sorte de utopía que durante trece días protagonizan 24 anti-fascistas baixo as siglas DRIL.


Para os que se admiram que...

Para os que se admiram dos actos e palavras de Bento XVI na Turquia, é bom lembrar o que ele lembrou no discurso de Ankara: "Faço aqui minhas as palavras do meu imediato Predecessor, o Papa João Paulo II de venerada memória, o qual disse, por ocasião da sua visita em 1979: "Pergunto-me se não é urgente, precisamente hoje, momento em que os cristãos e os muçulmanos entraram num novo período da história, reconhecer e desenvolver os vínculos espirituais que nos unem, a fim de promover e defender juntos os valores morais, a paz e a liberdade" (À comunidade católica de Ankara, 29 de Novembro de 1979, 3).

8.12.06

Tropa manifestante, do Combustões

Tropa manifestante, CITADO do Combustões

"Tenho e sempre o mantive, não obstante as ter servido durante cinco anos, um grande respeito pelas Forças Armadas. Sei separar a tropa fandanga, a tropa do emprego, a tropa alternativa ao seminário fuga-da-fome, a tropa das 8 às 17.30 horas e a tropa da messe às Forças Armadas de Portugal. Sei, igualmente, separar a tropa dragonada das casas da linha de Cascais e a tropa das divisas sargentais da linha de Sintra - a tropa dos golpes por acicate remuneratório, a tropa de cabeleira e barbas guevaristas, a tropa dos SUV's e das campanhas de dinamização - dessa instituição herdeira de tradições gloriosas que se bateu sempre com galhardia e honra por Portugal.
As Forças Armadas não são só um emprego, um ordenado, uma reforma, mais assistência médica, acesso à Manutenção Militar e ao Lar de Runa. As Forças Armadas não são só um ajuntamento hierarquizado de cidadãos fardados submetidos ao Regulamento de Disciplina Militar, nem os quartéis, os paióis, os blindados, as botas, as mochilas, os helicópteros e as fragatas. Grande parte do descontentamento que por aí vai tem a ver, precisamente, com essa "civilização" protestatária da alma castrense. Os militares não podem ser sindicalistas, políticos ou cidadãos como os outros. Deveriam ser, por maioria de razão, os mais disponíveis entre os Portugueses, pois o seu juramento - tremendo juramento - implica aquilo que a mais ninguém se pede: dar a vida pela pátria e servi-la até ao último alento.

É evidente que estão desfalcadas de meios operacionais, que os tanques são uma lástima, os fardamentos dignos de piedade, as reservas de combustível e munições pouco mais que ridículos. O poder político tem muita culpa, a começar pela indigna subordinação que impõe através de ministros que jamais envergaram uma farda, desconhecem os códigos de conduta e essa brilhante cultura de amizade, camaradagem e bom ambiente humano que vigora nas Forças Armadas, tão diferente da invejazinha, da pequena maldade intriguista e difamatória que pulula na sociedade portuguesa.

Tenho para mim que a reforma das Forças Armadas começaria com a nomeação de um ministro militar para a pasta da Defesa, pela auscultação permanente do saber e ponderação dos oficiais e sargentos para assuntos que digam respeito à comunidade militar. Contudo, não são passeatas pela baixa, para mais à paisana - um militar à paisana é sempre uma fraca figura - que resolverão o que quer que seja."

6.12.06

Jesus' clown, by Globetrotter

to Ezra Pound, the breeze whistle in the ragged black flag,
whom noboby ever managed to make insane


Jesus, I am a clown
I came to try to entertain you in a square
Where you passed by.
I'm a poor, sad clown,
Who failed in everything,
And even when I tried to calm down, not to kill myself,
My bosom began to ruin.

Everything is so serious and grave,
So grave and solemn,
Justice, Reason, Respect,
That I forgot how to sing.
But you have mercy on me,
Me, who never did it, nor even as clown,
Despite being here, to amuse you.
As the countryboys of my own,
Who throw everything away
And go whistling through the fields
After they were told what to do:
"You´ll never be anything
That´s not the way to do it"
And when they stumble, not even drunk
Because they do not know how to drink, neither
How to make love...
They whistle in disaccord
With a twisted mouth
Over a hurl raising from the entrails,
As a gust of blood to the air.
There they go, banned from the village,
Turning their back on their back,
Stumbling on the ridges
And raising the bullshit in whirls,
Which falls on their faces again,
Finally reversing them to the ground, with tears and dew
Half-drowning them
In the brooks,
Which mouth into their laughter and tears.

I won't make you laugh Jesus
'Cause you're in haste.
I only wanted to amuse you,
Relieve you from that fatal Destiny,
Since I think you´re God
And I didn´t want to pass on Earth
Without washing your feet
With the wigh of my pantomines.
I look into my open-ended pockets,
And i find no gift to offer.
Please get me rid
Of Seriousness, Gravity and competence,
Dry as expensive whores .

I know you came for us,
The dumb and the lame,
The blind and the catapletic,
The queer who, at least,
Die in their equal's arms
In tenderness and human touch.
You came for the pathetic entertainers,
Out of time and fashion
Who still try to raise their audiences of three or four.
The imitations of Elvis
The James Dean's of saturday night,
On the wrong lane
Of an obscure highway.

Jesus, look to my pantomine,
Look to my appalling pantomine.
As the Publican, I do not even have a tree to climb.
On the ground dust I crawl to you,
The dust of Ezra Pound,
Made of Seas and Horses,
Of Statues and ruins,
Of boats and facades,
Of Atlantics and indigo Hopes
Of bosoms open to the starry sky.

As this massive, rough men, in front of me,
Arguing democracy in the Inn,
Which will never take them as customers.

Blessed be Love for the others,
The Love of Francis, humble and tiny,
Voiceless and invisible.

Forgive this cheap swindler,
This jester in a fair,
By means of which I try to swindle your senses
Just to relieve Pain, and Hurt and Panick,
Over this square you cross in haste.

If you want I can dance, and you dance too.
Oh, let it be,
I dance for you,
As a scarecrow
Colourfol in the wind,
With sparrow's nests behind its straw hears,
I shiver and rattle.

In the field of losers, I preside ragged,
Out of the dew I make diamonds and rubis
Which roll down from the universe,
And turn into butterflies
Flying to the stars above.

The stars which are the grains of sand
Under your feet
Over this square
Where you pass in haste.

I jump as the clown of times
And my offer to your feet
As flowers of a late garden,
Was careless laughter.

5.12.06

Ezra Pound

ezraSaudando o Diogo Chiuso, abro hoje aqui uma nova frente bloguítica: as minhas leituras literárias. Creio, primeiro, que a melhor homenagem a escritores é lembrarmo-nos de cor, de coração, dos seus trechos e poemas, sem notas de rodapé nem consultas. Se fosse ao vivo, pediria para declamar; na net não tem senão como ser breve na evocação e pedir ao google que nos mostre as obras completas.
Começarei por falar de Ezra Pound por nenhum outro motivo que não seja ter sido o primeiro nome que me veio à mente. Não o li muito, não li cedo, não li sequer no original. Mas li há uns trinta anos o suficiente dos Cantos, para perceber que esse Ezra era um trovador de génio. Li o suficiente da biografia de ele para perceber que tinha muito de louco, o que até condiz com os elogios a Mussolini que iniciou em pleno 1940 e ser passeado em gaiola de ferro, quando preso em 1945 e depois internado durante doze anos. Ezra Pound não cabe em nenhuma posição política dos manuais de relações de ciência política e de relações internacionais, ele que até escreveu muito antes de Bloom sobre a decadência do espírito americano. Mas tem o seu lugar nos cumes nebulosos da metafísica e da poesia e da pintura e do cinema que são habitados por individuos como Borges, Pessoa, Santayana, Chirico Kubrick, e outros, e de que têm medo os zoilos que hoje recebem prémios Nobel e Óscares.
Afinal de que me recordo em Ezra Pound? De uma atitude como a Odisseia. O mais importante está para trás; mas agora é preciso partir para muito longe, uns dizem que para regressar a casa, outros que é para morrer no caminho. Na verdade, não se sabe o destino mas tudo e todos são símbolos que têm de ser lidos e cantados porque senão a viagem não tem sentido nenhum e seremos ainda mais infelizes. Donde os Cantos, a oração dos ateus. Lembro-me do seu Canto sobre Sordello; só há um Sordello que não é o hamletiano fabricado por Browning mas sim o inebriado de vida. Lembro-me do navio afundado de quilha partida e engrinaldado de algas e que lá ficou no fundo do mar como símbolo das nossas esperanças que eram tão bonitas e tão frágeis, afinal. E lembro-me de uma enorme cultura cheia de símbolos que abraça todo o mundo, desde os ritmos chineses de Koung Fou Tseu aos anagramas de Lao Tsé, passando por egípcios, gregos, muitos gregos e romanos da bela Itália e medievais e renascentistas; precisa de dizer que a única luta séria da alma é pelo tempo e pela história, deixando a luta pelo espaço para o corpo.
Pelo caminho, no meio da viagem , Ezra Pound perdeu-se com certeza; mas deixou marcos tão subidos e tão profundamente sofridos do seu itinerário pelos ninhos de cucos do século XX que o irei reler agora, saudando o companheiro e negando a infelicidade.