20.6.07

How war was turned into a brand in Israel


By: Naomi Klein - The Guardian
Date: 20-06-2007

Political chaos means Israel is booming like it's 1999 - and the boom is in defence
exports field-tested on Palestinians. Gaza in the hands of Hamas, with masked
militants sitting in the
president's chair; the West Bank on the edge; Israeli army camps
hastily assembled in the Golan Heights; a spy satellite over Iran and
Syria; war with Hizbullah a hair trigger away; a scandal-plagued
political class facing a total loss of public faith. At a glance,
things aren't going well for Israel. But here's a puzzle: why, in the
midst of such chaos and carnage, is the Israeli economy booming like
it's 1999, with a roaring stock market and growth rates nearing China's?

Especialidades - NB: a do barrete frigio


19.6.07

O melhor da America - cartas de jogar para soldados com mensagens para proteger a arqueologia!



The U.S. Department of Defense is distributing 40,000 new decks of playing cards to troops in Iraq and Afghanistan. But rather than depicting Saddam Hussein and other wanted Baathists—as did decks issued at the beginning of the Iraq War—each card features an archaeological message.
The cards are also part of a larger archaeology awareness program for soldiers preparing for deployment at Fort Drum, New York. The goal, says Fort Drum archaeologist Laurie Rush, is twofold: to prevent unnecessary damage to ancient sites and to stem the illegal trade of artifacts in Iraq. By familiarizing troops with specific historical objects and sites, Rush hopes that they will know what to avoid when it comes to bivouacking or setting up gun installations. "Most troops are honorable people who want to do the right thing," says Rush. "But we're not naive. Damage to sites in this conflict is enormous."
The military has long recognized that educational playing cards are a good way to capitalize on the time soldiers spend waiting for orders; during World War II, cards were issued with silhouettes of Allied and Axis fighter planes. In the archaeology deck, each suit has a theme: diamonds for artifacts, spades for digs, hearts for "winning hearts and minds," and clubs for heritage preservation.

16.6.07

Dalida, por Diógenes o maltrapilho


Estive a ver umas entrevistas de Dalida.
Dalida, a italiana do Cairo que triunfou e se suicidou em França.
Gosto muito dela. É um símbolo do Mediterrâneo, como devia ser. Um mar que nos unisse e não que nos separasse.
As entrevistas que lhe faziam eram muito machistas para a altura: iam sempre de encontro ao ponto sobre porque é que ela não não tinha filhos. Ela aguentava a pergunta como um boxeur encaixa um directo. Cerrava os dentes e explicava-se, sem deixar o agressor tremer com o impacto da própria violência que acabara de infligir. Na atmosfera do tempo dizia timidamente “ bom, parece que chegou também a altura em que as mulheres têm que trabalhar...”
A razão era muito simples: Dalida sustentava a família e, a certa altura, a espiral esmagadora do negócio obrigara Dalida, a artista, a esmagar Iolanda, a pessoa humana. Também não encontrou o Amor definitivo que tanto procurou. Nunca se chegou a saber se matou Luigi Tenco. Não sei se Tenco era o Amor ideal dela mas, pelo menos, sabiam ambos que não havia par para nenhum deles neste Mundo. Como se dois desesperados sem raiva se encontrassem no deserto do Mundo, depois da Guerra nuclear universal.
Tinha outras qualidades além de cantar como ninguém a canção de Leo Férré “ Avec le Temps...”, não porque acreditasse na vitória final do Inverno sobre nós, mas porque soube dizer com uma voz de Esparta aquilo que o coração vermelho e negro do cátaro Ferré, tentava loucamente avisar ao Mundo. E enquanto Ferré, o anarquista, tinha ainda voz para gritar, Dalida, a de Direita, não se apercebia que era ela a heroína da própria canção.
Tinha, Dalida, outra qualidade: conseguiu pôr os amigos todos a almoçar ao Domingo com ela e fê-los todos viver na sua vizinhança em Monmartre. Também havia uma forma de Amor para estas “biscas” e estes “desacreditados” à volta daquela mesa dominical impecavelmente branca, onde a egípcia Dalida se esforçava por ser a Mãe e a Mulher que os outros não tinham tido. Quando a conversa amornava, Dalida alumiava-a. E, coisa extraordinária, quando alguém começava a dizer mal dum colega, Dalida levantava-se e ia-se embora para o quarto, em silêncio. Não deixava que dissessem mal de um colega.
Um dos convivas foi Bertrand Delanoe, actual Presidente da Câmara de Paris. Nele esteve esta diginidade trágica do Mediterrâneo que lhe dera Dalida, quando presidiu ao enterro dos cerca de quatrocentos solitários que morreram sem que ninguém os viesse reclamar durante o Verão excepcionalmente quente de 2003.
Não havia descanso neste mundo para Dalida. Deixou a luz acesa quando se matou.
Seremos nós capazes de a ir apagar? E de lhe fechar os olhos, com um afago?

10.6.07

La République légitime et la République disproportionnelle, par Pierre Nessuno

"Ao Maltês, e à República com que devemos guardar um Portugal com Rei"


Maximillien, l'Empereur du Mexique était fusillé par les troupes de Benito Juárez, à bout portant, le 19 Juin de 1867, il y a presque 140 ans.
Il était marié avec Charlotte de Belgique, fille du Roi Léopold I et il était le frère du Kaiser François-Joseph, donc membre d'une famille tragique.
Je n'ai pas le goût de contempler les os de ces victimes des Hommes.
Maximillien a été fusillé à cinq mètres, à gauche du général indien Mejìa ( dont il a dit, après le nommer comme réluctant Chef d'État majeur, malgré la noblesse coloniale hispanique:" vous êtes un azthèque, donc je ne vois sous ce toit personne de plus ancienne noblesse que vous"). Et du général d'origine espagnole, Miramon, à sa droite. Les dernières paroles de Maximillien ont été "Hombre!" après avoir commandé ses derniers souhaits en hongrois pour sa mère, et en italien pour sa femme dont la mort annoncée il se refusait de croire.
Et bien, qu'est-ce que ces deux généraux, un espagnol perdu dans le monde et un humble indien, on crié avant de mourir? "Viva la Republica mejicana! Viva el Emperador!"
C'est juste de dire que l'Empire du Mexique a été une construction de la France de Napóleon III, et d'un Empereur autrichien qui voulait exiler un frère, trop populaire par sa conscience sociale.
Et qu'importe ça aujourd'hui?
Il y a les empereurs sortis de la République coupeuse de têtes, des barroudeurs et de la Terreur qui ont l'art de séléctionner le champ de bataille, et faire croire que le choix entre eux et les opposants, c'est entre la volonté et la faiblesse. Ces Empereurs qui on profité de la divison inventée entre "Gauche" et "Droite", pour acquérir la légitimité qu'ils n'ont jamais eue, parce que la légitimité ne sera jamais l'obéissance à l'impératif éléctoral "Tu voteras!". D'un monde rasé au sol, cet'"Empire" est le coup de pied des faibles, la mensonge de la vitalité où le moi dissout l'Univers en lui.
Et pourtant... il y a aussi les Empereurs qui, bien qu'anachroniques, en parlant des langues étranges, en venant d'un monde lointain et improbable, en étant Rois dans une République, ne seront pas jugés parce qu'ils ne l'ont pas emporté dans le champ de bataille.
Ce sont les Empereurs du Coeur, qui régnent bien au-delà de leur mort physique.
Quand les gens se rétirent du champ de la démagogie, quand elles s'abstiennent sans paroles pour l'exprimer, ils ne sont plus lâches à cause de ça, ni démissionnistes: ils se gardent pour les tranchées où est l'armée des Empereurs morts qui ont encore le don de donner un coeur à la République de notre cécité...la République fêtarde de nos manipulations où la drogue de la majorité déguise l'ignorance et le mépris des Autres qui sont toujours les perdants, devant notre Moi impérialiste.

8.6.07

Um dia, por Pedro Cem

Ao Caro Anónimo com quem tive a sorte de debater o Santo Cura de Ars


Fazia hoje anos. A partir de agora, ou talvez de antes, faço anos como toda a gente que tem a sorte de os continuar a fazer. De longe a longe, com os passos rápidos, da sombra.
Há muito que passei a comemorar a hora, porque os dias dão pouco tempo para comemorações quando já aprendemos que o dia de aniversário é um dia para Servir os outros, e, só no fim, esse Eu que é ainda um Outro.
Naquela hora em que nasci, 2 da tarde, na Ribeira do Porto com o Sol pando e as peixeiras a gritarem, encontrei-me hoje no canto de um refeitório, sózinho. Ao lado, um moço africano, com o rosto suave de pupilo de missionários, pousava a cabeça olhando a parede, com aquela gratidão de todos os que neste mundo têm algo para comer. Estava só também, no seu trajo divertidamente branco de auxiliar de cozinha, sempre no extremo da mesa onde os outros trabalhadores o costumam enquadrar, entre o paternalismo e a galhofa. Lembrei-me dos tempos que passei em colégios ou escolas pouco ricas, ao partilhar a sua expressão de quem afagava a própria mente, vidrada nos olhos, esse caleidoscópio maravilhoso que Deus nos deu a todos e que contemplamos assim com o nariz um pouco pendente, quando o corpo está calado, como se nos ocorresse qualquer memória indefinida e olhássemos para dentro. É o suave leão da vida que nos ronrona debaixo da árvore do meio-dia.

Tive sorte. Consegui ver uma Mulher muito bonita com quem me cruzo às vezes e que me poupou a culpa de devolver o olhar. Também vi as floritas da Primavera no relvado que pareciam todas agitar-se para mim, como se viajasse de combóio, sentado no refeitório.

Senti ums desolada vontade de quem precisa desesperadamente que alguém lhe pegue na mão. E, de repente, uma dessas môscas da fruta começou-me a rondar. Lembrei-me do fundador destas Duas Cidades, Santo Agostinho e do que ele dizia sobre a utilidade das môscas: despertar-nos. Este "môsco" ínfimo tocou-me várias vezes, com suavidade, como se não fosse ele, mas ambos nos encontrássemos em vôo. As ínfimas criaturas de um dia têm também esta utilidade: chamar-nos suavemente a atenção para que existem. De tal modo que, quando me levantei, as minhas mãos deslizavam pelo manto das recordações da vida, como se pela orla do manto vermelho de uma Nossa Senhora e descobri que algo existe efectivamente, de nós para fora, ronronando desde antes das nossa vidas. O toque deste veludo, por uma vez que seja, vale bem a nossa passagem.

Um momento de procissão é a Vida em que levamos o altar da Senhora, de quem flui sem fim, o manto de veludo, entre os nossos dêdos. E todos vamos atrás, levando o véu, um pouco por graça, um pouco por galhofa.

Compreendi então o pobre Nietzsche,em Turim, agarrando-se aos soluços, ao pescoço do cavalo que um carroceiro espancava. Com a sua triste figura, numa rotura de lágrimas e sangue, ele não queria dizer que era esse próprio cavalo, chamando a atenção sobre si, nem queria testemunhar uma boa-nova de amor universal a todas as criaturas. Ele, o da sorte danada, agarrava-se exausto a esse veludo que nos pulsa ao contacto da pele como quem se agarrava à vida antes dela lhe começar a deslizar pelos dedos.

Será o EU todos os fenómenos? Não sei. Nem suspeito. O Eu e todos os fenómenos são como esse véu duma Nossa Senhora da Parvónia onde as nossas mãos passam, brevemente. E, sem saber porquê, todos pegamos no véu e o levamos na procissão, de mão em mão, deslizando entre os dedos.

7.6.07

PAÍS DE MUITO MAR, de Manuel Alegre

Foto de Luis Miguel Correia

Fui ao lançamento das "Doze Naus" de MAnuel Alegre e vim de lá refrescado com o seu belo livro. Entre as várias sugestões aqui fica o país "de muita História e cada vez menos memória". O verso faz-me lembrar o "pouca-terra " dos comboios do poema de Manuel BAndeira "Café com pão". Engraçado. Dois Manuéis, Dois lusitanos, um mesmo sentimento

PAÍS DE MUITO MAR
Somos um país pequeno e pobre e que não tem senão o mar
muito passado e muita História e cada vez menos memória
país que já não sabe quem é quem
país de tantos tão pequenos
país a passar
para o outro lado de si mesmo e para a margem onde já não quer chegar. País de muito mar e pouca viagem.

5.6.07

Tu quoque, Sanchez!



Perhaps Sanchez is not a great general. he is a good citizen,yet!

The man who commanded US-led coalition forces during the first year of the Iraq war says the United States can forget about winning the war.

"I think if we do the right things politically and economically with the right Iraqi leadership we could still salvage at least a stalemate, if you will -- not a stalemate but at least stave off defeat," retired Army Lieutenant General Ricardo Sanchez said in an interview.

Sanchez, in his first interview since he retired last year, is the highest-ranking former military leader yet to suggest the Bush administration has fallen short in Iraq.

"I am absolutely convinced that America has a crisis in leadership at this time," Sanchez told AFP after a recent speech in San Antonio, Texas.

"We've got to do whatever we can to help the next generation of leaders do better than we have done over the past five years, better than what this cohort of political and military leaders have done," adding that he was "referring to our national political leadership in its entirety" - not just President George W. Bush.

Sanchez called the situation in Iraq bleak, which he blamed on "the abysmal performance in the early stages and the transition of sovereignty."

2.6.07

Carta Aberta a Mário Lino, por Mendo Henriques

Carta Aberta a Mário Lino

27/05/2007 (54 leituras)

Exm.º Sr. Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Eng.º Mário Lino:

Refere a comunicação social de 24 de Maio de 2007 que, durante um
almoço-debate sobre "O Novo Aeroporto de Lisboa", promovido pela Ordem dos
Economistas, e que ficou assinalado pela sua intervenção, não direi tanto
famosa quanto notória, que “A margem Sul é um deserto” achou também
oportuno brindar os presentes com a afirmação que "O programa do Governo
não será avaliado por 22 senhores que escrevem livros, mas pelos eleitores
em 2009".

Referia-se decerto ao livro O ERRO DA OTA e creio falar em nome de todos
os seus autores.

Naturalmente que não inferimos das suas palavras que despreza os autores
de livros, nem a cultura em geral, nem a cultura técnica e profissional
que resulta do citado livro, escrito por especialistas independentes e
isentos com a consciência cívica de estarem a prestar um serviço ao país.

Também não inferimos das suas palavras que são inúteis estudos
preliminares e chamadas de atenção fundamentadas, quando estão em jogo
opções estratégicas para o país como seja “O Novo Aeroporto de Lisboa".

Não inferimos, ainda, das suas palavras que a democracia, para si, Sr.
Ministro, é um cheque em branco passado de quatro em quatro anos, não
tanto a um Governo, mas a um partido político que selecciona esse Governo;
sempre nos ensinaram que o poder legislativo tem a primazia sobre o poder
executivo e que o Presidente da Assembleia da República é a 2ª figura do
regime.

Tudo isto, senhor Ministro, damos por pacífico que não é questionado na
sua intrigante afirmação.

Mas, Sr. Ministro, ficamos preocupados que com tanta preocupação sua,
técnica e politica, e tantos dossiers a gerir, encontre tempo para
desqualificar quem com “honesto estudo” vem concluir em voz alta o mesmo
que indicam as sondagens de Abril e Maio de 2007, segundo as quais cerca
de 92 a 93% da população nacional, ponderando os votos, está contra a
localização na Ota do Novo Aeroporto de Lisboa.

Poderá V. Exª saber que o famoso poeta alemão Heinrich Heine escreveu em
1821 que “Onde queimam livros, acabam por queimar pessoas”. Sem dúvida que
jamais terá atravessado a mente de V. Exª queimar livros e muito menos
pessoas, ao longo da sua já longa carreira política. Mas só lhe pedimos
isto Sr. Ministro: tendo o Prof. António Brotas feito a oferta a V. Ex.ª
de um exemplar da citada obra, não queime também reputações e responda a
quem merece resposta pelos depoimentos fundamentados que prestaram, como é
o caso dos 22 autores de O ERRO DA OTA E O FUTURO DE PORTUGAL

Mendo Henriques

Sir Michael Rose - Mudem de Atitude!


General Sir Michael Rose, who commanded the United Nations Protection Force in Bosnia-Hercegovina from 1994 to 1995, said coalition forces in Iraq were facing an impossible situation."

"There is no way we are going to win the war and (we should) withdraw and accept defeat because we are going to lose on a more important level if we don't," he said.

Though the coalition could not simply "cut and run," Rose said announcing a withdrawal date would help to dampen down the violence between Sunni, Shia and Kurdish factions.

"Give them a date and it is amazing how people and political parties will stop fighting each other and start working towards a peaceful transfer of power," he said.

Rose was speaking at the annual Hay Festival of Literature and the Arts in Hay-on-Wye, on the Welsh border with England.

The retired general who has written a book on the American War of Independence, made comparisons with the 1775-1783 conflict between Britain and the Thirteen Colonies.

He said: "How was it a small and extremely determined body of insurgents, thieves and deserters could inflict such a strategic and potentially disastrous defeat on the most powerful nation in the world? "The answer will be familiar to anybody who is looking at what is happening in Iraq today. "Those who don't read history are condemned to repeat the mistakes of the past." He said the allies in Iraq should have deployed more troops and not used a conventional war strategy.

"You don't win wars by regime change but by changing attitudes," he said.

He said that Iraq should have been low on the priority list compared tHe said that Iraq should have been low on the priority list compared to Afghanistan, conflicts in Africa and the battle against international terrorists."

31.5.07

Nossa Senhora da Atalaia, por Pedro Cem

Nossa Senhora da Atalaia tem um altar no Cabo Espichel em Sesimbra. Quando sai à rua em dias de festa, no andor, aos ombros de quem conhece a morte no Mar, talvez se comova por esta dor e este amor ao infinito que já ninguém crê, que uns repetem sem saber e outros crêem, baixando a cabeça frente a um mundo que os gozaria se se tentassem exprimir.

"Há aqui lugar para uma lágrima", diz-me alguém que muito amo, no meio da sua confusão de frases desgarradas por uma doença de Alzheimer galopante.

Li hoje que uma mulher desesperada por não conseguir tratar da sua filha deficiente de 25 anos, a quem tinha de assistir a comer e a movimentar-se, escolheu o Cabo Espichel para se matar, a ela mais à filha. Aconteceu de manhã, quando toda a gente se incorpora na grande serpente de carros da margem Sul. Hesitou -- disso são testemunho as travagens do carro à beira do precipício . Por fim mergulhou dentro desse bem que foi uma das conquistas do nosso progresso: um carrito para todos. Mãe e filha tiveram morte imediata. Não era casada, vivia com um modesto Canalizador que tratou da mãe e da filha, desde que esta era bébé. O homem disse que além do fardo da filha deficiente, não encontrava outras razões para aquilo. É que no húmus dos canos se pode espreitar e, às vezes, ver o Céu...

Nossa Senhora da Atalaia, que guardo ao meu lado encostada a um livro. De pele branca e cabelo prêto, muito prêto e desalinhado como essas mulheres mediterrânicas, da Grécia talvez, que acordam zonzas numa terra de sol que não era delas, mas com a mesma sombra por dentro, que o Mar nos desenhou pelas escarpas. Eu sei que te condoeste deste drama e talvez a meio da queda tivesses agarrado estas duas mulheres unidas para sempre, desde a barriga da mãe. Como agarras os pescadores que caiem ao Mar, como os puxas para baixo ternamente, no teu manto azul, ao cabo da tormenta sem fim.

Não nos rejeites Mãe do Mar, Nossa Senhora da Atalaia. Não nos deixes despertos apenas ao leme, mas também para ver a dor dos outros que tantas vezes nos passa despercebida e nos ensines a ver estas famílias pequeninas e estropiadas que são o teu presépio, alumiado no egoísmo do Verão.

22.5.07

Simple Minds, by Pedro Cem

They were always the same. They didn't take longer than a second of a second in a small Universe, among Universes. They were just a dream of a minute. They did it all, all from California, first the snappy and clumsy gestures from the sixties, then the unbalanced walking on the high-heeled shoes from the seventies and the worried beards of the eighties, then again the disparaged looks of people payed to decay in slow motion. Dennis Wilson, the drummer of the Beach Poys, over successive desintoxications of booze and chemicals, said good-bye in Atlantic City, with his beautiful performance of "You are so beautiful (to me)", when nobody loved him any more. He took a bow, livid as death, and drowned a few days later in the Ocean. He used to say: what I'm really addicted to, is to see people in front of me, being happy, having a good moment. This meant nothing, neither in Politics, nor in Philosophy, but it meant something for this human being. Brian Wilson, the Poet who created " I heard a word/ wonderful thing/a children song", stood four years in a room, managing to avoid the world, until the others thought it was too subversive to wake up one morning and decide never to walk out again from bed.
But they left something. They were even polite to jazzers, saying in a sweet rock'n'roll song that they just missed the melody in modern Jazz. They resisted Vietnam with their frail lives, they missed the opportunity of Woodstock, they performed for Ronald Reagan in a humble way, just grateful for being received on the 4'th of July of 1986, with their beards and their different statures of american pilgrims, eroded by the wind which often whistles frozen cold through the walls of US hearts. They were genuinely happy for being invited after many difficulties and hesitations, due to their "leftist inclinations", as a kind of charity guests for the 200 hundred years of America. They didn't boast, they didn't choose the correct songs either and they shook hands with an eternal-youth Reagan, as southern soldiers surrendering to the North, still enormously strong in their humility and courage.
In the Beach Boys there is this innocence and purity of the pilgrims of the Earth. They got forever hypnotized by the sun in the waves which unfold as a fabulous animal, they could never close their eyes again in a never-ending daydream, they couldn't be violent, nor clever, nor strong. Simple peasants in front of the big, big ocean. Simple minds forever...doesn't this sound wonderful? And they were clever enough just not to wake up again, ever. The rest was just struggle to keep in front of the Sea, till the sweet primeval Wave took them home.
What I like in this kind of american pilgrims is they never, never managed to lose their humility...

13.5.07

O género literário do "convite para comunicação"

Devo receber por mês uns quatro ou cinco convites para ser orador em conferências. CREIO QUE ACEITO CERCA DE METADE. Devo fazer por ano umas vinte a trinta conferências, em 90% dos casos gratuitamente, quase sempre, mas nem sempre, com as despesas pagas de deslocação.
Mas este género literário do "convite" banalizou-se de tal modo que há quem julgue que basta MANDAR O SECRETARIADO carrgegar num botão de uma lista de e-mails para obter respostas com o requentado "Agradecendo desde já a sua colaboração, envio-lhe os meus cumprimentos."
Tendo eu recebido mais um desses "convites" abaixo transcrito, ocorreu-me responder e comentar o que ainda mais abaixo se transcreve e que espero tenha um sentido elevado.

Exmo. Senhor

Dr. Mendo Castro Henriques ( EU ATÉ SOU PROF. DOUTOR, DAQUELES COM AS DATAS CERTAS, E ISSO ATÉ LHES INTERESSA, MAS ENFIM: DEIXA P'RA LÁ)

Caro Amigo ( NÃO É EVIDENTE)

O IEEI lançou em Outubro de 2006 o II Debate Nacional sobre o Futuro da Europa, (NUNCA TINHA OUVIDO FALAR) um exercício de auscultação ( TERMO CIENTIFICAMENTE CURIOSO) das preocupações dos cidadãos portugueses no que respeita às grandes questões da actualidade europeia. O projecto é co-financiado (AINDA BEM PARA ALGUNS) pela Comissão Europeia no âmbito do seu ‘Plano D’ (D DE DÍVIDA? DE DEUTSCHLAND?; DE DARFUR? NÃO; É MESMO SÓ "D"... BRUXELICES)

Tal como no primeiro Debate Nacional, que decorreu em 2002/2003, (POIS...) o projecto vai culminar no II Congresso Portugal e o Futuro da Europa, (COMO É QUE CULMINA A AUSCULTAÇÃO ?) o momento por excelência para fazer o ponto do debate europeu em Portugal, nas vésperas do início da Presidência portuguesa da União Europeia e ainda na sequência do 50º aniversário dos Tratados de Roma. Esta iniciativa vai reunir personalidades ( PERSONALIDADES?? QUE GIRO!!! ) nacionais e estrangeiras ( ESTRANGEIRAS???? ENTÂO NÃO SOMOS TODOS CIDADãOS EUROPEUS???) que tenham tido um papel relevante no processo de integração europeia e se disponham agora a reflectir sobre o futuro da Europa (AINDA ESTÂO SÓ A REFLECTIR????).

Os trabalhos do Congresso de 25 e 26 de Junho, ( QUE INTERESSANTE ENVIAR calls for papers 40 DIAS ANTES..) como poderá constatar pelo programa em anexo CLARO QUE NÃO CHEGUEI A CONSTATAR COISA NENHUMA), desdobram-se entre sessões plenárias e grupos de trabalho (LUTA DE CLASSES EM PERSPECTIVA), sendo que para estes últimos foram identificados/definidos três grandes temas gerais: (REDUNDANTE)

Valores , objectivos e políticas da União

A Dimensão Económica e Social

A Europa no Mundo.

Nos grupos de trabalho serão apresentados e discutidos textos originais – a que chamamos ‘teses’ –, ( ISTO É, PARA O PROLETARIADO INTELECTUAL) que no seu conjunto serão um contributo para as conclusões do Congresso.

Para garantirmos (NINGUEM GARANTE NADA) o sucesso desta iniciativa, é importante contarmos com a participação daqueles que regularmente se dedicam a acompanhar as temática em discussão (AQUI ACREDITO). Assim, queria pedir-lhe que nos apresentasse uma tese (2 páginas A4) sobre o tema geral A Europa no Mundo, mais propriamente sobre Multipolaridade e Poder. Encontrará em anexo uma lista com os temas dos Grupos de Trabalho, e com os sub-temas. Se desejar apresentar a sua contribuição sobre um outro tema que não o sugerido, peço-lhe o favor de o indicar. (AQUI HÁ LIBERALIDADE. PENSANDO MELHOR: É O VALE TUDO..DESDE QUE ENCHA.)

A sua tese não deverá exceder os 5000 caracteres, e deverá ser enviada, caso aceite o nosso convite, o mais tardar até 31 de Maio. (AFINAL É SÓ 18 DIAS ANTES). A tese, para além de indispensável à boa organização dos grupos de trabalho, fará parte do volume de documentação distribuído a todos os participantes no Congresso, facultado à imprensa e difundido tão largamente quanto possível.

Aos autores de teses, que venham de fora de Lisboa, (O RESTO É PAISAGEM) o IEEI pagará a estadia nos dias do Congresso.

Agradecendo desde já a sua colaboração, envio-lhe os meus cumprimentos.


Caro Sr. NN:

Se assim o posso dizer, tenho todo o gosto em declinar o seu "convite".
Convites têm o seu formalismo até porque quem, como eu, não trabalha para a indústria dos pareceres nem opina em trabalhos subsidiados, apenas elabora trabalhos gratuitos se entender que os convites se revestem de relevância científica e nacional. Não é o caso.

O que me foi enviado foi um simples" call for papers", que lhe ficaria bem a si ou á sua organização assim designar e que pelos motivos aduzidos me fica igualmente bem recusar
Atentamente

Mendo Castro Henriques

10.5.07


Sai a 14 de Maio o livro «OErro da Ota e o Futuro de Portugal».

Prof. Eng.º António Brotas, Prof. António Barreto, Escultor Cerveira Pinto, Prof. Eng.º António Diogo Pinto, Prof. Doutor Galopim de Carvalho, Arq.º Carlos Sant'ana, Eng.º Frederico Brotas de Carvalho, Arq.º Gonçalo Ribeiro Telles, dr. José Carlos Morais, Major General PilAv, José Krus Abecasis, General José Loureiro dos Santos, Judite França, Arq.º Luís Gonçalves, Prof. Mendo Castro Henriques, Dr. Miguel Frasquilho, Patrícia Pires, Dr. Pedro Quartin Graça, Engº Reis Borges, Dr. Rui Moreira, Rui Rodrigues, Eng.ª Teresa Maria Gamito e Dr. Vítor Bento.
Mais informações aqui.
O panorama traçado pelos autores revela que não está apenas em jogo decidir se o novo aeroporto de Lisboa deve ser grande e substituir o da Portela; se deve ser mais pequeno e servir os voos de Baixo Custo e combinar-se com o actual, na solução Portela +1; ou se deve haver um novo aeroporto na grande banda de território plano entre Tejo e Sado que vai desde o Campo de Tiro de Alcochete até à Marateca. O que está em jogo exige começar por “sentir o território”; tentar perceber a geografia da região metropolitana de Lisboa; quais as potencialidades dos grandes estuários e a ligação dos corredores do Tejo e Sado; as vulnerabilidades da expansão a Norte do Tejo; a abrangência e as ameaças ambientais ao aquífero da península de Setúbal; a rede de ligações mar e terra, os portos e o transporte ferroviário e rodoviário.


Em segundo lugar, os autores deste livro rejeitam a Ota. Foi uma decisão mal preparada por sucessivos governos; mal fundamentada do ponto de vista técnico; acompanhada da ocultação e da manipulação de estudos; e desacompanhada por precauções relativamente à especulação fundiária:rejeitam o erro da Ota que contraria toda e qualquer normalidade de procedimentos de “bom senso”

Em terceiro lugar, aceitam que a Portela tem de ser complementada por um novo Aeroporto que deverá surgir de uma perspectiva de implementação faseada. O novo Aeroporto Internacional terá de reservar espaço de desenvolvimento para todo o século XXI. Para isso, o território em que se implanta deve ser bem compreendido, e as ligações com portos e ferrovias bem estabelecidas porque, em futuro próximo, as contingências ambientais limitarão a correcção de trajectória.
Mais notícias sobre o Erro da Ota. em primeira mão, aquino somosportugueses.

9.5.07

Uma Carta para o arraial do barrete frígio - MAnuel Alves

Sob o título "Aos Republicanos", o historiador João Medida publicou hoje no Jornal de Letras, uma Carta que julgo deve merecer a atenção de todos os que, como eu, entendem que a Instituição Real é a que melhor pode servir na Suprema Magistratura de um Estado verdadeiramente republicano e português.Pedindo perdão aos seus "compatriotas de barrete frígio", João Medina vem dizer "com franqueza e sem quaisquer intuitos de desafio ou provocação, a dois anos do centenário da data da implantação da I República", "em termos simples, cordatos e benévolos": "… não creio que valha a pena preparar, oficialmente, ou mesmo em meios académicos, a celebração dum mau defunto que foi esse regime de década e meia de vigência atarantada, e que, bem feitas as contas, teve nada menos do que 47 governos que a desgovernaram por trancos e barrancos (...) de atribuladíssima e caótica duração, com muitas bernardas castrenses de permeio, sedições várias, tumultos constantes e quase sempre mais ou menos sangrentos, de atropelos à legalidade e ditaduras disfarçadas ou às escancaras, sem falar da Ditadura das Urnas, com o 'partido democrático' do dr. Afonso Costa (aquele homem de Direito que foi uma vez ao Porto, em 1902, com uma soqueira, para agredir à traição o Sampaio Bruno), mais uma participação em tudo funesta e catastrófica nos conflitos europeu e africano, e, por fim, uma degola que nos privou da Liberdade, com certa lógica fatal depois de tanta bagunça, desassossego, insensatez política e falta de implementação mínima dum regime sério de Cidadania, Educação generalizada ou Progresso material, porquanto nem se educou o povo, nem se fez de cada português um cidadão livre, nem se melhorou a vida dos portugueses".A concluir, João Medina lança aos correligionários algumas perguntas: "Em 2010 vamos, em suma, celebrar o quê? O começo dum erro imenso e desastroso para o país que somos? A nova versão da comédia offenbaquiana da monarquia constitucional, agora em versão sanguinolenta? (...) Não seria melhor, em vez de celebrarmos o 5 de Outubro, rezarmos-lhe um responso (laico) pela pobre alma penada que ele foi? Antes isso do que comemorar uma República sem republicanos, como a nossa é."Fazemos nossas as palavras citadas do seu balanço da I República, mas acrescentamos ao desalento das suas interrogações finais: se o que é nefasto não se celebra, pode no entanto ser comemorado com a História diante dos olhos, como aliás o historiador, o ensaísta, e Professor Catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, acaba de fazer nos trechos que escolhi desta Carta. Como deixou escrito D. Jerónimo Osório, nas vésperas do nefasto 1580, "A História é proveitosa para adquirir prudência, poderosa para despertar virtudes, saudável para sanear as feridas da República".

Sarkozy -1, Ségolène - 0, par Pierre Nessuno

Qu'est-ce qu'il y a en commun entre Nicholas Sarkozy et le Philosophe Arthur Schopenhauer? On dit qu'ils ont, touts les deux, fait un pacte avec le Diable. Le premier parce que, pendant qu'il voulait dédier sa vie à la Philosophie et la Littérature, il a agréé à une voyage pour l'Europe que son père lui offrait, à condition que son fils accepterait devenir homme d'affaires comme lui. Il l'a fait, en comptant sur les bénéfices du voyage pour le développement de ses idées mais il a du donner presque 14 ans de sa vie dans un bureau, d'où seulement sa mère le libèra, brisé en larmes. Il est résté un homme amer et sensitif, d'une forme extrême, jusqu'à la fin de sa vie.
Et Sarkozy? On raconte beaucoup de choses vers son ambition demésurée, vers ses méthodes, mais, maintenant que le jugement des urnes s'est incliné vers lui, on ne voit que le splendeur du bâtiment, en oubliant les ombres de ses fondememts. Nicholas Sarkozy ne semble pas amer, bien que de la physionomie de deux, Schopenhauer et Sarkozy, se détachent les yeux bleus, vivaces et victorieux dans le visage tordu de Schopenhauer, insomnes et malins dans le visage exauste, presque déprimé, de Sarkozy. On dirait qu'en Schopenhauer , celui-ci a du tromper Mephisto qui revenait pour réaliser son crédit, tandis que Sarkozy semble encore très loin de ce moment-là.
Y-a-t'il une prière contre ces ombres? Oui. Il y a une prière pratique: une formule politique qui séduit la masse des citoyens en les poussant jusqu'à des choix de plus en plus étroits et irréversibles, est un règime qui conduit à la guillotine. La Gauche et la Droite ont été une création d'un vertige qui a mené, en peu de temps, le visage et la tête humaine d'une Nation a être tranchée. C'est vrai que le Parti Socialiste, autre Instituition de la France des Jacques du Moyên-Age et de la Fronde du Parlement de Paris, a créée le Front National, parce que les préocupations nationales et sociales étaient communes, entre gens de ville et gens de Province. Et c'est vrai aussi que la Superbe française de Napoléon a créée la Révolution Permanente et l'empire-ou-la-mort. Dans cette frime, dans cet'effroi, il n'y a lieu que pour un jour de tempête où se croisent les obscurités nuageuses et les éclairs étincelants. On doit faire un choix final, élire un Empereur et marcher avec lui.
Mais il me semble que, cette fois, la Marianne éloquente n'a pas été soumise ni par la violence, ni par l'amour, mais par la fuite, pendant que le vieillard des Guerres et des batailles, le breton de la Mer où les pêcheurs disent que c'est mieux ne savoir pas nager pour mourir sans douleur, s'est rétiré sous l'ombre inépuisable de la Méditérranée comme dans un coquillage.
Au millieu de tant de volonté de triomphe, de vólonté d'Empereur dans une Nation qui se prend pour la mère de toutes les Républiques, j'ai entendu quelqu'un qui a décidé de oublier cette chanson guerrière, chantée d'ailleurs avec des verses différents par des érangés vengeurs et par des vendéens en rage, la Marseillaise. C'était François Bayrou qui, en chantant tout seul, devant la foule de ses supporteurs, une simple chanson paysanne, du Sud, une chanson d'amour à la France et à la vie, a résumé, pour moi, la France pure et persistante de Ste. Jeanne d'Arc.
S'il était sorti vainquer ça signifierait une France plus soluble dans une Europe bureaucratique? Peut-être, mais ça serait une France plus humaine, aussi.