25.11.07

Instituto da Democracia Portuguesa



O IDP acaba de lançar este espaço na Internet onde manterá todos os interessados actualizados quanto às suas iniciativas. Em breve poderá aceder a várias outras funcionalidades. Mantenha-se atento.Para qualquer questão, consulte a nossa página de contacto
Endereço : http://www.democraciaportuguesa.org/

Irão ao Irão?

A crise económica, cívica e cultural dos USA continua a alastrar. A crise do Capital de Risco nos fundos de hipotecas sobre o imobiliário mostra uma Economia que já não cresce. Isto afecta as economias emergentes da China e da Índia, que irão refrear o crescimento industrial por falta de encomendas dos mercados de consumo do Ocidente. O pico do Petróleo provoca o aumento do preço do barril para valores que dizem serão de 120 dólares lá para meados de 2008. Os EUA têm o maior défice acumulado da sua história. Chris Martenson, em "Os Estados Unidos estão insolventes", refere que só a dívida interna, passivos líquidos combinados, ascende a 403% do PIB, fora a Guerra no Iraque e no Afeganistão, 15% do PIB.
A Economia Norte-americana não gera riqueza para cobrir as despesas cada vez maiores em benefício do Capital Financeiro e da Guerra. Está na falência. E por efeito perverso da Globalização, atinge a Economia Mundial.

A II Guerra Mundial teve efeito devastador sobre a Europa, mas grande vantagem económica para os USA. Os "Senhores do Mundo" para salvar o Sistema Financeiro Mundial da bancarrota, irão buscar pretextos e não faltam belicistas islamitas pra lhes fazer a vontadde. Junta-se a fome com a vontade de comer.

19.11.07

Mais uma volta ao parafuso - O país do destino é a Arábia Saudita

Iran leader dismisses US currency

Iranian President Mahmoud Ahmadinejad has suggested an end to the trading of oil in US dollars, calling the currency "a worthless piece of paper".
The call came at the end of a rare Opec summit, and was opposed by US ally Saudi Arabia.
The summit in Saudi Arabia was only Opec's third in 47 years.
a record high of $98.62 a barrel earlier this month
The dollar has weakened considerably against the euro and other currencies in the past 12 months.
However, in the communique Opec did make a reference to the debate, by committing itself to studying "ways and means of enhancing financial co-operation".
Iran's oil minister said that this would allow the formation of a committee to study the dollar's effect on oil prices and investigate the possibility of alternative trading currencies.

12.11.07

PROFESSORES DAS AEC NÃO RECEBEM

ESTE BLOGUE ESTÁ SOLIDÁRIO COM O POST DO BLOGUE CEGUEIRA LUSA ( e Silêncio Culpado que me enviou o mesmo)QUE TRANSCREVE NA ÍNTEGRA

VERGONHOSO: PROFESSORES DAS AEC NÃO RECEBEM
As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), há quem as designe de Actividades de Empobrecimento Curricular, nasceram algo tortas e, como diz a sábia voz do povo, «aquilo que nasce torto, tarde ou mal se endireita». Não querendo tomar a parte pelo todo, não me atrevo, para já, a juntar-me ao exército, que tem visto as suas fileiras engrossarem, daqueles que diabolizam as AEC. Apesar de não ser novidade para ninguém que me conheça que não concordo com o modelo adoptado nem com os objectivos (se é que estes existem) que estas se propões alcançar. Todavia, posso afirmar, convictamente, que este modelo contribui para o empobrecimento dos professores envolvidos no projecto.A trabalharem desde Setembro sem receberem um cêntimo pelos seus serviços é absolutamente inaceitável. Não esqueçamos que estes profissionais trabalham a «Recibo Verde», portanto há uma boa parte do ano em que não recebem coisa alguma. Isto já é preocupante. Pensar que estas pessoas desde Julho que não auferem qualquer vencimento suscita-me algumas questões: Quem paga a renda / prestação da casa? Quem paga a alimentação? Quem paga a água, a luz, o telefone? Como é que se vive assim? Não esqueçamos que muitos têm que se deslocar em transporte próprio para a (s) escola (s) onde leccionam. Não sei se esta situação se está a passar em todo o país. Em Viseu esta é uma realidade dramática. Parece que os vencimentos estão a ser processados…estavam…estarão…Ninguém sabe ao certo.O que sei é que há gente a vivenciar situações dramáticas. Um amigo disse-me que não sabe se o dinheiro que ainda lhe resta será suficiente para o combustível que lhe permita deslocar-se às várias escolas em que trabalha. Aqui está outra aberração: contratam imensa gente e depois atribuem apenas 12 horas a cada professor, horas distribuídas por distintos locais, obrigando a várias deslocações diárias. Se não expusesse esta situação vergonhosa e lamentável hoje, tenho a sensação de que nem dormiria em paz. Outros há que estão, dado o adiantado da hora, tranquilamente a sonhar com a cabeça na almofada. Enquanto isso, muitos fazem das tripas o coração, encetando majestosos malabarismos, para fazerem face às necessidades básicas do quotidiano.

Que vergonha!!!

9.11.07

Nada que não fosse anunciado...! O colapso finaceiro americano

Just yesterday, Cheng Siwei, vice-chairman of China's parliament announced that China will shift the country's reserves out of dollar-denominated investments and into the euro and other strong currencies!

Beijing central banker Xu Jian twisted the knife, saying “The dollar is losing its status as the world currency. The U.S. dollar's global currency status is shaky,” he said, “and the creditworthiness of dollar assets is falling.”

And to make matters worse, Xu predicted the dollar would continue to collapse in 2008 — and that $1,000 gold is now a near certainty!

This is devastating news for an already-shaky U.S. dollar. With China’s $1.43 trillion in reserves and a total of more than $7 trillion now in foreign hands — this could very well be the straw that breaks the dollar’s back, unleashing a world-wide torrent of dollar-dumping and a sudden, unprecedented collapse of the greenback.

Just yesterday, Cheng Siwei, vice-chairman of China's parliament announced that China will shift the country's reserves out of dollar-denominated investments and into the euro and other strong currencies!

Beijing central banker Xu Jian twisted the knife, saying “The dollar is losing its status as the world currency. The U.S. dollar's global currency status is shaky,” he said, “and the creditworthiness of dollar assets is falling.”

And to make matters worse, Xu predicted the dollar would continue to collapse in 2008 — and that $1,000 gold is now a near certainty!

This is devastating news for an already-shaky U.S. dollar. With China’s $1.43 trillion in reserves and a total of more than $7 trillion now in foreign hands — this could very well be the straw that breaks the dollar’s back, unleashing a world-wide torrent of dollar-dumping and a sudden, unprecedented collapse of the greenback.

4.11.07

Zeca Afonso - Aqui d'El rei!

Agradecendo ao meu amigo Alberto Castro Ferreira
DOS QUE LUTOU PELA DIGNIDADE NA LIBERDADE!
Vejam o Jornal de Parede dele
http://skocky.spaces.live.com/


MÚSICA: ZECA AFONSO .
LETRA: JORGE DE SENA .

«EPÍGRAFE PARA A ARTE DE FURTAR»
"A arte de furtar para proveito de amigos" e´uma velha fórmula de Platão em A República para denunciar a corrupção vigente



"Roubam-me Deus
Outros o diabo
Quem cantarei?

Roubam-me a Pátria
e a humanidade
outros ma roubam
Quem cantarei?

Sempre há quem roube
Quem eu deseje
E de mim mesmo
Todos me roubam
Quem cantarei?
Quem cantarei?

Roubam-me Deus
Outros o diabo
Quem cantarei'

Roubam-me a Pátria
e a humanidade
outros ma roubam
Quem cantarei?

Roubam-me a voz
quando me calo
ou o silêncio
mesmo se falo

Aqui d'El Rei!"

28.10.07

A diligência de Abílio Magro

“Em um dos meses do ano de 1909, Dezembro se a memória não me falha...” escreve Abílio Magro, o governador civil de Lisboa, João de Azevedo Coutinho, deu- lhe instruções para se deslocar a Espanha a fim de obter por compra ao famigerado António de Albuquerque o autógrafo de um livro com revelações sobre o regicídio, A execução do Rei Carlos. Uma vez que já não era secretário particular do juiz de Instrução, Abílio Magro vai a Granada como agente de confiança. Hospedado no Hotel Victoria, entra em contacto com o “Lêndea” que queria ficar à força na história.
A execução do Rei Carlos é mais um livro de escândalos de Albuquerque, neste caso um diálogo de obscenidades entre ele e um seu amigo regicida fictício, de nome Fabrício de Lemos. Dois terços do livro descrevem a vida voluptuosa do autor com uma escrava sexual Fatimah que trouxera de Marrocos, o outro terço os preparativos do regicídio, numa variante sentimentalona e balofa de A Filosofia na Alcova, do marquês de Sade. A nota introdutória diz o seguinte: «À inolvidável memória dos mártires da mais sublime das causas, a menos compreendida e a mais caluniada. Que Buíça e Costa descansem em paz eterna entre as flores com que mãos piedosas cobriram as suas campas de heróis e sob as bençãos que desde a terra lhes en­viam os seus camaradas oprimidos! Saudade para as suas memórias, perseverança e cora­gem para nós.»
Comprado por 120$00 ao Albuquerque um manuscrito, Magro regressa com uma das fontes primárias sobre a conspiração do regicídio e o Grupo dos 18 nela empenhado. Esse Grupo dos 18 de onde saíram os regicidas era constituído por José Nunes, Vergílio de Sá Alfredo Costa, Manuel Buíça,professor; e Domingos Fernandes Guimarães, caixeiro, Artur dos Santos Silva, operário; Saul Simões Sério, comerciante; Carlos Kopke, bancário; António Rodrigues Pires; Armando Octávio Dias, Roque de Miranda; António José dos Santos; industrial; Francisco Soares; A. Figueiredo Lima; Manuel pereira da Silva e um francês, um italiano e um catalão, como representantes das organizações anarquistas dos respectivas países. Nesta lista, onde a par de nomes comprovados existem outros duvidosos, assinala-se a presença dos estrangeiros em conformidade como as indicações de Magalhães Lima com quem partilhava conhecimentos e segundo Rocha Martins, “o famigerado Francisco Ferrer não foi de todo alheia ao que então se passou em Portugal”.
No regresso, recebido por Azevedo Coutinho no palácio da rua da Rosa, Abílio Magro entrega-lhe o autógrafo de trezentas páginas. O governador civil de Lisboa considerou-o tão importante que o levou, no dia seguinte, a D. Manuel II, então em Vila Viçosa a acompanhar a visita de Afonso XIII de Espanha. D. Manuel estimou devidamente o alto serviço prestado e entendeu dispensar a sua protecção a Magro. Este, sendo candidato a um lugar de escrivão de direito do cível, pedia preferência perante um indivíduo protegido pela “aristocracia feminina” e pelo ministro da justiça João de Alarcão. Todos os sinais são de que o rei se empenhou, como testemunharam o conde de Tarouca e João Azevedo Coutinho. Mas os dias e semanas passaram e o provimento do lugar não chegou. Nem por isso Abílio Magro deixou de continuar a recolher materiais sobre os regicidas.

14.10.07

Esta gente cujo rosto, POEMA DE SOPHIA DE MELLO BREYNER

Esta gente cujo rosto
ás vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova

E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
De um tempo justo

Do livro GEOGRAFIA, 1967

( AGRADEÇO O ENVIO à FERNANDA leITÃO)

8.10.07

(Re)leituras- I, por André Bandeira

Reler a Tese de Doutoramento do Padre. Isidro Alves, "Il Cristiano in Cristo - la presenza del cristiano davanti a Dio in S.Paolo". De 1980, já lá vai tanto tempo...
Lembro-me de ir, por recomendação de alguém, ver o Padre Isidro na Universidade Católica. Eu tinha uma Tese de Mestrado sobre S. Paulo, em que defendia basicamente que as "autoridades" da Epístolas aos Romanos, 13, 1-7, eram um "demónio" ( o que era parte da verdade) e com essa natureza deviam ser entendidas. Eu recusara a orientação, numa Faculdade de Direito sardonicamente positivista, o Padre Isidro era um especialista em S. Paulo e eu ia bem recomendado. Quando cheguei, sentei-me. Três ou quatro esperavam por ser recebidos. Quando o vi chegar ( nunca o tinha visto) dei com um homem ainda jovem, carregado de dossiers, com um ar extenuado. Disse para mim próprio: "Quem sou eu para estar a incomodar este homem, carregado de trabalho, com a minha tesezinha?!". Quando a secretária chamou por mim, certamente que ninguém respondeu.

Mas reler a tese do Padre Isidro faz bem, nestes tempos em que todos se reclamam
proprietários de Deus. Nós não temos Deus, antes, por Cristo, estamos perante ele. Perante Ele, como um tribunal, perante ele como um vítima perfeita para ser sacrificada. E a luta constante na nossa vida para sermos essa vítima perfeita, sem mancha, quando vier o sacrifício da Morte que não marca hora mas nunca falha, é o modo de nos mantermos sempre presentes. S. Paulo sabia isso, sabia o que era ser presente ao julgamento, terreno e divino. Talvez fosse demasiado entusiasta por acreditar que Cristo era o Messias, tão certo como quem conhece os rituais judaicos, a filosofia popular helénica, as seitas gnósticas e os mistérios romanos, para não falar dos Diógenes incorruptíveis do Areópago. Talvez, Saulo, o perseguidor, continuasse a correr, depois de ter caído em Damasco, com o mesmo ardor, desta vez sem armas. Estar presente. Apesar de S. Paulo ser aquele judeu pequenino e careca, gesticulante como um mediterrânico, falando um mistura de latim, grego e hebreu e com ataques epilépticos, em que o misterioso gnosticismo era anti-gnóstico, em que a crença no Messias vinha de fora, da poeira de Damasco e que achava bem todas as deduções místicas do seu tempo mas que nem todas lhe convinham. O judeu que nunca teve um sistema nem se ufanou de o não ter, com tiradas como as de Diógenes a Alexandre, mas que sempre correu para estar presente, tendo tido a sorte de ser talvez amado por uma mulher, enquanto cosia tendas para sobreviver e ela, administradora de uma casa de tecidos, o olhava com curiosidade. Teria o fariseu Saulo arranjado apenas uma nova fileira publicitária? A diferença entre "ter Deus" e estar presente é que, como Sto. Agostinho depois exprimiu, só fica o Presente, sem Passado nem Futuro, só o diálogo cara-a-cara em que talvez o gesto de abertura, como quem pede para falar, seja o da oração. No fim de contas, descobri afinal outro sentido para "autoridade" que o Padre Isidro bem sabia: falar com sinceridade porque "coração", para os gregos das praças e do Mar, era o Homem todo e integral. Desculpe, Padre Isidro não estar quando me chamaram, foi essa a minha forma de "falar" com coração...ao modo de Marcel Marceau.

6.10.07

Crónica de Espanha






Las primeras páginas dos periódicos vienen estos días plagadas de fotografías con carteles del Rey ardiendo. Son grupos de 30, puede que 40, pongamos que 100 revoltosos, generalmente radicales y antisistema, que parecen decididos a seguir con las hogueras, conscientes del privilegio que supone saber que nunca tan pocos tuvieron en jaque a tantos. A conduta de 45 personas volver del revés la vida de 45 millones? Tan radical y deslumbrante anomalía explica a las claras que ese no es el problema, sino apenas una anécdota, la excusa que evidencia un mal mucho más profundo, de más calado, cual es la crisis del Sistema, o si se quiera de la Monarquía restaurada en 1975 que pactó el otorgamiento de la Constitución de 1978.
El pacto en torno a la Corona entre la derecha, el partido socialista y los nacionalismos catalán y vasco que alumbró esa Constitución ha quedado muy en entredicho, si no roto, a cuenta de la aprobación del nuevo Estatuto de Cataluña –en contra del partido que representa grosso modo al 40% del electorado-, y por el reciente envite lanzado por Ibarretxe anunciando la celebración de un referéndum, decisión que el español menos avisado ha entendido en su exacta dimensión: como un paso más hacia la independencia del País Vasco, un viaje que tiene su estación término a la vista, pues los plazos se han acortado de forma vertiginosa en esta Legislatura por culpa de un presidente del Gobierno que alegremente decidió hace 4 años colocarse al frente del batallón de derribos del Sistema.



Si la Constitución del 78 pretendía transmitir la idea de que la Corona, a pesar de su arcaísmo, tenía el valor instrumental de garantizar la unidad de la nación española y ésta amenaza quiebra, es evidente que corre el riesgo de perder su primera y quizá única razón de ser para millones de españoles. La Monarquía está, pues, en crisis, porque lo anormal sería que con el Régimen salido de la Transición en plena convulsión, la guinda que corona la tarta constitucional permaneciera al margen en una especie de idílico nirvana. Este es el problema de fondo que la quema de retratos del Monarca y de banderas españolas está poniendo en evidencia.
El problema se agrava porque la Corona se halla indefensa para enfrentar esta deriva e intentar al menos un cambio de rumbo con argumentos de prestigio. Monarquía inerme, que ahora paga los excesos, fundamentalmente dinerarios, cometidos durante años por el titular de la institución. Un Rey sin auctoritas, virtud que en este caso nada tiene que ver con el aura casi sagrada que Hannah Arendt otorgaba el término, sino con el pedestre refrán que aconseja al hombre público predicar con el ejemplo. “En esta legislatura al menos en un par de ocasiones se le ha pedido que dijera algo, que saliera a la palestra para emitir opinión”, aseguraba en privado este mismo mes un destacado líder del PP, “y la respuesta, alarmada, fue siempre la misma: ¡No puedo, no puedo hablar, me tienen maniatado!”.


Excesos más o menos veniales
Amordazado por Zapatero, como amordazado estuvo por Aznar. Porque es imposible esconder bajo la alfombra el resultado de más de 30 años de excesos. Su implicación, más o menos venial, en operaciones económicas sigue siendo una constante, caso de la toma de Endesa por parte de Enel o del establecimiento de una fábrica de celulosa en Uruguay por parte de ENCE, compañía de la que es importante accionista su íntimo amigo Alberto Alcocer. Las embestidas mediáticas que asolan la imagen de la familia real británica apenas rozan la figura de Isabel II, cuya fortuna es conocida desde sus orígenes. Nada se sabe de la del Rey Juan Carlos, salvo lo que dicen las revistas extranjeras dedicadas a este tipo de rankings. La Monarquía británica paga impuestos, cosa que no hace la española. Hay, pues, un déficit democrático evidente en el funcionamiento de la institución y en los comportamiento de la persona que ocupa el vértice de nuestro sistema constitucional.
A ese déficit democrático se ha unido un clamoroso déficit de gestión de la imagen del Monarca por parte de La Zarzuela o, si quieren, de la Casa del Rey. A su manera, Sabino Fernández Campo intentó realizar esa gestión, y con notable éxito, que incluía una discreta vigilancia sobre el entorno –les amitiés dangereuses- y los comportamientos del titular de la Corona. Nada se ha hecho desde su salida de palacio. Las jefaturas de Fernando Almansa y de su sucesor, Alberto Aza, han resultado dos completos desastres, como corresponde a dos pesos ligeros. Sólo así se entiende un dislate como el cometido en Oviedo por el Monarca, ensalzando lui-même el papel estelar de la Institución en estos años. Si nadie me defiende, me defenderé yo mismo. De modo que el Rey parece haber vivido estos últimos años en un plácido sueño hedonista, del que ha sido despertado con estrépito de cristales rotos por los revoltosos que queman su retrato en la plaza de la Armería.
Del tabú a la indiferencia
El cuestionamiento de la Monarquía por parte de una minoría despide, y esto es quizá lo más desasosegante de la situación, un halo de intranquilidad y miedo colectivo que actúa como reflejo condicionado de una sociedad que continúa atenazada por el miedo a manifestarse con libertad sobre determinadas cuestiones, ergo de una democracia que 32 años después de la muerte de Franco sigue sin alcanzar su madurez. Hablar y criticar al Rey sigue siendo un tema tabú. Sobre un famoso locutor de radio que ha osado hablar de “abdicación” han caído estos días todas las plagas de Egipto. Sólo cabe el halago cortesano, materia en la que son expertos algunos los profesionales de la lisonja en busca de marquesados.
Por duro que resulte admitirlo, la realidad es que la Monarquía se asienta hoy en España sobre la legitimidad de la indiferencia, de modo que la Institución se mantendrá en pie mientras la gente del común siga viviendo de espaldas al problema. ¿Significa la quema de fotos que esa indiferencia empieza a dar paso a un movimiento de más calado? Al fin y al cabo, las Monarquías suelen caer por la fuerza de los movimientos populares en la calle. Ni un sólo dato, sin embargo, permite afirmar ahora que algo de eso esté ocurriendo en España. Fundamentalmente porque esa indiferencia se asienta firmemente sobre el miedo a lo desconocido, y sobre la percepción general de que, con el problema territorial abierto en canal por culpa de los nacionalismos, abrir ahora el melón monárquico sería lo más parecido a un suicidio colectivo, una irresponsabilidad que pondría en riesgo la paz y prosperidad de los españoles.
Pero este sentimiento no debería ser disculpa capaz de evitar la obligación que tiene nuestra clase política de poner, cuanto antes mejor, manos a la obra para, dentro de la normalidad, abordar un nuevo proceso constituyente capaz de repensar España. Los españoles necesitamos ir al psicólogo 32 años después del fin de la dictadura. Abordar una reforma constitucional capaz de cerrar de una vez el Capítulo VIII (“De la Organización Territorial del Estado”). No es posible que un partido con 36.000 afiliados (PNV) pueda mediatizar al vida política de 45 millones. Y devolver a ese Estado determinadas competencias –esenciales para garantizar la solidaridad entre españoles- que nunca debió perder. Repensar, incluso, el papel institucional de la Monarquía (¿debe seguir siendo el Rey el jefe supremo del Ejército?). Y tantas cosas más. Ninguna reforma de este calado será posible sin un gran pacto entre los dos grandes partidos nacionales. La situación exige inteligencia, no vísceras, y desde luego esos “hombres dotados de talento” a cuya ausencia atribuía el citado Ortega y Gasset la “desventura de España”.

4.10.07

3 de Outubro - S. Francisco


Ao irmão António, meu bispo, o irmão Francisco
envia saudações. Tenho gosto em que ensines aos irmãos a sagrada teologia, desde que, com o estudo, não se extinga neles o espírito da santa oração e devoção como está escrito na Regra.

3.10.07

João Franco e os Regeneradores Liberais

A adulteração do liberalismo constitucional a partir de 1900 desencadeou a reacção salutar das forças monárquicas comandadas por João Franco. Um episódio diz tudo. Um tal sr. Gomes, dirigente progressista da freguesia de S. Paulo em Lisboa, e pai do futuro Director do Banco de Portugal, veio dizer-lhe: "Venho-me ligar consigo; o José Luciano, chamo-lhe por brincadeira o homem dos perús vai atrás dos seus homens com uma caninha na mão; o senhor vai à frente e eles atrás."[1]
Os atropelos ao art.º 74 da Carta levavam a uma situação insustentável em que os dirigentes rotativos se acusavam mutuamente, como no sarcasmo de Hintze contra José Luciano “Fui leal ao meu rei, não entrei em conspirações republicanas”.[2] Antes de se afastar do Parlamento em 1901, sendo chefe da bancada do Partido Regenerador, João Franco deixou dito “que este País não podia continuar a ser ludíbrio de Regeneradores e Progressistas, que os países pertenciam aos seus povos, e que os monárquicos, para honrarem as institui­ções, deveriam "caçar no mesmo terreno'" que os republicanos". Estava marcado o terreno de combate que levaria João Franco a erguer o dedo ameaçador contra a propaganda republicana: “Se não fizerem já a República, eu não lhes deixarei fazê-la". E de facto assim teria sido se D. Carlos e o Príncipe Real tivessem escapado ao atentado. E por isso mesmo o atentado visou ambos.
Franco queria governar com a Nação e democratizar o processo governativo. Assim nasceu o Partido Regenerador Liberal, destinado a defender as instituições monárquicas contra o Rotativismo decrépito e contra a propaganda republicana.[3] Após dois anos de observação e de expectativa, a partir de 1903 começa uma intensa propaganda no País, sustentada na imprensa e com larga organização partidária em Lisboa. Ao escol de homens políticos que o fundaram, abandonando antigas posições partidá­rias, vieram juntar-se valores intelectuais. Num artigo sobre a adesão do grande escritor Fialho de Almeida, escreveu-se então: “Deu-se com Fialho o mesmo que acontecera com Ramalho Ortigão e Teixeira Lopes, com Sales de Lencastre e Costa Goodolfim, com Antero de Figueiredo e Eugénio de Castro, com Henrique da Gama Barros e o Visconde de Castilho, Agostinho de Campos, José Maria Rodrigues e Gomes Teixeira, e tantos Portugueses excelentes nas artes, nas letras ou nas ciências, idealistas sem serem ideólogos, que espontaneamente trouxeram ao esforço sincero do Franquismo o valioso atestado moral da sua adesão ou da sua simpatia.”[4]
Entre os que acompanharam João Franco desde a primeira hora no Partido Regenerador Liberal contam-se os nomes de: Drs. Teixeira de Abreu, Martins de Carvalho, José Novais, Mota Gomes, Luís de Soveral, Tarouca, de Arnoso, de Mafra e de Margaride, Drs. José Cavalheiro, Viscondes do Banho, da Idanha, Drs. Alfredo a Costa, Carlos Tavares, Pedro Gaivão, Malheiro Reimão, Luciano Monteiro, Teixeira de Vasconcelos, Tavares Proença, Melo e Sousa, , Pinto de Mesquita, João Saraiva, Morais Sarmento, Driesel Shroeter, António Viana, António Costa, Morais de Carvalho, José Maria dos Santos, Marquês de Valflor, e os mais distintos oficiais da época, Vasconcelos Porto, Paiva Couceiro, Aires de Ornelas e Azevedo Coutinho, que a essa amizade juntaram a glória militar.
[1] Carnide, 31
[2] Referindo-se à ditadura regeneradora de 1895
[3] Carnide 59
[4] Carnide, 60

1.10.07

Cheira a quê?


Magalhães Lima, o caixeiro viajante da República



Na véspera de Natal de 1907, João Franco manda publicar o decreto de convocação de eleições para 5 de Abril de 1908; não tão cedo quanto os partidos reclamavam, mas ainda assim o fim da “ditadura”. Ao convocar eleições, o que já podia fazer em Dezembro sem risco porque a reforma dos colégios eleitorais lhe permitia esperar uma maioria parlamentar, retirava à agitação o pretexto mais sério. Mais alguns meses e o país regressaria à legalidade constitucional. Durante meses concitara contra si e contra o rei, a fúria dos partidos monárquicos e dos republicanos. Agora, com a conspiração republicana controlada, encaminhada a viagem de D. Carlos ao Brasil, e presos alguns raros anarquistas, considerava ter na mão todos os elementos para fazer triunfar o seu projecto. Se vencesse, poderia ser o fim do rotativismo estéril, a redução do republicanismo a uma força marginal e um novo alento para a monarquia, baseada numa nova correlação de forças.

O que João Franco desconhecia eram os planos gizados em Paris por gente do Partido Republicano e das Lojas da Rua Cadet, 15. Em Novembro de 1907, Magalhães Lima, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, anunciou em banquete organizado em sua honra em Paris que graves notícias estavam para chegar de Portugal, e bebia antecipadamente "à República Portuguesa" (87).[1]
Que se passara?

O Partido Republicano enviara a Paris uma missão constituída pelos FF. MM. Magalhães Lima, Alves da Veiga, Ângelo da Fonseca, e eng.º José da Costa Amorim.[2] O grupo aparece reproduzido com relevo, em fotografia, dez dias após o regicídio (11 de Fevereiro de 1908), na primeira página de O Mundo. Tratava-se de procurar junto apoios internacionais para a revolução, e coordenar a respectiva propaganda.[3] Muito embora não se conheçam os nomes dos interlocutores, tudo aponta para o senador Henry Bérenger, apoiado no ministro dos Estrangeiros Stéphen Pichon e do primeiro-ministro Clemenceau, dos radicais franceses no poder.

O rasto da missão foi seguido pelas organizações antimaçónicas francesas que publicaram relatos do sucedido nos jornais e expediram ao ministro de Portugal, em Paris, Sousa Rosa, a informação obtida através de uma loja maçónica parisiense de que D. Carlos seria assassi­nado “..... “.[4]
A 19 de Novembro de 1907, Magalhães Lima toma a palavra na Loja Cosmos (GOF) sobre o tema “Portugal – decadência da monarquia, necessidade de um regime republicano – advento da república”: A 20 de Novembro está na Loja Garibaldi (GOF). Preside ao banquete do Congresso da Imprensa ( radical) onde profere o sinistro aviso já referido. E volta a surgir numa sessão solene de 21 de Dezembro presidida por altas entidades maçónicas francesas.[5] Sempre espalhafatoso, terá sido mesmo censurado pelos seus pares e é de notar que a 1ª República nunca lhe confiou um cargo político de responsabilidade.
O anarquista José Nunes, inventor confesso de engenhos de morte, maçon e carbonário, revelou as reuniões de Paris em E para quê? (1918). Aí levanta uma ponta do pesado véu quando afirma que a tragédia do Terreiro do Paço foi a realização do que se combinara, em fins de 1907, numa reunião no Restaurante Le Brébant, 32, no Boulevard Poissonière, em Paris. No Congresso da Im­prensa, “onde um dos políticos que estavam na casa da rua do Desterro, um outro português e alguns revolucionários franceses, resolveram o assassí­nio de João Franco enquadrado num golpe revolucionário que veio a ser o 28 de Janeiro.”
[1] Brenier
[2] Em 1909 o PRP envia a Inglaterra uma comissão formada por Magalhães Lima, José Relvas e Alves da Veiga, para obter das autoridades britânicas, onde Lloyd George representa os radicais, havendo encontros com o duque de Connaught.
[3] Araújo
[4] Araújo. Artigo do Padre francês J. Tourmentin contra Magalhães de Lima e Maçonaria“Portugal” 2ª pag. - COPIADO 14/2/1908
Tourmentin é citado por Flavien Brennier, redactor da Revue Anti-Maçonnique
[5] Léon de Poncins, Le Portugal renait, Paris, 1936, pp.20-21

30.9.07

Um crime útil


Na história de Portugal, o regicídio de 1 de Fevereiro de 1908 é o passo decisivo para a revolução de 5 de Outubro de 1910 sendo, ainda hoje, objecto de repulsa pela maioria da população. Conforme sondagem recente da UCP (2002), 76.5 % dos inquiridos considera-o “um crime horroroso”, 18,8% “um mal necessário” e 4,6% “uma coisa boa para o país”. Os tempos mudam. Há cem anos atrás, a campanha de apoteose dos regicidas desencadeada pelo Partido Republicano foi um modelo para a “balbúrdia sanguinolenta” da 1ª República, entre cujas centenas de mortos em atentados e revoltas tombaram um dos seus presidentes, Sidónio Pais em 1918, e Machado Santos, Carlos da Maia e António Granjo em 1921, seus fundadores.
O conhecimento da conjuntura da tragédia do Terreiro do Paço é perturbado pela promiscuidade espantosa entre as organizações políticas que para ela conspiraram. O assassinato d’el Rei D. Carlos e do príncipe D. Luiz Filipe resultou da aliança dos republicanos com os anarquistas, e com os dissidentes progressistas, e sobretudo da formidável campanha de imprensa que transformou os odios partidários em odios pessoais, fazendo convergir todos os rancores na pessoa do Rei, e da Familia real, de modo que se estabeleceu o seguinte axioma: arredada a dinastia, está assegurada a Republica.

20.9.07

Guerra Junqueiro e Hitler - AS RELIGIÕES POLÍTICAS

Num jornal de nome de prenúncio fascista, " Pátria" Nova". 16-2-1908 Guerra Junqueiro publicava um elogio aos regicidas com um estilo próprio do melhor Hitler em Munique com os seus discurso Blut und Erde. Cá temos a versão lusitana das religiões políticas, a religião civil republicana com este Hino de Guerra Junqueiro ao "ódio e ao sangue purificador do solo".
A violência nazi é incomparavelmente maior nos actos. Mas a violência verbal de Junqueiro é muito superior. "Brandos costumes? " País de Poetas?"

"O partido republicano nem organizou nem aconselhou o atentado. O atentado foi obra única de dois homens. E contudo, as balas de morte partiram da alma da nação. Foi um atentado nacional. Um raio esplêndido e pavoroso, exterminador e salvador. O raio condensou-se em duas almas, apenas, mas a electricidade que o gerou saiu da alma de nós todos. Todos nós somos cúmplices"." Lamento de olhos enxutos, a execução do monarca. Mas, se tivesse o dom de o ressuscitar, não o levantaria do seu túmulo. Deploro, angustioso, a morte do príncipe. E diante do cadáver dos homicidas, descubro-me, ajoelhando-me, com frémitos de terror, lágrimas de piedade, e , porque não hei-de confessa-lo? de admiração e de carinho. Mataram? é certo. Ferozes? sem duvida. Mas cruéis por amor, ferozes por bondade. Os que matam por amor, sacrificando o próprio corpo, são duros, mas são bons.Abjectos e miseráveis são os que por egoísmo e covardia, calando e cruzando os braços, deixammorrer os inocentes. São heróis os dois regicidas portugueses. Libertaram, morrendo, sacrificando-se. Idealidade, valor, desinteresse, abnegação. Heróis. Mataram um grande criminoso e o seu filho inocente. É horrível, mas para eles, na sua concepção da historia, materialista e fanática, o filho do Rei era a vergôntea da arvore, e a arvore de má sombra, queriam corta-la pelo tronco. Ideia barbara e cruel. Mas a violência desumana do acto formidável, remiram-na os algozes heróicos, lavando com o próprio sangue, o sangue inocente que verteram. mataram com atrocidade, e com atrocidade forammortos. Expiaram a dívida, purificaram o acto. E o solo assim purificadosurge-nos grande e luminoso, na essência intima. Deu-nos a paz que fugira da Pátria. Deu-nos a alegria que se evolara das almas. Libertou-nos, harmonizou e serenou. Hoje, nesta hora de liberdade e clemencia, pode dizer-se que são eles os dois regentes do Reino."

8.9.07

Aforismos de Agosto, por Pedro Cem

1 - A sensação não tem Memória. Só tem outra sensação.

2- É óbvio que a desconfiança está cheia de Passado. O presente é diverso e o Passado ainda mais. Tantas diversidades podem ser simplificadas mas dão uma longa sensação de indigestão.

3 - A tentação ataca sempre uma segunda vez, como um extra depois de se fazer o que se deve porque, nesse momento, o que custa é aguentar a desolação, sem sinais de Deus.

4- Contar uma anedota a si próprio é algo que se pode aprender mesmo tendo nascido sem jeito para contar anedotas. E largar a rir sozinho pode significar que se foi visitado pela Verdade.

5- A solidão não é silenciosa. Está cheia de fantasmas. Por isso se deve aguentar uma posição social medíocre, porque a riqueza da solidão não é acessível a todos e é difícil de segurar.

6- As pessoas falam nos cafés, nas esplanadas, ao telemóvel. E todas as palavras coincidem à flor dos lábios. Na nossa busca de confirmação, nos arrastamos dilacerados uns para os outros.

7- Saí a tremer da água. Vi duas lésbicas num gesto terno e admirei-as do alto da minha masculinidade. Foi uma falsa tolerância porque dar um sexo ao Amor é afastá-lo ainda mais.

8- Programar, vontade de ferro…mas depois do embate a única sabedoria é perdoar tudo. À força de querer reduzir o Mundo à mente, cavalgámos uma quimera e caímos fora do Mundo.

9- Ao longo do caminho, nem Roldão, nem Mustafá têm tempo para perdoar. Só o perdão do tempo é que funciona. O tempo que nem Roldão, nem Mustafá têm.

10 - O aprofundamento do raciocínio é a inversão da realidade, mesmo o mais hiper-realista dos raciocínios.

11- Estratégia chamamos ao modo de dar um estilo a tudo o que fizemos com a fraqueza da vontade. Uns vêem caras nas mesmas nuvens onde eu vejo animais.

12 - Para prever o que vai acontecer basta não deixar que aconteça algo imprevisto. Se julgamos que não aconteceu nada, nunca acontecerá se não deixarmos. Crer é poder.

13 - “Vá, não penses nisso!” disse ela, com algo em mente. Deixei de pensar e a mente obscureceu-se ao levar com a luz sem a crosta protectora da ignorância. Era o que ela tinha em mente.

14 - Depois de muitas hesitações, lá decidiu. Para se fazer muitos disparates há que ser decidido. Por isso, os outros viram, mas ele não viu porque o saber lhe deu tempo.

15 - O pensamento é como uma imagem invertida. Fotografar uma imagem invertida e virá-la ao contrário pode falhar no cálculo. O pensamento não pode ser usado em bruto.

16 - Janeca pensou rápido. Julgava que o que via, de pensar tão rapidamente, era ela própria em eminência. Mas era apenas uma ressaca, em que ouvia a sua voz de cada vez que ponderava.

17 -A viagem é imaginação. Se o viajante morrer, expirará como se não se tivesse levantado da cama. O viajante tornou-se imaginário com a paisagem porque perdeu algo, ao partir.

18 - No homem que se põe a caminho, os dois primeiros passos são o contrário do nada, porque o segundo é uma potência do primeiro. Ao fim de mil passos, os pés doem. É o corpo que pensa.

19 - O mundo dos nossos órgãos não é inteiramente um mundo de trevas. Tenho a certeza, como no mundo dos peixes das águas do abismo, a nossa pele é ligeiramente translúcida.

20 - Porque se suicidou Lucrécio? Dizem que por Amor. Enquanto os átomos das lágrimas declinavam pelo seu rosto, secou-as ao sol para que se evaporassem para cima e o sal cegou-o.

21 - Quando a lua nascia Teilhard de Chardin cria assentar ideias. A luz da lua parece mostrar que tudo está ali na obscuridade. A luz do Sol não deixa ver tudo, a começar pelo próprio Sol.

22 - Como evitar a vaidade de ter Deus? Agradecer o desespero contínuo e cinzento e a loucura como um Seu afago. Jesus é o meu talismã e nem sei se Jesus existiu.

20.8.07

«O culto dos regicidas»



Após o regicídio de 1 de Fevereiro, as forças radicais desencadearam uma campanha fortíssima do «culto dos regicidas» em que os autores reconhecidos do crime foram glorificados, sem que quaisquer imposições das autoridades o tentassem impedir. Essas manifestações organizadas e persistentes prolongaram-se durante alguns anos, até se esgotarem já depois do 5 de Outubro com a cisão entre as facções do PRP e os choques com os anarquistas.
Como tudo o que resultava da colaboração entre as forças radicais, a campanha foi montada sistemáticamente e com enorme rapidez e poder de mobilização. Quanto menos crédito e verosimilhan­ça tinha a versão do atentado isolado, mais ruidosa se tornava. Alfredo Costa, o jovem caixeiro, e Manuel Buíça, o ex-sargento de Cavalaria tinham sido carbonários, com ligações à loja maçónica loja “Obreiros do Futuro” e fanáticos de António José de Almeida. Tanto bastava para que estas e outras organizações em rede por ela patrocinadas convergissem na manobra do “culto dos regicidas” com uma conivência e passividade do Governo que impressionou os observadores. O PPR aplicava a táctica de Brito Camacho: “Quanto mais liberdade nos derem, mais haveremos de obrigá-los às transigências que rebaixam ou às violências que comprometem.”
Os diários radicais - já sem a censura imposta por João Franco - deploraram o destino dos assassinos e não tiveram palavras de piedade para com as vítimas régias. O Mundo abriu nas suas colunas uma subscrição em favor da viúva e órfãos de Manuel Buiça que rendeu 64 contos de reis, uma quantia ao tempo fabulosa. Houve propaganda levada a cabo nas escolas.Uma subscrição pública foi aberta pela Associação do Registo Civil que patrocinou o funeral dos regicidas; os regicidas foram glorificados, e cobertos de flores os seus covais no cemiterio do Al­to de S. João. Promoveu ainda a construção de um monumento na campa dos mesmos, da autoria de Julio Vaz, em plena via e junto ao túmulo do anarquista Heliodoro Salgado.[1]

O acto culminante da campanha foi o que o Conde de Arnoso chamou «a vergonhosa e vil peregrinação ao cemitério». Associações, grémios, delegados de diversos organismos radicais, redactores de diários das esquerdas desfilaram, previamente convocados, diante dos túmulos dos regicidas, depositando ramos de flores, coroas, e fitas com inscrições laudatórias. Nas montras das lojas da Baixa, em bilhete postal e em retratos, os regicidas tinham lugar de honra. E ainda Museu da Revolução, inaugurado apos a implantação da Republica, o capote de Buiça e as armas que ele e Costa tinham utilizado encontravam-se em exposição como relíquias de dois mártires.[2]
Qualquer regime que se abandona sem defesas, está perdido. A opinião pública constatou que o Governo se abstinha de qualquer censura ou proibição ao “culto dos regicidas” e que os inimigos redobravam de insolencência. A Marquesa de Rio Maior solicitou a Ferreira do Amaral que pusesse termo àquela vergonha. «Agora - respondeu-lhe o Presidente - só penso em acalmar os ânimos». The Times escreveu: «O mundo civilizado observará, provavelmente, que os senhores assassinos é que mandam». A grande massa dos versáteis, num primeiro momento indignados pelo crime, achou inútil mostrar-se mais intransigente que o governo.

Os mais comprometidos nos eventos do 1 de Fevereiro - como José de Alpoim, um dos instigadores do assassinato - mostravam-se em público sem se expôr a incidentes desagradáveis. O regicídio começou a parecee desculpável, a partir do momento que o govermo, apesar de instaurar o processo, renunciava à retaliação política (96).


Mas se o culto provocador dos regicidas desmobilizou boa parte da opinião pública e impressionou o mundo político, em contrapartida exasperou sectores que sempre tinham revelado lealdade ao rei, nomeadamente o exército. Correram rumores de golpe entre os oficiais das guarnições de Lisboa, exasperados com a inacção do poder e com as provocações sucessivas. A unidades foram confinadas nas casernas e ninguém surgiu a liderar o movimento. Talvez por isso, algumas semanas após o atentado uma centena de oficiais e sargentos foram saquear os escritórios do jornal O Mundo, abertamente republicano. Se D. Manuel II tivesse legitimidade para contrariar a politica do governo e agisse resolutamente contra as froças radicais orquestradas pelo PRP, decerto teria o apoio de todo o exército. Os quadros subalternos do exército, em particular, ficaram desiludidos com a inacção e foram aliciados para a causa da revolução onde se iriam distinguir os sargentos na Rotunda.


[1] Monumento destruído em 1940 por “prejudicar o trânsito no cemitério” .
[2] Do Museu da Revolução desapareceram as armas e capote dos regicidas ...

19.8.07

A crise dos mercados

Sobre a crise conjuntural dos mercados e crise estrutural da globalização, dois artigos de colaboradores periódicos do SP, um português - Artur Rosa Teixeira e outro brasileiro - Nivaldo Cordeiro - dizem o mesmo.

Leias as análises:
Há-de cair de maduro, por Artur Teixeira http://www.somosportugueses.com/modules/articles/article.php?id=231
A CRISE DOS MERCADOS, por Nivaldo Cordeiro
http://www.somosportugueses.com/modules/articles/article.php