26.4.07

Abril, por Pedro Cem

Abril é um belo mês, em Portugal. Havia mesmo uma canção que fez moda, nos anos sessenta, quando ainda havia canções, titulada "Abril em Portugal". Depois veio o 25 de Abril. Cada vez me convenço mais que a História marcha sózinha, furando muitas vezes as folhas de papel vegetal das nossas representações e quimeras. E, quando digo História, não sei o que isso é, senão umas historietas com que nem me não dão crédito.
Salgueiro Maia era um ilustre português. Parece que sim, que foi com uma granada para se suicidar em conjunto com o Brigadeiro que se lhe opôs,se este o quisesse prender. E morreu depois, jovem, com cancro, devagarinho, recusando todas as honrarias que a taina dos abrileiros lhe queira dar. Não sou ribatejano mas reconheço a raça desta gente.
Sei também hoje que Abril foi feito à tôa e que se não fossem as pessoas estarem fartas de um regime que não se resolvia, provavelmente os militares fariam um segundo golpe falhado, como a "Marcha" das Caldas de Março anterior, até que o regime cairia mesmo. E talvez com as mesmas coisas que levaram ao 25 de Novembro e as mesmas soluções disparatadas para as colónias, talvez (quem sabe?)com um pouco de mais bom-senso e menos comunistas de 26 de Abril, prontos a todas as touradas. Mas cada vez mais me convenço que, salvo honrosas excepções, não somos actores da História política. Ou somos manipuláveis e muitas vezes manipulados por quem é profissional ou temos que nos fazer manipuladores. Os portugas eram boa gente, melancólica e de coração. Mataram muito menos gente que todos os seus confrades coloniais. Mataram muito menos gente que as guerras de libertação dos anti-coloniais. Por isso, foram de cravo ao peito, o símbolo da ferida aberta, chaga ao peito como o coração de Jesus. E, sobretudo porque era Abril, mês de esperança, Ano Novo de tibetanos, persas e xiitas, os que adoram Nossa Senhora de Fátima. Porque o céu se dota de uma côr e a água vem molhada de luz e o coração se embriaga duma esperança sem razão nem porquê. Morrer em Abril não custa e, por isso, os soldados que receberam a ordem de metralhar Salgueiro Maia na rua, se recusaram, um Alferes primeiro, um Cabo depois. Um português não mata se não lhe encherem a cabeça que todos à volta se matam uns aos outros e assim é que é.
E foi, trinta e três anos depois, no que caímos: vamo-nos matando uns aos outros, irmão não conhece irmão, o filho não conhece a mãe.
Salgueiro Maia e Zeca Afonso, que eram boas almas, diriam coisas muitas estranhas para os abrileiros, se ainda hoje fossem vivos. Morreram e deles ficou, nem o protagonismo revolucionário de quem queria um Verão eterno depois da Primavera, nem a grandiloquência de uma História Pátria autista que quer um Inverno longo, pela cobiça da Primavera. Um era soldado, o outro poeta. Profissões ingratas e obscuras onde o único salário garantido é o da humildade e o do silêncio.

25 de Abril Sempre

O David Garcia publicou no nosso www.somosportugueses.com um 25 de Abril sempre, original e provocador, com que em boa parte me identifico

24.4.07

Imaculada Conceição


A Rita Barata Silvério escreveu o seguinte numa das suas crónicas
Por ela enfrentaram-se correntes doutrinais, levantaram-se edifícios e talharam-se obras de arte; é fonte de inspiração para Cantatas de Bach, romarias populares e fenómenos extraordinários com velinhas na Avenida da Liberdade; exemplo de caridade e amor, a essência da maternidade. Maria. Nunca houve mulher que contribuísse mais para a discussão filosófica no Ocidente e nenhuma mulher mereceu mais devoção que ela. Pura, virgem e imaculada. Mas também caridosa, auxiliadora, mística, dolorosa, reconciliadora ou milagrosa. E a mulher que se espera sejamos todas as que viemos depois. Concordarão que não é propriamente fácil sobreviver a um modelo destes. E não me leiam aqui como uma iconoclasta radical de esquerda, sou só realista. Como alcançar tamanha virtude num mundo pejado de excessos carnais, publicidade erótica na televisão e incentivos à evasão fiscal? Não se nos terá exigido demais ao género feminino? Não poderiam ter escolhido Maria Madalena, pecadora, mas arrependida apesar de tudo? (continua...)

E eu respondi-lhe:


Rititi
Parabéns. Já não a lia há que meses mas surpreendeu-me com este post. É mesmo uma intelectual que sente, coisa tão rara como o Engenheiro Álvaro de Campos que, felizmente, não teve de provar se tinha diploma. O seu ponto neste post é que as glórias de Maria são conseguidas à custa da desumanidade da mesma. Como corolário, a doutrina do cristianismo não se aguenta pois pede uma utopia, e uma chata ainda para mais. Alguém falou em comunismo ou marxismo-Leninismo? O seu protesto humano, demasiado humano como dizia o outro, tem todo o sentido e não tenho uma resposta para ele. Santos e pecadores, eles andam por aí misturados.
Em todo o caso lembro-me disto. Dos quatro dogmas sobre Maria, o 1º, A "Imaculada" foi analisado foi si razoavelmente, tanto quanto a ignorância da escolástica lhe permite. Atenção. Não leve isto a mal. O que quero dizer é que acertou no centro da questão mas não percebe muito dos arredores. O 2º dogma é a "Assunção" de 1950, a subida ao "céu". Contudo Pio XII não quis proclamar as outras duas propostas de dogma que jazem nas gavetas do Vaticano, a Mediação de todas as Graças e a Co-redenção. A serem proclamados colocariam Maria quase a par de Jesus Cristo nas suas eficácias teologais. Já viu: a mãe de Deus pare, salva, ajuda e sobe ao Céu como o filho de deus. Deus é feminino, ou quase. Agora , sff, ponha entre parênteses, como os matemáticos e os fenomenólogos, se estas ideias são falsas ou verdadeiras. Nenhum de nós é teólogo, não as vamos discutir. Concentre-se apenas no que elas significam em colocar a mulher a par do homem, como orientação. Uma religião que pensa assim não deixa usar burkas, nem fazer excisões, nem segregar do trabalho, nem diminuir os direitos, nem mandar as virgens servirem no céu os "mártires" violentos. Uma religião que exalta Maria como tão "desumana" talvez crie o mesmo efeito com meios transcendentes que a Jane Fonda que nos seus sessenta bem puxaditos, com aeróbica e cremes, ainda é um regalo imanente. Vê onde eu quero chegar? Não me passaria debater se é verdade ou mentira o conteúdo daqueles dogmas marianos - os proclamados e os por proclamar. Mas vendo os efeitos, as consequências, e os frutos dos mesmos a mulher saiu mais defendida do que noutras culturas -islâmicas, budistas, "you name it"- que se marimbam para as suas Marias.
Com estima
mendo henriques

22.4.07

Num carrinho, para a Lituânia, por Peregrino

Aí vou eu, para Vilnius. Resolvi ir pela terra, com o dedos na areia. Dormi em combóios, meti os joelhos no queixo, entre frios e calores, por camionetas tremidas. Espreitei filmes porno em hotéis de passagem, esmaguei o nariz contra vitrinas de lojas caras. Numa Igreja toda partida pelos esbirros de Estaline, com buracos abertos para câmaras secretas onde se esconderam crianças judias para fugirem aos SS, vi uma pobre e humilde mulher lituana a rezar. Tinha um ar tão humilde e tão contraído, como se não houvesse ninguém no mundo que pudesse interessar-se pelo seu caso, tão difícil e tão obscuro. Rezei com ela, em silêncio, sem que me visse. Andei em combóios polacos, com gente de trabalho, sem peneiras, admirando o seu casaco poeirento como se fosse um trajo de reis. Ouvi polacos com manias de conquistarem a Lituânia e a Ucrânia, só porque generais e capitães ali tinham deixado o coração enterrado, em outras dores e outras quimeras. Pelo vale todo, que vai dos Urais até Bordéus, a Primavera espadanava, sem a beleza épica dos Russos, nem as delícias do Ocidente. Debaixo do braço levava um saldo de Spengler, com as suas obsessões, afinal tão passsageiras como as flores amarelas da Primavera. Na Lituânia ouvi falar demais de Igrejas e lembrei-me como se pode falar de Jesus e nem o ver a passar. Gostei de voltar nas camionetas onde lourinhas polacas e velhotas de Varsóvia se acomodavam como podiam para viagens humildes e tive saudades da humildade com que as pessoas viveram os seus longos dias de socialismo, com um saco às costas, aceitando tudo com uma sorriso agradecido. Uma lourinha surpreendeu o meu rosto e sorriu. Sorriu sem convidar, sorriu sem se fazer convidada, sorriu apenas sabendo que tinha um rosto bonito, como as flores da Primavera no seu país, sem cuidar se vestia Prada, ou se viajava em primeira, aninhando-se para a noite sem o mínimo receio de quem a rodeava. Entraram três russos com um saco de plástico a chocalhar de garrafas, quase envergonhados e, quando se sentaram olharam em volta, não quiseram ofender ninguém, foram discretamente para as traseiras. Eu gosto da humildade desta gente, da gratidão que têm por estarem vivos e mais nada. Lá fora desfilavam os bosques, onde os piratas de Januscik despertavam os lôbos ao cair da noite, na grande planície que vai até à muralha da China. E ainda bem que as almas humildes têm lôbos que as protegem durante a noite.

Cheguei aqui e acordei com trinta e dois tiros de um jovem coreano que não conseguia falar com os que o rodeavam. A loucura de conquistar o céu, faz expedições ao deserto e à selva e o suicídio rebenta-nos debaixo dos pés. E o suicídio é contagioso.

O meu pesadêlo alumia-se com o Dr. Paulo Portas, com as suas gravatas bem apertadas no pescoço, brandidno o dêdo com fúrias napoleónicas, com o seu ar de Estaline azul ou com o fantástico Sarkozy que, se fôsse cavalheiro -- sim, se fôsse o que nunca será -- abdicasse em nome da ultrajada Ségolène, ou do maltratado Le Pen. Mas isso é de um conto de fadas...

Ah, quem me dera estar encolhido, com os joelhos no queixo, na camioneta polaca, ou lituana, pela estrada estreitinha dos firmamentos da estepe!

21.4.07

Alguns conselhos básicos sobre televisão

Com base em Marshall McLuhan, Eric Voegelin e Alain de Benoist aqui ficam alguns conselhos básicos sobre televisão. Não são um lamento intelectual; são a constatação de regras de jogo
  • O meio é a mensagem
  • O espectáculo é a regra
  • É a televisão que olha para as pessoas (não ao inverso)
  • A publicidade tornou-se o paradigma das linguagens de comunicação
  • Excesso de informação é igual a falta de informação
  • As únicas boas notícias são os anúncios
  • Antes tínhamos a proibição de respostas, agora temos a proibição de perguntas

Uma análise da esquerda lúcida sobre o Iraque

Jazz and Jihad: the discourse of solidarity Print E-mail
Gilad Atzmon

Denver, 13 April 2007

I am becoming gradually interested in the general Western apathy. To be more precise, I would argue that the common denominator between Iraq, Afghanistan and Palestine is our collective indifference to a crime that is committed on our behalf and in our names. . . As much as Blair and Bush insist upon democratising the Muslim world, we, the so-called left humanists have our own various agendas for the region and its people. In Europe some archaic Marxists are convinced that ‘working class politics’ is the only viable outlook of the conflict and its solution. Some other deluded socialists and egalitarians are talking about liberating the Muslims of their religious traits. The cosmopolitans within the solidarity movement would suggest to Palestinians that nationalism and national identity belongs to the past. Noticeably, many of us love Muslim and Arabs as long as they act as white, post-enlightenment Europeans. In other words, we love Muslims as long as they stop being Muslims.

16.4.07

Momento Grave!

"Jupiter prius dementat quos perdere vult". Era com este aceno de sabedoria contristada que os Antigos despachavam os poderosos que estavam à beira da queda. No nosso século mais tecnológico falamos de preferência do princípio da entropia, quando a energia dos sistemas não se consegue transformar em trabalho E começa a desordem! Começa a queda!

Algo de semelhante se está a passar em Portugal.

Surpreendentemente, para alguns!" Afinal, somos um país da União Europeia. Nem sequer dos pior classificados em muitos dos rankings que alavancam os Estados da OCDE. Funcionam as garantias do estado de direito e sobre as liberdades não há queixas apreciáveis. Os nossos juristas podem estar muito contentes com o sistema de códigos limpinhos que nos criaram e a indústria florescente de pareceres que alimentam. O sistema eleitoral funciona regularmente e o leque partidário apresenta uma regularidade quase sem paralelo na Europa. 3o anos de democracia sustentada pela "pachorra" dos portugueses em votar quase sempre nos mesmo partidos criaram uma estrutura de fazer inveja a outras classe políticas europeias, sempre em bolandas de mudar de partidos ou de pessoas. Nós não; temos inamovíveis como o major Valentim e a senhora de Felgueiras, liberalmente distribuídos à direita e à esquerda da baixa politica partidária do "centrão".

Somos de facto um país atlântico situado na Europa. E como outros países europeus, partilhamos poderes de governação com a Europa, permitindo que o orçamento seja pilotado de Bruxelas - o que nem é um mal - e que a política externa dependa dos faxes de Washington - o que nem sempre é um bem. Muitas das nossas decisões deixaram de ser soberanas porque o mundo não está virado para aí, para as soberanias puras. Isso não é problema. Fomos independentes 4 séculos antes de se reinventar a palavra soberania. O problema é se sabemos utilizar a independência que nos resta

Isso exige ter a cabeça livre e limpa para tomar decisões esclarecidas e cada vez mais urgentes sobre o nosso futuro imediato. E aí vemos uma crescente entropia, uma crescente loucura e desordem dos políticos republicanos - chamemos-lhe com o nome do regime que temos - acompanhada de uma crescente incapacidade de decidir por nós, de encomendar as soluções aos nossos técnicos e sabedores, de estimular o capitalismo popular baixando impostos para que nasçam empresários nossos a sério e não dependentes de subsídios, de apoiar o enprego dos jovens em vez de os seduzir com a pasmaceira ou de os atirar para a emigração. Temos de aproveitar a sério a independência que ainda temos, e uma das últimas oportunidades que temos é ordenar o país, tornar viável uma série de cidades região que se estendem pelo norte até à Galiza e pelo leste até Castela e que pelo mar e pelo mar facilmente poderiam ser um ponto de encontro com o resto do globo.

Mas em vez de agarrarmos com as duas mãos essa margem de independência que nos resta e de arrumarmos a casa, deixamos a loucura crescer. Veja-se os projectos literalmente farónicos da Ota e TGV; já se calculou que a remoção da terras na Ota equivaleria a 6 pirâmides de Gizé. A classe política que nos governa - digamos republicana pois que assim se auto identifica o regime - deixou de ter amarras nos sabedores e nos técnicos. O episódio ainda sem desfecho da "espécie de engenheiro" que é primeiro ministro é um epifenómeno disto mesmo. Do modo como a classe politica se desamarrou da classe dirigente: de como a classe dirigente deixou de dirigir seja o que for e de acreditar noutros compromissos excepto os seus proprios interesses; de como o que resta de bom senso, de dedicação e de coragem se vê afastado, querendo ou não querendo, das decisões nacionais. De tudo isto resulta que estamos num momento grave em que os poderosos fazem actos estúpidos e dizem coisas estúpidas, como se estivessem loucos. Porque os deuses os querem perder. Mas somos nós, portugueses, que nos temos que salvar a nós próprios!

14.4.07

Skype this!

Reduzir para 1/3 ou menos a factura telefónica...with my new Cyber phone
Ou muito me engano ou os operadores de telecomunicações lusitanos estão num bom aperto. Já ouviram falar no Skype? E no VoipBuster? E no X-Lite? Pois bem, a ideia é simples: se tem um computador ou um Pocket PC (correndo Windows, Linux ou Mac OS X) esqueça as promoções da PT e dos anões concorrenciais que borboletam queixosos à sua volta. O Voice over IP, VoIP, veio para ficar e vai obrigar a PT e restantes operadores de voz e dados, por esse mundo fora, a baixar drasticamente as suas margens de ganância! Eu, para já, mudei-me para o Skype. E preparo-me para o funeral dos vários terminais e assinaturas que a PT me cobra com razoável indecência, mais as suas tarifas exageradas.
Numa rápida visita aos preçários da Skype e da PT retirei alguns números elucidativos.

Portugal Telecom
mensalidade -- € 15,32
rede fixa (cada min.) -- € 0,050
fixo-móvel (cada min.) -- € 0,300
móvel-outras redes (cada min.) -- € 0,457
Sapo MSG -- gratis apenas entre Sapos MSG! E só com o Windows XP...?!?...

Skype
instalação (download) -- € 0,000
mensalidade -- € 0,000
Ciber Phone K (opcional) -- € 54,99
comunicações entre computadores (cada min.) -- € 0,000
comunicações com telefones fixos e móveis (ver comparação entre os valores standard da PT e os valores da Skype)

Skype Out / Portugal Telecom (preços/min. IVA incl.)

Portugal
rede fixa -- € 0,017 / € 0,050
rede móvel -- € 0,282 / € 0,3000

12.4.07

A tragédia do Iraque

As guerras perdem-se ou ganham-se antes de acabar. Mas a Guerra do Iraque, iniciada a 20 de Março de 2003, estava perdida antes de começar. Baseou-se em princípios errados, foi desencadeada com base em mentiras, foi prosseguida com incompetência, e o resultado actual é a tragédia para toda uma geração.

Em discurso à ONU em Setembro de 1993, Clinton ditou que o alargamento da democracia vinha substituir a contenção do comunismo, de preferência pelo comércio e sem violência. Os republicanos neo-conservadores fizeram o Projecto para um novo século americano, 1995 visando colocar os EUA na plataforma giratória do Médio Oriente. Tudo o que necessitavam era de um catalizador, como foi o 11 de Setembro.

A guerra foi desencadeada contra os princípios do direito internacional. O Iraque nada tinha a ver com o 9/11. Não possuía ADM’s. Não estava ligado à al Qaeda. Mas chicotearam o público até acreditar em tudo. Seria como tirar um doce a uma criança. Bastariam 160.000 militares. Seria auto-financiada com o petróleo. E assim Bush exclamou "Missão Cumprida" em Maio de 2003. Há quase 4 anos!

Depois, veio a incompetência. Paul Bremer mandou para casa um quarto de milhão de Baathistas, a que se juntaram separatistas curdos, milicianos Shiitas, nacionalistas Sunitas, terroristas estrangeiros, jihadistas. Esqueceu-se dos depósitos de munições. Perdeu o "coração e a mente" do povo. Restou a estratégia do atrito.

O optimismo patológico agarrava-se a tudo: o "fim das hostilidades"; a entrega de"soberania"; a captura de Saddam Hussein; a eleição do governo interino; as eleições constituintes; o governo da "unidade"; captura de al Zarqawi. Dizia-se em finais de 2005 que “a revolta estava no fim”; que o povo iraquiano queria liberdade; que a América lutava contra a jihad islâmica global. Mentiras ou ilusões? Pouco importa. A verdade veio ao de cima.

Em vez da construção da nação, o horror. 100 mortos iraquianos por dia e mais de 4000 americanos (militares e civis) abatidos. As forças armadas de EUA só controlam o chão que pisam. “Por cada recruta que matam criam três." E os conscritos economicamente inempregáveis e politicamente impotentes não protestam. Nos EUA, já só se fala em “apoiar as tropas”. Mas Fallujah, Najaf, Abu Ghraib, e Haditha, são sinónimos de massacres, de batalhas sem amanhã, de tortura gratuita.

O governo de maioria shiita está à espera que os mercenários americanos liquidem as milícias sunitas. Estas esperam pelo poder, após a saída dos invasores. O radicalismo islâmico disparou na Jordânia, Arábia Saudita, Egipto e Paquistão. O Irão cresce. E só por razões políticas internas americanas, a guerra ainda não terminou.

A tragédia do Iraque é que não foi alcançado o justo fim – o combate ao terrorismo - e diminuíram os meios - soldados, aliados, dinheiro, legitimidade e vontade. O Ocidente ficou mais exposto devido à mediocridade do "poder americano" e à indecisão do mundo europeu. E enquanto o Ocidente não sair do Iraque não terá as mãos livres e limpas para encontrar o seu lugar no mundo.

11.4.07

Eyes Wide Open









He's dreaming with his eyes open, and those that dream with their eyes open are dangerous, for they do not know when their dreams come to an end.
Hugo Pratt

31.3.07

A REDE FERROVIÁRIA DE ALTA VELOCIDADE



Rui Rodrigues

O grande objectivo estratégico para a futura rede ferroviária portuguesa, que terá, como centro, a cidade de Lisboa, é o de se ligar ao restante território nacional, aos nossos 3 aeroportos internacionais, aos principais portos e estar coordenada com a futura rede espanhola, por forma a melhorar as ligações de Portugal ao resto da Europa.

Assegurar-se-iam, para o transporte de mercadorias, ligações do território e portos à rede europeia, em bitola (distância entre carris) standard, com velocidades médias de 100 km/h, o que viabilizaria entregas de material a 2000 Km em 20 Horas e, para passageiros, ligações de Lisboa ao Porto em cerca de 1,5 Horas e ambas a Madrid em menos de 3 horas.

Beckett’s ghost rules in Teheran

By: Chris Sanders
Date: 31-03-2007

Corruption and warfare are two sides of the same coin, preferred by most businessmen
and politicians for the certainty they bring to the matter of profit. On the other
hand, there is never a free lunch, and war can be a tricky business that does not
always turn out in the desired manner. To begin with, you might get killed, not be
re-elected, or go to jail. This is why the same people prefer to do business with
like-minded folk from other countries the better to assure the outcome and confuse
those people at home with the most to lose from this sort of business. This is
gaming of the highest order, which is why, perhaps, they call it the Great Game.

28.3.07

Reza Pahlavi of Iran’s message on the occasion of Persian New Year

By Reza Pahlavi
Mar/28/2007

Esta mensagem do Ano Novo Persa é muito importante pois mostra como o descendente da Casa Real é um moderado que quer o fim do regime islâmico com uma democracia favorável aos interesses nacionais iranianos. Tema a seguir

Translated Excerpts of Reza Pahlavi of Iran’s message on the occasion of Norouz 1386 (Persian New Year 2007):
. . . The Persian New Year, Norouz, reminds us that no power can suppress or hold back the natural and fundamental desires of humans; whether they are in pursuit of happiness, bettering of lives, or finding sanctity and peace within the arms of law, order and freedom.
. . . Norouz has withstood much tumult throughout the millennia, resiliently serving as a symbol of resistance against untold assaults on our rich culture and prideful heritage.
. . . This year, however, I am deeply sorrowed over the serious and very grave circumstances facing our homeland -- to spiritedly wish you a joyous celebration of Norouz. We face real and unprecedented danger. Our homeland is confronted with an abyss, threatened with sanctions, violence and destruction, even partitioning, at the hands of adversaries, both domestic and foreign.
. . . The clerical regime, its principals, values and nature being the root cause of our national ills is faced with two choices: the continuation of its adventurism, reckless and rogue behavior; or, reversal of course, concession and compromise of its very principals. Unfortunately neither scenario bodes in favor of our national interests, for our national ills are deep and our problems vast -- all rooted in the nature of a regime whose end must come if we are to have a chance to renew our nation for a better future.
. . . We, as a nation, are endowed with an ancient heritage that has gifted mankind a great plenty: great statesmen, prominent leaders and pioneers in multitude of fields. The destiny of our nation should not be determined at the hands of an incompetent, corrupt and inept few. Iran and Iranians deserve better!
. . . As spring renews our day, I reaffirm my commitment to you and our homeland. Above and beyond all personal ambitions and interests we must join ranks, move forward and find our way towards the end goal.
May your new-year be victorious?God Bless Iran

25.3.07

Engº. Luís Leite Pinto.


No Miniscente o Power Point "OTA2"
assinado pelo Engº. Luís Leite Pinto.
ee
"Ultimamente a OTA voltou à baila. É assunto desconfortável para alguns.
Para ter uma ideia mais clara e, sobretudo, mais objectiva, sem preconceitos, resolvi, em meados de Fevereiro, consultar a net e recolher a informação ali disponível.
Em boa hora o fiz porque, hoje, tendo voltado a ir ao "site" da NAER nada encontrei.
A informação que consultara, nomeadamente o Relatório Final e seus anexos da firma Parson = FCG, assim como o próprio "site", desapareceram.
Para além de ser licenciado em engenharia civil, pelo IST de Lisboa, sou apenas especialista em estruturas pelo CHEC = de Paris.
De vias de comunicação apenas sei o que a Universidade me deu e uma dura missão no Ultramar me obrigou. Pouco mais.
No entanto, as minhas formação e experiência, assim como os dados recolhidos, permitem-me afirmar que um aeroporto na OTA é uma autêntica =barbaridade técnica.
Se não acreditam, vejam o que compilei e tirem as vossas conclusões. Não acredito, simplesmente não acredito, que o nosso governo permita a "coisa", que de obra tem a mais o que de boa engenharia tem a menos.
Como sempre, estou ao vosso dispor para qualquer esclarecimento."

24.3.07

Galileo project

By: Computer Business Review
Date: 23-03-2007

"The chances of a European rival to the US Global Positioning System
have increased after reports emerged that the partners making up the
Galileo project have settled their differences and finally signed a
joint venture agreement.

22.3.07

Capitalistas - Direcção Oriente

By: James Petras - dissidentvoice.org
Date: 21-03-2007

While the number of the world’s billionaires grew from 793 in 2006 to
946 this year, major mass uprisings became commonplace occurrences in
China and India. In India, which has the highest number of billionaires
(36) in Asia with total wealth of $191 billion USD, Prime Minister
Singh declared that the greatest single threat to ‘India’s security’
were the Maoist led guerrilla armies and mass movements in the poorest
parts of the country. In China, with 20 billionaires with $29.4 billion
USD net worth, the new rulers, confronting nearly a hundred thousand
reported riots and protests, have increased the number of armed special
anti-riot militia a hundred fold, and increased spending for the rural
poor by $10 billion USD in the hopes of lessening the monstrous class
inequalities and heading off a mass upheaval.
The total wealth of this global ruling class grew 35% year to year
topping $3.5 trillion USD, while income levels for the lower 55% of the
world’s six-billion-strong population declined or stagnated. . . Given the enormous
class and income disparities in Russia, Latin
America and China (20 Chinese billionaires have a net worth of $29.4
billion USD in less than ten years), it is more accurate to describe
these countries as ‘surging billionaires’ rather than ‘emerging
markets’ because it is not the ‘free market’ but the political power of
the billionaires that dictates policy.

Capitalistas - Direcção China

By: Asia Times Online
Date: 22-03-2007

BEIJING - The China Banking Regulatory Commission (CBRC) officially
announced on Tuesday its approval for HSBC, Citibank, Standard
Chartered Bank and Bank of East Asia to establish locally registered
branches to operate in China.
The four overseas banks are allowed to start a full range of
foreign-exchange services and yuan businesses, including yuan banking
business for Chinese citizens, with the establishment of their locally
registered subsidiary banks, though they will be mainly engaged in
foreign-exchange and yuan business for companiesand institutional
clients.

20.3.07

The World's Riskiest Web Domains

What makes a domain more appealing to the Web's evil-doers? Price and anonymity. Spammers must constantly change domains to avoid filtering and blacklisting by e-mail service providers, anti-spam programs and Internet service providers. Registration costs, while often less then $10 a site, quickly multiply. That's why Tokelau, which gives out domains for free, may be a popular hideout for dubious sites.

The World's Riskiest Web Domains:

No. 1: Tokelau (.tk)
No. 2: Information (.info)
No. 3: Samoa (.ws)
No. 4: Romania (.ro)
No. 5: Commercial (.com)
No. 6: Business (.biz)
No. 7: Russia (.ru)
No. 8: Network (.net)
No. 9: Families and Individuals (.name)
No. 10: Slovakia (.sk)

19.3.07

EUA Europa

US Military set to retain the high ground in space

By: New Scientist
Date: 19-03-2007

The ability to turn on and off GPS (Geo Positioning System) signalling
looks as if it will be retained by the US as the European alternative
falls from grace. The strategic ability to control from the skies who
has geo-positional knowledge has ramifications far beyond the
convenience of your route finding buddy in your automobile. The GPS
signals are of prime military use controlling tomahawk missiles, A-10
tank busters, aircraft carriers and the like, being essential for the
exercise of political will and ultimately the conduct of an independent
war.

18.3.07

Belarus- a realidade

De há muito sigo o portal do BRITISH HELSINKI HUMAN RIGHTS GROUP que apresenta a politica corrente do antigo mundo soviético - da Alemanha à Sibéria - na sua luz real, sem anjos nem demónios, sem eixo do mal nem do bem, mas apenas povos lutando pela sobrevivência num mundo globalizado e em que nenhum tratado de paz pôs termo à Guerra Fria.

Transcrevo um artigo Why did voters in Belarus reject the "Denim Revolution"?
Executive Summary

Author: Mark Almond (Contact: mpahel@aol.com)

In the presidential election held in Belarus on 19th March 2006 the incumbent Alexander Lukashenko won a convincing 82% victory. This result had been widely predicted as had the international community’s hostile response – in the weeks leading up to the election the main observer mission, the OSCE, prejudged both the conduct and result of the poll, deeming it to be neither free nor fair before a vote was cast.

At first sight, the proportions of Mr Lukashenko’s victory seem barely less grotesque than the stratospherical electoral triumphs of the West’s favourites. Over the last 15 years, the Western-controlled OSCE observer missions have swallowed without demur a 97% victory for the “rose revolutionary” Mikheil Saakashvili in Georgia in 2004 or a modest 89% from Kyrgyzstan’s “tulip revolutionary” Kurmanbek Bakiev, or 92% for Georgia’s Eduard Shevardnadze back in 1992 when he was still Washington’s favourite reformer, or even Heydar Aliev’s 93% in Azerbaijan in 1993. Yet the same team which never raised an eyebrow about elections where one regime insider was endorsed as the successor of a predecessor whom the West had tired of could not conceive that 82% of Belarussians voted for Alexander Lukashenko.

The West, the EU in particular, threw its weight behind the candidature of Alexander Milinkevich, a little known former academic of Polish extraction, inviting him to Brussels in the pre-election period to be officially endorsed. 2 other opposition candidates were ignored by this august body. However, any candidate who stood on the West’s familiar reform platform of privatization of both industry and public services was going to have an uphill struggle in Belarus where life has improved over the past ten years under Lukashenko led governments. A workable, social democratic model of the type once favoured by the EU now flourishes in Belarus where everyone is all too familiar with the costs of the reform agenda that has ravaged other post-Soviet republics.

BHHRG visited Belarus in the pre-election period returning three weeks later to observe the conduct of the poll. The Group has monitored elections in the country on a regular basis since 1994 when Lukashenko came to power. During the past 12 years its regular monitors have witnessed the vast improvements that have taken place in the republic’s economy and standard of living as well as the stirrings of a genuine, home grown civil society. Yet, politicians and journalists in the West continue to refer to the country as a Stalinist outpost and economic basket case. However, the debacle in Iraq and the ignominious collapse of Ukraine’s Orange revolution in 2005 have led some to begin to question these people’s bona fides when it comes to nation building. It is to be hoped that the Belarussian people can be left alone to sort out their own problems without yet more meddling from politicians and journalists discredited for their clumsy, failed interference in the affairs of others.

15.3.07

falcões de aviário


Quem conhece Taki ? Criador do www.takimag.com desde 5 de Fevereiro de 2007, o jornalista e milionário Taki Theodoracopulos, escreve no Spectator, National Review, Times, Vanity Fair, entre outros. Em 2002, fundou o American Conservative com Pat Buchanan e Scott McConnell.

Aqui está uma peça dele:

“Quis agitar o mundo gelatinoso da chamada opinião ‘conservadora’. Durante uns dez anos pelo menos, o movimento conservador foi dominado por uns gorduchos – com gravatas e blasers azuis - que passaram a juventude a jogar Risco em dormitórios góticos, a beber Porto e a fumar charutos roubados aos pais. Depois da tragédia do 11 de Setembro – e graças a um Presidente complacente e não muito esperto - estes miúdos começaram a jogar Risco com soldados reais. Os patriotas morrem no Iraque numa guerra que não é do interesse da America. E agora estes artilheiros da pastilha elástica, estes falcões de aviário, querem atacar o Irão que não ameaça os EUA. Uma coisa posso eu dizer: pode haver ateus nas trincheiras no Iraque mas neo liberais ou neo conservadores é que lá não há. Mandaram para lá os filhos dos operários para morrerem em vez deles e se sentirem machos e compensar todas as vezes que tiveram sarampo na escola. Será nossa tarefa atacar os falcões de aviário e dar-lhes com o sarampo outra vez.”

13.3.07

Máximas para acabar com o Inverno, por Pedro Cem

1 - O Sujeito participa do Objecto como uma melga. Depois de matar uma, vem outra. A certa altura, julgamos que estamos a bater em nós próprios mas não saímos do lugar porque julgaremos sempre que estamos quietos e quem incomoda é a melga. Mas é o nosso sangue que se move.

2 - A diferença entre a Moral e a Decisão é que a Moral estabelece uma caminho entre A e B, enquanto a Decisão amputa A de B ou B de A. Porque a Moral não pretende fazer da Razão um Deus, mas apenas um Seu instrumento. É essa a diferença entre a Moral e a Ciência do Bem e do Mal, que ainda nos amarga a boca.

3 - Dantes, a Moral era um sentimento negativo. Agora é um pressentimento. Amanhã, será um calafrio.

4 - O espectáculo da desgraça tem duas razões escondidas: fazer-nos sentir bem porque não nos aconteceu a nós e prolongar a desgraça, uma vez que nos temos de adaptar ao que não muda.

5 - Com o vazio do Poder, a Povo começou a exigir a Lua, mas por despeito e consciente disso. Com a demissão dos intelectuais, os filhos abandonados aprenderam a ler com as lendas da carochinha e organizaram-se para roubar a Lua, porque na falta de Poder, a imaginação não é real, é compulsiva. Do Inferno que se segue, só nos resta pensar que as chamas, ao menos, iluminam esta escuridão absoluta.

6- Em teoria dos números, pensávamos que tudo se sucedia como uma enorme repetição dos dedos da mão. De repente afagamos um relvado e damos conta que se trata do pêlo de uma animal fabuloso, prestes a acordar.

7 - A luta mental é entre um mundo feito de alternativas e um mundo feito de conversões. Nem as alternativas se convertem, nem as conversões alternam. As alternativas aparecem mas só permitem. As conversões acontecem mas não conseguem. Conseguir não depende de nós e chegar ao fim, passar-se-á sempre além da nossa vontade.

8 - Uma das razões da Filosofia Ocidental estar com a doença de Alzheimer é a de que, provavelmente, a Mente vê as coisas, como um espelho reflecte as imagens. Até é natural, pois a pecepção não podia estar colocada à frente dos sentidos. Mas a imagem que a mente faz de si própria não tem espelho e inflama-nos. Daí a convivência culposa dos mais belos pensamentos com as acções mais bárbaras.

9 - Tanto prazer para os momentos de lazer! Quanto mais tortura nos momentos de Labôr, mais Prazer nas férias. Parecemos uns ratos doidos no Laboratório. Só nos resta recusar a ideia de que a Felicidade é equivalente ao Prazer, se não queremos enlouquecer definitivamente.

10 - A minha alma não tem sexo. Mas foi-lhe dado um corpo.

2.3.07

Máximas de Inverno, por Pedro Cem

1 - O encontro entre o geral e o particular, particularmente o que acontece, dá-se por uma anedota, ou por um idiota.

2 - É impossível falar tudo o que se tem a dizer. Por isso se diz muito sem palavras. Parece-lhe óbvio? Pois...se pergunta isso, é porque aquilo que menos vê, é o óbvio...

3 - Há culturas, modas, épocas que submergem inteiras. Estão por aí, com torpedos, como submarinos, cheios de olhos a espiarem-nos pelo periscópio.

4 - Nos tempos de Darwin seleccionava-se o melhor do macaco: o homem. Nos tempos do homem, preserva-se o macaco: o melhor do homem. Ah... e a Mulher, a única admiradora constante do macacão, em todos os tempos.

5 - Quem mais precisa de imortalidade são os que não acreditam em Deus. E os que acreditam em Deus, fazem-Lhe o favor, muitas vezes, por causa da imortalidade. Sofrer e Amar bastam.

6 - O método é uma redundância interna. A Filosofia, uma redundância externa. Redunda quem tropeça e quem não tropeça é uma besta.

7 - Filosofias para justificar a Besta. Como macaquinhos aproximamo-nos amigavelmente dela, para lhe catar os piôlhos.

8 - Uma realidade que brilha deixa a mente ofuscada. Ao tentar meter um pé à frente do outro, a mente inventa o Sujeito e o Objecto. Ofuscada, tropeça e confunde um com o outro. É preciso que ande, a mente. A toque de caixa. Tem-se que fazê-la pensar que, se não andar, cai.

9 -- Dick Cheney ia morrendo. Há quanto tempo ele se anda a tentar matar?

10 - Nunca negociaremos com terroristas.Eis mais um exemplo da máxima: o segredo é a alma do negócio.

26.2.07

Benito, ( meditação sobre o óscar de Scorcese) por Pedro Cem

De Mussolini sabemos que tinha uma Agenda obscura. Não era nenhum membro de sociedades secretas, se bem que as ouvisse. Quando estava ferido na cama do hospital militar, ouviu um amigo dessas sociedades e seguiu-o. Talvez por oportunismo. Talvez por convicção. Depois de ir como voluntário, soldado raso, lutar numa guerra a que se opusera, ao ponto de ser espancado e preso, Mussolini levou com uma granada em cima e, ferido, deixou o socialismo. Passou-se ao seuPovo.Mas escondeu sempre a sua ferida de guerra que os comunistas se divertiram a difamar depois da Libertação, quando moblizaram todas as forças para fazer dele um covarde. Mussolini não era covarde. Morreu esbracejando contra os guerrilheiros que lhe ceifaram a amante, Claretta Petacci, a qual se agarrou a uma das metralhadoras para não o limparem. Tiveram de lhe disparar à garganta para o calar. Acolhera os salvadores do SS Skorzeny com indiferença. Preferia morrer mas queria tudo menos ser julgado pelos Aliados. Chegou a negociar entregar-se aos guerrilheiros socialistas italianos, para que o Norte não caísse destruído. É certo que não interveio pelos mártires das fossas ardeatinas, limitando-se a dizer a um telefone vigiado, que o Direito de Guerra permite as represálias. Aceitou o ataque à Etiópia perpretado pelo trapaceiro Ciano porque todas as Democracias eram Potências coloniais e a Itália não, apesar de ter italianos por todo o lado do Mundo. No início, os mafiosos de Chicago admiravam-no, vestiam camisa negra. Depois, mudaram de campo, não sem antes assassinarem o corajoso trotskysta Tresca, que Mussolini deixar partir para o exílio. Mussolini não era um covarde. Amava a sua família, amava acima de tudo a sua pobre mãe e o seu pobre pai, revolucionário sincero e destemido que nunca teve sorte na vida. Respeitava o Papa e, apesar de tudo, obedecia ao Rei. Mas se havia alguém que admirava e, quando era uma star dos jornais de
todo o Mundo, guardava um silêncio de respeito e admiração, era Ghandi. Sim, o chefe de pancadarias Mussolini, admirava o teimoso pacifista Ghandi acima de todos.
Estava na Política para combater, como um homem dos operários e dos camponeses donde saíra. Mas não gostava de esmagar, quando vencia. A maior parte dos oposicionistas políticos que não atentaram pessoalmente contra ele, a família ou alguns dos amigos mais chegados, da trincheira social e da trincheira da guerra, deixou-os sair do país sem lhes tocar num cabelo. Ajudou alguns, discretamente, quando estavam no exílio. Um deles, dirigente comunista histórico, decidiu morrer com ele, em Saló. Niccoló Bombacci morreu em frente ao Lago de Como como os outros fascistas. Enquanto uns se lvantavam do chão ainda de braço estendido, Bombacci morreu de punho erguido gritando "Viva Mussolini, Viva o Socialismo!", depois de pedir ao jovem da sua terra que tinha alinhado à sua frente, para lhe disparar ao coração. Durante muito tempo, os comunistas espalharam que Bombacci, que fugira de Moscovo para morrer com Mussolini e que foi depois pendurado de cabeça para baixo na famosa estação de gasolina da Praça Loretto, em Milão, era o General De Bono, que se entregara aos ingleses. Ambos tinham uma longa barba branca. Mas não era. Os comunistas não podiam engolir algo que era como se Malenkhov, ou Molotov se tivessem juntado aos russos brancos.
Mussolini disse um dia, de uma varanda, que se o seu Fascismo não triunfasse na rua, só restava aos italianos a Anarquia. É preciso ver que este termo não era o que podia ser entendido hoje. Era muito respeitado, representava as centenas de Ateneus libertários em
Itália onde os operários prestavam ajuda uns aos outros e se tentavam cultivar, de modo a ficarem pessoas melhores, a salvarem-se da brutalidade a que a Democracia liberal e o Capitalismo os condenara. Alguns dos que lutaram até ao fim por Mussolini vinham daí.
Mas Mussolini tinha uma agenda obscura. Ele sabia que na noite negra em que íamos entrar, todos nós, não havia lugar para o coração. Tentou couraçá-lo primeiro com coragem, atrevimento, sonho, fidelidade e bater-se contra os duas pinças da Civilização do Absurdo. Por fim errou e escolheu o lado que perdeu. Curiosamente, continua vivo no coração de milhões de pessoas. Só houve uma vez na História que a Máfia teve medo de alguém. Foi com Benito.
Na sua última carta à filha que mais o amava disse.:tudo o resto é silêncio.
E é nesse silêncio que vivemos hoje em dia.

24.2.07

Quando numa época Deus entra em ocaso....


"A arbitrariedade ilegítima do espírito da época quer egoisticamente aniquilar o Mundo e o Todo de modo a que o espírito ganhe a liberdade para se espraiar no nada e para rasgar, juntamente com as cadeias, os pensos das suas feridas; consequentemente tem que desprezar quem segue e estuda a natureza. Quando a história da época fica nas mãos de um historiador sem religião nem país, então a arbitrariedade do egoísmo acaba por se lançar contra as duras e ásperas leis da realidade; preferirá evaporar-se no vácuo de fantasia onde não tem que seguir outras leis senão as regras particulares, estreitos e pequenas da construção do verso. Quando numa época Deus entra em ocaso, como o sol, em breve o mundo entrará nas trevas."
Vorschule der Asthetik, "Niilistas poéticos," Jean Paul, 1800

Jean Paul encontrou um estilo incomum para a sua imaginação extraordinária, com um poder surpreendente de sugerir pensamentos por meio de eventos triviais. O amor da natureza era um dos prazeres os mais profundos; as expressões de sentimentos religiosos com um espírito poético, porque as coisas visíveis eram os símbolos do invisível, e as realidades insignificantes têm os elementos que davam significado a dignidade e à vida humana. Com humor ou com as suas reflexões, uma vezes mais sérias, outras vezes extravagantes e grotescas, e salta naturalmente da percepção da inconformidade entre factos comuns para leis ideais. A personalidade de Jean Paul além da excentricidade revelava um homem de espírito puro e sensível, que desprezava a arrogância e um entusiasmo ardente pela a verdade e a bondade.



17.2.07

Os globalistas, por Olavo de Carvalho


De acordo com Jim Garrison, presidente do State of the World Forum (que ele fundou em parceria com Mikhail Gorbachev) e talvez o principal teórico da transmutação globalista hoje em dia, a função dos EUA resume-se à de um “império transitório” destinado a dar à luz o governo mundial e dissolver-se nele, desaparecendo como unidade identificável (v. http://www.wie.org/j24/garrison.asp ).

O projeto globalista abrange ainda uma reforma radical da mentalidade humana em escala planetária, mediante a imposição de novos critérios morais, como o casamento gay, o abortismo, o feminismo, a eutanásia, sempre de maneira rápida e inquestionada, reprimindo-se por meio do combate publicitário e judicial qualquer resistência possível. O objetivo final é a supressão da tradição religiosa judaico-cristã e sua substituição por uma religião biônica mundialista, com fortes tonalidades ocultistas e ecológicas. Graças à ação intensiva da ONU e da rede de ONGs associadas, essa parte do programa está em fase avançada de implementação. Só para dar um exemplo entre milhares: em inúmeras escolas públicas dos EUA e da Europa as crianças são obrigadas a participar de rituais consagrados à “Mãe Terra”, de inspiração nitidamente teosófica, ao passo que as orações cristãs em público são proibidas e o simples ato de carregar uma Bíblia é motivo de punição. A repressão legal ao cristianismo espalha-se rapidamente por todos os Estados americanos, enquanto as entidades religiosas tradicionais se vêem repentinamente privadas do acesso a verbas públicas concedidas generosamente a organizações gays, comunistas, islâmicas etc.

Garrison é cínico o bastante para proclamar que a liderança americana tem de ceder ante o projeto global porque, “para alcançar a grandeza, um império necessita de uma visão transcendental que possa unir os elementos dispersos num propósito abrangente. Ele tem de ser fundamentalmente construtivo e não destrutivo”.

16.2.07

Um duelo sobre o Aborto, por Jessie James

Há que encarar as coisas sem as delícias de ter uma multidão a aplaudir-nos, seja ela composta por um milhão ou por dois milhões, tenha ela sotaque do Sul ou sotaque do Norte.
Se se é contra o Aborto, porque se é pela Vida, tem de se ter a noção de que não há nada mais certo a seguir à Vida, do que a Morte. Tem de se ter a noção de que a decisão de muita gente que aborta, é semelhnate à decisão de cortar um braço para não perder a vida, de aceitar uma operação da qual se pode não acordar, ou de denunciar à Policia um irmão que cometeu algo inadmissível.
Mais que a Morte heróica pelas suas convicções, uma pessoa deve ter a vontade heróica ( não lhe restando senão ser herói, como todos alguma vez, sem excepção, somos) de viver a vida como ela é.
O "Sim" ganhou, mas temos todo o direito de duvidar da constitucionalidade do Referendo e temos a certeza que ele não é vinculativo de acordo com as regras vigentes. Um país não é feito de maiorias de momento, por menos relativas que elas sejam. Votámos em outros dirigentes, em diferentes momentos, equilibrámos os votos e temos o direito de exigir que os eleitos actuem do modo com que lhes demos os votos. A nossa História também votou e estamos condicionados de algum modo.
Mesmo se o Presidente achar que deve promulgar a Lei, mesmo que os Tribunais achem que a Lei é constitucional, temos o dever de saber o que é que as disposições da lei Fundamental, nascida de uma ordem revolucionária que não se impõe ou legitima apenas porque passoaram 36 anos, significam. O princípio da defesa da Vida Humana não é fácil. Há quem morra por o defender ou apenas por discordar de que seja atacado. Como disse no início, a seguir à Vida não há algo mais certo que a Morte o que significa que, logo desde nascermos ( e, pelos vistos, antes de nascermos) a Morte se vai apresentando de mansinho. Há a Morte do Amor e até a "pequena Morte", há a morte estética, a morte lenta, a morte súbita, a tristeza até à morte e a morte clínica. E há mais, tanto quanto a Vida consegue exprimir aquilo para o qual não inventou palavras...
Temos o direito inteiro e o completo dever de discutir esta questão até aos fundamentos do próprio Estado e disso a que ainda se chama Portugal. Se o núcleo essencial for invadido, bater-nos-emos nos campos, nos locais de desembarque, nas nossas vidas privadas, nas nossas vidas com os outros...mas nunca nos renderemos. Se estivermos vivos.
Que interessa o que alguns, muitos, a maioria, pensa na Europa?! Portugal pensa por si próprio há muito mais tempo que essas circunscrições de decisão, retalhadas e recosidas da Europa. E nós não somos apenas europeus.
Se mesmo assim perdermos, temos pelos menos o direito de exigir um novo Pacto Social a que se chama Portugal. Ou de sair dele: na Antiguidade, as classes que não se davam, partiam a fundar uma nova Nação. Esse tempo já passou mas, enquanto estamos vivos, temos a fatalidade de viver, deste modo, cheio de riscos, em que a luz se destaca, delineada pela sombra da morte.
E nada disto significa que não respeitamos os outros, por mais estranhos ou enganados que eles nos pareçam. Não respeitaremos ninguém se não formos respeitados.
Em qualquer pacto social, todos têm de ter vontade. Mesmo quando se concorda em que não estamos de acordo, não é por maioria que se resolve. É a morte do pensamento que permite o milagre da vida, porque a vida lhe é anterior. Se isto significa que todos os fetos sobreviverão, não sei.
Mas sei que isto significa que a decisão de gerar e pôr fim a esses fetos é muitas vezes uma decisão humana. Ora, humana e misteriosa é a nossa condição.
Viver é humanizar este mistério.
As coisas não são feitas de mãos, como dizia Manuel Alegre. São feitas de caras.

12.2.07

OS PROBLEMAS DE LISBOA, Iniciativa de PQG




OS PROBLEMAS DE LISBOA
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QUANDO "UMA" CONFERÊNCIA INCOMODA MUITA GENTE...6 CONFERÊNCIAS INCOMODAM MUITO MAIS!
Vem este título, raro neste Blog, a propósito do ciclo de seis Conferências do CHRIS e por cuja organização somos responsáveis.
Denominam-se "OS PROBLEMAS DE LISBOA" as Conferências - Debate que, a partir do próximo dia 22 de Fevereiro, decorrerão no Café Nicola em Lisboa e que, desde já, prometem ser um caso sério em termos de impacte mediático em Portugal.

Mais informações no blog de Pedro Quartin Graça, o autor da iniciativa. Um apelo aqui fica para irmos às conferências que interessam a todos.

11.2.07

Depois dos resultados do referendo sobre o IVG:

Acertei na vitória do SIM, enganei-me na abstenção e na margem de voto. Mais 10% não se abstiveram do que em 1998 e foram mobilizados para o Sim. Reforço a lição a tirar que é a ausência de líderes de opinião do Não, com argumentos mais morais e sociais sendo que a opinião publica considera a moral uma questão subjectiva e a sociedade uma questão objectiva. Pesou a diferença entre Guterres e Sócrates, o que só reforça a importância da liderança. O resto parece-me literatura de justificação, para os dois lados.

Descubra as Semelhanças e as Diferenças!


Algumas mnemónicas para o Referendo de hoje


1 - Se o Sim ganhar, a vida humana até aos três meses de gestação, terá menos protecção que uma árvore

2 - Se o Sim ganhar, a vida humana intra-uterina, até aos três meses, deixará de ser considerada humana porque o Sim deve ser interpretado à luz da Constituição e a Constituição protege a vida humana

3 - A vida intra-uterina até aos três meses deixará de ser uma vida protegida porque a sua existência dependerá da livre decisão de quem aborta, a qualquer momento, em qualquer lugar do território português

4 - Quem responder Sim, acabará com os efeitos do crime de Aborto, sem que lhe fosse perguntado se acha que a interrupção voluntária da gravidez, até aos três meses, dita Aborto, deve continuar a ser considerada crime

5 - Quem responder Não, continuará muito provavelmente a considerar o dito Aborto como uma ofensa grave àqueles valores que a Lei deve proteger e, portanto, um crime

6 - A decisão por um referendo de algo que a mairia considera uma vida e talvez considere uma vida humana, será decidida de um modo dito"Pimba", como caracteriza a actual vida política portuguesa, feita de campanhas, de urgências e de uma conduçao do discurso que não deixa nem lugar para o consenso, nem para a reflexão, governada que está por reacções psicológicas dum campo da Comunicação ainda pouco conhecido, dito mediático

7 - Um referendo assim, se levar à provável ofensa de uma vida, provavelmente humana, como será a do feto até aos três meses de gestação, é provavelmente insconstitucional e gera uma ofensa aos Direitos Humanos, nomeadamente o da Vida, que abrange, claro está, o direito a nascer ( uma vida já nascida que foi ofendida por exposição a todo o tipo de violências, é, medicamente, uma vida fragilizada ou inviável)

10.2.07

Para uma inconstitucionalidade do Referendo, por João das Regras

Amanhã alguns de nós vão votar, se puderem. Uns dirão sim, outros dirão não, outros não dirão nada e ainda outros anularão o voto. Parece simples, não é?

Mas não é simples.

Se vencer o Sim, passará a haver Interrupção Voluntária da Gravidez, até aos três meses, em Portugal. Presume-se que o número de abortos em Portugal aumentará, mas os acidentes trágicos que têm acontecido até agora, é bem possível que diminuam também.
Além dos métodos contraceptivos, que muitas vezes falham, poder-se-á evitar a continuação de uma gravidez, em Portugal, sem ser incomodado pela Polícia ou os Tribunais, neutralizando uma "vida intra-uterina" com menos de três meses. Os planos do amor, ou simples relação sexual completa entre um ser humano do sexo masculino e outro do sexo feminino, com capacidade de procriarem, poderão passar a incluir a neutralização da vida intra-uterina, sem sanção jurídica, pelo menos em princípio.
O que é esta "vida intra-uterina"? É uma vida humana mas não autónoma? Se a mãe morrer, suponho que um feto até três meses não sobreviverá.
Poder-se-á considerar que, por lhe faltar esta autonomia e, cumulativamente, por não ter ainda nascido, esta vida não é ainda uma vida. É apenas uma forte possibilidade de vir a ser uma vida, pelo que a decisão de interromper a gravidez, de acordo com os mecanismos previstos na Lei, não se traduzirá num homicídio.
Podemos, portanto concluir agora, que se trata da interrupção de um fenómeno biológico chamado gravidez.
Contudo, nenhuma criança recém-nascida, quer dizer, viva, é autónoma. Abandonada, se não for tratada nem que seja por lôbos ou por uma computador sofisticado, programado por seres humanos, não sobreviverá. Uma vida autónoma, por comparação à do feto, morre, assim. Neste caso trata-se de morte. No outro, de interrupção da gravidez.
Podemos assim, dizer, que o chamado "Aborto" não é um homicídio.
Há razões para considerar o chamado "Aborto" um crime? Isso depende do que a maioria dos votantes, no dia 11 de Fevereiro disserem.
Como sucedeu com outros crimes, a vontade do eleitorado, pode decidir considerar que certos actos passam a ser crimes e decidir que outros deixam de ser crimes. O crime é, portanto, aquilo que as pessoas, numa determinada altura, consideram ser crime.
Na verdade, para o chamado "Aborto", há hoje já muitas pessoas, provavelmente a maioria dos que vão votar amanhã, que não considera que se trate de um crime, nem sequer de uma infracção. Acham até que a decisão de "abortar" deve ser apoiada com uma mecanismo complexo e caro de Saúde Pública. Acham, por outro lado, que uma grande número de abortos praticados até amanhã, são praticados em condições que o Estado deixou criar e que, ao fazê-lo ofendeu o direito de se abortar.
Se o Sim vencer amanhã, o Aborto até aos três meses será um direito.

Ora como se calcula que uma grande parte do eleitorado continuará a considerá-lo, até amanhã, um crime, é possível que, mesmo depois, continue dessa opinião. Portanto se um crime é aquilo que as pessoas consideram como tal num determinado momento, é possível que, depois de 11 de Fevereiro, muitos milhares de pessoas considerem o Aborto um crime e outros muitos milhares, um direito.
Mas um crime é algo que tem de ser declarado e punido pelos tribunais e pela Administração. Se o sim vencer, tal será proibido.
Mas um crime é algo que precisa também de ser censurado como tal. Há condutas que em determinadas épocas são consideradas como Crime pelos Tribunais e pela Polícia, mas não são consideradas como tal pelas pessoas. E vice-versa.
Portanto, haverá ainda muitos casos, em Portugal, em que a afirmação" o Aborto é um crime" continuará a ser verdadeira.

Num referendo de Sim-ou-Não é esta a realidade. O Aborto continuará a ser um Crime e um Direito como matar, por exemplo, em Guerra, continuará a ser para uns um Crime, para outros um Direito, ou até um Dever, que corresponde a esse direito.

E já que falamos em Guerra, esta diferença de opiniões continuará ainda válida quando as Guerras são declaraads e combatidas, dizendo-se " para acabar com a Guerra".

Enfim, tudo é relativo. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

O grande defeito deste referendo é que não é um referendo que muda as vontades. Muda apenas a conduta do aparelho de Estado.

Mas o Estado não é uma coisa abstracta. Ele apresenta-se conforme os seres humanos conseguem fazê-lo instrumento das suas vontades ou dos seus interesses.
Um referendo que só representa os interesses de parte da população apresenta apenas uma aspecto desse Estado.

O referendo vai assim dividir profundamente a população portuguesa. Se é certo que, durante o debate houve pessoas que mudaram ou transformaram as suas opiniões, no Referendo só poderão ter uma de duas opiniões. Ao consagrar isso, o Referendo determinará essa divisão, pondo fim a uma das finalidades directas dum debate de campanha.

O perigo da estigmtização das mulheres que abortaram, carente que ficará duma clarificação legal, poderá ainda ser maior, mais profundo, mais variado e mais difícil de evitar. Por outro lado, a sensação da injustiça dessa estigmatização, por parte das mulhers que abortarem, poderá ainda ser maior. Pode-se defender o direito ao aborto com medidas cuidadosas de segredo mas sabe-se que, numa população onde, até amanhã, grande parte do eleitorado considera o Aborto um crime, esse segredo será difícil de guardar, já que a censura, a reprovação que merece o Aborto, aos olhos de uns, só se exerce se se souber da prática de um crime. Como se presume que o Aborto aumentará, por ser mais seguro, por não ser reprimido pela administração e por passar a fazer parte do planeamento das consequências das relações sexuais, o segredo será difícil de manter. Tanto mais que, para muitos, se trata de um Direito e o direito deve, em muitos casos, ser proclamado para provar que existe porque foi exercido. Um direito sem exercício, não é realmente um direito.

As razões profundas que levam a fazer-se um Referendo de Sim-ou-não são obscuras e duvido que, quem as propôs, fosse inteiramente consciente dessas razões.

Trata-se, segundo alguns dos seus mais altos responsáveis, de melhorar Portugal, eliminando uma prática perigosa para a Saúde, a do aborto clandestino. Acreditamos que a legalização do aborto até aos três meses diminuirá significativamente este perigo.

Mas um Referendo que divide necessariamente a vontade de todos não diminuirá os maus sentimentos de umas pessoas pelas outras.

Assim como certo tipos de sentimentos e atitudes levam as pessoas a engravidarem e, às vezes, a terem de recorrer ao Aborto, também outro tipo de sentimentos levam as pessoas a dificultarem a vida uns aos outros, a odiarem-se e a romperem uma vida social menos agressiva. O facto de isto acontecer tende a tornar-se muito mais intenso, se, de um dia para o outro, se passa a deixar de considerar algo como um crime e se passa a considerá-lo um direito.

Poder-se-ia ter resolvido isto a nível da Assembleia da República, onde sentam os representantes da vontade popular? Certamente que não porque, aí desde logo, esta má-vontade de uns contra os outros aconteceria e se começaria a aprofundar, disseminando-se para fora.

A campanha do referendo permitiu muitas pessoas intervirem, mudarem de opinião e aproximarem as opiniões.

Mas o resultado do referendo, como está previsto, não ajudará neste sentido, antes porá fim ao debate, pelo menos do tipo que tinha suscitado, ou seja um debtae com uma finalidade eleitoral.

A decisão, amanhã, portanto, será, ou um Crime ( pelo menos um delito) ou um direito.

Esta ideia de mudar uma vida de uma população para melhor, aprofundando as divisões, corresponde a uma tradição política que acredita ser pela neutralização da opinião de uma grande parte do eleitorado, que se põe em prática uma boa solução.

Por outras palavras: a solução é boa independentemente da opinião das pessoas a quem se aplica. Neste caso aplica-se não só às Mulheres que vão abortar mas a todas as pessoas que intervieram no aparecimento de uma gravidez, a das que procedem à sua interrupção e das que contribuem para os mecanismos colectivos da sua efectivação.

Esta ideia de que uma solução é melhor do que as pessoas pensam dela é aquilo que o Referendo, julgando ser uma consulta às pessoas, se limita a verificar.

O Aborto sendo, sobretudo, uma questão das mulheres, pode vir a ser decidido, por exemplo, maioritariamente por Homens. O aborto, sendo uma questão das mulheres que se encontram em idade de conceberem, pode vir a ter consequências para futuras mulheres que ainda não estão nessa idade, ou em mulheres que já passaram essa idade.

O Aborto, sendo sobretudo uma questão de uma vida humana que pode decidir, pode vir a ter graves consequências sobre uma vida, possivelmente humana porque se distingue da vida da mãe, a qual não pode decidir, a não ser prosseguindo uma gestação que não constitui obstáculo para o interruptor voluntário legal. Ora, se se tratar de uma vida humana que se distingue da da mãe, ela não terá direito de espécie nenhuma, porque qualquer que seja o direito que lhe podemos atribuir, não o poderá exercer, uma vez que não pode, possivelmente ser considerada viva.

Que vida é esta "vida intra-uterina" passível de ser extinta por via do chamado "aborto"?

Só podemos chegar à conclusão das duas, uma: se é uma vida humana, é uma vida. Se não é humana, não pode ser uma vida, porque pode ser eliminada, em qualquer altura até aos três meses, sem que a vitória do sim no Referendo ponha em causa o princípio de protecção da vida animal, vegetal ou humana, da Constituição. Esta é a consequência forçosa da livre contratação do "Aborto" até aos três meses.

Portanto, a "vida intra-uterina" é apenas a vida do útero, é apenas a vida da Mulher grávida.

Reconhecemos que o conceito de Vida é duvidoso devido ao prolongamento artificial que novas técnicas da Medicina podem fazer de certas funções do corpo humano. Ou até de certas síntese feitas em Laboratório e da ideia que a Ciência tem de organismo vivo.

Reconhecemos que o facto da Guerra, da Doença, das catástrofes naturais, podem levar-nos a tomar num determinado momento, como Vida, o que já cessou de o ser. A vida é também uma realidade estatística.

Contudo, a ideia de que uma solução boa para a vida social (nomeadamente aprovando e aplicando uma medida que racionalmente conduz a menos perdas de vidas humanas entre os que decidem abortar) pode decretar que uma forma de vida é apenas uma coisa e que essa coisa pode ser retirada do útero da mulher grávida, em qualquer altura, não sei se é mesmo boa.

Mais, quando a medida se faz, neutralizando completamente uma parte importante dum eleitorado, é capaz de ser um caso em que a boa solução não olha a meios para atingir os fins. Com efeito, os meios tratam-se de realidades físicas (os fetos) que são tidos por muita gente e foram tidos por muita gente durante muitos séculos, como formas de vida.

Pode-se dizer que a intenção de quem lançou o referendo é a de neutralizar, se não uma forma de vida, pelo menos, o conceito de vida que grande parte da população tem, sendo certo que algo só é vivo, se também for considerado como tal.

Ora o Referendo pode vir a cancelar um conceito de vida, quando a vida, logicamente, não pode ser inventada ou abolida pela vontade referendada. Não foi essa a pergunta do referendo, não é isso que é perguntado aos eleitores.

Tudo se torna agora mais simples: se se pode acabar, de um momento para o outro, uma vida até três meses de existência, então é porque essa vida pode, caso o SIM ganhe amanhã, no momento em que está a ser nomeada por alguém, já não existir.

A lógica aqui é imperativa: algo que é e não é uma vida, ao mesmo tempo, não é uma vida.

Dizem, porém, que esta perspectiva já corresponde à realidade.

Ora se já é uma realidade, que o facto novo dentro do útero da mulher grávida não é uma vida, então outros factos como a de um condutor numa auto-estrada, um doente terminal, uma pessoa fragilizada, um soldado em teatro de guerra, um recém-nascido, uma pessoa com comprovadas tendências suicidas, uma pessoa desaparecida, uma pessoa com um código genético que indica propensão para doenças mortais, só é uma vida, até o provar.

E, da mesma maneira que a mulher decidida a abortar, tem de provar que está grávida, e tem de provar que é essa a sua vontade ( no caso do sim ganhar) todas as categorias de pessoas acima indicadas têm o dever de provar que estão vivas ou que querem viver, sob pena de não lhes serem reconhecidos outros direitos, como ao trabalho, ao respeito, à pensão, aos cuidados médicos, etc.

Ora como sabemos que muitas vezes, muitas pessoas se encontram nessas situações, um Estado que faz este tipo de Referendo, reserva-se o direito de fazer referendos, com perguntas semelhantes, das quais um eventual Sim pode conduzir ao extermínio de categorias inteiras de pessoas. Como aconteceu num passado não distante e como acontece nos dias de hoje.

Por isso, "Não" é a única resposta possível das alternativas expressas a uma pergunta que refere apenas a consequência (a pena, ou a despenalização) sem referir a causa ( o crime). À pergunta falta um código comum. Podem haver muitas pessoas que concordam com a não punibilidade da mulher mas que, mesmo assim, acham que o Aborto continua a ser um crime, se bem que desculpável.

Além do mais, o Não só pode ser interpretado como um Não ao Referendo. E todos os Nãos têm de ser contados como abstenções, eventualmente até para um desafio à constitucionalidade do seu resultado.

Porquê ? Porque se a resposta sim transforma um crime num acto normal de cidadania, então o Não considera que o facto susceptível de aborto dentro do útero da mãe é uma vida humana e está protegido pela sanção penal a uma crime.

O que o Não diz é que "não quer despenalizar a mulher que interrompe voluntariamente a gravidez num establecimento autorizado". A Lei ficaria, portanto, no caso do Não ganhar -- e o Não é expresso antes de se saber o resultado -- na mesma. A mesma lei que sanciona um crime contra uma vida intra-uterina. E é assim, que hoje, dia 10, está expresso.

Ora se esta "vida intra-uterina" é uma vida, portanto diferente da da mãe, não é uma coisa que pode existir ou não existir dependendo do horário da intervenção da clínica e da vontade da mulher grávida. É uma vida que existe e tem direitos, a partir do momento em que foi declarada.

Paco Ibanez... estamos tocando al hondo!




Escute Paco Ibañez cantar RAFAEL ALBERTI- La Poesía Es Un Arma Cargada De Futuro

Cuando ya nada se espera personalmente
exaltante,
más se palpita y se sigue más acá de la consciencia,
fieramente existiendo, ciegamente afirmando,
como un pulso que golpea las tinieblas,
que golpea las tinieblas.
 
Cuando se miran de frente
los vertiginosos ojos claros de la muerte,
se dicen las verdades ;
las bárbaras, terribles, amorosas crueldades,
amorosas crueldades.
 
Poesía para el pobre, poesía necesaria
como el pan de cada día,
como el aire que exigimos trece veces por minuto
para ser y tanto somos, dar un sí que glorifica,
dar un sí que glorifica.
 
Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejan
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno,
Estamos tocando el fondo,
estamos tocando el fondo.

ESCUTAR

O REFERENDO DE 11 DE FEVEREIRO, por Orlando de Oliveira

O nosso 1º Ministro recomendou que os portugueses se esclarecessem sobre a questão em referendo para que pudessem votar em consciência. Como bom português, que julgo ser, cá fiz o meu “trabalho de casa” e tendo em conta o essencial do teor da pergunta a referendar, ou seja “despenalizar a IVG quando praticada até às 10 semanas de gravidez desde que essa seja a opção da grávida”, deparei-me com algumas questões que a seguir indico.

1º - Se a questão é só despenalizar quer dizer que, caso haja concordância, então passará a haver uma norma que deixa de ter sanção associada ou seja cai a coercibilidade. Assim sendo, porque não é posta a referendo a própria norma?


2º - Porque continua a ser penalizada a IVG se for praticada após as 10 semanas? Será que passado 1 hora das 10 semanas já não é escandaloso que a mulher seja exposta a julgamento e eventualmente condenada? Ou está-se a contar com a compreensão e flexibilidade nacional, nomeadamente dos juízes?

3º - Sendo que as situações de flagrante anormalidade de gravidez (má formação do feto, viloação, esturpo, etc.) já estão e continuam a ter a cobertura legal, o que se está a introduzir de novo são as situações em que a gravidez normal não é desejada. Se assim é, como é possível que a “opção” possa ser só da mulher. Será que não foi necessário um homem para que a gravidez acontecesse? Então, porque não é ele obrigado a ter palavra na opção, tratando-se de património seu também?

4º - Mas se o entendimento é que os homens não tem responsabilidade no assunto, que o homem não é responsável por nada e que a mulher é para seu simples uso, porque não é exclusiva para os eleitores do sexo feminino a participação no referendo?

5º - E quando se tratar de casos de menores? Se para sair do país é necessária a autorização dos progenitores para este efeito será que já possuem total descernimento?

Estas questões de pormenor trazem a reboque as questões de fundo:

1ª – Porque é feita a pergunta de forma lateral? Será porque feita de outra maneira não seria compaginável com a nossa Constituição?. Porque não se discute e assenta o que é vida e se o feto é ou não vida humana? E se o feto é vida humana porque não se começa por alterar o texto constitucional, acabando com a inviolabilidade da vida?

2ª – Se o que está em jogo é a dignidade da mulher e o simples balancear entre os direitos de dois seres vivos, então porque, por exemplo, não virá a ser despenalizada a mulher que matar o marido por este lhe ser infiél? Ou aí já não faz impressão ser uma mulher julgada? Em que ficamos? Será o machismo nacional a funcionar?

Por estas razões não posso concordar como esta questão é colocada no referendo, que considero uma forma de protelar e deixar escorregar para uma futura solução de livre IVG sem discussão e sem assumir das responsabilidades inerentes, pelo que o meu voto será “não”.

9.2.07



Estive em Outubro em Milão para uma conferência NATO. Nos muros do Castelo Sforzesco, vi esta lápide que comemora o falecimento de D.Duarte de Bragança, irmão de D. João IV e general ao serviço dos Habsburgos, impedido de vir para Portugal onde seria o comandante em chefe do exército e que morreu nas masmorras do dito castelo.

8.2.07

Sobre o Aborto, por Diógenes, o maltrapilho


Aceitar a interrupção voluntária de uma gravidez adquirida voluntariamente = aceitar o suicídio por influência externa ou a auto-mutilação

Aceitar a interrupção da vida= aceitar a morte voluntária

Falhar uma sistema de contracepção=aceitar a fragilidade de um sistema de contracepção

Responsabilizar a vida humana intra-uterina pelo fracasso da contracepção= culpar a vida intra-uterina

Votar Não mas defender a despenalização da Mulher que abortou, do pai ou de quem a levou a tal = desresponsabilizar a Mulher que abortou e os co-autores

Desresponsabilizar a Mulher que abortou e os co-autores= abdicar da defesa da vida humana intra-uterina

Sujeitar-se a um referendo que contraria o princípio da vida= aceitar que a Constituição não se baseia no princípio da protecção da vida

Votar num referendo que sujeita a vida humana intra-uterina à pena de morte= legitimar a pena de morte

Legitimar a pena de morte= substituir-se à Criação

Votar no Referendo= sujeitar o direito à vida e à liberdade a uma maioria aritmética de opiniões expressas num determinado dia

Sujeitar o direito à liberdade e à vida, a uma contagem de aspectos= perder o direito à vida e à liberdade

Responsabilizar a Mulher que adquiriu voluntariamente a vida intra-uterina= dar-lhe a possibilidade de invocar várias causas de exclusão dessa responsabilidade

Dar a possibilidade de exclusão da responsabilidade, antes ou depois do Aborto = admitir a escolha entre a vida da Mulher e a vida intra-uterina

Escolher entre duas vidas = salvar, no mínimo, uma vida, em vez de perder duas

Salvar uma vida em vez de perder duas = salvaguardar o valor da vida, no mínimo

Salvaguardar a vida no mínimo = salvar o mínimo existente em duas vidas

Salvar o mínimo existente em duas vidas = o mínimo físico do feto é um máximo vital, conseguido em milhões de anos

Consagrar o princípio da vida acima de tudo= estabelecer um principio de apreciação do início de uma vida

Estabelecer um principio de apreciação do início da vida= libertar esta apreciação da arbitrariedade dos indivíduos

Libertar da arbitrariedade dos indivíduos = estabelecer um canal de comunicação entre os indivíduos

Estabelecer um canal de comunicação entre os indivíduos = criar uma realidade comum, supra-individual

Criar uma realidade supra-individual, a par da realidade individual = estabelecer um género ao qual pertence o indivíduo

Estabelecer um género, a par das espécies = permitir a existência concreta das espécies em vez de um número infinito de géneros

Impedir um número infinito de géneros = permitir um número infinito de espécies concretas

Gozar com o Marcelo Rebêllo de Sousa = introduzir um saudável riso num referendo ofensivo dos princípios da paz social

Combater um Referendo ofensivo = valorizar indivíduos como Marcelo Rebêllo de Sousa que, heroicamente, e com perdas pessoais, conseguiu, uma vez, evitar o resultado de um referendo ofensivo

Propôr uma desresponsabilização penal, caso o referendo não venha a ter um resultado ofensivo = considerar o resultado não-ofensivo tão válido como um resultado ofensivo

Considerar ambos os resultados aceitáveis= não ter opinião sobre a vida

Não ter opinião sobre a vida= não defender o princípio da vida

Defender o princípio da vida= votar não e não se conformar com o resultado do referendo

Não se conformar com o resultado do referendo = participar nele exclusivamente como oportunidade de exposição dos malefícios de um referendo sobre a vida humana

Oportunidade da exposição dos malefícios = criação de um discurso de resistência

Criação de um discurso de resistência= fortalecer o princípio da Vida Humana




Não sejamos OTÁRIOS

Não sejamos OTÁRIOS - O movimento para o referendo no Blogue das Causas

Então para que serve a OTA ? É apenas uma réplica do PNPOT errado, do país em que fecham as maternidades, em que encerram as escolas do interior, em que trancam as aldeias, inviabilizam a agricultura de qualidade, poem a monocultuta do eucalitpto e atiram para o litoral a população que sobejar depois do IVG.
Basta! Referendo sobre a OTA.

6.2.07

Um post para a história!

Caveant Consules * em BLOGUE DAS CAUSAS
Por "Pereira de Oliveira"
24 de Janeiro 2007

*Caveant Consules era a mensagem que em Roma o Senado enviava aos Consules quando havia perigo para a cidade. A mensagem era constituída pelas duas primeiras palavras de: Caveant Consules ne quid respublica detrimenti capiat que sigifnicava: Que os Consules velem a fim de que a República não sofra dano.

4.2.07

Não é nada comigo, por Pedro Cem

Primeiro vieram retirar o feto do ventre da mãe...mas eu não sou feto, não é nada comigo. Depois vieram ajudar o doente terminal a morrer. Mas eu não sou doente terminal, não é nada comigo. Depois vieram dizer que o sexo com crianças é uma coisa relativa porque há crianças que são prostitutos e sabem mais que um adulto, além de que isso de ser criança é muito relativo. Mas eu, as minhas crianças, sei muito bem onde elas estão, portanto não é comigo. Depois vieram referendar a existência de Portugal, mas eu até trabalho para uma multinacional, sei muito bem o que quero e isso agora é tudo muito relativo, aprendam a viver num mundo instável, não é nada comigo. Depois vieram transformar todos os Empregos em empregos precários mas eu tenho uma Poupança-reforma num off-shore e invisto em títulos sólidos há muito tempo, por isso não é nada comigo. Depois vieram-me dizer que a minha mulher dorme com outros de vez em quando mas eu também o faço e sabe-me muito bem que não saibam, ou que saibam quanto baste porque não sou nenhum maricas e o importante é que se mantenha a minha família que está em árvore genealógica há muito tempo, portanto não é nada comigo. É certo que até me excito com aqueles jovens todos nus uns em cima dos outros e me já deu para me meter lá dentro, no Verão passado, mas eu não sou nenhum bissexual, sou apenas uma mente aberta, por isso não é nada comigo. Parece agora que me disseram que vem uma avião de passageiros em direcção ao meu gabinete de luxo no último andar, com vista para o Oceano e a empresa a quem tínhamos contratado a manutenção das saídas de emergência, em outsourcing, está incontactável, mas eu tenho a melhor empresa de segurança privada, e hoje não fui ao emprego, portanto não é nada comigo. Olá! Agora parece que por isto do aquecimento global, um pássaro dum bando tresmalhado que já não anda pelos mesmos caminhos de migração que percorriam desde a última glaciação, meteu-se num dos reactores do avião onde eu ia fazer umas férias e o piloto está para ali a dizer que vamos ter de fazer uma aterragem de emergência. Sei que estamos a meio do oceano Atlântico... mas nao é nada comigo...