7.6.07

PAÍS DE MUITO MAR, de Manuel Alegre

Foto de Luis Miguel Correia

Fui ao lançamento das "Doze Naus" de MAnuel Alegre e vim de lá refrescado com o seu belo livro. Entre as várias sugestões aqui fica o país "de muita História e cada vez menos memória". O verso faz-me lembrar o "pouca-terra " dos comboios do poema de Manuel BAndeira "Café com pão". Engraçado. Dois Manuéis, Dois lusitanos, um mesmo sentimento

PAÍS DE MUITO MAR
Somos um país pequeno e pobre e que não tem senão o mar
muito passado e muita História e cada vez menos memória
país que já não sabe quem é quem
país de tantos tão pequenos
país a passar
para o outro lado de si mesmo e para a margem onde já não quer chegar. País de muito mar e pouca viagem.

5.6.07

Tu quoque, Sanchez!



Perhaps Sanchez is not a great general. he is a good citizen,yet!

The man who commanded US-led coalition forces during the first year of the Iraq war says the United States can forget about winning the war.

"I think if we do the right things politically and economically with the right Iraqi leadership we could still salvage at least a stalemate, if you will -- not a stalemate but at least stave off defeat," retired Army Lieutenant General Ricardo Sanchez said in an interview.

Sanchez, in his first interview since he retired last year, is the highest-ranking former military leader yet to suggest the Bush administration has fallen short in Iraq.

"I am absolutely convinced that America has a crisis in leadership at this time," Sanchez told AFP after a recent speech in San Antonio, Texas.

"We've got to do whatever we can to help the next generation of leaders do better than we have done over the past five years, better than what this cohort of political and military leaders have done," adding that he was "referring to our national political leadership in its entirety" - not just President George W. Bush.

Sanchez called the situation in Iraq bleak, which he blamed on "the abysmal performance in the early stages and the transition of sovereignty."

2.6.07

Carta Aberta a Mário Lino, por Mendo Henriques

Carta Aberta a Mário Lino

27/05/2007 (54 leituras)

Exm.º Sr. Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Eng.º Mário Lino:

Refere a comunicação social de 24 de Maio de 2007 que, durante um
almoço-debate sobre "O Novo Aeroporto de Lisboa", promovido pela Ordem dos
Economistas, e que ficou assinalado pela sua intervenção, não direi tanto
famosa quanto notória, que “A margem Sul é um deserto” achou também
oportuno brindar os presentes com a afirmação que "O programa do Governo
não será avaliado por 22 senhores que escrevem livros, mas pelos eleitores
em 2009".

Referia-se decerto ao livro O ERRO DA OTA e creio falar em nome de todos
os seus autores.

Naturalmente que não inferimos das suas palavras que despreza os autores
de livros, nem a cultura em geral, nem a cultura técnica e profissional
que resulta do citado livro, escrito por especialistas independentes e
isentos com a consciência cívica de estarem a prestar um serviço ao país.

Também não inferimos das suas palavras que são inúteis estudos
preliminares e chamadas de atenção fundamentadas, quando estão em jogo
opções estratégicas para o país como seja “O Novo Aeroporto de Lisboa".

Não inferimos, ainda, das suas palavras que a democracia, para si, Sr.
Ministro, é um cheque em branco passado de quatro em quatro anos, não
tanto a um Governo, mas a um partido político que selecciona esse Governo;
sempre nos ensinaram que o poder legislativo tem a primazia sobre o poder
executivo e que o Presidente da Assembleia da República é a 2ª figura do
regime.

Tudo isto, senhor Ministro, damos por pacífico que não é questionado na
sua intrigante afirmação.

Mas, Sr. Ministro, ficamos preocupados que com tanta preocupação sua,
técnica e politica, e tantos dossiers a gerir, encontre tempo para
desqualificar quem com “honesto estudo” vem concluir em voz alta o mesmo
que indicam as sondagens de Abril e Maio de 2007, segundo as quais cerca
de 92 a 93% da população nacional, ponderando os votos, está contra a
localização na Ota do Novo Aeroporto de Lisboa.

Poderá V. Exª saber que o famoso poeta alemão Heinrich Heine escreveu em
1821 que “Onde queimam livros, acabam por queimar pessoas”. Sem dúvida que
jamais terá atravessado a mente de V. Exª queimar livros e muito menos
pessoas, ao longo da sua já longa carreira política. Mas só lhe pedimos
isto Sr. Ministro: tendo o Prof. António Brotas feito a oferta a V. Ex.ª
de um exemplar da citada obra, não queime também reputações e responda a
quem merece resposta pelos depoimentos fundamentados que prestaram, como é
o caso dos 22 autores de O ERRO DA OTA E O FUTURO DE PORTUGAL

Mendo Henriques

Sir Michael Rose - Mudem de Atitude!


General Sir Michael Rose, who commanded the United Nations Protection Force in Bosnia-Hercegovina from 1994 to 1995, said coalition forces in Iraq were facing an impossible situation."

"There is no way we are going to win the war and (we should) withdraw and accept defeat because we are going to lose on a more important level if we don't," he said.

Though the coalition could not simply "cut and run," Rose said announcing a withdrawal date would help to dampen down the violence between Sunni, Shia and Kurdish factions.

"Give them a date and it is amazing how people and political parties will stop fighting each other and start working towards a peaceful transfer of power," he said.

Rose was speaking at the annual Hay Festival of Literature and the Arts in Hay-on-Wye, on the Welsh border with England.

The retired general who has written a book on the American War of Independence, made comparisons with the 1775-1783 conflict between Britain and the Thirteen Colonies.

He said: "How was it a small and extremely determined body of insurgents, thieves and deserters could inflict such a strategic and potentially disastrous defeat on the most powerful nation in the world? "The answer will be familiar to anybody who is looking at what is happening in Iraq today. "Those who don't read history are condemned to repeat the mistakes of the past." He said the allies in Iraq should have deployed more troops and not used a conventional war strategy.

"You don't win wars by regime change but by changing attitudes," he said.

He said that Iraq should have been low on the priority list compared tHe said that Iraq should have been low on the priority list compared to Afghanistan, conflicts in Africa and the battle against international terrorists."

31.5.07

Nossa Senhora da Atalaia, por Pedro Cem

Nossa Senhora da Atalaia tem um altar no Cabo Espichel em Sesimbra. Quando sai à rua em dias de festa, no andor, aos ombros de quem conhece a morte no Mar, talvez se comova por esta dor e este amor ao infinito que já ninguém crê, que uns repetem sem saber e outros crêem, baixando a cabeça frente a um mundo que os gozaria se se tentassem exprimir.

"Há aqui lugar para uma lágrima", diz-me alguém que muito amo, no meio da sua confusão de frases desgarradas por uma doença de Alzheimer galopante.

Li hoje que uma mulher desesperada por não conseguir tratar da sua filha deficiente de 25 anos, a quem tinha de assistir a comer e a movimentar-se, escolheu o Cabo Espichel para se matar, a ela mais à filha. Aconteceu de manhã, quando toda a gente se incorpora na grande serpente de carros da margem Sul. Hesitou -- disso são testemunho as travagens do carro à beira do precipício . Por fim mergulhou dentro desse bem que foi uma das conquistas do nosso progresso: um carrito para todos. Mãe e filha tiveram morte imediata. Não era casada, vivia com um modesto Canalizador que tratou da mãe e da filha, desde que esta era bébé. O homem disse que além do fardo da filha deficiente, não encontrava outras razões para aquilo. É que no húmus dos canos se pode espreitar e, às vezes, ver o Céu...

Nossa Senhora da Atalaia, que guardo ao meu lado encostada a um livro. De pele branca e cabelo prêto, muito prêto e desalinhado como essas mulheres mediterrânicas, da Grécia talvez, que acordam zonzas numa terra de sol que não era delas, mas com a mesma sombra por dentro, que o Mar nos desenhou pelas escarpas. Eu sei que te condoeste deste drama e talvez a meio da queda tivesses agarrado estas duas mulheres unidas para sempre, desde a barriga da mãe. Como agarras os pescadores que caiem ao Mar, como os puxas para baixo ternamente, no teu manto azul, ao cabo da tormenta sem fim.

Não nos rejeites Mãe do Mar, Nossa Senhora da Atalaia. Não nos deixes despertos apenas ao leme, mas também para ver a dor dos outros que tantas vezes nos passa despercebida e nos ensines a ver estas famílias pequeninas e estropiadas que são o teu presépio, alumiado no egoísmo do Verão.

22.5.07

Simple Minds, by Pedro Cem

They were always the same. They didn't take longer than a second of a second in a small Universe, among Universes. They were just a dream of a minute. They did it all, all from California, first the snappy and clumsy gestures from the sixties, then the unbalanced walking on the high-heeled shoes from the seventies and the worried beards of the eighties, then again the disparaged looks of people payed to decay in slow motion. Dennis Wilson, the drummer of the Beach Poys, over successive desintoxications of booze and chemicals, said good-bye in Atlantic City, with his beautiful performance of "You are so beautiful (to me)", when nobody loved him any more. He took a bow, livid as death, and drowned a few days later in the Ocean. He used to say: what I'm really addicted to, is to see people in front of me, being happy, having a good moment. This meant nothing, neither in Politics, nor in Philosophy, but it meant something for this human being. Brian Wilson, the Poet who created " I heard a word/ wonderful thing/a children song", stood four years in a room, managing to avoid the world, until the others thought it was too subversive to wake up one morning and decide never to walk out again from bed.
But they left something. They were even polite to jazzers, saying in a sweet rock'n'roll song that they just missed the melody in modern Jazz. They resisted Vietnam with their frail lives, they missed the opportunity of Woodstock, they performed for Ronald Reagan in a humble way, just grateful for being received on the 4'th of July of 1986, with their beards and their different statures of american pilgrims, eroded by the wind which often whistles frozen cold through the walls of US hearts. They were genuinely happy for being invited after many difficulties and hesitations, due to their "leftist inclinations", as a kind of charity guests for the 200 hundred years of America. They didn't boast, they didn't choose the correct songs either and they shook hands with an eternal-youth Reagan, as southern soldiers surrendering to the North, still enormously strong in their humility and courage.
In the Beach Boys there is this innocence and purity of the pilgrims of the Earth. They got forever hypnotized by the sun in the waves which unfold as a fabulous animal, they could never close their eyes again in a never-ending daydream, they couldn't be violent, nor clever, nor strong. Simple peasants in front of the big, big ocean. Simple minds forever...doesn't this sound wonderful? And they were clever enough just not to wake up again, ever. The rest was just struggle to keep in front of the Sea, till the sweet primeval Wave took them home.
What I like in this kind of american pilgrims is they never, never managed to lose their humility...

13.5.07

O género literário do "convite para comunicação"

Devo receber por mês uns quatro ou cinco convites para ser orador em conferências. CREIO QUE ACEITO CERCA DE METADE. Devo fazer por ano umas vinte a trinta conferências, em 90% dos casos gratuitamente, quase sempre, mas nem sempre, com as despesas pagas de deslocação.
Mas este género literário do "convite" banalizou-se de tal modo que há quem julgue que basta MANDAR O SECRETARIADO carrgegar num botão de uma lista de e-mails para obter respostas com o requentado "Agradecendo desde já a sua colaboração, envio-lhe os meus cumprimentos."
Tendo eu recebido mais um desses "convites" abaixo transcrito, ocorreu-me responder e comentar o que ainda mais abaixo se transcreve e que espero tenha um sentido elevado.

Exmo. Senhor

Dr. Mendo Castro Henriques ( EU ATÉ SOU PROF. DOUTOR, DAQUELES COM AS DATAS CERTAS, E ISSO ATÉ LHES INTERESSA, MAS ENFIM: DEIXA P'RA LÁ)

Caro Amigo ( NÃO É EVIDENTE)

O IEEI lançou em Outubro de 2006 o II Debate Nacional sobre o Futuro da Europa, (NUNCA TINHA OUVIDO FALAR) um exercício de auscultação ( TERMO CIENTIFICAMENTE CURIOSO) das preocupações dos cidadãos portugueses no que respeita às grandes questões da actualidade europeia. O projecto é co-financiado (AINDA BEM PARA ALGUNS) pela Comissão Europeia no âmbito do seu ‘Plano D’ (D DE DÍVIDA? DE DEUTSCHLAND?; DE DARFUR? NÃO; É MESMO SÓ "D"... BRUXELICES)

Tal como no primeiro Debate Nacional, que decorreu em 2002/2003, (POIS...) o projecto vai culminar no II Congresso Portugal e o Futuro da Europa, (COMO É QUE CULMINA A AUSCULTAÇÃO ?) o momento por excelência para fazer o ponto do debate europeu em Portugal, nas vésperas do início da Presidência portuguesa da União Europeia e ainda na sequência do 50º aniversário dos Tratados de Roma. Esta iniciativa vai reunir personalidades ( PERSONALIDADES?? QUE GIRO!!! ) nacionais e estrangeiras ( ESTRANGEIRAS???? ENTÂO NÃO SOMOS TODOS CIDADãOS EUROPEUS???) que tenham tido um papel relevante no processo de integração europeia e se disponham agora a reflectir sobre o futuro da Europa (AINDA ESTÂO SÓ A REFLECTIR????).

Os trabalhos do Congresso de 25 e 26 de Junho, ( QUE INTERESSANTE ENVIAR calls for papers 40 DIAS ANTES..) como poderá constatar pelo programa em anexo CLARO QUE NÃO CHEGUEI A CONSTATAR COISA NENHUMA), desdobram-se entre sessões plenárias e grupos de trabalho (LUTA DE CLASSES EM PERSPECTIVA), sendo que para estes últimos foram identificados/definidos três grandes temas gerais: (REDUNDANTE)

Valores , objectivos e políticas da União

A Dimensão Económica e Social

A Europa no Mundo.

Nos grupos de trabalho serão apresentados e discutidos textos originais – a que chamamos ‘teses’ –, ( ISTO É, PARA O PROLETARIADO INTELECTUAL) que no seu conjunto serão um contributo para as conclusões do Congresso.

Para garantirmos (NINGUEM GARANTE NADA) o sucesso desta iniciativa, é importante contarmos com a participação daqueles que regularmente se dedicam a acompanhar as temática em discussão (AQUI ACREDITO). Assim, queria pedir-lhe que nos apresentasse uma tese (2 páginas A4) sobre o tema geral A Europa no Mundo, mais propriamente sobre Multipolaridade e Poder. Encontrará em anexo uma lista com os temas dos Grupos de Trabalho, e com os sub-temas. Se desejar apresentar a sua contribuição sobre um outro tema que não o sugerido, peço-lhe o favor de o indicar. (AQUI HÁ LIBERALIDADE. PENSANDO MELHOR: É O VALE TUDO..DESDE QUE ENCHA.)

A sua tese não deverá exceder os 5000 caracteres, e deverá ser enviada, caso aceite o nosso convite, o mais tardar até 31 de Maio. (AFINAL É SÓ 18 DIAS ANTES). A tese, para além de indispensável à boa organização dos grupos de trabalho, fará parte do volume de documentação distribuído a todos os participantes no Congresso, facultado à imprensa e difundido tão largamente quanto possível.

Aos autores de teses, que venham de fora de Lisboa, (O RESTO É PAISAGEM) o IEEI pagará a estadia nos dias do Congresso.

Agradecendo desde já a sua colaboração, envio-lhe os meus cumprimentos.


Caro Sr. NN:

Se assim o posso dizer, tenho todo o gosto em declinar o seu "convite".
Convites têm o seu formalismo até porque quem, como eu, não trabalha para a indústria dos pareceres nem opina em trabalhos subsidiados, apenas elabora trabalhos gratuitos se entender que os convites se revestem de relevância científica e nacional. Não é o caso.

O que me foi enviado foi um simples" call for papers", que lhe ficaria bem a si ou á sua organização assim designar e que pelos motivos aduzidos me fica igualmente bem recusar
Atentamente

Mendo Castro Henriques

10.5.07


Sai a 14 de Maio o livro «OErro da Ota e o Futuro de Portugal».

Prof. Eng.º António Brotas, Prof. António Barreto, Escultor Cerveira Pinto, Prof. Eng.º António Diogo Pinto, Prof. Doutor Galopim de Carvalho, Arq.º Carlos Sant'ana, Eng.º Frederico Brotas de Carvalho, Arq.º Gonçalo Ribeiro Telles, dr. José Carlos Morais, Major General PilAv, José Krus Abecasis, General José Loureiro dos Santos, Judite França, Arq.º Luís Gonçalves, Prof. Mendo Castro Henriques, Dr. Miguel Frasquilho, Patrícia Pires, Dr. Pedro Quartin Graça, Engº Reis Borges, Dr. Rui Moreira, Rui Rodrigues, Eng.ª Teresa Maria Gamito e Dr. Vítor Bento.
Mais informações aqui.
O panorama traçado pelos autores revela que não está apenas em jogo decidir se o novo aeroporto de Lisboa deve ser grande e substituir o da Portela; se deve ser mais pequeno e servir os voos de Baixo Custo e combinar-se com o actual, na solução Portela +1; ou se deve haver um novo aeroporto na grande banda de território plano entre Tejo e Sado que vai desde o Campo de Tiro de Alcochete até à Marateca. O que está em jogo exige começar por “sentir o território”; tentar perceber a geografia da região metropolitana de Lisboa; quais as potencialidades dos grandes estuários e a ligação dos corredores do Tejo e Sado; as vulnerabilidades da expansão a Norte do Tejo; a abrangência e as ameaças ambientais ao aquífero da península de Setúbal; a rede de ligações mar e terra, os portos e o transporte ferroviário e rodoviário.


Em segundo lugar, os autores deste livro rejeitam a Ota. Foi uma decisão mal preparada por sucessivos governos; mal fundamentada do ponto de vista técnico; acompanhada da ocultação e da manipulação de estudos; e desacompanhada por precauções relativamente à especulação fundiária:rejeitam o erro da Ota que contraria toda e qualquer normalidade de procedimentos de “bom senso”

Em terceiro lugar, aceitam que a Portela tem de ser complementada por um novo Aeroporto que deverá surgir de uma perspectiva de implementação faseada. O novo Aeroporto Internacional terá de reservar espaço de desenvolvimento para todo o século XXI. Para isso, o território em que se implanta deve ser bem compreendido, e as ligações com portos e ferrovias bem estabelecidas porque, em futuro próximo, as contingências ambientais limitarão a correcção de trajectória.
Mais notícias sobre o Erro da Ota. em primeira mão, aquino somosportugueses.

9.5.07

Uma Carta para o arraial do barrete frígio - MAnuel Alves

Sob o título "Aos Republicanos", o historiador João Medida publicou hoje no Jornal de Letras, uma Carta que julgo deve merecer a atenção de todos os que, como eu, entendem que a Instituição Real é a que melhor pode servir na Suprema Magistratura de um Estado verdadeiramente republicano e português.Pedindo perdão aos seus "compatriotas de barrete frígio", João Medina vem dizer "com franqueza e sem quaisquer intuitos de desafio ou provocação, a dois anos do centenário da data da implantação da I República", "em termos simples, cordatos e benévolos": "… não creio que valha a pena preparar, oficialmente, ou mesmo em meios académicos, a celebração dum mau defunto que foi esse regime de década e meia de vigência atarantada, e que, bem feitas as contas, teve nada menos do que 47 governos que a desgovernaram por trancos e barrancos (...) de atribuladíssima e caótica duração, com muitas bernardas castrenses de permeio, sedições várias, tumultos constantes e quase sempre mais ou menos sangrentos, de atropelos à legalidade e ditaduras disfarçadas ou às escancaras, sem falar da Ditadura das Urnas, com o 'partido democrático' do dr. Afonso Costa (aquele homem de Direito que foi uma vez ao Porto, em 1902, com uma soqueira, para agredir à traição o Sampaio Bruno), mais uma participação em tudo funesta e catastrófica nos conflitos europeu e africano, e, por fim, uma degola que nos privou da Liberdade, com certa lógica fatal depois de tanta bagunça, desassossego, insensatez política e falta de implementação mínima dum regime sério de Cidadania, Educação generalizada ou Progresso material, porquanto nem se educou o povo, nem se fez de cada português um cidadão livre, nem se melhorou a vida dos portugueses".A concluir, João Medina lança aos correligionários algumas perguntas: "Em 2010 vamos, em suma, celebrar o quê? O começo dum erro imenso e desastroso para o país que somos? A nova versão da comédia offenbaquiana da monarquia constitucional, agora em versão sanguinolenta? (...) Não seria melhor, em vez de celebrarmos o 5 de Outubro, rezarmos-lhe um responso (laico) pela pobre alma penada que ele foi? Antes isso do que comemorar uma República sem republicanos, como a nossa é."Fazemos nossas as palavras citadas do seu balanço da I República, mas acrescentamos ao desalento das suas interrogações finais: se o que é nefasto não se celebra, pode no entanto ser comemorado com a História diante dos olhos, como aliás o historiador, o ensaísta, e Professor Catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, acaba de fazer nos trechos que escolhi desta Carta. Como deixou escrito D. Jerónimo Osório, nas vésperas do nefasto 1580, "A História é proveitosa para adquirir prudência, poderosa para despertar virtudes, saudável para sanear as feridas da República".

Sarkozy -1, Ségolène - 0, par Pierre Nessuno

Qu'est-ce qu'il y a en commun entre Nicholas Sarkozy et le Philosophe Arthur Schopenhauer? On dit qu'ils ont, touts les deux, fait un pacte avec le Diable. Le premier parce que, pendant qu'il voulait dédier sa vie à la Philosophie et la Littérature, il a agréé à une voyage pour l'Europe que son père lui offrait, à condition que son fils accepterait devenir homme d'affaires comme lui. Il l'a fait, en comptant sur les bénéfices du voyage pour le développement de ses idées mais il a du donner presque 14 ans de sa vie dans un bureau, d'où seulement sa mère le libèra, brisé en larmes. Il est résté un homme amer et sensitif, d'une forme extrême, jusqu'à la fin de sa vie.
Et Sarkozy? On raconte beaucoup de choses vers son ambition demésurée, vers ses méthodes, mais, maintenant que le jugement des urnes s'est incliné vers lui, on ne voit que le splendeur du bâtiment, en oubliant les ombres de ses fondememts. Nicholas Sarkozy ne semble pas amer, bien que de la physionomie de deux, Schopenhauer et Sarkozy, se détachent les yeux bleus, vivaces et victorieux dans le visage tordu de Schopenhauer, insomnes et malins dans le visage exauste, presque déprimé, de Sarkozy. On dirait qu'en Schopenhauer , celui-ci a du tromper Mephisto qui revenait pour réaliser son crédit, tandis que Sarkozy semble encore très loin de ce moment-là.
Y-a-t'il une prière contre ces ombres? Oui. Il y a une prière pratique: une formule politique qui séduit la masse des citoyens en les poussant jusqu'à des choix de plus en plus étroits et irréversibles, est un règime qui conduit à la guillotine. La Gauche et la Droite ont été une création d'un vertige qui a mené, en peu de temps, le visage et la tête humaine d'une Nation a être tranchée. C'est vrai que le Parti Socialiste, autre Instituition de la France des Jacques du Moyên-Age et de la Fronde du Parlement de Paris, a créée le Front National, parce que les préocupations nationales et sociales étaient communes, entre gens de ville et gens de Province. Et c'est vrai aussi que la Superbe française de Napoléon a créée la Révolution Permanente et l'empire-ou-la-mort. Dans cette frime, dans cet'effroi, il n'y a lieu que pour un jour de tempête où se croisent les obscurités nuageuses et les éclairs étincelants. On doit faire un choix final, élire un Empereur et marcher avec lui.
Mais il me semble que, cette fois, la Marianne éloquente n'a pas été soumise ni par la violence, ni par l'amour, mais par la fuite, pendant que le vieillard des Guerres et des batailles, le breton de la Mer où les pêcheurs disent que c'est mieux ne savoir pas nager pour mourir sans douleur, s'est rétiré sous l'ombre inépuisable de la Méditérranée comme dans un coquillage.
Au millieu de tant de volonté de triomphe, de vólonté d'Empereur dans une Nation qui se prend pour la mère de toutes les Républiques, j'ai entendu quelqu'un qui a décidé de oublier cette chanson guerrière, chantée d'ailleurs avec des verses différents par des érangés vengeurs et par des vendéens en rage, la Marseillaise. C'était François Bayrou qui, en chantant tout seul, devant la foule de ses supporteurs, une simple chanson paysanne, du Sud, une chanson d'amour à la France et à la vie, a résumé, pour moi, la France pure et persistante de Ste. Jeanne d'Arc.
S'il était sorti vainquer ça signifierait une France plus soluble dans une Europe bureaucratique? Peut-être, mais ça serait une France plus humaine, aussi.

8.5.07

Shop until the planet drops , By: Jon Rynn

A specter is haunting the world, but it is not a well-defined ideology,
like capitalism or communism. And yet, since World War II, it has been
responsible for more destruction than these ideologies, creating a
civilization that is copied the world over, one that specializes in
using up as much oil and coal, forests and land as possible. It is the
specter of suburbanism, the idea that it is everybody’s God-given right
to live as far away from work, shopping, recreation and friends and
relatives as one wants to. Now that we are confronted with a virtually
intractable set of global problems, what is the recommended path to
global safety that seems to emanate from this “non-negotiable
lifestyle”? Shopping, of course!By compartmentalizing political, economic, and even
ecological theory,
the fate of the planet is being jeopardized. By concentrating on just
politics, a political theorist does not consider the importance of
being a good steward for the economy and ecosystems. The discussion of
political democracy is impoverished, because it should be clear by now
that excessive concentration of economic power leads to a thoroughly
warped democratic political system.

3.5.07

Blogues Militares



Creio que em POrtugal ainda ninguém falou deste tema - soldados que blogam.
Em Abril 19, o exército de ESTADOS UNIDOS proibiu os soldados de afixar blogs ou emitir mensagens pessoais do E-mail, sem primeiro serem autorizados pelo oficial superior. É a limitação mais forte em actividades da tropa desde o começo da guerra do Iraque. E poderia significar o fim dos blogs militares.
O Blog da Guerra (Simon & Schuster) 2006, N. York, é UM LIVRO REPLETO com os relatórios dos diários do Internet dos soldados americanos no Iraque e Afeganistão. Agarre-o antes das ordens recentes de 18 de Abril que estabelcerama censura dos blogs. O patriotismo do guerreiro puro é a linha comum destas reflexões, as cartas de amor e histórias de combate. Dá uma compreensão melhor na perspectiva do combatente .. Mostra também que o exército profissional de cidadãos das classes baixas quer "doing the job" e não colocar perguntas de politica nacional ou internacional.

Abaixo fica um excerto de um soldado blogger muito nacionalista que mostra a trapalhada civil militar em que a guerra de 4ª geração se tornou. Não existem combates puros mas operações controladas a montante e a juzante pelos oficiais politicos do JAG, os comissários políticos da democracia. è bom ou mau ? É assim!

Segue um excerto de
SI VIS PACEM PARABELLUM

2007.02.01
ONCE IN A WHILE A VETERANS THOUGHTS ARE ECHOED
This is not from me, it is a NCO in A'stan. MAJ K and I both liked what he had to say.

Things that I am tired of in this war:

I am tired of Democrats saying they are patriotic and then insulting my commander in chief and the way he goes about his job.

I am tired of Democrats who tell me they support me, the soldier on the ground, and then tell me the best plan to win this war is with a "phased redeployment" (liberal-speak for retreat) out of the combat zone to someplace like Okinawa.

I am tired of the Democrats whining for months on T.V., in the New York Times, and in the House and Senate that we need more troops to win the war in Iraq, and then when my Commander in Chief plans to do just that, they say that is the wrong plan, it won't work, and we need a "new direction."

I am tired of every Battalion Sergeant Major and Command Sergeant Major I see over here being more concerned about whether or not I am wearing my uniform in the "spot on," most garrison-like manner; instead of asking me whether or not I am getting the equipment I need to win the fight, the support I need from my chain of command, or if the chow tastes good.

I am tired of junior and senior officers continually doubting the technical expertise of junior enlisted soldiers who are trained far better to do the jobs they are trained for than these officers believe.

I am tired of senior officers and commanders who fight this war with more of an eye on the media than on the enemy, who desperately needs killing.

I am tired of the decisions of Sergeants and Privates made in the heat of battle being scrutinized by lawyers who were not there and will never really know the state of mind of the young soldiers who were there and what is asked of them in order to survive.

I am tired of CNN claiming that they are showing "news," with videotape sent to them by terrorists, of my comrades being shot at by snipers, but refusing to show what happens when we build a school, pave a road, hand out food and water to children, or open a water treatment plant.

I am tired of following the enemy with drones that have cameras, and then dropping bombs that sometimes kill civilians; because we could do a better job of killing the right people by sending a man with a high powered rifle instead.

I am tired of the thousands of people in the rear who claim that they are working hard to support me when I see them with their mochas and their PX Bags walking down the street, in the middle of the day, nowhere near their workspaces.

I am tired of Code Pink, Daily Kos, Al-Jazzera, CNN, Reuters, the Associated Press, ABC, NBC, CBS, the ACLU, and CAIR thinking that they somehow get to have a vote in how we blast, shoot and kill these animals who would seek to subdue us and destroy us.

I am tired of people like Meredith Vieria from NBC asking oxygen thieves like Senator Chuck Hagel questions like "Senator, at this point, do you think we are fighting and dying for nothing?" Meredith might not get it, but soldiers do know the difference between fighting and dying for something and fighting and dying for nothing.

I am tired of hearing multiple stories from both combat theaters about snipers begging to do their jobs while commanders worry about how the media might portray the possible casualties and what might happen to their career.

I am tired of hearing that the Battalion Tactical Operations Center got a new plasma screen monitor for daily briefings, but rifle scope rings for sniper rifles, extra magazines, and necessary field gear were disapproved by the unit supply system.

I am tired of out of touch general officers, senators, congressmen and defense officials who think that giving me some more heavy body armor to wear is helping me stay alive. Speed is life in combat and wearing 55 to 90 pounds of gear for 12 to 20 hours a day puts me at a great tactical disadvantage to the idiot, mindless terrorist who is wearing no armor at all and carrying an AK-47 and a pistol.

I am tired of soldiers who are stationed in places like Kuwait and who are well away from any actual combat getting Hostile Fire/Imminent Danger Pay and the Combat Zone Tax Exclusion when they live on a base that has a McDonald's, a Pizza Hut, a Subway, a Baskin Robbins, an internet café, 2 coffee shops and street lights.

I am tired of senior officers and commanders who take it out and "measure" every time they want to have a piece of the action with their helicopters or their artillery; instead of putting their egos aside and using their equipment to support the grunt on the ground.

I am tired of senior officers and commanders who are too afraid for their careers to tell the truth about what they need to win this war to their bosses so that the soldiers can get on with kicking the ass of these animals.

I am tired of Rules of Engagement being made by JAG lawyers and not Combat Commanders. We are not playing Hopscotch over here. There is no 2nd place trophy either. I think that if the enemy knew some rough treatment and some deprivation was at hand for them, instead of prayer rugs, special diets and free Korans; this might help get their terrorist minds "right."

I am tired of seeing Active Duty Army and Marine units being extended past their original redeployment dates, when there are National Guard Units that have yet to deploy to a combat zone in the last 40 years.

I am tired of hearing soldiers who are stationed in safe places talk about how hard their life is.

I am tired of seeing Infantry Soldiers conducting what amounts to "SWAT" raids and performing the US Army's version of "CSI Iraq" and doing things like filling out forms for evidence when they could be better used to hunt and kill the enemy.

I am tired of senior officers and commanders who look first in their planning for how many casualties we might take, instead of how many enemy casualties we might inflict.

I am tired of begging to be turned loose so that this war can be over.

Those of us who fight this war want to win it and go home to their families. Prolonging it with attempts to do things like collect "evidence" or present whiz bang briefings on a new plasma screen TV is wasteful and ultimately, dulls the edge of our Infantry soldiers who are trained to kill people and break things, not necessarily in that order.

We are not in Iraq and Afghanistan to build nations. We are there to kill our enemies. We make the work of the State Department easier by the results we achieve.

It is only possible to defeat an enemy who kills indiscriminately by utterly destroying him. He cannot be made to yield or surrender. He will fight to the death by the hundreds to kill only one or two of us.

And so far, all of our "games" have been "away games," and I don't know about the ignorant, treasonous Democrats and the completely insane radical leftists and their thoughts on the matter, but I would like to keep our road game schedule.

So let's get it done. Until the fight is won and there is no more fight left.



-D

I hope Big Army hasn't taken a piece of his behind...

28.4.07

Um livro de Ciência, por André Bandeira

Acabei de ler o livro do Biólogo Richard Dawkins que foi lançado no fim do ano passado. Traduzo o título "The God Dellusion" por " A Desilusão de Deus" ou "Uma desilusão chamada Deus".
Richard Dawkins, que nos fascinou a todos há trinta anos com " O Gene Egoísta", é responsável, num dos Colégios de Oxford, pela cadeira de "Imagem Pública da Ciência". Não sei quem lhe encomendou este livro, talvez ele mesmo, nem ninguém me encomendou o sermão que vou fazer a seguir.
Richard Dawkins declara-se ateu, lista ao fim uma série de organizações que ajudam as pessoas a fugir da religião mas fá-lo de um modo tolerante como se fosse o velho do Restelo inglês que dizia mal da expedição do Mayflower levando o código genético da América para a terra dos Índios. O livro começa com Teologia, de que Dawkins domina o essencial, a meu ver, e fica-se por uma fórmula de Sísifo a escorregar para o outro lado da montanha a cujo tôpo levou o pedregulho. Ou, por outra, é como Pascal, prestes a perder a Fé: se a inexistência de Deus é improvável, a sua existência é muito mais improvável.
De resto o livro é acessível e a doutrina de Dawkins é Darwin. Serve-se dela para dar uma tareia monumental nos Evangélicos norte-americanos, uma tareia mais prudente nos perigosos islâmicos e, no fim, para atacar uma nuvem de Catolicismo e Cristianismo ateu ou civilizado que lhe dá ganas, desde que era menino de côro anglicano. Embora o livro seja um ataque justo aos fundamentalismos que aumentaram com o ataque do 11 de Setembro -- e nisso dá o que de melhor o Pensamento Europeu pode dar -- vai mais longe e ataca aquilo que o impede de escorregar definitivamente para o outro lado da colina de Sísifo e pôr Pascal ateu: o seu cristianismo de formação. Está no seu direito, tem engenho e arte para isso e os cristãos precisam muitos destes ateus com quem conversarem.
Paradoxalmente o livro acaba com um capítulo, "A mãe de todas as burkhas" em que compara o cérebro humano a mais um órgão que vê o mundo por uma frincha. Embora termine a fazer votos que o pensamento humano se liberte dessa "burkha" e possa ver um universo sem limites, designa todo o manancial de saber e experiência da Humanidade, como a arte de se cobrir com uma "burkha". Ou seja: a mente sabe porque se soube cobrir com uma burkha. Impressionante. Os islâmicos descobriram isso sem irem a Oxford. Enfim, Dawkins, sem o saber, é tão ateu como um islâmico que há trinta anos atrás seria maoísta e lembremo-nos que as tropas do exército de Mao Zedong, entraram em várias escolas, durante a derrocada e fuga do Kuomitang para a Formosa, proclamando aos estudantes sentados a doutrina de Darwin.
Enquanto o ateísmo de Dawkins se processa por raios de luz, alguns deles ressentidos, mas outros brilhantes e com sentido de humor, como se Dawkins estivesse esgotado sem se dar conta disso, os islâmicos descobriram a arte da fuga, quero dizer, da sombra.
Dawkins foi o grande divulgador da doutrina do "meme" uma espécie de forma pura, resistente a séculos e intempéries como o gene e capaz de se repetir por milhões de anos mas sob uma forma cultural. A certa altura, o "meme" de Dawkins confunde-se com ele próprio, come-o e diz exactamente o contrário do que ele começou a dizer.
À tolerância de Dawkins, plural e benfazeja, falta-lhe um pouco de arte, um pouco de humildade e, apesar de toda a liberdade, um pouco de saudável loucura.

26.4.07

Abril, por Pedro Cem

Abril é um belo mês, em Portugal. Havia mesmo uma canção que fez moda, nos anos sessenta, quando ainda havia canções, titulada "Abril em Portugal". Depois veio o 25 de Abril. Cada vez me convenço mais que a História marcha sózinha, furando muitas vezes as folhas de papel vegetal das nossas representações e quimeras. E, quando digo História, não sei o que isso é, senão umas historietas com que nem me não dão crédito.
Salgueiro Maia era um ilustre português. Parece que sim, que foi com uma granada para se suicidar em conjunto com o Brigadeiro que se lhe opôs,se este o quisesse prender. E morreu depois, jovem, com cancro, devagarinho, recusando todas as honrarias que a taina dos abrileiros lhe queira dar. Não sou ribatejano mas reconheço a raça desta gente.
Sei também hoje que Abril foi feito à tôa e que se não fossem as pessoas estarem fartas de um regime que não se resolvia, provavelmente os militares fariam um segundo golpe falhado, como a "Marcha" das Caldas de Março anterior, até que o regime cairia mesmo. E talvez com as mesmas coisas que levaram ao 25 de Novembro e as mesmas soluções disparatadas para as colónias, talvez (quem sabe?)com um pouco de mais bom-senso e menos comunistas de 26 de Abril, prontos a todas as touradas. Mas cada vez mais me convenço que, salvo honrosas excepções, não somos actores da História política. Ou somos manipuláveis e muitas vezes manipulados por quem é profissional ou temos que nos fazer manipuladores. Os portugas eram boa gente, melancólica e de coração. Mataram muito menos gente que todos os seus confrades coloniais. Mataram muito menos gente que as guerras de libertação dos anti-coloniais. Por isso, foram de cravo ao peito, o símbolo da ferida aberta, chaga ao peito como o coração de Jesus. E, sobretudo porque era Abril, mês de esperança, Ano Novo de tibetanos, persas e xiitas, os que adoram Nossa Senhora de Fátima. Porque o céu se dota de uma côr e a água vem molhada de luz e o coração se embriaga duma esperança sem razão nem porquê. Morrer em Abril não custa e, por isso, os soldados que receberam a ordem de metralhar Salgueiro Maia na rua, se recusaram, um Alferes primeiro, um Cabo depois. Um português não mata se não lhe encherem a cabeça que todos à volta se matam uns aos outros e assim é que é.
E foi, trinta e três anos depois, no que caímos: vamo-nos matando uns aos outros, irmão não conhece irmão, o filho não conhece a mãe.
Salgueiro Maia e Zeca Afonso, que eram boas almas, diriam coisas muitas estranhas para os abrileiros, se ainda hoje fossem vivos. Morreram e deles ficou, nem o protagonismo revolucionário de quem queria um Verão eterno depois da Primavera, nem a grandiloquência de uma História Pátria autista que quer um Inverno longo, pela cobiça da Primavera. Um era soldado, o outro poeta. Profissões ingratas e obscuras onde o único salário garantido é o da humildade e o do silêncio.

25 de Abril Sempre

O David Garcia publicou no nosso www.somosportugueses.com um 25 de Abril sempre, original e provocador, com que em boa parte me identifico

24.4.07

Imaculada Conceição


A Rita Barata Silvério escreveu o seguinte numa das suas crónicas
Por ela enfrentaram-se correntes doutrinais, levantaram-se edifícios e talharam-se obras de arte; é fonte de inspiração para Cantatas de Bach, romarias populares e fenómenos extraordinários com velinhas na Avenida da Liberdade; exemplo de caridade e amor, a essência da maternidade. Maria. Nunca houve mulher que contribuísse mais para a discussão filosófica no Ocidente e nenhuma mulher mereceu mais devoção que ela. Pura, virgem e imaculada. Mas também caridosa, auxiliadora, mística, dolorosa, reconciliadora ou milagrosa. E a mulher que se espera sejamos todas as que viemos depois. Concordarão que não é propriamente fácil sobreviver a um modelo destes. E não me leiam aqui como uma iconoclasta radical de esquerda, sou só realista. Como alcançar tamanha virtude num mundo pejado de excessos carnais, publicidade erótica na televisão e incentivos à evasão fiscal? Não se nos terá exigido demais ao género feminino? Não poderiam ter escolhido Maria Madalena, pecadora, mas arrependida apesar de tudo? (continua...)

E eu respondi-lhe:


Rititi
Parabéns. Já não a lia há que meses mas surpreendeu-me com este post. É mesmo uma intelectual que sente, coisa tão rara como o Engenheiro Álvaro de Campos que, felizmente, não teve de provar se tinha diploma. O seu ponto neste post é que as glórias de Maria são conseguidas à custa da desumanidade da mesma. Como corolário, a doutrina do cristianismo não se aguenta pois pede uma utopia, e uma chata ainda para mais. Alguém falou em comunismo ou marxismo-Leninismo? O seu protesto humano, demasiado humano como dizia o outro, tem todo o sentido e não tenho uma resposta para ele. Santos e pecadores, eles andam por aí misturados.
Em todo o caso lembro-me disto. Dos quatro dogmas sobre Maria, o 1º, A "Imaculada" foi analisado foi si razoavelmente, tanto quanto a ignorância da escolástica lhe permite. Atenção. Não leve isto a mal. O que quero dizer é que acertou no centro da questão mas não percebe muito dos arredores. O 2º dogma é a "Assunção" de 1950, a subida ao "céu". Contudo Pio XII não quis proclamar as outras duas propostas de dogma que jazem nas gavetas do Vaticano, a Mediação de todas as Graças e a Co-redenção. A serem proclamados colocariam Maria quase a par de Jesus Cristo nas suas eficácias teologais. Já viu: a mãe de Deus pare, salva, ajuda e sobe ao Céu como o filho de deus. Deus é feminino, ou quase. Agora , sff, ponha entre parênteses, como os matemáticos e os fenomenólogos, se estas ideias são falsas ou verdadeiras. Nenhum de nós é teólogo, não as vamos discutir. Concentre-se apenas no que elas significam em colocar a mulher a par do homem, como orientação. Uma religião que pensa assim não deixa usar burkas, nem fazer excisões, nem segregar do trabalho, nem diminuir os direitos, nem mandar as virgens servirem no céu os "mártires" violentos. Uma religião que exalta Maria como tão "desumana" talvez crie o mesmo efeito com meios transcendentes que a Jane Fonda que nos seus sessenta bem puxaditos, com aeróbica e cremes, ainda é um regalo imanente. Vê onde eu quero chegar? Não me passaria debater se é verdade ou mentira o conteúdo daqueles dogmas marianos - os proclamados e os por proclamar. Mas vendo os efeitos, as consequências, e os frutos dos mesmos a mulher saiu mais defendida do que noutras culturas -islâmicas, budistas, "you name it"- que se marimbam para as suas Marias.
Com estima
mendo henriques

22.4.07

Num carrinho, para a Lituânia, por Peregrino

Aí vou eu, para Vilnius. Resolvi ir pela terra, com o dedos na areia. Dormi em combóios, meti os joelhos no queixo, entre frios e calores, por camionetas tremidas. Espreitei filmes porno em hotéis de passagem, esmaguei o nariz contra vitrinas de lojas caras. Numa Igreja toda partida pelos esbirros de Estaline, com buracos abertos para câmaras secretas onde se esconderam crianças judias para fugirem aos SS, vi uma pobre e humilde mulher lituana a rezar. Tinha um ar tão humilde e tão contraído, como se não houvesse ninguém no mundo que pudesse interessar-se pelo seu caso, tão difícil e tão obscuro. Rezei com ela, em silêncio, sem que me visse. Andei em combóios polacos, com gente de trabalho, sem peneiras, admirando o seu casaco poeirento como se fosse um trajo de reis. Ouvi polacos com manias de conquistarem a Lituânia e a Ucrânia, só porque generais e capitães ali tinham deixado o coração enterrado, em outras dores e outras quimeras. Pelo vale todo, que vai dos Urais até Bordéus, a Primavera espadanava, sem a beleza épica dos Russos, nem as delícias do Ocidente. Debaixo do braço levava um saldo de Spengler, com as suas obsessões, afinal tão passsageiras como as flores amarelas da Primavera. Na Lituânia ouvi falar demais de Igrejas e lembrei-me como se pode falar de Jesus e nem o ver a passar. Gostei de voltar nas camionetas onde lourinhas polacas e velhotas de Varsóvia se acomodavam como podiam para viagens humildes e tive saudades da humildade com que as pessoas viveram os seus longos dias de socialismo, com um saco às costas, aceitando tudo com uma sorriso agradecido. Uma lourinha surpreendeu o meu rosto e sorriu. Sorriu sem convidar, sorriu sem se fazer convidada, sorriu apenas sabendo que tinha um rosto bonito, como as flores da Primavera no seu país, sem cuidar se vestia Prada, ou se viajava em primeira, aninhando-se para a noite sem o mínimo receio de quem a rodeava. Entraram três russos com um saco de plástico a chocalhar de garrafas, quase envergonhados e, quando se sentaram olharam em volta, não quiseram ofender ninguém, foram discretamente para as traseiras. Eu gosto da humildade desta gente, da gratidão que têm por estarem vivos e mais nada. Lá fora desfilavam os bosques, onde os piratas de Januscik despertavam os lôbos ao cair da noite, na grande planície que vai até à muralha da China. E ainda bem que as almas humildes têm lôbos que as protegem durante a noite.

Cheguei aqui e acordei com trinta e dois tiros de um jovem coreano que não conseguia falar com os que o rodeavam. A loucura de conquistar o céu, faz expedições ao deserto e à selva e o suicídio rebenta-nos debaixo dos pés. E o suicídio é contagioso.

O meu pesadêlo alumia-se com o Dr. Paulo Portas, com as suas gravatas bem apertadas no pescoço, brandidno o dêdo com fúrias napoleónicas, com o seu ar de Estaline azul ou com o fantástico Sarkozy que, se fôsse cavalheiro -- sim, se fôsse o que nunca será -- abdicasse em nome da ultrajada Ségolène, ou do maltratado Le Pen. Mas isso é de um conto de fadas...

Ah, quem me dera estar encolhido, com os joelhos no queixo, na camioneta polaca, ou lituana, pela estrada estreitinha dos firmamentos da estepe!

21.4.07

Alguns conselhos básicos sobre televisão

Com base em Marshall McLuhan, Eric Voegelin e Alain de Benoist aqui ficam alguns conselhos básicos sobre televisão. Não são um lamento intelectual; são a constatação de regras de jogo
  • O meio é a mensagem
  • O espectáculo é a regra
  • É a televisão que olha para as pessoas (não ao inverso)
  • A publicidade tornou-se o paradigma das linguagens de comunicação
  • Excesso de informação é igual a falta de informação
  • As únicas boas notícias são os anúncios
  • Antes tínhamos a proibição de respostas, agora temos a proibição de perguntas