Não significou, no caso brasileiro, o episódio de substituição da Monarquia pela República, em 89, repúdio absoluto do brasileiro ao regímen monárquico e sim a alguns dos seus característicos, entre os quais o abuso de centralização de poder, contra o qual vinham se acumulando, em numerosos brasileiros das diversas Províncias do Império, vítimas daquele abuso, ressentimentos seguidos por pendores descentralizadores ou, em têrmos políticos, federalistas. Era um abuso que poderia ter sido corrigido dentro do sistema monárquico de govêrno: a idéia, aliás, de Joaquim Nabuco: o Joaquim Nabuco naqueles dias mais revolucionário do que conservador, grande participante que fôra, de modo românticamente radical, da campanha abolicionista, também ela - essa campanha - antes expressão de um processo brasileiramente revolucionário, vindo de época pré-nacional do desenvolvimento social brasileiro, do que revolução específica no sentido convencionalmente patibular ou trágico de revolução.
( Mais em http://www.somosportugueses.com/mch/modules/icontent/index.php?page=753)
22.1.08
20.1.08
Esperança --- Uma num milhão

Princesa Dona Isabel,
Mamãe disse que a senhora
Perdeu seu trono na terra,
Mas tem um mais lindo agora.
No céu está esse trono,
Que agora a senhora tem,
Que além de ser mais bonito
Ninguém lho tira, ninguém.
Cantiga popular brasileira a propósito de D. Isabel de Bragança que ao assinar a Lei nº. 3353, a Lei Áurea (lei de ouro), redimiu da responsabilidade de governantes dos povos português e brasileiro, que haviam escravizado os negros. Também redimia a história do Império brasileiro, cuja mancha negra fora sempre a ESCRAVIDÃO. Por fim, remia a todos os negros do Brasil, os que ainda se encontravam no cativeiro - cerca de 600 a 700 mil -, mas a todos, que passavam a CIDADÃOS BRASILEIROS.
18.1.08
Carta dirigida ao Jornal “Acção Socialista”
Com uma saudação ao Rui Monteiro aqui fica do Causa Monárquica
Carta dirigida ao Jornal “Acção Socialista”
No dia 1 de Fevereiro faz exactamente 100 anos que D.Carlos e seu filho foram brutalmente assassinados. Mais uma vez naturalmente que vem a questão de Regime ao de cima, Republica ou Monarquia. Contrariamente ao que se pensa em alguns sectores da sociedade, não é uma questão ideológica de esquerda ou direita. A questão de regime não tem cor política e nunca deve ser pensada dessa forma, existem militantes nossos que são simpatizantes tanto da Republica como outros são da Monarquia. Alguns podem advogar que à 100 anos não havia democracia e liberdade, tão profundamente errados estão. À 100 anos existia uma Monarquia Constitucional em Portugal : existia um Constituição que não proibia outros tipos de regime, existia um Governo, existia um Parlamento e existia um Chefe de Estado Legítimo. D.Carlos à luz da Constituição da altura era Legítimo porque tinha sido “Aclamado” ou votado pelos deputados da Câmara dos Pares ou Parlamento, nenhum Rei depois de D.Pedro IV podia pensar que sucedia automaticamente sem ser votado pelos deputados, inclusive os republicanos que tinham assento no Parlamento. Por comparação, hoje O Tratado de Lisboa vai a votos pelos deputados no Parlamento porque se acha que como os deputados representam o Povo Português a votação no Parlamento é Legítima. Se a a votação do Tratado é Legítima pelos Deputados não podemos pensar que todas as “Aclamações” de Reis na Monarquia Constitucional não eram legitimas, o instrumento era o mesmo o Parlamento.
As Monarquias Constitucionais funcionam em toda a Europa assim, não se deixa de ter países democratas e os cidadãos não se queixam de falta de Liberdade. Vantagens há muitas, ficamos com um Chefe de Estado Imparcial e independente de qualquer partido político podendo este ter coerência e autoridade moral já para não dizer política. Rei podia para além de ser votado pelo Parlamento ser também sufragado com um referendo a nível nacional da mesma forma como aconteceu em Espanha em 1978 quando a Constituição Monárquica Espanhola foi referendada, as Cortes têm o Poder de poder destituir um Chefe de Estado caso se ache que ele não desempenha condignamente as suas obrigações para com o País. Acima de tudo ficamos um Juiz Imparcial estável que nos permite ter a garantia de uma Governação justa, nunca se põe o problema “de um presidente um primeiro-ministro” da mesma cor política salvando a possibilidade de uma possível “ditadura” a balança fica equilibrada. Para além disto tudo o país ganha prestígio Internacional.
A Nação ou Pátria ( palavra que não tem cor política ) ou melhor entidade Nacional fica reforçada, a Coesão Nacional é uma vantagem com a Monarquia temos o exemplo recente de como o Rei da Bélgica conseguiu aguentar o país durante 6 meses sem ser possível constituir um governo. Outra das grandes vantagens que se verifica nos países monárquicos europeus é a popularidade dos Chefes de Estado onde a taxa de simpatia ultrapassa em quase todos 70%, quem não gostou da frase “porque não te calas ?” de D.Juan Carlos ? Segundo um estudo em Portugal 60% foram a favor, em Espanha foram muitos mais. Enquanto que o facto de haver abstenções de mais de 40% nas eleições presidenciais levanta algumas dúvidas quanto à simpatia dos chefes de estado, precisamos de estar todos a remar no mesmo sentido.
Verifica-se também que dos 27 países Europeus dos 10 primeiros 7 são monarquias, é inquestionável que estes países depois da 2ª Guerra conseguiram prosperar e mais uma vez a Democracia e Liberdade não foram postos em causa. Tem melhor qualidade de vida e economias fortes.
Segundo um estudo da Revista Visão de Outubro de 2007 a Monarquia fica mais barata : por comparação quando se gasta 16 milhões de euros anuais com a presidência portuguesa a Casa Real Espanhola gasta só 9 milhões de euros tendo como encargos a Família Real e a Conservação dos Monumentos e Propriedades da Coroa.
O Povo Português passados 100 anos do Regicídio e 97 da Revolução do 5 de Outubro ainda não foi chamado a dar a sua opinião sobre a “Questão de Regime”, podemos dizer que neste momento temos uma Democracia Saudável e como tal estamos numa boa altura para se fazer um Referendo. Sem esta questão ser respondida pelo Povo não podemos afirmar que temos uma Democracia plena.
O processo judicial levantado pelo Regicídio que ia a julgamento em Outubro de 1910 nunca foi julgado, os culpados nunca foram julgados. Independentemente de serem Rei e Príncipe Real, D.Carlos e D.Luis Filipe eram seres Humanos e nenhum Ideal Político tem a legitimidade de tirar a vida de quem quer que seja, senão a democracia e liberdade são postas em causa.
Obrigado pela atenção
Rui Alexandre Paiva Monteiro
Militante nº34045 do Partido Socialista pela Secção de Aveiro
Carta dirigida ao Jornal “Acção Socialista”
No dia 1 de Fevereiro faz exactamente 100 anos que D.Carlos e seu filho foram brutalmente assassinados. Mais uma vez naturalmente que vem a questão de Regime ao de cima, Republica ou Monarquia. Contrariamente ao que se pensa em alguns sectores da sociedade, não é uma questão ideológica de esquerda ou direita. A questão de regime não tem cor política e nunca deve ser pensada dessa forma, existem militantes nossos que são simpatizantes tanto da Republica como outros são da Monarquia. Alguns podem advogar que à 100 anos não havia democracia e liberdade, tão profundamente errados estão. À 100 anos existia uma Monarquia Constitucional em Portugal : existia um Constituição que não proibia outros tipos de regime, existia um Governo, existia um Parlamento e existia um Chefe de Estado Legítimo. D.Carlos à luz da Constituição da altura era Legítimo porque tinha sido “Aclamado” ou votado pelos deputados da Câmara dos Pares ou Parlamento, nenhum Rei depois de D.Pedro IV podia pensar que sucedia automaticamente sem ser votado pelos deputados, inclusive os republicanos que tinham assento no Parlamento. Por comparação, hoje O Tratado de Lisboa vai a votos pelos deputados no Parlamento porque se acha que como os deputados representam o Povo Português a votação no Parlamento é Legítima. Se a a votação do Tratado é Legítima pelos Deputados não podemos pensar que todas as “Aclamações” de Reis na Monarquia Constitucional não eram legitimas, o instrumento era o mesmo o Parlamento.
As Monarquias Constitucionais funcionam em toda a Europa assim, não se deixa de ter países democratas e os cidadãos não se queixam de falta de Liberdade. Vantagens há muitas, ficamos com um Chefe de Estado Imparcial e independente de qualquer partido político podendo este ter coerência e autoridade moral já para não dizer política. Rei podia para além de ser votado pelo Parlamento ser também sufragado com um referendo a nível nacional da mesma forma como aconteceu em Espanha em 1978 quando a Constituição Monárquica Espanhola foi referendada, as Cortes têm o Poder de poder destituir um Chefe de Estado caso se ache que ele não desempenha condignamente as suas obrigações para com o País. Acima de tudo ficamos um Juiz Imparcial estável que nos permite ter a garantia de uma Governação justa, nunca se põe o problema “de um presidente um primeiro-ministro” da mesma cor política salvando a possibilidade de uma possível “ditadura” a balança fica equilibrada. Para além disto tudo o país ganha prestígio Internacional.
A Nação ou Pátria ( palavra que não tem cor política ) ou melhor entidade Nacional fica reforçada, a Coesão Nacional é uma vantagem com a Monarquia temos o exemplo recente de como o Rei da Bélgica conseguiu aguentar o país durante 6 meses sem ser possível constituir um governo. Outra das grandes vantagens que se verifica nos países monárquicos europeus é a popularidade dos Chefes de Estado onde a taxa de simpatia ultrapassa em quase todos 70%, quem não gostou da frase “porque não te calas ?” de D.Juan Carlos ? Segundo um estudo em Portugal 60% foram a favor, em Espanha foram muitos mais. Enquanto que o facto de haver abstenções de mais de 40% nas eleições presidenciais levanta algumas dúvidas quanto à simpatia dos chefes de estado, precisamos de estar todos a remar no mesmo sentido.
Verifica-se também que dos 27 países Europeus dos 10 primeiros 7 são monarquias, é inquestionável que estes países depois da 2ª Guerra conseguiram prosperar e mais uma vez a Democracia e Liberdade não foram postos em causa. Tem melhor qualidade de vida e economias fortes.
Segundo um estudo da Revista Visão de Outubro de 2007 a Monarquia fica mais barata : por comparação quando se gasta 16 milhões de euros anuais com a presidência portuguesa a Casa Real Espanhola gasta só 9 milhões de euros tendo como encargos a Família Real e a Conservação dos Monumentos e Propriedades da Coroa.
O Povo Português passados 100 anos do Regicídio e 97 da Revolução do 5 de Outubro ainda não foi chamado a dar a sua opinião sobre a “Questão de Regime”, podemos dizer que neste momento temos uma Democracia Saudável e como tal estamos numa boa altura para se fazer um Referendo. Sem esta questão ser respondida pelo Povo não podemos afirmar que temos uma Democracia plena.
O processo judicial levantado pelo Regicídio que ia a julgamento em Outubro de 1910 nunca foi julgado, os culpados nunca foram julgados. Independentemente de serem Rei e Príncipe Real, D.Carlos e D.Luis Filipe eram seres Humanos e nenhum Ideal Político tem a legitimidade de tirar a vida de quem quer que seja, senão a democracia e liberdade são postas em causa.
Obrigado pela atenção
Rui Alexandre Paiva Monteiro
Militante nº34045 do Partido Socialista pela Secção de Aveiro
14.1.08
Vivemos em ...!
"COMO PODEM OS REPUBLICANOS DEFENDER A DEMOCRACIA SE ACABARAM COM ELA EM 1908?"
Com agradecimentos ao Luís BArreiros
Com agradecimentos ao Luís BArreiros
13.1.08
Oh Sr. Presidente...!
"Na sua mensagem de Ano Novo, no dia 1º. de Janeiro, o Presidente Cavaco Silva, entre
outras chamadas de atenção, referiu as desigualdades sociais que se têm aprofundado
no país nos últimos anos, salientando, no que toca a salários"
MAs.... quando começou a tendência?
11.1.08
Aterrar em Alcochete
O Governo aprovou o Campo de Tiro de Alcochete como localização do novo aeroporto internacional de Lisboa, ficando afastada a opção pela Ota. Foi a vitória do bom senso e do ordenamento. Mas não foi uma vitória dos governos. (...)
Também é preciso extrair consequências políticas de todo este processo. É patente que a Democracia é a decisão do Estado precedida por debate na sociedade ciil. A decisão por Alcochete foi boa porque, desta vez, o Estado não foi arrogante.
Mas agora vem o grande desafio do ordenamento. O desenvolvimento integrado do território que se estende desde o litoral alentejano a Espanha, pode começar pelo grande estaleiro de obras na Europa que será o NAL em Alcochete. É preciso apressar a ligação Lisboa Madrid em comboios de Alta Velocidade. É preciso assegurar a terceira travessia do Tejo pelo Montijo.
É preciso que a ligação ferroviária em Alta Velcidade com o Norte se faça pela margem esquerda do Tejo Mas está o Governo preparado para coordenar estas políticas sectoriais de transportes? Existe visão estratégica para perceber que o ordenamento está nas nossas mãos e não depende nem de Bruxelas nem de Washington? Poderemos continuar a ver aprovados quase clandestinamente programas como o PROT.AML, sem ponderarmos alternativas sobre a localização de grandes equipamentos estruturantes?
A escolha de Alcochete foi uma vitória do ordenamento. Agora faltam outras decisões críticas para as quais o país tem de continuar vigilante.
Leia aqui o artigo todo
Também é preciso extrair consequências políticas de todo este processo. É patente que a Democracia é a decisão do Estado precedida por debate na sociedade ciil. A decisão por Alcochete foi boa porque, desta vez, o Estado não foi arrogante.
Mas agora vem o grande desafio do ordenamento. O desenvolvimento integrado do território que se estende desde o litoral alentejano a Espanha, pode começar pelo grande estaleiro de obras na Europa que será o NAL em Alcochete. É preciso apressar a ligação Lisboa Madrid em comboios de Alta Velocidade. É preciso assegurar a terceira travessia do Tejo pelo Montijo.
É preciso que a ligação ferroviária em Alta Velcidade com o Norte se faça pela margem esquerda do Tejo Mas está o Governo preparado para coordenar estas políticas sectoriais de transportes? Existe visão estratégica para perceber que o ordenamento está nas nossas mãos e não depende nem de Bruxelas nem de Washington? Poderemos continuar a ver aprovados quase clandestinamente programas como o PROT.AML, sem ponderarmos alternativas sobre a localização de grandes equipamentos estruturantes?
A escolha de Alcochete foi uma vitória do ordenamento. Agora faltam outras decisões críticas para as quais o país tem de continuar vigilante.
Leia aqui o artigo todo
9.1.08
Nas vésperas da decisão do LNEC
8.1.08
Num quidnam novi?
Bravo, general Eanes!Na entrevista ao Expresso do passado dia 5 de Janeiro Ramalho Eanes, evidencia as vantagens da monarquia. O ex Presidente da República recorda um autor, Herrero de Miñón, para o qual "o monarca vitalicio e hereditário está melhor colocado que qualquer magistrado electivo para ser absolutamente neutral e independente", para estar acima de todas as segmentarizações politicas e ser garante da continuidade e unidade nacional, indispensável, esta até para manter os militares democraticamente nos quarteis» Num quidnam novi? perguntava Cícero
7.1.08
A "Pavorosa Manobra"
Delfim sousa explicou muito bem uma das razões da pavorosa manobra" do BCP. Como ele diz
"não sei se o actual Governo se vai servir do Fundo de Pensões (FP) do BCP para resolver o défice do Estado. Sei, sim, que historicamente assim aconteceu com todos os Governos que antecederam Sócrates (Gov.Guterres: Sousa Franco usa FP do BNU; Gov.Durão Barroso: Manuela Ferreira Leite usa fundos dos CTT;Gov. Santana Lopes: Bagão Félix usa FP da CGD e outros; Sócrates:?????). Os textos publicados em Portugueses comprovam o caso.
"não sei se o actual Governo se vai servir do Fundo de Pensões (FP) do BCP para resolver o défice do Estado. Sei, sim, que historicamente assim aconteceu com todos os Governos que antecederam Sócrates (Gov.Guterres: Sousa Franco usa FP do BNU; Gov.Durão Barroso: Manuela Ferreira Leite usa fundos dos CTT;Gov. Santana Lopes: Bagão Félix usa FP da CGD e outros; Sócrates:?????). Os textos publicados em Portugueses comprovam o caso.
5.1.08
Miguel Sousa Tavares , Bravo!
Gostei sobretudo de ele trazer à baila a frase de sua Mãe "Vemos, ouvimos e lemos". É verdade. "Não podemos ignorar!" Frase de sabor bíblico, poderoso...!
Há mais a dizer sobre o assunto que envolve razões de Estado, desde a cobertura de investimentos internacionais pelo BCP até à dos rendimentos do Fundo de Pensões. Como explica Delfim Sousa o BCP é a arma secreta para o controle do défice em 2008.
3.1.08
RAZÕES PARA UMA REVOLTA
Circula na net uma mensagem intitulada
*RAZÕES PARA UMA REVOLTA, COM GENTE PENDURADA EM CANDEEIROS*
A MENSAGEM COMEÇA
"O País vai mal... é verdade! É preciso continuar a pedir sacrifícios aos portugueses. Mas como é que chegámos tão fundo? Não há dinheiro, dizem...
Já agora, talvez seja bom verificar em que condições e nível de vida andam aqueles que pedem sacrifícios ao português médio e ao que vive com o salário mínimo.
É isso que este texto pretende: abrir os olhos de todos para a hipocrisia dos nossos governantes. "
E depois seguem-se vários slides de casos chocantes de remunerações
MAs o que marca a mensagem não é só o conteúdo chocante da pantouflage politico financeira. è mais quem a rea envia e quem a recebe. Eu diria: aqueles que levam a sério o direito À indignação. Estejam atentos, todos.
*RAZÕES PARA UMA REVOLTA, COM GENTE PENDURADA EM CANDEEIROS*
A MENSAGEM COMEÇA
"O País vai mal... é verdade! É preciso continuar a pedir sacrifícios aos portugueses. Mas como é que chegámos tão fundo? Não há dinheiro, dizem...
Já agora, talvez seja bom verificar em que condições e nível de vida andam aqueles que pedem sacrifícios ao português médio e ao que vive com o salário mínimo.
É isso que este texto pretende: abrir os olhos de todos para a hipocrisia dos nossos governantes. "
E depois seguem-se vários slides de casos chocantes de remunerações
MAs o que marca a mensagem não é só o conteúdo chocante da pantouflage politico financeira. è mais quem a rea envia e quem a recebe. Eu diria: aqueles que levam a sério o direito À indignação. Estejam atentos, todos.
Rolão Preto

Rolão Preto tinha a suprema vantagem em política de estar fadado para ser um contraponto mas Salazar nem o deixou ser contra poder. O licenciado em Ciências Políticas pela então jovem Universidade de Lovaina sabia o que estava a fazer quando ultrapassou Salazar pela Direita, em 1934, com os " Camisas Azuis" ou quando o atacou pela Esquerda em 1958, apoiando Humberto Delgado. Até veio a morrer gritando "O rei mais os sovietes". Houvesse mais uns cinco ou seis com a temperatura anímica dele e o séc. XX de Portugal seria diferente. La Palisse não diria melhor. Mas la Palisse só diz verdades....!
«A TRAIÇÃO BURGUESA» ( com um aceno ao espaço Alcyone)
por ROLÃO PRETO, PRO DOMO,Lisboa, 1945. (Cultura Política).
Este livro visa um mal, um dos grandes inimigos do homem e do mundo, o «mal burguês». (...). Sobre a grande noite do mundo sopra o vento renovador que anuncia a madrugada de uma nova era. Está em marcha a mais profunda e mais vasta revolução de sempre...
1.1.08
31.12.07
Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado...!
Final do "Manifesto Anti-Dantas", de José de Almada Negreiros, dito por Mário Viegas....
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29.12.07
Merci, Président Sarkozy!
Nicholas Sarkozy, a 20 de Dezembro, em Roma, perante o papa Bento XVI apresentou como visão da «laicidade positiva», que a França não tem o direito de cortar as raízes cristãs. Um presidente francês a ser empossado como «cónego de honra» de São João de Latrão, título concedido aos reis de França desde 1593, parece uma revolução cultural. Mas é ainda mais do que isso. É um sinal de paz social dos não-crentes com moderação que exige um idêntico sinal dos crentes com moderação.
Eu achava grave que o defunto Tratado Constitucional Europeu não invocasse Deus num preâmbulo sobre as raízes da Europa. Mas se o nome de Deus não estava lá ( como não está no Tratado de Lisboa) a culpa deve ser repartida entre as elites agnósticas europeias – do tipo Giscard d’Estaing - e os “cristianistas” – do tipo fundamentalista católico - que invocam Deus em vão e assim desqualificam o ser cristão.A distinção entre um “cristianista” e um cristão é que um quer injectar religião na vida política e o outro respeita a separação entre Deus e César.
È bem evidente que o apoio a políticas públicas pode surgir de razões religiosas. Mas numa sociedade secular, os argumentos apresentados em público, não devem depender nem invocar verdades religiosas. A cidadania em democracia pluralista exige traduzir as convicções religiosas em argumentos morais que podem persuadir pessoas sem fé ou com fé.
Em países como os EUA, a tendência é para vir ao de cima o fundamentalismo dos "cristianistas" o que é mau. Em Portugal, predomina sobretudo a “paz podre”; não há ateus extremistas a proibir que as convicções políticas pessoais sejam informadas pela fé religiosa; o que existe é falta de testemunhos sobre a origem moral das nossas convicções políticas e ausência de debate entre as raízes culturais e religiosas das respectivas posições políticas. Donde, o debate na comunicação social estar tristemente entregue aos "técnicos" dos resultados, sem nunca serem chamado os "especialistas" das causas. O público é esperto: avalia os "técnicos" como porta-vozes de interesses particulares; e normalmente são mesmo porque o debate mais profundo não se realiza.
Pessoalmente, eu tenho consciência que a minha oposição absoluta à tortura, ou o meu empenho na justiça social, parea citar duas questões chave, tem raízes no Cristianismo. São convicções que resultam da minha fé católica, que se aprende como uma atitude e uma cultura e cujos frutos não dependem da hierarquia. Acredito na dignidade inerente de todos os seres humanos como reflexo da vontade de Deus revelado em Jesus Cristo. Mas é muito evidente que outros opositores à tortura e outros defensores da justiça social não foram crentes, como por exemplo Albert Camus e George Orwell, cujo sentido moral, alias, eclipsa o de muitos cristãos e de todos os “cristianistas”.
O debate político não pode depender do recurso a argumentos religiosos. Em política, um cristão não se dirije a cristãos, mas a cidadãos. Pode e deve usar argumentos históricos, jurídicos, constitutionais, morais, estratégicos, económicos, argumentos sobre a história portuguesa, europeia e ocidental. O que não pode é dizer "Sou cristão, portanto tenho razão". Como outros não podem dizer: "O cristianismo é uma parvoíce, portanto tenho razão".
Por isso “Merci, Président Sarkozy” pelo exemplo de moderação que deu e que sacode a paz podre e o fundamentalismo que nos atormentam.
Eu achava grave que o defunto Tratado Constitucional Europeu não invocasse Deus num preâmbulo sobre as raízes da Europa. Mas se o nome de Deus não estava lá ( como não está no Tratado de Lisboa) a culpa deve ser repartida entre as elites agnósticas europeias – do tipo Giscard d’Estaing - e os “cristianistas” – do tipo fundamentalista católico - que invocam Deus em vão e assim desqualificam o ser cristão.A distinção entre um “cristianista” e um cristão é que um quer injectar religião na vida política e o outro respeita a separação entre Deus e César.
È bem evidente que o apoio a políticas públicas pode surgir de razões religiosas. Mas numa sociedade secular, os argumentos apresentados em público, não devem depender nem invocar verdades religiosas. A cidadania em democracia pluralista exige traduzir as convicções religiosas em argumentos morais que podem persuadir pessoas sem fé ou com fé.
Em países como os EUA, a tendência é para vir ao de cima o fundamentalismo dos "cristianistas" o que é mau. Em Portugal, predomina sobretudo a “paz podre”; não há ateus extremistas a proibir que as convicções políticas pessoais sejam informadas pela fé religiosa; o que existe é falta de testemunhos sobre a origem moral das nossas convicções políticas e ausência de debate entre as raízes culturais e religiosas das respectivas posições políticas. Donde, o debate na comunicação social estar tristemente entregue aos "técnicos" dos resultados, sem nunca serem chamado os "especialistas" das causas. O público é esperto: avalia os "técnicos" como porta-vozes de interesses particulares; e normalmente são mesmo porque o debate mais profundo não se realiza.
Pessoalmente, eu tenho consciência que a minha oposição absoluta à tortura, ou o meu empenho na justiça social, parea citar duas questões chave, tem raízes no Cristianismo. São convicções que resultam da minha fé católica, que se aprende como uma atitude e uma cultura e cujos frutos não dependem da hierarquia. Acredito na dignidade inerente de todos os seres humanos como reflexo da vontade de Deus revelado em Jesus Cristo. Mas é muito evidente que outros opositores à tortura e outros defensores da justiça social não foram crentes, como por exemplo Albert Camus e George Orwell, cujo sentido moral, alias, eclipsa o de muitos cristãos e de todos os “cristianistas”.
O debate político não pode depender do recurso a argumentos religiosos. Em política, um cristão não se dirije a cristãos, mas a cidadãos. Pode e deve usar argumentos históricos, jurídicos, constitutionais, morais, estratégicos, económicos, argumentos sobre a história portuguesa, europeia e ocidental. O que não pode é dizer "Sou cristão, portanto tenho razão". Como outros não podem dizer: "O cristianismo é uma parvoíce, portanto tenho razão".
Por isso “Merci, Président Sarkozy” pelo exemplo de moderação que deu e que sacode a paz podre e o fundamentalismo que nos atormentam.
26.12.07
Defenderemos o que é nosso
Ora aqui está um homem que sabe o que faz: Dragoslav Bokan sabe que o futuro do Kosovo está em jogo e pediu a ajuda dos grandes estadistas ocidentais, já mortos numa campoanha lançada pelo o governo sérvioSão outdoors com as imagens de Washington, Lincoln, Kennedy, Churchill e de Gaulle que afirmam "Kosovo é Serbia!" Ao lado dos retratos . excertos dos discursos. Os países ocidentais suportam a independência de Kosovo. Mas como disse Churchill, " defenderemos o que é nosso; nunca nos renderemos." Washington diz: "o tempo está próximo em que escolheremos se queremos ser homens livres ou escravos."
Dragoslav Bokan, director da agência de imagem que fez a campanha do poster afirma que está a lembrar os políticos ocidentais que afirmam o direito de defender a pátria"
Os EUA e a UE acreditam que a administração da ONU no Kosovo, desde 1999, deve ser substituída pelos estado independente dos albaneses étnicos, que são 90% da população. A UE aprovou uma missão para o estado de Kosovohe. Kostunica acusou a UE de criar "um estado fantoche" no solo da Sérvia.
está fazendo a Serbia? Os conselheiros do governo da Sérvia dizem que não faz sentido o país reunir-se à UE que a quer amputar de um território. A retórica pró- Rússia tem aumentado e os laços com a Rússia, são a religião cristã ortodoxa e uma aliança militar de dois séculos, Mas no séc. XXI os Sérvios jogam no futebol da Europa e no basquetebol dos EUA. A campanha do poster, lembra que são Europeus. "O governo não fará a Guerra pelo Kosovo, mas pensa que se pode ser bom europeu e protestar."
A Serbia procura força na sua história de nação cercada pelos inimigos,. A batalha mais comemorada da Sérvia é uma derrota perante os turcos no Kosovo; A raiva sérvia o “inat” existe mesmo. Perder uma batalha não é perder a Guerra. Ou, nas palavras de Kennedy no outdoor "Cumprir o dever - apesar das consequências pessoais, apesar dos obstáculos e dos perigos, e das pressões - é a base da moral humana”
20.12.07
Presentinhos de Natal
José Manuel (Durão) Barroso - Um belo CD com a Música “Vem Devagar Emigrante” de Graciano Saga
Maria de Lurdes Rodrigues - Pau de Marmeleiro com leitor óptico, acessório pedagógico a ser usadodesde o ensino pré-escolar ao pós-universitário,
Luís Filipe Meneses - Uma réplica de um cadeirão de deputado em S. Bento, com a inscrição “nom soô Elitista nem Sulista nem Liberal”
Cavaco Silva - Uma lata de tinta de marca comprovadamente portuguesa para que surja à luz do dia “O Homem Invisível”
Jerónimo de Sousa - Uma edição do livro de Zita Seabra “Foi assim!”, encadernada com a peledos cordeirinhos que os comunistas não comiam ao pequeno almoço
Mário Lino - Uma maquete de aeroporto à escala 1/600 feito em parceria pelo MIT, a Airfix e a Concentra Mattel com a plaquete “Oferta dos Comissários do QREN”
Francisco Louçã - Uma “Bíblia de Jerusalém”, depois de o coordenador do BE ter participado com a Igreja em acções contra a Pobreza
Prémio Extra Internacional George W. Bush - Uma hipoteca sub-prime lançada sobre Camp David e o rancho do Texas
Maria de Lurdes Rodrigues - Pau de Marmeleiro com leitor óptico, acessório pedagógico a ser usadodesde o ensino pré-escolar ao pós-universitário,
Luís Filipe Meneses - Uma réplica de um cadeirão de deputado em S. Bento, com a inscrição “nom soô Elitista nem Sulista nem Liberal”
Cavaco Silva - Uma lata de tinta de marca comprovadamente portuguesa para que surja à luz do dia “O Homem Invisível”
Jerónimo de Sousa - Uma edição do livro de Zita Seabra “Foi assim!”, encadernada com a peledos cordeirinhos que os comunistas não comiam ao pequeno almoço
Mário Lino - Uma maquete de aeroporto à escala 1/600 feito em parceria pelo MIT, a Airfix e a Concentra Mattel com a plaquete “Oferta dos Comissários do QREN”
Francisco Louçã - Uma “Bíblia de Jerusalém”, depois de o coordenador do BE ter participado com a Igreja em acções contra a Pobreza
Prémio Extra Internacional George W. Bush - Uma hipoteca sub-prime lançada sobre Camp David e o rancho do Texas
9.12.07
Dia Internacional Contra a Corrupção
O Dia Internacional Contra a Corrupção assinala-se hoje, 9 de Dezembro, quando passam quatro anos sobre a proclamação da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção.
Pela resolução 58/4 de 31 de Outubro de 2003, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou 9 de Dezembro como Dia Internacional Contra a Corrupção. Portugal, à semelhança da generalidade dos países, ratificou esse instrumento internacional, cujo texto foi publicado no Diário da República de 21 de Setembro.
Em todo o mundo considera-se que partidos, parlamentos, polícia e tribunais são as instituições mais atingidas por uma corrupção generalizada, segundo um relatório da Transparency International (TI), publicado na quinta-feira. De acordo com o documento, 2% dos portugueses inquiridos admitiram ter pago subornos para ter acesso a um serviço.
Pela resolução 58/4 de 31 de Outubro de 2003, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou 9 de Dezembro como Dia Internacional Contra a Corrupção. Portugal, à semelhança da generalidade dos países, ratificou esse instrumento internacional, cujo texto foi publicado no Diário da República de 21 de Setembro.
Em todo o mundo considera-se que partidos, parlamentos, polícia e tribunais são as instituições mais atingidas por uma corrupção generalizada, segundo um relatório da Transparency International (TI), publicado na quinta-feira. De acordo com o documento, 2% dos portugueses inquiridos admitiram ter pago subornos para ter acesso a um serviço.
6.12.07
II (Re)leituras: Ler Schleiermacher, por André Bandeira
Ler "Über die Religion", de Schleiermacher o teólogo protestante que associámos à arte da hermenêutica: a arte de perceber o que é que o outro quer realmente dizer. Neste seu livro, publicado em 1799, quando tinha à volta de trinta anos, Schleiermacher, apela aos indivíduos cultos, aos artistas, aos Criadores do seu tempo romântico, que não percam a noção de Deus nos seus corações. E satisfaz-se com um apelo simples: o de que, onde houver noção de Infinito, há uma presença de Deus e, que portanto, se deixe esse lugar do Infinito estar onde está, mesmo que se não creia. Diz outras coisas extraordinárias, para a sua época ( embora num contexto em que a Prússia só admitia uma Igreja de Estado): que não é mau que haja várias formas de religião, que isso é inevitável e que é bom. Não que não seja má, a inexistência de uma só Igreja mas tudo isso está nas mãos de Deus. Schleiermacher zangou-se com o pai, quando, a certo momento, disse ter perdido a fé na natureza divina de Jesus. Mas recuperou-a, como quem O segue pelo caminho do Mundo, sem desistir. Foi um homem ridículo nos amores. Era demasiado escrupuloso, acreditava na amizade das mulheres que o amavam, não percebia. Acabou por tomar conta duma viúva e do seu filho. Quando morreu, dizem que o enterro foi impressionante, com as milhares de pessoas que o acompanharam. É assim: compreender exactamente o que o Outro quer dizer, andar em círculos entre o que os dicionários magicamente determinaram e o que o coração diz, não faz descobrir nenhuma regra. E a vida dotou Schleiermacher desta contradição, cheia dum Amor intrépido: quando os seus amigos liberais alinhavam para saudar Napoleão, o invasor, Schleiermacher partiu para o campo a incitar o Povo a resistir. Hegel, o pai da URSS e da Alemanha nazi, denunciou-o como resistente. Shleiermacher não foi amado por ninguém e toda a gente o amou.
2.12.07
Mensagem do 1º de Dezembro de 2007
Dom Duarte de Bragança
(Lei na íntegra em Somosportugueses )
"Há 30 anos iniciei o hábito de comunicar com os Portugueses nos dias 1º de Dezembro. Sei que as minhas mensagens têm sido bem recebidas em todas as esferas da sociedade portuguesa porque nelas chamo a atenção para as prioridades da vida nacional. "
(...)
(...)
"Sem uma verdadeira "cultura democrática" de participação das pessoas e de responsabilização dos eleitos perante os eleitores cresce a abstenção e a indiferença e em, momentos de crise das instituições democráticas poderemos vir a ser desafiados pela tentação de aceitar ditador "que nos governe".
A independência nacional é também um compromisso com a democracia....
Foram estas considerações que me levaram a fundar em Agosto deste ano o "Instituto da Democracia Portuguesa", que junta personalidades de sectores políticos e culturais muito diferentes, mas unidos na preocupação de que Portugal seja um País livre e independente, numa Europa unida pelos valores que decorrem das suas raízes culturais e espirituais cristãs, gregas e judaicas.
As iniciativas deste Instituto que se preparam sobre o ordenamento do território nacional contam com o apoio de académicos, empresários, quadros e jovens de todo o país. Espero para elas todo o apoio dos que entendem que chegou a hora de um movimento de cidadania que reúna as pessoas pelo que elas têm de melhor e de participação na vida pública mediante resoluções e propostas concretas sobre o ordenamento, a segurança e estratégia nacional, entre outras."
A independência nacional é também um compromisso com a democracia....
Foram estas considerações que me levaram a fundar em Agosto deste ano o "Instituto da Democracia Portuguesa", que junta personalidades de sectores políticos e culturais muito diferentes, mas unidos na preocupação de que Portugal seja um País livre e independente, numa Europa unida pelos valores que decorrem das suas raízes culturais e espirituais cristãs, gregas e judaicas.
As iniciativas deste Instituto que se preparam sobre o ordenamento do território nacional contam com o apoio de académicos, empresários, quadros e jovens de todo o país. Espero para elas todo o apoio dos que entendem que chegou a hora de um movimento de cidadania que reúna as pessoas pelo que elas têm de melhor e de participação na vida pública mediante resoluções e propostas concretas sobre o ordenamento, a segurança e estratégia nacional, entre outras."
1.12.07
Primeiro de Dezembro, por Pedro Cem
Saudades de Portugal:
1 -- Em Agosto passado desço a Sesimbra. Na camionette de sempre. Vou pela rua, vejo os ciganos de sempre a vender as "t-shirts" Lacoste, falsas certamente. Vejo um cigano jovem que vende a sua mercadoria gesticulando com a mão esquerda e exibindo as camisas sobre seu braço direito, coberto como um estendal. É jovem, não se cansa muito com as conversas. Aguardo a minha vez e vejo uma t-shirt azul, como um Mar de Primavera, que é verde. Digo-lhe então: obrigado por vender estas t-shirts, sempre que venho cá, compro uma ou duas. Ele agradece-me com humildade. As t-shirts caem-lhe do braço direito. Erguido no ar como um punho desolado, como uma mão que implora ao céu sem nunca se abrir, vejo o braço que escondia: não tem mão.
2 - Vou pelo Chiado abaixo. Os ossos todos doem-me. Como um velho, arrasto-me para a esplanada da Brasileira. Ali fico, uns tempos, certamente com o meu ar hollyoodesco, bronzeado, porque tenho os ombros teimosamente largos de anos de desporto de competição, pelos quais estou agora a pagar a factura. A certa altura, um casal vem descendo, o marido, janota, preocupado e sério, ela talvez olhando-me por curiosidade desde o cimo da rua. Sentam-se ao meu lado. Percebo que ela é uma cantora lírica, do Porto, com o sotaque mal disfarçado pelas temporadas lisboetas do S. Carlos. Ele, aprumado no seu ar antigo e lisboeta, com a barba e o cabelo ralo, duma juventude que passou, com a voz um pouco adamada, mas uma seriedade nos assuntos que trata, demonstrando a complexidade desta vida e também o sentido dela. A certa altura, a cantora diz-lhe: "põe a gravata direita, tens o colarinho torto..." e, antes que ele o faça, fá-lo ela. E diz-lhe: Tenho muito orgulho em ti!". Ele estremece. É uma bonita declaração de Amor.
3 -- Tomo o combóio de madrugada, para Lisboa, em romagem aos meus que sofrem. Em Coimbra entra um bando de Mulheres, nos seus quarenta. Parecem como empregadas da limpeza, em fim-de-semana, ou funcionárias administrativas do mais baixo escalão. Vão de férias, que, para elas, são um fim-de-semana, em Lisboa, sem os maridos. Agumas delas não sabem o que isso é. Refere-se uma ao "pai do meu filho", com uma certa doçura que só a pronúncia pura como água, de Coimbra, permite. A conversa delas é, evidentemente, rude. A certa altura, uma diz àquela que se sentou ao meu lado: " Vê lá não adormeças!". Ela responde:"Ah, eu posso dormir já aqui, com este senhor, ao lado".
E rimo-nos. São as férias daquelas pobres mulheres. Um fim-de-semana de Agosto, em Lisboa, para quem mal ganha para comer, mas que ainda se sabe rir.
4 - Vou visitar uma terra da família, no monte, que podia comprar, fazendo um primo menos pobre. Está toda coberta de sarças. Entre moscardos e espinhos, salto de penedo em penedo. O suor jorra-me, sob o Sol. Fico com os espinhos atravessados nas calças. Durante muito tempo os sentirei, sentado em combóios, em táxis, em camionettes. É uma doce sensação que me desperta e me recorda o caminho da terra.
1 -- Em Agosto passado desço a Sesimbra. Na camionette de sempre. Vou pela rua, vejo os ciganos de sempre a vender as "t-shirts" Lacoste, falsas certamente. Vejo um cigano jovem que vende a sua mercadoria gesticulando com a mão esquerda e exibindo as camisas sobre seu braço direito, coberto como um estendal. É jovem, não se cansa muito com as conversas. Aguardo a minha vez e vejo uma t-shirt azul, como um Mar de Primavera, que é verde. Digo-lhe então: obrigado por vender estas t-shirts, sempre que venho cá, compro uma ou duas. Ele agradece-me com humildade. As t-shirts caem-lhe do braço direito. Erguido no ar como um punho desolado, como uma mão que implora ao céu sem nunca se abrir, vejo o braço que escondia: não tem mão.
2 - Vou pelo Chiado abaixo. Os ossos todos doem-me. Como um velho, arrasto-me para a esplanada da Brasileira. Ali fico, uns tempos, certamente com o meu ar hollyoodesco, bronzeado, porque tenho os ombros teimosamente largos de anos de desporto de competição, pelos quais estou agora a pagar a factura. A certa altura, um casal vem descendo, o marido, janota, preocupado e sério, ela talvez olhando-me por curiosidade desde o cimo da rua. Sentam-se ao meu lado. Percebo que ela é uma cantora lírica, do Porto, com o sotaque mal disfarçado pelas temporadas lisboetas do S. Carlos. Ele, aprumado no seu ar antigo e lisboeta, com a barba e o cabelo ralo, duma juventude que passou, com a voz um pouco adamada, mas uma seriedade nos assuntos que trata, demonstrando a complexidade desta vida e também o sentido dela. A certa altura, a cantora diz-lhe: "põe a gravata direita, tens o colarinho torto..." e, antes que ele o faça, fá-lo ela. E diz-lhe: Tenho muito orgulho em ti!". Ele estremece. É uma bonita declaração de Amor.
3 -- Tomo o combóio de madrugada, para Lisboa, em romagem aos meus que sofrem. Em Coimbra entra um bando de Mulheres, nos seus quarenta. Parecem como empregadas da limpeza, em fim-de-semana, ou funcionárias administrativas do mais baixo escalão. Vão de férias, que, para elas, são um fim-de-semana, em Lisboa, sem os maridos. Agumas delas não sabem o que isso é. Refere-se uma ao "pai do meu filho", com uma certa doçura que só a pronúncia pura como água, de Coimbra, permite. A conversa delas é, evidentemente, rude. A certa altura, uma diz àquela que se sentou ao meu lado: " Vê lá não adormeças!". Ela responde:"Ah, eu posso dormir já aqui, com este senhor, ao lado".
E rimo-nos. São as férias daquelas pobres mulheres. Um fim-de-semana de Agosto, em Lisboa, para quem mal ganha para comer, mas que ainda se sabe rir.
4 - Vou visitar uma terra da família, no monte, que podia comprar, fazendo um primo menos pobre. Está toda coberta de sarças. Entre moscardos e espinhos, salto de penedo em penedo. O suor jorra-me, sob o Sol. Fico com os espinhos atravessados nas calças. Durante muito tempo os sentirei, sentado em combóios, em táxis, em camionettes. É uma doce sensação que me desperta e me recorda o caminho da terra.
25.11.07
Instituto da Democracia Portuguesa

O IDP acaba de lançar este espaço na Internet onde manterá todos os interessados actualizados quanto às suas iniciativas. Em breve poderá aceder a várias outras funcionalidades. Mantenha-se atento.Para qualquer questão, consulte a nossa página de contacto
Endereço : http://www.democraciaportuguesa.org/
Endereço : http://www.democraciaportuguesa.org/
Irão ao Irão?
A crise económica, cívica e cultural dos USA continua a alastrar. A crise do Capital de Risco nos fundos de hipotecas sobre o imobiliário mostra uma Economia que já não cresce. Isto afecta as economias emergentes da China e da Índia, que irão refrear o crescimento industrial por falta de encomendas dos mercados de consumo do Ocidente. O pico do Petróleo provoca o aumento do preço do barril para valores que dizem serão de 120 dólares lá para meados de 2008. Os EUA têm o maior défice acumulado da sua história. Chris Martenson, em "Os Estados Unidos estão insolventes", refere que só a dívida interna, passivos líquidos combinados, ascende a 403% do PIB, fora a Guerra no Iraque e no Afeganistão, 15% do PIB.
A Economia Norte-americana não gera riqueza para cobrir as despesas cada vez maiores em benefício do Capital Financeiro e da Guerra. Está na falência. E por efeito perverso da Globalização, atinge a Economia Mundial.
A II Guerra Mundial teve efeito devastador sobre a Europa, mas grande vantagem económica para os USA. Os "Senhores do Mundo" para salvar o Sistema Financeiro Mundial da bancarrota, irão buscar pretextos e não faltam belicistas islamitas pra lhes fazer a vontadde. Junta-se a fome com a vontade de comer.
A Economia Norte-americana não gera riqueza para cobrir as despesas cada vez maiores em benefício do Capital Financeiro e da Guerra. Está na falência. E por efeito perverso da Globalização, atinge a Economia Mundial.
A II Guerra Mundial teve efeito devastador sobre a Europa, mas grande vantagem económica para os USA. Os "Senhores do Mundo" para salvar o Sistema Financeiro Mundial da bancarrota, irão buscar pretextos e não faltam belicistas islamitas pra lhes fazer a vontadde. Junta-se a fome com a vontade de comer.
19.11.07
Mais uma volta ao parafuso - O país do destino é a Arábia Saudita
Iran leader dismisses US currency
Iranian President Mahmoud Ahmadinejad has suggested an end to the trading of oil in US dollars, calling the currency "a worthless piece of paper".
The call came at the end of a rare Opec summit, and was opposed by US ally Saudi Arabia.
The summit in Saudi Arabia was only Opec's third in 47 years.
a record high of $98.62 a barrel earlier this month
The dollar has weakened considerably against the euro and other currencies in the past 12 months.
However, in the communique Opec did make a reference to the debate, by committing itself to studying "ways and means of enhancing financial co-operation".
Iran's oil minister said that this would allow the formation of a committee to study the dollar's effect on oil prices and investigate the possibility of alternative trading currencies.
Iranian President Mahmoud Ahmadinejad has suggested an end to the trading of oil in US dollars, calling the currency "a worthless piece of paper".
The call came at the end of a rare Opec summit, and was opposed by US ally Saudi Arabia.
The summit in Saudi Arabia was only Opec's third in 47 years.
a record high of $98.62 a barrel earlier this month
The dollar has weakened considerably against the euro and other currencies in the past 12 months.
However, in the communique Opec did make a reference to the debate, by committing itself to studying "ways and means of enhancing financial co-operation".
Iran's oil minister said that this would allow the formation of a committee to study the dollar's effect on oil prices and investigate the possibility of alternative trading currencies.
12.11.07
PROFESSORES DAS AEC NÃO RECEBEM
ESTE BLOGUE ESTÁ SOLIDÁRIO COM O POST DO BLOGUE CEGUEIRA LUSA ( e Silêncio Culpado que me enviou o mesmo)QUE TRANSCREVE NA ÍNTEGRA
VERGONHOSO: PROFESSORES DAS AEC NÃO RECEBEM
As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), há quem as designe de Actividades de Empobrecimento Curricular, nasceram algo tortas e, como diz a sábia voz do povo, «aquilo que nasce torto, tarde ou mal se endireita». Não querendo tomar a parte pelo todo, não me atrevo, para já, a juntar-me ao exército, que tem visto as suas fileiras engrossarem, daqueles que diabolizam as AEC. Apesar de não ser novidade para ninguém que me conheça que não concordo com o modelo adoptado nem com os objectivos (se é que estes existem) que estas se propões alcançar. Todavia, posso afirmar, convictamente, que este modelo contribui para o empobrecimento dos professores envolvidos no projecto.A trabalharem desde Setembro sem receberem um cêntimo pelos seus serviços é absolutamente inaceitável. Não esqueçamos que estes profissionais trabalham a «Recibo Verde», portanto há uma boa parte do ano em que não recebem coisa alguma. Isto já é preocupante. Pensar que estas pessoas desde Julho que não auferem qualquer vencimento suscita-me algumas questões: Quem paga a renda / prestação da casa? Quem paga a alimentação? Quem paga a água, a luz, o telefone? Como é que se vive assim? Não esqueçamos que muitos têm que se deslocar em transporte próprio para a (s) escola (s) onde leccionam. Não sei se esta situação se está a passar em todo o país. Em Viseu esta é uma realidade dramática. Parece que os vencimentos estão a ser processados…estavam…estarão…Ninguém sabe ao certo.O que sei é que há gente a vivenciar situações dramáticas. Um amigo disse-me que não sabe se o dinheiro que ainda lhe resta será suficiente para o combustível que lhe permita deslocar-se às várias escolas em que trabalha. Aqui está outra aberração: contratam imensa gente e depois atribuem apenas 12 horas a cada professor, horas distribuídas por distintos locais, obrigando a várias deslocações diárias. Se não expusesse esta situação vergonhosa e lamentável hoje, tenho a sensação de que nem dormiria em paz. Outros há que estão, dado o adiantado da hora, tranquilamente a sonhar com a cabeça na almofada. Enquanto isso, muitos fazem das tripas o coração, encetando majestosos malabarismos, para fazerem face às necessidades básicas do quotidiano.
Que vergonha!!!
VERGONHOSO: PROFESSORES DAS AEC NÃO RECEBEM
As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), há quem as designe de Actividades de Empobrecimento Curricular, nasceram algo tortas e, como diz a sábia voz do povo, «aquilo que nasce torto, tarde ou mal se endireita». Não querendo tomar a parte pelo todo, não me atrevo, para já, a juntar-me ao exército, que tem visto as suas fileiras engrossarem, daqueles que diabolizam as AEC. Apesar de não ser novidade para ninguém que me conheça que não concordo com o modelo adoptado nem com os objectivos (se é que estes existem) que estas se propões alcançar. Todavia, posso afirmar, convictamente, que este modelo contribui para o empobrecimento dos professores envolvidos no projecto.A trabalharem desde Setembro sem receberem um cêntimo pelos seus serviços é absolutamente inaceitável. Não esqueçamos que estes profissionais trabalham a «Recibo Verde», portanto há uma boa parte do ano em que não recebem coisa alguma. Isto já é preocupante. Pensar que estas pessoas desde Julho que não auferem qualquer vencimento suscita-me algumas questões: Quem paga a renda / prestação da casa? Quem paga a alimentação? Quem paga a água, a luz, o telefone? Como é que se vive assim? Não esqueçamos que muitos têm que se deslocar em transporte próprio para a (s) escola (s) onde leccionam. Não sei se esta situação se está a passar em todo o país. Em Viseu esta é uma realidade dramática. Parece que os vencimentos estão a ser processados…estavam…estarão…Ninguém sabe ao certo.O que sei é que há gente a vivenciar situações dramáticas. Um amigo disse-me que não sabe se o dinheiro que ainda lhe resta será suficiente para o combustível que lhe permita deslocar-se às várias escolas em que trabalha. Aqui está outra aberração: contratam imensa gente e depois atribuem apenas 12 horas a cada professor, horas distribuídas por distintos locais, obrigando a várias deslocações diárias. Se não expusesse esta situação vergonhosa e lamentável hoje, tenho a sensação de que nem dormiria em paz. Outros há que estão, dado o adiantado da hora, tranquilamente a sonhar com a cabeça na almofada. Enquanto isso, muitos fazem das tripas o coração, encetando majestosos malabarismos, para fazerem face às necessidades básicas do quotidiano.
Que vergonha!!!
9.11.07
Nada que não fosse anunciado...! O colapso finaceiro americano
Just yesterday, Cheng Siwei, vice-chairman of China's parliament announced that China will shift the country's reserves out of dollar-denominated investments and into the euro and other strong currencies!
Beijing central banker Xu Jian twisted the knife, saying “The dollar is losing its status as the world currency. The U.S. dollar's global currency status is shaky,” he said, “and the creditworthiness of dollar assets is falling.”
And to make matters worse, Xu predicted the dollar would continue to collapse in 2008 — and that $1,000 gold is now a near certainty!
This is devastating news for an already-shaky U.S. dollar. With China’s $1.43 trillion in reserves and a total of more than $7 trillion now in foreign hands — this could very well be the straw that breaks the dollar’s back, unleashing a world-wide torrent of dollar-dumping and a sudden, unprecedented collapse of the greenback.
Just yesterday, Cheng Siwei, vice-chairman of China's parliament announced that China will shift the country's reserves out of dollar-denominated investments and into the euro and other strong currencies!
Beijing central banker Xu Jian twisted the knife, saying “The dollar is losing its status as the world currency. The U.S. dollar's global currency status is shaky,” he said, “and the creditworthiness of dollar assets is falling.”
And to make matters worse, Xu predicted the dollar would continue to collapse in 2008 — and that $1,000 gold is now a near certainty!
This is devastating news for an already-shaky U.S. dollar. With China’s $1.43 trillion in reserves and a total of more than $7 trillion now in foreign hands — this could very well be the straw that breaks the dollar’s back, unleashing a world-wide torrent of dollar-dumping and a sudden, unprecedented collapse of the greenback.
Beijing central banker Xu Jian twisted the knife, saying “The dollar is losing its status as the world currency. The U.S. dollar's global currency status is shaky,” he said, “and the creditworthiness of dollar assets is falling.”
And to make matters worse, Xu predicted the dollar would continue to collapse in 2008 — and that $1,000 gold is now a near certainty!
This is devastating news for an already-shaky U.S. dollar. With China’s $1.43 trillion in reserves and a total of more than $7 trillion now in foreign hands — this could very well be the straw that breaks the dollar’s back, unleashing a world-wide torrent of dollar-dumping and a sudden, unprecedented collapse of the greenback.
Just yesterday, Cheng Siwei, vice-chairman of China's parliament announced that China will shift the country's reserves out of dollar-denominated investments and into the euro and other strong currencies!
Beijing central banker Xu Jian twisted the knife, saying “The dollar is losing its status as the world currency. The U.S. dollar's global currency status is shaky,” he said, “and the creditworthiness of dollar assets is falling.”
And to make matters worse, Xu predicted the dollar would continue to collapse in 2008 — and that $1,000 gold is now a near certainty!
This is devastating news for an already-shaky U.S. dollar. With China’s $1.43 trillion in reserves and a total of more than $7 trillion now in foreign hands — this could very well be the straw that breaks the dollar’s back, unleashing a world-wide torrent of dollar-dumping and a sudden, unprecedented collapse of the greenback.
4.11.07
Zeca Afonso - Aqui d'El rei!
Agradecendo ao meu amigo Alberto Castro Ferreira
DOS QUE LUTOU PELA DIGNIDADE NA LIBERDADE!
Vejam o Jornal de Parede dele
http://skocky.spaces.live.com/
MÚSICA: ZECA AFONSO .
LETRA: JORGE DE SENA .
«EPÍGRAFE PARA A ARTE DE FURTAR»
"A arte de furtar para proveito de amigos" e´uma velha fórmula de Platão em A República para denunciar a corrupção vigente
"Roubam-me Deus
Outros o diabo
Quem cantarei?
Roubam-me a Pátria
e a humanidade
outros ma roubam
Quem cantarei?
Sempre há quem roube
Quem eu deseje
E de mim mesmo
Todos me roubam
Quem cantarei?
Quem cantarei?
Roubam-me Deus
Outros o diabo
Quem cantarei'
Roubam-me a Pátria
e a humanidade
outros ma roubam
Quem cantarei?
Roubam-me a voz
quando me calo
ou o silêncio
mesmo se falo
Aqui d'El Rei!"
DOS QUE LUTOU PELA DIGNIDADE NA LIBERDADE!
Vejam o Jornal de Parede dele
http://skocky.spaces.live.com/
MÚSICA: ZECA AFONSO .
LETRA: JORGE DE SENA .
«EPÍGRAFE PARA A ARTE DE FURTAR»
"A arte de furtar para proveito de amigos" e´uma velha fórmula de Platão em A República para denunciar a corrupção vigente
"Roubam-me Deus
Outros o diabo
Quem cantarei?
Roubam-me a Pátria
e a humanidade
outros ma roubam
Quem cantarei?
Sempre há quem roube
Quem eu deseje
E de mim mesmo
Todos me roubam
Quem cantarei?
Quem cantarei?
Roubam-me Deus
Outros o diabo
Quem cantarei'
Roubam-me a Pátria
e a humanidade
outros ma roubam
Quem cantarei?
Roubam-me a voz
quando me calo
ou o silêncio
mesmo se falo
Aqui d'El Rei!"
28.10.07
A diligência de Abílio Magro
“Em um dos meses do ano de 1909, Dezembro se a memória não me falha...” escreve Abílio Magro, o governador civil de Lisboa, João de Azevedo Coutinho, deu- lhe instruções para se deslocar a Espanha a fim de obter por compra ao famigerado António de Albuquerque o autógrafo de um livro com revelações sobre o regicídio, A execução do Rei Carlos. Uma vez que já não era secretário particular do juiz de Instrução, Abílio Magro vai a Granada como agente de confiança. Hospedado no Hotel Victoria, entra em contacto com o “Lêndea” que queria ficar à força na história.
A execução do Rei Carlos é mais um livro de escândalos de Albuquerque, neste caso um diálogo de obscenidades entre ele e um seu amigo regicida fictício, de nome Fabrício de Lemos. Dois terços do livro descrevem a vida voluptuosa do autor com uma escrava sexual Fatimah que trouxera de Marrocos, o outro terço os preparativos do regicídio, numa variante sentimentalona e balofa de A Filosofia na Alcova, do marquês de Sade. A nota introdutória diz o seguinte: «À inolvidável memória dos mártires da mais sublime das causas, a menos compreendida e a mais caluniada. Que Buíça e Costa descansem em paz eterna entre as flores com que mãos piedosas cobriram as suas campas de heróis e sob as bençãos que desde a terra lhes enviam os seus camaradas oprimidos! Saudade para as suas memórias, perseverança e coragem para nós.»
Comprado por 120$00 ao Albuquerque um manuscrito, Magro regressa com uma das fontes primárias sobre a conspiração do regicídio e o Grupo dos 18 nela empenhado. Esse Grupo dos 18 de onde saíram os regicidas era constituído por José Nunes, Vergílio de Sá Alfredo Costa, Manuel Buíça,professor; e Domingos Fernandes Guimarães, caixeiro, Artur dos Santos Silva, operário; Saul Simões Sério, comerciante; Carlos Kopke, bancário; António Rodrigues Pires; Armando Octávio Dias, Roque de Miranda; António José dos Santos; industrial; Francisco Soares; A. Figueiredo Lima; Manuel pereira da Silva e um francês, um italiano e um catalão, como representantes das organizações anarquistas dos respectivas países. Nesta lista, onde a par de nomes comprovados existem outros duvidosos, assinala-se a presença dos estrangeiros em conformidade como as indicações de Magalhães Lima com quem partilhava conhecimentos e segundo Rocha Martins, “o famigerado Francisco Ferrer não foi de todo alheia ao que então se passou em Portugal”.
No regresso, recebido por Azevedo Coutinho no palácio da rua da Rosa, Abílio Magro entrega-lhe o autógrafo de trezentas páginas. O governador civil de Lisboa considerou-o tão importante que o levou, no dia seguinte, a D. Manuel II, então em Vila Viçosa a acompanhar a visita de Afonso XIII de Espanha. D. Manuel estimou devidamente o alto serviço prestado e entendeu dispensar a sua protecção a Magro. Este, sendo candidato a um lugar de escrivão de direito do cível, pedia preferência perante um indivíduo protegido pela “aristocracia feminina” e pelo ministro da justiça João de Alarcão. Todos os sinais são de que o rei se empenhou, como testemunharam o conde de Tarouca e João Azevedo Coutinho. Mas os dias e semanas passaram e o provimento do lugar não chegou. Nem por isso Abílio Magro deixou de continuar a recolher materiais sobre os regicidas.
A execução do Rei Carlos é mais um livro de escândalos de Albuquerque, neste caso um diálogo de obscenidades entre ele e um seu amigo regicida fictício, de nome Fabrício de Lemos. Dois terços do livro descrevem a vida voluptuosa do autor com uma escrava sexual Fatimah que trouxera de Marrocos, o outro terço os preparativos do regicídio, numa variante sentimentalona e balofa de A Filosofia na Alcova, do marquês de Sade. A nota introdutória diz o seguinte: «À inolvidável memória dos mártires da mais sublime das causas, a menos compreendida e a mais caluniada. Que Buíça e Costa descansem em paz eterna entre as flores com que mãos piedosas cobriram as suas campas de heróis e sob as bençãos que desde a terra lhes enviam os seus camaradas oprimidos! Saudade para as suas memórias, perseverança e coragem para nós.»
Comprado por 120$00 ao Albuquerque um manuscrito, Magro regressa com uma das fontes primárias sobre a conspiração do regicídio e o Grupo dos 18 nela empenhado. Esse Grupo dos 18 de onde saíram os regicidas era constituído por José Nunes, Vergílio de Sá Alfredo Costa, Manuel Buíça,professor; e Domingos Fernandes Guimarães, caixeiro, Artur dos Santos Silva, operário; Saul Simões Sério, comerciante; Carlos Kopke, bancário; António Rodrigues Pires; Armando Octávio Dias, Roque de Miranda; António José dos Santos; industrial; Francisco Soares; A. Figueiredo Lima; Manuel pereira da Silva e um francês, um italiano e um catalão, como representantes das organizações anarquistas dos respectivas países. Nesta lista, onde a par de nomes comprovados existem outros duvidosos, assinala-se a presença dos estrangeiros em conformidade como as indicações de Magalhães Lima com quem partilhava conhecimentos e segundo Rocha Martins, “o famigerado Francisco Ferrer não foi de todo alheia ao que então se passou em Portugal”.
No regresso, recebido por Azevedo Coutinho no palácio da rua da Rosa, Abílio Magro entrega-lhe o autógrafo de trezentas páginas. O governador civil de Lisboa considerou-o tão importante que o levou, no dia seguinte, a D. Manuel II, então em Vila Viçosa a acompanhar a visita de Afonso XIII de Espanha. D. Manuel estimou devidamente o alto serviço prestado e entendeu dispensar a sua protecção a Magro. Este, sendo candidato a um lugar de escrivão de direito do cível, pedia preferência perante um indivíduo protegido pela “aristocracia feminina” e pelo ministro da justiça João de Alarcão. Todos os sinais são de que o rei se empenhou, como testemunharam o conde de Tarouca e João Azevedo Coutinho. Mas os dias e semanas passaram e o provimento do lugar não chegou. Nem por isso Abílio Magro deixou de continuar a recolher materiais sobre os regicidas.
14.10.07
Esta gente cujo rosto, POEMA DE SOPHIA DE MELLO BREYNER
Esta gente cujo rostoás vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis
Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre
Pois gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
De um tempo justo
Do livro GEOGRAFIA, 1967
( AGRADEÇO O ENVIO à FERNANDA leITÃO)
8.10.07
(Re)leituras- I, por André Bandeira
Reler a Tese de Doutoramento do Padre. Isidro Alves, "Il Cristiano in Cristo - la presenza del cristiano davanti a Dio in S.Paolo". De 1980, já lá vai tanto tempo...
Lembro-me de ir, por recomendação de alguém, ver o Padre Isidro na Universidade Católica. Eu tinha uma Tese de Mestrado sobre S. Paulo, em que defendia basicamente que as "autoridades" da Epístolas aos Romanos, 13, 1-7, eram um "demónio" ( o que era parte da verdade) e com essa natureza deviam ser entendidas. Eu recusara a orientação, numa Faculdade de Direito sardonicamente positivista, o Padre Isidro era um especialista em S. Paulo e eu ia bem recomendado. Quando cheguei, sentei-me. Três ou quatro esperavam por ser recebidos. Quando o vi chegar ( nunca o tinha visto) dei com um homem ainda jovem, carregado de dossiers, com um ar extenuado. Disse para mim próprio: "Quem sou eu para estar a incomodar este homem, carregado de trabalho, com a minha tesezinha?!". Quando a secretária chamou por mim, certamente que ninguém respondeu.
Mas reler a tese do Padre Isidro faz bem, nestes tempos em que todos se reclamam
proprietários de Deus. Nós não temos Deus, antes, por Cristo, estamos perante ele. Perante Ele, como um tribunal, perante ele como um vítima perfeita para ser sacrificada. E a luta constante na nossa vida para sermos essa vítima perfeita, sem mancha, quando vier o sacrifício da Morte que não marca hora mas nunca falha, é o modo de nos mantermos sempre presentes. S. Paulo sabia isso, sabia o que era ser presente ao julgamento, terreno e divino. Talvez fosse demasiado entusiasta por acreditar que Cristo era o Messias, tão certo como quem conhece os rituais judaicos, a filosofia popular helénica, as seitas gnósticas e os mistérios romanos, para não falar dos Diógenes incorruptíveis do Areópago. Talvez, Saulo, o perseguidor, continuasse a correr, depois de ter caído em Damasco, com o mesmo ardor, desta vez sem armas. Estar presente. Apesar de S. Paulo ser aquele judeu pequenino e careca, gesticulante como um mediterrânico, falando um mistura de latim, grego e hebreu e com ataques epilépticos, em que o misterioso gnosticismo era anti-gnóstico, em que a crença no Messias vinha de fora, da poeira de Damasco e que achava bem todas as deduções místicas do seu tempo mas que nem todas lhe convinham. O judeu que nunca teve um sistema nem se ufanou de o não ter, com tiradas como as de Diógenes a Alexandre, mas que sempre correu para estar presente, tendo tido a sorte de ser talvez amado por uma mulher, enquanto cosia tendas para sobreviver e ela, administradora de uma casa de tecidos, o olhava com curiosidade. Teria o fariseu Saulo arranjado apenas uma nova fileira publicitária? A diferença entre "ter Deus" e estar presente é que, como Sto. Agostinho depois exprimiu, só fica o Presente, sem Passado nem Futuro, só o diálogo cara-a-cara em que talvez o gesto de abertura, como quem pede para falar, seja o da oração. No fim de contas, descobri afinal outro sentido para "autoridade" que o Padre Isidro bem sabia: falar com sinceridade porque "coração", para os gregos das praças e do Mar, era o Homem todo e integral. Desculpe, Padre Isidro não estar quando me chamaram, foi essa a minha forma de "falar" com coração...ao modo de Marcel Marceau.
Lembro-me de ir, por recomendação de alguém, ver o Padre Isidro na Universidade Católica. Eu tinha uma Tese de Mestrado sobre S. Paulo, em que defendia basicamente que as "autoridades" da Epístolas aos Romanos, 13, 1-7, eram um "demónio" ( o que era parte da verdade) e com essa natureza deviam ser entendidas. Eu recusara a orientação, numa Faculdade de Direito sardonicamente positivista, o Padre Isidro era um especialista em S. Paulo e eu ia bem recomendado. Quando cheguei, sentei-me. Três ou quatro esperavam por ser recebidos. Quando o vi chegar ( nunca o tinha visto) dei com um homem ainda jovem, carregado de dossiers, com um ar extenuado. Disse para mim próprio: "Quem sou eu para estar a incomodar este homem, carregado de trabalho, com a minha tesezinha?!". Quando a secretária chamou por mim, certamente que ninguém respondeu.
Mas reler a tese do Padre Isidro faz bem, nestes tempos em que todos se reclamam
proprietários de Deus. Nós não temos Deus, antes, por Cristo, estamos perante ele. Perante Ele, como um tribunal, perante ele como um vítima perfeita para ser sacrificada. E a luta constante na nossa vida para sermos essa vítima perfeita, sem mancha, quando vier o sacrifício da Morte que não marca hora mas nunca falha, é o modo de nos mantermos sempre presentes. S. Paulo sabia isso, sabia o que era ser presente ao julgamento, terreno e divino. Talvez fosse demasiado entusiasta por acreditar que Cristo era o Messias, tão certo como quem conhece os rituais judaicos, a filosofia popular helénica, as seitas gnósticas e os mistérios romanos, para não falar dos Diógenes incorruptíveis do Areópago. Talvez, Saulo, o perseguidor, continuasse a correr, depois de ter caído em Damasco, com o mesmo ardor, desta vez sem armas. Estar presente. Apesar de S. Paulo ser aquele judeu pequenino e careca, gesticulante como um mediterrânico, falando um mistura de latim, grego e hebreu e com ataques epilépticos, em que o misterioso gnosticismo era anti-gnóstico, em que a crença no Messias vinha de fora, da poeira de Damasco e que achava bem todas as deduções místicas do seu tempo mas que nem todas lhe convinham. O judeu que nunca teve um sistema nem se ufanou de o não ter, com tiradas como as de Diógenes a Alexandre, mas que sempre correu para estar presente, tendo tido a sorte de ser talvez amado por uma mulher, enquanto cosia tendas para sobreviver e ela, administradora de uma casa de tecidos, o olhava com curiosidade. Teria o fariseu Saulo arranjado apenas uma nova fileira publicitária? A diferença entre "ter Deus" e estar presente é que, como Sto. Agostinho depois exprimiu, só fica o Presente, sem Passado nem Futuro, só o diálogo cara-a-cara em que talvez o gesto de abertura, como quem pede para falar, seja o da oração. No fim de contas, descobri afinal outro sentido para "autoridade" que o Padre Isidro bem sabia: falar com sinceridade porque "coração", para os gregos das praças e do Mar, era o Homem todo e integral. Desculpe, Padre Isidro não estar quando me chamaram, foi essa a minha forma de "falar" com coração...ao modo de Marcel Marceau.
6.10.07
Crónica de Espanha

Las primeras páginas dos periódicos vienen estos días plagadas de fotografías con carteles del Rey ardiendo. Son grupos de 30, puede que 40, pongamos que 100 revoltosos, generalmente radicales y antisistema, que parecen decididos a seguir con las hogueras, conscientes del privilegio que supone saber que nunca tan pocos tuvieron en jaque a tantos. A conduta de 45 personas volver del revés la vida de 45 millones? Tan radical y deslumbrante anomalía explica a las claras que ese no es el problema, sino apenas una anécdota, la excusa que evidencia un mal mucho más profundo, de más calado, cual es la crisis del Sistema, o si se quiera de la Monarquía restaurada en 1975 que pactó el otorgamiento de la Constitución de 1978.
El pacto en torno a la Corona entre la derecha, el partido socialista y los nacionalismos catalán y vasco que alumbró esa Constitución ha quedado muy en entredicho, si no roto, a cuenta de la aprobación del nuevo Estatuto de Cataluña –en contra del partido que representa grosso modo al 40% del electorado-, y por el reciente envite lanzado por Ibarretxe anunciando la celebración de un referéndum, decisión que el español menos avisado ha entendido en su exacta dimensión: como un paso más hacia la independencia del País Vasco, un viaje que tiene su estación término a la vista, pues los plazos se han acortado de forma vertiginosa en esta Legislatura por culpa de un presidente del Gobierno que alegremente decidió hace 4 años colocarse al frente del batallón de derribos del Sistema.
El pacto en torno a la Corona entre la derecha, el partido socialista y los nacionalismos catalán y vasco que alumbró esa Constitución ha quedado muy en entredicho, si no roto, a cuenta de la aprobación del nuevo Estatuto de Cataluña –en contra del partido que representa grosso modo al 40% del electorado-, y por el reciente envite lanzado por Ibarretxe anunciando la celebración de un referéndum, decisión que el español menos avisado ha entendido en su exacta dimensión: como un paso más hacia la independencia del País Vasco, un viaje que tiene su estación término a la vista, pues los plazos se han acortado de forma vertiginosa en esta Legislatura por culpa de un presidente del Gobierno que alegremente decidió hace 4 años colocarse al frente del batallón de derribos del Sistema.

Si la Constitución del 78 pretendía transmitir la idea de que la Corona, a pesar de su arcaísmo, tenía el valor instrumental de garantizar la unidad de la nación española y ésta amenaza quiebra, es evidente que corre el riesgo de perder su primera y quizá única razón de ser para millones de españoles. La Monarquía está, pues, en crisis, porque lo anormal sería que con el Régimen salido de la Transición en plena convulsión, la guinda que corona la tarta constitucional permaneciera al margen en una especie de idílico nirvana. Este es el problema de fondo que la quema de retratos del Monarca y de banderas españolas está poniendo en evidencia.
El problema se agrava porque la Corona se halla indefensa para enfrentar esta deriva e intentar al menos un cambio de rumbo con argumentos de prestigio. Monarquía inerme, que ahora paga los excesos, fundamentalmente dinerarios, cometidos durante años por el titular de la institución. Un Rey sin auctoritas, virtud que en este caso nada tiene que ver con el aura casi sagrada que Hannah Arendt otorgaba el término, sino con el pedestre refrán que aconseja al hombre público predicar con el ejemplo. “En esta legislatura al menos en un par de ocasiones se le ha pedido que dijera algo, que saliera a la palestra para emitir opinión”, aseguraba en privado este mismo mes un destacado líder del PP, “y la respuesta, alarmada, fue siempre la misma: ¡No puedo, no puedo hablar, me tienen maniatado!”.
Excesos más o menos veniales
Amordazado por Zapatero, como amordazado estuvo por Aznar. Porque es imposible esconder bajo la alfombra el resultado de más de 30 años de excesos. Su implicación, más o menos venial, en operaciones económicas sigue siendo una constante, caso de la toma de Endesa por parte de Enel o del establecimiento de una fábrica de celulosa en Uruguay por parte de ENCE, compañía de la que es importante accionista su íntimo amigo Alberto Alcocer. Las embestidas mediáticas que asolan la imagen de la familia real británica apenas rozan la figura de Isabel II, cuya fortuna es conocida desde sus orígenes. Nada se sabe de la del Rey Juan Carlos, salvo lo que dicen las revistas extranjeras dedicadas a este tipo de rankings. La Monarquía británica paga impuestos, cosa que no hace la española. Hay, pues, un déficit democrático evidente en el funcionamiento de la institución y en los comportamiento de la persona que ocupa el vértice de nuestro sistema constitucional.
A ese déficit democrático se ha unido un clamoroso déficit de gestión de la imagen del Monarca por parte de La Zarzuela o, si quieren, de la Casa del Rey. A su manera, Sabino Fernández Campo intentó realizar esa gestión, y con notable éxito, que incluía una discreta vigilancia sobre el entorno –les amitiés dangereuses- y los comportamientos del titular de la Corona. Nada se ha hecho desde su salida de palacio. Las jefaturas de Fernando Almansa y de su sucesor, Alberto Aza, han resultado dos completos desastres, como corresponde a dos pesos ligeros. Sólo así se entiende un dislate como el cometido en Oviedo por el Monarca, ensalzando lui-même el papel estelar de la Institución en estos años. Si nadie me defiende, me defenderé yo mismo. De modo que el Rey parece haber vivido estos últimos años en un plácido sueño hedonista, del que ha sido despertado con estrépito de cristales rotos por los revoltosos que queman su retrato en la plaza de la Armería.
Del tabú a la indiferencia
El cuestionamiento de la Monarquía por parte de una minoría despide, y esto es quizá lo más desasosegante de la situación, un halo de intranquilidad y miedo colectivo que actúa como reflejo condicionado de una sociedad que continúa atenazada por el miedo a manifestarse con libertad sobre determinadas cuestiones, ergo de una democracia que 32 años después de la muerte de Franco sigue sin alcanzar su madurez. Hablar y criticar al Rey sigue siendo un tema tabú. Sobre un famoso locutor de radio que ha osado hablar de “abdicación” han caído estos días todas las plagas de Egipto. Sólo cabe el halago cortesano, materia en la que son expertos algunos los profesionales de la lisonja en busca de marquesados.
Por duro que resulte admitirlo, la realidad es que la Monarquía se asienta hoy en España sobre la legitimidad de la indiferencia, de modo que la Institución se mantendrá en pie mientras la gente del común siga viviendo de espaldas al problema. ¿Significa la quema de fotos que esa indiferencia empieza a dar paso a un movimiento de más calado? Al fin y al cabo, las Monarquías suelen caer por la fuerza de los movimientos populares en la calle. Ni un sólo dato, sin embargo, permite afirmar ahora que algo de eso esté ocurriendo en España. Fundamentalmente porque esa indiferencia se asienta firmemente sobre el miedo a lo desconocido, y sobre la percepción general de que, con el problema territorial abierto en canal por culpa de los nacionalismos, abrir ahora el melón monárquico sería lo más parecido a un suicidio colectivo, una irresponsabilidad que pondría en riesgo la paz y prosperidad de los españoles.
Pero este sentimiento no debería ser disculpa capaz de evitar la obligación que tiene nuestra clase política de poner, cuanto antes mejor, manos a la obra para, dentro de la normalidad, abordar un nuevo proceso constituyente capaz de repensar España. Los españoles necesitamos ir al psicólogo 32 años después del fin de la dictadura. Abordar una reforma constitucional capaz de cerrar de una vez el Capítulo VIII (“De la Organización Territorial del Estado”). No es posible que un partido con 36.000 afiliados (PNV) pueda mediatizar al vida política de 45 millones. Y devolver a ese Estado determinadas competencias –esenciales para garantizar la solidaridad entre españoles- que nunca debió perder. Repensar, incluso, el papel institucional de la Monarquía (¿debe seguir siendo el Rey el jefe supremo del Ejército?). Y tantas cosas más. Ninguna reforma de este calado será posible sin un gran pacto entre los dos grandes partidos nacionales. La situación exige inteligencia, no vísceras, y desde luego esos “hombres dotados de talento” a cuya ausencia atribuía el citado Ortega y Gasset la “desventura de España”.
4.10.07
3 de Outubro - S. Francisco

Ao irmão António, meu bispo, o irmão Francisco
envia saudações. Tenho gosto em que ensines aos irmãos a sagrada teologia, desde que, com o estudo, não se extinga neles o espírito da santa oração e devoção como está escrito na Regra.
envia saudações. Tenho gosto em que ensines aos irmãos a sagrada teologia, desde que, com o estudo, não se extinga neles o espírito da santa oração e devoção como está escrito na Regra.
( Reproduzido de http://teologia777.blogspot.com/ )
3.10.07
João Franco e os Regeneradores Liberais
Os atropelos ao art.º 74 da Carta levavam a uma situação insustentável em que os dirigentes rotativos se acusavam mutuamente, como no sarcasmo de Hintze contra José Luciano “Fui leal ao meu rei, não entrei em conspirações republicanas”.[2] Antes de se afastar do Parlamento em 1901, sendo chefe da bancada do Partido Regenerador, João Franco deixou dito “que este País não podia continuar a ser ludíbrio de Regeneradores e Progressistas, que os países pertenciam aos seus povos, e que os monárquicos, para honrarem as instituições, deveriam "caçar no mesmo terreno'" que os republicanos". Estava marcado o terreno de combate que levaria João Franco a erguer o dedo ameaçador contra a propaganda republicana: “Se não fizerem já a República, eu não lhes deixarei fazê-la". E de facto assim teria sido se D. Carlos e o Príncipe Real tivessem escapado ao atentado. E por isso mesmo o atentado visou ambos.
Franco queria governar com a Nação e democratizar o processo governativo. Assim nasceu o Partido Regenerador Liberal, destinado a defender as instituições monárquicas contra o Rotativismo decrépito e contra a propaganda republicana.[3] Após dois anos de observação e de expectativa, a partir de 1903 começa uma intensa propaganda no País, sustentada na imprensa e com larga organização partidária em Lisboa. Ao escol de homens políticos que o fundaram, abandonando antigas posições partidárias, vieram juntar-se valores intelectuais. Num artigo sobre a adesão do grande escritor Fialho de Almeida, escreveu-se então: “Deu-se com Fialho o mesmo que acontecera com Ramalho Ortigão e Teixeira Lopes, com Sales de Lencastre e Costa Goodolfim, com Antero de Figueiredo e Eugénio de Castro, com Henrique da Gama Barros e o Visconde de Castilho, Agostinho de Campos, José Maria Rodrigues e Gomes Teixeira, e tantos Portugueses excelentes nas artes, nas letras ou nas ciências, idealistas sem serem ideólogos, que espontaneamente trouxeram ao esforço sincero do Franquismo o valioso atestado moral da sua adesão ou da sua simpatia.”[4]
Entre os que acompanharam João Franco desde a primeira hora no Partido Regenerador Liberal contam-se os nomes de: Drs. Teixeira de Abreu, Martins de Carvalho, José Novais, Mota Gomes, Luís de Soveral, Tarouca, de Arnoso, de Mafra e de Margaride, Drs. José Cavalheiro, Viscondes do Banho, da Idanha, Drs. Alfredo a Costa, Carlos Tavares, Pedro Gaivão, Malheiro Reimão, Luciano Monteiro, Teixeira de Vasconcelos, Tavares Proença, Melo e Sousa, , Pinto de Mesquita, João Saraiva, Morais Sarmento, Driesel Shroeter, António Viana, António Costa, Morais de Carvalho, José Maria dos Santos, Marquês de Valflor, e os mais distintos oficiais da época, Vasconcelos Porto, Paiva Couceiro, Aires de Ornelas e Azevedo Coutinho, que a essa amizade juntaram a glória militar.
[1] Carnide, 31
[2] Referindo-se à ditadura regeneradora de 1895
[3] Carnide 59
[4] Carnide, 60
1.10.07
Magalhães Lima, o caixeiro viajante da República

Na véspera de Natal de 1907, João Franco manda publicar o decreto de convocação de eleições para 5 de Abril de 1908; não tão cedo quanto os partidos reclamavam, mas ainda assim o fim da “ditadura”. Ao convocar eleições, o que já podia fazer em Dezembro sem risco porque a reforma dos colégios eleitorais lhe permitia esperar uma maioria parlamentar, retirava à agitação o pretexto mais sério. Mais alguns meses e o país regressaria à legalidade constitucional. Durante meses concitara contra si e contra o rei, a fúria dos partidos monárquicos e dos republicanos. Agora, com a conspiração republicana controlada, encaminhada a viagem de D. Carlos ao Brasil, e presos alguns raros anarquistas, considerava ter na mão todos os elementos para fazer triunfar o seu projecto. Se vencesse, poderia ser o fim do rotativismo estéril, a redução do republicanismo a uma força marginal e um novo alento para a monarquia, baseada numa nova correlação de forças.
O que João Franco desconhecia eram os planos gizados em Paris por gente do Partido Republicano e das Lojas da Rua Cadet, 15. Em Novembro de 1907, Magalhães Lima, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, anunciou em banquete organizado em sua honra em Paris que graves notícias estavam para chegar de Portugal, e bebia antecipadamente "à República Portuguesa" (87).[1]
Que se passara?
O Partido Republicano enviara a Paris uma missão constituída pelos FF. MM. Magalhães Lima, Alves da Veiga, Ângelo da Fonseca, e eng.º José da Costa Amorim.[2] O grupo aparece reproduzido com relevo, em fotografia, dez dias após o regicídio (11 de Fevereiro de 1908), na primeira página de O Mundo. Tratava-se de procurar junto apoios internacionais para a revolução, e coordenar a respectiva propaganda.[3] Muito embora não se conheçam os nomes dos interlocutores, tudo aponta para o senador Henry Bérenger, apoiado no ministro dos Estrangeiros Stéphen Pichon e do primeiro-ministro Clemenceau, dos radicais franceses no poder.
O rasto da missão foi seguido pelas organizações antimaçónicas francesas que publicaram relatos do sucedido nos jornais e expediram ao ministro de Portugal, em Paris, Sousa Rosa, a informação obtida através de uma loja maçónica parisiense de que D. Carlos seria assassinado “..... “.[4]
A 19 de Novembro de 1907, Magalhães Lima toma a palavra na Loja Cosmos (GOF) sobre o tema “Portugal – decadência da monarquia, necessidade de um regime republicano – advento da república”: A 20 de Novembro está na Loja Garibaldi (GOF). Preside ao banquete do Congresso da Imprensa ( radical) onde profere o sinistro aviso já referido. E volta a surgir numa sessão solene de 21 de Dezembro presidida por altas entidades maçónicas francesas.[5] Sempre espalhafatoso, terá sido mesmo censurado pelos seus pares e é de notar que a 1ª República nunca lhe confiou um cargo político de responsabilidade.
O anarquista José Nunes, inventor confesso de engenhos de morte, maçon e carbonário, revelou as reuniões de Paris em E para quê? (1918). Aí levanta uma ponta do pesado véu quando afirma que a tragédia do Terreiro do Paço foi a realização do que se combinara, em fins de 1907, numa reunião no Restaurante Le Brébant, 32, no Boulevard Poissonière, em Paris. No Congresso da Imprensa, “onde um dos políticos que estavam na casa da rua do Desterro, um outro português e alguns revolucionários franceses, resolveram o assassínio de João Franco enquadrado num golpe revolucionário que veio a ser o 28 de Janeiro.”
[1] Brenier
[2] Em 1909 o PRP envia a Inglaterra uma comissão formada por Magalhães Lima, José Relvas e Alves da Veiga, para obter das autoridades britânicas, onde Lloyd George representa os radicais, havendo encontros com o duque de Connaught.
[3] Araújo
[4] Araújo. Artigo do Padre francês J. Tourmentin contra Magalhães de Lima e Maçonaria“Portugal” 2ª pag. - COPIADO 14/2/1908
Tourmentin é citado por Flavien Brennier, redactor da Revue Anti-Maçonnique
[5] Léon de Poncins, Le Portugal renait, Paris, 1936, pp.20-21
A 19 de Novembro de 1907, Magalhães Lima toma a palavra na Loja Cosmos (GOF) sobre o tema “Portugal – decadência da monarquia, necessidade de um regime republicano – advento da república”: A 20 de Novembro está na Loja Garibaldi (GOF). Preside ao banquete do Congresso da Imprensa ( radical) onde profere o sinistro aviso já referido. E volta a surgir numa sessão solene de 21 de Dezembro presidida por altas entidades maçónicas francesas.[5] Sempre espalhafatoso, terá sido mesmo censurado pelos seus pares e é de notar que a 1ª República nunca lhe confiou um cargo político de responsabilidade.
O anarquista José Nunes, inventor confesso de engenhos de morte, maçon e carbonário, revelou as reuniões de Paris em E para quê? (1918). Aí levanta uma ponta do pesado véu quando afirma que a tragédia do Terreiro do Paço foi a realização do que se combinara, em fins de 1907, numa reunião no Restaurante Le Brébant, 32, no Boulevard Poissonière, em Paris. No Congresso da Imprensa, “onde um dos políticos que estavam na casa da rua do Desterro, um outro português e alguns revolucionários franceses, resolveram o assassínio de João Franco enquadrado num golpe revolucionário que veio a ser o 28 de Janeiro.”
[1] Brenier
[2] Em 1909 o PRP envia a Inglaterra uma comissão formada por Magalhães Lima, José Relvas e Alves da Veiga, para obter das autoridades britânicas, onde Lloyd George representa os radicais, havendo encontros com o duque de Connaught.
[3] Araújo
[4] Araújo. Artigo do Padre francês J. Tourmentin contra Magalhães de Lima e Maçonaria“Portugal” 2ª pag. - COPIADO 14/2/1908
Tourmentin é citado por Flavien Brennier, redactor da Revue Anti-Maçonnique
[5] Léon de Poncins, Le Portugal renait, Paris, 1936, pp.20-21
30.9.07
Um crime útil

Na história de Portugal, o regicídio de 1 de Fevereiro de 1908 é o passo decisivo para a revolução de 5 de Outubro de 1910 sendo, ainda hoje, objecto de repulsa pela maioria da população. Conforme sondagem recente da UCP (2002), 76.5 % dos inquiridos considera-o “um crime horroroso”, 18,8% “um mal necessário” e 4,6% “uma coisa boa para o país”. Os tempos mudam. Há cem anos atrás, a campanha de apoteose dos regicidas desencadeada pelo Partido Republicano foi um modelo para a “balbúrdia sanguinolenta” da 1ª República, entre cujas centenas de mortos em atentados e revoltas tombaram um dos seus presidentes, Sidónio Pais em 1918, e Machado Santos, Carlos da Maia e António Granjo em 1921, seus fundadores.
O conhecimento da conjuntura da tragédia do Terreiro do Paço é perturbado pela promiscuidade espantosa entre as organizações políticas que para ela conspiraram. O assassinato d’el Rei D. Carlos e do príncipe D. Luiz Filipe resultou da aliança dos republicanos com os anarquistas, e com os dissidentes progressistas, e sobretudo da formidável campanha de imprensa que transformou os odios partidários em odios pessoais, fazendo convergir todos os rancores na pessoa do Rei, e da Familia real, de modo que se estabeleceu o seguinte axioma: arredada a dinastia, está assegurada a Republica.
O conhecimento da conjuntura da tragédia do Terreiro do Paço é perturbado pela promiscuidade espantosa entre as organizações políticas que para ela conspiraram. O assassinato d’el Rei D. Carlos e do príncipe D. Luiz Filipe resultou da aliança dos republicanos com os anarquistas, e com os dissidentes progressistas, e sobretudo da formidável campanha de imprensa que transformou os odios partidários em odios pessoais, fazendo convergir todos os rancores na pessoa do Rei, e da Familia real, de modo que se estabeleceu o seguinte axioma: arredada a dinastia, está assegurada a Republica.
20.9.07
Guerra Junqueiro e Hitler - AS RELIGIÕES POLÍTICAS
A violência nazi é incomparavelmente maior nos actos. Mas a violência verbal de Junqueiro é muito superior. "Brandos costumes? " País de Poetas?"
"O partido republicano nem organizou nem aconselhou o atentado. O atentado foi obra única de dois homens. E contudo, as balas de morte partiram da alma da nação. Foi um atentado nacional. Um raio esplêndido e pavoroso, exterminador e salvador. O raio condensou-se em duas almas, apenas, mas a electricidade que o gerou saiu da alma de nós todos. Todos nós somos cúmplices"." Lamento de olhos enxutos, a execução do monarca. Mas, se tivesse o dom de o ressuscitar, não o levantaria do seu túmulo. Deploro, angustioso, a morte do príncipe. E diante do cadáver dos homicidas, descubro-me, ajoelhando-me, com frémitos de terror, lágrimas de piedade, e , porque não hei-de confessa-lo? de admiração e de carinho. Mataram? é certo. Ferozes? sem duvida. Mas cruéis por amor, ferozes por bondade. Os que matam por amor, sacrificando o próprio corpo, são duros, mas são bons.Abjectos e miseráveis são os que por egoísmo e covardia, calando e cruzando os braços, deixammorrer os inocentes. São heróis os dois regicidas portugueses. Libertaram, morrendo, sacrificando-se. Idealidade, valor, desinteresse, abnegação. Heróis. Mataram um grande criminoso e o seu filho inocente. É horrível, mas para eles, na sua concepção da historia, materialista e fanática, o filho do Rei era a vergôntea da arvore, e a arvore de má sombra, queriam corta-la pelo tronco. Ideia barbara e cruel. Mas a violência desumana do acto formidável, remiram-na os algozes heróicos, lavando com o próprio sangue, o sangue inocente que verteram. mataram com atrocidade, e com atrocidade forammortos. Expiaram a dívida, purificaram o acto. E o solo assim purificadosurge-nos grande e luminoso, na essência intima. Deu-nos a paz que fugira da Pátria. Deu-nos a alegria que se evolara das almas. Libertou-nos, harmonizou e serenou. Hoje, nesta hora de liberdade e clemencia, pode dizer-se que são eles os dois regentes do Reino."
8.9.07
Aforismos de Agosto, por Pedro Cem
1 - A sensação não tem Memória. Só tem outra sensação.
2- É óbvio que a desconfiança está cheia de Passado. O presente é diverso e o Passado ainda mais. Tantas diversidades podem ser simplificadas mas dão uma longa sensação de indigestão.
3 - A tentação ataca sempre uma segunda vez, como um extra depois de se fazer o que se deve porque, nesse momento, o que custa é aguentar a desolação, sem sinais de Deus.
4- Contar uma anedota a si próprio é algo que se pode aprender mesmo tendo nascido sem jeito para contar anedotas. E largar a rir sozinho pode significar que se foi visitado pela Verdade.
5- A solidão não é silenciosa. Está cheia de fantasmas. Por isso se deve aguentar uma posição social medíocre, porque a riqueza da solidão não é acessível a todos e é difícil de segurar.
6- As pessoas falam nos cafés, nas esplanadas, ao telemóvel. E todas as palavras coincidem à flor dos lábios. Na nossa busca de confirmação, nos arrastamos dilacerados uns para os outros.
7- Saí a tremer da água. Vi duas lésbicas num gesto terno e admirei-as do alto da minha masculinidade. Foi uma falsa tolerância porque dar um sexo ao Amor é afastá-lo ainda mais.
8- Programar, vontade de ferro…mas depois do embate a única sabedoria é perdoar tudo. À força de querer reduzir o Mundo à mente, cavalgámos uma quimera e caímos fora do Mundo.
9- Ao longo do caminho, nem Roldão, nem Mustafá têm tempo para perdoar. Só o perdão do tempo é que funciona. O tempo que nem Roldão, nem Mustafá têm.
10 - O aprofundamento do raciocínio é a inversão da realidade, mesmo o mais hiper-realista dos raciocínios.
11- Estratégia chamamos ao modo de dar um estilo a tudo o que fizemos com a fraqueza da vontade. Uns vêem caras nas mesmas nuvens onde eu vejo animais.
12 - Para prever o que vai acontecer basta não deixar que aconteça algo imprevisto. Se julgamos que não aconteceu nada, nunca acontecerá se não deixarmos. Crer é poder.
13 - “Vá, não penses nisso!” disse ela, com algo em mente. Deixei de pensar e a mente obscureceu-se ao levar com a luz sem a crosta protectora da ignorância. Era o que ela tinha em mente.
14 - Depois de muitas hesitações, lá decidiu. Para se fazer muitos disparates há que ser decidido. Por isso, os outros viram, mas ele não viu porque o saber lhe deu tempo.
15 - O pensamento é como uma imagem invertida. Fotografar uma imagem invertida e virá-la ao contrário pode falhar no cálculo. O pensamento não pode ser usado em bruto.
16 - Janeca pensou rápido. Julgava que o que via, de pensar tão rapidamente, era ela própria em eminência. Mas era apenas uma ressaca, em que ouvia a sua voz de cada vez que ponderava.
17 -A viagem é imaginação. Se o viajante morrer, expirará como se não se tivesse levantado da cama. O viajante tornou-se imaginário com a paisagem porque perdeu algo, ao partir.
18 - No homem que se põe a caminho, os dois primeiros passos são o contrário do nada, porque o segundo é uma potência do primeiro. Ao fim de mil passos, os pés doem. É o corpo que pensa.
19 - O mundo dos nossos órgãos não é inteiramente um mundo de trevas. Tenho a certeza, como no mundo dos peixes das águas do abismo, a nossa pele é ligeiramente translúcida.
20 - Porque se suicidou Lucrécio? Dizem que por Amor. Enquanto os átomos das lágrimas declinavam pelo seu rosto, secou-as ao sol para que se evaporassem para cima e o sal cegou-o.
21 - Quando a lua nascia Teilhard de Chardin cria assentar ideias. A luz da lua parece mostrar que tudo está ali na obscuridade. A luz do Sol não deixa ver tudo, a começar pelo próprio Sol.
22 - Como evitar a vaidade de ter Deus? Agradecer o desespero contínuo e cinzento e a loucura como um Seu afago. Jesus é o meu talismã e nem sei se Jesus existiu.
2- É óbvio que a desconfiança está cheia de Passado. O presente é diverso e o Passado ainda mais. Tantas diversidades podem ser simplificadas mas dão uma longa sensação de indigestão.
3 - A tentação ataca sempre uma segunda vez, como um extra depois de se fazer o que se deve porque, nesse momento, o que custa é aguentar a desolação, sem sinais de Deus.
4- Contar uma anedota a si próprio é algo que se pode aprender mesmo tendo nascido sem jeito para contar anedotas. E largar a rir sozinho pode significar que se foi visitado pela Verdade.
5- A solidão não é silenciosa. Está cheia de fantasmas. Por isso se deve aguentar uma posição social medíocre, porque a riqueza da solidão não é acessível a todos e é difícil de segurar.
6- As pessoas falam nos cafés, nas esplanadas, ao telemóvel. E todas as palavras coincidem à flor dos lábios. Na nossa busca de confirmação, nos arrastamos dilacerados uns para os outros.
7- Saí a tremer da água. Vi duas lésbicas num gesto terno e admirei-as do alto da minha masculinidade. Foi uma falsa tolerância porque dar um sexo ao Amor é afastá-lo ainda mais.
8- Programar, vontade de ferro…mas depois do embate a única sabedoria é perdoar tudo. À força de querer reduzir o Mundo à mente, cavalgámos uma quimera e caímos fora do Mundo.
9- Ao longo do caminho, nem Roldão, nem Mustafá têm tempo para perdoar. Só o perdão do tempo é que funciona. O tempo que nem Roldão, nem Mustafá têm.
10 - O aprofundamento do raciocínio é a inversão da realidade, mesmo o mais hiper-realista dos raciocínios.
11- Estratégia chamamos ao modo de dar um estilo a tudo o que fizemos com a fraqueza da vontade. Uns vêem caras nas mesmas nuvens onde eu vejo animais.
12 - Para prever o que vai acontecer basta não deixar que aconteça algo imprevisto. Se julgamos que não aconteceu nada, nunca acontecerá se não deixarmos. Crer é poder.
13 - “Vá, não penses nisso!” disse ela, com algo em mente. Deixei de pensar e a mente obscureceu-se ao levar com a luz sem a crosta protectora da ignorância. Era o que ela tinha em mente.
14 - Depois de muitas hesitações, lá decidiu. Para se fazer muitos disparates há que ser decidido. Por isso, os outros viram, mas ele não viu porque o saber lhe deu tempo.
15 - O pensamento é como uma imagem invertida. Fotografar uma imagem invertida e virá-la ao contrário pode falhar no cálculo. O pensamento não pode ser usado em bruto.
16 - Janeca pensou rápido. Julgava que o que via, de pensar tão rapidamente, era ela própria em eminência. Mas era apenas uma ressaca, em que ouvia a sua voz de cada vez que ponderava.
17 -A viagem é imaginação. Se o viajante morrer, expirará como se não se tivesse levantado da cama. O viajante tornou-se imaginário com a paisagem porque perdeu algo, ao partir.
18 - No homem que se põe a caminho, os dois primeiros passos são o contrário do nada, porque o segundo é uma potência do primeiro. Ao fim de mil passos, os pés doem. É o corpo que pensa.
19 - O mundo dos nossos órgãos não é inteiramente um mundo de trevas. Tenho a certeza, como no mundo dos peixes das águas do abismo, a nossa pele é ligeiramente translúcida.
20 - Porque se suicidou Lucrécio? Dizem que por Amor. Enquanto os átomos das lágrimas declinavam pelo seu rosto, secou-as ao sol para que se evaporassem para cima e o sal cegou-o.
21 - Quando a lua nascia Teilhard de Chardin cria assentar ideias. A luz da lua parece mostrar que tudo está ali na obscuridade. A luz do Sol não deixa ver tudo, a começar pelo próprio Sol.
22 - Como evitar a vaidade de ter Deus? Agradecer o desespero contínuo e cinzento e a loucura como um Seu afago. Jesus é o meu talismã e nem sei se Jesus existiu.
20.8.07
«O culto dos regicidas»

Após o regicídio de 1 de Fevereiro, as forças radicais desencadearam uma campanha fortíssima do «culto dos regicidas» em que os autores reconhecidos do crime foram glorificados, sem que quaisquer imposições das autoridades o tentassem impedir. Essas manifestações organizadas e persistentes prolongaram-se durante alguns anos, até se esgotarem já depois do 5 de Outubro com a cisão entre as facções do PRP e os choques com os anarquistas.
Como tudo o que resultava da colaboração entre as forças radicais, a campanha foi montada sistemáticamente e com enorme rapidez e poder de mobilização. Quanto menos crédito e verosimilhança tinha a versão do atentado isolado, mais ruidosa se tornava. Alfredo Costa, o jovem caixeiro, e Manuel Buíça, o ex-sargento de Cavalaria tinham sido carbonários, com ligações à loja maçónica loja “Obreiros do Futuro” e fanáticos de António José de Almeida. Tanto bastava para que estas e outras organizações em rede por ela patrocinadas convergissem na manobra do “culto dos regicidas” com uma conivência e passividade do Governo que impressionou os observadores. O PPR aplicava a táctica de Brito Camacho: “Quanto mais liberdade nos derem, mais haveremos de obrigá-los às transigências que rebaixam ou às violências que comprometem.”
Os diários radicais - já sem a censura imposta por João Franco - deploraram o destino dos assassinos e não tiveram palavras de piedade para com as vítimas régias. O Mundo abriu nas suas colunas uma subscrição em favor da viúva e órfãos de Manuel Buiça que rendeu 64 contos de reis, uma quantia ao tempo fabulosa. Houve propaganda levada a cabo nas escolas.Uma subscrição pública foi aberta pela Associação do Registo Civil que patrocinou o funeral dos regicidas; os regicidas foram glorificados, e cobertos de flores os seus covais no cemiterio do Alto de S. João. Promoveu ainda a construção de um monumento na campa dos mesmos, da autoria de Julio Vaz, em plena via e junto ao túmulo do anarquista Heliodoro Salgado.[1]
O acto culminante da campanha foi o que o Conde de Arnoso chamou «a vergonhosa e vil peregrinação ao cemitério». Associações, grémios, delegados de diversos organismos radicais, redactores de diários das esquerdas desfilaram, previamente convocados, diante dos túmulos dos regicidas, depositando ramos de flores, coroas, e fitas com inscrições laudatórias. Nas montras das lojas da Baixa, em bilhete postal e em retratos, os regicidas tinham lugar de honra. E ainda Museu da Revolução, inaugurado apos a implantação da Republica, o capote de Buiça e as armas que ele e Costa tinham utilizado encontravam-se em exposição como relíquias de dois mártires.[2]
Qualquer regime que se abandona sem defesas, está perdido. A opinião pública constatou que o Governo se abstinha de qualquer censura ou proibição ao “culto dos regicidas” e que os inimigos redobravam de insolencência. A Marquesa de Rio Maior solicitou a Ferreira do Amaral que pusesse termo àquela vergonha. «Agora - respondeu-lhe o Presidente - só penso em acalmar os ânimos». The Times escreveu: «O mundo civilizado observará, provavelmente, que os senhores assassinos é que mandam». A grande massa dos versáteis, num primeiro momento indignados pelo crime, achou inútil mostrar-se mais intransigente que o governo.
Qualquer regime que se abandona sem defesas, está perdido. A opinião pública constatou que o Governo se abstinha de qualquer censura ou proibição ao “culto dos regicidas” e que os inimigos redobravam de insolencência. A Marquesa de Rio Maior solicitou a Ferreira do Amaral que pusesse termo àquela vergonha. «Agora - respondeu-lhe o Presidente - só penso em acalmar os ânimos». The Times escreveu: «O mundo civilizado observará, provavelmente, que os senhores assassinos é que mandam». A grande massa dos versáteis, num primeiro momento indignados pelo crime, achou inútil mostrar-se mais intransigente que o governo.
Os mais comprometidos nos eventos do 1 de Fevereiro - como José de Alpoim, um dos instigadores do assassinato - mostravam-se em público sem se expôr a incidentes desagradáveis. O regicídio começou a parecee desculpável, a partir do momento que o govermo, apesar de instaurar o processo, renunciava à retaliação política (96).
Mas se o culto provocador dos regicidas desmobilizou boa parte da opinião pública e impressionou o mundo político, em contrapartida exasperou sectores que sempre tinham revelado lealdade ao rei, nomeadamente o exército. Correram rumores de golpe entre os oficiais das guarnições de Lisboa, exasperados com a inacção do poder e com as provocações sucessivas. A unidades foram confinadas nas casernas e ninguém surgiu a liderar o movimento. Talvez por isso, algumas semanas após o atentado uma centena de oficiais e sargentos foram saquear os escritórios do jornal O Mundo, abertamente republicano. Se D. Manuel II tivesse legitimidade para contrariar a politica do governo e agisse resolutamente contra as froças radicais orquestradas pelo PRP, decerto teria o apoio de todo o exército. Os quadros subalternos do exército, em particular, ficaram desiludidos com a inacção e foram aliciados para a causa da revolução onde se iriam distinguir os sargentos na Rotunda.
19.8.07
A crise dos mercados
Sobre a crise conjuntural dos mercados e crise estrutural da globalização, dois artigos de colaboradores periódicos do SP, um português - Artur Rosa Teixeira e outro brasileiro - Nivaldo Cordeiro - dizem o mesmo.
Leias as análises:
Há-de cair de maduro, por Artur Teixeira http://www.somosportugueses.com/modules/articles/article.php?id=231
A CRISE DOS MERCADOS, por Nivaldo Cordeiro
http://www.somosportugueses.com/modules/articles/article.php
Leias as análises:
Há-de cair de maduro, por Artur Teixeira http://www.somosportugueses.com/modules/articles/article.php?id=231
A CRISE DOS MERCADOS, por Nivaldo Cordeiro
http://www.somosportugueses.com/modules/articles/article.php
13.8.07
SIC TRANSIT
Dick Cheney em 1994 considerava que invadir o Iraque e conquistar Bagdad seria criar um pântano.! Video do AEI
7.8.07
D. João VI monarca luso-brasileiro
200 Anos da transferência da Corte para o Brasil
Quando consideramos os acontecimentos da história de Portugal entre a Revolução Francesa e a consolidação do liberalismo europeu, é patente que a sucessão de eventos gira em torno de um ponto cego de onde irá emergir o Portugal contemporâneo. E encoberto nesse olho do furacão histórico onde se cruzaram as mais diversas propostas políticas está a figura de D. João, príncipe herdeiro e príncipe governante, regente, rei e imperador honorário, repartido entre dois continentes, dois regimes, entre a guerra e a paz, a tranquilidade e a crise política.
A soberania de D. João articulou-se em três grandes fases, todas elas bem definidas e separadas umas das outras. A primeira, de 1792 a 1807, desenrolou-se em Portugal e sob a égide do chamado despotismo esclarecido. A segunda, de 1808 a 1821, teve lugar no Brasil, convertido em metrópole, enquanto o Portugal europeu vencia as invasões francesas mas se subalternizava. A terceira, de 1821 a 1826, correspondeu ao início do regime liberal e à independência do Brasil e a tentativas de estabelecer um sistema de governo por gabinete. Em todas estas fases, quer como príncipe quer como rei, D. João foi sempre o protagonista principal, o centro das grandes atenções, o eixo em torno do qual girou a história do país, mau grado a importância conjuntural de secretários de Estado e ministros, embaixadores e plenipotenciários estrangeiros, Cortes e deputados, a sua mulher Carlota Joaquina e seus filhos Pedro e Miguel.
Contudo, e apesar do extraordinário senso político com que D. João reflecte as qualidades e defeitos do povo português, dividem-se as opiniões da historiografia sobre o rei. O problema tem que ser confrontado e identificado. O problema não se resolve apenas reabilitando D. João VI perante algumas persistentes condenações. O problema exige que se reformule o quadro interpretativo de modo a perceber D. João como o epítome de uma época, a incarnação de uma ideia política, o protótipo de um governante burkeano que atravessou muitas crises com bastante mais vitórias que derrotas. Faltam-nos os termos para identificar as suas façanhas a que José da Silva Lisboa chamou benefícios.[1] Os acontecimentos são grandiosos mas atípicos –manutenção da neutralidade de Portugal nas guerras napoleónicas, transferência da Corte e Administração para o Rio de Janeiro, supressão do sistema colonial, medidas de liberalismo económico com a criação do banco do Brasil, abertura dos portos e liberalização do comércio, Declaração do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, adopção do liberalismo moderado em Portugal. Mas sendo únicos no género, nem por isso deixam de ser marcantes.
Os personagens atípicos na história mundial são habitualmente incompreendidos e sobretudo acusados de indecisão, de tergiversações e de ambiguidades pelos seus adversários radicais e por observadores mal informados. Na realidade estão a operar entre duas vagas de ideias políticas, mas sem aderir a nenhuma. E contudo, grandes personagens como Akhenaton/Amenophis IV, Constantino o Grande, Frederico II Hohenstaufen, e Henrique IV de França – para citar alguns casos - acabam por ser triunfadores de uma transição que depois os ultrapassa, deixando a história correr o seu curso.
É o que se passa com D. João. A própria e tradicional expressão ”reinado” é insuficiente no seu alcance hermenêutico para abranger a variedade de situações de governação em que se empenhou o monarca brigantino. Num período de trinta anos de charneira na história mundial D. João está presente com responsabilidades maiores na fundação do novo Estado no Brasil e na instauração do novo regime em Portugal. Ao alinhar as realizações da sua governação, ocorridas em mais de três décadas, é forçoso exigir que a imagem de D. João VI - e nela as qualidades e os defeitos de uma nação – não mais permaneça distorcida pela insuficiência conceptual.
O estudo é fascinante porque a personalidade de D. João não é a de um génio mas antes a de um prudente, de um spoudaios na terminologia aristotélica, sem os traços do cinismo ou da reserva que amiúde acompanham a virtude cívica da prudência. Caracterizou-se pela bonomia e pelo espírito de conciliação, sintetizadas no cognome de ‘Clemente’ que a história lhe atribuiu. O verdadeiro D. João, encoberto entre duas classes, dois continentes e dois regimes, tem que ser comparado aos seus pares que vacilaram perante a estatura dominadora de Napoleão. D. João VI não foi um exilado como o futuro Luís XVIII de França nem um traste como Carlos IV de Espanha; não enlouqueceu como Jorge III de Inglaterra nem desapareceu nas estepes como Alexandre I da Rússia. Não recebeu um trono dos aliados, como os reis da Holanda e da Bélgica, ou da fortuna, como os da Suécia. No “novo mundo” não teve que “quebrar o espelho” como os libertadores da América, mas apenas de confiar a seu filho a independência do Brasil. Não se saiu mal, em época de inclemente transição.
Na história é raro ver-se aparecer um personagem que incarne tão bem uma transição. Ao sabê-lo partido para sempre do seu paço da Bemposta, ainda encoberto aos contemporâneos, sentimos que conheceremos sempre mal o Clemente... E contudo, que nome tão belo para um rei... Que evocação tão preciosa para um personagem que de nós se afastou “apenas capaz de ser compreendido pelos futuros”, como tão bem augurou Barrilaro Ruas... E também, coisa rara entre os soberanos do seu tempo, que raro modo de ser cristão, na variante que lhe foi incutida pelo seu preceptor frei Manuel do Cenáculo e verificada pelos seus confessores franciscanos.
[1] Memória dos Benefícios Políticos (...), Rio de Janeiro, 1818, 2 vol.
Quando consideramos os acontecimentos da história de Portugal entre a Revolução Francesa e a consolidação do liberalismo europeu, é patente que a sucessão de eventos gira em torno de um ponto cego de onde irá emergir o Portugal contemporâneo. E encoberto nesse olho do furacão histórico onde se cruzaram as mais diversas propostas políticas está a figura de D. João, príncipe herdeiro e príncipe governante, regente, rei e imperador honorário, repartido entre dois continentes, dois regimes, entre a guerra e a paz, a tranquilidade e a crise política.A soberania de D. João articulou-se em três grandes fases, todas elas bem definidas e separadas umas das outras. A primeira, de 1792 a 1807, desenrolou-se em Portugal e sob a égide do chamado despotismo esclarecido. A segunda, de 1808 a 1821, teve lugar no Brasil, convertido em metrópole, enquanto o Portugal europeu vencia as invasões francesas mas se subalternizava. A terceira, de 1821 a 1826, correspondeu ao início do regime liberal e à independência do Brasil e a tentativas de estabelecer um sistema de governo por gabinete. Em todas estas fases, quer como príncipe quer como rei, D. João foi sempre o protagonista principal, o centro das grandes atenções, o eixo em torno do qual girou a história do país, mau grado a importância conjuntural de secretários de Estado e ministros, embaixadores e plenipotenciários estrangeiros, Cortes e deputados, a sua mulher Carlota Joaquina e seus filhos Pedro e Miguel.
Contudo, e apesar do extraordinário senso político com que D. João reflecte as qualidades e defeitos do povo português, dividem-se as opiniões da historiografia sobre o rei. O problema tem que ser confrontado e identificado. O problema não se resolve apenas reabilitando D. João VI perante algumas persistentes condenações. O problema exige que se reformule o quadro interpretativo de modo a perceber D. João como o epítome de uma época, a incarnação de uma ideia política, o protótipo de um governante burkeano que atravessou muitas crises com bastante mais vitórias que derrotas. Faltam-nos os termos para identificar as suas façanhas a que José da Silva Lisboa chamou benefícios.[1] Os acontecimentos são grandiosos mas atípicos –manutenção da neutralidade de Portugal nas guerras napoleónicas, transferência da Corte e Administração para o Rio de Janeiro, supressão do sistema colonial, medidas de liberalismo económico com a criação do banco do Brasil, abertura dos portos e liberalização do comércio, Declaração do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, adopção do liberalismo moderado em Portugal. Mas sendo únicos no género, nem por isso deixam de ser marcantes.
Os personagens atípicos na história mundial são habitualmente incompreendidos e sobretudo acusados de indecisão, de tergiversações e de ambiguidades pelos seus adversários radicais e por observadores mal informados. Na realidade estão a operar entre duas vagas de ideias políticas, mas sem aderir a nenhuma. E contudo, grandes personagens como Akhenaton/Amenophis IV, Constantino o Grande, Frederico II Hohenstaufen, e Henrique IV de França – para citar alguns casos - acabam por ser triunfadores de uma transição que depois os ultrapassa, deixando a história correr o seu curso.
É o que se passa com D. João. A própria e tradicional expressão ”reinado” é insuficiente no seu alcance hermenêutico para abranger a variedade de situações de governação em que se empenhou o monarca brigantino. Num período de trinta anos de charneira na história mundial D. João está presente com responsabilidades maiores na fundação do novo Estado no Brasil e na instauração do novo regime em Portugal. Ao alinhar as realizações da sua governação, ocorridas em mais de três décadas, é forçoso exigir que a imagem de D. João VI - e nela as qualidades e os defeitos de uma nação – não mais permaneça distorcida pela insuficiência conceptual.
O estudo é fascinante porque a personalidade de D. João não é a de um génio mas antes a de um prudente, de um spoudaios na terminologia aristotélica, sem os traços do cinismo ou da reserva que amiúde acompanham a virtude cívica da prudência. Caracterizou-se pela bonomia e pelo espírito de conciliação, sintetizadas no cognome de ‘Clemente’ que a história lhe atribuiu. O verdadeiro D. João, encoberto entre duas classes, dois continentes e dois regimes, tem que ser comparado aos seus pares que vacilaram perante a estatura dominadora de Napoleão. D. João VI não foi um exilado como o futuro Luís XVIII de França nem um traste como Carlos IV de Espanha; não enlouqueceu como Jorge III de Inglaterra nem desapareceu nas estepes como Alexandre I da Rússia. Não recebeu um trono dos aliados, como os reis da Holanda e da Bélgica, ou da fortuna, como os da Suécia. No “novo mundo” não teve que “quebrar o espelho” como os libertadores da América, mas apenas de confiar a seu filho a independência do Brasil. Não se saiu mal, em época de inclemente transição.
Na história é raro ver-se aparecer um personagem que incarne tão bem uma transição. Ao sabê-lo partido para sempre do seu paço da Bemposta, ainda encoberto aos contemporâneos, sentimos que conheceremos sempre mal o Clemente... E contudo, que nome tão belo para um rei... Que evocação tão preciosa para um personagem que de nós se afastou “apenas capaz de ser compreendido pelos futuros”, como tão bem augurou Barrilaro Ruas... E também, coisa rara entre os soberanos do seu tempo, que raro modo de ser cristão, na variante que lhe foi incutida pelo seu preceptor frei Manuel do Cenáculo e verificada pelos seus confessores franciscanos.
[1] Memória dos Benefícios Políticos (...), Rio de Janeiro, 1818, 2 vol.
22.7.07
Saramago, por Herva do Chão
O que Saramago declarou recentemente, dói. Dói a quem o ouve e o detesta, dói aos indiferentes, dói a quem gosta dele e dói porque Saramago não faz apenas doer. Dorido que é, aflige. Além das declarações, o resto da entrevista é, evidentemente, perturbado.
Pode ser inquietaçao conspiratória, mas agora parece claro o "contrato" que está por trás do Prémio Nobel, mesmo que o premiado não o saiba. Tanta moda do Fernando Pessoa ( que afinal, para quem leu Walt Whitman, não é assim tão original), tanta moda do Sebastianismo ( que nada tem de surpreendente para quem não quiser ser ignorante e espreitar um pouquinho para o Islão), tanta lança partida por Camões ( que é genial mas, de certeza que Dante ou Petrarca não lhe ficam atrás) e tudo se fixa numa "marca Saramago" que é uma versão prolixa e maçuda tão válida como um êxito cinematográfico com 15 minutos de brilho mundial, em troca do esquecimento de 900 anos de influência. Eça de Queirós era prolixo, não merecia talvez o Prémio Nobel do seu tempo, mas não era maçudo e todos ganhamos humanamente em o ler.
Quando Portugal perdeu o Euro, alguns gregos ficaram admirados com a mansidão da nossa reacção e até com a confraternização continuada dizendo que, se fosse em Atenas, não seria certamente assim. Os gregos não perceberam que o nosso Euro não teve um único skin-head a pôr um polícia em coma ou um "tiffosi" a disparar à queima-roupa sobre outro, tudo isto entre coiratos e bifanas e até vários árabes que só vieram ver a bola e gostaram.
Dizia um poema de Jorge de Sena sobre Camões " Podereis roubar-me tudo...", as imagens, as metáforas, e todos as outras jóias de uma Língua Portuguesa que também outros, até jogadores de futebol, ajudaram a fazer e é hoje a sexta Língua mundial. O poema termina dizendo aos ladrões que só uma coisa nunca conseguirão roubar: "Os recessos de Amor para que sois castrados".
Saramago tem um problema de Amor. E nós deixamos-lhe que roube a Língua Portuguesa, pouco nos importando com os seus problemas interiores.
Há quem diga que este "não te rales", que este desportivismo, vai perdendo Portugal. Há quem ache que um rei espanhol é melhor que esta república portuguesa. As nações não são eternas e - ah! -- a Eternidade é agora.
Muitas previsões apontam para o que Saramago diz, é bom que nos vamos habituando. E o facto da " marca Saramago" afixar este reclame de Verão, só para se degradar, não ajuda.
É preciso saber que o Amor à Pátria, que é uma forma de Amor, assenta numa sensibilidade amorosa que é anterior à Pátria e, sem esta sensibilidade, não há Pátria nenhuma que aguente. Talvez um Portugal seduzido pela Hispânia, voltasse a ter Amor, Amor que teve, Amor que o fez.
Lamento, mas aqui tenho de traçar uma fronteira: o Ser espanhol não nos deu lições de amor e talvez seja interessante dizer que Portugal matou e queimou mas Portugal nunca cometeu um Genocídio, como o conhecido e meticuloso biogeógrafo Jared Diamond o expôs muito claramente. E com este Jared Diamond, não houve qualquer contrato, apesar de ser também uma marca.
Pode ser inquietaçao conspiratória, mas agora parece claro o "contrato" que está por trás do Prémio Nobel, mesmo que o premiado não o saiba. Tanta moda do Fernando Pessoa ( que afinal, para quem leu Walt Whitman, não é assim tão original), tanta moda do Sebastianismo ( que nada tem de surpreendente para quem não quiser ser ignorante e espreitar um pouquinho para o Islão), tanta lança partida por Camões ( que é genial mas, de certeza que Dante ou Petrarca não lhe ficam atrás) e tudo se fixa numa "marca Saramago" que é uma versão prolixa e maçuda tão válida como um êxito cinematográfico com 15 minutos de brilho mundial, em troca do esquecimento de 900 anos de influência. Eça de Queirós era prolixo, não merecia talvez o Prémio Nobel do seu tempo, mas não era maçudo e todos ganhamos humanamente em o ler.
Quando Portugal perdeu o Euro, alguns gregos ficaram admirados com a mansidão da nossa reacção e até com a confraternização continuada dizendo que, se fosse em Atenas, não seria certamente assim. Os gregos não perceberam que o nosso Euro não teve um único skin-head a pôr um polícia em coma ou um "tiffosi" a disparar à queima-roupa sobre outro, tudo isto entre coiratos e bifanas e até vários árabes que só vieram ver a bola e gostaram.
Dizia um poema de Jorge de Sena sobre Camões " Podereis roubar-me tudo...", as imagens, as metáforas, e todos as outras jóias de uma Língua Portuguesa que também outros, até jogadores de futebol, ajudaram a fazer e é hoje a sexta Língua mundial. O poema termina dizendo aos ladrões que só uma coisa nunca conseguirão roubar: "Os recessos de Amor para que sois castrados".
Saramago tem um problema de Amor. E nós deixamos-lhe que roube a Língua Portuguesa, pouco nos importando com os seus problemas interiores.
Há quem diga que este "não te rales", que este desportivismo, vai perdendo Portugal. Há quem ache que um rei espanhol é melhor que esta república portuguesa. As nações não são eternas e - ah! -- a Eternidade é agora.
Muitas previsões apontam para o que Saramago diz, é bom que nos vamos habituando. E o facto da " marca Saramago" afixar este reclame de Verão, só para se degradar, não ajuda.
É preciso saber que o Amor à Pátria, que é uma forma de Amor, assenta numa sensibilidade amorosa que é anterior à Pátria e, sem esta sensibilidade, não há Pátria nenhuma que aguente. Talvez um Portugal seduzido pela Hispânia, voltasse a ter Amor, Amor que teve, Amor que o fez.
Lamento, mas aqui tenho de traçar uma fronteira: o Ser espanhol não nos deu lições de amor e talvez seja interessante dizer que Portugal matou e queimou mas Portugal nunca cometeu um Genocídio, como o conhecido e meticuloso biogeógrafo Jared Diamond o expôs muito claramente. E com este Jared Diamond, não houve qualquer contrato, apesar de ser também uma marca.
16.7.07
A transição democrática e Lisboa 2007
Imagem retirada de http://oam.risco.pt/blogger.htmlA Itália mudou o sistema partidário em 1991, a França está a mudar desde 2003. Em Portugal, a transição começou com a votação de 1.200.000 portugueses em Manuel Alegre. É nesta tendência europeia e nacional que se inscrevem os resultados das eleições intercalares de Lisboa (15-07-2007) que anunciam a tendência irreversível para a exaustão do actual sistema partidário, se não mesmo do regime de representação consagrado pela Constituição da República.
A abstenção de 62,6% em Lisboa é um cartão amarelo mostrado pelos eleitores à alternância do Bloco Central. Os dois independentes, Helena Roseta e Carmona Rodrigues, somaram 27%. E independente é Sá Fernandes perante o BE, como independentes são muitos dos candidatos das numerosas listas candidatas. Quando Jerónimo de Sousa diz que a CDU é a 3º força partidária não é só ele que fala: é a voz da ortodoxia do regime a querer silenciar a vitória dos independentes.
A vitória dos independentes é o lado positivo destas eleições de Julho de que a abstenção maciça foi o reverso negativo. Os seus resultados revelam um novo eleitorado democrático, que “já não vai em cantigas”. Nas novas redes da população urbana, existem matrizes de informação e de superação dos medos e das ideologia que estão fora do controlo dos partidos políticos e que têm capacidade de influenciar a agenda política nacional. O caso mais recente em Portugal era o da rejeição do erro da Ota. Agora são as máquinas partidárias actuais a serem julgadas conforme as suas expectativas arrogantes.
É por isso que o PS também perdeu as eleições ou, como se diz classicamente, teve uma vitória à Pirro. António Costa solicitou durante a campanha a maioria absoluta. Fez uma campanha limpa mas sem rasgo, mas teve menos votos que Carrilho e falhou estrondosamente a maioria absoluta. Agora terá de escolher a “passadeira” por onde quer desfilar. A amarela de Carmona Rodrigues leva-o a acordos pontuais. A passadeira vermelha que lhe foi estendida pelo secretário-geral do PCP, com piscadela de olho a Manuel Salgado, ressuscita a frente popular. As outras passadeiras multicolores, de Roseta e Sá Fernandes são ainda mais difíceis e tudo anuncia a ingovernabilidade destes dois anos até 2009.
O PSD de Marques Mendes que criou a crise sem ter uma solução à vista perdeu 90.000 votos em Lisboa e é o maior perdedor. Continuará a pagar a crise de governação de Lisboa com juros ainda incalculáveis para o Partido. A sua maioria na Assembleia Municipal de Lisboa, legítima em termos formais, tornou-se ilegítima em termos políticos.
Quanto aos outros partidos, do ponto de vista do Bloco Central, são todos pequenos. E por isso, tanto faz que a CDU tenha dois vereadores como que o CDS-PP não tenha nenhum. Com outras campanhas e outras personalidades e empenhamentos os resultados seriam diferentes mas nunca seriam alternativos. A população gosta de coerência no discurso e não gosta de facadas nas costas.
Os resultados eleitorais de Carmona Rodrigues e Helena Roseta significam o fim à vista do Bloco Central. O Partido Social Democrata e o Partido Socialista já não mobilizam como dantes os eleitorados tradicionais, que têm crescentes dúvidas sobre as opções económicas e sociais do Governo ( escutem-se as vaias ao Primeiro Ministro) e nada ouvem de construtivo da Oposição. As duas direcções – a de Governo sem oposição e a de Oposição desgovernada - abdicaram de defender interesses nacionais evidentes e parecem subservientes a cálculos económicos a curto prazo.
Claro que as pressões do regime para que os independentes de Lisboa regressem ao rebanhos partidários serão fortíssimas. Eles não têm um caminho fácil. Terão diante de si dois caminhos: ou avançar para a criação de novos partidos, a pedido do número crescente de votantes descontentes com o Bloco Central, ou manter-se activos na refundação da democracia económica e social, como garantia futura de liberdade e independência nacional. Agora que os saramagos voltam a dizer que devíamos ser iberistas, está por fazer o caminho da transição democrática de que depende o futuro português como nação independente e parceiro europeu a corpo inteiro.
14.7.07
Jornal de Campanha III

MPT: Slots disponíveis, ruído controlado e segurança são razões para manter a Portela
Participantes na conferência do Movimento Partido da Terra (MPT), que marcou esta sexta-feira o encerramento da sua campanha para as eleições de domingo, defenderam que o ruído e o risco de despenhamento não são razões para fechar o aeroporto de Lisboa.
Sobre a possibilidade de uma catástrofe, no caso de um avião comercial se despenhar sobre Lisboa, membros da lista liderada por Pedro Quartin Graça, disseram que a probabilidade baixou, em 20 anos, de 25 para 0,6 por milhão de aviões que sobrevoam a cidade.
Os candidatos independentes, o professor universitário Mendo Castro Henriques como o engenheiro civil Frederico Brotas de Carvalho, acentuaram que também no caso do ruído o efeito é hoje muito inferior devido aos motores mais silenciosos utilizados pelas aeronaves comerciais de última geração.
A pista principal da Portela tem mais de quatro quilómetros e os aviões de nova geração, incluindo os que são usados pelas empresas de voos de baixo custo (low cost) apenas precisam de 2,2 quilómetros para se imobilizarem, explicou o engenheiro.
Assim, se fosse possível aquelas aeronaves aterrarem apenas a partir de meio da pista, isso permitiria que sobrevoassem a cidade a uma altura superior a mais do dobro do que fazem actualmente, com a consequente diminuição de ruído.
De resto, a condenação da construção de um novo aeroporto na OTA foi severamente criticada, tendo Castro Henriques classificado a ideia como um «embuste», já que a Portela está longe de estar esgotada e um novo aeroporto naquela localidade pouco mais capacidade teria que o actual.
Com a ampliação da área de estacionamento, a Portela, que atinge os 40 lugares actualmente, ficará com capacidade para 60 aeronaves na placa, número que será muito pouco superior na OTA, reforçou Frederico Carvalho.
Outro aspecto reforçado pelos defensores do actual aeroporto de Lisboa é a sua capacidade estar longe de esgotada. Presentemente, a média de aterragens e descolagens é de 36 por hora, enquanto a capacidade pode ir até aos 44, 45 movimentos, sustentaram. Foram apresentados os mapas com folga de slots.
O cabeça-de-lista, Pedro Quartin Graça, fez questão de salientar o empenho que a sua candidatura pôs na questão do aeroporto, recordando que a primeira e última iniciativas da campanha foram sobre o tema.
Diário Digital / Lusa
Sobre a possibilidade de uma catástrofe, no caso de um avião comercial se despenhar sobre Lisboa, membros da lista liderada por Pedro Quartin Graça, disseram que a probabilidade baixou, em 20 anos, de 25 para 0,6 por milhão de aviões que sobrevoam a cidade.
Os candidatos independentes, o professor universitário Mendo Castro Henriques como o engenheiro civil Frederico Brotas de Carvalho, acentuaram que também no caso do ruído o efeito é hoje muito inferior devido aos motores mais silenciosos utilizados pelas aeronaves comerciais de última geração.
A pista principal da Portela tem mais de quatro quilómetros e os aviões de nova geração, incluindo os que são usados pelas empresas de voos de baixo custo (low cost) apenas precisam de 2,2 quilómetros para se imobilizarem, explicou o engenheiro.
Assim, se fosse possível aquelas aeronaves aterrarem apenas a partir de meio da pista, isso permitiria que sobrevoassem a cidade a uma altura superior a mais do dobro do que fazem actualmente, com a consequente diminuição de ruído.
De resto, a condenação da construção de um novo aeroporto na OTA foi severamente criticada, tendo Castro Henriques classificado a ideia como um «embuste», já que a Portela está longe de estar esgotada e um novo aeroporto naquela localidade pouco mais capacidade teria que o actual.
Com a ampliação da área de estacionamento, a Portela, que atinge os 40 lugares actualmente, ficará com capacidade para 60 aeronaves na placa, número que será muito pouco superior na OTA, reforçou Frederico Carvalho.
Outro aspecto reforçado pelos defensores do actual aeroporto de Lisboa é a sua capacidade estar longe de esgotada. Presentemente, a média de aterragens e descolagens é de 36 por hora, enquanto a capacidade pode ir até aos 44, 45 movimentos, sustentaram. Foram apresentados os mapas com folga de slots.
O cabeça-de-lista, Pedro Quartin Graça, fez questão de salientar o empenho que a sua candidatura pôs na questão do aeroporto, recordando que a primeira e última iniciativas da campanha foram sobre o tema.
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