4.2.07
Não é nada comigo, por Pedro Cem
IVG O Referendo Doentio
NOTICIAS
Referendo: «sim» continua à frente, mas a perder terreno
A apenas uma semana do referendo sobre a despenalização do aborto, o «sim» continua à frente, mas a perder terreno para o «não», que já recolhe 43,7% das intenções de voto.
O «não» encontra-se a 7,6 pontos percentuais do «sim», com 51,3%, revela uma sondagem hoje divulgada pelo Correio da Manhã.
De acordo com a sondagem CM/Aximage, realizada entre 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro, a campanha dos defensores do «não» tem sido a mais eficaz, já que no espaço de duas semanas as intenções de voto no «não» subiram 13,9 pontos percentuais, ao passar de 29,8% para 43,7%.
O «sim», por outro lado, desce pela quarta vez consecutiva. Enquanto em Dezembro não deixava margem para dúvidas, ao conquistar 64,1% das intenções de voto, dois meses depois, o «sim» caiu para os 51,3%.
Além de perder adeptos para o «não» e para a abstenção, o «sim» parece não estar a convencer os indecisos. Isto porque mesmo com uma redução de 9,6 pontos percentuais no número de indecisos (cinco%), o «sim» não parou de cair nas intenções de voto.
Aliás, 47,6% dos indecisos revelou que está com tendência para votar mais no «não», contra 26,8% que diz estar mais voltado para o «sim». Mesmo assim, com a distribuição de indecisos, o «sim» manter-se-ia de qualquer forma na liderança dos resultados com 53,3%, enquanto o «não» atingiria os 46,7%.
Enquanto os indecisos são cada vez menos, os abstencionistas não param de aumentar, apesar de defendores do «sim» e do «não» unirem esforços na luta contra a abstenção. Segundo a consulta popular, a abstenção já atinge os 47,7%, uma subida de 2,7 pontos percentuais em relação à sondagem de 19 de Janeiro.
O eleitorado do CDS-PP é o que apresenta a maior percentagem de abstencionistas: 43,3%, enquanto o eleitorado do PS, partido que assumiu uma posição oficial a favor da despenalização e que participa activamente na campanha pelo «sim», surge em segundo lugar, com 30,6%.
Embora a maioria dos católicos praticantes, 57,4%, tencione votar «não» no referendo de 11 de Fevereiro, segundo a sondagem há um largo número que pretende votar «sim»: 35,6%. Os católicos abstencionistas ascendem a 41,9%.
Nas intenções de voto, as mulheres dividem-se entre o «sim» e o «não», sendo aliás a percentagem de abstenção mais elevada nas mulheres (48,1%) do que nos homens (47,2%.
Das mulheres inquiridas, 48,6% afirmou que irá votar «sim» no dia 11 de Fevereiro, enquanto 43,6% vai votar «não». Já para os mais jovens, não há qualquer dúvida: 64,1% dos inquiridos com idades entre os 18 e os 29 anos respondeu que irá votar «sim», contra apenas 35,9% que disse votar «não».
A sondagem da Aximage para o Correio da Manhã foi realizada por telefone numa amostra de 601 recenseados entre os dias 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro de 2007, contando com uma margem de erro máximo de 0,020 pontos.
www.regicidio.org
O site irá publicar actualizações com regularidade, relevantes para o público em geral, mas também para todas as Reais Associações do País.
O Link: www.regicidio.org
Guardem o site nos vossos Favoritos e divulguem-no. Os preparativos para o Centenário começam agora, com um ano the antecedência!
O website deve-se a Luís Guerreiro! PArabéns Luís
3.2.07
Michael Bakunin
Na existência de Michael Bakunin (1814-1876) tornam-se visíveis profundidades de Satanismo e o niilismo que estão cobertos por restos da ordem tradicional e por véus de utopias na vida e obra de outras grandes figuras da crise ocidental. Os Pré-positivistas do século XVIII quiseram destruir as civilizações históricas mas essa vontade à destruição ficou soterrada debaixo do programa de uma civilização utilitária mundial do bem-estar. Comte quis extirpar da civilização ocidental a cristandade e a metafísica; mas a vontade de destruição ficou soterrada debaixo do programa do cientismo e sua expansão mundial. No caso de Bakunin, os andaimes tradicionalistas ou futuristas são consumidos pela paixão de destruição: o passado deve ser destruído até às raízes, e o futuro não deve sequer ser imaginado por homens maculados pelo passado. A destruição é o trabalho de uma geração de sacrifício entre duas idades; os revolucionários só podem destruir; a edificação "de um mundo novo e glorioso em que todas as dissonâncias actuais serão dissolvidas na unidade harmoniosa" fica para os que virão depois de nós. Com Bakunin existência destrutiva do revolucionário aparece desnuda.
2.2.07
Morte ao comum dos Comunismos, por Pedro Cem
Agora foi-nos imposto discutirmos a Vida. Num Mundo que queimámos e secámos, os mesmos que o fizeram impõem-nos agora regras milimétricas para segurar o pouco de frescor que o Mundo tem: a Ecologia. Depois de nos drogarem com tabaco, de exterminarem 60 milhões de boxers chineses que, em 5000 de História, nem imaginavam o que era fumar, podemos ser reduzidos à miséria por ser apanhados a fumar. Arghh! Depois de nos tirarem das nossas terras e dos nossos mares, de nos pôrem a viver numa colmeia humana e darem-nos um carro potente, temos que comprar um carro ainda mais potente e arriscar mais ainda a vida, diariamente, numa corrida de automóveis só para nos podermos alimentar.
Impõem-nos uma discussão sobre o direito à vida. É justo desencadear Guerras civis entre gente de outro sentir, onde morrem milhares só porque entendemos que as Mulheres deles estão oprimidas? É justo levar a Democracia e a Liberdade a outra gente que vê as coisas ao seu modo, desde há milhares de anos, e impô-lo à custa de milhares de mortos? É justo certificar a declaração de um indivíduo adulto que exige que lhe forneçam os meios para morrer? É justo impôr a relação sexual como elemento obrigatório da vida e, depois, relativizar quando começa a idade de ter sexo e de que tipo de sexo se trata?
A vida pode nascer numa proveta. Os cientistas que não se importaram de dotar o Mundo com armas nucleares capazes de destruir várias vezes a Terra, de criar fábricas que fazem desaparecer, em meses, animais que existiam na Terra há milhões de anos, que nos enchem de cancros e doenças incuráveis e que podem agora sintetizar num Laboratório formas de vida, são eles que dizem o que é ou não é vida humana.
Juntam-se uns cidadãos. Gritam e dizem que eles têm o direito de dizer quando começa a Vida e, amanhã, quando termina. Formam um Partido, vão a eleições, a sondagens, a Juristas, legitimam-se para fazer Leis e prendem a atenção dos nossos sentidos cansados, onde antes a Noite impunha o silêncio e decretava o sossego. É este o milagre e a maravilha! A Noite se faz dia!
Por causa de uma minoria de mulheres que tiveram de passar pelo sofrimento do Aborto, a esmagadora maioria das mulheres e das crianças que um dia serão mulheres ou companheiros dessas mulheres, são obrigadas à possibilidade de praticarem a destruição de uma possível forma de Vida Humana! A humanidade já não defende a Vida? A Vida abandonará a Humanidade. Irmão lôbo, que me acompanhaste pelo deserto e pela savana, em milhares de anos: por favor protege a minha tribo.
Por causa de pessoas que passaram pelo sofrimento de serem infelizes, a esmagadora maioria da Humanidade que procurou a sua forma de ser feliz, em simbiose com as outras criaturas da Natureza que a rodeavam, com os Mares e nas Terras em que se encontravam, têm de passar pelas mesma infelicidade de alguns e, por meio da Guerra, do deserto e das bombas, têm de ser livres à força! Por causa do horrível sofrimento de nossos irmãos que sofrem doenças incuráveis do corpo e do espírito, a esmagadora maioria da Humanidade tem de passar pela mesma dor, porque assim é ser livre, assim, é partilhar democraticamente as riquezas que uns têm, com aqueles que não têm, assim é ser Moderno, assim é Belo e obrigatório!
Quem discute a Vida admite que da discussão pode sair o direito a impôr a pena de morte esquecendo-se que o dom de discutir foi-lhe dado pelo dom da vida. Um feto vale menos que um cão, um pai biológico pode não ser pai, uma mãe hospedeira é apenas um armário. Admirável mundo Novo! O Dia se fez Noite!
Senhores, eu que sofro até à loucura, que não distingo a mão Direita da Esquerda, que já nem sei o meu nome, que tenho a Vida por um fio e que, se morrer agora, ninguém se lembrará de mim, não posso acreditar no vosso Paraíso. Porque o Sol se parece levantar todos os dias, sempre das mesmas maneiras, não reconheço à vossa vontade o direito de decidirem por todos nós quando e de que modo a vida de um feto, qualquer que ele seja, vai ter de terminar, mesmo que não passe de um verme sem autonomia. De que modo? O modo da Liberdade com que vocês me sujeitaram às mais bárbaras brutalidades no Passado, porque assim quisestes e assim vos apeteceu.
Com a voz que me resta, pobre bêbedo andrajoso grito o que sei: Morte ao Truísmo! Morte ao ismo! Morte ao Comum dos Comunismos!
E pego fogo a mim próprio, transformo-me em facho a arder na noite escura como o rato que vocês, miseráveis sádicos, regavam de gasolina quando eram pequenos e incendiavam pela lezíria abaixo!
31.1.07
Não percebo tanta confusão!

Não sei porque fazem tanta confusão sobre as origens da bandeira da República. Basta pensar na bandeira italiana, verde, vermelha da Carbonaria ( não confundir com a pizza) a ladear o branco tradicional dos estados papais. Também a Portuguesa veio directamente dos Centros Carbonários como a ilustração mostra
30.1.07
new Russian military doctrine
Ilya Platov responds to the questions of Harry Papasotiriou and Tom
Hashimoto (29 January), regarding the new Russian military doctrine:
1) In the communication of General Gareev, China is mentioned only
once, in a positive context--together with NATO, the European Union and
India, it is considered to be an essential pillar of the multipolar world
Russia is calling for.
2) North Korea is mentioned only once, again in a positive context: the
General considers that poverty is not the only cause of terrorism, and
uses the example of North Korea, which is a poor country without
terrorism. (Terrorism for Russia is always terrorism against the State.
The term “rogue state” is not a part of the Russian political vocabulary.)
Training the North Korean military is a different issue. I have no
information about this; if it were true, it would not be in the Russian
government's interest to disclose it. In my opinion, however, Russia does
not want a nuclear power near its borders. It is therefore unlikely it
would assist NK with its nuclear program.
3) It is not currently “politically correct” to consider China a
“threat” (that country recently celebrated a “year of Russia”). The
Russian military reacted in a contradictory fashion to the Chinese
satellite destruction. Profitable military and energy contracts, support
for an anti-NATO strategy in the South (Iran and the Caucasus) make China
an indispensable ally for Russia. Again, it is Russia’s strategy in the
“Near Abroad” that dictates the choice of “external” allies. China is not
viewed as a rival in this region. We can predict that in the future,
provided that Russia’s relations with the EU will go sour because of
Ukraine or Georgia, Russia will seek compensation in an “eastern
alliance," something that “Eurasianist” ideologists are currently
advocating (historically, failure in the West invariably pushed Russia to
explore the possibility of eastern expansion--Central Asia after the
Crimean War in the 1860s, Far Eastern policy prior to Russian-Japanese
War).
Outra vez os petro dollars, estúpido! Agora o Kuwait

Kuwait May Abandon Dollar Peg to Protect its Economy
By Will McSheehy
http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601170&sid=apKr7Xk5pmHs&refer=home
Jan. 24 (Bloomberg) -- Kuwait, the third-largest Arab oil producer, may abandon the dinar's peg against the dollar in favor of a basket of currencies to help minimize economic harm after the dollar declined.
``We might go to a basket for an interim period,'' Bader al- Humaidhi, Kuwait's finance minister, told reporters today at the World Economic Forum in Davos, Switzerland. ``The dollar fell a lot against the euro last year, but if we'd been linked to a basket we wouldn't have suffered'' as much.
Al-Humaidhi declined to comment on which currencies might be in the basket. A switch from the dollar is being studied by Kuwait's central bank, he said. The Kuwaiti dinar rose to 0.28915 against the dollar as of 4 p.m. in London, from 0.28920 yesterday, according to Bloomberg data.
Dollar reserves are being replaced with euros by oil producers, including the United Arab Emirates and Venezuela. China, which has the world's largest foreign-exchange reserves, and Indonesia say they plan to increase euro reserves and Iran says it's boosting oil sales priced in euros.
The dollar has declined 5.2 percent against the euro in the past 12 months. The currency traded at $1.2955 against the euro at 12:47 p.m. in New York from $1.3026 yesterday, when it reached a two-week high of $1.3044.
29.1.07
Doutrina Militar Russa - Revisão de Janeiro de 2007

Do meu colega WAis Ilya Platov recebi o seguinte:
The new Russian military doctrine presented on January 20th 2007 by General Gareev. The purpose of the new doctrine, elaborated under the auspices of the Russian General Staff and under the supervision of the President's Security Council, is to supersede the already existing "new" doctrine presented in 2000. What justifies such a change seven years later? Two issues are of interest: a) the definition of the most important threats to Russia from the outside, and b) military reform. The latter issue will be of a particular concern for Russian society, where the current draft system inherited from the USSR is considered to be corrupt, ineffective, and threatening to the lives of new recruits.
General Gareev justified the necessity for a new doctrine by announcing significant shifts in the "geopolitical and military-political sphere." He stated that some points of the previous doctrine are outdated and do not reflect Russia's new geopolitical situation. From an international relations standpoint, the fact of a new doctrine is part of a more general trend towards a "clarification" of Russia's positioning on the global arena. Priorities are much more clearly defined, as well as its main priorities and targets.
1) About the exact nature of "menaces," the doctrine is purposefully vague. Gen. Gareev made reference not only to direct military threats, but also to "covert" political, military and economic "threats," putting on the same level the collapse of the USSR and Yugoslavia, and recent "revolutions" in Georgia, Ukraine, and Kyrgyzstan, sponsored according to him by NATO and the US. Russia clearly wants to send an unambiguous message to the West to stay out of the "Near Abroad," considered as the main geopolitical priority, hence the necessity to keep a large army capable to protect an extended border.
2) At the same time, Gen. Gareev considers that the future war will be a "partisan" war, and not a "global conflict" with a great power. Internal security threats ("terrorism and separatism"), an avowed priority, are directly linked to the situation in the former Soviet republics. While their relative autonomy in the foreign policy domain is tolerated, any attempt to go to the "enemy side" provokes a very harsh reaction (i.e. deployment of NATO troops in Crimea, Georgia, etc.).
3) Concerning nuclear power, Russia needs to continue to develop its nuclear arsenal, as the possibility of global conflict is not excluded (NATO? China?). "Wars of the future will necessitate conventional, high-precision weapons, under a permanently maintained threat of using nuclear weapons."
The doctrine is pragmatic in inspiration: it discards "ideological issues" in favour of a 19th century-style realpolitik (this is my own impression). The NATO and US are not considered as ideological rivals, but competitors with whom it is possible to cooperate in selected fields (like anti-terrorism).
Perhaps the most interesting point is a renewed emphasis on energy issues, considered to be the main source of coming global conflicts in the next 10-15 years (very likely according to Gareev). Russia's main strength seems to be its energy resources. He pointed to the USA as the main source of such a threat, using Iraq as an example of a predatory quest for energy resources; he also mentioned the likelihood of "political and economic rivalries" arising from this competition. The general restated Russia's commitment to multilateralism, and estimated that the "USA is no longer able to carry the burden of global leadership," and that Russia is called to play the role of "geopolitical referee".
Concerning the much-needed reform of the Russian military, the doctrine states the following:
1) An assessment of the "critical" situation of the current system of obligatory military service: "the army […] is incapable of supplying young military men".
2) The new doctrine does not intend to eliminate obligatory military service, but to create a mixed system with a professional core supplemented by a draft army. The obligatory military service will be reduced from 2 to 1 year, and eventually to 6-8 months. While this does not solve Russia's problems, it will certainly reduce casualties due to mistreatment (usually carried on by second-year servicemen on the new recruits). According to Gen. Gareev estimates, the new system will be put in place within 5-6 years.
It is difficult to appreciate at this moment the reaction of the Russian public to the new doctrine. Media close to Putin underplay the "hostile" element of the doctrine, stressing that US and Russia are "partners" in the war against terror. The main concern will however be the issues of the reform of the military. Some observers consider that the doctrine advanced by Gareev artificially boosts the importance of "global threats" in order to justify the maintenance of a large Soviet-style army.
28.1.07
Sorte, por Pedro Cem
Eu vi Saddam Hussein morrer. Um morte assim faria de Hitler, ou de Estaline, ou de Mao Zedong, justos. Sim. E começaria a fazê-los justos uma hora antes. O mistério da Morte reduz-nos a todos, como uma descoberta milenar, à condição da verdade. Os Guerreiros que viveram a experiência da Morte sabem isto muito bem. Mas nós, como loucos de Sodoma continuamos a bailar e dançar. Pior, continuamos a pensar, julgando que descobriremos a chave do Mundo. Entrei hoje na Igreja e S. Paulo falava. As profecias são parciais, o conhecimento é como uma imagem obscura no espelho. Só o Amor, que se não impacienta, que tudo suporta, que não tem rancôr, nem orgulho, que não tem interesse, permanecerá. O amor do Padre Pierre que teve a sorte de ser reconhecido, o amor talvez do Ayatollah Sistani que evitou uma Guerra ainda maior, sim e até o "amor" de Bill Clinton por Monica Levinsky. Prefiro um rapazola, que ainda tem devaneios eróticos, a mandar em mim que uma data de revolucionários moralistas. Quero lá saber da Democracia e da Justiça. Se ela não tem Amor, de nada serve.
Gosto do meu Povo de tristes, que não acertam, que não reagem, que não atinjem. Sei que quase todos, em pensamento, meteram a cabeça na corda de Saddam Hussein para que nenhuma corda pudesse enforcar um milhão de cabeças e arrebentasse. Sei que o meu Povo ouve os que defendem o Sim e os que defendem o Não em relação ao Aborto porque tentam, no fim, julgar com o coração. Uns ouvem mais os casos das mulheres que arriscam a vida para abortar, outros sabem que o Amor não existiria sem se tornar na coisa amada, por mais pequenina, por mais semente que fosse essa coisa. E sei que muitos continuarão a pensar, a pensar, só para ouvirem bem o bater do coração. Gosto do meu povo que se põe do lado do Sargento Luís Gomes que se apaixonou por uma coisa pequenina, e sei que o meu Povo ama a mãe, a brasileira Aidida e que gosta também do pai Baltazar. E sei que ouve os juristas e os especialistas para ouvir bem, muito bem, onde bate o coração. Sei que o meu Povo não toma partido para vencer o partido contrário. Toma partido, para, na sua humildade e pobreza de espírito, puder contribuir para uma boa solução. Benditos sejam os pobres de espírito porque deles é o Reino dos Céus. Que sorte que tenho de ter nascido neste Povo, ou em outro qualquer. Maria de Fátima, a jovem desempregada que morreu sozinha em Braga e que estava grávida, não chegou a dar à luz. Foi encontrada vinte dias depois, em estado de decomposição com um envelope com bastante dinheiro ao lado e o telemóvel a carregar. Maria de Fátima não deu à luz, talvez se tivesse suicidado quando o seu ucraniano partiu deixando-lhe apenas o dinheiro. Mas nós, mesmos tristes e desgraçados, ouviremos aquele telemóvel, mesmo sem ter dinheiro para comprar um. Porque não estamos sózinhos, desde o ventre das nossas mães. Que Sorte que temos em ter Esperança, Boa-Esperança.
Dia 28 de Janeiro - S. Tomás de Aquino

Fresco de Fra Angelico
Reproduzo aqui um fragmento do estudo de Eric Voegelin sobre o "intellectus bovinus" como lhe chamaram. (Tradução a publicar em breve nos Estudos de Ideias Políticas)
A obra de Tomás de Aquino (1225-1274) absorveu-o literalmente - morreu exausto antes de perfazer 50 anos - e absorveu-o existencialmente porque foi a expressão de uma vida ao serviço da investigação e ordenamento dos problemas da sua época. Afirmar que foi um grande pensador sistemático é uma meia-verdade. Sabia aplicar a sua mente imperial à multiplicidade de assuntos que o atraíam e distinguia-se por ter uma personalidade rica em sensibilidade, magnanimidade, energia intelectual e espírito sublime. A exclusiva vontade de ordenamento poderia produzir um sistema que fosse mais notável pela coerência do que pela captação da realidade. A grande receptividade poderia ter originado uma enciclopédia. Mas as duas faculdades combinaram-se num sistema que assinala o impulso dinâmico de Deus para o mundo através da causalidade criadora, e do mundo para Deus através do desiderium naturale:
A origem desta combinação deve-se ao sentimento que fez de Tomás um santo: a experiência da identidade entre a verdade de Deus e a realidade do mundo.
"A ordem das coisas na verdade é a ordem das coisas no ser". Esta frase da Summa Contra Gentiles significa que o intelecto divino está impresso na estrutura do mundo; que a descrição ordenada do mundo resultará num sistema que descreve a verdade de Deus: que cada ser tem a sua razão e sentido na hierarquia da criação divina; que cumpre a finalidade da existência ordenando-se ao fim último que é Deus.
A frase também se aplica ao homem individual. Ontologicamente, o intelecto humano veicula a marca do intelecto divino. Metodologicamente, o uso do intelecto revela a verdade de Deus manifesta no mundo. Praticamente, a tarefa do pensamento significa a orientação da mente para Deus.
Na história do pensamento político, Tomás de Aquino divide duas eras: os seus poderes de harmonização foram capazes de criar um sistema espiritual que absorveu os conteúdos do mundo em transição: o povo revolucionário, o príncipe natural e o intelectual independente. O seu sistema é medieval enquanto manifestação do espiritualismo cristão: é moderno porque expressa as forças que vão determinar a história política do Ocidente até aos nossos dias - o povo organizado com constituição, a sociedade comercial burguesa, espiritualismo da Reforma e o intelectualismo da ciência. Alcançou esta espantosa concentração do passado e do futuro mediante o milagre da sua personalidade. Absorveu e manteve em equilíbrio sentimentos muito distintos. Tinha algo da receptividade de Frederico II às forças da época, mas ultrapassa-o em espiritualidade. Realça o individualismo de carácter de João de Salisbury pelo personalismo espiritual cristão; o seu humanismo digere Aristóteles e cria o estudo das instituições israelitas; o individualismo espiritual de S. Francisco aparece ainda mais radical no espiritualismo de Tomás; o populismo franciscano é continuado pela evocação da comunidade do homens politicamente livres enquanto a limitação de Cristo aos pobres é ultrapassado pelo reconhecimento das funções do príncipe; a consciência secular de Fiora é traduzida nas ideias da expansão da Igreja no mundo. O horizonte estreito da irmandade monástica é alargado à visão imperial de um mundo de comunidades perfeitas cristãs; o intelectualismo de Sigério é equilibrado por uma orientação mas com uma espiritualidade igualmente forte.
Através destes equilíbrios, Tomás de Aquino tornou-se figura única que pôde dar voz à Cristandade medieval imperial na linguagem do Ocidente moderno. Ninguém como ele poderia ter representado no estilo grandioso o homem ocidental espiritual e intelectualmente amadurecido.
26.1.07
Avé Pierre! par Pedro Cem

Davos, 25 de Janeiro de 2007, por Joseh Nye
Davos Day 2: The Term "War on Terrorism"
With 800 CEOs, two dozen heads of state, and topics ranging from global poverty to Web 2.0, Davos is impossible to describe. Like the blind men touching the elephant, each participant feels a different part of the beast. My favorite touch for the day went as follows: In a plenary session on terrorism, I asked David Cameron, head of Britain's Conservative Party, whether he agreed with the British Foreign Office position that the term "war on terrorism" was counterproductive because it reinforced the Al Qaeda narrative of being engaged in a holy war. He agreed, and said it would be better to call it a "struggle." Secretary of Homeland Security Michael Chertoff basically ducked the question. (Not long ago, the US State Department had tried to get the White House to stop using the term, but the move was vetoed by President Bush.) Pakistan Prime Minister Shaukat Aziz said not to worry about words because the root causes of terrorism were local deprivation (read: more aid to Pakistan). Gijs de Vries, Counter Terrorism Coordinator for the Council of the European Union, replied that the term "war" not only helped terrorist to recruit, but also led us to justify violating the rights and freedoms that provide the soft power we need to prevail in this struggle. Clearly, where people stood on this question depended on where they sat.
25.1.07
Esnoga 1675 - 2003
Painting of the Amsterdam Esnoga — considered the mother synagogue by the Spanish and Portuguese Jews — by Emanuel de Witte (ab. 1680). The Esnoga in the city of Amsterdam is the oldest continually functioning Sephardic synagogue in the world. It was founded by ex Maranos (Portuguese) Jews in 1675.Ver ARTIGO Da minha visita a Amesterdão em 2003, trouxe entre outras coisas, uma publicação sobre a Grande Sinagoga ( Esnoga) Portuguesa da cidade, fundada em 1614 e restaurada actualmente no seu esplendor inicial. A publicação em neerlandês contém o serviço religioso judaico completo em língua portuguesa como ainda hoje se pratica entre a comunidade sefardita de que Bento de Espinosa foi um dos mais ilustres filhos.
Aqui deixo só para exemplo dessa lusofonia profunda uma parte dos poema escrito em 1935 por Abraão Alvares Vega (1901-1945) e que ilustra o lusitano, mesmo escorraçado do seu país mas continuando de nação. O poema é ligeiro mas os conteúdos surpreendentes não o são. (A minha tradução do neerlandês não é garantida.)
wij portugezen zijn spanjaarden gewezen
wij voelen ons van adel en zitten hoog in ´t zadel
met veel gewicht beladen wij hebben gravidade
wij portugezen met flegma in ons wezen
wij gaan niet over één nacht ijs, bezien alles voiorsichtig, wijs,
van achteren en van voren; dat noemen wij pachorra
Nós Portugueses apelidam-nos de Espanhóis
Mas sentimos a nossa nobreza e sentamo-nos na sela
Com elevação ; nós temos gravidade
Nós Portugueses somos conhecidos pela fleuma,
Tudo consideramos com cuidado e sabedoria
com previsão e futuro; a isso chamamos pachorra
24.1.07
Belmiro, por Pedro Cem
Belmiro tem um discurso cheio de contrastes, de desfeitas, de arestas. Belmiro não brinca em serviço e trabalha como um modêlo. Belmiro não é rico para ser rico mas porque entrou numa competição que lhe deu sentido à vida.
Certamente que Belmiro, se ganhar a OPA da PT, poderá vir a fazer algo de inovador na Indústria Portuguesa. Contudo, tem pela frente o complexo burocrático-lusitano que prefere deixar o Empresário no Norte, na Província, e guardar as Comunicações de Portugal para um conjunto de homens sabidos que, embora gerindo uma empresa privada, se sentem como que proprietários de um privilégio nacional, onde só entram os membros de uma certa élite, onde a Economia se confunde com a política e a política com um certo estilo de vida. Infelizmente, Empresários como Belmiro só existe um. Portugal é demasiado pequeno, havendo só um Belmiro de um lado e o complexo burocrático-lusitano do outro. Belmiro ficará sempre com o valor dos marginalizados, mas também com a etiqueta da deselegância ou da incapacidade estrutural, como uma galinha a querer voar.
Mandaram-lhe Judite de Sousa, uma rapariga de Letras, do Porto, uma mãe valorosa. Ela foi industriada para lhe fazer as perguntas que defendem a prudência, o charme e o veneno do complexo burocrático-lusitano onde o último critério, acaba por ser o bem-estar. A pobre Judite de Sousa até parecia saber de Economia, até parecia saber de Bolsa, até parecia saber de Jornalismo político. Mas Judite de Sousa é também um pilar do complexo burocrático-jornalístico e, de novo, com valor. De charmes queirosianos morre Portugal. E tudo é um Simplesmente Maria, para Adultos.
De Belmiro fica apenas o realismo dum país abandonado a uma luta entre os veludos eróticos de Lisboa e os ódios de morte da Província: "eles fazem como quem pede esmola. Estendem a mão a pedir mais e ninguém lhes deixa nada". " Não vou entregar os pontos ao meu Inimigo". " Pedir não paga imposto", " Só se descobrissem diamantes ou um pôço de petróleo nos edifícios da PT, aquilo se valorizaria mais do que oferecemos", "Os clientes da PT no Brasil, não têm dono", "O Eng. Sócrates é como um Director do Conselho de Administração do Governo. O Primeiro-Ministro vem primeiro e os outros Ministros vêm a seguir", " Existe uma conjuntura feliz entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro". Entre o Engenheiro da Beira Alta e o Empresário do Norte há uma espécie de canto folclórico, antes do rancho girar.
22.1.07
Elsa, Elsa... por Pedro Cem
Mas que frio aterrador, aquele que emana do silêncio com que Portugal inteiro se diverte com as digressões de Elsa Rapôso, bonita e infeliz mulher, Mãe de três filhos que certamente ama.
Noticia o Correio da Manhã que Elsa, além de se filmar, lança pregões pela Internet, para todos os lados, como se de uma Vénus indiana, com sanha de Kali, na Primavera, se tratasse. E, com isto, gere um negócio, como quem pega numa carteira esquecida sobre a mesa de um Bar.
Tudo isto parece o esgotar de Pompéia antes da erupção, o sight-seeing de Sodoma, antes da chuva de fogo. Como se a única arma desta mulher desprezada, fosse o dizer aos outros o que os outros pensam e calam. E como se a distância que vai da sua figura patética até à muralha da indiferença, fosse o quebrar de todas as interdições. Do alto das muralhas, os sentinelas sociais, olham a pobre viandante despojar-se de tudo, com os miasmas que eles guardam, a portas fechadas, dentro da muralha.
E todos a olhamos com um misto de prazer e deleite. Dentro das nossa muralhas abrimos uma janela dourada para a decadência acelerada de Elsa, esperamos até recolhê-la, feita num farrapo, na discrição da escuridão pois algo desta sua "vida" permanecerá no seu olhar e na sua bôca dorida que nós talvez possamos beijar e dizer "nossa".
Quando uma mulher não tem mais nada que o corpo para agredir é porque a nossa indiferença se tornou numa doença que nos corrói por dentro e pela qual já nem temos coragem para gritar por socorro.
21.1.07
Goa - Mafia e Al Qaeda - O que não se diz

O mundo está cada vez mais a mudar para o mesmo. A Goa chegou agora a Mafia em força e a Al Qaeda discretamente. As forças e movimentos não -estatais preparadas para acções de violência, a que MArtin van Creveld chama de 4ªgeração - actuam. A praia de Morjim é 'mini-Russia' de Goa, como se vê no placard da foto. A comunicação social indiana fala de M o l o t o v O n M a n d o v i . A partir da fachada de investimentos em propriedades e turismo, o tráfico de drogas, armas e sexo intensifica-se. Haverá ataques terroistas no futuro
COVER STORY: RUSSIAN MAFIA (OutlookIndia.com)
The Russian mafia has barged into Goa, running its arms and
drug trade freely Saikat Datta
Indian security agencies are concerned about the Russian
mafia's invasion
* The mafia is buying huge tracts of land in Goa, Delhi,
Maharashtra through benami companies
* Intelligence feedback is that the Russian mafia is
buying land to set up base for running its arms and
drugs trade
* Goa, with its poor policing, lax administration
is currently the most favoured destination
* There are fears that the Russian pockets of influence
could serve as safe havens for international criminals
and terrorists.
What has also kept Indian security agencies on their toes are
inputs from the CIA that two Al Qaeda operatives had visited
Goa lasts year. According to the US agency, one Yemeni and an
Algerian visited several popular nightclubs and beaches in
Goa, took photographs and conducted elaborate surveys of
beaches frequented by British and Israeli tourists. This was
revealed to the CIA during interrogations and information
gleaned from a laptop recovered in Iraq.
19.1.07
17.1.07
16.1.07
Concentração 1 de Fevereiro
15.1.07
Eleito
14.1.07
Herdeiro de Aécio
Apesar do nome obscuro que homenageia "O Último dos Romanos" destemido em campo de batalha, é um repositório fantástico de informação, nacional e internacional. Tomara muitos jornais ter uma coluna assim.
Vejam, por exemplo, o post sobre a Somália
It is worth.... by David Krieger

David Krieger writes:
It is worth contemplating that the man who told the American people and
their Congress that Iraq had weapons of mass destruction necessitating
war, who took us to war illegally, who has branded innocent men as
"enemy combatants" and held them illegally at Guantanamo, who is
responsible for torture at Abu Ghraib prison, who authorized the
rendition of suspects so they could be tortured in other countries,
whose war in Iraq has led to over 3,000 American deaths, more than
occurred on 9/11, and hundreds of thousands of Iraqi deaths, who has
stretched our military so thin it may be unable to protect the country
in the case of a real crisis, who always asserted he took orders from
his commanders "on the ground" and then fired the commanders who gave
him advice he didn't want to hear, who now offers us "the surge" as a
last desperate attempt to save his own reputation at the expense of
American soldiers, is the same man who has his finger on the nuclear
button, believes in preemptive war and has warned that all options are
on the table, including the nuclear option.
12.1.07
A Guerra Peninsular 1807-1814 - Novo Blog

Um novo Blog a preparar um próximo livro. Por Manuel Amaral e Mendo Henriques.
Aproxima-se o Bicentenário da Guerra Peninsular!
A Guerra Peninsular 1807-1814
Camões

Oh! Consolar-me exclama e de mãos trémulas
A epístola fatal lhe cai: perdido
É tudo pois! Almeida Garrett, Camões, Estância XXIII
Existe uma coincidência espantosa nos remotos anos após o fim da Guerra Peninsular; num tal momento da Pátria e do mundo, em torno de Camões se encontrarem na comunhão da mesma emoção de cons¬ciência nacional o Morgado de Mateus, (edição dos Lusíadas pelo Morgado de Mateus em Paris, na oficina de Firmin Didot. – em 1817 e 1819 expendendo uma fortuna e seu esforço na elaboração da mais monumental edição de Os Lusíadas, e o compositor José Domingos Bontempo, criando a obra-prima que lhe consagra o nome, a Missa de Requiem a quatro vozes consagrada à memória de Camões em 1818. o pintor Domingos António de Sequeira, expondo em 1824 no Salon de Paris A Morte de Camões, (Hoje no. Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa), E Portugal a publicação do poema Camões, de Almeida Garrett, em 1825 que inicia o movimento romântico. A todos Camões oferecia a expressão eloquente de quanto o momento histórico sugeria de pessimismo perante o que se afigurava de morte inevitável; mas também de tónico nas fortes estrofes do grande poema que faziam ressurgir a confiança no futuro. E era tal a certeza que levava o Morgado de Mateus a publicá-lo., Bontempo a tocá-lo, Sequeira a pintá-lo e Garrett a cantá-lo. O futebol tem hattrick. A arte teve quatro em um...
11.1.07
Somália - Mais uma guerra gnóstica
A melhor suposição é que na Somália, a dependência do novo estado perante tropas estrangeiras será fatal. As guerras de estado contra o anti-estado são competições pela legitimidade e nenhum regime estabelecido por intervenção estrangeira pode ganhá-la. Contudo, se os islamistas não se organizarem eficazmente, o novo governo poderá ganhar por defeito. De qualquer modo, é seguro dizer que o resultado em Somália terá um impacto para além das fronteiras daquele pequeno país.
10.1.07
O “churrasco” da Direita Republicana
A razão natural é que, perante a eventual consolidação da dupla Sócrates-Cavaco até 2009, a Direita Republicana sente que alguma coisa deve ser feita para robustecer a oposição. Vão ser quase 3 anos de oposição complicada. Como os dois grandes ausentes – Marcelo e Portas - ainda não sentem o momento conveniente - descansam a dar sermões na televisão e nos semanários. Quem actua são os “grupos de retirada”. Os Drs. António Pires de Lima, Nuno Melo e Telmo Correia, cada um à vez, acorrem para discutir a liderança do PP. No PSD, o panorama é mais complexo; o dr . Marques Mendes vai sofrendo assaltos do nortenho Meneses que, por sua vez sofre, os assaltos do prof. Marcelo enquanto a dra.ª Paula Teixeira da Cruz ataca na frente Sul. Uma evidência que entra em casa quase todos os dias, é esta balcanização da direita republicana portuguesa.
Mas o procedimento é anti-natura porque o "churrasco elitista" em lume brando dos líderes eleitos, até à véspera das legislativas de 2009, faz mal à democracia. Em vez de se concentrarem nos problemas económicos e sociais com solução política, concentram-se nos problemas de poder interno, cujas soluções não interessam senão a uma oligarquia de umas 3000 pessoas na Grande Lisboa e bastante menos - peço desculpa ao Porto - no Grande Porto. Que o país seja representado por políticos quezilentos que falam para as câmaras de TV como quem condescende em dar pérolas a porcos, como quem faz brilharetes para os amigos mas se está a marimbar para tudo excepto nos cargos, faz muito mal à democracia e à confiança dos eleitores. O ataque aos líderes eleitos e a procura de um líder ausente, em jeito de “mulheres à beira de ataque de nervos”, ofende a inteligência dos eleitores. E este género de exercícios de hipocrisia política são nocivos para quem os pratica e dão mau nome à política e aos políticos da república. No caso do CDS, todos já perceberam o ambiente de guerra aberta entre Ribeiro e Castro e o grupo parlamentar constituído por antigos dirigentes afectos a Paulo Portas. “ Afectos?” Dir-se-ia “ afectados” O mais espantoso é que a Direita Republicana tem dirigentes partidários eficazes. Mas esses não podem falar. Onde está Maria José Avillez no CDS? Onde está no PSD o tal António Borges?
A quem interessa esta situação de “balcanização” da Direita Republicana ? Numa palavra, à Esquerda e ao Big Business. A primeira continua a predominar na comunicação social. Assim, interessa-lhe alimentar o churrasco. Lentamente. Age muito bem, em termos políticos. Parabéns ao discreto dr. Pedro Silva Pereira. Uma vez que o recrutamento de dirigentes partidários na Direita deixou de ser conduzido pelo sentido de interesse nacional e por Causas, passou a servir objectivamente apenas o status quo e os médios e grandes grupos económicos. Quanto ao Big Business vive bem. Para quê incomodar-se com líderes da oposição, se tem o líder do governo pelo seu lado? Assim desinteressa-se do caso, deixando o terreno para actores menores
Bem gostaríamos que a Direita Democrática Portuguesa fosse mais digna. O eleitorado assim o merece com a sua espantosa constância de voto nos 2+ 2 partidos, uma constância que tornou Portugal um case-study de toda a politologia europeia. Os próprios partidos democráticos - que prestaram um serviço ao país após o 25 de Abril, afastando o espectro totalitário – mereciam melhor e deviam ser restaurados na formação de quadros, juventudes, debate interno, proximidade aos eleitores, etc. Onde isso já lá vai! –
Mas enquanto a Direita Democrática for republicana, auguro o pior! Não tem princípios, não tem causas, não tem desígnio senão passar de oposição a poder. Qual o espanto que se entretenha com o churrasco dos seus dirigentes?
8.1.07
Calma para o Ano Novo!
"Está certo” diz o pastor, pode levar um dos animais.
O indivíduo selecciona um dos animais e perante o olhar divertido do pastor, coloca-o no carro. Então diz o pastor, "Se eu lhe disser exactamente a sua ocupação, restitui-me o animal?" O indivíduo diz : "OK, porque não?" "Você é um funcionário da União Europeia ", diz o pastor "Boa! "diz o indivíduo," como acertou?" "É fácil " respondeu o vaqueiro. "Você apareceu aqui sem ninguém o chamar. Quer ser pago por uma resposta que eu já sei, a uma pergunta que eu nunca coloquei. Tentou mostrar-me que é mais esperto do que eu; e não sabe o que são vacas... Isto é um rebanho de ovelhas. Olhe, e agora, como combinado, restitua-me o meu cão."
Blogs recomendados
http://interregno.blogspot.com/
7.1.07
Discurso tácito

A Assembleia da República precisa de bandeira própria para mostrar que actua muito ou para disfarçar que actua pouco? O novo símbolo do órgão de soberania seria útil se viesse corresponder a uma alteração da sua postura, a um refroço dos seus poderes quando a maior parte da legislação é do Governo por autorização parlamentar. E num momento em que se afirma a importância de referendos, a AR vem indicar que é a única arena de transmissão da opinião pública. A democracia directa - referendo e direito de petição - vai para as malvas. Ou será que quiseram responder ao Forum da Democracia Real ?
Igreja célere

O bispo Stanislaw Wielgus foi obrigado a renunciar ao cargo de arcebispo de Varsóvia, após admitir que espiou em favor dos serviços secretos na era comunista da Polónia. Prevaricou, pagou, mesmo que os actos datem de há vinte anos. O episódio revela como a Igreja Católica mantém a memória longa e a acção rápida, numa acção simultaneamente nacional e internacional. Eleito a 6 de Dezembro, um mês depois , está fora. O papa Bento XVI está cada vez melhor!
5.1.07
Enforcamento - A história em directo no telemóvel

http://www.informationclearinghouse.info/article16030.htm
Officials taunted Saddam on the gallows. After he falls through the trap, abruptly cut off in his recitation of the Muslim profession of faith, someone in the room cries "The tyrant has fallen!" and the film shows the 69-year-old former strongman swinging on the rope, his eyes open and his neck twisted at a 90-degree angle to his right.
WARNING Some viewers may find the video disturbing. It should only be watched by a mature audience. 12/30/06 Runtime 3 Minutes
PARA DESCONTRAIR E NÂO PERDER - http://www.planetdan.net/pics/misc/georgie.htm
2.1.07
1.1.07
31.12.06
Vu de France

Le drapeau portugais nous raconte la défaite de l'islam conquérant
Nos amis français (et musulmans qui lisent France-Echos) doivent connaître la symbolique de ce drapeau, qui raconte la lutte sans merci que livrèrent avec succès les Portugais à l'envahisseur musulman. Le drapeau reprend le vert foncé de l'espoir, le rouge du sang versé pour la patrie et la sphère armillaire représente le globe terrestre, symbole de l'histoire d'exploration maritime des grands découvreurs portugais, qui ont permis d'anéantir le commerce des caravanes musulmanes. On y trouve également les armes de l'État — les sept châteaux ou citadelles de l'expansion territoriale (reprises sous le règne d'Alfonso Henriques au XIIe siècle aux Maures), dont celle de Lisbonne. Les cinq écus bleus sur l'écu blanc sont ceux de sa victoire sur les cinq rois maures lors de la bataille d'Ourique en 1139 où il est proclamé roi. Les cinq monnaies byzantines disposées en croix (des points ou besants) reprennent la disposition des cinq plaies du martyr du Christ, au nom duquel Alfonso Henriques défit ses ennemis.
Le drapeau portugais est donc le plus islamophobe de tous !
Lusoocelt
30.12.06
Shame on you, by Globetrotter
He is just one more. As all of us who will die one day, he shrinks with his own sensations, looking to a small circle of light, getting smaller and smaller before the vessel of his feelings, finally wrecks. I look to the eyes of the actress Penélope Cruz, here in a magazine cover, by my side, and I ask myself what kind of magic tenderness has crafted those eyes. I imagine a beautiful girl I met, here standing by my side and I kneel begging her hands to hold my tears.
A man is going to die. One more. His blood will fall on the head of who ordered his death, over whoever, being able to save him, decided instead to deliver him to those ones who, after his death, won´t have more than one second of relief because of those he killed and are not able to return.
His blood is flowing already throughout Baghdad and is mouthing into the seven seas.
That extraordinary thing which is a body and a soul, in a way that we don´t see anything similar among the rocks of Mars, the frozen gas deserts or the furnaces in planets and stars as far as we can see, that thing which took millions of years to be, is going to crack in our hands.
Yes, I saw the old world come to the end. It was not in Hiroshima, it was not in Auschwitz. It is now. Now that I'm going to kill a third-rank, bloody tyrant, for whom nobody else sheds blood and who shed blood, for so many years, with the permission and tools of us, who are so keen of life.
Yes, I saw the old world crumble down. And the world to come will subside floating on blood, madness and absurd.
We'll never be so hated by the poor of the Earth, as from this day on. We were not able to open the doors of Nuremberg to Spring, we couldn´t open Spandau to a crazy oldman who didn´t manage to see the lirch boulevard for the last time and managed to gather his last strengths, just to hang himself. And it wouldn't add a grain of dust on his victims´ tombstones.
29.12.06
Atarturk descende de judeus portugueses? Por Inacio Steinhardt

O "marrano" Ataturk
Do meu amigo e colaborador Inacio Steinhardt transcrevo uma espantosa pesquisa que ele inicioi
Tuesday, December 26, 2006 Podem ver mais pesquisas do Inácio aqui
Itamar Ben-Avi, o filho de Eliezer Ben-Yehuda, célebre porque o seu pai, o renovador da língua hebraica em Erets Israel, proibiu, desde que o filho nasceu, que a criança ouvisse qualquer outra língua além do hebraico, conta uma história curiosa, que já foi reproduzida em muitas publicações, mas que vale a pena contar mais uma vez.
Itamar costumava frequentar o bar do hotel Kamenitz, em Jerusalém.
Uma noite, mo Outono de 1911, portanto durante o domínio otomano na Palestina, o proprietário perguntou-lhe se conhecia o oficial turco, que se sentava numa outra mesa.
Não, ele não o conhecia, porquê? "Porque é um dos oficiais mais importantes do Império Turco".
- "Como é que se chama?"
- "Mustafá Kemal."
- "Gostava de o conhecer"
O senhor Kamenitz, sem hesitar, fez as apresentações.
Conversaram em francês. E voltaram a encontrar-se muitas vezes, sempre na presença de uma boa garrafa de "arak", que se ia esvaziando noite fora, enquanto conversavam longamente sobre os diversos aspectos da política otomana.
Logo na primeira conversa, o jovem capitão confessou ao seu novo amigo que era descendente de Sabbetai Sevi. Já não era judeu, mas muçulmano, mas ainda admirava muito as ideias desse "vosso profeta", e recomendava que os judeus das Palestina as seguissem.
As ideias de Sabbetai Sevi, como já vimos num texto anterior, conduziam à assimilação. Um pouco, como diria Mendelssohn, "alemão na rua e judeu em casa", ou, no caso presente, "turco na rua", não interessa. Mustafá Kemal também preconizava a laicização do Estado. Tornar a Turquia um estado em que houvesse liberdade para não seguir a religião islâmica.
Dez dias depois, o capitão turco adiantou:
"Tenho em minha casa uma Bíblia em hebraico, impressa em Veneza. Já é bastante antiga, e lembro-me do meu pai me ter levado a um professor Karaita, que me ensinou a ler no livro. Ainda me lembro de algumas palavras"
É Itamar Ben-Avi que conta esta conversa, num livro já há muito esgotado.
E continua:
"Parou um momento, enquanto os seus olhos pareciam buscar algo no espaço, e continuou: Shemá Yisrael, Adonai Elohenu, Adonai Ehad".
"Mas essa é a nossa mais importante oração, capitão!"
"É também a minha oração secreta, cher Monsieur" – respondeu ele, enquanto enchia de novo os nossos copos.
Itamar não sabia então que o estava a ouvir não seria exactamente uma manifestação de Judaísmo. Uma das declarações secretas dos seguidores do falso messias era: "Sabbetai Sevi e nenhum outro é o verdadeiro Messias. Ouve à Israel, O Senhor é o nosso Deus, O Senhor é Único".
Talvez fosse daí, e não das lições do Karaita, que o oficial turco se lembrava das palavras do Shemá.
Mas não importa. Mustafá Kemal declarou ao seu novo amigo, então jornalista na Palestina, a sua origem judaica.
Mustafá nasceu em Salónica, em 12 de Março de 1881.
Teriam os seus antepassados pertencido a alguma das comunidades judaicas portuguesas, antes de se converterem ao Islão?
Não existe nenhuma indicação de tal facto.
Seu pai, Ali Rizá, funcionário da alfândega otomana na cidade, faleceu quando o filho ainda era muito novo. Diz a tradição que o nome adicional, Kemal, que significa "perfeito", lhe foi atribuído pelo professor de matemática, na escola militar secundária de Salónica.
Em 1907, aderiu ali ao "Comité da União e Progresso", conhecido normalmente como os "Jovens Turcos".
Em Setembro de 1922, as forças comandadas por Kemal, lutando contra o exército grego, tomaram Izmir. A vitória de Kemal na Guerra da Independência preservou a soberania da Turquia. O Tratado de Lausanne suplantou o Tratado de Sevres e a Turquia recuperou a totalidade da Anatólia e da Trácia oriental, do controlo Grego.
No ano seguinte, em 29 de Outubro de 1923, Mustafa Kemal comandava a revolta que derrubou o califado de Constantinopla e proclamou a República Turca, de que foi o primeiro presidente. Por isso lhe chamaram Ataturk, o Pai dos Turcos.
Kemal Ataturk foi um ditador, que transformou a Turquia num estado laico. Por quanto tempo ainda o será é hoje posto em dúvida.
Mas as leis do Islão foram severamente cerceadas. Proibiu o uso do alfabeto árabe na língua turca, que não pertence às línguas semitas, e passaram a utilizar o alfabeto latino.
A transliteração das palavras ocidentais, dos caracteres árabes, que se escrevem sem vogais, para o latino, causou uma barafunda enorme.
Vemos hoje, nas ruas de Istambul circularem os "taksi", e a portuguesíssima família judia portuguesa Albuquerque, de Istambul, é agora conhecida por todos com Albukreke.
3000 americanos e Baal
(Max Ernst)As Forças Armada americanas estão à beira de ter 3000 mortos no Iraque além dos 46,880 baixas, entre feridos, em combate e acidente e doentes evacuados. Dos feridos em combate 15,387 + 6,670 (acidente) muitos seriam mortos não fossem os coletes blindados e os tratamentos hospitalares maciços. Isto para aferir da violência dos combates de rua e explosões de engenhos armadilhados. Por outras palavras. Os Americanos não podem ganhar. Só estão en Bagda para defender a Zona Verde.
Estão a fazer e fizeram muito mal a todo o Ocidente e, pela enésima vez na história moderna, serviram ao mundo a potência tecnológica e material inventada pela Europa mas esqueceram a potência espiritual que cá também nasceu. O Novo Ano vai-lhes ser ainda mais pesado. O culto de Baal-Bush não perdoa.
26.12.06
Amarrados:

«Atentemos rapidamente na pirâmide kafkiana em que se (des)equilibra a política de ordenamento portuguesa para percebermos a natureza da teia burocrática em que o país está enredado. (...) Desde o Programa Nacional de Política de Ordenamento do Território (PNOT) aos planos sectoriais com incidência territorial (PSIT) e planos especiais de ordenamento do território (PEOT), passando pelos planos regionais (PROT) e terminando nos planos intermunicipais (PIOT) e planos municipais de ordenamento do território (PMOT), que, por sua vez, compreendem os planos directos municipais (PDM), os planos de urbanização (PU) e os planos de pormenor (PP), o emaranhado de orientações é tão labiríntico quanto inoperante. »
(Nuno Sousa, Público)
25.12.06
Votos de Natal, por Pedro Cem

Que este Natal seja isso mesmo, um ponto no horizonte. Como o do arqueiro Zen, como o Cabo da Boa Esperança, do marinheiro desesperado. E como tantas outras coisas. Nem Jesus nasceu no Natal, nem o solestício de Inverno comanda um Povo que nem tem Destino, nem carta astral. Bom Natal aos que sofreram intimamente tentando comprar uma prendita, com orçamento precário e ,ainda assim, ficaram mal com a consciência. Os que se sentiram mal ao ver os mendigos, mesmo que profissionais, na Baixa e os que se desalentaram com as notícias das inundações na Indonésia e com mais uma bomba em Baghdad, ou uma guerra novinha em folha entre a Etiópia e a Somália. Bom Natal ao Mendo, valente Mendo, piloto deste vôo nocturno pela tempestade, ao Misantropo Enjaulado, que mesmo que não escrevesse Posts tão úteis e bons, só pelo nome dava um estaladão neste Mundo; ao Sobre o Tempo que Passa, escritor bem livre; ao Boca de Incêndio, da Guarda da nossa Terra; ao Bar Velho, dum Estudante que se não calou; ao Manchas do meu amigo Mourão, sempre simples e sensível; ao Sesimbra e Ventos do António e do Pedro, que me dão saudades e a tantos outros que fazem esta "Democracia digital", em que fico contente, ignorante que sou, com a palavra democracia. Vá lá, ouçam mais uma vez o "Last Christmas" do George Michael, esse bom cantor, apesar de tudo, que escreveu o "Like Jesus to a Child", embora a canção de Natal, vos possa ja invocar um Amor impossível ou até a Empregada da Tabacaria. Natal de contradição, de provação, de aturar às vezes pessoas que não o merecem, e ainda sair mal agradecido, ficar bloqueado no aeroporto, ou no combóio, fazer figura de parvo como num quadro de Edward Hopper, por essas ruas vazias.
Acho que Jesus teve hoje um bom presente e não podia James Brown morrer senão no dia de Natal; James Brown, esse menino pobre da Bronx, que ficou sempre pobre, apesar do dinheiro que tinha e que tentava dedicar, nos tempos de sorte, à gente da sua condição como um exemplo de fazerem alguma coisa boa na vida, a qual ele dificilmente conseguia endireitar. Decerto que ninguém dançava como ele, dançando sózinho como o pobre bêbedo que converteu Santo Agostinho, ninguém dançava como ele e foi certamente o que este Rei Mago, Belchior, deu na sua última romagem ao Deus-menino.
Isso mesmo. Sing Loud, I have a Soul and I'm proud.
E se não acreditas que tenho uma alma, olha bem para os meus pés.
Tenho a certeza que num quadrante do céu -- para quem quiser ver -- estarão em exibição contínua, para sempre, os filmes dos irmãos Marx e os musicais de Kelly e Astaire, os filmes todos do Tótó e, a partir de hoje, os concêrtos todos do James Brown.
O assalto da propaganda republicana , por Luís Aguiar Santos

Um dos grandes e mais repetidos equívocos que há sobre o significado e as consequências da propaganda republicana em Portugal (1860-1910) é que esta teria atacado essencialmente a monarquia, querendo preservar grande parte do edifício liberal. Ora, a propaganda republicana fez-se contra todas as instituições do regime: a monarquia, as Cortes (não só a Câmara dos Pares), o sistema judicial, a Universidade, a Igreja estabelecida, etc. As Cortes e, em particular, a Câmara dos Deputados, eram a instituição mais visada pela imprensa republicana, que tudo fez para as desacreditar junto da opinião pública, criando uma percepção generalizada da política parlamentar e dos seus naturais conflitos como uma "nojice" e um "escândalo sedicioso" que impedia a unidade nacional. Essa atitude era necessária para menorizar a ampla liberdade política que se vivia no País, incompatível com a suposta necessidade de uma revolução republicana para a conquistar.
É isso que explica que, após 1910, as primeiras eleições realizadas pela I República (em 1911) tenham sido o que de mais parecido houve antes de Salazar com umas eleições de partido único: os candidatos eram todos republicanos e uns poucos de socialistas foram convidados a participar. Depois, o partido republicano partiu-se em facções, para grande pena dos saudosos do tempo da propaganda, e criou-se uma ilusão de pluripartidarismo semelhante ao que existia antes de 1910. Nesse cadinho de desiludidos da "unidade republicana" se forjou a esperança numa União Nacional que "varresse" os partidos, como o 28 de Maio de 1926 (todo feito por republicanos), veio a permitir. Os republicanos, afinal, quando lhes coube moldar o País à imagem das suas ilusões, montaram a caricatura que construíram para denegrir a monarquia constitucional e o seu parlamento. Ironias da história.
24.12.06
O roteiro da paz de Bento XVI
No cerne da sua mensagem do Dia Mundial da Paz de 1 de Janeiro DE 2007, sobre os grandes temas da actualidade, o Papa Bento XVI colocou a Pessoa humana, coração da paz. Com esse tema como centro da meditação introduz o apelo das Escrituras num verdadeiro "roteiro da paz" que orienta áreas como o direito à vida e à liberdade religiosa, a igualdade de natureza de todas as pessoas, a "ecologia da paz", o papel dos Direitos humanos e Organizações internacionais, o Direito internacional humanitário, o direito interno dos Estados e o papel da Igreja em defesa da pessoa humana
Afastado dos conservadores que há uma década nos explicavam o "fim-da-história" e que agora insistem no "choque de civilizações" como "o sentido da história", Bento XVI introduz "sentido na história" através das Escrituras. Os problemas e as crises fundamentais da actualidade envolvem muito mais do que "atrasos" na adaptação da consciência humana a novas situações - o que poderia ser resolvido tant bien que mal por "novas moralidades" e "novas cidadanias". O problema é que a auto-interpretação do homem actual tem que ser libertada das enormes expectativas imanentistas que criam a insatisfação com a ordem instalada mas que renegam a " gramática" do direito natural.
Perante estas expectativas imanentistas, Bento XVI introduz a esperança de que a paz seja (2)"um dom e uma missão", a "criação de um universo ordenado" e a "redenção da história humana".(3) Existe uma "gramática" escrita no coração do homem pelo seu divino Criador com as normas do direito natural. O reconhecimento e o respeito pela lei natural são a base para o diálogo entre os crentes das diversas religiões e os não crentes. (4). O dever de respeitar a dignidade de cada ser humano, em cuja natureza se reflecte a imagem do Criador, tem como consequência que não se possa dispor da pessoa arbitrariamente, cabendo denunciar os atentados contra (5) as vítimas dos conflitos, do terrorismo e das formas de violência, provocadas pela fome, pelo aborto e pela eutanásia. São de denunciar (6) as desigualdades no acesso a bens essenciais, como a comida, a água, a casa, a saúde; e, por outro lado, as contínuas desigualdades entre homem e mulher no exercício dos direitos humanos fundamentais. (7). São inadmissíveis a exploração de mulheres tratadas como objectos e as numerosas formas de falta de respeito pela sua dignidade; (8). A experiência demonstra que toda a atitude de desprezo pelo ambiente provoca danos à convivência humana, e vice-versa. (9). A destruição do ambiente, e a apropriação violenta dos recursos da terra geram conflitos e guerras. (10). São inadmissíveis as concepções antropológicas que pregam a guerra em nome de Deus. (11). São inadmissíveis também "pela indiferença face àquilo que constitui a verdadeira natureza do homem. (12). É ineficaz que os direitos humanos sejam propostos como absolutos, mas com um fundamento apenas relativo. Como disse o mahatma Gandhi: "O Gange dos direitos desce do Himalaia dos deveres" (13). A Declaração Universal de 1948 é um compromisso moral assumido por toda a humanidade que fortalece a autoridade dos Organismos internacionais para defenderem os direitos fundamentais da pessoa e dos povos. (14). O direito internacional humanitário, e os instrumentos de segurança nacional devem combater a "praga do terrorismo". (15). A vontade de alguns Estados de possuírem armas nucleares deve ser contrariada por acordos internacionais que visem a não proliferação, e pelo esforço de procurar a definitiva abolição.
Este grandioso roteiro da paz do Papa Bento XVI demarca-se claramente das visões optimistas de que estamos numa década de expansão da democracia, da economia de mercado e das tentativas de paz pelo direito. Também não alimenta o pessimismo dos que referem a permanência de guerras não declaradas, genocídios, pobreza continuada, novos fundamentalismos, degradação ambiental, desemprego e esvaziamento do significado do trabalho, e doenças sociais como o SIDA e o consumo das drogas. Conforme os ensinamentos das Cartas Encíclicas Popu-lorum progressio e Sollicitudo rei socialis, proclama um humanismo integral com que a Igreja defende a transcendência da pessoa humana e com que dá continuidade ao diálogo ecuménico com outras religiões.
Mendo Castro Henriques
Dossier | Mendo Castro Henriques| 19/12/2006 | 13:04 | 4360 Caracteres | 181 | Dia Mundial da Paz
21.12.06
Carta do Canadá, por Fernanda Leitão
Sabemos que o mundo vai mal e está perigoso a ponto de nos deixar atemorizados, porque a comunicação social, um pouco por toda a terra, nos relata diariamente a maldade humana na sua prodigiosa criatividade. No entanto, quando abrimos o jornal ou ligamos a TV ou a rádio, temos sempre esperança de encontrar o oásis de uma boa notícia. Pura ilusão. A literatura efémera que é a imprensa, é feita por homens e mulheres, eles próprios temerosos, obsecados pela realização do que julgam ser um esconjuro.É claro que o mal é contagioso, mas não é menos certo que o bem também o é. Por essa razão todos precisamos de pais e educadores que nos formem pelo exemplo, de governantes e oposições que se imponham ao nosso respeito pela boa conduta, de sacerdotes que nos guiem pela sua prática despojada e luminosa. Relatar o que é bom, creio, trará a luz onde há só há sombra mediática.
Por tudo isto e porque estamos no Natal, a poucos dias da celebração do nascimento de quem deu sangue e vida pelos trastes que nós somos, tomo a liberdade de deixar no vosso sapatinho um apontamento bonito.O caso passou-se no Canadá, um país onde o livre mercado e o capitalismo existem e dominam, algumas vezes descambando em selvajaria. Só podem ter sido selvagens os que lançaram amigos meus ao desemprego, ao fim de 20 e muitos anos de leal serviço na mesma empresa, através de uma seca mensagem electrónica que os infelizes encontraram ao abrir o computador, como faziam todas as manhãs mal entravam nos escritórios.
Mariana era uma funcionária altamente qualificada de uma multinacional. Tinha aquilo que se chama de um lugarão, bem pago, com muitas viagens e mordomias várias. Viu reconhecido o seu talento, inteligência e preparação adquirida num bem sucedido curso universitário. Este ano foi nomeada directora dos recursos humanos da empresa, o que a deixou encantada na presunção de poder contribuir para melhores condições de todos os funcionários. Poucas semanas depois, ficou diante da armadilha: a administração encarregava-a de despedir uns centos de empregados, sacrificados no altar da famosa reestruturação empresarial, essa que, muitas vezes, não passa de substituir homens por máquinas, numa prova descarada de estar o homem ao serviço da economia e não esta ao serviço do homem, como manda a moral e o bom senso. Mariana, com o coração partido, procurou obedecer à ordem sem fazer muito sangue, isto é, escolhendo os funcionários que podiam saír com reforma ou os muito jovens que facilmente podiam arranjar trabalho noutro lado.Mas o compressor do capitalismo ganancioso tratou de a apertar cada vez mais. Até ao dia em que exigiu o despedimento de uma secretária de meia idade, competentíssima, alinhadíssima, a braços com uma situação conjugal grave que a obrigava a ser pai e mãe ao mesmo tempo.
Foi nessa altura que aconteceu o que é uma boa notícia. Mariana apresentou-se ao presidente da multinacional e tratou de lhe propor o seu próprio despedimento em troca do despedimento daquela mulher numa idade que não proporciona um emprego encontrado facilmente. O presidente ficou assombrado, mas Mariana não se poupou a argumentos até conseguir o seu objectivo.Saíu de cabeça levantada e coração leve. Não vai sentir remorsos na celebração da consoada. Depois das festas, passadas com o o marido e o seu primeiro filho, irá procurar outro trabalho.
Já agora, aqui vai o resto da boa notícia: Mariana é portuguesa, casada com um português. Não se considera uma intelectual vanguardista ou a Madre Teresa de Calcutá. É, apenas, uma pessoa de bem e de coragem. Um bom exemplo.
Desejo-lhe um Santo Natal, leitor.









