9.4.09
XIV - (Re)leituras -- Democracy's Good Name, de Michael Mandelbaum, por André Bandeira
Ninguém discute o bom-nome da Democracia. Todos se reclamam democráticos, apesar do discurso de Péricles dizer que os monumentos à Democracia , ficarão para o Bem e para o Mal ( há alguns monumentos na Grécia, a maior parte deles, ruínas, que estão aquém do Bem e do Mal, como também vestígios de cataclismos vulcânicos se situam, hoje, em paisagens bucólicas). Em tempos dizia-se o mesmo da Cristandade, ou do Islão,e, mais tarde, dizia-se o mesmo do Socialismo.Todos eram cristãos, o Islão era Paz, todos eram socialistas. Há nisto algo de revoltantemente covarde, de Maria-vai-com-as outras, de camuflagem no caos da feira das vaidades. Confúcio -- e isto já se tornou uma chavão (pergunto-me se na hipnose colectiva em que nos encontramos haverá algo mais que chavões, não tendo aparecido ainda um Poeta que os desfaça) -- Confúcio dizia que tudo se reduzia a reatribuir os nomes correctos às coisas. Mas Wittgenstein, o tolo Positivista que nos tiraniza, dizia que não havia coisas, só factos, e os europeus continuam a ir sempre ao mesmo jogo de futebol, entre nominalistas e idealistas, rindo-se à socapa dos padres que acreditam na substanciação (Cristo é muito bonito mas o cristianismo é apenas uma notícia). Enfim, isto da Democracia, neste livro americano panfletário que escolhi, é sobretudo uma marca. Agora que houve uma oportunidade de negócio, há que vender a Democracia a toda a gente, dizendo, entre outras banhas da cobra, que é facto histórico provado que as democracias não se guerreiam umas às outras, e que as democracias só têm crescido desde que se aboliram os Reis e se implementou o princípio da auto-determinação nacional. Enfim, sempre houve profetas do fim da História, de quem, depois, os historiadores se encarregam de tomar nota quando eles passaram, mas o Tempo continuou a correr. Claro que, além deste profetas, ficam as pessoas sensatas que têm de organizar um Mundo cheio de diferenças e de desníveis, de mudanças de ritmo e de equívocos, além de terem em conta esse mundo do Corpo e da Mente, que é pouco democrático e que continua também a sua «História Natural».Alguns até lhes chamaam Santos, mas eles próprios não o sabem. Enfim, este livro, de 2007, diz duas coisas úteis: as democracias acabam quando acontecem grandes cataclismos económicos ( como a nossa crise estava aí há muito tempo, aplique-se o raciocínio à Democracia moderna). Por fim, o livro faz-nos pensar num facto,a noticiar urgentemente: a Democracia é uma questão de bom-nome. Aprendamos, portanto -- ao contrário de Confúcio -- a ver a Alma que está para além do Nome.
7.4.09
XIII (Re)leituras: The Assault on Reason, de Al Gore, por André Bandeira
Diz uma leitura do teorema de Goedel, esse grande matemático de origem vienense, que, de dois prémios ou nada, há sempre uma fórmula de tirar o melhor prémio, muitas vezes desprezando o prémio menos bom. Para este adágio dos liberais de que «A sorte protege os audazes», o livro de Al Gore, escrito para combater esse mandato de pesadelo que foi o de Bush/Cheney, parece uma grande ode ao «livra-te do medo», quando nós vivemos em medos contínuos, de perder o emprego, de perder o pouco de alento ou felicidade que ainda temos, ou de perder a própria Vida. Mas vemos que as palavras são belas em Al Gore, como se o facto de que ele «costumava ser o próximo Presidente dos Estados Unidos» não é algo que nos deixe a pensar. É muito lindo falar contra o medo, contra os medos que nos foram deliberadamente induzidos pela Administração Bush, por meios de milhões de Dólares em propaganda televisiva. É muito lindo reconhecer o analfabetismo a que chegaram os milhões de telespectadores do Mundo Ocidental, citando até o afro-americano Douglass que descobriu que as grilhetas da escravatura, no Séc. XIX, eram verdadeiramente as da incultura. Tudo isto é muito bonito de ouvir. Como se Al Gore não recortasse e colasse slogans de outras Administrações que também parecerão ultrapassadas quando a Administração de Obama chegar ao fim do seu ciclo. E digo «quando» porque nem os mais espertos marxistas se atrevem a dizer que Marx, agora, vai ter razão. Talvez tenha mais razão Lénine que disse, depois de o seu irmão ter sido executado ( e depois de ter pedido para que só o culpassem a ele e poupassem a vida aos cúmplices) que «nunca mais actuaremos assim». Na realidade, se o irmão de Lénine tivesse sido poupado, talvez lhe tivesse acontecido como Dostoiewsky e esse outro pesadelo chamado URSS não tivesse nunca acontecido. É muito fácil ladrar contra o medo, erguer o cálice à Liberdade e aconchegar-se numa Loggia como se a História fosse uma Ópera. Mas os medo e as limitações vêem-se todos os dias, ao cair da Noite. Por isso, este repositório de Al Gore, pelo Partido Democrático, contra Bush, não passa de um panfleto como foi o seu livro sobre a Ecologia. E ainda uma outra conclusão que serve para criticarmos a América, não apenas pelo grau de analfabetismo a que a sociedade de consumo do modelo americano a reduziu: talvez na Bíblia se dessem centenas de anos de idade aos patriarcas porque não havia demografia suficiente na época, onde pudessem caber tantas experiências de sabedoria. No mundo moderno, a multiplicação de cabeças, de braços e pernas, multiplica também não só as histórias, como a História, pelo que é ridículo tentar manter o discurso ao nível épico da República moderna, em que já ninguém se reconhece. O Tempo é de S. Francisco, os milagres geram-se todos os dias, sem testemunhas. Cada pessoa, tantas pessoas, tantas almas. Tudo isto para que quando tivermos de enfrentar a inevitável Morte (que se não talha ao nosso gosto) possamos dizer algo de diferente de «eu costumava ser o próximo Presidente de mim próprio».
3.4.09
G 20 e a Avestruz
O provincianismo português está a vir ao de cima no meio da governamentalização em curso. Enquanto a longa marcha dos G20 lá teve mais um passo em Londres, não consta que Durão Barroso tivesse uma única palavra sobre Portugal até porque no seu blog nem consta a nossa língua. Que bom é ter dois chapéus para esconder a falta de verticalidade da cabeça! Nem consta que Francisco Louçã estivesse entre os anarquistas da antiglobalização que partem montras; estará já a preparar-se para a aliança com as cisões do PS à esquerda, ou para ser ministro de coligação após 5 de Outubro de 2009? Entetanto, vemos os jornais preocupados com Lopes da Mota que, antes do Eurojust, foi secretário de Estado da justiça de Guterres e exerceu funções em Felgueiras; preocupados com um Licínio Batista, nome improvável de imperador romano e de uma confissão cristã mas cuja profissão é apitar jogos. Mas não se preocupam que na Assembleia, a ministra da Educação pretendesse passar a palavra a um ajudante, tratando os deputados como adjuntos da governamentalização em curso; preferem ficar ao portão da Procuradoria-Geral da República, para que a Drª Cândida Almeida diga coisas, entre corvos e papagaios. O provincianismo português está nisto: olha com admiração para a cimeira do G -20 e, qual avestruz impotente enterra a cabeça na areia, pensando que está escondido porque nada vê. Estamos nisto; uma sociedade global com economia e geofinança globais, mas sem uma república global de regulação da economia e das finanças. Mas Portugal, perdido entre lícinios, lourdes, cândidas e lopes nem sequer está interessado em bater-se pelo seu lugar.
30.3.09
XII -(Re)leituras: Lutero e os Concílios, por André Bandeira
Pus-me a ler dois livros ao mesmo tempo, para reparar em algo de que desconfiava: como os livros se repetem. Dois bons livros. Um, «Luther and Reformation» do Historiador de Oxford, V.H.H. Green, e outro, «Les Conciles Oecuméniques dans l'Histoire», de J-M.A. Salles-Dabadie, um Historiador católico da Suíça. Conclusão, (e podia já acabar aqui, pois eu leio para aprender): Lutero não quis um Concílio, antes quis que o Concílio o quisesse a ele. No que o levou à revolta, estava cheio de Razão. Já no que o fez perseverar, não sei. Era um Homem conservador, não era santo, detestava a violência e era corajoso. Os outros que o seguiram, eram ainda menos santos que ele, embora fossem muito religiosos. Mas com excepções, pois nem todos o seguiam de um modo seguidista, como Melanchton, Wycliff, Buce.E o patrão das costas deles, Filipe de Hesse, o príncepe, esse queria aquilo que o Islão tentou resolver com o casamento poligâmico: queria ter duas mulheres, uma para criar os filhos e outra para outros fins. Pois parece que o problema da Reforma protestante teve muito de sexual. Ao cabo de tanto falarem no tema, os monges não pensavam noutra coisa como se houvesse já naquele tempo um televisão mental, acesa 24 horas por dia dentro da cabeça deles (e nisso tiveram alguma culpa Humanistas como Erasmo). Não quero moralizar mas um certo gosto alemão pela comida e pela bebida fizeram de Lutero alguém muito torturado, a quem a disciplina de frade impediu, apesar de tudo, que se desse aos excessos dos outros, fossem eles picados pelo demónio do orgulho ou pelo dos Sentidos. Quanto aos Concílios, percebe-se perfeitamente que eles tiveram muitos Luteros, ao longo dos tempos, chamassem-se eles Ário, Nestório, Cirilo de Alexandria,Prisciliano, os Iconoclastas ou, mais tarde, João Huss. Quem não se salva dentro da Igreja, essa casquinha de noz num Tempestade Universal, salva-se como pode mas não é por estar fora que as diversas maneiras de se salvar, compõem uma maioria, a qual, pelo simples facto de o ser, não equivaleria à Verdade. No fundo, a Igreja Católica, ao contrário da Ortodoxa e da Igreja Luterana, conseguiu manter uma muito maior independência política e uma muito menor venalidade temporal e, isto, ao cabo de esforços e martírios sem fim que compõem um milagre contínuo. A Igreja Católica não é melhor que as outras, nem vende bulas para o céu, e faz decerto muita asneira. Mas tem Alguém que vela por ela. As outras pretendem velar por elas próprias. Sim, temos Papas e à vezes arrependemo-nos de os ter. Mas um Papa não passa duma trémula flor rebentando dum tronco rude e improvável. Quando o ouvirmos, pensemos mais na Primavera que numa loja de flores. E, com isto tudo digo, por fim, que o Islão trazia frades a cavalo, de espada na mão. O Islão tem muito menos de oriental do que tem de cristianismo arcaico. Não nos admiremos, por isso, da sua enorme tenacidade, pois se trata muito mais de um mal-entendido monstro do nosso Passado do que uma fórmula nova e estranha de acreditar.
13.3.09
8.3.09
Rescaldo de Espinho!
É gravíssimo! Em vez de se bater em Bruxelas pelo Tratado de Lisboa, que até tem a sua marca, e é uma forma de contrariar o directório das potências europeias, José Sócrates foi discursar à americana ao Congresso do PS em Espinho a 1 de Março; e faltou pela segunda vez a uma Cimeira Europeia . É assim que defende o Tratado de Lisboa?
É um filme político comum na nossa história. Por exemplo: Portugal venceu a Guerra Peninsular nos campos de batalha mas quando lhe pediram 15.000 homens para a campanha da Bélgica e de Waterloo, recusou-se e foi castigado no Congresso de Viena de 1815 pelas grandes potências.
Hoje os G20, onde Portugal não consta mas a Espanha sim, estão a impôr a hierarquia das potências. O que se esperava de Portugal é que se salientasse que a Europa se deveria apresentar a uma voz. Para isso tem softpower que chegue. Louçã cedeu ao caudilhismo ao dizer que «A política europeia é um vazio». Manuela Ferreira Leite deveria ter dito que "defender o interesse nacional" seria defender o Tratado de Lisboa. Perdemos oportunidade de marcar nas declarações e dar um empurrão à entalada presidencia checa. É muito mau! Erro gravíssimo, Da próxima, dirão que já nem precisam de nós lá.
É um filme político comum na nossa história. Por exemplo: Portugal venceu a Guerra Peninsular nos campos de batalha mas quando lhe pediram 15.000 homens para a campanha da Bélgica e de Waterloo, recusou-se e foi castigado no Congresso de Viena de 1815 pelas grandes potências.
Hoje os G20, onde Portugal não consta mas a Espanha sim, estão a impôr a hierarquia das potências. O que se esperava de Portugal é que se salientasse que a Europa se deveria apresentar a uma voz. Para isso tem softpower que chegue. Louçã cedeu ao caudilhismo ao dizer que «A política europeia é um vazio». Manuela Ferreira Leite deveria ter dito que "defender o interesse nacional" seria defender o Tratado de Lisboa. Perdemos oportunidade de marcar nas declarações e dar um empurrão à entalada presidencia checa. É muito mau! Erro gravíssimo, Da próxima, dirão que já nem precisam de nós lá.
1.12.08
XI - (Re) Leituras «La connaissance surnaturelle», de Simone Weil, (no Primeiro de Dezembro) por André Bandeira
Escolhi este livro num dia de Sofrimento. No primeiro de Dezembro, a um passo do Sol nascente, Portugal dói-me enormemente no peito. Somos Portugueses de um modo diferente, em que os outros são outras coisas. Vivemos numa encosta de areia, sempre a escorregar, mas o nosso quintal é o Mar do Universo, onde o Sol nunca se põe,e, portanto, onde é sempre Natal. Penso ser este a primeira razão do nosso Sofrimento e da nossa maldade: é difícil viver sem nunca encontrar uma pedra onde fixar os pés.
Simone Weil morreu jovem pouco depois de lhe terem recusado, pela última vez, ser lançada de páraquedas em França, para se juntar à Resistência. Nestes seus escritos, os últimos no Sanatório onde morreu, Simone passa por todo o saber da Humanidade que ela, como judia que era, guardara na memória, na lenda, no rito e na Razão, na teima, na obsessão, no misticismo, acho que tão antigo como o tempo das cavernas. Com Simone sabe-se seguramente que a Memória da Humanidade é mais sapiente que a mais brilhante das descobertas da Física quântica sobre a estrutura do nosso cérebro. Mas também é mais indomável, esta sapiência que aparece e desaparece naquilo que dizemos ser «sensibilidade feminina», ou «visões». Ao longo do livro, Simone reconcilia-se com todos os traumas culturais do Mundo, inclusive, para ela, os alemães. Reconcilia-se à mesa, no Presépio, com alegria, como numa ceia de Natal. O cristianismo dela é genuíno, não é converso, mas é exigente, como um Evangelho que nasceu no Antigo Testamento. Por isso se revolta contra Moisés, por isso se perde de febre na busca de Jesus. Se Jesus esteve ao lado dela, nos lençóis febris daquele sanatório, não sei. Uma das suas últimas linhas fala de alguém que a queria visitar, apenas porque ela estava tão doente e tão sem ninguém. A sua última frase fala sobre a importância de Conhecer e a sua última palavra é «Enfermeiras», talvez referindo-se ao conhecimento em eterna presença que é o de tratar de doentes e irmanar-se com eles.
Hoje, por Portugal, um Nada que é Tudo, um Reverso inverso em Espada: talvez Portugal não seja nem o território, nem um certo número de cabeças, umas que riem, outras que choram. Talvez Portugal seja um «Rei», corporizado ou não em alguém, coroado ou não, decidido ou hesitante. Sim, Portugal é uma cabeça, humana, que alguns, muito poucos seguem, como quem segura um cadáver moribundo de alguém muito amado. E, seguindo-o, com o coração coladinho ao coração vacilante, como quem guarda um flor, ou um passarinho ferido. Compaixão? Não. Paixão.
Simone Weil morreu jovem pouco depois de lhe terem recusado, pela última vez, ser lançada de páraquedas em França, para se juntar à Resistência. Nestes seus escritos, os últimos no Sanatório onde morreu, Simone passa por todo o saber da Humanidade que ela, como judia que era, guardara na memória, na lenda, no rito e na Razão, na teima, na obsessão, no misticismo, acho que tão antigo como o tempo das cavernas. Com Simone sabe-se seguramente que a Memória da Humanidade é mais sapiente que a mais brilhante das descobertas da Física quântica sobre a estrutura do nosso cérebro. Mas também é mais indomável, esta sapiência que aparece e desaparece naquilo que dizemos ser «sensibilidade feminina», ou «visões». Ao longo do livro, Simone reconcilia-se com todos os traumas culturais do Mundo, inclusive, para ela, os alemães. Reconcilia-se à mesa, no Presépio, com alegria, como numa ceia de Natal. O cristianismo dela é genuíno, não é converso, mas é exigente, como um Evangelho que nasceu no Antigo Testamento. Por isso se revolta contra Moisés, por isso se perde de febre na busca de Jesus. Se Jesus esteve ao lado dela, nos lençóis febris daquele sanatório, não sei. Uma das suas últimas linhas fala de alguém que a queria visitar, apenas porque ela estava tão doente e tão sem ninguém. A sua última frase fala sobre a importância de Conhecer e a sua última palavra é «Enfermeiras», talvez referindo-se ao conhecimento em eterna presença que é o de tratar de doentes e irmanar-se com eles.
Hoje, por Portugal, um Nada que é Tudo, um Reverso inverso em Espada: talvez Portugal não seja nem o território, nem um certo número de cabeças, umas que riem, outras que choram. Talvez Portugal seja um «Rei», corporizado ou não em alguém, coroado ou não, decidido ou hesitante. Sim, Portugal é uma cabeça, humana, que alguns, muito poucos seguem, como quem segura um cadáver moribundo de alguém muito amado. E, seguindo-o, com o coração coladinho ao coração vacilante, como quem guarda um flor, ou um passarinho ferido. Compaixão? Não. Paixão.
Mia Rose
Mia Rose, um valor que se afirma.. Filha de pai inglês e mãe portuguesa...!
Ainda precisa de colocar a voz .. Mas em comparação com os êxitos em inglês - cheios de tiques de adolescente - ao pegar neste clássico de Rui Veloso, mostra que é um talento fantástico...!
Ainda precisa de colocar a voz .. Mas em comparação com os êxitos em inglês - cheios de tiques de adolescente - ao pegar neste clássico de Rui Veloso, mostra que é um talento fantástico...!
21.11.08
Crise nas Universidades Públicas
Crise nas Universidades Públicas
O ministro Mariano Gago, admitiu que existem maus gestores nas universidades públicas. E logo a seguir acrescentou que confia na autonomia universitária.
A autonomia assenta em três pilares – o financiamento, a avaliação e uma realidade mais difícil de definir a que podemos chamar o carácter humanista do ensino e da investigação. Quanto ao financiamento do ensino superior público a despesa aumentou muito com a contribuição de 11% para a Segurança Social. Várias Universidades entraram em rotura financeira, situação que umas enfrentaram com reforços orçamentais e outras utilizando os saldos de receitas próprias. Mas como entre 2005 e 2008, as dotações diminuíram, em percentagem do PIB, cerca de 16%”, a situação é insustentável a médio prazo. Por isso, os ex-reitores escreveram ao órgãos do poder a apelar por uma revisão da actual política de financiamento.
Mas os ex-reitores não falam que a universidade que aspira à produção, transmissão ou a aquisição de um saber autónomo em relação ao poder e ao dinheiro tem que ser governada pela investigação da verdade mais do que pela utilidade. Tal é o núcleo vivo de qualquer universidade. Se este ideal universitário é obsoleto, deite-se fora e façam-se escolas superiores. Qualquer das 10 melhores universidades americanas tem um orçamento supeiror a duas vezes todo o orçamento do ministerio português do ensino superior. Mas a força das universidades americanas, para além dos seus meios financeiros, é que souberam favorecer a dimensão antiutilitária, interdisciplinar e humanista do saber.
O ministro Mariano Gago, admitiu que existem maus gestores nas universidades públicas. E logo a seguir acrescentou que confia na autonomia universitária.
A autonomia assenta em três pilares – o financiamento, a avaliação e uma realidade mais difícil de definir a que podemos chamar o carácter humanista do ensino e da investigação. Quanto ao financiamento do ensino superior público a despesa aumentou muito com a contribuição de 11% para a Segurança Social. Várias Universidades entraram em rotura financeira, situação que umas enfrentaram com reforços orçamentais e outras utilizando os saldos de receitas próprias. Mas como entre 2005 e 2008, as dotações diminuíram, em percentagem do PIB, cerca de 16%”, a situação é insustentável a médio prazo. Por isso, os ex-reitores escreveram ao órgãos do poder a apelar por uma revisão da actual política de financiamento.
Mas os ex-reitores não falam que a universidade que aspira à produção, transmissão ou a aquisição de um saber autónomo em relação ao poder e ao dinheiro tem que ser governada pela investigação da verdade mais do que pela utilidade. Tal é o núcleo vivo de qualquer universidade. Se este ideal universitário é obsoleto, deite-se fora e façam-se escolas superiores. Qualquer das 10 melhores universidades americanas tem um orçamento supeiror a duas vezes todo o orçamento do ministerio português do ensino superior. Mas a força das universidades americanas, para além dos seus meios financeiros, é que souberam favorecer a dimensão antiutilitária, interdisciplinar e humanista do saber.
9.11.08
A finalidade do Estado é a liberdade

Amsterdão vai homenagear um dos seus filhos mais famosos: o judeu lusodescendente Bento de Espinosa (1632-1677), filho de agricultores de Beja que escreveu que “A finalidade do Estado é a liberdade”. A frase estará no pedestal da estátua a inaugurar a 24 de Novembro, dia do aniversário, no Zwanenburgwal onde ele viveu. Mas Espinoza ainda causa controvérsia O mayor de Amsterdão, Cohen, quer fazer o filósofo tão emblemático de Amsterdão como Erasmo é de Roterdão.
O monumento por Nicolas Dings é uma representação em granito de um icosaedro - um globo de vinte triângulos idênticos que simbolize a idéia do universo como um modelo cuja forma é dada pelo intelecto humano. A representação figurativa de Spinoza tem uma capa decorada com pardais, periquitos e rosas. Os periquitos são os animais de estimação exóticos nas árvores de Amsterdão visto que o pardal holandês está a desparecer. Os pássaros são símbolos de Amsterdão como uma cidade emigrante. As raizes Portuguesas-Judaicas do filósofo fazem dele um imigrante.
As suas idéias na tolerância religiosa e de liberdade de expressão são mais relevantes agora do que nunca quando o medo do fanatismo islâmico e o terrorismo aumentam a pressão. De acordo com Espinoza, Deus não tem num plano, está na natureza, e a Bíblia foi feita poelos povo. No seu Tractatus Theologico-Politicus (1670) escreveu: “Amsterdão progride por tudo o que a liberdade pode dar. Aqui, povos de todos os credos vivem em paz.
8.11.08
X -(Re)Leituras: A Roménia depois de 1989, de Catherine Durandin e Zoe Petre, por André Bandeira
Um livro de duas historiadoras, sendo Zoe uma antiga conselheira do ex-Presidente de Direita, que tem hoje um partido irrelevante, Emil Constantinescu. O livro defende uma tese que toda a gente receia: que a Roménia, de todos os países da antiga Europa de Leste,foi aquele onde os membros do Partido Comunista, com o seu cortejo local de corruptos e tiranos, melhor se adaptaram. E equacionam o caso do seguinte modo: Ceausescu era realmente independente de Moscovo (tese contestada pelos historiadores russos e pela Espionagem norte-americana), de tal modo que Gorbachov teve mesmo de o mandar abaixo. Neste sentido, uma massa de militares, de agentes secretos (Securitate)e de pessoas com emprego ( inclusive os mineiros) se passaram de campo e serviram as cabeças do casal Ceausescu e uma espécie de Democracia, numa bandeja, aos russos. Mas, entretanto, Gorbachov era apeado e Moscovo passava do comunismo ao capitalismo selvagem. O que ficou? Ficou a capacidade de sobreviver, ficou uma velha Roménia que, em 1941, perdeu 200.000 pessoas a combater por Hitler, contra Moscovo e, em 1944, perdeu outros 200.000 a combater pelos Aliados contra a Alemanha, tudo isto para continuar a existir. Perdoem ser ignorante mas sempre pensei que a Roménia era a sul da Bulgária, porque esta sempre foi, pelo idioma e pela Igreja, muito naturalmente afeita a Moscovo. Ora a Roménia sempre foi muito romena,na sua diversidade, com os seus costumes, a sua música, o seu idioma. Mesmo os fascistas romenos, a Guarda de Ferro, eram os únicos fascistas que, apesar de terem cometido as maiores barbaridades, sabiam morrer, sem se moverem, debaixo de bala, por fidelidade ao seu comando e ao seu ideal que não era apenas violento.
Passeando pelo centro de Bucareste, em campanha eleitoral, dou esmola a gente boa que muitas vezes vejo em Portugal nos trabalhos mais humildes e topo com menos cães vadios do que os milhares que andavam livremente antes do presidente Basescu, então na Câmara, os limpar. Lembro-me do Rei Miguel que conheci nos seus modos simples e na sua permanente postura de saber ser digno perante quem o vai trair, a qualquer momento e de qualquer lado, mesmo da família, talvez até vendendo cara a pele, e renovo o meu amor por esta terra. A Roménia ligada ao solo, triste e nevoenta, com sóis orientais que arranja formas por vezes tortuosas de sobreviver. Na realidade, a Roménia apenas parece triste, para quem deixou de ver que as terras e os países foram compostos de pessoas, sobretudo de pessoas e por pessoas, antes de tudo. E sinto, no peito, que esta terra, nos seus vales, nos seus vampiros, na sua ingenuidade, nos seus pavores, nos seus ciganos que amontam a metade da alma romena, nos seus Cárpatos,se trata apenas dum enorme tesouro, algures nas traseiras da minha casa, a qual, sem ela, parecia um precipício sobre o Mar.
Passeando pelo centro de Bucareste, em campanha eleitoral, dou esmola a gente boa que muitas vezes vejo em Portugal nos trabalhos mais humildes e topo com menos cães vadios do que os milhares que andavam livremente antes do presidente Basescu, então na Câmara, os limpar. Lembro-me do Rei Miguel que conheci nos seus modos simples e na sua permanente postura de saber ser digno perante quem o vai trair, a qualquer momento e de qualquer lado, mesmo da família, talvez até vendendo cara a pele, e renovo o meu amor por esta terra. A Roménia ligada ao solo, triste e nevoenta, com sóis orientais que arranja formas por vezes tortuosas de sobreviver. Na realidade, a Roménia apenas parece triste, para quem deixou de ver que as terras e os países foram compostos de pessoas, sobretudo de pessoas e por pessoas, antes de tudo. E sinto, no peito, que esta terra, nos seus vales, nos seus vampiros, na sua ingenuidade, nos seus pavores, nos seus ciganos que amontam a metade da alma romena, nos seus Cárpatos,se trata apenas dum enorme tesouro, algures nas traseiras da minha casa, a qual, sem ela, parecia um precipício sobre o Mar.
27.10.08
Liza Veiga, uma estrela mal conhecida!
Liza Veiga canta MArcos Portugal, com A Orquestra de Camra de Cascais.
Em qualquer país do mundo, esta diva já estaria a actuar para multidões.
O album homónimo "Liza Veiga", vem da produtora Chiado Records produções ou NZ produções onde canta também os Beatles, Procol HArum, etc..
Se tivessemos uma politica cultural a sério seria apoiado
Parabens Liza ! Canta, até que a voz doa...:!
Em qualquer país do mundo, esta diva já estaria a actuar para multidões.
O album homónimo "Liza Veiga", vem da produtora Chiado Records produções ou NZ produções onde canta também os Beatles, Procol HArum, etc..
Se tivessemos uma politica cultural a sério seria apoiado
Parabens Liza ! Canta, até que a voz doa...:!
16.10.08
IX - (Re)leituras : Truman, de David McCullough, por André Bandeira
Esta é um biografia do Presidente norte-americano Truman, e que foi prémio Politzer em 1980. Porquê Truman? Porque os neoconservadores que fizeram do mandato de Bush Jr. um "erro ideológico" se reclamaram de Truman.
Qual é a principal qualidade de Truman, que era maçon, aceitou contribuições da Ku Klux Klan sem as assumir, decididu o lançamento de duas bombas atómicas mas proibiu a terceira e começou a sua carreira ligado à máfia irlandesa?
A principal qualidade de Truman, como o seu nome indica, foi o Trabalho. Sim, o seu nome diz "verdade" e a verdade na América da sua época, foi o Trabalho. Por isso, Truman era de Esquerda porque ninguém pode trabalhar como ele trabalhou e não deixar o coração, um pouco, nesse Moloch poderoso que é o Trabalho. Ora porque Moloch é um Titã, dos tempos arcaicos, só pode, como qualquer Titã, estar, à esquerda ou estar à direita, quer dizer, descentrado. Este Mmoloch está à esquerda, sendo irrelevante a posição de um gigante.
O mesmo se está a passar agora. O neto do movimento dos Direitos cívicos (quer dizer: anti-apartheid) que Truman institucionalizou vai provavelmente vencer as eleições norte-americanas, no mês que vem e é apenas a metade mais densa de uma mesma coisa, onde talvez a simples vantagem da juventude é decisiva.
Portanto, Obama é neto da bomba atómica e filho de J.F.Kennedy, o que significa que estamos ante uma linhagem de ferro, o ferro da espada.
Truman diz que a decisão que mais lhe custou a tomar foi a da Guerra da Coreia ( que inchou e queimou Mac Arthur) e não a da bomba atómica (que amaldiçoou o seu criador, Oppenheimer). Diz-se que a Coreia prolongou a fabulosa máquina industrial-militar( um Moloch) da América na Segunda Guerra Mundial, permitindo ao Democrata Truman cumprir o seu programa social de Esquerda. A bomba atómica foi apenas mais um golpe horrível e sabemos que os ataques convencionais, como o bombardeamento de Tóquio, deixaram tantos mortos quanto Hiroshima e Nagasaqui juntas, numa geurra horrível. A Coreia deu origem ao Vietname, e o Vietname, por sua vez, deu origem ao Terceiro-Mundismo de Chávez e Ahmenidejad.
Mas qual foi a qualidade de Truman, sem ser um Moloch? Truman resistiu a tudo e levou com tudo. O que fez durante oitenta e oito anos e oito meses foi ignorar a má-sorte. De facto, a sua asserção de que nunca teve má-sorte tem o eco duma bomba. Quer dizer: ele não teve sorte, nem boa, nem má.
Truman morreu depois de escorregar na banheira. Teve um acidente de trabalho.
E, por incrível que pareça, tendo sido um empresário falhado, duma linha de empresários falhados e passado para a política com uma "mão irlandesa", mesmo assim, fez rigorosamente o que é permitido fazer a um homem nesta era sêca como a lua: trabalhou continuamente. E, nessa indiferença à Fealadade do Mundo -- da qual foi também um personagem -- Truman tem todo o mérito.
Qual é a principal qualidade de Truman, que era maçon, aceitou contribuições da Ku Klux Klan sem as assumir, decididu o lançamento de duas bombas atómicas mas proibiu a terceira e começou a sua carreira ligado à máfia irlandesa?
A principal qualidade de Truman, como o seu nome indica, foi o Trabalho. Sim, o seu nome diz "verdade" e a verdade na América da sua época, foi o Trabalho. Por isso, Truman era de Esquerda porque ninguém pode trabalhar como ele trabalhou e não deixar o coração, um pouco, nesse Moloch poderoso que é o Trabalho. Ora porque Moloch é um Titã, dos tempos arcaicos, só pode, como qualquer Titã, estar, à esquerda ou estar à direita, quer dizer, descentrado. Este Mmoloch está à esquerda, sendo irrelevante a posição de um gigante.
O mesmo se está a passar agora. O neto do movimento dos Direitos cívicos (quer dizer: anti-apartheid) que Truman institucionalizou vai provavelmente vencer as eleições norte-americanas, no mês que vem e é apenas a metade mais densa de uma mesma coisa, onde talvez a simples vantagem da juventude é decisiva.
Portanto, Obama é neto da bomba atómica e filho de J.F.Kennedy, o que significa que estamos ante uma linhagem de ferro, o ferro da espada.
Truman diz que a decisão que mais lhe custou a tomar foi a da Guerra da Coreia ( que inchou e queimou Mac Arthur) e não a da bomba atómica (que amaldiçoou o seu criador, Oppenheimer). Diz-se que a Coreia prolongou a fabulosa máquina industrial-militar( um Moloch) da América na Segunda Guerra Mundial, permitindo ao Democrata Truman cumprir o seu programa social de Esquerda. A bomba atómica foi apenas mais um golpe horrível e sabemos que os ataques convencionais, como o bombardeamento de Tóquio, deixaram tantos mortos quanto Hiroshima e Nagasaqui juntas, numa geurra horrível. A Coreia deu origem ao Vietname, e o Vietname, por sua vez, deu origem ao Terceiro-Mundismo de Chávez e Ahmenidejad.
Mas qual foi a qualidade de Truman, sem ser um Moloch? Truman resistiu a tudo e levou com tudo. O que fez durante oitenta e oito anos e oito meses foi ignorar a má-sorte. De facto, a sua asserção de que nunca teve má-sorte tem o eco duma bomba. Quer dizer: ele não teve sorte, nem boa, nem má.
Truman morreu depois de escorregar na banheira. Teve um acidente de trabalho.
E, por incrível que pareça, tendo sido um empresário falhado, duma linha de empresários falhados e passado para a política com uma "mão irlandesa", mesmo assim, fez rigorosamente o que é permitido fazer a um homem nesta era sêca como a lua: trabalhou continuamente. E, nessa indiferença à Fealadade do Mundo -- da qual foi também um personagem -- Truman tem todo o mérito.
11.10.08
Escutar Marcos Portugal
"Sugiro a primeira audição moderna da ária Beatissimae Virginis, dos Responsórios da Imaculada Conceição (a 4 vozes e orquestra) de Marcos Portugal, executados a partir dos manuscritos existentes na Área de Música da Biblioteca Nacional de Portugal. O maestro Ricardo Bernardes esteve em Lisboa, este Verão, a consultar e copiar estes manuscritos e a 27 de Agosto já estava em Washington a executar a obra. Um exemplo a seguir!"
Do Blog A Biblioteca do Jacinto
http://abibliotecadejacinto.blogspot.com/2008/09/amrica-antiga-2.html
Do Blog A Biblioteca do Jacinto
http://abibliotecadejacinto.blogspot.com/2008/09/amrica-antiga-2.html
9.10.08
VIII - (Re)leituras -- Bosquejo de Europa, de Salvador de Madariaga, por André Bandeira
Ora aqui está um livro com espírito, com sabedoria. Na parte que nos interessa, Madariaga, da família de Solana, entra no campo chutando para a canela do adversário: os portugueses são espanhóis. Dá-nos um lugar autónomo entre "Gregos e Turcos" e "Judeus e Ciganos".Contudo, quando se trata de falar de espanhóis, que coloca num clube dos 5, na Europa, já não se refere ao braço direito da "Hispânia", que seria o lírico Portugal, nem o braço esquerdo (a levantina Catalunha), só fica o corpo, Castela/Andaluzia ( diga-se que este corpo, com os cabelos no país Basco e o baixo-ventre na Andaluzia, não tem pernas para andar).
Madariga, que escrevia do México, em 1951, altura do bem sucedido desenvolvimentismo franquista, tem humor, elegância, imaginação europeia. É culto, informado e veraz. Certamente que, num salão europeu, arrancaria uns suspiros e fixaria uns olhares da carneiro-mal-morto de algumas europeias. Não sei se durariam o tempo da Melanie Grifith e do António Banderas, mas, nesse tempo, não se conhecia o divórcio.
Enfim, também nos vem com um esclarecimento, útil de reler, porque já nos esquecíamos: a América Latina não é Hispano-América por causa do Brasil, e não é Ibero-América por causa do Haiti.
No meio de tanto "mikado", lá vou retirando as varinhas e fico com a ideia de que os seres humanos se fixam em vários pontos da terra, outras vezes imigram e vão ficando mais ou menos isolados, mais ou menos miscigenados. Isto não que dizer que tudo é uma misturada. Quer dizer que nada é definitivamente de ninguém. No fundo, o que Salvador de Madariaga diz é que a Europa na sua diversidade, é ainda muito dominadora.
Salvador de Madariga é, claro, um percursor da União Europeia, mas a sua "Hispânia" altaneira e esperta, é tão neurótica quanto muitos europeus. Ora Portugal, ainda tem um Império para velar, porque Tristeza tem-na muita, vinda de não se sabe de onde, vinda de não sei quando, mas neurótico, Portugal não quer ser. Nem que, para isso, se meta a bóiar num deserto azul, martelado pelo Sol.
Madariga, que escrevia do México, em 1951, altura do bem sucedido desenvolvimentismo franquista, tem humor, elegância, imaginação europeia. É culto, informado e veraz. Certamente que, num salão europeu, arrancaria uns suspiros e fixaria uns olhares da carneiro-mal-morto de algumas europeias. Não sei se durariam o tempo da Melanie Grifith e do António Banderas, mas, nesse tempo, não se conhecia o divórcio.
Enfim, também nos vem com um esclarecimento, útil de reler, porque já nos esquecíamos: a América Latina não é Hispano-América por causa do Brasil, e não é Ibero-América por causa do Haiti.
No meio de tanto "mikado", lá vou retirando as varinhas e fico com a ideia de que os seres humanos se fixam em vários pontos da terra, outras vezes imigram e vão ficando mais ou menos isolados, mais ou menos miscigenados. Isto não que dizer que tudo é uma misturada. Quer dizer que nada é definitivamente de ninguém. No fundo, o que Salvador de Madariaga diz é que a Europa na sua diversidade, é ainda muito dominadora.
Salvador de Madariga é, claro, um percursor da União Europeia, mas a sua "Hispânia" altaneira e esperta, é tão neurótica quanto muitos europeus. Ora Portugal, ainda tem um Império para velar, porque Tristeza tem-na muita, vinda de não se sabe de onde, vinda de não sei quando, mas neurótico, Portugal não quer ser. Nem que, para isso, se meta a bóiar num deserto azul, martelado pelo Sol.
3.10.08
Uns e Outros

A recente decisão do General Ramalho Eanes de abdicar de receber os retroactivos a que tem direito (num valor total de cerca de um milhão e trezentos mil euros) e que os Tribunais entenderem serem-lhe devidos pelas suas pensões públicas é mais um exemplo que ele nos dá de que um povo é uma comunidade de iguais e de desiguais. O acto do General Eanes contrasta com os dos 3200 pobrezinhos que receberam casas no Lisboagate desde que o vereador Pedro Feist começou o bodo, desde o tempo do eng.º Abecasis e que atravessou qual Bloco de Cimento de Esquerda e Direita das Casinhas. O acto do General explica algum ostracismo que lhe vota boa parte da classe política e banqueira. E merecia um acto de Homenagem, uma manifestação pública de apreço. Eu começo por aqui. E se continuarmos com outras pessoas e noutros lugares, algo de bom poderá sair.
15.9.08
II- Apontamentos de Viagem, por André Bandeira
Uma Viagem a Portugal
1 -- Em Sesimbra, o cigano sem mão, tentou delicadamente vender-me uma t-shirt ( eu já tinha comprado uma, sem noção de que o côr-de-laranja vivo faz em mim uma espécie de efeito de recusa do envelhecimento). Ele, o ciganito, que no ano passado vendia tudo com um silêncio trágico, entre as mulheres, faz agora um esforço por vender mais.Sei que a compra e venda são também uma informação sagrada entre os intervenientes e ele pergunta-me/avisa-me de algo.
2 -- De novo contra a parede quente da fortaleza de Sesimbra, recupero forças, reponho os ossos, respiro fundo e distendo os nós do peito. Num encontro com esse Grande Homem que se chama Fernando Nobre, encontro uma via estranha que reza assim: juntar todos os medos, desesperos e angústias entre o diafragma e o coração. Depois é só empurrá-los, que eles caiem como uma garrafa mal equilibrada.E penso nisto passeando no jardim que Fernando Nobre acumulou no claustro interno da AMI, semeado pela mão dele, trazida dos quatro cantos do Mundo, esquecendo-me de dizer a este Homem alquebrado pelo fardo do Mundo, que aquele jardim se parece com o interior dele.
3 -- Tenho medo de visitar os meus amigos. Tenho medo de lhes mostrar o que ganho, no rosto, ante os apêrtos e angústias do mês que lhes turvam o deles.Tenho medo de não ter dinheiro para lhes emprestar, o dinheiro que eles não pedem, em carência surda. As moças vêem que vivo fora e enlevam-se de suspiros que são apenas o apelo básico a que o homem ajude a mulher, veículo de vida, a fugir da miséria. Parece que toda a juventude se prepara para partir.
4 - Conheço dois jovens realistas, o João e o Duarte. Um, corajoso e elegante, outro duro e atento. Na noite ouço-os falar e fico com Esperança. Poderá ser? Pprefiro imaginar, que, com estes, morreria em combate...
5 -- Falo com o Francisco, mendigo à beira da Basílica da Estrêla, com o seu ar humilde, limpo e amparado por Deus. Francisco foi durante muitos anos trabalhador hoteleiro, nomeadamente "garçon" na Tentadora, de Campo de Ourique. Tem 44 operações no corpo ( câncer nos intestinos) o que não o impediu de trabalhar, mas agora, uma obstrução em 70% da aorta, deixou-o a vegetar, com trinta anos de trabalho, a 200 Euros ao mês. Procura um quarto térreo, melhor para um doente cardíaco e telefono para um número, em Campo de Ourique, onde dizem que só aceitam estudantes. Ao cabo dumas palavras trocadas, o proprietário diz que não tem "racismos" e aceita falar com ele. Muito sofre este portalegrense, até quando diz com um certa vergonha que outro mendigo, africano, consegue ter o quarto pago enquanto ele, com o seu ar limpo e humilde, talvez seja demasiado verdade, para que as pessoas a possam suportar. Guardo o seu número, sempre sem crédito: 932422963.
6 -- Corro o país, sem medo dos assaltos. O meu carro é velho, o meu ar é irrelevante. Abro as mãos para o brilho dos Jerónimos, coíbo-me de fazer a saudação romana, ao Sol, ao mendigo Camões, pois - por milagre -- os meus olhos dão com um pobre mendigo negro estendido no chão, a quem sinto um impulso enorme de beijar a testa branca e enrugada.À porta de outra igreja encontro um mendigo jovem, português e pergunto-lhe se dormiu na rua. Ele diz-me docemente, sem me pedir nada: tenho problemas, prefiro não falar. Dou-lhe apenas uma leve palmada no ombro e ele aceita, sem mais, com gratidão.
7 -- Janto com a minha amiga Ana e temos a bênção de passear nas Azenhas do Mar. Somos remediados, com grandes fardos às costas. A Ana tem sempre tempo para os outros ( fôssemos Francisco e Clara!). Percebo bem o que o meu irmão me disse uma vez: ela veio cá um dia. Se ficasse mais um, apaixonava-me por ela. E, contudo, nunca seremos senão gratificados pelo amor não correspondido... porque Deus, o Misericordioso, assim quis. Amparar-nos-emos.
8 -- Vou a Fátima. Rezo por todos. Saio da Cova da Iria com a imagem negra e perplexa dessa Mulher grega que conheci. Penso que a irresolução da minha oração, é porque ela é apenas um egoísmo meu. Mesmo assim dá-me força pensar nela, pensar que Deus deu ao Mundo muita Beleza, até aquela que não é esbelta, só para que percebêssemos, que é entre as brechas do caminho pedregoso onde, de repente, se levanta o Templo luminoso de Jerusalém.
1 -- Em Sesimbra, o cigano sem mão, tentou delicadamente vender-me uma t-shirt ( eu já tinha comprado uma, sem noção de que o côr-de-laranja vivo faz em mim uma espécie de efeito de recusa do envelhecimento). Ele, o ciganito, que no ano passado vendia tudo com um silêncio trágico, entre as mulheres, faz agora um esforço por vender mais.Sei que a compra e venda são também uma informação sagrada entre os intervenientes e ele pergunta-me/avisa-me de algo.
2 -- De novo contra a parede quente da fortaleza de Sesimbra, recupero forças, reponho os ossos, respiro fundo e distendo os nós do peito. Num encontro com esse Grande Homem que se chama Fernando Nobre, encontro uma via estranha que reza assim: juntar todos os medos, desesperos e angústias entre o diafragma e o coração. Depois é só empurrá-los, que eles caiem como uma garrafa mal equilibrada.E penso nisto passeando no jardim que Fernando Nobre acumulou no claustro interno da AMI, semeado pela mão dele, trazida dos quatro cantos do Mundo, esquecendo-me de dizer a este Homem alquebrado pelo fardo do Mundo, que aquele jardim se parece com o interior dele.
3 -- Tenho medo de visitar os meus amigos. Tenho medo de lhes mostrar o que ganho, no rosto, ante os apêrtos e angústias do mês que lhes turvam o deles.Tenho medo de não ter dinheiro para lhes emprestar, o dinheiro que eles não pedem, em carência surda. As moças vêem que vivo fora e enlevam-se de suspiros que são apenas o apelo básico a que o homem ajude a mulher, veículo de vida, a fugir da miséria. Parece que toda a juventude se prepara para partir.
4 - Conheço dois jovens realistas, o João e o Duarte. Um, corajoso e elegante, outro duro e atento. Na noite ouço-os falar e fico com Esperança. Poderá ser? Pprefiro imaginar, que, com estes, morreria em combate...
5 -- Falo com o Francisco, mendigo à beira da Basílica da Estrêla, com o seu ar humilde, limpo e amparado por Deus. Francisco foi durante muitos anos trabalhador hoteleiro, nomeadamente "garçon" na Tentadora, de Campo de Ourique. Tem 44 operações no corpo ( câncer nos intestinos) o que não o impediu de trabalhar, mas agora, uma obstrução em 70% da aorta, deixou-o a vegetar, com trinta anos de trabalho, a 200 Euros ao mês. Procura um quarto térreo, melhor para um doente cardíaco e telefono para um número, em Campo de Ourique, onde dizem que só aceitam estudantes. Ao cabo dumas palavras trocadas, o proprietário diz que não tem "racismos" e aceita falar com ele. Muito sofre este portalegrense, até quando diz com um certa vergonha que outro mendigo, africano, consegue ter o quarto pago enquanto ele, com o seu ar limpo e humilde, talvez seja demasiado verdade, para que as pessoas a possam suportar. Guardo o seu número, sempre sem crédito: 932422963.
6 -- Corro o país, sem medo dos assaltos. O meu carro é velho, o meu ar é irrelevante. Abro as mãos para o brilho dos Jerónimos, coíbo-me de fazer a saudação romana, ao Sol, ao mendigo Camões, pois - por milagre -- os meus olhos dão com um pobre mendigo negro estendido no chão, a quem sinto um impulso enorme de beijar a testa branca e enrugada.À porta de outra igreja encontro um mendigo jovem, português e pergunto-lhe se dormiu na rua. Ele diz-me docemente, sem me pedir nada: tenho problemas, prefiro não falar. Dou-lhe apenas uma leve palmada no ombro e ele aceita, sem mais, com gratidão.
7 -- Janto com a minha amiga Ana e temos a bênção de passear nas Azenhas do Mar. Somos remediados, com grandes fardos às costas. A Ana tem sempre tempo para os outros ( fôssemos Francisco e Clara!). Percebo bem o que o meu irmão me disse uma vez: ela veio cá um dia. Se ficasse mais um, apaixonava-me por ela. E, contudo, nunca seremos senão gratificados pelo amor não correspondido... porque Deus, o Misericordioso, assim quis. Amparar-nos-emos.
8 -- Vou a Fátima. Rezo por todos. Saio da Cova da Iria com a imagem negra e perplexa dessa Mulher grega que conheci. Penso que a irresolução da minha oração, é porque ela é apenas um egoísmo meu. Mesmo assim dá-me força pensar nela, pensar que Deus deu ao Mundo muita Beleza, até aquela que não é esbelta, só para que percebêssemos, que é entre as brechas do caminho pedregoso onde, de repente, se levanta o Templo luminoso de Jerusalém.
8.9.08
Uma Carta para o arraial do barrete frígio, por Manuel Alves
Uma Carta para o arraial do barrete frígio
por Manuel Alves
Sob o título "Aos Republicanos", o historiador João Medina publicou em tempos
no Jornal de Letras, uma Carta que julgo deve merecer a atenção de todos
os que, como eu, entendem que a Instituição Real é a que melhor pode
servir na Suprema Magistratura de um Estado verdadeiramente republicano e
português.
Pedindo perdão aos seus "compatriotas de barrete frígio", João Medina vem
dizer "com franqueza e sem quaisquer intuitos de desafio ou provocação, a
dois anos do centenário da data da implantação da I República", "em termos
simples, cordatos e benévolos": "... não creio que valha a pena preparar,
oficialmente, ou mesmo em meios académicos, a celebração dum mau defunto
que foi esse regime de década e meia de vigência atarantada, e que, bem
feitas as contas, teve nada menos do que 47 governos que a desgovernaram
por trancos e barrancos (...) de atribuladíssima e caótica duração, com
muitas bernardas castrenses de permeio, sedições várias, tumultos
constantes e quase sempre mais ou menos sangrentos, de atropelos à
legalidade e ditaduras disfarçadas ou às escancaras, sem falar da Ditadura
das Urnas, com o 'partido democrático' do dr. Afonso Costa (aquele homem
de Direito que foi uma vez ao Porto, em 1902, com uma soqueira, para
agredir à traição o Sampaio Bruno), mais uma participação em tudo funesta
e catastrófica nos conflitos europeu e africano, e, por fim, uma degola
que nos privou da Liberdade, com certa lógica fatal depois de tanta
bagunça, desassossego, insensatez política e falta de implementação mínima
dum regime sério de Cidadania, Educação generalizada ou Progresso
material, porquanto nem se educou o povo, nem se fez de cada português um
cidadão livre, nem se melhorou a vida dos portugueses".
A concluir, João Medina lança aos correligionários algumas perguntas: "Em
2010 vamos, em suma, celebrar o quê? O começo dum erro imenso e desastroso
para o país que somos? A nova versão da comédia offenbaquiana da monarquia
constitucional, agora em versão sanguinolenta? (...) Não seria melhor, em
vez de celebrarmos o 5 de Outubro, rezarmos-lhe um responso (laico) pela
pobre alma penada que ele foi? Antes isso do que comemorar uma República
sem republicanos, como a nossa é."
Fazemos nossas as palavras citadas do seu balanço da I República, mas
acrescentamos ao desalento das suas interrogações finais: se o que é
nefasto não se celebra, pode no entanto ser comemorado com a História
diante dos olhos, como aliás o historiador, o ensaísta, e Professor
Catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, acaba de fazer nos trechos
que escolhi desta Carta. Como deixou escrito D. Jerónimo Osório, nas
vésperas do nefasto 1580, "A História é proveitosa para adquirir
prudência, poderosa para despertar virtudes, saudável para sanear as
feridas da República".
por Manuel Alves
Sob o título "Aos Republicanos", o historiador João Medina publicou em tempos
no Jornal de Letras, uma Carta que julgo deve merecer a atenção de todos
os que, como eu, entendem que a Instituição Real é a que melhor pode
servir na Suprema Magistratura de um Estado verdadeiramente republicano e
português.
Pedindo perdão aos seus "compatriotas de barrete frígio", João Medina vem
dizer "com franqueza e sem quaisquer intuitos de desafio ou provocação, a
dois anos do centenário da data da implantação da I República", "em termos
simples, cordatos e benévolos": "... não creio que valha a pena preparar,
oficialmente, ou mesmo em meios académicos, a celebração dum mau defunto
que foi esse regime de década e meia de vigência atarantada, e que, bem
feitas as contas, teve nada menos do que 47 governos que a desgovernaram
por trancos e barrancos (...) de atribuladíssima e caótica duração, com
muitas bernardas castrenses de permeio, sedições várias, tumultos
constantes e quase sempre mais ou menos sangrentos, de atropelos à
legalidade e ditaduras disfarçadas ou às escancaras, sem falar da Ditadura
das Urnas, com o 'partido democrático' do dr. Afonso Costa (aquele homem
de Direito que foi uma vez ao Porto, em 1902, com uma soqueira, para
agredir à traição o Sampaio Bruno), mais uma participação em tudo funesta
e catastrófica nos conflitos europeu e africano, e, por fim, uma degola
que nos privou da Liberdade, com certa lógica fatal depois de tanta
bagunça, desassossego, insensatez política e falta de implementação mínima
dum regime sério de Cidadania, Educação generalizada ou Progresso
material, porquanto nem se educou o povo, nem se fez de cada português um
cidadão livre, nem se melhorou a vida dos portugueses".
A concluir, João Medina lança aos correligionários algumas perguntas: "Em
2010 vamos, em suma, celebrar o quê? O começo dum erro imenso e desastroso
para o país que somos? A nova versão da comédia offenbaquiana da monarquia
constitucional, agora em versão sanguinolenta? (...) Não seria melhor, em
vez de celebrarmos o 5 de Outubro, rezarmos-lhe um responso (laico) pela
pobre alma penada que ele foi? Antes isso do que comemorar uma República
sem republicanos, como a nossa é."
Fazemos nossas as palavras citadas do seu balanço da I República, mas
acrescentamos ao desalento das suas interrogações finais: se o que é
nefasto não se celebra, pode no entanto ser comemorado com a História
diante dos olhos, como aliás o historiador, o ensaísta, e Professor
Catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, acaba de fazer nos trechos
que escolhi desta Carta. Como deixou escrito D. Jerónimo Osório, nas
vésperas do nefasto 1580, "A História é proveitosa para adquirir
prudência, poderosa para despertar virtudes, saudável para sanear as
feridas da República".
5.9.08
Sarah Pallin
(Com justificação a eventuais leitores pelo texto vir em inglês ; não é snobismo; é falta de tempo para retroverter os meus contributos para o WAIS)
Answering John Eipper’s call for European perspectives on SP, I viewed her speech.
From 00.00 SP until 9:58, amid roars of applause, SP elaborates family values and presents her dear ones in a very moving way. She has a “celebrity” touch and she is emotionally persuasive. This mix of public and private issues is not palatable in any European nation, both for good and bad motives. So much family awareness would be misconstrued as a bridge to nepotism and “special interests” or protecting a dysfunctional family. On the other way, the energy she gets from family life is obvious and attuned to what is current in peripheral US regions.
14: 15 Attack on Obama as unqualified. Obama is about words. McCain is about deeds. This rethoric is useful but it may develop a blowback. SP has good words “for the common good”, and “against special interests”. Yet, a VP has much less executive power than the Governor of Alaska and no use for “veto powers”. Or is she considering the possibility of being President, just in case?
22:35. After a reference to “dangerous Foreign Powers” she (or the neocon text writer) absolutely misrepresented the latest crisis. “Russia wanted to intimidate Europe”; “Europe is at the mercy of foreign supplies”. In fact Russia is much more dependent upon UE machinery than UE is on Russian natural gas and oil, with the exception of Germany. She had not a single word for South America, Asia, and Africa. She is obviously ignorant on foreign policy.
She is immensely energetic, in all possible senses of the word, from supporting “drill” to being unbalanced. The sound-bite “The difference between a Hockey Mum and a Pit Bull is lipstick”. It sounds good for local politics. If you are behind McCain, it is an awful sound-bite. You would entrust her your dog, a babycare system, town government and, of course, Alaska; nuclear weapons, never. That said, and considering the contempt for current politicians, I think she will gain votes for the RP. Wolf Blitzer said that, exceptionally, her speech had 42 million viewers. I agree with Michael Sullivan that SP “electrifies people”; for the time being, not in the electric chair.
I have not yet seen Mc Cain’s speech but one thing is obvious. He will get votes by being presented as a moderate “patriot”, not a “nationalist”, which is the European profile of Sarah Pallin. Good electoral tactics!
Answering John Eipper’s call for European perspectives on SP, I viewed her speech.
From 00.00 SP until 9:58, amid roars of applause, SP elaborates family values and presents her dear ones in a very moving way. She has a “celebrity” touch and she is emotionally persuasive. This mix of public and private issues is not palatable in any European nation, both for good and bad motives. So much family awareness would be misconstrued as a bridge to nepotism and “special interests” or protecting a dysfunctional family. On the other way, the energy she gets from family life is obvious and attuned to what is current in peripheral US regions.
14: 15 Attack on Obama as unqualified. Obama is about words. McCain is about deeds. This rethoric is useful but it may develop a blowback. SP has good words “for the common good”, and “against special interests”. Yet, a VP has much less executive power than the Governor of Alaska and no use for “veto powers”. Or is she considering the possibility of being President, just in case?
22:35. After a reference to “dangerous Foreign Powers” she (or the neocon text writer) absolutely misrepresented the latest crisis. “Russia wanted to intimidate Europe”; “Europe is at the mercy of foreign supplies”. In fact Russia is much more dependent upon UE machinery than UE is on Russian natural gas and oil, with the exception of Germany. She had not a single word for South America, Asia, and Africa. She is obviously ignorant on foreign policy.
She is immensely energetic, in all possible senses of the word, from supporting “drill” to being unbalanced. The sound-bite “The difference between a Hockey Mum and a Pit Bull is lipstick”. It sounds good for local politics. If you are behind McCain, it is an awful sound-bite. You would entrust her your dog, a babycare system, town government and, of course, Alaska; nuclear weapons, never. That said, and considering the contempt for current politicians, I think she will gain votes for the RP. Wolf Blitzer said that, exceptionally, her speech had 42 million viewers. I agree with Michael Sullivan that SP “electrifies people”; for the time being, not in the electric chair.
I have not yet seen Mc Cain’s speech but one thing is obvious. He will get votes by being presented as a moderate “patriot”, not a “nationalist”, which is the European profile of Sarah Pallin. Good electoral tactics!
2.9.08
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