13.3.07
Máximas para acabar com o Inverno, por Pedro Cem
2 - A diferença entre a Moral e a Decisão é que a Moral estabelece uma caminho entre A e B, enquanto a Decisão amputa A de B ou B de A. Porque a Moral não pretende fazer da Razão um Deus, mas apenas um Seu instrumento. É essa a diferença entre a Moral e a Ciência do Bem e do Mal, que ainda nos amarga a boca.
3 - Dantes, a Moral era um sentimento negativo. Agora é um pressentimento. Amanhã, será um calafrio.
4 - O espectáculo da desgraça tem duas razões escondidas: fazer-nos sentir bem porque não nos aconteceu a nós e prolongar a desgraça, uma vez que nos temos de adaptar ao que não muda.
5 - Com o vazio do Poder, a Povo começou a exigir a Lua, mas por despeito e consciente disso. Com a demissão dos intelectuais, os filhos abandonados aprenderam a ler com as lendas da carochinha e organizaram-se para roubar a Lua, porque na falta de Poder, a imaginação não é real, é compulsiva. Do Inferno que se segue, só nos resta pensar que as chamas, ao menos, iluminam esta escuridão absoluta.
6- Em teoria dos números, pensávamos que tudo se sucedia como uma enorme repetição dos dedos da mão. De repente afagamos um relvado e damos conta que se trata do pêlo de uma animal fabuloso, prestes a acordar.
7 - A luta mental é entre um mundo feito de alternativas e um mundo feito de conversões. Nem as alternativas se convertem, nem as conversões alternam. As alternativas aparecem mas só permitem. As conversões acontecem mas não conseguem. Conseguir não depende de nós e chegar ao fim, passar-se-á sempre além da nossa vontade.
8 - Uma das razões da Filosofia Ocidental estar com a doença de Alzheimer é a de que, provavelmente, a Mente vê as coisas, como um espelho reflecte as imagens. Até é natural, pois a pecepção não podia estar colocada à frente dos sentidos. Mas a imagem que a mente faz de si própria não tem espelho e inflama-nos. Daí a convivência culposa dos mais belos pensamentos com as acções mais bárbaras.
9 - Tanto prazer para os momentos de lazer! Quanto mais tortura nos momentos de Labôr, mais Prazer nas férias. Parecemos uns ratos doidos no Laboratório. Só nos resta recusar a ideia de que a Felicidade é equivalente ao Prazer, se não queremos enlouquecer definitivamente.
10 - A minha alma não tem sexo. Mas foi-lhe dado um corpo.
6.3.07
2.3.07
Máximas de Inverno, por Pedro Cem
2 - É impossível falar tudo o que se tem a dizer. Por isso se diz muito sem palavras. Parece-lhe óbvio? Pois...se pergunta isso, é porque aquilo que menos vê, é o óbvio...
3 - Há culturas, modas, épocas que submergem inteiras. Estão por aí, com torpedos, como submarinos, cheios de olhos a espiarem-nos pelo periscópio.
4 - Nos tempos de Darwin seleccionava-se o melhor do macaco: o homem. Nos tempos do homem, preserva-se o macaco: o melhor do homem. Ah... e a Mulher, a única admiradora constante do macacão, em todos os tempos.
5 - Quem mais precisa de imortalidade são os que não acreditam em Deus. E os que acreditam em Deus, fazem-Lhe o favor, muitas vezes, por causa da imortalidade. Sofrer e Amar bastam.
6 - O método é uma redundância interna. A Filosofia, uma redundância externa. Redunda quem tropeça e quem não tropeça é uma besta.
7 - Filosofias para justificar a Besta. Como macaquinhos aproximamo-nos amigavelmente dela, para lhe catar os piôlhos.
8 - Uma realidade que brilha deixa a mente ofuscada. Ao tentar meter um pé à frente do outro, a mente inventa o Sujeito e o Objecto. Ofuscada, tropeça e confunde um com o outro. É preciso que ande, a mente. A toque de caixa. Tem-se que fazê-la pensar que, se não andar, cai.
9 -- Dick Cheney ia morrendo. Há quanto tempo ele se anda a tentar matar?
10 - Nunca negociaremos com terroristas.Eis mais um exemplo da máxima: o segredo é a alma do negócio.
28.2.07
27.2.07
26.2.07
Benito, ( meditação sobre o óscar de Scorcese) por Pedro Cem
todo o Mundo, guardava um silêncio de respeito e admiração, era Ghandi. Sim, o chefe de pancadarias Mussolini, admirava o teimoso pacifista Ghandi acima de todos.
Estava na Política para combater, como um homem dos operários e dos camponeses donde saíra. Mas não gostava de esmagar, quando vencia. A maior parte dos oposicionistas políticos que não atentaram pessoalmente contra ele, a família ou alguns dos amigos mais chegados, da trincheira social e da trincheira da guerra, deixou-os sair do país sem lhes tocar num cabelo. Ajudou alguns, discretamente, quando estavam no exílio. Um deles, dirigente comunista histórico, decidiu morrer com ele, em Saló. Niccoló Bombacci morreu em frente ao Lago de Como como os outros fascistas. Enquanto uns se lvantavam do chão ainda de braço estendido, Bombacci morreu de punho erguido gritando "Viva Mussolini, Viva o Socialismo!", depois de pedir ao jovem da sua terra que tinha alinhado à sua frente, para lhe disparar ao coração. Durante muito tempo, os comunistas espalharam que Bombacci, que fugira de Moscovo para morrer com Mussolini e que foi depois pendurado de cabeça para baixo na famosa estação de gasolina da Praça Loretto, em Milão, era o General De Bono, que se entregara aos ingleses. Ambos tinham uma longa barba branca. Mas não era. Os comunistas não podiam engolir algo que era como se Malenkhov, ou Molotov se tivessem juntado aos russos brancos.
Mussolini disse um dia, de uma varanda, que se o seu Fascismo não triunfasse na rua, só restava aos italianos a Anarquia. É preciso ver que este termo não era o que podia ser entendido hoje. Era muito respeitado, representava as centenas de Ateneus libertários em
Itália onde os operários prestavam ajuda uns aos outros e se tentavam cultivar, de modo a ficarem pessoas melhores, a salvarem-se da brutalidade a que a Democracia liberal e o Capitalismo os condenara. Alguns dos que lutaram até ao fim por Mussolini vinham daí.
Mas Mussolini tinha uma agenda obscura. Ele sabia que na noite negra em que íamos entrar, todos nós, não havia lugar para o coração. Tentou couraçá-lo primeiro com coragem, atrevimento, sonho, fidelidade e bater-se contra os duas pinças da Civilização do Absurdo. Por fim errou e escolheu o lado que perdeu. Curiosamente, continua vivo no coração de milhões de pessoas. Só houve uma vez na História que a Máfia teve medo de alguém. Foi com Benito.
Na sua última carta à filha que mais o amava disse.:tudo o resto é silêncio.
E é nesse silêncio que vivemos hoje em dia.
24.2.07
Quando numa época Deus entra em ocaso....

"A arbitrariedade ilegítima do espírito da época quer egoisticamente aniquilar o Mundo e o Todo de modo a que o espírito ganhe a liberdade para se espraiar no nada e para rasgar, juntamente com as cadeias, os pensos das suas feridas; consequentemente tem que desprezar quem segue e estuda a natureza. Quando a história da época fica nas mãos de um historiador sem religião nem país, então a arbitrariedade do egoísmo acaba por se lançar contra as duras e ásperas leis da realidade; preferirá evaporar-se no vácuo de fantasia onde não tem que seguir outras leis senão as regras particulares, estreitos e pequenas da construção do verso. Quando numa época Deus entra em ocaso, como o sol, em breve o mundo entrará nas trevas."
Jean Paul encontrou um estilo incomum para a sua imaginação extraordinária, com um poder surpreendente de sugerir pensamentos por meio de eventos triviais. O amor da natureza era um dos prazeres os mais profundos; as expressões de sentimentos religiosos com um espírito poético, porque as coisas visíveis eram os símbolos do invisível, e as realidades insignificantes têm os elementos que davam significado a dignidade e à vida humana. Com humor ou com as suas reflexões, uma vezes mais sérias, outras vezes extravagantes e grotescas, e salta naturalmente da percepção da inconformidade entre factos comuns para leis ideais. A personalidade de Jean Paul além da excentricidade revelava um homem de espírito puro e sensível, que desprezava a arrogância e um entusiasmo ardente pela a verdade e a bondade.
21.2.07
17.2.07
Os globalistas, por Olavo de Carvalho

De acordo com Jim Garrison, presidente do State of the World Forum (que ele fundou em parceria com Mikhail Gorbachev) e talvez o principal teórico da transmutação globalista hoje em dia, a função dos EUA resume-se à de um “império transitório” destinado a dar à luz o governo mundial e dissolver-se nele, desaparecendo como unidade identificável (v. http://www.wie.org/j24/garrison.asp ).
O projeto globalista abrange ainda uma reforma radical da mentalidade humana em escala planetária, mediante a imposição de novos critérios morais, como o casamento gay, o abortismo, o feminismo, a eutanásia, sempre de maneira rápida e inquestionada, reprimindo-se por meio do combate publicitário e judicial qualquer resistência possível. O objetivo final é a supressão da tradição religiosa judaico-cristã e sua substituição por uma religião biônica mundialista, com fortes tonalidades ocultistas e ecológicas. Graças à ação intensiva da ONU e da rede de ONGs associadas, essa parte do programa está em fase avançada de implementação. Só para dar um exemplo entre milhares: em inúmeras escolas públicas dos EUA e da Europa as crianças são obrigadas a participar de rituais consagrados à “Mãe Terra”, de inspiração nitidamente teosófica, ao passo que as orações cristãs em público são proibidas e o simples ato de carregar uma Bíblia é motivo de punição. A repressão legal ao cristianismo espalha-se rapidamente por todos os Estados americanos, enquanto as entidades religiosas tradicionais se vêem repentinamente privadas do acesso a verbas públicas concedidas generosamente a organizações gays, comunistas, islâmicas etc.
Garrison é cínico o bastante para proclamar que a liderança americana tem de ceder ante o projeto global porque, “para alcançar a grandeza, um império necessita de uma visão transcendental que possa unir os elementos dispersos num propósito abrangente. Ele tem de ser fundamentalmente construtivo e não destrutivo”.
16.2.07
Um duelo sobre o Aborto, por Jessie James
Se se é contra o Aborto, porque se é pela Vida, tem de se ter a noção de que não há nada mais certo a seguir à Vida, do que a Morte. Tem de se ter a noção de que a decisão de muita gente que aborta, é semelhnate à decisão de cortar um braço para não perder a vida, de aceitar uma operação da qual se pode não acordar, ou de denunciar à Policia um irmão que cometeu algo inadmissível.
Mais que a Morte heróica pelas suas convicções, uma pessoa deve ter a vontade heróica ( não lhe restando senão ser herói, como todos alguma vez, sem excepção, somos) de viver a vida como ela é.
O "Sim" ganhou, mas temos todo o direito de duvidar da constitucionalidade do Referendo e temos a certeza que ele não é vinculativo de acordo com as regras vigentes. Um país não é feito de maiorias de momento, por menos relativas que elas sejam. Votámos em outros dirigentes, em diferentes momentos, equilibrámos os votos e temos o direito de exigir que os eleitos actuem do modo com que lhes demos os votos. A nossa História também votou e estamos condicionados de algum modo.
Mesmo se o Presidente achar que deve promulgar a Lei, mesmo que os Tribunais achem que a Lei é constitucional, temos o dever de saber o que é que as disposições da lei Fundamental, nascida de uma ordem revolucionária que não se impõe ou legitima apenas porque passoaram 36 anos, significam. O princípio da defesa da Vida Humana não é fácil. Há quem morra por o defender ou apenas por discordar de que seja atacado. Como disse no início, a seguir à Vida não há algo mais certo que a Morte o que significa que, logo desde nascermos ( e, pelos vistos, antes de nascermos) a Morte se vai apresentando de mansinho. Há a Morte do Amor e até a "pequena Morte", há a morte estética, a morte lenta, a morte súbita, a tristeza até à morte e a morte clínica. E há mais, tanto quanto a Vida consegue exprimir aquilo para o qual não inventou palavras...
Temos o direito inteiro e o completo dever de discutir esta questão até aos fundamentos do próprio Estado e disso a que ainda se chama Portugal. Se o núcleo essencial for invadido, bater-nos-emos nos campos, nos locais de desembarque, nas nossas vidas privadas, nas nossas vidas com os outros...mas nunca nos renderemos. Se estivermos vivos.
Que interessa o que alguns, muitos, a maioria, pensa na Europa?! Portugal pensa por si próprio há muito mais tempo que essas circunscrições de decisão, retalhadas e recosidas da Europa. E nós não somos apenas europeus.
Se mesmo assim perdermos, temos pelos menos o direito de exigir um novo Pacto Social a que se chama Portugal. Ou de sair dele: na Antiguidade, as classes que não se davam, partiam a fundar uma nova Nação. Esse tempo já passou mas, enquanto estamos vivos, temos a fatalidade de viver, deste modo, cheio de riscos, em que a luz se destaca, delineada pela sombra da morte.
E nada disto significa que não respeitamos os outros, por mais estranhos ou enganados que eles nos pareçam. Não respeitaremos ninguém se não formos respeitados.
Em qualquer pacto social, todos têm de ter vontade. Mesmo quando se concorda em que não estamos de acordo, não é por maioria que se resolve. É a morte do pensamento que permite o milagre da vida, porque a vida lhe é anterior. Se isto significa que todos os fetos sobreviverão, não sei.
Mas sei que isto significa que a decisão de gerar e pôr fim a esses fetos é muitas vezes uma decisão humana. Ora, humana e misteriosa é a nossa condição.
Viver é humanizar este mistério.
As coisas não são feitas de mãos, como dizia Manuel Alegre. São feitas de caras.
12.2.07
OS PROBLEMAS DE LISBOA, Iniciativa de PQG

Mais informações no blog de Pedro Quartin Graça, o autor da iniciativa. Um apelo aqui fica para irmos às conferências que interessam a todos.
11.2.07
Depois dos resultados do referendo sobre o IVG:
Algumas mnemónicas para o Referendo de hoje

1 - Se o Sim ganhar, a vida humana até aos três meses de gestação, terá menos protecção que uma árvore
2 - Se o Sim ganhar, a vida humana intra-uterina, até aos três meses, deixará de ser considerada humana porque o Sim deve ser interpretado à luz da Constituição e a Constituição protege a vida humana
3 - A vida intra-uterina até aos três meses deixará de ser uma vida protegida porque a sua existência dependerá da livre decisão de quem aborta, a qualquer momento, em qualquer lugar do território português
4 - Quem responder Sim, acabará com os efeitos do crime de Aborto, sem que lhe fosse perguntado se acha que a interrupção voluntária da gravidez, até aos três meses, dita Aborto, deve continuar a ser considerada crime
5 - Quem responder Não, continuará muito provavelmente a considerar o dito Aborto como uma ofensa grave àqueles valores que a Lei deve proteger e, portanto, um crime
6 - A decisão por um referendo de algo que a mairia considera uma vida e talvez considere uma vida humana, será decidida de um modo dito"Pimba", como caracteriza a actual vida política portuguesa, feita de campanhas, de urgências e de uma conduçao do discurso que não deixa nem lugar para o consenso, nem para a reflexão, governada que está por reacções psicológicas dum campo da Comunicação ainda pouco conhecido, dito mediático
7 - Um referendo assim, se levar à provável ofensa de uma vida, provavelmente humana, como será a do feto até aos três meses de gestação, é provavelmente insconstitucional e gera uma ofensa aos Direitos Humanos, nomeadamente o da Vida, que abrange, claro está, o direito a nascer ( uma vida já nascida que foi ofendida por exposição a todo o tipo de violências, é, medicamente, uma vida fragilizada ou inviável)
10.2.07
Para uma inconstitucionalidade do Referendo, por João das Regras
Mas não é simples.
Se vencer o Sim, passará a haver Interrupção Voluntária da Gravidez, até aos três meses, em Portugal. Presume-se que o número de abortos em Portugal aumentará, mas os acidentes trágicos que têm acontecido até agora, é bem possível que diminuam também.
Além dos métodos contraceptivos, que muitas vezes falham, poder-se-á evitar a continuação de uma gravidez, em Portugal, sem ser incomodado pela Polícia ou os Tribunais, neutralizando uma "vida intra-uterina" com menos de três meses. Os planos do amor, ou simples relação sexual completa entre um ser humano do sexo masculino e outro do sexo feminino, com capacidade de procriarem, poderão passar a incluir a neutralização da vida intra-uterina, sem sanção jurídica, pelo menos em princípio.
O que é esta "vida intra-uterina"? É uma vida humana mas não autónoma? Se a mãe morrer, suponho que um feto até três meses não sobreviverá.
Poder-se-á considerar que, por lhe faltar esta autonomia e, cumulativamente, por não ter ainda nascido, esta vida não é ainda uma vida. É apenas uma forte possibilidade de vir a ser uma vida, pelo que a decisão de interromper a gravidez, de acordo com os mecanismos previstos na Lei, não se traduzirá num homicídio.
Podemos, portanto concluir agora, que se trata da interrupção de um fenómeno biológico chamado gravidez.
Contudo, nenhuma criança recém-nascida, quer dizer, viva, é autónoma. Abandonada, se não for tratada nem que seja por lôbos ou por uma computador sofisticado, programado por seres humanos, não sobreviverá. Uma vida autónoma, por comparação à do feto, morre, assim. Neste caso trata-se de morte. No outro, de interrupção da gravidez.
Podemos assim, dizer, que o chamado "Aborto" não é um homicídio.
Há razões para considerar o chamado "Aborto" um crime? Isso depende do que a maioria dos votantes, no dia 11 de Fevereiro disserem.
Como sucedeu com outros crimes, a vontade do eleitorado, pode decidir considerar que certos actos passam a ser crimes e decidir que outros deixam de ser crimes. O crime é, portanto, aquilo que as pessoas, numa determinada altura, consideram ser crime.
Na verdade, para o chamado "Aborto", há hoje já muitas pessoas, provavelmente a maioria dos que vão votar amanhã, que não considera que se trate de um crime, nem sequer de uma infracção. Acham até que a decisão de "abortar" deve ser apoiada com uma mecanismo complexo e caro de Saúde Pública. Acham, por outro lado, que uma grande número de abortos praticados até amanhã, são praticados em condições que o Estado deixou criar e que, ao fazê-lo ofendeu o direito de se abortar.
Se o Sim vencer amanhã, o Aborto até aos três meses será um direito.
Ora como se calcula que uma grande parte do eleitorado continuará a considerá-lo, até amanhã, um crime, é possível que, mesmo depois, continue dessa opinião. Portanto se um crime é aquilo que as pessoas consideram como tal num determinado momento, é possível que, depois de 11 de Fevereiro, muitos milhares de pessoas considerem o Aborto um crime e outros muitos milhares, um direito.
Mas um crime é algo que tem de ser declarado e punido pelos tribunais e pela Administração. Se o sim vencer, tal será proibido.
Mas um crime é algo que precisa também de ser censurado como tal. Há condutas que em determinadas épocas são consideradas como Crime pelos Tribunais e pela Polícia, mas não são consideradas como tal pelas pessoas. E vice-versa.
Portanto, haverá ainda muitos casos, em Portugal, em que a afirmação" o Aborto é um crime" continuará a ser verdadeira.
Num referendo de Sim-ou-Não é esta a realidade. O Aborto continuará a ser um Crime e um Direito como matar, por exemplo, em Guerra, continuará a ser para uns um Crime, para outros um Direito, ou até um Dever, que corresponde a esse direito.
E já que falamos em Guerra, esta diferença de opiniões continuará ainda válida quando as Guerras são declaraads e combatidas, dizendo-se " para acabar com a Guerra".
Enfim, tudo é relativo. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
O grande defeito deste referendo é que não é um referendo que muda as vontades. Muda apenas a conduta do aparelho de Estado.
Mas o Estado não é uma coisa abstracta. Ele apresenta-se conforme os seres humanos conseguem fazê-lo instrumento das suas vontades ou dos seus interesses.
Um referendo que só representa os interesses de parte da população apresenta apenas uma aspecto desse Estado.
O referendo vai assim dividir profundamente a população portuguesa. Se é certo que, durante o debate houve pessoas que mudaram ou transformaram as suas opiniões, no Referendo só poderão ter uma de duas opiniões. Ao consagrar isso, o Referendo determinará essa divisão, pondo fim a uma das finalidades directas dum debate de campanha.
O perigo da estigmtização das mulheres que abortaram, carente que ficará duma clarificação legal, poderá ainda ser maior, mais profundo, mais variado e mais difícil de evitar. Por outro lado, a sensação da injustiça dessa estigmatização, por parte das mulhers que abortarem, poderá ainda ser maior. Pode-se defender o direito ao aborto com medidas cuidadosas de segredo mas sabe-se que, numa população onde, até amanhã, grande parte do eleitorado considera o Aborto um crime, esse segredo será difícil de guardar, já que a censura, a reprovação que merece o Aborto, aos olhos de uns, só se exerce se se souber da prática de um crime. Como se presume que o Aborto aumentará, por ser mais seguro, por não ser reprimido pela administração e por passar a fazer parte do planeamento das consequências das relações sexuais, o segredo será difícil de manter. Tanto mais que, para muitos, se trata de um Direito e o direito deve, em muitos casos, ser proclamado para provar que existe porque foi exercido. Um direito sem exercício, não é realmente um direito.
As razões profundas que levam a fazer-se um Referendo de Sim-ou-não são obscuras e duvido que, quem as propôs, fosse inteiramente consciente dessas razões.
Trata-se, segundo alguns dos seus mais altos responsáveis, de melhorar Portugal, eliminando uma prática perigosa para a Saúde, a do aborto clandestino. Acreditamos que a legalização do aborto até aos três meses diminuirá significativamente este perigo.
Mas um Referendo que divide necessariamente a vontade de todos não diminuirá os maus sentimentos de umas pessoas pelas outras.
Assim como certo tipos de sentimentos e atitudes levam as pessoas a engravidarem e, às vezes, a terem de recorrer ao Aborto, também outro tipo de sentimentos levam as pessoas a dificultarem a vida uns aos outros, a odiarem-se e a romperem uma vida social menos agressiva. O facto de isto acontecer tende a tornar-se muito mais intenso, se, de um dia para o outro, se passa a deixar de considerar algo como um crime e se passa a considerá-lo um direito.
Poder-se-ia ter resolvido isto a nível da Assembleia da República, onde sentam os representantes da vontade popular? Certamente que não porque, aí desde logo, esta má-vontade de uns contra os outros aconteceria e se começaria a aprofundar, disseminando-se para fora.
A campanha do referendo permitiu muitas pessoas intervirem, mudarem de opinião e aproximarem as opiniões.
Mas o resultado do referendo, como está previsto, não ajudará neste sentido, antes porá fim ao debate, pelo menos do tipo que tinha suscitado, ou seja um debtae com uma finalidade eleitoral.
A decisão, amanhã, portanto, será, ou um Crime ( pelo menos um delito) ou um direito.
Esta ideia de mudar uma vida de uma população para melhor, aprofundando as divisões, corresponde a uma tradição política que acredita ser pela neutralização da opinião de uma grande parte do eleitorado, que se põe em prática uma boa solução.
Por outras palavras: a solução é boa independentemente da opinião das pessoas a quem se aplica. Neste caso aplica-se não só às Mulheres que vão abortar mas a todas as pessoas que intervieram no aparecimento de uma gravidez, a das que procedem à sua interrupção e das que contribuem para os mecanismos colectivos da sua efectivação.
Esta ideia de que uma solução é melhor do que as pessoas pensam dela é aquilo que o Referendo, julgando ser uma consulta às pessoas, se limita a verificar.
O Aborto sendo, sobretudo, uma questão das mulheres, pode vir a ser decidido, por exemplo, maioritariamente por Homens. O aborto, sendo uma questão das mulheres que se encontram em idade de conceberem, pode vir a ter consequências para futuras mulheres que ainda não estão nessa idade, ou em mulheres que já passaram essa idade.
O Aborto, sendo sobretudo uma questão de uma vida humana que pode decidir, pode vir a ter graves consequências sobre uma vida, possivelmente humana porque se distingue da vida da mãe, a qual não pode decidir, a não ser prosseguindo uma gestação que não constitui obstáculo para o interruptor voluntário legal. Ora, se se tratar de uma vida humana que se distingue da da mãe, ela não terá direito de espécie nenhuma, porque qualquer que seja o direito que lhe podemos atribuir, não o poderá exercer, uma vez que não pode, possivelmente ser considerada viva.
Que vida é esta "vida intra-uterina" passível de ser extinta por via do chamado "aborto"?
Só podemos chegar à conclusão das duas, uma: se é uma vida humana, é uma vida. Se não é humana, não pode ser uma vida, porque pode ser eliminada, em qualquer altura até aos três meses, sem que a vitória do sim no Referendo ponha em causa o princípio de protecção da vida animal, vegetal ou humana, da Constituição. Esta é a consequência forçosa da livre contratação do "Aborto" até aos três meses.
Portanto, a "vida intra-uterina" é apenas a vida do útero, é apenas a vida da Mulher grávida.
Reconhecemos que o conceito de Vida é duvidoso devido ao prolongamento artificial que novas técnicas da Medicina podem fazer de certas funções do corpo humano. Ou até de certas síntese feitas em Laboratório e da ideia que a Ciência tem de organismo vivo.
Reconhecemos que o facto da Guerra, da Doença, das catástrofes naturais, podem levar-nos a tomar num determinado momento, como Vida, o que já cessou de o ser. A vida é também uma realidade estatística.
Contudo, a ideia de que uma solução boa para a vida social (nomeadamente aprovando e aplicando uma medida que racionalmente conduz a menos perdas de vidas humanas entre os que decidem abortar) pode decretar que uma forma de vida é apenas uma coisa e que essa coisa pode ser retirada do útero da mulher grávida, em qualquer altura, não sei se é mesmo boa.
Mais, quando a medida se faz, neutralizando completamente uma parte importante dum eleitorado, é capaz de ser um caso em que a boa solução não olha a meios para atingir os fins. Com efeito, os meios tratam-se de realidades físicas (os fetos) que são tidos por muita gente e foram tidos por muita gente durante muitos séculos, como formas de vida.
Pode-se dizer que a intenção de quem lançou o referendo é a de neutralizar, se não uma forma de vida, pelo menos, o conceito de vida que grande parte da população tem, sendo certo que algo só é vivo, se também for considerado como tal.
Ora o Referendo pode vir a cancelar um conceito de vida, quando a vida, logicamente, não pode ser inventada ou abolida pela vontade referendada. Não foi essa a pergunta do referendo, não é isso que é perguntado aos eleitores.
Tudo se torna agora mais simples: se se pode acabar, de um momento para o outro, uma vida até três meses de existência, então é porque essa vida pode, caso o SIM ganhe amanhã, no momento em que está a ser nomeada por alguém, já não existir.
A lógica aqui é imperativa: algo que é e não é uma vida, ao mesmo tempo, não é uma vida.
Dizem, porém, que esta perspectiva já corresponde à realidade.
Ora se já é uma realidade, que o facto novo dentro do útero da mulher grávida não é uma vida, então outros factos como a de um condutor numa auto-estrada, um doente terminal, uma pessoa fragilizada, um soldado em teatro de guerra, um recém-nascido, uma pessoa com comprovadas tendências suicidas, uma pessoa desaparecida, uma pessoa com um código genético que indica propensão para doenças mortais, só é uma vida, até o provar.
E, da mesma maneira que a mulher decidida a abortar, tem de provar que está grávida, e tem de provar que é essa a sua vontade ( no caso do sim ganhar) todas as categorias de pessoas acima indicadas têm o dever de provar que estão vivas ou que querem viver, sob pena de não lhes serem reconhecidos outros direitos, como ao trabalho, ao respeito, à pensão, aos cuidados médicos, etc.
Ora como sabemos que muitas vezes, muitas pessoas se encontram nessas situações, um Estado que faz este tipo de Referendo, reserva-se o direito de fazer referendos, com perguntas semelhantes, das quais um eventual Sim pode conduzir ao extermínio de categorias inteiras de pessoas. Como aconteceu num passado não distante e como acontece nos dias de hoje.
Por isso, "Não" é a única resposta possível das alternativas expressas a uma pergunta que refere apenas a consequência (a pena, ou a despenalização) sem referir a causa ( o crime). À pergunta falta um código comum. Podem haver muitas pessoas que concordam com a não punibilidade da mulher mas que, mesmo assim, acham que o Aborto continua a ser um crime, se bem que desculpável.
Além do mais, o Não só pode ser interpretado como um Não ao Referendo. E todos os Nãos têm de ser contados como abstenções, eventualmente até para um desafio à constitucionalidade do seu resultado.
Porquê ? Porque se a resposta sim transforma um crime num acto normal de cidadania, então o Não considera que o facto susceptível de aborto dentro do útero da mãe é uma vida humana e está protegido pela sanção penal a uma crime.
O que o Não diz é que "não quer despenalizar a mulher que interrompe voluntariamente a gravidez num establecimento autorizado". A Lei ficaria, portanto, no caso do Não ganhar -- e o Não é expresso antes de se saber o resultado -- na mesma. A mesma lei que sanciona um crime contra uma vida intra-uterina. E é assim, que hoje, dia 10, está expresso.
Ora se esta "vida intra-uterina" é uma vida, portanto diferente da da mãe, não é uma coisa que pode existir ou não existir dependendo do horário da intervenção da clínica e da vontade da mulher grávida. É uma vida que existe e tem direitos, a partir do momento em que foi declarada.
Paco Ibanez... estamos tocando al hondo!

Escute Paco Ibañez cantar RAFAEL ALBERTI-
Cuando ya nada se espera personalmenteexaltante,más se palpita y se sigue más acá de la consciencia,fieramente existiendo, ciegamente afirmando,como un pulso que golpea las tinieblas,que golpea las tinieblas. Cuando se miran de frentelos vertiginosos ojos claros de la muerte,se dicen las verdades ;las bárbaras, terribles, amorosas crueldades,amorosas crueldades. Poesía para el pobre, poesía necesariacomo el pan de cada día,como el aire que exigimos trece veces por minutopara ser y tanto somos, dar un sí que glorifica,dar un sí que glorifica. Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejandecir que somos quien somos,nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno,Estamos tocando el fondo,estamos tocando el fondo.
ESCUTAR
O REFERENDO DE 11 DE FEVEREIRO, por Orlando de Oliveira
2º - Porque continua a ser penalizada a IVG se for praticada após as 10 semanas? Será que passado 1 hora das 10 semanas já não é escandaloso que a mulher seja exposta a julgamento e eventualmente condenada? Ou está-se a contar com a compreensão e flexibilidade nacional, nomeadamente dos juízes?
5º - E quando se tratar de casos de menores? Se para sair do país é necessária a autorização dos progenitores para este efeito será que já possuem total descernimento?
Estas questões de pormenor trazem a reboque as questões de fundo:
1ª – Porque é feita a pergunta de forma lateral? Será porque feita de outra maneira não seria compaginável com a nossa Constituição?. Porque não se discute e assenta o que é vida e se o feto é ou não vida humana? E se o feto é vida humana porque não se começa por alterar o texto constitucional, acabando com a inviolabilidade da vida?
2ª – Se o que está em jogo é a dignidade da mulher e o simples balancear entre os direitos de dois seres vivos, então porque, por exemplo, não virá a ser despenalizada a mulher que matar o marido por este lhe ser infiél? Ou aí já não faz impressão ser uma mulher julgada? Em que ficamos? Será o machismo nacional a funcionar?
9.2.07

Estive em Outubro em Milão para uma conferência NATO. Nos muros do Castelo Sforzesco, vi esta lápide que comemora o falecimento de D.Duarte de Bragança, irmão de D. João IV e general ao serviço dos Habsburgos, impedido de vir para Portugal onde seria o comandante em chefe do exército e que morreu nas masmorras do dito castelo.
8.2.07
Sobre o Aborto, por Diógenes, o maltrapilho
Aceitar a interrupção da vida= aceitar a morte voluntária
Falhar uma sistema de contracepção=aceitar a fragilidade de um sistema de contracepção
Responsabilizar a vida humana intra-uterina pelo fracasso da contracepção= culpar a vida intra-uterina
Votar Não mas defender a despenalização da Mulher que abortou, do pai ou de quem a levou a tal = desresponsabilizar a Mulher que abortou e os co-autores
Desresponsabilizar a Mulher que abortou e os co-autores= abdicar da defesa da vida humana intra-uterina
Sujeitar-se a um referendo que contraria o princípio da vida= aceitar que a Constituição não se baseia no princípio da protecção da vida
Votar num referendo que sujeita a vida humana intra-uterina à pena de morte= legitimar a pena de morte
Legitimar a pena de morte= substituir-se à Criação
Votar no Referendo= sujeitar o direito à vida e à liberdade a uma maioria aritmética de opiniões expressas num determinado dia
Sujeitar o direito à liberdade e à vida, a uma contagem de aspectos= perder o direito à vida e à liberdade
Responsabilizar a Mulher que adquiriu voluntariamente a vida intra-uterina= dar-lhe a possibilidade de invocar várias causas de exclusão dessa responsabilidade
Dar a possibilidade de exclusão da responsabilidade, antes ou depois do Aborto = admitir a escolha entre a vida da Mulher e a vida intra-uterina
Escolher entre duas vidas = salvar, no mínimo, uma vida, em vez de perder duas
Salvar uma vida em vez de perder duas = salvaguardar o valor da vida, no mínimo
Salvaguardar a vida no mínimo = salvar o mínimo existente em duas vidas
Salvar o mínimo existente em duas vidas = o mínimo físico do feto é um máximo vital, conseguido em milhões de anos
Consagrar o princípio da vida acima de tudo= estabelecer um principio de apreciação do início de uma vida
Estabelecer um principio de apreciação do início da vida= libertar esta apreciação da arbitrariedade dos indivíduos
Libertar da arbitrariedade dos indivíduos = estabelecer um canal de comunicação entre os indivíduos
Estabelecer um canal de comunicação entre os indivíduos = criar uma realidade comum, supra-individual
Criar uma realidade supra-individual, a par da realidade individual = estabelecer um género ao qual pertence o indivíduo
Estabelecer um género, a par das espécies = permitir a existência concreta das espécies em vez de um número infinito de géneros
Impedir um número infinito de géneros = permitir um número infinito de espécies concretas
Gozar com o Marcelo Rebêllo de Sousa = introduzir um saudável riso num referendo ofensivo dos princípios da paz social
Combater um Referendo ofensivo = valorizar indivíduos como Marcelo Rebêllo de Sousa que, heroicamente, e com perdas pessoais, conseguiu, uma vez, evitar o resultado de um referendo ofensivo
Propôr uma desresponsabilização penal, caso o referendo não venha a ter um resultado ofensivo = considerar o resultado não-ofensivo tão válido como um resultado ofensivo
Considerar ambos os resultados aceitáveis= não ter opinião sobre a vida
Não ter opinião sobre a vida= não defender o princípio da vida
Defender o princípio da vida= votar não e não se conformar com o resultado do referendo
Não se conformar com o resultado do referendo = participar nele exclusivamente como oportunidade de exposição dos malefícios de um referendo sobre a vida humana
Oportunidade da exposição dos malefícios = criação de um discurso de resistência
Criação de um discurso de resistência= fortalecer o princípio da Vida Humana
Não sejamos OTÁRIOS
Não sejamos OTÁRIOS - O movimento para o referendo no Blogue das Causas
Então para que serve a OTA ? É apenas uma réplica do PNPOT errado, do país em que fecham as maternidades, em que encerram as escolas do interior, em que trancam as aldeias, inviabilizam a agricultura de qualidade, poem a monocultuta do eucalitpto e atiram para o litoral a população que sobejar depois do IVG.Basta! Referendo sobre a OTA.
6.2.07
Um post para a história!
Por "Pereira de Oliveira"
24 de Janeiro 2007
*Caveant Consules era a mensagem que em Roma o Senado enviava aos Consules quando havia perigo para a cidade. A mensagem era constituída pelas duas primeiras palavras de: Caveant Consules ne quid respublica detrimenti capiat que sigifnicava: Que os Consules velem a fim de que a República não sofra dano.
4.2.07
Não é nada comigo, por Pedro Cem
IVG O Referendo Doentio
NOTICIAS
Referendo: «sim» continua à frente, mas a perder terreno
A apenas uma semana do referendo sobre a despenalização do aborto, o «sim» continua à frente, mas a perder terreno para o «não», que já recolhe 43,7% das intenções de voto.
O «não» encontra-se a 7,6 pontos percentuais do «sim», com 51,3%, revela uma sondagem hoje divulgada pelo Correio da Manhã.
De acordo com a sondagem CM/Aximage, realizada entre 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro, a campanha dos defensores do «não» tem sido a mais eficaz, já que no espaço de duas semanas as intenções de voto no «não» subiram 13,9 pontos percentuais, ao passar de 29,8% para 43,7%.
O «sim», por outro lado, desce pela quarta vez consecutiva. Enquanto em Dezembro não deixava margem para dúvidas, ao conquistar 64,1% das intenções de voto, dois meses depois, o «sim» caiu para os 51,3%.
Além de perder adeptos para o «não» e para a abstenção, o «sim» parece não estar a convencer os indecisos. Isto porque mesmo com uma redução de 9,6 pontos percentuais no número de indecisos (cinco%), o «sim» não parou de cair nas intenções de voto.
Aliás, 47,6% dos indecisos revelou que está com tendência para votar mais no «não», contra 26,8% que diz estar mais voltado para o «sim». Mesmo assim, com a distribuição de indecisos, o «sim» manter-se-ia de qualquer forma na liderança dos resultados com 53,3%, enquanto o «não» atingiria os 46,7%.
Enquanto os indecisos são cada vez menos, os abstencionistas não param de aumentar, apesar de defendores do «sim» e do «não» unirem esforços na luta contra a abstenção. Segundo a consulta popular, a abstenção já atinge os 47,7%, uma subida de 2,7 pontos percentuais em relação à sondagem de 19 de Janeiro.
O eleitorado do CDS-PP é o que apresenta a maior percentagem de abstencionistas: 43,3%, enquanto o eleitorado do PS, partido que assumiu uma posição oficial a favor da despenalização e que participa activamente na campanha pelo «sim», surge em segundo lugar, com 30,6%.
Embora a maioria dos católicos praticantes, 57,4%, tencione votar «não» no referendo de 11 de Fevereiro, segundo a sondagem há um largo número que pretende votar «sim»: 35,6%. Os católicos abstencionistas ascendem a 41,9%.
Nas intenções de voto, as mulheres dividem-se entre o «sim» e o «não», sendo aliás a percentagem de abstenção mais elevada nas mulheres (48,1%) do que nos homens (47,2%.
Das mulheres inquiridas, 48,6% afirmou que irá votar «sim» no dia 11 de Fevereiro, enquanto 43,6% vai votar «não». Já para os mais jovens, não há qualquer dúvida: 64,1% dos inquiridos com idades entre os 18 e os 29 anos respondeu que irá votar «sim», contra apenas 35,9% que disse votar «não».
A sondagem da Aximage para o Correio da Manhã foi realizada por telefone numa amostra de 601 recenseados entre os dias 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro de 2007, contando com uma margem de erro máximo de 0,020 pontos.
www.regicidio.org
O site irá publicar actualizações com regularidade, relevantes para o público em geral, mas também para todas as Reais Associações do País.
O Link: www.regicidio.org
Guardem o site nos vossos Favoritos e divulguem-no. Os preparativos para o Centenário começam agora, com um ano the antecedência!
O website deve-se a Luís Guerreiro! PArabéns Luís
3.2.07
Michael Bakunin
Na existência de Michael Bakunin (1814-1876) tornam-se visíveis profundidades de Satanismo e o niilismo que estão cobertos por restos da ordem tradicional e por véus de utopias na vida e obra de outras grandes figuras da crise ocidental. Os Pré-positivistas do século XVIII quiseram destruir as civilizações históricas mas essa vontade à destruição ficou soterrada debaixo do programa de uma civilização utilitária mundial do bem-estar. Comte quis extirpar da civilização ocidental a cristandade e a metafísica; mas a vontade de destruição ficou soterrada debaixo do programa do cientismo e sua expansão mundial. No caso de Bakunin, os andaimes tradicionalistas ou futuristas são consumidos pela paixão de destruição: o passado deve ser destruído até às raízes, e o futuro não deve sequer ser imaginado por homens maculados pelo passado. A destruição é o trabalho de uma geração de sacrifício entre duas idades; os revolucionários só podem destruir; a edificação "de um mundo novo e glorioso em que todas as dissonâncias actuais serão dissolvidas na unidade harmoniosa" fica para os que virão depois de nós. Com Bakunin existência destrutiva do revolucionário aparece desnuda.
2.2.07
Morte ao comum dos Comunismos, por Pedro Cem
Agora foi-nos imposto discutirmos a Vida. Num Mundo que queimámos e secámos, os mesmos que o fizeram impõem-nos agora regras milimétricas para segurar o pouco de frescor que o Mundo tem: a Ecologia. Depois de nos drogarem com tabaco, de exterminarem 60 milhões de boxers chineses que, em 5000 de História, nem imaginavam o que era fumar, podemos ser reduzidos à miséria por ser apanhados a fumar. Arghh! Depois de nos tirarem das nossas terras e dos nossos mares, de nos pôrem a viver numa colmeia humana e darem-nos um carro potente, temos que comprar um carro ainda mais potente e arriscar mais ainda a vida, diariamente, numa corrida de automóveis só para nos podermos alimentar.
Impõem-nos uma discussão sobre o direito à vida. É justo desencadear Guerras civis entre gente de outro sentir, onde morrem milhares só porque entendemos que as Mulheres deles estão oprimidas? É justo levar a Democracia e a Liberdade a outra gente que vê as coisas ao seu modo, desde há milhares de anos, e impô-lo à custa de milhares de mortos? É justo certificar a declaração de um indivíduo adulto que exige que lhe forneçam os meios para morrer? É justo impôr a relação sexual como elemento obrigatório da vida e, depois, relativizar quando começa a idade de ter sexo e de que tipo de sexo se trata?
A vida pode nascer numa proveta. Os cientistas que não se importaram de dotar o Mundo com armas nucleares capazes de destruir várias vezes a Terra, de criar fábricas que fazem desaparecer, em meses, animais que existiam na Terra há milhões de anos, que nos enchem de cancros e doenças incuráveis e que podem agora sintetizar num Laboratório formas de vida, são eles que dizem o que é ou não é vida humana.
Juntam-se uns cidadãos. Gritam e dizem que eles têm o direito de dizer quando começa a Vida e, amanhã, quando termina. Formam um Partido, vão a eleições, a sondagens, a Juristas, legitimam-se para fazer Leis e prendem a atenção dos nossos sentidos cansados, onde antes a Noite impunha o silêncio e decretava o sossego. É este o milagre e a maravilha! A Noite se faz dia!
Por causa de uma minoria de mulheres que tiveram de passar pelo sofrimento do Aborto, a esmagadora maioria das mulheres e das crianças que um dia serão mulheres ou companheiros dessas mulheres, são obrigadas à possibilidade de praticarem a destruição de uma possível forma de Vida Humana! A humanidade já não defende a Vida? A Vida abandonará a Humanidade. Irmão lôbo, que me acompanhaste pelo deserto e pela savana, em milhares de anos: por favor protege a minha tribo.
Por causa de pessoas que passaram pelo sofrimento de serem infelizes, a esmagadora maioria da Humanidade que procurou a sua forma de ser feliz, em simbiose com as outras criaturas da Natureza que a rodeavam, com os Mares e nas Terras em que se encontravam, têm de passar pelas mesma infelicidade de alguns e, por meio da Guerra, do deserto e das bombas, têm de ser livres à força! Por causa do horrível sofrimento de nossos irmãos que sofrem doenças incuráveis do corpo e do espírito, a esmagadora maioria da Humanidade tem de passar pela mesma dor, porque assim é ser livre, assim, é partilhar democraticamente as riquezas que uns têm, com aqueles que não têm, assim é ser Moderno, assim é Belo e obrigatório!
Quem discute a Vida admite que da discussão pode sair o direito a impôr a pena de morte esquecendo-se que o dom de discutir foi-lhe dado pelo dom da vida. Um feto vale menos que um cão, um pai biológico pode não ser pai, uma mãe hospedeira é apenas um armário. Admirável mundo Novo! O Dia se fez Noite!
Senhores, eu que sofro até à loucura, que não distingo a mão Direita da Esquerda, que já nem sei o meu nome, que tenho a Vida por um fio e que, se morrer agora, ninguém se lembrará de mim, não posso acreditar no vosso Paraíso. Porque o Sol se parece levantar todos os dias, sempre das mesmas maneiras, não reconheço à vossa vontade o direito de decidirem por todos nós quando e de que modo a vida de um feto, qualquer que ele seja, vai ter de terminar, mesmo que não passe de um verme sem autonomia. De que modo? O modo da Liberdade com que vocês me sujeitaram às mais bárbaras brutalidades no Passado, porque assim quisestes e assim vos apeteceu.
Com a voz que me resta, pobre bêbedo andrajoso grito o que sei: Morte ao Truísmo! Morte ao ismo! Morte ao Comum dos Comunismos!
E pego fogo a mim próprio, transformo-me em facho a arder na noite escura como o rato que vocês, miseráveis sádicos, regavam de gasolina quando eram pequenos e incendiavam pela lezíria abaixo!
31.1.07
Não percebo tanta confusão!

Não sei porque fazem tanta confusão sobre as origens da bandeira da República. Basta pensar na bandeira italiana, verde, vermelha da Carbonaria ( não confundir com a pizza) a ladear o branco tradicional dos estados papais. Também a Portuguesa veio directamente dos Centros Carbonários como a ilustração mostra
30.1.07
new Russian military doctrine
Ilya Platov responds to the questions of Harry Papasotiriou and Tom
Hashimoto (29 January), regarding the new Russian military doctrine:
1) In the communication of General Gareev, China is mentioned only
once, in a positive context--together with NATO, the European Union and
India, it is considered to be an essential pillar of the multipolar world
Russia is calling for.
2) North Korea is mentioned only once, again in a positive context: the
General considers that poverty is not the only cause of terrorism, and
uses the example of North Korea, which is a poor country without
terrorism. (Terrorism for Russia is always terrorism against the State.
The term “rogue state” is not a part of the Russian political vocabulary.)
Training the North Korean military is a different issue. I have no
information about this; if it were true, it would not be in the Russian
government's interest to disclose it. In my opinion, however, Russia does
not want a nuclear power near its borders. It is therefore unlikely it
would assist NK with its nuclear program.
3) It is not currently “politically correct” to consider China a
“threat” (that country recently celebrated a “year of Russia”). The
Russian military reacted in a contradictory fashion to the Chinese
satellite destruction. Profitable military and energy contracts, support
for an anti-NATO strategy in the South (Iran and the Caucasus) make China
an indispensable ally for Russia. Again, it is Russia’s strategy in the
“Near Abroad” that dictates the choice of “external” allies. China is not
viewed as a rival in this region. We can predict that in the future,
provided that Russia’s relations with the EU will go sour because of
Ukraine or Georgia, Russia will seek compensation in an “eastern
alliance," something that “Eurasianist” ideologists are currently
advocating (historically, failure in the West invariably pushed Russia to
explore the possibility of eastern expansion--Central Asia after the
Crimean War in the 1860s, Far Eastern policy prior to Russian-Japanese
War).
Outra vez os petro dollars, estúpido! Agora o Kuwait

Kuwait May Abandon Dollar Peg to Protect its Economy
By Will McSheehy
http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601170&sid=apKr7Xk5pmHs&refer=home
Jan. 24 (Bloomberg) -- Kuwait, the third-largest Arab oil producer, may abandon the dinar's peg against the dollar in favor of a basket of currencies to help minimize economic harm after the dollar declined.
``We might go to a basket for an interim period,'' Bader al- Humaidhi, Kuwait's finance minister, told reporters today at the World Economic Forum in Davos, Switzerland. ``The dollar fell a lot against the euro last year, but if we'd been linked to a basket we wouldn't have suffered'' as much.
Al-Humaidhi declined to comment on which currencies might be in the basket. A switch from the dollar is being studied by Kuwait's central bank, he said. The Kuwaiti dinar rose to 0.28915 against the dollar as of 4 p.m. in London, from 0.28920 yesterday, according to Bloomberg data.
Dollar reserves are being replaced with euros by oil producers, including the United Arab Emirates and Venezuela. China, which has the world's largest foreign-exchange reserves, and Indonesia say they plan to increase euro reserves and Iran says it's boosting oil sales priced in euros.
The dollar has declined 5.2 percent against the euro in the past 12 months. The currency traded at $1.2955 against the euro at 12:47 p.m. in New York from $1.3026 yesterday, when it reached a two-week high of $1.3044.
29.1.07
Doutrina Militar Russa - Revisão de Janeiro de 2007

Do meu colega WAis Ilya Platov recebi o seguinte:
The new Russian military doctrine presented on January 20th 2007 by General Gareev. The purpose of the new doctrine, elaborated under the auspices of the Russian General Staff and under the supervision of the President's Security Council, is to supersede the already existing "new" doctrine presented in 2000. What justifies such a change seven years later? Two issues are of interest: a) the definition of the most important threats to Russia from the outside, and b) military reform. The latter issue will be of a particular concern for Russian society, where the current draft system inherited from the USSR is considered to be corrupt, ineffective, and threatening to the lives of new recruits.
General Gareev justified the necessity for a new doctrine by announcing significant shifts in the "geopolitical and military-political sphere." He stated that some points of the previous doctrine are outdated and do not reflect Russia's new geopolitical situation. From an international relations standpoint, the fact of a new doctrine is part of a more general trend towards a "clarification" of Russia's positioning on the global arena. Priorities are much more clearly defined, as well as its main priorities and targets.
1) About the exact nature of "menaces," the doctrine is purposefully vague. Gen. Gareev made reference not only to direct military threats, but also to "covert" political, military and economic "threats," putting on the same level the collapse of the USSR and Yugoslavia, and recent "revolutions" in Georgia, Ukraine, and Kyrgyzstan, sponsored according to him by NATO and the US. Russia clearly wants to send an unambiguous message to the West to stay out of the "Near Abroad," considered as the main geopolitical priority, hence the necessity to keep a large army capable to protect an extended border.
2) At the same time, Gen. Gareev considers that the future war will be a "partisan" war, and not a "global conflict" with a great power. Internal security threats ("terrorism and separatism"), an avowed priority, are directly linked to the situation in the former Soviet republics. While their relative autonomy in the foreign policy domain is tolerated, any attempt to go to the "enemy side" provokes a very harsh reaction (i.e. deployment of NATO troops in Crimea, Georgia, etc.).
3) Concerning nuclear power, Russia needs to continue to develop its nuclear arsenal, as the possibility of global conflict is not excluded (NATO? China?). "Wars of the future will necessitate conventional, high-precision weapons, under a permanently maintained threat of using nuclear weapons."
The doctrine is pragmatic in inspiration: it discards "ideological issues" in favour of a 19th century-style realpolitik (this is my own impression). The NATO and US are not considered as ideological rivals, but competitors with whom it is possible to cooperate in selected fields (like anti-terrorism).
Perhaps the most interesting point is a renewed emphasis on energy issues, considered to be the main source of coming global conflicts in the next 10-15 years (very likely according to Gareev). Russia's main strength seems to be its energy resources. He pointed to the USA as the main source of such a threat, using Iraq as an example of a predatory quest for energy resources; he also mentioned the likelihood of "political and economic rivalries" arising from this competition. The general restated Russia's commitment to multilateralism, and estimated that the "USA is no longer able to carry the burden of global leadership," and that Russia is called to play the role of "geopolitical referee".
Concerning the much-needed reform of the Russian military, the doctrine states the following:
1) An assessment of the "critical" situation of the current system of obligatory military service: "the army […] is incapable of supplying young military men".
2) The new doctrine does not intend to eliminate obligatory military service, but to create a mixed system with a professional core supplemented by a draft army. The obligatory military service will be reduced from 2 to 1 year, and eventually to 6-8 months. While this does not solve Russia's problems, it will certainly reduce casualties due to mistreatment (usually carried on by second-year servicemen on the new recruits). According to Gen. Gareev estimates, the new system will be put in place within 5-6 years.
It is difficult to appreciate at this moment the reaction of the Russian public to the new doctrine. Media close to Putin underplay the "hostile" element of the doctrine, stressing that US and Russia are "partners" in the war against terror. The main concern will however be the issues of the reform of the military. Some observers consider that the doctrine advanced by Gareev artificially boosts the importance of "global threats" in order to justify the maintenance of a large Soviet-style army.
28.1.07
Sorte, por Pedro Cem
Eu vi Saddam Hussein morrer. Um morte assim faria de Hitler, ou de Estaline, ou de Mao Zedong, justos. Sim. E começaria a fazê-los justos uma hora antes. O mistério da Morte reduz-nos a todos, como uma descoberta milenar, à condição da verdade. Os Guerreiros que viveram a experiência da Morte sabem isto muito bem. Mas nós, como loucos de Sodoma continuamos a bailar e dançar. Pior, continuamos a pensar, julgando que descobriremos a chave do Mundo. Entrei hoje na Igreja e S. Paulo falava. As profecias são parciais, o conhecimento é como uma imagem obscura no espelho. Só o Amor, que se não impacienta, que tudo suporta, que não tem rancôr, nem orgulho, que não tem interesse, permanecerá. O amor do Padre Pierre que teve a sorte de ser reconhecido, o amor talvez do Ayatollah Sistani que evitou uma Guerra ainda maior, sim e até o "amor" de Bill Clinton por Monica Levinsky. Prefiro um rapazola, que ainda tem devaneios eróticos, a mandar em mim que uma data de revolucionários moralistas. Quero lá saber da Democracia e da Justiça. Se ela não tem Amor, de nada serve.
Gosto do meu Povo de tristes, que não acertam, que não reagem, que não atinjem. Sei que quase todos, em pensamento, meteram a cabeça na corda de Saddam Hussein para que nenhuma corda pudesse enforcar um milhão de cabeças e arrebentasse. Sei que o meu Povo ouve os que defendem o Sim e os que defendem o Não em relação ao Aborto porque tentam, no fim, julgar com o coração. Uns ouvem mais os casos das mulheres que arriscam a vida para abortar, outros sabem que o Amor não existiria sem se tornar na coisa amada, por mais pequenina, por mais semente que fosse essa coisa. E sei que muitos continuarão a pensar, a pensar, só para ouvirem bem o bater do coração. Gosto do meu povo que se põe do lado do Sargento Luís Gomes que se apaixonou por uma coisa pequenina, e sei que o meu Povo ama a mãe, a brasileira Aidida e que gosta também do pai Baltazar. E sei que ouve os juristas e os especialistas para ouvir bem, muito bem, onde bate o coração. Sei que o meu Povo não toma partido para vencer o partido contrário. Toma partido, para, na sua humildade e pobreza de espírito, puder contribuir para uma boa solução. Benditos sejam os pobres de espírito porque deles é o Reino dos Céus. Que sorte que tenho de ter nascido neste Povo, ou em outro qualquer. Maria de Fátima, a jovem desempregada que morreu sozinha em Braga e que estava grávida, não chegou a dar à luz. Foi encontrada vinte dias depois, em estado de decomposição com um envelope com bastante dinheiro ao lado e o telemóvel a carregar. Maria de Fátima não deu à luz, talvez se tivesse suicidado quando o seu ucraniano partiu deixando-lhe apenas o dinheiro. Mas nós, mesmos tristes e desgraçados, ouviremos aquele telemóvel, mesmo sem ter dinheiro para comprar um. Porque não estamos sózinhos, desde o ventre das nossas mães. Que Sorte que temos em ter Esperança, Boa-Esperança.
Dia 28 de Janeiro - S. Tomás de Aquino

Fresco de Fra Angelico
Reproduzo aqui um fragmento do estudo de Eric Voegelin sobre o "intellectus bovinus" como lhe chamaram. (Tradução a publicar em breve nos Estudos de Ideias Políticas)
A obra de Tomás de Aquino (1225-1274) absorveu-o literalmente - morreu exausto antes de perfazer 50 anos - e absorveu-o existencialmente porque foi a expressão de uma vida ao serviço da investigação e ordenamento dos problemas da sua época. Afirmar que foi um grande pensador sistemático é uma meia-verdade. Sabia aplicar a sua mente imperial à multiplicidade de assuntos que o atraíam e distinguia-se por ter uma personalidade rica em sensibilidade, magnanimidade, energia intelectual e espírito sublime. A exclusiva vontade de ordenamento poderia produzir um sistema que fosse mais notável pela coerência do que pela captação da realidade. A grande receptividade poderia ter originado uma enciclopédia. Mas as duas faculdades combinaram-se num sistema que assinala o impulso dinâmico de Deus para o mundo através da causalidade criadora, e do mundo para Deus através do desiderium naturale:
A origem desta combinação deve-se ao sentimento que fez de Tomás um santo: a experiência da identidade entre a verdade de Deus e a realidade do mundo.
"A ordem das coisas na verdade é a ordem das coisas no ser". Esta frase da Summa Contra Gentiles significa que o intelecto divino está impresso na estrutura do mundo; que a descrição ordenada do mundo resultará num sistema que descreve a verdade de Deus: que cada ser tem a sua razão e sentido na hierarquia da criação divina; que cumpre a finalidade da existência ordenando-se ao fim último que é Deus.
A frase também se aplica ao homem individual. Ontologicamente, o intelecto humano veicula a marca do intelecto divino. Metodologicamente, o uso do intelecto revela a verdade de Deus manifesta no mundo. Praticamente, a tarefa do pensamento significa a orientação da mente para Deus.
Na história do pensamento político, Tomás de Aquino divide duas eras: os seus poderes de harmonização foram capazes de criar um sistema espiritual que absorveu os conteúdos do mundo em transição: o povo revolucionário, o príncipe natural e o intelectual independente. O seu sistema é medieval enquanto manifestação do espiritualismo cristão: é moderno porque expressa as forças que vão determinar a história política do Ocidente até aos nossos dias - o povo organizado com constituição, a sociedade comercial burguesa, espiritualismo da Reforma e o intelectualismo da ciência. Alcançou esta espantosa concentração do passado e do futuro mediante o milagre da sua personalidade. Absorveu e manteve em equilíbrio sentimentos muito distintos. Tinha algo da receptividade de Frederico II às forças da época, mas ultrapassa-o em espiritualidade. Realça o individualismo de carácter de João de Salisbury pelo personalismo espiritual cristão; o seu humanismo digere Aristóteles e cria o estudo das instituições israelitas; o individualismo espiritual de S. Francisco aparece ainda mais radical no espiritualismo de Tomás; o populismo franciscano é continuado pela evocação da comunidade do homens politicamente livres enquanto a limitação de Cristo aos pobres é ultrapassado pelo reconhecimento das funções do príncipe; a consciência secular de Fiora é traduzida nas ideias da expansão da Igreja no mundo. O horizonte estreito da irmandade monástica é alargado à visão imperial de um mundo de comunidades perfeitas cristãs; o intelectualismo de Sigério é equilibrado por uma orientação mas com uma espiritualidade igualmente forte.
Através destes equilíbrios, Tomás de Aquino tornou-se figura única que pôde dar voz à Cristandade medieval imperial na linguagem do Ocidente moderno. Ninguém como ele poderia ter representado no estilo grandioso o homem ocidental espiritual e intelectualmente amadurecido.
26.1.07
Avé Pierre! par Pedro Cem

Davos, 25 de Janeiro de 2007, por Joseh Nye
Davos Day 2: The Term "War on Terrorism"
With 800 CEOs, two dozen heads of state, and topics ranging from global poverty to Web 2.0, Davos is impossible to describe. Like the blind men touching the elephant, each participant feels a different part of the beast. My favorite touch for the day went as follows: In a plenary session on terrorism, I asked David Cameron, head of Britain's Conservative Party, whether he agreed with the British Foreign Office position that the term "war on terrorism" was counterproductive because it reinforced the Al Qaeda narrative of being engaged in a holy war. He agreed, and said it would be better to call it a "struggle." Secretary of Homeland Security Michael Chertoff basically ducked the question. (Not long ago, the US State Department had tried to get the White House to stop using the term, but the move was vetoed by President Bush.) Pakistan Prime Minister Shaukat Aziz said not to worry about words because the root causes of terrorism were local deprivation (read: more aid to Pakistan). Gijs de Vries, Counter Terrorism Coordinator for the Council of the European Union, replied that the term "war" not only helped terrorist to recruit, but also led us to justify violating the rights and freedoms that provide the soft power we need to prevail in this struggle. Clearly, where people stood on this question depended on where they sat.
25.1.07
Esnoga 1675 - 2003
Painting of the Amsterdam Esnoga — considered the mother synagogue by the Spanish and Portuguese Jews — by Emanuel de Witte (ab. 1680). The Esnoga in the city of Amsterdam is the oldest continually functioning Sephardic synagogue in the world. It was founded by ex Maranos (Portuguese) Jews in 1675.Ver ARTIGO Da minha visita a Amesterdão em 2003, trouxe entre outras coisas, uma publicação sobre a Grande Sinagoga ( Esnoga) Portuguesa da cidade, fundada em 1614 e restaurada actualmente no seu esplendor inicial. A publicação em neerlandês contém o serviço religioso judaico completo em língua portuguesa como ainda hoje se pratica entre a comunidade sefardita de que Bento de Espinosa foi um dos mais ilustres filhos.
Aqui deixo só para exemplo dessa lusofonia profunda uma parte dos poema escrito em 1935 por Abraão Alvares Vega (1901-1945) e que ilustra o lusitano, mesmo escorraçado do seu país mas continuando de nação. O poema é ligeiro mas os conteúdos surpreendentes não o são. (A minha tradução do neerlandês não é garantida.)
wij portugezen zijn spanjaarden gewezen
wij voelen ons van adel en zitten hoog in ´t zadel
met veel gewicht beladen wij hebben gravidade
wij portugezen met flegma in ons wezen
wij gaan niet over één nacht ijs, bezien alles voiorsichtig, wijs,
van achteren en van voren; dat noemen wij pachorra
Nós Portugueses apelidam-nos de Espanhóis
Mas sentimos a nossa nobreza e sentamo-nos na sela
Com elevação ; nós temos gravidade
Nós Portugueses somos conhecidos pela fleuma,
Tudo consideramos com cuidado e sabedoria
com previsão e futuro; a isso chamamos pachorra








