8.9.07

Aforismos de Agosto, por Pedro Cem

1 - A sensação não tem Memória. Só tem outra sensação.

2- É óbvio que a desconfiança está cheia de Passado. O presente é diverso e o Passado ainda mais. Tantas diversidades podem ser simplificadas mas dão uma longa sensação de indigestão.

3 - A tentação ataca sempre uma segunda vez, como um extra depois de se fazer o que se deve porque, nesse momento, o que custa é aguentar a desolação, sem sinais de Deus.

4- Contar uma anedota a si próprio é algo que se pode aprender mesmo tendo nascido sem jeito para contar anedotas. E largar a rir sozinho pode significar que se foi visitado pela Verdade.

5- A solidão não é silenciosa. Está cheia de fantasmas. Por isso se deve aguentar uma posição social medíocre, porque a riqueza da solidão não é acessível a todos e é difícil de segurar.

6- As pessoas falam nos cafés, nas esplanadas, ao telemóvel. E todas as palavras coincidem à flor dos lábios. Na nossa busca de confirmação, nos arrastamos dilacerados uns para os outros.

7- Saí a tremer da água. Vi duas lésbicas num gesto terno e admirei-as do alto da minha masculinidade. Foi uma falsa tolerância porque dar um sexo ao Amor é afastá-lo ainda mais.

8- Programar, vontade de ferro…mas depois do embate a única sabedoria é perdoar tudo. À força de querer reduzir o Mundo à mente, cavalgámos uma quimera e caímos fora do Mundo.

9- Ao longo do caminho, nem Roldão, nem Mustafá têm tempo para perdoar. Só o perdão do tempo é que funciona. O tempo que nem Roldão, nem Mustafá têm.

10 - O aprofundamento do raciocínio é a inversão da realidade, mesmo o mais hiper-realista dos raciocínios.

11- Estratégia chamamos ao modo de dar um estilo a tudo o que fizemos com a fraqueza da vontade. Uns vêem caras nas mesmas nuvens onde eu vejo animais.

12 - Para prever o que vai acontecer basta não deixar que aconteça algo imprevisto. Se julgamos que não aconteceu nada, nunca acontecerá se não deixarmos. Crer é poder.

13 - “Vá, não penses nisso!” disse ela, com algo em mente. Deixei de pensar e a mente obscureceu-se ao levar com a luz sem a crosta protectora da ignorância. Era o que ela tinha em mente.

14 - Depois de muitas hesitações, lá decidiu. Para se fazer muitos disparates há que ser decidido. Por isso, os outros viram, mas ele não viu porque o saber lhe deu tempo.

15 - O pensamento é como uma imagem invertida. Fotografar uma imagem invertida e virá-la ao contrário pode falhar no cálculo. O pensamento não pode ser usado em bruto.

16 - Janeca pensou rápido. Julgava que o que via, de pensar tão rapidamente, era ela própria em eminência. Mas era apenas uma ressaca, em que ouvia a sua voz de cada vez que ponderava.

17 -A viagem é imaginação. Se o viajante morrer, expirará como se não se tivesse levantado da cama. O viajante tornou-se imaginário com a paisagem porque perdeu algo, ao partir.

18 - No homem que se põe a caminho, os dois primeiros passos são o contrário do nada, porque o segundo é uma potência do primeiro. Ao fim de mil passos, os pés doem. É o corpo que pensa.

19 - O mundo dos nossos órgãos não é inteiramente um mundo de trevas. Tenho a certeza, como no mundo dos peixes das águas do abismo, a nossa pele é ligeiramente translúcida.

20 - Porque se suicidou Lucrécio? Dizem que por Amor. Enquanto os átomos das lágrimas declinavam pelo seu rosto, secou-as ao sol para que se evaporassem para cima e o sal cegou-o.

21 - Quando a lua nascia Teilhard de Chardin cria assentar ideias. A luz da lua parece mostrar que tudo está ali na obscuridade. A luz do Sol não deixa ver tudo, a começar pelo próprio Sol.

22 - Como evitar a vaidade de ter Deus? Agradecer o desespero contínuo e cinzento e a loucura como um Seu afago. Jesus é o meu talismã e nem sei se Jesus existiu.

20.8.07

«O culto dos regicidas»



Após o regicídio de 1 de Fevereiro, as forças radicais desencadearam uma campanha fortíssima do «culto dos regicidas» em que os autores reconhecidos do crime foram glorificados, sem que quaisquer imposições das autoridades o tentassem impedir. Essas manifestações organizadas e persistentes prolongaram-se durante alguns anos, até se esgotarem já depois do 5 de Outubro com a cisão entre as facções do PRP e os choques com os anarquistas.
Como tudo o que resultava da colaboração entre as forças radicais, a campanha foi montada sistemáticamente e com enorme rapidez e poder de mobilização. Quanto menos crédito e verosimilhan­ça tinha a versão do atentado isolado, mais ruidosa se tornava. Alfredo Costa, o jovem caixeiro, e Manuel Buíça, o ex-sargento de Cavalaria tinham sido carbonários, com ligações à loja maçónica loja “Obreiros do Futuro” e fanáticos de António José de Almeida. Tanto bastava para que estas e outras organizações em rede por ela patrocinadas convergissem na manobra do “culto dos regicidas” com uma conivência e passividade do Governo que impressionou os observadores. O PPR aplicava a táctica de Brito Camacho: “Quanto mais liberdade nos derem, mais haveremos de obrigá-los às transigências que rebaixam ou às violências que comprometem.”
Os diários radicais - já sem a censura imposta por João Franco - deploraram o destino dos assassinos e não tiveram palavras de piedade para com as vítimas régias. O Mundo abriu nas suas colunas uma subscrição em favor da viúva e órfãos de Manuel Buiça que rendeu 64 contos de reis, uma quantia ao tempo fabulosa. Houve propaganda levada a cabo nas escolas.Uma subscrição pública foi aberta pela Associação do Registo Civil que patrocinou o funeral dos regicidas; os regicidas foram glorificados, e cobertos de flores os seus covais no cemiterio do Al­to de S. João. Promoveu ainda a construção de um monumento na campa dos mesmos, da autoria de Julio Vaz, em plena via e junto ao túmulo do anarquista Heliodoro Salgado.[1]

O acto culminante da campanha foi o que o Conde de Arnoso chamou «a vergonhosa e vil peregrinação ao cemitério». Associações, grémios, delegados de diversos organismos radicais, redactores de diários das esquerdas desfilaram, previamente convocados, diante dos túmulos dos regicidas, depositando ramos de flores, coroas, e fitas com inscrições laudatórias. Nas montras das lojas da Baixa, em bilhete postal e em retratos, os regicidas tinham lugar de honra. E ainda Museu da Revolução, inaugurado apos a implantação da Republica, o capote de Buiça e as armas que ele e Costa tinham utilizado encontravam-se em exposição como relíquias de dois mártires.[2]
Qualquer regime que se abandona sem defesas, está perdido. A opinião pública constatou que o Governo se abstinha de qualquer censura ou proibição ao “culto dos regicidas” e que os inimigos redobravam de insolencência. A Marquesa de Rio Maior solicitou a Ferreira do Amaral que pusesse termo àquela vergonha. «Agora - respondeu-lhe o Presidente - só penso em acalmar os ânimos». The Times escreveu: «O mundo civilizado observará, provavelmente, que os senhores assassinos é que mandam». A grande massa dos versáteis, num primeiro momento indignados pelo crime, achou inútil mostrar-se mais intransigente que o governo.

Os mais comprometidos nos eventos do 1 de Fevereiro - como José de Alpoim, um dos instigadores do assassinato - mostravam-se em público sem se expôr a incidentes desagradáveis. O regicídio começou a parecee desculpável, a partir do momento que o govermo, apesar de instaurar o processo, renunciava à retaliação política (96).


Mas se o culto provocador dos regicidas desmobilizou boa parte da opinião pública e impressionou o mundo político, em contrapartida exasperou sectores que sempre tinham revelado lealdade ao rei, nomeadamente o exército. Correram rumores de golpe entre os oficiais das guarnições de Lisboa, exasperados com a inacção do poder e com as provocações sucessivas. A unidades foram confinadas nas casernas e ninguém surgiu a liderar o movimento. Talvez por isso, algumas semanas após o atentado uma centena de oficiais e sargentos foram saquear os escritórios do jornal O Mundo, abertamente republicano. Se D. Manuel II tivesse legitimidade para contrariar a politica do governo e agisse resolutamente contra as froças radicais orquestradas pelo PRP, decerto teria o apoio de todo o exército. Os quadros subalternos do exército, em particular, ficaram desiludidos com a inacção e foram aliciados para a causa da revolução onde se iriam distinguir os sargentos na Rotunda.


[1] Monumento destruído em 1940 por “prejudicar o trânsito no cemitério” .
[2] Do Museu da Revolução desapareceram as armas e capote dos regicidas ...

19.8.07

A crise dos mercados

Sobre a crise conjuntural dos mercados e crise estrutural da globalização, dois artigos de colaboradores periódicos do SP, um português - Artur Rosa Teixeira e outro brasileiro - Nivaldo Cordeiro - dizem o mesmo.

Leias as análises:
Há-de cair de maduro, por Artur Teixeira http://www.somosportugueses.com/modules/articles/article.php?id=231
A CRISE DOS MERCADOS, por Nivaldo Cordeiro
http://www.somosportugueses.com/modules/articles/article.php

13.8.07

SIC TRANSIT


Dick Cheney em 1994 considerava que invadir o Iraque e conquistar Bagdad seria criar um pântano.! Video do AEI

7.8.07

D. João VI monarca luso-brasileiro

200 Anos da transferência da Corte para o Brasil
Quando consideramos os acontecimentos da história de Portugal entre a Revolução Francesa e a consolidação do liberalismo europeu, é patente que a sucessão de eventos gira em torno de um ponto cego de onde irá emergir o Portugal contemporâneo. E encoberto nesse olho do furacão histórico onde se cruzaram as mais diversas propostas políticas está a figura de D. João, príncipe herdeiro e príncipe governante, regente, rei e imperador honorário, repartido entre dois continentes, dois regimes, entre a guerra e a paz, a tranquilidade e a crise política.
A soberania de D. João articulou-se em três grandes fases, todas elas bem definidas e separadas umas das outras. A primeira, de 1792 a 1807, desenrolou-se em Portugal e sob a égide do chamado despotismo esclarecido. A segunda, de 1808 a 1821, teve lugar no Brasil, convertido em metrópole, enquanto o Portugal europeu vencia as invasões francesas mas se subalternizava. A terceira, de 1821 a 1826, correspondeu ao início do regime liberal e à independência do Brasil e a tentativas de estabelecer um sistema de governo por gabinete. Em todas estas fases, quer como príncipe quer como rei, D. João foi sempre o protagonista principal, o centro das grandes atenções, o eixo em torno do qual girou a história do país, mau grado a importância conjuntural de secretários de Estado e ministros, embaixadores e plenipotenciários estrangeiros, Cortes e deputados, a sua mulher Carlota Joaquina e seus filhos Pedro e Miguel.
Contudo, e apesar do extraordinário senso político com que D. João reflecte as qualidades e defeitos do povo português, dividem-se as opiniões da historiografia sobre o rei. O problema tem que ser confrontado e identificado. O problema não se resolve apenas reabilitando D. João VI perante algumas persistentes condenações. O problema exige que se reformule o quadro interpretativo de modo a perceber D. João como o epítome de uma época, a incarnação de uma ideia política, o protótipo de um governante burkeano que atravessou muitas crises com bastante mais vitórias que derrotas. Faltam-nos os termos para identificar as suas façanhas a que José da Silva Lisboa chamou benefícios.[1] Os acontecimentos são grandiosos mas atípicos –manutenção da neutralidade de Portugal nas guerras napoleónicas, transferência da Corte e Administração para o Rio de Janeiro, supressão do sistema colonial, medidas de liberalismo económico com a criação do banco do Brasil, abertura dos portos e liberalização do comércio, Declaração do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, adopção do liberalismo moderado em Portugal. Mas sendo únicos no género, nem por isso deixam de ser marcantes.
Os personagens atípicos na história mundial são habitualmente incompreendidos e sobretudo acusados de indecisão, de tergiversações e de ambiguidades pelos seus adversários radicais e por observadores mal informados. Na realidade estão a operar entre duas vagas de ideias políticas, mas sem aderir a nenhuma. E contudo, grandes personagens como Akhenaton/Amenophis IV, Constantino o Grande, Frederico II Hohenstaufen, e Henrique IV de França – para citar alguns casos - acabam por ser triunfadores de uma transição que depois os ultrapassa, deixando a história correr o seu curso.
É o que se passa com D. João. A própria e tradicional expressão ”reinado” é insuficiente no seu alcance hermenêutico para abranger a variedade de situações de governação em que se empenhou o monarca brigantino. Num período de trinta anos de charneira na história mundial D. João está presente com responsabilidades maiores na fundação do novo Estado no Brasil e na instauração do novo regime em Portugal. Ao alinhar as realizações da sua governação, ocorridas em mais de três décadas, é forçoso exigir que a imagem de D. João VI - e nela as qualidades e os defeitos de uma nação – não mais permaneça distorcida pela insuficiência conceptual.
O estudo é fascinante porque a personalidade de D. João não é a de um génio mas antes a de um prudente, de um spoudaios na terminologia aristotélica, sem os traços do cinismo ou da reserva que amiúde acompanham a virtude cívica da prudência. Caracterizou-se pela bonomia e pelo espírito de conciliação, sintetizadas no cognome de ‘Clemente’ que a história lhe atribuiu. O verdadeiro D. João, encoberto entre duas classes, dois continentes e dois regimes, tem que ser comparado aos seus pares que vacilaram perante a estatura dominadora de Napoleão. D. João VI não foi um exilado como o futuro Luís XVIII de França nem um traste como Carlos IV de Espanha; não enlouqueceu como Jorge III de Inglaterra nem desapareceu nas estepes como Alexandre I da Rússia. Não recebeu um trono dos aliados, como os reis da Holanda e da Bélgica, ou da fortuna, como os da Suécia. No “novo mundo” não teve que “quebrar o espelho” como os libertadores da América, mas apenas de confiar a seu filho a independência do Brasil. Não se saiu mal, em época de inclemente transição.
Na história é raro ver-se aparecer um personagem que incarne tão bem uma transição. Ao sabê-lo partido para sempre do seu paço da Bemposta, ainda encoberto aos contemporâneos, sentimos que conheceremos sempre mal o Clemente... E contudo, que nome tão belo para um rei... Que evocação tão preciosa para um personagem que de nós se afastou “apenas capaz de ser compreendido pelos futuros”, como tão bem augurou Barrilaro Ruas... E também, coisa rara entre os soberanos do seu tempo, que raro modo de ser cristão, na variante que lhe foi incutida pelo seu preceptor frei Manuel do Cenáculo e verificada pelos seus confessores franciscanos.

[1] Memória dos Benefícios Políticos (...), Rio de Janeiro, 1818, 2 vol.

22.7.07

Saramago, por Herva do Chão

O que Saramago declarou recentemente, dói. Dói a quem o ouve e o detesta, dói aos indiferentes, dói a quem gosta dele e dói porque Saramago não faz apenas doer. Dorido que é, aflige. Além das declarações, o resto da entrevista é, evidentemente, perturbado.
Pode ser inquietaçao conspiratória, mas agora parece claro o "contrato" que está por trás do Prémio Nobel, mesmo que o premiado não o saiba. Tanta moda do Fernando Pessoa ( que afinal, para quem leu Walt Whitman, não é assim tão original), tanta moda do Sebastianismo ( que nada tem de surpreendente para quem não quiser ser ignorante e espreitar um pouquinho para o Islão), tanta lança partida por Camões ( que é genial mas, de certeza que Dante ou Petrarca não lhe ficam atrás) e tudo se fixa numa "marca Saramago" que é uma versão prolixa e maçuda tão válida como um êxito cinematográfico com 15 minutos de brilho mundial, em troca do esquecimento de 900 anos de influência. Eça de Queirós era prolixo, não merecia talvez o Prémio Nobel do seu tempo, mas não era maçudo e todos ganhamos humanamente em o ler.
Quando Portugal perdeu o Euro, alguns gregos ficaram admirados com a mansidão da nossa reacção e até com a confraternização continuada dizendo que, se fosse em Atenas, não seria certamente assim. Os gregos não perceberam que o nosso Euro não teve um único skin-head a pôr um polícia em coma ou um "tiffosi" a disparar à queima-roupa sobre outro, tudo isto entre coiratos e bifanas e até vários árabes que só vieram ver a bola e gostaram.
Dizia um poema de Jorge de Sena sobre Camões " Podereis roubar-me tudo...", as imagens, as metáforas, e todos as outras jóias de uma Língua Portuguesa que também outros, até jogadores de futebol, ajudaram a fazer e é hoje a sexta Língua mundial. O poema termina dizendo aos ladrões que só uma coisa nunca conseguirão roubar: "Os recessos de Amor para que sois castrados".
Saramago tem um problema de Amor. E nós deixamos-lhe que roube a Língua Portuguesa, pouco nos importando com os seus problemas interiores.
Há quem diga que este "não te rales", que este desportivismo, vai perdendo Portugal. Há quem ache que um rei espanhol é melhor que esta república portuguesa. As nações não são eternas e - ah! -- a Eternidade é agora.
Muitas previsões apontam para o que Saramago diz, é bom que nos vamos habituando. E o facto da " marca Saramago" afixar este reclame de Verão, só para se degradar, não ajuda.
É preciso saber que o Amor à Pátria, que é uma forma de Amor, assenta numa sensibilidade amorosa que é anterior à Pátria e, sem esta sensibilidade, não há Pátria nenhuma que aguente. Talvez um Portugal seduzido pela Hispânia, voltasse a ter Amor, Amor que teve, Amor que o fez.
Lamento, mas aqui tenho de traçar uma fronteira: o Ser espanhol não nos deu lições de amor e talvez seja interessante dizer que Portugal matou e queimou mas Portugal nunca cometeu um Genocídio, como o conhecido e meticuloso biogeógrafo Jared Diamond o expôs muito claramente. E com este Jared Diamond, não houve qualquer contrato, apesar de ser também uma marca.

16.7.07

A transição democrática e Lisboa 2007

Imagem retirada de http://oam.risco.pt/blogger.html

A Itália mudou o sistema partidário em 1991, a França está a mudar desde 2003. Em Portugal, a transição começou com a votação de 1.200.000 portugueses em Manuel Alegre. É nesta tendência europeia e nacional que se inscrevem os resultados das eleições intercalares de Lisboa (15-07-2007) que anunciam a tendência irreversível para a exaustão do actual sistema partidário, se não mesmo do regime de representação consagrado pela Constituição da República.
A abstenção de 62,6% em Lisboa é um cartão amarelo mostrado pelos eleitores à alternância do Bloco Central. Os dois independentes, Helena Roseta e Carmona Rodrigues, somaram 27%. E independente é Sá Fernandes perante o BE, como independentes são muitos dos candidatos das numerosas listas candidatas. Quando Jerónimo de Sousa diz que a CDU é a 3º força partidária não é só ele que fala: é a voz da ortodoxia do regime a querer silenciar a vitória dos independentes.
A vitória dos independentes é o lado positivo destas eleições de Julho de que a abstenção maciça foi o reverso negativo. Os seus resultados revelam um novo eleitorado democrático, que “já não vai em cantigas”. Nas novas redes da população urbana, existem matrizes de informação e de superação dos medos e das ideologia que estão fora do controlo dos partidos políticos e que têm capacidade de influenciar a agenda política nacional. O caso mais recente em Portugal era o da rejeição do erro da Ota. Agora são as máquinas partidárias actuais a serem julgadas conforme as suas expectativas arrogantes.
É por isso que o PS também perdeu as eleições ou, como se diz classicamente, teve uma vitória à Pirro. António Costa solicitou durante a campanha a maioria absoluta. Fez uma campanha limpa mas sem rasgo, mas teve menos votos que Carrilho e falhou estrondosamente a maioria absoluta. Agora terá de escolher a “passadeira” por onde quer desfilar. A amarela de Carmona Rodrigues leva-o a acordos pontuais. A passadeira vermelha que lhe foi estendida pelo secretário-geral do PCP, com piscadela de olho a Manuel Salgado, ressuscita a frente popular. As outras passadeiras multicolores, de Roseta e Sá Fernandes são ainda mais difíceis e tudo anuncia a ingovernabilidade destes dois anos até 2009.
O PSD de Marques Mendes que criou a crise sem ter uma solução à vista perdeu 90.000 votos em Lisboa e é o maior perdedor. Continuará a pagar a crise de governação de Lisboa com juros ainda incalculáveis para o Partido. A sua maioria na Assembleia Municipal de Lisboa, legítima em termos formais, tornou-se ilegítima em termos políticos.
Quanto aos outros partidos, do ponto de vista do Bloco Central, são todos pequenos. E por isso, tanto faz que a CDU tenha dois vereadores como que o CDS-PP não tenha nenhum. Com outras campanhas e outras personalidades e empenhamentos os resultados seriam diferentes mas nunca seriam alternativos. A população gosta de coerência no discurso e não gosta de facadas nas costas.
Os resultados eleitorais de Carmona Rodrigues e Helena Roseta significam o fim à vista do Bloco Central. O Partido Social Democrata e o Partido Socialista já não mobilizam como dantes os eleitorados tradicionais, que têm crescentes dúvidas sobre as opções económicas e sociais do Governo ( escutem-se as vaias ao Primeiro Ministro) e nada ouvem de construtivo da Oposição. As duas direcções – a de Governo sem oposição e a de Oposição desgovernada - abdicaram de defender interesses nacionais evidentes e parecem subservientes a cálculos económicos a curto prazo.
Claro que as pressões do regime para que os independentes de Lisboa regressem ao rebanhos partidários serão fortíssimas. Eles não têm um caminho fácil. Terão diante de si dois caminhos: ou avançar para a criação de novos partidos, a pedido do número crescente de votantes descontentes com o Bloco Central, ou manter-se activos na refundação da democracia económica e social, como garantia futura de liberdade e independência nacional. Agora que os saramagos voltam a dizer que devíamos ser iberistas, está por fazer o caminho da transição democrática de que depende o futuro português como nação independente e parceiro europeu a corpo inteiro.

14.7.07

Jornal de Campanha III


MPT: Slots disponíveis, ruído controlado e segurança são razões para manter a Portela


Participantes na conferência do Movimento Partido da Terra (MPT), que marcou esta sexta-feira o encerramento da sua campanha para as eleições de domingo, defenderam que o ruído e o risco de despenhamento não são razões para fechar o aeroporto de Lisboa.
Sobre a possibilidade de uma catástrofe, no caso de um avião comercial se despenhar sobre Lisboa, membros da lista liderada por Pedro Quartin Graça, disseram que a probabilidade baixou, em 20 anos, de 25 para 0,6 por milhão de aviões que sobrevoam a cidade.
Os candidatos independentes, o professor universitário Mendo Castro Henriques como o engenheiro civil Frederico Brotas de Carvalho, acentuaram que também no caso do ruído o efeito é hoje muito inferior devido aos motores mais silenciosos utilizados pelas aeronaves comerciais de última geração.
A pista principal da Portela tem mais de quatro quilómetros e os aviões de nova geração, incluindo os que são usados pelas empresas de voos de baixo custo (low cost) apenas precisam de 2,2 quilómetros para se imobilizarem, explicou o engenheiro.
Assim, se fosse possível aquelas aeronaves aterrarem apenas a partir de meio da pista, isso permitiria que sobrevoassem a cidade a uma altura superior a mais do dobro do que fazem actualmente, com a consequente diminuição de ruído.
De resto, a condenação da construção de um novo aeroporto na OTA foi severamente criticada, tendo Castro Henriques classificado a ideia como um «embuste», já que a Portela está longe de estar esgotada e um novo aeroporto naquela localidade pouco mais capacidade teria que o actual.
Com a ampliação da área de estacionamento, a Portela, que atinge os 40 lugares actualmente, ficará com capacidade para 60 aeronaves na placa, número que será muito pouco superior na OTA, reforçou Frederico Carvalho.
Outro aspecto reforçado pelos defensores do actual aeroporto de Lisboa é a sua capacidade estar longe de esgotada. Presentemente, a média de aterragens e descolagens é de 36 por hora, enquanto a capacidade pode ir até aos 44, 45 movimentos, sustentaram. Foram apresentados os mapas com folga de slots.
O cabeça-de-lista, Pedro Quartin Graça, fez questão de salientar o empenho que a sua candidatura pôs na questão do aeroporto, recordando que a primeira e última iniciativas da campanha foram sobre o tema.
Diário Digital / Lusa

8.7.07

Jornal de Campanha II


Lisboa Não Pode Viver Só de projectos imobiliários
OS candidatos do MPT com Pedro Quartin Graça numa visita ao vale de Santo António – Chelas - acompanhados por órgãos da comunicação social. A urbanização da EPUL, outorgada em 2004 a Bernardino Gomes está sob o olho da Polícia Judiciária e poderá haver mais arguidos. O plano de construção é medonho e vai contra tudo o que o urbanismo deve ser.
A cidade de Lisboa não pode limitar-se a viver de projectos imobiliários, "como se de um jogo do monopólio se tratasse". Para ser competitiva a cidade tem de possuir actividade criadoras de riqueza, mesmo que isso signifique projectos cuja rendibilidade não é imediata.
Segundo os estudos demográficos, urbanísticos e sociológicos, para se tornar competitiva a nível internacional, a capital precisa de apostar nas actividades económicas baseadas no conhecimento, como a banca e as telecomunicações.
Um antigo eixo de criação de riqueza da cidade do início do século passado - o eixo Beato-Marvila-Chelas - estarem a ser alvo de "projectos imobiliários desgarrados, construídos em cima dos restos que sobraram das antigas fábricas", em vez de estes locais serem aproveitados para desenvolver actividades económicas baseadas no conhecimento.
Além disso, o eixo Beato-Marvila-Chelas tem uma densimetria forte de palácios, mosteiros, quintas. Muitos datam do séc. XVI e XVII em que a aristocracia desceu para as praias de descarga das especiarias – como a Rua do Açúcar, em Xabregas, que podem ser pólos de circuitos turísticos, pólos de conhecimento e de habitação de qualidade.
Os grandes nomes da arquitectura internacional contratados pela Câmara de Lisboa para desenvolver projectos na capital estão a trabalhar apenas para alguns: para os que irão usufruir do resultado dos projectos imobiliários que lhes foram entregues.
Uma cidade ingovernável
Lisboa confronta-se neste momento com um problema de ingovernabilidade que radica na existência de nada menos de 53 freguesias na cidade, umas com uma área minúscula e praticamente sem habitantes, como é o caso das freguesias da Baixa, e outras gigantescas, como Benfica. A questão tem vindo a ser discutida pelos vereadores da Câmara de Lisboa e pelos deputados municipais.
A segunda parte do mega-estudo sobre Lisboa apresenta a dramática perda de população da cidade nos últimos anos que tem vindo a ser mal acompanhada por uma entrada de novos habitantes: entre 1996 e 2001 a cidade ganhou 53 mil pessoas mas os novos não chegam para repor os que saem. Por cada habitante novo havia dois a ir-se embora em 2001.
Um quarto dos novos residentes é proveniente do estrangeiro e 60% frequenta um estabelecimento de ensino. "Uma das grandes mais-valias da cidade são as suas escolas".
A estrutura familiar dos novos residentes tem dimensões menores do que é tradicional: 1,7 pessoas por família. Mas nada disto impede que Lisboa continue a ser das cidades mais envelhecidas da Europa e a mais envelhecida de Portugal. Nalguns bairros a percentagem de idosos ultrapassa a da cidade. Em Alvalade 45 por cento dos habitantes tem mais de 65 anos.
E não é por falta de casas que Lisboa não tem mais gente. Na década de 90 o número de alojamentos vagos aumentou 60 por cento, percentagem que se eleva aos 72,4 por cento quando se fala dos alojamentos vagos que nessa altura se encontravam fora do mercado de venda ou aluguer.
Inverter esta situação implica grandes transformações, imaginação e muito dinheiro. Só assim será possível reabilitar os milhares de prédios degradados em toda a cidade. "Qual a percentagem dos impostos pagos pelos munícipes que ficam na cidade?".

6.7.07

Devolução, por Pedro Cem

Toda a gente sabe que faz bem olhar-se ao espelho. É uma prova de vida e um aproveitamento da ligeira luz que emana do rosto, a qual, de outro modo, se desperdiçaria. Narciso apaixonou-se por si próprio, não porque se viu ao espelho mas porque se imaginou para além do espelho. A filtragem da Realidade pelo Eu, contudo, passou a ser uma duplicação da Realidade, uma carga excessiva que incluímos e que nos provocou uma vertigem pelo esforço imprevisto e, portanto, uma súbita aproximação da Lonjura, contra a qual reagimos homologamente à ressaca.
Ora ser um "Narciso do vício" não é nunca, como Narciso, afogar-se no lago, mas viciar-se no preliminar do espelho, na reflexão do Eu que pode ser elevada à escala televisiva se, entretanto, o nosso engenho doentio montar um jogo de espelhos. Nesta Televisão multicanal do Eu, o Eu ficou com Império mas ninguém lhe reconheceu a Propriedade, sobretudo em direitos de autor.
Então o Eu tornou-se imperial e, com a Democracia, passou à Tirania dos universos subjectivos paralelos. Finalmente, com a sondagem de opinião e a Astrologia, passou à Tirania Absoluta ( aquela que já não se preocupa sequer em ser amada) ou seja, as dos universos infinitos paralelos.
Como proceder? Voltar às luzes mais antigas. É de evitar, porém, o regresso súbito do Filho pródigo à casa do pai corrector porque o sado-masoquismo é outro fantasma do Eu -- o excesso de alimárias na noite fazem do cemitério um cabaret, revogam as trevas e suprimem o Dia feito de dias em que todos nascemos e declinamos, como o urso que hiberna ou a andorinha que parte.
Em que consiste a Devolução? Para já, em devolver o limite da soberania a quem sempre pertenceu: ao Soberano. Um Soberano é um busto que absorve a luz no meio do jogo de espelhos. É um Indivíduo reduzido ao mínimo, refractado na luz das suas visões narcísicas e que "faz cabeça". Uma forma em forma de ser Humano, a única com quem podemos dialogar, sem nos imitarmos num constante desfazamento temporal, como na imagem do espelho. Por isso é tão importante ter um bom Soberano e, se não o há, há que o fazer.
Em vez de um Chefe emergente, como um Dux ou ditador republicano que tem de fazer da vida uma guerra permanente para justificar o lugar, pedimos um chefe convergente onde o estado de guerra é excepcional. Enquanto a Democracia inventa a máxima de que "as Democracias não se guerreiam entre si", as guerras de clãs e de máfias substituem os Estados fracos da Democracia onde os Soberanos incontáveis são fortes, seja um drogado com uma seringa à frente duma dona-de-casa ou um espertalhão político a trepar para o tôpo.
Por fim, organizar a devolução das cinzas à terra e devolver o pó, ao pó.
Quer isto dizer que "Soberano" é o nome de um funeral, ou de uma festa de despedida para um suicídio anunciado?
Não. Dar o "pó ao pó" é fertilizar em época de semear. Não é acumular fertilizantes por alguém que "era capitão da sua alma"" e explodir com 157 inocentes ( se Timothy McVeigh era capitão da sua alma, ninguém é capitão do mar sem fim). Nem é um crematório (limpeza étnica, sanidade moral, revolução administrativa) pois os vazios que se utilizam numa correcta política da morte são apenas câmaras ou bôlhas de gás numa concentração tôsca, vagueando no Cosmos. O verdadeiro Vazio emerge de todas as coisas, vai muito para além da nossa percepção e tudo o que se pode fazer é rezar a uma dádiva em contínua fluência: até a Providência nos matar de fartura.
Quer isto dizer que tudo se reduz à busca da melhor oração ou do melhor truque místico?
De-volver não significa apenas volver mas saber a arte de volver.
As pessoas que gritavam pela Revolução julgavam quebrar as tábuas da Lei, sem saber que gritavam para que tudo voltasse ao mesmo lugar. Os que gritavam pela Reacção gritavam para que tudo voltasse ao mesmo lugar, só que a partir dum ponto mais antigo ou mais lento. O círculo era vicioso como as cismas de Narciso.
O Devolucionário volta a si mesmo, ainda que já esteja ultrapassado e sobretudo porque está ultrapassado (bendito seja!) pois só assim consegue deixar de se alienar, de ser um outro: passa a ainda não ser. Se "já não fosse", nem sequer era ultrapassado. Era apenas extinto. Como numa canção antiga da luso-brasileira Geninha Melo e Castro, o "Devolucionário" fica no "ainda não" o que não é mau conselho para os esquerdistas precipitados, uma consolação para os eunucos de Deus e, sobretudo, uma palvra de esperança para a "coisa amada" de Camões que busca o "amador" e está no seu, muito justo, direito de viver direita.
Tornar-se no que se é, quando já não se é, é como escutar, por entre os silêncios de que a Música está cheia, um ritmo vibrando desde sempre debaixo dos pés. Devolver é deixar para trás e partir de viagem.
Mas o devolucionário é um Viajante célebre. Se compramos um bilhete e esperarmos sempre no mesmo lugar à hora marcada, para darmos um passo e entrarmos da carruagem certa, podemos muito bem cair para o abismo. Isto porque nunca saímos dum cais para um combóio. Passamos sempre de um combóio para outro, quando compreendermos que somos maquinistas de um pesado combóio de percepções, carregado de inércia, o qual partiu e se alongou há muito tempo.
Devolver significa dar, abdicar do extra que somámos ao todo, com o nosso Eu (um extra do Todo é apenas uma ferida aberta). Com isto retornaremos ao EU essencial que se está continuamente a desfolhar como num Outono das Colheitas eternas.

E aqui está a Devolução, na Natureza, na Opressão, na Dor e até para Portugal.

5.7.07

"Scooter" Libby


O caso de "Scooter" Libby é intrincado. O bloguista Patrick Foy foi um dos que previu - a 26 de Junho pp. - que Bush teria de comutar a pena, para que não se abrisse o saco azul da revelações.
Para quem como eu considera a sociedade americana a mais equitativa da terra, é chocante como o governo americano é dos mais corruptores. Vamos ver a sequência. Libby será perdoado?
Também achei estranho que neste blog a fotografia "Gotcha" que pus a ilustrar a prisão de Libby tenha desaparecido. Bem sei que era um link. Mas caramba! Não há coincidências, não!


“Scooter’s” Can of Worms
Posted by Patrick Foy on July 03, 2007
Since we last addressed the topic, Irving “Scooter” Libby was assigned a federal prison number. It certainly looked like he was headed for a Federal correctional facility, all because he refused to tell the truth about what was happening inside the Cheney Regency in the aftermath of “Operation Iraqi Freedom”. But now--surprise! surprise!--Scooter has just been handed a stay-out-of-jail card by the White House. Surely none of Taki’s Top Drawer readership will be amused or amazed. The free pass is perfectly reasonable in view of the close relationship among the co-conspirators involved.
In response to certain readers’ comments to my Bush & Cheney: It’s Time to Resign article of June 26th, I wrote, “Libby’s conviction convicts Cheney directly and Bush indirectly of malfeasance--unless we assume that Bush is totally out of the loop. I see no choice for Bush but to pardon Libby. I do not see how Cheney can allow his chief henchman to sit in jail. Libby might talk to prosecutors or, almost as bad, write a tell-almost-all book.” In short, this “commutation” of Scooter’s jail time was to be expected, for the simple reason that those handing out the free pass may well have been complicit in the crimes for which Scooter was convicted. Under these circumstances, sending “Scooter” to the Big House would have been unseemly.
I suggested, instead, that Cheney and G.W. resign. They have chosen to issue a commutation, with a full pardon probably coming later. This commutation is in contrast to “Bubba” Clinton’s pardon on January 20th, 2001 of “Scooter” Libby’s long-time client, the New York/Israeli fraudster Marc Rich. That outrage came as a bolt out of the blue to most innocent bystanders. What both pardons do have in common, of course, is corruption and brazenness. They stink to high heaven, and for good reason. We are witnessing rot at the very top of the American political Establishment. The good news is that it might wake up and shake up whatever honest individuals might be left in Washington and in the country at large.
The kickoff to the current “Scooter” affair was the outing of CIA undercover agent Valerie Plame Wilson. The CIA requested in the summer of 2003 that the Justice Department look into the matter. It could normally be assumed that high-level White House officials would not be involved in blowing the cover of a CIA operative who has been working across town, specializing in global non-proliferation of WMD. Most especially, it might be expected for this Administration, because G.W. and Cheney had loudly proclaimed the necessity of going to war to protect the country from WMD, albeit nonexistent ones. Certainly few could conceive that such mischief directed against the CIA might happen at the direction of, or in connivance with, the Vice President of the United States--and for purely inside-the-beltway political reasons. All such assumptions, expectations and imaginings would be a mistake.
“Scooter’s” supporters like to argue that it was the rough-and-tumble, voluble Deputy Secretary of State, Richard Armitage, who was in fact the guy who off-handedly spilled the beans to reporter Robert Novak when he informed Novak that Valerie Plame was married to Ambassador Joseph Wilson and that she was a CIA agent--so what’s the big deal? Something like that did happen, granted, but it is almost beside the point when viewed in context. The Justice Department investigation quickly turned upon the larger issue of just what kind of nefarious campaign of disinformation and character assassination was being conducted behind the scenes at the White House in the wake of Wilson’s revelations in the New York Times with respect to the bogus connection between Niger “yellowcake” uranium and the regime of Saddam Hussein. The White House, meaning the Regent Cheney, went into attack mode just as soon as that article hit the newsstands and the talk shows. What Wilson asserted instantly deflated the WMD threat of Saddam Hussein almost to zero. “Scooter” was the Regent’s chief-of-staff as well as an assistant to the cut-out occupying the Oval Office. It is reasonable to assume that “Scooter” was engrossed in the vindictive campaign to discredit Wilson and his wife, and that he was doing it at the direction of Cheney.
Thanks to god-awful bad luck for Cheney and his “neocon” network in control of the Executive Branch, Federal prosecutor Patrick “Bulldog” Fitzgerald ended up in charge of the investigation. Last Friday, June 29th, the Associated Press reported that Fitzgerald soon realized there was something peculiar going on. There was more to the case than just the outing of Valerie Plame. The “Bulldog” was confronted with the fact that he, his staff and the FBI were being routinely snookered by “Scooter”, who was arguably the third or maybe even the second most powerful individual inside the White House. Fitzgerald no doubt wondered why “Scooter” would want to deceive the grand jury and the FBI, especially since he (Fitzgerald) already knew about Armitage’s gossipy conversation with Novak. To quote the AP:
Midway through his CIA leak investigation, Special Prosecutor Patrick Fitzgerald was pretty sure of two things: First, he wasn’t going to charge White House aide I. Lewis “Scooter” Libby with revealing a covert operative. And second, he thought Libby’s testimony was a bunch of lies.
Documents unsealed in the case Friday revealed that when Fitzgerald subpoenaed New York Times reporter Judith Miller in 2005, he was already building a perjury and obstruction case against Libby, the former chief of staff to Vice President Dick Cheney. ‘Libby’s account of conversations has been largely inconsistent with every other material witness to date,’ Fitzgerald wrote in court documents.
As noted in passing on June 26th, the only conceivable reason for “Scooter” not to tell the truth, to deliberately commit perjury, would be that he was attempting to cover something up for his boss, the Regent Cheney. We now know that Regent Cheney occupies a separate universe within the Executive Branch of the Federal Government, answerable to no one, including the FBI, the Congress and the U.S. Constitution. This is not speculation. We know it to be true because “the Office of the Vice President” has stated as much, only in different words. This being the case, why should Cheney’s chief of staff be expected to be straightforward with any outside inquiry? Like his boss, “Scooter” would feel the same entitlement to stonewall, conceal and obfuscate. It would only be natural. In fact, it would be a badge of honor in service to the cause.
And what was there to conceal that was so important that it required perjury and obstruction of justice, both of which deliberately stymied Fitzgerald from getting to the bottom of the affair, which prevented him from connecting the dots linking Karl “Valerie Plame is fair game” Rove with the talking figurehead in the Oval Office with Armitage over at the State Department and back to “Scooter” Libby and to the all-powerful but completely unaccountable Regent himself, Dick Cheney? Perhaps what these characters needed to hide at all cost was the fraudulent nature of the war itself, in all its “neocon” ramifications, the very subject about which Ambassador Wilson had just barely touched upon. Perhaps “Scooter” and Regent Cheney and Cheney’s Cabal were terrified that “Bulldog” Fitzgerald might stumble upon a can of worms, and inadvertently open it. About which, more anon.

1.7.07

Jornal de Campanha

1 de Julho - Jornal de Campanha - Intercalares de Lisboa 2007 – Bairro dos Lóios
Mendo Henriques ( candidato independente pelo MPT)

A assistência não é grande mas é interveniente. Os representantes das candidaturas às eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa estão lá todos. Convidados pela Associação Tempo de Mudar, e a Comissão de Moradores do Bairro dos Lóios, para um debate sobre o tema da Habitação para Marvila e Lisboa. Umas 150 pessoas a assistir, e 11 candidatos no palanque
Lóios e as Amendoeiras ficaram mais na mira dos Lisboetas depois que a Rádio Televisão Portuguesa se mudou para a avenida que sai do bairro do Relógio. Marvila tem todos os tipos de habitações. Tem até um edifício que ganhou prémios internacionais: a enorme estrutura distendida e chamada por motivos óbvios a “pantera cor de rosa”. Foi projectada nos anos 70 por Gonçalo Byrne como se fosse uma aldeia urbana. Mas para conhecer os problemas dos Lóios basta comparar as histórias de dois prédios. O 231 está em excelentes condições, e pertence a uma cooperativa de inquilinos. O outro, mesmo pegado, o 232, é ainda da Fundação D. Pedro IV, e é uma desgraça. Há semanas atrás, um rapaz abriu a porta do elevador no 4º andar e caiu 25 m, ficando em coma no hospital, porque o elevador estava no 5º andar. A mãe veio falar do caso, cheia de dignidade. Não tinha ressentimentos mas exigia melhoria de vida para todos.
Os moradores das Amendoeiras e Lóios têm outras razões de queixa. Os equipamentos deixam muito a desejar. As renovações, como a da praça Raul Lino, não foram a contento. O Centro de Saúde está construído há 4 anos mas ainda não abriu. A CML equipou-o mas a ARS do Ministério da Saúde em todo este tempo não instalou médicos e pessoal. É uma vergonha governamental e um vexame para os habitantes.
Há uma boa notícia. Em Janeiro de 2005 o Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE) transferira, "a título gratuito, para a Fundação D. Pedro IV, um valioso património constituído por cerca de 1400 fogos dos bairros dos Lóios e Amendoeiras, em Marvila". Sucederam-se as calamidades. Já um relatório de 2003, da Inspecção-Geral do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social defendera a extinção da Fundação D. Pedro IV. Mas, após dura reivindicação dos moradores durante dois anos, a Assembleia da República aprovou a 21 de Junho de 2007, por unanimidade, a reversão para o Estado dos 1400 fogos da Fundação D. Pedro IV. É preciso esperar até 12 de Julho para ver se o prometido é cumprido.
Para muitos, foi apenas "uma meia vitória". A transferência de propriedade poderá ocorrer sem " melhoramento nas condições de habitabilidade dos bairros, extremamente precárias”. E a Fundação impôs um regime de rendas que se traduziu em aumentos de encargos insuportáveis para um grande número de famílias". Os aumentos da denominada "renda apoiada" oscilariam entre "os 2000 e os 4000%".
Foram dados como estes que os candidatos ouviram de Eduardo Gaspar, presidente da Associação Tempo de Mudar, do Bairro dos Lóios. Convidados a participar no evento de 1 de Julho, pelas 16h00, no recinto do equipamento gerido pela ATM, os representantes de todas as candidaturas falaram, escutaram e responderam.
Há candidatos com trabalho de militância de mais de dez anos. Manuel Figueiredo da CDU apoia, de há muito tempo, as reivindicações de Marvila. José Sá Fernandes (BE) andou por ali à chuva em protesto pela abertura do Centro de Saúde. Outros como Manuel Monteiro (PND) declaram pouco perceber do bairro. Camara Pereira (PPM) falou da importância da Junta de Freguesia mas depois desapareceu. Mas quais são as grandes questões?
Afinal Lisboa tem uns 560.000 habitantes e perde 30 por dia. 1.500.000 de habitantes pendulares vêem dos subúrbios nela trabalhar cada dia que passa, como lembrou a candidata de “Lisboa com Carmona”. Antonio Carlos Monteiro, do CDS-PP considerou que em dois anos pouco se poderia fazer. Helena Roseta (Independente) acha que se devem arregaçar as mangas e buscar soluções para quem quer comprar e para quem não tem dinheiro para isso. Após Garcia Pereira (MRPP) ter dado o mote, Frederico de Carvalho (MPT) tratou da questão estratégica de Lisboa: “O que é espantoso é o que se prepara com a terceira travessia do Tejo para Chelas e o vale de Marvila”. A ser feita a travessia Chelas Barreiro, vai-se martirizar o vale com dezenas de quilómetros de betão em viadutos e túneis.”
Sobram sempre mimos para todos. Monteiro acha que Roseta, “a bastonária dos Arquitecto” os deve chamar à pedra. Sérgio Lipari, (PSD) é considerado “administrador da Gebalis”. Nunca o foi e após seis meses no pelouro da habitação, propõe-se retomar a ideia das parcerias publico privadas para dar qualidade ao edificado em Marvila; “não preciso do governo para nada”. Mas a maior parte das baterias foram assestadas sobre o grande ausente António Costa, do PS, considerado “arrogante”. O arquitecto Manuel Salgado, defende-o com lealdade mas sem entusiasmo e diz que “as coisas só começam a 1 de Agosto”. Não leva palmas.
Por responder ficam muitas questões de pormenor, “as pequenas grandes coisas”. As promessas no ar não resolvem os problemas dos 18.000 habitantes destes bairros a corpo inteiro, reivindicativos e consequentes. Mas os moradores de Marvila podem estar certos que a sua mensagem foi transmitida. Cá fora o sol esplendoroso que ameaçava bronzear os assistentes deu lugar a um céu toldado de onde vieram gotas. Que sucederá no dia 12 à resolução da AR?

26.6.07

Ajude a parar um escândalo!


O Governo Português anunciou que irá encerrar o Consulado Geral de Portugal em Sevilha. Esse encerramento implica a perda de um Edifício Histórico Português, que foi construído para albergar o Pavilhão de Portugal na Exposição Universal de Sevilha de 1929 e cuja propriedade será devolvida ao Ayuntamiento de Sevilha.
Este Edifício Histórico está localizado no centro da cidade de Sevilha, ao lado do Hotel Alfonso XIII, um dos melhores de Espanha e é cobiçado por grandes interesses espanhóis e internacionais. Nós que o temos na mão, por direito, decidimos abandoná-lo.
Será que, decididamente, preferimos acabar com todos os símbolos nacionais? Como este que a Espanha nos cedeu gratuitamente há quase um século, no centro de uma das suas mais importantes e bonitas cidades?
Um Consulado não se mede só pelos serviços que presta. Conta por ser uma presença de um País numa cidade amiga. Uma cidade onde trabalham Portugueses, onde estudam Portugueses, onde se ensina o Português a centenas de estudantes espanhóis. Uma cidade Amiga. Por isso e por estar num Edifício Histórico Português, pode ser também uma Referência da Cultura Portuguesa, a melhor Marca de Portugal. Em Espanha.
Todo o Português que vai a Sevilha se orgulha de ver o seu País, a sua Imagem, o seu Símbolo no centro da Cidade-Monumento.
Provavelmente veremos em breve no seu interior uma delegação do "Gungenheim" ou do "Rainha Sofia". É que os Espanhóis tratam bem o que têm.
Denuncie esta situação aos seus amigos. E se conhecer o Presidente da República, ou o Primeiro-Ministro envie-lhes também. Para que não digam que o Povo não os avisou. Não envie é para Amigos Espanhóis. Por vergonha.
Grupo Promotor doCírculo de Portugal em Sevilha

24.6.07

O efeito dominó

Portugal Diário 25 Junho 2007
Em 11 de Junho, o ministro Mário Lino foi à Assembleia da República anunciar o congelamento durante seis meses da decisão sobre o Novo Aeroporto de Lisboa. Decerto tinha nos ouvidos a frase de James Bond, traduzida à sua maneira: “Jamais digas jamais”Ha quem veja neste recuo face à Ota uma manobra maquiavélica. De uma assentada, esvazia a polémica sobre o novo Aeroporto, evita que o assunto contamine a Presidência da União durante seis meses, retira aos partidos da oposição o controlo do debate, e adopta uma postura responsável face ao apelo formulado pelo Presidente da República. E como brinde, ainda diminui o desgaste da candidatura de António Costa a Lisboa.Se acrescentarmos que é o Laboratório Nacional de Engenharia Civil a avaliar o estudo de Alcochete e a Naer, a empresa responsável pelo desenvolvimento do novo aeroporto, a pagá-lo, ainda mais parece uma boa manobra para quem quiser t sustentar a Ota dentro de seis meses. O problema é que uma manobra só é boa ou má, por comparação com outras. E neste caso, depois da repulsa manifestada pelo país em nome do interesse nacional, o Governo não tinha outra decisão disponível. Pelo caminho, ficaram naturalmente muitas mensagens públicas e privadas, de muitos consórcios, grupos e personalidades. Houve muita manobras de desinformação que entretanto se foram anulando entre si, com pena dos adeptos das ‘teorias da conspiração’. Mas uma coisa ficou: o recuo de 11 de Junho foi uma vitória da cidadania que tornou evidente a fragilidade da opção pela Ota. Com a queda do “jamais” comecaram a cair por terra os argumentos de Mário Lino. O risco de perder os financiamentos europeus foi desmentido; e até chegaram argumentos de Bruxelas que a localização de Alcochete poderia gerar mais fundos. O atraso nas obras foi desmentido e confirmou-se que até se ganha dois anos pois na margem Sul não são necessários os trabalhos faraónicos de remoção de terras e construção sobre estacas. E o efeito de dominó continua. Ha quinze dias atrás, estudar outras hipóteses era muito caro. Mas depois de Rui Moreira, Presidente da Associacão Comercial do Porto, ter revelado que o estudo sobre Alcochete foi combinado com o primeiro-ministro, Mário Lino até aceitou estudar a Portela + 1. Assim, como defendem João Soares e os candidatos a Lisboa, até poderão vir a cair por terra muitas outras afirmações, como o esgotamento da Portela e os argumentos de segurança e ambientais para justificar o seu encerramento. Com tudo isto, ficam legitimados os argumentos dos especialistas que há dois anos vinham a defendem o cenário de manutenção da Portela, com um segundo aeroporto, que pode ser Alcochete, a crescer de forma modular e Montijo como solução provisória. A espectacular tomada de posição dos engenheiros do Técnico é uma óptima orientação.O melhoramento do Aeroporto da Portela que está em curso ate 2012 começa a recolher cada vez mais consensos. Todos os candidatos a Lisboa o defendem, com excepção de Antonio Costa. A transferência do AT1 de Figo Maduro para uma outra base militar na envolvente de Lisboa - Alverca ou Sintra – e o prolongamento para norte do taxiway nascente da pista 03/21; e deslocação desta pista 390 m para norte acaba com o problema de seguranca criado pelo atravessamento da pista e permitiria às aeronaves descolar a meio da pista alongada, poupando mais decibéis à cidade de Lisboa.Aumentam tambem em flecha as razões para adaptar a Base do Montijo a voos low-cost e charters do espaço Schengen. As instalações necessárias para quem vem da Europa Schengen são diminutas e qualquer turista será privilegiado em chegar a Lisboa, atravessando o Grande Estuário. Alem disso, os terrenos sao da Força Aérea, ou seja, o Estado tem uma boa solução anti-especulativa. A região metropolitana de Lisboa garantia assim um modelo aeroportuário suficientemente eficaz e competitivo para o mercado que temos (e que capta as low-cost) Richard de Neufville, especialista de MIT, veio a Lisboa dar este mesmo recado: adiar investimentos até a respectiva necessidade ser demonstrada. E toda a gente sabe que não há nada como um estrangeiro a falar para os provincianos ouvirem a razão já provada por nacionais.E finalmente, Alcochete. O estudo apresentado ao Governo vem confirmar que no campo de tiro de Alcochete – e o mesmo se poderia dizer de Faias, Rio Frio e Poceirão - há toda a conveniencia em implementar já em 2007 a reserva de terrenos com cerca de 6000 ha para um novo aeroporto, se o crescimento dos movimentos o exigir. A evolução mundial do tráfego aéreo, do preço do petróleo e dos fluxos turísticos dirão quando iniciar essa construção, de um modo faseado, pista a pista, criando um aeroporto definitivo a longo prazo com as infra-estruturas necessarias.Com tantos dominós a caírem, é caso para dizer que se deseja que no LNEC haja “especialistas no assunto”. A independência dos cientistas do LNEC será muito importante nesta fase.

Celebrar o S. João no Porto


20.6.07

How war was turned into a brand in Israel


By: Naomi Klein - The Guardian
Date: 20-06-2007

Political chaos means Israel is booming like it's 1999 - and the boom is in defence
exports field-tested on Palestinians. Gaza in the hands of Hamas, with masked
militants sitting in the
president's chair; the West Bank on the edge; Israeli army camps
hastily assembled in the Golan Heights; a spy satellite over Iran and
Syria; war with Hizbullah a hair trigger away; a scandal-plagued
political class facing a total loss of public faith. At a glance,
things aren't going well for Israel. But here's a puzzle: why, in the
midst of such chaos and carnage, is the Israeli economy booming like
it's 1999, with a roaring stock market and growth rates nearing China's?

Especialidades - NB: a do barrete frigio


19.6.07

O melhor da America - cartas de jogar para soldados com mensagens para proteger a arqueologia!



The U.S. Department of Defense is distributing 40,000 new decks of playing cards to troops in Iraq and Afghanistan. But rather than depicting Saddam Hussein and other wanted Baathists—as did decks issued at the beginning of the Iraq War—each card features an archaeological message.
The cards are also part of a larger archaeology awareness program for soldiers preparing for deployment at Fort Drum, New York. The goal, says Fort Drum archaeologist Laurie Rush, is twofold: to prevent unnecessary damage to ancient sites and to stem the illegal trade of artifacts in Iraq. By familiarizing troops with specific historical objects and sites, Rush hopes that they will know what to avoid when it comes to bivouacking or setting up gun installations. "Most troops are honorable people who want to do the right thing," says Rush. "But we're not naive. Damage to sites in this conflict is enormous."
The military has long recognized that educational playing cards are a good way to capitalize on the time soldiers spend waiting for orders; during World War II, cards were issued with silhouettes of Allied and Axis fighter planes. In the archaeology deck, each suit has a theme: diamonds for artifacts, spades for digs, hearts for "winning hearts and minds," and clubs for heritage preservation.

16.6.07

Dalida, por Diógenes o maltrapilho


Estive a ver umas entrevistas de Dalida.
Dalida, a italiana do Cairo que triunfou e se suicidou em França.
Gosto muito dela. É um símbolo do Mediterrâneo, como devia ser. Um mar que nos unisse e não que nos separasse.
As entrevistas que lhe faziam eram muito machistas para a altura: iam sempre de encontro ao ponto sobre porque é que ela não não tinha filhos. Ela aguentava a pergunta como um boxeur encaixa um directo. Cerrava os dentes e explicava-se, sem deixar o agressor tremer com o impacto da própria violência que acabara de infligir. Na atmosfera do tempo dizia timidamente “ bom, parece que chegou também a altura em que as mulheres têm que trabalhar...”
A razão era muito simples: Dalida sustentava a família e, a certa altura, a espiral esmagadora do negócio obrigara Dalida, a artista, a esmagar Iolanda, a pessoa humana. Também não encontrou o Amor definitivo que tanto procurou. Nunca se chegou a saber se matou Luigi Tenco. Não sei se Tenco era o Amor ideal dela mas, pelo menos, sabiam ambos que não havia par para nenhum deles neste Mundo. Como se dois desesperados sem raiva se encontrassem no deserto do Mundo, depois da Guerra nuclear universal.
Tinha outras qualidades além de cantar como ninguém a canção de Leo Férré “ Avec le Temps...”, não porque acreditasse na vitória final do Inverno sobre nós, mas porque soube dizer com uma voz de Esparta aquilo que o coração vermelho e negro do cátaro Ferré, tentava loucamente avisar ao Mundo. E enquanto Ferré, o anarquista, tinha ainda voz para gritar, Dalida, a de Direita, não se apercebia que era ela a heroína da própria canção.
Tinha, Dalida, outra qualidade: conseguiu pôr os amigos todos a almoçar ao Domingo com ela e fê-los todos viver na sua vizinhança em Monmartre. Também havia uma forma de Amor para estas “biscas” e estes “desacreditados” à volta daquela mesa dominical impecavelmente branca, onde a egípcia Dalida se esforçava por ser a Mãe e a Mulher que os outros não tinham tido. Quando a conversa amornava, Dalida alumiava-a. E, coisa extraordinária, quando alguém começava a dizer mal dum colega, Dalida levantava-se e ia-se embora para o quarto, em silêncio. Não deixava que dissessem mal de um colega.
Um dos convivas foi Bertrand Delanoe, actual Presidente da Câmara de Paris. Nele esteve esta diginidade trágica do Mediterrâneo que lhe dera Dalida, quando presidiu ao enterro dos cerca de quatrocentos solitários que morreram sem que ninguém os viesse reclamar durante o Verão excepcionalmente quente de 2003.
Não havia descanso neste mundo para Dalida. Deixou a luz acesa quando se matou.
Seremos nós capazes de a ir apagar? E de lhe fechar os olhos, com um afago?

10.6.07

La République légitime et la République disproportionnelle, par Pierre Nessuno

"Ao Maltês, e à República com que devemos guardar um Portugal com Rei"


Maximillien, l'Empereur du Mexique était fusillé par les troupes de Benito Juárez, à bout portant, le 19 Juin de 1867, il y a presque 140 ans.
Il était marié avec Charlotte de Belgique, fille du Roi Léopold I et il était le frère du Kaiser François-Joseph, donc membre d'une famille tragique.
Je n'ai pas le goût de contempler les os de ces victimes des Hommes.
Maximillien a été fusillé à cinq mètres, à gauche du général indien Mejìa ( dont il a dit, après le nommer comme réluctant Chef d'État majeur, malgré la noblesse coloniale hispanique:" vous êtes un azthèque, donc je ne vois sous ce toit personne de plus ancienne noblesse que vous"). Et du général d'origine espagnole, Miramon, à sa droite. Les dernières paroles de Maximillien ont été "Hombre!" après avoir commandé ses derniers souhaits en hongrois pour sa mère, et en italien pour sa femme dont la mort annoncée il se refusait de croire.
Et bien, qu'est-ce que ces deux généraux, un espagnol perdu dans le monde et un humble indien, on crié avant de mourir? "Viva la Republica mejicana! Viva el Emperador!"
C'est juste de dire que l'Empire du Mexique a été une construction de la France de Napóleon III, et d'un Empereur autrichien qui voulait exiler un frère, trop populaire par sa conscience sociale.
Et qu'importe ça aujourd'hui?
Il y a les empereurs sortis de la République coupeuse de têtes, des barroudeurs et de la Terreur qui ont l'art de séléctionner le champ de bataille, et faire croire que le choix entre eux et les opposants, c'est entre la volonté et la faiblesse. Ces Empereurs qui on profité de la divison inventée entre "Gauche" et "Droite", pour acquérir la légitimité qu'ils n'ont jamais eue, parce que la légitimité ne sera jamais l'obéissance à l'impératif éléctoral "Tu voteras!". D'un monde rasé au sol, cet'"Empire" est le coup de pied des faibles, la mensonge de la vitalité où le moi dissout l'Univers en lui.
Et pourtant... il y a aussi les Empereurs qui, bien qu'anachroniques, en parlant des langues étranges, en venant d'un monde lointain et improbable, en étant Rois dans une République, ne seront pas jugés parce qu'ils ne l'ont pas emporté dans le champ de bataille.
Ce sont les Empereurs du Coeur, qui régnent bien au-delà de leur mort physique.
Quand les gens se rétirent du champ de la démagogie, quand elles s'abstiennent sans paroles pour l'exprimer, ils ne sont plus lâches à cause de ça, ni démissionnistes: ils se gardent pour les tranchées où est l'armée des Empereurs morts qui ont encore le don de donner un coeur à la République de notre cécité...la République fêtarde de nos manipulations où la drogue de la majorité déguise l'ignorance et le mépris des Autres qui sont toujours les perdants, devant notre Moi impérialiste.

8.6.07

Um dia, por Pedro Cem

Ao Caro Anónimo com quem tive a sorte de debater o Santo Cura de Ars


Fazia hoje anos. A partir de agora, ou talvez de antes, faço anos como toda a gente que tem a sorte de os continuar a fazer. De longe a longe, com os passos rápidos, da sombra.
Há muito que passei a comemorar a hora, porque os dias dão pouco tempo para comemorações quando já aprendemos que o dia de aniversário é um dia para Servir os outros, e, só no fim, esse Eu que é ainda um Outro.
Naquela hora em que nasci, 2 da tarde, na Ribeira do Porto com o Sol pando e as peixeiras a gritarem, encontrei-me hoje no canto de um refeitório, sózinho. Ao lado, um moço africano, com o rosto suave de pupilo de missionários, pousava a cabeça olhando a parede, com aquela gratidão de todos os que neste mundo têm algo para comer. Estava só também, no seu trajo divertidamente branco de auxiliar de cozinha, sempre no extremo da mesa onde os outros trabalhadores o costumam enquadrar, entre o paternalismo e a galhofa. Lembrei-me dos tempos que passei em colégios ou escolas pouco ricas, ao partilhar a sua expressão de quem afagava a própria mente, vidrada nos olhos, esse caleidoscópio maravilhoso que Deus nos deu a todos e que contemplamos assim com o nariz um pouco pendente, quando o corpo está calado, como se nos ocorresse qualquer memória indefinida e olhássemos para dentro. É o suave leão da vida que nos ronrona debaixo da árvore do meio-dia.

Tive sorte. Consegui ver uma Mulher muito bonita com quem me cruzo às vezes e que me poupou a culpa de devolver o olhar. Também vi as floritas da Primavera no relvado que pareciam todas agitar-se para mim, como se viajasse de combóio, sentado no refeitório.

Senti ums desolada vontade de quem precisa desesperadamente que alguém lhe pegue na mão. E, de repente, uma dessas môscas da fruta começou-me a rondar. Lembrei-me do fundador destas Duas Cidades, Santo Agostinho e do que ele dizia sobre a utilidade das môscas: despertar-nos. Este "môsco" ínfimo tocou-me várias vezes, com suavidade, como se não fosse ele, mas ambos nos encontrássemos em vôo. As ínfimas criaturas de um dia têm também esta utilidade: chamar-nos suavemente a atenção para que existem. De tal modo que, quando me levantei, as minhas mãos deslizavam pelo manto das recordações da vida, como se pela orla do manto vermelho de uma Nossa Senhora e descobri que algo existe efectivamente, de nós para fora, ronronando desde antes das nossa vidas. O toque deste veludo, por uma vez que seja, vale bem a nossa passagem.

Um momento de procissão é a Vida em que levamos o altar da Senhora, de quem flui sem fim, o manto de veludo, entre os nossos dêdos. E todos vamos atrás, levando o véu, um pouco por graça, um pouco por galhofa.

Compreendi então o pobre Nietzsche,em Turim, agarrando-se aos soluços, ao pescoço do cavalo que um carroceiro espancava. Com a sua triste figura, numa rotura de lágrimas e sangue, ele não queria dizer que era esse próprio cavalo, chamando a atenção sobre si, nem queria testemunhar uma boa-nova de amor universal a todas as criaturas. Ele, o da sorte danada, agarrava-se exausto a esse veludo que nos pulsa ao contacto da pele como quem se agarrava à vida antes dela lhe começar a deslizar pelos dedos.

Será o EU todos os fenómenos? Não sei. Nem suspeito. O Eu e todos os fenómenos são como esse véu duma Nossa Senhora da Parvónia onde as nossas mãos passam, brevemente. E, sem saber porquê, todos pegamos no véu e o levamos na procissão, de mão em mão, deslizando entre os dedos.

7.6.07

PAÍS DE MUITO MAR, de Manuel Alegre

Foto de Luis Miguel Correia

Fui ao lançamento das "Doze Naus" de MAnuel Alegre e vim de lá refrescado com o seu belo livro. Entre as várias sugestões aqui fica o país "de muita História e cada vez menos memória". O verso faz-me lembrar o "pouca-terra " dos comboios do poema de Manuel BAndeira "Café com pão". Engraçado. Dois Manuéis, Dois lusitanos, um mesmo sentimento

PAÍS DE MUITO MAR
Somos um país pequeno e pobre e que não tem senão o mar
muito passado e muita História e cada vez menos memória
país que já não sabe quem é quem
país de tantos tão pequenos
país a passar
para o outro lado de si mesmo e para a margem onde já não quer chegar. País de muito mar e pouca viagem.

5.6.07

Tu quoque, Sanchez!



Perhaps Sanchez is not a great general. he is a good citizen,yet!

The man who commanded US-led coalition forces during the first year of the Iraq war says the United States can forget about winning the war.

"I think if we do the right things politically and economically with the right Iraqi leadership we could still salvage at least a stalemate, if you will -- not a stalemate but at least stave off defeat," retired Army Lieutenant General Ricardo Sanchez said in an interview.

Sanchez, in his first interview since he retired last year, is the highest-ranking former military leader yet to suggest the Bush administration has fallen short in Iraq.

"I am absolutely convinced that America has a crisis in leadership at this time," Sanchez told AFP after a recent speech in San Antonio, Texas.

"We've got to do whatever we can to help the next generation of leaders do better than we have done over the past five years, better than what this cohort of political and military leaders have done," adding that he was "referring to our national political leadership in its entirety" - not just President George W. Bush.

Sanchez called the situation in Iraq bleak, which he blamed on "the abysmal performance in the early stages and the transition of sovereignty."

2.6.07

Carta Aberta a Mário Lino, por Mendo Henriques

Carta Aberta a Mário Lino

27/05/2007 (54 leituras)

Exm.º Sr. Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Eng.º Mário Lino:

Refere a comunicação social de 24 de Maio de 2007 que, durante um
almoço-debate sobre "O Novo Aeroporto de Lisboa", promovido pela Ordem dos
Economistas, e que ficou assinalado pela sua intervenção, não direi tanto
famosa quanto notória, que “A margem Sul é um deserto” achou também
oportuno brindar os presentes com a afirmação que "O programa do Governo
não será avaliado por 22 senhores que escrevem livros, mas pelos eleitores
em 2009".

Referia-se decerto ao livro O ERRO DA OTA e creio falar em nome de todos
os seus autores.

Naturalmente que não inferimos das suas palavras que despreza os autores
de livros, nem a cultura em geral, nem a cultura técnica e profissional
que resulta do citado livro, escrito por especialistas independentes e
isentos com a consciência cívica de estarem a prestar um serviço ao país.

Também não inferimos das suas palavras que são inúteis estudos
preliminares e chamadas de atenção fundamentadas, quando estão em jogo
opções estratégicas para o país como seja “O Novo Aeroporto de Lisboa".

Não inferimos, ainda, das suas palavras que a democracia, para si, Sr.
Ministro, é um cheque em branco passado de quatro em quatro anos, não
tanto a um Governo, mas a um partido político que selecciona esse Governo;
sempre nos ensinaram que o poder legislativo tem a primazia sobre o poder
executivo e que o Presidente da Assembleia da República é a 2ª figura do
regime.

Tudo isto, senhor Ministro, damos por pacífico que não é questionado na
sua intrigante afirmação.

Mas, Sr. Ministro, ficamos preocupados que com tanta preocupação sua,
técnica e politica, e tantos dossiers a gerir, encontre tempo para
desqualificar quem com “honesto estudo” vem concluir em voz alta o mesmo
que indicam as sondagens de Abril e Maio de 2007, segundo as quais cerca
de 92 a 93% da população nacional, ponderando os votos, está contra a
localização na Ota do Novo Aeroporto de Lisboa.

Poderá V. Exª saber que o famoso poeta alemão Heinrich Heine escreveu em
1821 que “Onde queimam livros, acabam por queimar pessoas”. Sem dúvida que
jamais terá atravessado a mente de V. Exª queimar livros e muito menos
pessoas, ao longo da sua já longa carreira política. Mas só lhe pedimos
isto Sr. Ministro: tendo o Prof. António Brotas feito a oferta a V. Ex.ª
de um exemplar da citada obra, não queime também reputações e responda a
quem merece resposta pelos depoimentos fundamentados que prestaram, como é
o caso dos 22 autores de O ERRO DA OTA E O FUTURO DE PORTUGAL

Mendo Henriques

Sir Michael Rose - Mudem de Atitude!


General Sir Michael Rose, who commanded the United Nations Protection Force in Bosnia-Hercegovina from 1994 to 1995, said coalition forces in Iraq were facing an impossible situation."

"There is no way we are going to win the war and (we should) withdraw and accept defeat because we are going to lose on a more important level if we don't," he said.

Though the coalition could not simply "cut and run," Rose said announcing a withdrawal date would help to dampen down the violence between Sunni, Shia and Kurdish factions.

"Give them a date and it is amazing how people and political parties will stop fighting each other and start working towards a peaceful transfer of power," he said.

Rose was speaking at the annual Hay Festival of Literature and the Arts in Hay-on-Wye, on the Welsh border with England.

The retired general who has written a book on the American War of Independence, made comparisons with the 1775-1783 conflict between Britain and the Thirteen Colonies.

He said: "How was it a small and extremely determined body of insurgents, thieves and deserters could inflict such a strategic and potentially disastrous defeat on the most powerful nation in the world? "The answer will be familiar to anybody who is looking at what is happening in Iraq today. "Those who don't read history are condemned to repeat the mistakes of the past." He said the allies in Iraq should have deployed more troops and not used a conventional war strategy.

"You don't win wars by regime change but by changing attitudes," he said.

He said that Iraq should have been low on the priority list compared tHe said that Iraq should have been low on the priority list compared to Afghanistan, conflicts in Africa and the battle against international terrorists."

31.5.07

Nossa Senhora da Atalaia, por Pedro Cem

Nossa Senhora da Atalaia tem um altar no Cabo Espichel em Sesimbra. Quando sai à rua em dias de festa, no andor, aos ombros de quem conhece a morte no Mar, talvez se comova por esta dor e este amor ao infinito que já ninguém crê, que uns repetem sem saber e outros crêem, baixando a cabeça frente a um mundo que os gozaria se se tentassem exprimir.

"Há aqui lugar para uma lágrima", diz-me alguém que muito amo, no meio da sua confusão de frases desgarradas por uma doença de Alzheimer galopante.

Li hoje que uma mulher desesperada por não conseguir tratar da sua filha deficiente de 25 anos, a quem tinha de assistir a comer e a movimentar-se, escolheu o Cabo Espichel para se matar, a ela mais à filha. Aconteceu de manhã, quando toda a gente se incorpora na grande serpente de carros da margem Sul. Hesitou -- disso são testemunho as travagens do carro à beira do precipício . Por fim mergulhou dentro desse bem que foi uma das conquistas do nosso progresso: um carrito para todos. Mãe e filha tiveram morte imediata. Não era casada, vivia com um modesto Canalizador que tratou da mãe e da filha, desde que esta era bébé. O homem disse que além do fardo da filha deficiente, não encontrava outras razões para aquilo. É que no húmus dos canos se pode espreitar e, às vezes, ver o Céu...

Nossa Senhora da Atalaia, que guardo ao meu lado encostada a um livro. De pele branca e cabelo prêto, muito prêto e desalinhado como essas mulheres mediterrânicas, da Grécia talvez, que acordam zonzas numa terra de sol que não era delas, mas com a mesma sombra por dentro, que o Mar nos desenhou pelas escarpas. Eu sei que te condoeste deste drama e talvez a meio da queda tivesses agarrado estas duas mulheres unidas para sempre, desde a barriga da mãe. Como agarras os pescadores que caiem ao Mar, como os puxas para baixo ternamente, no teu manto azul, ao cabo da tormenta sem fim.

Não nos rejeites Mãe do Mar, Nossa Senhora da Atalaia. Não nos deixes despertos apenas ao leme, mas também para ver a dor dos outros que tantas vezes nos passa despercebida e nos ensines a ver estas famílias pequeninas e estropiadas que são o teu presépio, alumiado no egoísmo do Verão.

22.5.07

Simple Minds, by Pedro Cem

They were always the same. They didn't take longer than a second of a second in a small Universe, among Universes. They were just a dream of a minute. They did it all, all from California, first the snappy and clumsy gestures from the sixties, then the unbalanced walking on the high-heeled shoes from the seventies and the worried beards of the eighties, then again the disparaged looks of people payed to decay in slow motion. Dennis Wilson, the drummer of the Beach Poys, over successive desintoxications of booze and chemicals, said good-bye in Atlantic City, with his beautiful performance of "You are so beautiful (to me)", when nobody loved him any more. He took a bow, livid as death, and drowned a few days later in the Ocean. He used to say: what I'm really addicted to, is to see people in front of me, being happy, having a good moment. This meant nothing, neither in Politics, nor in Philosophy, but it meant something for this human being. Brian Wilson, the Poet who created " I heard a word/ wonderful thing/a children song", stood four years in a room, managing to avoid the world, until the others thought it was too subversive to wake up one morning and decide never to walk out again from bed.
But they left something. They were even polite to jazzers, saying in a sweet rock'n'roll song that they just missed the melody in modern Jazz. They resisted Vietnam with their frail lives, they missed the opportunity of Woodstock, they performed for Ronald Reagan in a humble way, just grateful for being received on the 4'th of July of 1986, with their beards and their different statures of american pilgrims, eroded by the wind which often whistles frozen cold through the walls of US hearts. They were genuinely happy for being invited after many difficulties and hesitations, due to their "leftist inclinations", as a kind of charity guests for the 200 hundred years of America. They didn't boast, they didn't choose the correct songs either and they shook hands with an eternal-youth Reagan, as southern soldiers surrendering to the North, still enormously strong in their humility and courage.
In the Beach Boys there is this innocence and purity of the pilgrims of the Earth. They got forever hypnotized by the sun in the waves which unfold as a fabulous animal, they could never close their eyes again in a never-ending daydream, they couldn't be violent, nor clever, nor strong. Simple peasants in front of the big, big ocean. Simple minds forever...doesn't this sound wonderful? And they were clever enough just not to wake up again, ever. The rest was just struggle to keep in front of the Sea, till the sweet primeval Wave took them home.
What I like in this kind of american pilgrims is they never, never managed to lose their humility...

13.5.07

O género literário do "convite para comunicação"

Devo receber por mês uns quatro ou cinco convites para ser orador em conferências. CREIO QUE ACEITO CERCA DE METADE. Devo fazer por ano umas vinte a trinta conferências, em 90% dos casos gratuitamente, quase sempre, mas nem sempre, com as despesas pagas de deslocação.
Mas este género literário do "convite" banalizou-se de tal modo que há quem julgue que basta MANDAR O SECRETARIADO carrgegar num botão de uma lista de e-mails para obter respostas com o requentado "Agradecendo desde já a sua colaboração, envio-lhe os meus cumprimentos."
Tendo eu recebido mais um desses "convites" abaixo transcrito, ocorreu-me responder e comentar o que ainda mais abaixo se transcreve e que espero tenha um sentido elevado.

Exmo. Senhor

Dr. Mendo Castro Henriques ( EU ATÉ SOU PROF. DOUTOR, DAQUELES COM AS DATAS CERTAS, E ISSO ATÉ LHES INTERESSA, MAS ENFIM: DEIXA P'RA LÁ)

Caro Amigo ( NÃO É EVIDENTE)

O IEEI lançou em Outubro de 2006 o II Debate Nacional sobre o Futuro da Europa, (NUNCA TINHA OUVIDO FALAR) um exercício de auscultação ( TERMO CIENTIFICAMENTE CURIOSO) das preocupações dos cidadãos portugueses no que respeita às grandes questões da actualidade europeia. O projecto é co-financiado (AINDA BEM PARA ALGUNS) pela Comissão Europeia no âmbito do seu ‘Plano D’ (D DE DÍVIDA? DE DEUTSCHLAND?; DE DARFUR? NÃO; É MESMO SÓ "D"... BRUXELICES)

Tal como no primeiro Debate Nacional, que decorreu em 2002/2003, (POIS...) o projecto vai culminar no II Congresso Portugal e o Futuro da Europa, (COMO É QUE CULMINA A AUSCULTAÇÃO ?) o momento por excelência para fazer o ponto do debate europeu em Portugal, nas vésperas do início da Presidência portuguesa da União Europeia e ainda na sequência do 50º aniversário dos Tratados de Roma. Esta iniciativa vai reunir personalidades ( PERSONALIDADES?? QUE GIRO!!! ) nacionais e estrangeiras ( ESTRANGEIRAS???? ENTÂO NÃO SOMOS TODOS CIDADãOS EUROPEUS???) que tenham tido um papel relevante no processo de integração europeia e se disponham agora a reflectir sobre o futuro da Europa (AINDA ESTÂO SÓ A REFLECTIR????).

Os trabalhos do Congresso de 25 e 26 de Junho, ( QUE INTERESSANTE ENVIAR calls for papers 40 DIAS ANTES..) como poderá constatar pelo programa em anexo CLARO QUE NÃO CHEGUEI A CONSTATAR COISA NENHUMA), desdobram-se entre sessões plenárias e grupos de trabalho (LUTA DE CLASSES EM PERSPECTIVA), sendo que para estes últimos foram identificados/definidos três grandes temas gerais: (REDUNDANTE)

Valores , objectivos e políticas da União

A Dimensão Económica e Social

A Europa no Mundo.

Nos grupos de trabalho serão apresentados e discutidos textos originais – a que chamamos ‘teses’ –, ( ISTO É, PARA O PROLETARIADO INTELECTUAL) que no seu conjunto serão um contributo para as conclusões do Congresso.

Para garantirmos (NINGUEM GARANTE NADA) o sucesso desta iniciativa, é importante contarmos com a participação daqueles que regularmente se dedicam a acompanhar as temática em discussão (AQUI ACREDITO). Assim, queria pedir-lhe que nos apresentasse uma tese (2 páginas A4) sobre o tema geral A Europa no Mundo, mais propriamente sobre Multipolaridade e Poder. Encontrará em anexo uma lista com os temas dos Grupos de Trabalho, e com os sub-temas. Se desejar apresentar a sua contribuição sobre um outro tema que não o sugerido, peço-lhe o favor de o indicar. (AQUI HÁ LIBERALIDADE. PENSANDO MELHOR: É O VALE TUDO..DESDE QUE ENCHA.)

A sua tese não deverá exceder os 5000 caracteres, e deverá ser enviada, caso aceite o nosso convite, o mais tardar até 31 de Maio. (AFINAL É SÓ 18 DIAS ANTES). A tese, para além de indispensável à boa organização dos grupos de trabalho, fará parte do volume de documentação distribuído a todos os participantes no Congresso, facultado à imprensa e difundido tão largamente quanto possível.

Aos autores de teses, que venham de fora de Lisboa, (O RESTO É PAISAGEM) o IEEI pagará a estadia nos dias do Congresso.

Agradecendo desde já a sua colaboração, envio-lhe os meus cumprimentos.


Caro Sr. NN:

Se assim o posso dizer, tenho todo o gosto em declinar o seu "convite".
Convites têm o seu formalismo até porque quem, como eu, não trabalha para a indústria dos pareceres nem opina em trabalhos subsidiados, apenas elabora trabalhos gratuitos se entender que os convites se revestem de relevância científica e nacional. Não é o caso.

O que me foi enviado foi um simples" call for papers", que lhe ficaria bem a si ou á sua organização assim designar e que pelos motivos aduzidos me fica igualmente bem recusar
Atentamente

Mendo Castro Henriques

10.5.07


Sai a 14 de Maio o livro «OErro da Ota e o Futuro de Portugal».

Prof. Eng.º António Brotas, Prof. António Barreto, Escultor Cerveira Pinto, Prof. Eng.º António Diogo Pinto, Prof. Doutor Galopim de Carvalho, Arq.º Carlos Sant'ana, Eng.º Frederico Brotas de Carvalho, Arq.º Gonçalo Ribeiro Telles, dr. José Carlos Morais, Major General PilAv, José Krus Abecasis, General José Loureiro dos Santos, Judite França, Arq.º Luís Gonçalves, Prof. Mendo Castro Henriques, Dr. Miguel Frasquilho, Patrícia Pires, Dr. Pedro Quartin Graça, Engº Reis Borges, Dr. Rui Moreira, Rui Rodrigues, Eng.ª Teresa Maria Gamito e Dr. Vítor Bento.
Mais informações aqui.
O panorama traçado pelos autores revela que não está apenas em jogo decidir se o novo aeroporto de Lisboa deve ser grande e substituir o da Portela; se deve ser mais pequeno e servir os voos de Baixo Custo e combinar-se com o actual, na solução Portela +1; ou se deve haver um novo aeroporto na grande banda de território plano entre Tejo e Sado que vai desde o Campo de Tiro de Alcochete até à Marateca. O que está em jogo exige começar por “sentir o território”; tentar perceber a geografia da região metropolitana de Lisboa; quais as potencialidades dos grandes estuários e a ligação dos corredores do Tejo e Sado; as vulnerabilidades da expansão a Norte do Tejo; a abrangência e as ameaças ambientais ao aquífero da península de Setúbal; a rede de ligações mar e terra, os portos e o transporte ferroviário e rodoviário.


Em segundo lugar, os autores deste livro rejeitam a Ota. Foi uma decisão mal preparada por sucessivos governos; mal fundamentada do ponto de vista técnico; acompanhada da ocultação e da manipulação de estudos; e desacompanhada por precauções relativamente à especulação fundiária:rejeitam o erro da Ota que contraria toda e qualquer normalidade de procedimentos de “bom senso”

Em terceiro lugar, aceitam que a Portela tem de ser complementada por um novo Aeroporto que deverá surgir de uma perspectiva de implementação faseada. O novo Aeroporto Internacional terá de reservar espaço de desenvolvimento para todo o século XXI. Para isso, o território em que se implanta deve ser bem compreendido, e as ligações com portos e ferrovias bem estabelecidas porque, em futuro próximo, as contingências ambientais limitarão a correcção de trajectória.
Mais notícias sobre o Erro da Ota. em primeira mão, aquino somosportugueses.

9.5.07

Uma Carta para o arraial do barrete frígio - MAnuel Alves

Sob o título "Aos Republicanos", o historiador João Medida publicou hoje no Jornal de Letras, uma Carta que julgo deve merecer a atenção de todos os que, como eu, entendem que a Instituição Real é a que melhor pode servir na Suprema Magistratura de um Estado verdadeiramente republicano e português.Pedindo perdão aos seus "compatriotas de barrete frígio", João Medina vem dizer "com franqueza e sem quaisquer intuitos de desafio ou provocação, a dois anos do centenário da data da implantação da I República", "em termos simples, cordatos e benévolos": "… não creio que valha a pena preparar, oficialmente, ou mesmo em meios académicos, a celebração dum mau defunto que foi esse regime de década e meia de vigência atarantada, e que, bem feitas as contas, teve nada menos do que 47 governos que a desgovernaram por trancos e barrancos (...) de atribuladíssima e caótica duração, com muitas bernardas castrenses de permeio, sedições várias, tumultos constantes e quase sempre mais ou menos sangrentos, de atropelos à legalidade e ditaduras disfarçadas ou às escancaras, sem falar da Ditadura das Urnas, com o 'partido democrático' do dr. Afonso Costa (aquele homem de Direito que foi uma vez ao Porto, em 1902, com uma soqueira, para agredir à traição o Sampaio Bruno), mais uma participação em tudo funesta e catastrófica nos conflitos europeu e africano, e, por fim, uma degola que nos privou da Liberdade, com certa lógica fatal depois de tanta bagunça, desassossego, insensatez política e falta de implementação mínima dum regime sério de Cidadania, Educação generalizada ou Progresso material, porquanto nem se educou o povo, nem se fez de cada português um cidadão livre, nem se melhorou a vida dos portugueses".A concluir, João Medina lança aos correligionários algumas perguntas: "Em 2010 vamos, em suma, celebrar o quê? O começo dum erro imenso e desastroso para o país que somos? A nova versão da comédia offenbaquiana da monarquia constitucional, agora em versão sanguinolenta? (...) Não seria melhor, em vez de celebrarmos o 5 de Outubro, rezarmos-lhe um responso (laico) pela pobre alma penada que ele foi? Antes isso do que comemorar uma República sem republicanos, como a nossa é."Fazemos nossas as palavras citadas do seu balanço da I República, mas acrescentamos ao desalento das suas interrogações finais: se o que é nefasto não se celebra, pode no entanto ser comemorado com a História diante dos olhos, como aliás o historiador, o ensaísta, e Professor Catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, acaba de fazer nos trechos que escolhi desta Carta. Como deixou escrito D. Jerónimo Osório, nas vésperas do nefasto 1580, "A História é proveitosa para adquirir prudência, poderosa para despertar virtudes, saudável para sanear as feridas da República".

Sarkozy -1, Ségolène - 0, par Pierre Nessuno

Qu'est-ce qu'il y a en commun entre Nicholas Sarkozy et le Philosophe Arthur Schopenhauer? On dit qu'ils ont, touts les deux, fait un pacte avec le Diable. Le premier parce que, pendant qu'il voulait dédier sa vie à la Philosophie et la Littérature, il a agréé à une voyage pour l'Europe que son père lui offrait, à condition que son fils accepterait devenir homme d'affaires comme lui. Il l'a fait, en comptant sur les bénéfices du voyage pour le développement de ses idées mais il a du donner presque 14 ans de sa vie dans un bureau, d'où seulement sa mère le libèra, brisé en larmes. Il est résté un homme amer et sensitif, d'une forme extrême, jusqu'à la fin de sa vie.
Et Sarkozy? On raconte beaucoup de choses vers son ambition demésurée, vers ses méthodes, mais, maintenant que le jugement des urnes s'est incliné vers lui, on ne voit que le splendeur du bâtiment, en oubliant les ombres de ses fondememts. Nicholas Sarkozy ne semble pas amer, bien que de la physionomie de deux, Schopenhauer et Sarkozy, se détachent les yeux bleus, vivaces et victorieux dans le visage tordu de Schopenhauer, insomnes et malins dans le visage exauste, presque déprimé, de Sarkozy. On dirait qu'en Schopenhauer , celui-ci a du tromper Mephisto qui revenait pour réaliser son crédit, tandis que Sarkozy semble encore très loin de ce moment-là.
Y-a-t'il une prière contre ces ombres? Oui. Il y a une prière pratique: une formule politique qui séduit la masse des citoyens en les poussant jusqu'à des choix de plus en plus étroits et irréversibles, est un règime qui conduit à la guillotine. La Gauche et la Droite ont été une création d'un vertige qui a mené, en peu de temps, le visage et la tête humaine d'une Nation a être tranchée. C'est vrai que le Parti Socialiste, autre Instituition de la France des Jacques du Moyên-Age et de la Fronde du Parlement de Paris, a créée le Front National, parce que les préocupations nationales et sociales étaient communes, entre gens de ville et gens de Province. Et c'est vrai aussi que la Superbe française de Napoléon a créée la Révolution Permanente et l'empire-ou-la-mort. Dans cette frime, dans cet'effroi, il n'y a lieu que pour un jour de tempête où se croisent les obscurités nuageuses et les éclairs étincelants. On doit faire un choix final, élire un Empereur et marcher avec lui.
Mais il me semble que, cette fois, la Marianne éloquente n'a pas été soumise ni par la violence, ni par l'amour, mais par la fuite, pendant que le vieillard des Guerres et des batailles, le breton de la Mer où les pêcheurs disent que c'est mieux ne savoir pas nager pour mourir sans douleur, s'est rétiré sous l'ombre inépuisable de la Méditérranée comme dans un coquillage.
Au millieu de tant de volonté de triomphe, de vólonté d'Empereur dans une Nation qui se prend pour la mère de toutes les Républiques, j'ai entendu quelqu'un qui a décidé de oublier cette chanson guerrière, chantée d'ailleurs avec des verses différents par des érangés vengeurs et par des vendéens en rage, la Marseillaise. C'était François Bayrou qui, en chantant tout seul, devant la foule de ses supporteurs, une simple chanson paysanne, du Sud, une chanson d'amour à la France et à la vie, a résumé, pour moi, la France pure et persistante de Ste. Jeanne d'Arc.
S'il était sorti vainquer ça signifierait une France plus soluble dans une Europe bureaucratique? Peut-être, mais ça serait une France plus humaine, aussi.

8.5.07

Shop until the planet drops , By: Jon Rynn

A specter is haunting the world, but it is not a well-defined ideology,
like capitalism or communism. And yet, since World War II, it has been
responsible for more destruction than these ideologies, creating a
civilization that is copied the world over, one that specializes in
using up as much oil and coal, forests and land as possible. It is the
specter of suburbanism, the idea that it is everybody’s God-given right
to live as far away from work, shopping, recreation and friends and
relatives as one wants to. Now that we are confronted with a virtually
intractable set of global problems, what is the recommended path to
global safety that seems to emanate from this “non-negotiable
lifestyle”? Shopping, of course!By compartmentalizing political, economic, and even
ecological theory,
the fate of the planet is being jeopardized. By concentrating on just
politics, a political theorist does not consider the importance of
being a good steward for the economy and ecosystems. The discussion of
political democracy is impoverished, because it should be clear by now
that excessive concentration of economic power leads to a thoroughly
warped democratic political system.