7.8.08
I - Apontamentos, por André Bandeira
2 - Na Missa tardia onde vou, há de tudo, claro, à entrada da Igreja acompanhando os passos de Jesus que cai e, muitas vezes, tenho de combater os pensamentos maliciosos ou atrevidos que me mordem como moscas. Reconheço que clips, videos, notícias, revistas e até livros fizeram em torno de nós, como que um "esqueleto nervoso" que se articula quando julgamos dominar-nos completamente. Não é nossa culpa mas não podemos ignorar. Tudo me é lícito, dizia S. Paulo. Mas nem tudo me convém...
3 -- À entrada da Missa tardia onde chego atrasado, segue uma mulher à frente e outra atrás. Dizem que a missa é lugar de mulheres. Eu sou responsável por uma e também por uma menina que o será, um dia. Num relance, tento perceber: a mulher da frente é uma belga que deve ter sido bonita, em tempos, guardou um toque "hippie" na sua clareza. A de trás é escura, emigrante. Refulge o seu olhar de marfim na sombra de ébano, com o brilho de medo rasando em volta. Lembro-me então: na missa se acolhe uma grande fragilidade humana, como nas horas de visita de um hospital e estas duas mulheres lembram-me que é grande fragilidade, desde tempos imemoriais, transportar dentro delas, esta casquinha de noz no oceano do universo, a que chamamos vida.
4 -- Relembro as mulheres orgulhosas, violentas, das ruas da minha civilização, mas não quero criticar, pois o mundo já está tão cheio de lágrimas. Lembro-me das pobres mulheres de Mogadischiu que estavam a varrer a rua, quando uma bomba as atingiu. Não faço raciocínios fáceis sobre quem pôs lá a bomba, nem tão-pouco, teorias da conspiração. Não há de certeza nenhuma crença que justifique a violência sobre esta coisa tão frágil que é a vida, sobretudo a vida destas pobres mulheres miseráveis que varriam a rua para ganhar uns tostões que uma Organizaçao internacional lhes oferecera.
5 -- Ouço o meu coração a bater, à noite, na solidão, como se tivesse um animalzinho aninhado ao peito. Parece que ele já não corre muito bem, como dantes usava correr. Lembro-me de um chavão: de tanto bater, um dia parou. Um coração a bater num ponto qualquer do Universo, que coisa tão frágil! Está certo que olhe para o chão, mesmo quando vou com pressa, para não pisar um insecto, fugindo em ziguezague à minha frente.
6.8.08
31.7.08
1º Master de Verão em Política

Foi concluído com êxito o 1º Master de Verão em Política do Instituto da Democracia Portuguesa.
Alguns resultados podem ver-se aqui.
O proximo MAster deverá ter como exórdio a personalidade de Salgueiro Maia como me lembraram hoje:
"Aquele que na hora da vitória
Respeitou o vencido
Aquele que deu tudo e não pediu a paga
Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite
Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou o vício
Aquele que foi "fiel à palavra dada e ideia tida"
Com antes dele mas também por ele
Pessoa disse"
Sofia Mello Breyner
23.7.08
Capitão Ahab

A disciplina de Relações Internacionais ameaça tornar-se a preferida do Conselheiro Acácio.
A enorme massa de platitudes que infesta as revistas de geopolítica, relações internacionais e ciência politica, algumas transexuadas de jornalismo, é de fazer vómitos. Os ditos especialistas que se colocam em biquinhos dos pés para nos recitar como vai o mundo desde Vestefália e qual vai ser o próximo espirro de Condoleeza Rice ou o traque do novo senhor do Kremlin, são de enjoar; a suficiência bronca com que nos debitam cenários que nunca acontecem fora da cabeça deles, e de mais alguns centos de fotocópias da Universidade de Georgetown, é assustadora.
Para variar radicalmente gostaria de trazer o que ainda não vi nenhum embora decerto que uma pesquisa google o faça aparecer de tal modo é óbvio; ter modelos literários para analisar as relações internacionais.
O que me fez pensar nisso é o paralelo entre Moby Dick e o Terrorrismo, entre o capitão Ahhab e George (vai-se embora) W. Bush.
São bem conhecidas as análises de como o romance Moby Dick significa a externalização do mal; converte-se o mal no absolutamente outro para que o eu seja o bem. E nesse processo o capitão Ahab ( um nome elementar, básico, bushiano) perde a alma, os seus marinherios perdem a vida e tudo termina numa enorme tragédia como os acontecimentos contemporâneos do baleeiro Essex que inspirou o grande escritor americano.
Esta simplicidade de que só os grandes escritores são capazes para sondar a alma humana é decisiva para analisar George W. Bush. È muito mais verosímil do que os supostos actores, agentes, entrosamentos, redes, factores do potencial, cenários, e muitos outros pluses e minuses do jargão das RI. Perceber que por detraá das grandes causas que arrastam o mundo também ( ou sobretudo, isso é para debate) existem as pequenas causas da personalidade humana que nasce e morre sozinha. Mas pelo meio vive em comunidade e é a esta que deve prestar contas. Moral: Ler Moby Dick é ler o maior fantasma jamais concebido pela alma americana que renasceu com George Bush, é ler como melville profeticamente sabiaA uma certa América que caminha para o fim do império como sucedeu a outros impérios criados “como quem os desdenha”, ou seja, by default.
17.7.08
Pontos e vírgulas
O grande polemista Karl Kraus escrevia muito sobre a correcção do alemão por volta de 1901. E um dia disseram-lhe. "Então o senhor escreve sobre onde colocar pontos e vírgulas enquanto Pequim está a arder. ?" Decerto adivinham a resposta: " Se colocassem os pontos e vírgulas no sítio certo, Pequim não estaria a arder." Posto isto entregaram a Casa dos Bicos à Fundação Saramago
15.7.08
Margarida vai à fonte...!

A 15 de Julho de 2007, António Costa era eleito presidente da Cãmara nas eleições intercalares na Câmara Municipal de Lisboa.
Um ano depois, Margarida Vila-Nova, Mandatária para a Juventude de António Costa, numa sessão organizada pelo PS Lisboa veio afirmar corajosamente que "NO PASA NADA". E que eco teve nos OCS ? Que eco não lhe deram ? Afinal a direita dos interesses aliada à esquerda das palavras de ordem trata bem dos seus arranjinhos. Nem a explosividade sensual- política de Vila-Nova arrebenta com isso.
Eu que modestamente andei fazendo campanha pelo PT e que aprendi o que tinha a aprender de campanhas, saúdo este gesto de Margarida e por mim dou-lhe eco.
14.7.08
Barrilaro Ruas morreu a 14 de Julho de 2003

Tinha de ser. Tinha de morrer a 14 de Julho, o velho bardo da monarquia portuguesa com a memória exacta dos acontecimentos porque lhes conhecia o peso específico. No campo político, pela sua acção e livros contribuiu para o descomprometimento dos monárquicos com o salazarismo. Autor de obras sobre temas históricos, eclesiásticos, literários, pedagógicos, e de ensaio político, a que se junta uma vasta bibliografia dispersa por revistas, dicionários e enciclopédias, o essencial da obra de HBR foi o de chamar a atenção para os fundamentos das questões de identidade nacional como ressalta na sua monumental edição de Os Lusíadas que contém materiais indispensáveis para reconfigurar a interpretação da obra, como sejam o “discurso a D. Sebastião” que atravessa a epopeia, a «imagem pessoal» de Camões, ou os silêncios sobre a história de Portugal.
Muyito mais ele fez mas, por isso mesmo, apenas aqui deixo esta evocação
"Em todas as culturas ( ou civilizações) e apesar do espírito crítico e das revoluções da mentalidade, sempre a Monarquia guardou algum vestígio ao menos do revestimento (ou substância) do sagrado que deriva em linha recta da sua originária experiência religiosa"
H. Barrilaro Ruas - Do artigo Monarquia na Enciclopédia POLIS
13.7.08
Homenagem ao Bispo do Porto
Associo-me e pedi que me representassem nesta cerimónia! E há uns anos atrás escrevi, juntamente com o António Amaral sobre António Ferreira Gomes e a sua Carta.
HOMENAGEM DE COIMBRA AO BISPO DO PORTO D. ANTÓNIO FERREIRA GOMES NO 50º ANIVERSÁRIO DA CARTA A SALAZAR
Em 13 de Julho de 2008, próximo domingo, ocorre o 50º Aniversário da Carta a Salazar, escrita pelo Bispo do Porto D. António Ferreira Gomes.
Cidadãos de Coimbra, conscientes da importância política que teve na luta pela Democracia essa Carta, assinada um mês e cinco dias após as eleições presidenciais ganhas pelo General Humberto Delgado, surgida do interior de um dos pilares do Estado Novo, a Igreja Católica, a qual levou ao exílio do País o seu autor, entendem prestar Homenagem a quem teve tão profundo acto de coragem, que o Estado Democrático reconheceu ao atribuir-lhe a Grã Cruz da Ordem da Liberdade.
Convidam-se todos os que se queiram associar a esta Homenagem Cívica, a divulgá-la e a nela participar, sendo portadores das respectivas condecorações.
Dia – 13 de Julho, próximo domingo
Local – Monumento ao 25 de Abril, Rua Antero de Quental, praceta junto ao edifício da ex – PIDE/DGS
Início – 11h00
Intervenções –
11h15 – José Dias – colaborador da Fundação Inatel, Movimento Cívico Não Apaguem a Memória
11h30 – Amadeu Carvalho Homem – professor da Universidade de Coimbra, Alternativa Associação Cultural para o Desenvolvimento do Ser Humano
11h45 – José Manuel Pureza – professor da Universidade de Coimbra, Comunidade de Acolhimento João XXIII
Encerramento – 12h00
Nota – Carta a Salazar e biografia de D. António em www.fspes.pt
Coimbra, 08 Julho 07
Amadeu Carvalho Homem, José Dias, José Manuel Pureza
6.7.08
Novilíngua

O futuro ou já o presente?
Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.
Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto montanhoso? ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? ou cuantas estrofes tem um cuadrado? ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?
E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os lesiades', q é um livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.
Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???
O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e merdas de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. tarei a inzajerar?
Verdadeira ou falsa, esta composição de um aluno do CEF-9ºANO reflecte uma parte do ensino secundário na novilíngua que corresponde ao "fechamento da mente portuguesa". Eric Blair (aka George Orwell) analisou o fenómeno no "1984" em 1952. Anthony Burgess escreveu o mesmo em 1962 no Orange Clockwork que deu origem a um dos grandes fimes da história do cinema e de Stanley Kubrick. Allan Bloom em 1992 analisou o fechamento da mente americana. A crise há muito que anda por aí. Agora, até estamos no momento de catársis , de reconhecimento maciço do que se passa. A nossa época já não acredita em ideologias porque a ciência desmistificou os respectivos fundamentos unilaterais; mas - há sempre uma mas - continua a viver e pensar segundo categorias ideológicas sem um pensamento matricial capaz de acolher contributos dispersos por metodologias diversas.
3.7.08
Então, para que serve a Lusofonia ?
A nossa COMUNICAÇÃO SOCIAL ESTÁ DOENTE, com excepções. O grave não é só o dinossaurismo de Miguel Urbano Rodrigues e demais avantistas, bem referido por Jorge Ferreira. O grave é que estando em jogo a vida de um luso descendente pouco ou nada se preocupou durante cinco anos com os movimentos e petições que corriam, pela Lusoesfera nos Estados Unidos e na Venezuela e em Portugal.
Entre as noticias da libertação de Ingrid Betancourt veio agora o destaque do jovem luso-americano Marc Gonsalves, filho de Josephine Rosano e do luso-descendente George Gonsalves, descendente de emigrantes madeirenses por parte do avô e de açorianos por parte da avó. Estava refém desde 13 de Fevereiro de 2003 quando foi capturado pelas FARC- Colombia após ser abatido o avião no qual se deslocava numa missão de controlo do narcotráfico na província de Caquetá, na selva da Colômbia, durante uma operação de vigilância ao cultivo de coca - não sabemos se daquela que costuma desembarcar no aeródromo de Tires...
Mas houve quem se tivesse mexido antes e não foi noticiado. João R. Crisóstomo, reconhecido pela defesa dos portugueses radicados nos EUA, bem como dos Direitos Humanos – e que em 2004 liderou uma grande homenagem internacional a Aristides de Sousa Mendes –, lançou a ideia entre os clubes e organizações luso-americanas nos Estados Unidos de uma petição a 3 de Abril que foi entregue. João Paulo Veracruz, presidente do Centro Social Madeirense de Valência, João Sidónio Rodrigues, presidente do Centro Marítimo de Venezuela, Fernando Silva, presidente da Casa Portuguesa da Arágua e o presidente do Centro Português de Caracas Juan Gonçalves, apelaram ao "Governo português a avançar com gestões para ajudar a este luso-descendente que está sequestrado e reforçar o apoio a qualquer português, do mundo inteiro" que eventualmente seja sequestrado. Tal como não se falou dos negócios de Américo Amorim na ida do primeiro ministro a Caracas, também não se falou destes pedidos a José Sócrates.
Agora o drama chega ao fim e Gonsalves volta a Casa.Devido a outros meios. Fico contente. MAs a Lusoesfera mexeu-se e em Portugal quase não se falou dela. É de esperar que fique a lição que não haverá mais silenciamentos quando houver capturas de outros portugueses ou luso descendentes por esse mundo fora. Mas então, para que serve a Lusofonia ?
2.7.08
Espaços Verdes
30.6.08
c. O Monge-Guerreiro de Kamakura, por Eric Voegelin
A resposta ao post anterior mostra alguma incompreensão do que é luta. Remeto para duas fontes obrigatórias: Fernando pessoa e o seu peoma guerreiro -monge e a peça de igula título que sairá no nosso vol vol 03. cap. 4. c. de Voegelin que começa a entrar no prelo
vol 03. cap. 4. c. O Monge-Guerreiro de Kamakura
As ordens militares na sociedade ocidental tiveram de ceder o lugar à cidade e ao estado nacional. Contudo, o desaparecimento precoce não deve obscurecer a importância intrínseca do fenómeno. Em circunstâncias mais favoráveis, como por exemplo no Japão, na mistura do monge e dos ideais do guerreiro determinou durante séculos o carácter político da civilização. Por coincidência histórica, a introdução do budismo Zen no Japão, patrocinado pelo shogunato de Kamakura está em paralelo com a ascensão das ordens militares no Ocidente.
A fusão peculiar do misticismo e do esteticismo Zen com as virtudes guerreiras de lealdade, resistência e obediência deram forma à vida da classe governante guerreira de Kamakura porque a dinâmica da política japonesa naquele tempo seguiu um percurso oposto à do Ocidente cristão.[1] As ordens ocidentais sucumbiram porque as novas e fortes unidades políticas, emergiram a partir do campo feudal do poder. O ideal japonês do Monge-guerreiro venceu porque a vitória do clã de Minamoto e o estabelecimento do governo militar em Kamakura encerrou o período do governo imperial central moribundo, copiado das instituições chinesas, e iniciou a idade feudal japonesa (1192). As ordens militares do Ocidente, além disso, não podiam evoluir para uma elite governante porque o celibato monástico cortava a base vital que é a exigência inevitável para a continuação de um grupo secular governante; a atitude espiritual militar japonesa poderia crescer como uma força política estável porque a base vital era uma sociedade vitoriosa de um clã guerreiro.
[1] Sobre Zen veja Daisetz Teitaro Suzuki, Essays in Zen Buddhism, 1ª série (Londres: Luzac, 1927); 2ª série (Londres: Luzac, 1933); 3ª série (Londres: Luzac, 1934). Reimpressão: Londres: Rider, 1970; e Teipei: Ch'eng Wen, 1971.
29.6.08
Peter Schlemihl....
28.6.08
Maria Luísa Guerra - O assassinato da Filosofia
Vai realizar-se no próximo mês de Julho, em Seul, na Coreia, o Congresso Mundial de Filosofia, organizado pelo FISF, organismo que concentra as sociedades dos professores de Filosofia do ensino secundário e do ensino universitário de todo o mundo. Tem a marca da globalização. É um encontro de tradições pedagógicas, de reflexão sobre a natureza e o papel da Filosofia na sociedade. Mostra o interesse dos vários países pelo problema. Mostra o que é evidente: o carácter vivo e actuante da Filosofia. O seu lugar insofismável na formação da mentalidade. Assim acontece no mundo.
E em Portugal? Em Portugal assiste-se ao inédito. Pela primeira vez em mais de um século (desde a reforma de Jaime Moniz, em 1895) destruiu-se decisivamente a Filosofia no ensino secundário. Podemos recuar mais atrás, a 1844, e mesmo aos Estudos Menores, criados pelo marquês de Pombal em 1799. Estudos onde figurava a disciplina de Filosofia Racional. Servia de acesso aos Estudos Maiores. Neste quadro de interesse global já referido, lembra-se também que a UNESCO instituiu o dia 15 de Novembro como Dia Mundial da Filosofia, congregando 36 nações. E em Portugal? Em Portugal desvaloriza-se o exercício do pensamento, o rigor da análise, a descoberta de paradigmas e de valores, a discussão de problemas, a formação do espírito crítico, a reflexão sobre a aventura humana, parâmetros específicos da Filosofia e do seu ensino.
Sabe-se que a finalidade do estudo em qualquer disciplina não é o exame. Mas também se sabe que, na prática, se não houver exame, os alunos não se interessam. Não estudam convenientemente. Residual e em vias de extinção a Filosofia no 12.° ano. Obrigatória no 10.° e 11.° anos mas não sujeita a exame nacional. "Para que serve?" pensam os alunos.
É uma disciplina decorativa. Sem importância. Morta à nascença. Ainda se rege Filosofia na universidade nalguns cursos, cada vez mais despovoados. Com este vazio no ensino secundário, acabará de vez.
O sucesso escolar não é gratuito. Depende de currículos apropriados, mas depende sobretudo de cabeças bem-feitas, treinadas numa apurada e progressiva ginástica mental, no exercício da abstracção, da comparação, do dissecar analítico. Esse exercício cabe especificamente à Filosofia.
No limite, pela depuração que exige e supõe, aproxima-se da Matemática. Não é por acaso que grandes filósofos de referência (de Pitágoras a Descartes, de Leibniz a Russell) foram matemáticos. Tirar aos jovens esta ginástica mental é criar o caos. Multiplica-se no mundo a presença e o interesse pela Filosofia. Em iniciativas globais. De Paris a... Seul. Em Portugal, desvaloriza-se até a morte. Original. [Público de 28/06/2008, sem link aberto ao público]
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23.6.08
VII-- Re(leituras), The End of Faith, de Sam Harris, por André Bandeira
Curiosamente, Sam Harris, que cita António Damásio e parece seguir a senda de Eric Kendal, na busca norte-americana de uma "Ciência da Consciência", acaba por se contradizer sem disso se aperceber, mesmo antes de partir para a etapa final: acaba por dizer que os valores éticos objectivos são construções que têm necessariamente de arrancar de "crenças" e, por conseguinte, negar o valor da crença é, mais que irracional...é inviável. Quer dizer: esta ou aquela crença repugnam-lhe mas não a crença em si, que prefere obter sob a forma de fluido, em vez de plasma, mergulhando em vez de acender. Enfim, parece-me que Sam Harris procura fundar a Fé por outras vias, que não o deslumbramento. O facto de ter sido publicado graças à sua desassombrada colecção de factos quanto a diversos fanatismos religiosos, fá-lo cair no erro em que nós, leitores de jornais, caímos frequentemente: o que parece óbvio -- porque o seu contrário parece obviamente falso -- tem um fôlego curto, a que a publicidade e as urgências da decisão pública, juntam uma certa cegueira própria do excesso de claro/escuro. Como se a Realidade fosse um fato de Pierrot, agitando-se constantemente, de todos os lados, à nossa volta.
15.6.08
A mensagem é:
Quebrar uma dinâmica de vitória da Selecção A com uma Selecção B, como se os AA's estivessem muito cansadinhos é de "Sargentão" não é de "General". A mensagem é que não é preciso dar tudo por tudo. Deixa para lá: o Chelsea já contratou e ele dará tudo pelo Chelsea. Tive relutãncia até em ver o jogo. Vi alguns minutos. Parabéns À Suíça. Se até o moral dos pés vem abaixo, pobre Portugal no Verão.
14.6.08
Um Não que é um Yeah!
31.5.08
VI- (Re)leituras: " A World Restored " de Henry Kissinger, por André Bandeira
Que diz a Tese de Kissinger? A tese de Kissinger pode resumir-se em várias frases, como quem faz um holograma, onde, de todos os pontos de vista se vê sempre o conjunto todo. A mais famosa é a de que a legitimidade é precisamente aquilo de que não se fala e que funciona na mesma. Legitimidade não é justiça. Já o Direito diz que há a sucessão legítima e a sucessão legitimária, quando não se respeita a legitimidade, porque se esta não é respeitada, então faz-se respeitar, achemo-la ou não justa. E tem força de Lei mas tem muita mais força que isso.
Contudo, o que Kissinger exprime verdadeiramente neste livro é a diferença entre o revolucionário e o "legitimista", ou seja: o revolucionário exalta-se, o conservador qualifica-se. Mas, ao contrário do que se pensa, o revolucionário impõe-se, primeiro a si mesmo e, depois, aos outros, enquanto o conservador se legitima. Ora, se a legitimidade não é justiça, o que o livro quer dizer é que a justiça acaba sempre por perder.
O livro trata de Castlereagh, o lorde inglês que reprimiu a Irlanda pró-napoleónica e que foi um aliado menor de Metternich, o Príncepe austríaco que enterrou Napoleão mas também enterrou o Antigo Regime. Engraçado, não é? O homem conservador e da legitimidade acabou por aplicar Napoleão aos bocadinhos e a Europa acabou por ficar toda constitucional, o que quer dizer que se legitimou de outro modo e continuou injusta. O conservador não mudou algumas coisas para que tudo ficasse na mesma, mas manteve quase tudo para que de facto algo mudasse. Mas a Justiça não é mudança, é retorno, o que quer dizer "Revolução". Ou seja: o contrário de "mudança".
Kissinger declarou, não há muito tempo, na Alemanha que quem mais admirava era Bismarck, o unificador da Alemanha, aquele que dizia à sua mulher sentir-se como um anjo caído, com a beleza dos antigos anjos, mas sempre insatisfeito neste mundo, sem nunca encontrar paz. Kissinger é de origem austríaca. Ele e Bismarck esqueceram-se de dizer outra coisa sobre os anjos caídos: é que a Nostalgia é o nome da maior das suas dores. Quem tem nostalgia nunca perderá, ao contrário da Justiça que sempre se arrisca a perder, mas também nunca ganhará, como a Esperança, que só morre depois de morrermos. A nostalgia tira-nos da frente de batalha e as palavras estão todas trocadas. Há quem tenha prazer a pô-las todas no seu devido lugar, porque as palavras são apenas o início de uma conversa. Mas quem tem apenas prazer, é um patusco e as brincadeiras de uns fazem a dor de muitos.
Enfim: porque é que Castlereagh, um dos raríssimos britânicos que foi europeu, se suicidou? Porque quis repôr, em nome da Justiça, algo que não tinha que mudar mas que tinha apenas de se equilibrar e perdurar. Napoleão era sem dúvida um grande sedutor e Metternich fez-lhe o serviço. Kissinger faz-nos o serviço de dizer que só depois de Castlereagh se ter suicidado se revelou a sua enorme solidão, ao longo de toda a vida.
Pois é. Porque quem retorna em nome da Justiça não tem companhia. O abismo da solidão é o sêlo negro da Esperança, que é o contrário da Nostalgia. E assim caímos, como Homens e não como Anjos: caímos para cima.
9.5.08
Não tenhais medo, por Pedro Cem
E agora lembro-me a propósito de nada, outra coisa que me anda a bater na cabeça, o rumor de Roma, algures no séc. I D. C. quando toda a gente comentava que a bela Dama patrícia Lavínia tinha fugido com um pobre desafortunado gladiador, que lhe devia dar pelo ombro, o "Sergulo", e que se pode traduzir mais ou menos por "Serginho". E diz a lenda que nunca mais foram encontrados e que viveram felizes o resto da sua vida. Dizia ainda o rumor de Roma" Como era possível? O pobre Sergulo que tinha o corpo tão coberto de cicatrizes que parecia deformado e nem metade do nariz tinha, que lho tinham cortado num combate".
3.5.08
E não havia ninguém

Primeiro perseguiram os comunistas e eu nada disse - porque eu não era comunista.
Depois, perseguiram os socialistas e eu nada disse - porque não era socialista.
A seguir, perseguiram os sindicalistas e eu nada disse - porque não era sindicalista.
Depois perseguiram os judeus e eu nada disse - porque não era judeu.
Por fim perseguiram-me - e não havia ninguém para falar por mim. Martin Niemöller
2.5.08
22.4.08
V - (Re)leituras: "Das Spektrum Europas" de Keyserling, por André Bandeira
Sobre Portugal: começa por dizer que nunca viu tantos superlativos de cortesia como entre os Portugueses ( sic. Unamuno) tais como Excelência, "Vossa Senhoria", etc. Que ninguém falava tantas Línguas tão bem como os Portugueses. Que não havia nenhuma diferença entre Espanha e Portugal, excepto a negação total de Portugal feita a Castela,negação de resto partilhada pelos Galegos ( repete o episódio também ouvido das Invasões francesas, em que o Super-Poder do Duque de Alba entrando em Portugal, em 1580, numa ponte da fronteira, deparou como um indivíduo que de chapéu na mão lhe barrava o caminho e se aproximou dele dizendo " esteja tranquilo que eu não lhe faço mal"). Onde o castelhano era orgulhoso e brutal, o português era humilde e mesquinho. Também nunca vira tantos diminutivos, como numa canção em que a Morte era tratada por "a mortinha". A equação portuguesa era insolúvel, Portugal "uma varanda sobre o infinito". Nunca vira uma tão grande combinação de tipos raciais, onde todas as combinações e reaparições eram possíveis. O português era o mais explosivo dos caracteres europeus. Assim, Portugal só superou as suas contradições no Império, quando chegou ao máximo da combinação de um máximo de caracteres díspares. Só dois Povos, segundo Keyserling, se assemelhavam aos portugeses na Europa: os alemães, porque a sua "Sehnsucht" era a única coisa europeia comparável à Saudade, esse mecanismo para assentar em algo harmonioso, quando a desarmonia do Presente se reconhecia insuperável. E, acima de tudo, os Gregos: Portugal era grego ( Grécia qual, aliás, para Keyserling era o Sul da Rússia, acrescentando muito curiosamente que as discussões com Sócrates eram tão insuportáveis como aquelas que mantivera com estudantes de Moscovo -- só então me dei conta com a semelhança do busto de Sócrates com um velho russo). Portugal, como os Gregos, cultivava um passado eterno e glorioso, só para acabarem no total caos da realidade. Com uma diferença: os gregos acabavam no caos dos paradoxos intelectuais. Os portugueses, acabavam no caos dos paradoxos emocionais, o qual disfarçavam com um total virar das costas ao estudo do coração e um apêgo teimoso, mesquinho, ao Objectivo.
Keyserling tem muita razão e dá-nos porventura uma chave para o tempo horrível que Portugal atravessa: caos emocional.
19.4.08
Luís Filipe Meneses e o Cardeal de Retz

“Acredito firmemente que são necessárias maiores qualidades para ser um bom chefe de partido do que para ser um bom imperador”, disse Retz e mostrou-o Meneses.
Cardeal de Retz – Teoria da Conspiração 1ª parte
Perante a desconsoladora repetição dos comentadores políticos nacionais, vejo-me obrigado repetir clássicos. Não creio que seja presunção mas sim o efeito de revolta contra a presunção satisfeita e a miopia ideológica que ataca quase todos os nossos encartados e publicitados comentadores nacionais. Reduziram a política à ideia de manobra e conspiração. Mas será que conhecem mesmo os recantos desta visão teatral que tem um lugar indispensável mas subalterno na vida política? Acho que devemos todos reler o Cardeal de Retz.
Sainte Beuve dizia que só conseguia ler dois autores: Maquiavel e Retz. Porquê? Qual a razão de Paul de Gondi (1613-1679) coadjutor, e depois Arcebispo de Paris e Cardeal de Retz ter ganho um lugar na história das ideias políticas?
Retz entrou na história pela sua actuação no tempo da Fronda, a revolta contra a monarquia francesa, entregue então às mãos manipuladoras do Cardeal Mazarino. Eram tempos novos, de ruptura com a velha ordem. Está a terminar a harmonia medieval das autoridades difusas. E cada autoridade política quer definir os seus poderes, se possível por escrito. Era a revolução de Cromwell em Inglaterra, e as revoltas contra os reis Áustrias, das quais a única com sucesso foi a revolução de 1640 em Portugal. Richelieu morreu em 1642. Em 1647 o Parlamento de Paris recusou um édito de Mazarino. O crescimento da autoridade do estado e os problemas financeiros são os mesmos por toda a parte. E de um modo geral, vai falhar em toda a Europa a tentativa de estabelecer a monarquia limitada.
Retz é o conspirador que defende a velha monarquia limitada, apoiado no Parlamento de Paris. Este tinha o poder de aprovar as ordenações régias de natureza legislativa e financeira, a fim de adquirirem a força de lei. Era composto por cerca de 200 membros que formavam a cabeça de um corpo de 40 mil funcionários que reunia a magistratura judicial e financeira de toda a França. Organizadas em Câmaras mas reunindo em plenário para aprovação de assuntos de Estado, eram as cabeças das 40 mil famílias que representavam a França comercial e industrial.
Segundo Retz, a monarquia assentava num equilíbrio entre vários poderes, sendo virtuoso que os poderes do rei não estivessem fixados por escrito. Era uma monarquia temperada pelos costumes dos Estados Gerais e dos Parlamentos, uma monarquia que navegava entre a prepotência régia e a libertinagem popular. O “mistério do estado”, as prerrogativas do rei, não deviam ser rompidas. Não deviam , mas estavam a ser.
A teoria da conspiração de Retz assenta na criação de poder político através da imaginação. O poder do Parlamento, diz, assenta na imaginação: “Eles podem fazer o que acreditam que podem fazer, chegados a um certo ponto”. Contudo, a imaginação não trabalha por si própria; requer esforço e há um longo caminho a percorrer “ desde a veleidade à vontade, da vontade à resolução, da resolução ``a escolha de meios, da escolha de meios à sua aplicação”.
Se a imaginação se apoiar em acção pode ser fonte de sucesso. Neste sentido, Retz é o primeiro conspirador moderno, o agitador profissional que aprecia as jogadas políticas e as desenvolve como uma arte da manobra: “Acredito firmemente que são necessárias maiores qualidades para ser um bom chefe de partido (chef de parti) do que para ser um bom imperador”.
13.4.08
a voz portalegrense
9.4.08
Coragem e Solidariedade
3.4.08
IV- (Re)leituras. A Paixão, de Mel Gibson, por André Bandeira
É possível que sim. Mas, por trás dos efeitos especiais, há o traço pessoal de Mel Gibson. O traço pessoal de Mel Gibson está na caracterização de um Jesus fisicamente forte, de um Jesus que parece desses australianos que bebem até cair, aos fins-de-semana, na Austrália, que vê tudo ao contrário quando é arrastado (sendo que faz parte do "ver ao contrário", recordar-se dos episódios da Sua Vida), que consegue sobreviver a todos os golpes até enfrentar a Morte. O desespero do Diabo passa-se num deserto sêco como o da Austrália, o desespero de Judas passa-se ao pé de um cadáver de cavalo, como os limites da colonização anglo-saxónica no deserto aborígene.
O plano da ressurreição de Jesus é bonito até se O ver sair, ao nível das pernas, da sepultura, no plano final. Há nisto tudo muito de um Mel Gibson idolatrado pelas mulheres, conhecido pela sua timidez irreparável ( Mel Gibson -- que é famoso pela candidez das suas declarações -- casou-se apenas graças a uma Agência, tendo sempre repetido que era incapaz de falar a uma mulher de quem gostasse), envolvido quando era mais novo em tareias de bar monumentais e finalmente nu, num leito de pedra.
E agora, por trás de todas estas marcas pessoais, que demonstram o Cristo que há em nós e também em Mel Gibson, o filme "a Paixão" não deixa de nos recordar, a uma segunda leitura, que para além dos que as palavras significam num texto, há uma condição comum a todos nós que é aquela da Paixão de Jesus. Por isso, para além de tudo aquilo que um filme de um ano deixará evaporar-se no éter, há uma mensagem bem humana, sobretudo naquele "flashback" ao Sermão da Montanha em que Jesus diz que "ao contrário, eu digo-vos que rezeis pelos vossos perseguidores", porque de outro modo "não haveria nenhum mérito". O possível para os Homens, o impossível para Deus.
2.4.08
Uma carta à América

David Boren, actual presidente da Universidade de Oklahoma, e ex senador e, governador acaba de publicar Carta à América, com 112 páginas para responder à pergunta, "Durante quanto tempo podem os EUA permanecer o super poder mundial?" e para que os americanos não se tornem em " nação de especialistas bárbaros."
Em 1976 o custo da campanha presidencial era $67 milhões. Em 2000 era de $344 milhões e, em 2004, $718 milhões. O custo médio de uma campanha para Representante era de $53.000 em 1974, e de $773.000 em 2004. O custo médio de uma campanha para senador era de $437.000 em 1974 e $5.4 milhões em 2004. E os candidatos recebem mais de metade do dinheiro dos comités de acção política (PACs). O livro contém outras observações sobre o déficit, a instrução, a política externa, a classe média, o ambiente e a necessidade de conhecimento da história
30.3.08
Situação no Iraque
Na semana em que se desencadearamas guerras intra shiitas, Bagdad está a tremer que Bassorah comece a arder.
Os 4100 britânicos no aeroporto de BAssorah são um alvo mas não servem para fazer a diferença. Será a Operação Assalto Final do presidente Maliki um erro tremendo porque não permite recuo e a ser derrotada é o descrédito sem apelo ? Ou será um golpe de poker bem jogado, agora que Bush já nada tem a perder. A operação "vietnamização da guerra" tem a marca de Richard Cheney e dos neocons. Deverá acabar do mesmo modo.
28.3.08
Conhecer pelo andar...!
http://bagosdeuva.blogspot.com/2008/03/conhecer-as-mulheres-pelo-andar.html
Um antigo jornal espanhol apreciava assim a mulher pelo andar:
A que bate com os tacões, deitando o escritório a baixo, tem um génio a quem o demónio resiste.
A que anda nos bicos dos pés, é zelosa, curiosa, viva, impressionável e algumas vezes impertinente.
A que assenta a planta do pé é descansada, alegre, risonha e de bom carácter.
A que mete os pés para dentro, é maliciosa, pouco animada e pouco sincera.
A que deita os pés para fora, saracotando-se com desenfado, é capaz de comer uma vitela e negar até que o sol dá luz.
A que anda de peito saído e apertada de cintura, é dominante, presumida e não se impressiona com coisa alguma.
A que anda de cabeça baixa olhando para o chão, está disposta a enganar pai, mãe, irmãos o mundo inteiro.
A de cabeça levantada tem a massa encefálica empoeirada e o coração cheio de estopa.
A que se balanceia para um e outro lado, não conhece a modéstia nem ao menos pelo avesso.
A que pela rua se vai mirando, só gosta dela mesmo.A que é simples e só olha quando é necessário, sem fixar demasiadamente, que não anda depressa nem devagar, nem direita nem curvada, sem demasiados enfeites, é uma grande mulher.
Esta legislação minhas senhoras é claro que vigorou só na Espanha...Nada de sustos...Antigamente em Espanha conheciam as mulheres pelo andar.Em Portugal, em 2008, como conhecer as mulheres?
20.3.08
Dois Pensadores
19.3.08
O colapso do poder americano
No seu livro, o colapso de Poder britânico (1972), Correlli Barnett relata, que no início da 2ª Guerra Mundial, a Grâ Bretanha só tinha reservas de ouro para financiar as despesas da guerra por alguns meses. Os Ingleses pediram ajuda aos americanos e esta dependência sinalizou o fim do poder britânico.
As guerras do século XXI da América no Afeganistão e Iraque são financiadas por estrangeiros, principalmente chineses e japoneses, que compram títulos do Tesouro americano.l
A administração Bush prevê um deficit de $410 biliões no orçamento federal para 2008. Sendo de quase 0% a taxa de poupança, os E. U.A. dependem de estrangeiros para financiar as despesas do governo. Financeiramente, não são um país independente.
A previsão do deficit $410 bilhões baseia-se na suposição irrealista de um crescimento de 2.7% do PNB em 2008, quando é certa a recessão. Por isso, o dólar continua a declinar em relação a outras moedas. O dólar sofre a pressão dos deficits de orçamento, dos deficits de comércio e das expectativas da inflação resultantes de a reserva federal estabilizar o sistema financeiro com injecções de liquidez.
Os credores estão desconfiados. Contudo Washington parece acreditar que pode confiar no governo chinês, japonês e Saudita para financiar uma América a viver acima dos meios. Será um choque quando chegar o dia em que os titulos do Tesouro EUA não forem subscritos inteiramente.
Os E. U.A gastaram já $500 biliões na guerra do Iraque. Se acrescentarsmos os custos de recolocação do equipamento destruído, dos pagamentos a veteranos, dos juros dos empréstimos de guerra, ou o PNB perdido, a soma é de $3 triliões.
Mc Cain diz que continuaria a guerra por 100 anos. Com que recursos? Os credores de América falam de irresponsibidade fiscal total. Vêem a ilusão de um país que acreditA que os estrangeiros continuarão a acumular o débito dos E. U. até à eternidade.
Os E. U. estão falidos. David M. Walker, Comptroller General e presidente do Government Accountability Office, (GAO) em relatório ao congresso dos E. U.A. , em 17 de dezembro de 2007 notou que "o governo federal não manteve o controle interno eficaz e a conformidade com leis e regulamentos significativos como os de 30 setembro, 2007."
Além disso, o relatório de GAO indicou que as encargos do governo federal "totalizam aproximadamente $53 triliões ($53.000 biliões) em setembro de 30, 2007."
Frustrado, David M. Walker renunciou recentemente ao cargo de presidente do Government Accountability Office
Em 17 de março de 2008, um franco suíço vale pouco mais de $1. Em 1970, a taxa de troca era 4.2 francos suíços ao dólar. Em 1970, $1 comprava 360 yen japoneses. Hoje compra menos de 100 yen. O dólar desmoronou-se mesmo face ao euro, a moeda de um Estado que não existe: a União Européia.
Quem é credor, não quer ter a dívida paga em uma moeda tão fraca.
De acordo com dados recentes de 28 de Fevereiro sobre manufacturas e tecnologia, as importações em 2007 eram 14% do PNB dos E. U. e as manufacturas dos E. U. 12% do PNB. Um país cujas importações excedam a produção industrial não pode parar o deficit de comércio exportando mais.
Noam Chomsky escreveu recentemente que a América pensa que possui o mundo. A verdade é outra: os E. U.A devem ao mundo. O "superpoder" não pode financiar as próprias operações internas, menos ainda as guerras, excepto através da bondade dos estrangeiros em emprestar dinheiro que não pode ser reembolsado.
Os E. U.A nunca reembolsarão os empréstimos. A economia americana está devastada pelo offshoring, pela concorrência estrangeira, e continua a aderir a uma ideologia de comércio livre que engorda as grandes empresas multinacionais e os grandes accionistas à custa dos trabalhadores americanos. O dólar está a falhar no seu papel como a moeda de reserva corrente.
Quando o dólar cessar de ser a moeda corrente de reserva, os E. U. A deixarão de poder pagar as suas contas pedindo empréstimos no estrangeiro. Às vezes penso se o "superpoder” falido conseguirá ter recursos para fazer regressar as tropas estacionadas em centenas de bases no ultramar, ou se serão abandonadas.
Paul Craig Roberts foi Secretário Assistente do Tesouro na Administração do presidente Reagan e responsável pelo sucesso económico da política de supply side. Foi editor associado do Wall Street Journal. Leccionou a cadeira William E. Simon, centro de estudos estratégicos e internacionais, Universidade de Georgetown, e é Senior Fellow da Hoover Institution, Stanford. Tem a Legião de Honra do Governo Francês. É o autor Supply-Side Revolution : An Insider's Account of Policymaking in Washington; Alienation and the Soviet Economy e Meltdown: Inside the Soviet Economy e é o co-autor com Lawrence M. Stratton de The Tyranny of Good Intentions : How Prosecutors and Bureaucrats Are Trampling the Constitution in the Name of Justice.
16.3.08
nem tanto...
1. XII Congresso da Causa Real, em Lisboa, no Parque das Nações. Um debate aberto e longo entre as 15H30 e as 19H00 janeiro de 2007 sobre Monarquia-República, moderado pela dr.ª Fátima Campos Ferreira, no formato do "Prós e Contras". João Soares, Luís Nandim de Carvalho e Manuel Monteiro, na bancada republicana. Gonçalo Ribeiro Teles, José Maltez e eu mesmo na bancada monárquica. Uma assistência de cerca de 150 pessoas enchia o Auditório donde vieram mais de duas dezenas de oportunas intervenções como as de Ferreira do Amaral, Nogueira de Brito, Rui Carp, Lopo Castilho. Além de Dom Duarte, presentes o corpos dirigentes da Causa, presidida por António de Sousa Cardoso. Um debate emotivo com palmas e sem apupos, com muitas sintonias e discordâncias suficientes. Um debate em que ninguém cabeceou, como disse Fátima Campos Ferreira. Um debate que consolidou a ligação entre monarquia e democracia. Mas um debate que não pode ser ainda um virar de página porque não teve qualquer órgão da comunicação social a assistir….
A bancada republicana surpreendeu pela argumentação serena e construtiva – e não terá sido por jogar fora de casa. Apesar de obviamente republicana, concordava com o substancial do novo argumentário monárquico pela democracia. Todos os oradores da bancada confessaram não só a sua pessoal simpatia por Dom Duarte de Bragança, que assistiu aos debates, como o seu reconhecimento da valia e do contributo que Dom Duarte tem prestado à pátria e à democracia portuguesa. De João Soares e de Nandim de Carvalho vieram mesmo sugestões de que deveria evoluir o estatuto da Fundação da Casa de Bragança e a composição do Conselho de Estado para reflectir as prerrogativas do representante dos reis de Portugal.
Agora, argumentos específicos de cada a um.
Manuel Monteiro defendeu um regime presidencialista – à americana – com um esvaziamento ou desaparecimento da figura do primeiro ministro. No contexto actual, isso só pode apontar para uma defesa do reforço dos poderes presidenciais e nomeadamente do dr. Cavaco Silva, caso for eleito. Considera direito de qualquer cidadão poder ser eleito chefe de estado. E reforçou o seu capital de simpatia por D. Duarte.
João Soares considera que não devem existir mandatos vitalícios em democracia; nem Câmaras, nem deputados, nem presidentes, e portanto, um rei não seria democrático. Aparte isso, considerou preferível ter dez anos de presidência de Dom Duarte que de Cavaco Silva. Chamou a atenção que Dom Duarte aparecia muitas vezes isolado nos seus combates e que os monárquicos se deveriam organizar, já que notava um revigoramento dos argumentos.
Nandim de Carvalho atacou o "corporativismo partidário"; incitou os monárquicos a term formações políticas próprias - um partido mesmo, disse ele – que possam disputar lugares através de programas políticos genuinamente monárquicos, nomeadamente nas autarquias apoiando listas de independentes. O seu republicanismo pelo "Presidente de todos os portugueses" também recusa os mandatos vitalícios mas nada lhe custaria viver em monarquia, desde que o povo assim desejasse e houvesse plena tolerância dos republicanos como agora há dos monárquicos
Tudo apurado, os argumentos puramente republicanos contra a chefia monárquica do estado resumem-se a dois: é um mandato vitalício e não está aberto a todos. Por força da experiência portuguesa, evaporaram-se na atmosfera os argumentos habituais sobre as (in)capacidades do rei, sobre o papel de (in)existentes nobrezas, sobre o peso da corte. Nalguns caso, o feitiço virou-se contra o feiriceiro . Os velhos argumentos sobre os gastos com a Casa real e o intervencionismo dos reis, são agora tratados à defesa depois do artigo da revista EXAME de Outubro, demonstrando que cada português gasta 18 vezes mais com o seu PR do que os espanhóis com o seu Juan Carlos.
Ns bancada monárquica, todos insistiram que está por inventar o modo de instaurar a monarquia do séc. XXI, em Portugal, através do consenso popular. Uma coisa é existir uma solução histórica que é a instituição real, com as suas tradições; outra coisa é o procedimento actual que permite a um povo escolher democraticamente, com ou sem votos, um representante isento das divisões político-parttidárias. Finalmente, todos salientaram que conforme os relatórios da OCDE e do PNUD, são monarquias democráticas a maioria das quais entre os doze países mais desenvolvidos do mundo, em termos de índice de desenvolvimento humano e de produto per capita.
Da assistência veio a ideia força de que um rei tem a vantagem de ser o representante de uma instituição que gera espontâneas manifestações de coesão e de afecto, uma dinastia que no caso português coincide com a família do Duque de Bragança cujo tronco remonta ao próprio D. Afonso Henriques.
Gonçalo Ribeiro Teles realçou que a campanha presidencial está dominada por equívocos: 1) Obriga o país a escolher entre um ( ou mais que um) candidato da Esquerda e um candidato da Direita para um lugar que é de Unidade nacional; 2) Debate programas políticos, quando os poderes presidenciais são por natureza alheios aos do governo. Acrescentou que cabe aos monárquicos inventar o modo de inataurar a monarquia do séc. XXI em Portugal. E insistiu, finalmente, que sem comunicação social a divulgar ideias alternativas às predominantemente veiculadas pelos jornais e televisões, não há verdadeira democracia.
José Maltez considerou que tempo era de sementeira de ideias monárquicas, a médio e a longo prazo, a menos que houvesse conversão dos republicanos. Estabeleceu paralelos históricos com a Restauração, com o 5 de Outubro de 1910, com o Estado Novo em que od monárquicos sempre comhbateram em duas frentes; contra o autoritarismo antidemocrático de 1933, e contra a oposição socialista e comunista. Em tosdos estes momentos históricos salientou a ideia de Passos Manuel sobre "cercar o trono com instituições republicanas". Seguindo o pensamento de Barrilaro Ruas, afirmou os monárquicos "aperfeiçoavam a república". Não eram anti-republicanos, mas sim,para além de republicanos, eram monárquicos.
Eu mesmo evidenciei duas tendências políticas de fundo, uma interna, a outra internacional; ambas favorecem o crescimento da instituição monárquica A internacional é de que a processo de integração europeia vem exigir dos estados membros uma partilha dos poderes que o estado republicano não tem maneira de compensar. Mas a solução monárquica oferece uma garantia de independência que não é afectada por desenvolvimentos externos e internos.
A tendência interna é que, com a consolidação do Estado democrático em Portugal pode-se, deve-se e tem-se diminuido os poderes do chefe do estado. Não se justifica a originalidade do "semi-presidencialismo" português; o país deve ter uma única legitimidade democrática por via eleitoral. Os poderes diminuídos do PR abrem o caminho para um chefe de estado real.
Salientei ainda a importância de um debate de ideias como o que opõe monarquia e república, numa fase da democracia em que só os debates economicistas parecem ter direito à comunicação social. É uma herança da má desmarxização dos anos 80 em Portugal, o facto de a ideologia do materialismo económico ter transitado das mãos dos marxistas para a dos liberais, enquanto a utopia da justiça social ficou perdida, para ninguém.
Afirmei que é prematuro debater o modo de transição da república para a monarquia; as circunstâncias futuras ditarão os procedimentos necessários. Segundo as regras da dupla revisão constitucional, é possível fazer do rei o sucessor um presidente. A assembleia pode votar, o país pode referendar, os corpos soberanos podem aclamar o sucessor dos reis de Portugal. A única exigência presente é que a "aclamação" será um procedimento democrático.
No plano histórico, esse sentimento de aclamação verificou-se na restauração de 1640, descrita pelo jornalista internacional da época, o Abade Vertot, como jamais vista no que toca ao extraordinário consenso e unanimidade que permitiu a aparente facilidade com que as guarnições militares e o poder civil dos Habsburgos de Espanha foram expulsos de Portugal. Foi esse mesmo sentido de unanimidade que levou Francisco Velasco de Gouveia a escrever na "Justa Aclamação que "o poder dos reis está no povo".
Salientei ainda que, sem despesas para o tesouro público, Dom Duarte tem levado a cabo numerosas missões de interesse nacional, tanto junto dos países lusófonos, como das comunidades portuguesas. Internamente tem-se batido por causas cívicas de ordenamento do território, de solidariedade, de património, em que tem ganho a experiência de um chefe de estado real.
14.3.08
D. Lula

10.3.08
Senhor Professor, por Pedro Cem
Recordo todos estes professores, até o meu amigo Teixeira Neves que, num corredor, ao ouvir uma aluno insultar a Professora, lhe pregou um estalo, como um relâmpago, teve imensos problemas para continuar a trabalhar menos o do pai do aluno, que se apresentou no dia seguinte, ameaçador, para lhe dizer apenas: " o estalo que o Senhor deu ao meu filho...se não lho desse o senhor,dava-o eu."
E agora me lembro que, às vezes, na Vida, alguém fala pelos outros todos. Às vezes alguém tem na mão tantos momentos da nossa vida, numa só mão e agarra-os como quem agarra a água que corre da Primavera. E que nem sempre a vida é um voto, um impulso, um apetite, um êxito, como o rio que sempre corre diferente e é sempre o mesmo.
Obrigado, Professor, por teres estado na minha vida. O teu voto pode apenas somar a 100.000, mais ou menos. Mas o voto das muitas cabecitas ( e cabeçôrras) que passam no horizonte das tuas consumições, é um voto que vale por cem.
9.3.08
Professor como todos e Brasil
Com palavras de ordem de "está na hora da ministra se ir embora", assobios e gritos de "rua, rua" cem mil professores fizeram, esta tarde, em Lisboa um xeque-mate a Maria de Lurdes Rodrigues. Com o Terreiro do Paço cheio e quando já estavam prestes a terminar as intervenções dos representantes das 15 organizações que coordenaram a "marcha da indignaçao", o desfile de professores continuava a chegar à Praça.
Não estivesse eu no Rio de Janeiro, em trânsito para Lisboa, estaria no Terreiro do Paço.
Sendo assim passei pelo centro do Rio. Comecei pela Candelária, onde se instalou o missionarismo nestas terras. Visitei o Mosteiro de S. Bento e a sua Igreja, momento alto do cristianismo no Brasil. Passei pelo Real Gabinete Português de Leitura no momento, onde por coincidência, estava começando o programa conjunto com os Presidentes de Portugal e Brasil . Um pouco antes, passei pela igreja de São francisco de Paula, onde a Casa imperial brasileira mandou rezar um Te Deum. No Largo do Paço, está em obras o Museu Imperial, assim como outras igrejas do período, NS do Carmo, no largo 15 de Novembro. E terminei no Museu de história nacional onde está uma admirável exposiçao sobre a transferência de D. João para o Brasil para além de outros momentos altos. MAs se não fosse isto estaria no Terreiro do Paço.
8.3.08
Como as coisas acontecem..!
Fontes fidedignas informam desde a Venezuela que Chávez rompeu o rigoroso silêncio de radiocomunicações 72 horas após a liberação dos reféns, chamando Reyes por radiotelefone por satélite e, ao não obter resposta, insistiu, fornecendo o código de segurança de urgência que obrigou Reyes a responder. Esta violação foi fatal para Reyes, pois o Pentágono facilmente detectou o chamado e as coordenadas do local onde estava, fornecendo-o a Uribe. Foi uma perda pior do que se supõe, pois o número 1 das FARC, Tirofijo, estaria, segundo estas fontes, em estado de saúde deplorável e em risco de vida, numa fazenda venezuelana próxima à fronteira com a Colombia, onde poderia ser facilmente atingido por um ataque igual. Este seria o motivo para a mobilização de 85% dos contingentes venezuelanos para a fronteira: Chávez, arrependido, tentaria proteger Marulanda “Tirofijo”. Segundo estas fontes, no entanto, isto não passa de uma fraude para enganar suas próprias Forças Armadas sugerida pelo G2 cubano: um ataque, por mínimo que seja, faria com que Chávez incendiasse alguns poços de petróleo no lago de Maracaibo atribuindo a culpa a Uribe. Chávez se aproveitaria do conflito que se seguisse para declarar emergência nacional e suspender garantias constitucionais, implantando de vez seu Estado Totalitário e levar o preço do barril de petróleo a US$ 200.00, objetivo que já anunciou há tempos.
Minha interpretação destes fatos é um pouco diferente: num típico lance ditatorial Chávez teria entregado Reyes de propósito, com a finalidade de assumir seu lugar e bem poderia agora, provocar outro incidente contra Marulanda que o levasse a atingir a quatro objetivos: 1- reconhecimento internacional das FARC; 2- assumir seu comando; 3- estabelecer a ditadura interna; e, como Presidente da Venezuela e líder das FARC, liquidar o governo Constitucional da Colômbia e aplainar o caminho para a Grande Pátria Bolivariana, sonho de Bolívar que Chávez pretende consumar. Digo isto porque estão tentando atribuir a Bolívar ideais democráticos que ele nunca teve: sua idéia de República era ter um Presidente Perpétuo, evidentemente, Simón Bolívar!
4.3.08
Operação Bizantina
Juntamente com o apoio frenético à Turquia para entrar na UE e aos incitamentos para que a Ucrãnia se junte à UE e ás chantagens para com a Rússia sobre mísseis , estamos perante a operação bizantina americana de fazer colidir os interesses estratégicos da Europa com os da Rússia para que se verifique tertium gaudet.
27.2.08
No Brasil

Na semana de 3 a 7 de Março estarei em S. Paulo, por amável convite da É Realizações! de Edson Filho, e onde Olavo de Carvalho publica seus belos livros para proferir um Curso sobre Eric Voegelin e apresentar duas obras Hitler e os Alemães e Autobiografia.
Aqui deixo com o link da É! ( to on) o sumário desse meu Curso.
1. Uma nova história da filosofia política é necessária para ser um instrumento efetivo de libertação em face do clima de opinião dominante. Ademais, o estudo da teoria política tem capital importância para a educação cívica de cada comunidade nacional e das poliarquias em construção. Os conceitos de ordem política subjacente às democracias e que conferem sentido à existência pública e privada das pessoas encontram-se na história da teoria política ocidental que constitui uma realidade multicultural na qual se confrontam opções distintas.
A maior parte das histórias da teoria política não ensina que os conceitos políticos se baseiam na racionalidade da consciência; apenas os expõem enquanto idéias e fenômenos circunstanciais, dependentes do tempo, desprovidos de validade universal e só justificados pela “marcha da história” que culmina no presente. Fornecem uma perspectiva de desenvolvimento orgânico dessas idéias mas não desenvolvem os critérios teóricos necessários à análise da ordem e da desordem. A generalidade dessas histórias da teoria política revela um perfil anti-religioso e anti-humanista. Por exemplo, a época moderna é vista como um período culminante de libertação e desenvolvimento intelectual, de desenvolvimento de novas formas políticas e de renovação cultural. Esses progressos existem, mas a renovação de bases dessacralizadas também conduziu aos desastres contemporâneos de totalitarismos, fundamentalismos, genocídios, oligarquia financeira mundial, assalto ao estado burocrático, desenraizamento social e anomia. Quando tais desoladores aspectos da modernidade não são considerados, os textos implicitamente renegam a validade da avaliação realista da natureza humana que surge nas obras da tradição política clássica e cristã.
Será preciso contrariar estas fraquezas efetuando uma apreciação da nova ciência da política de Eric Voegelin, que contém as seguintes premissas:
1. A teoria política dirige-se à questão da ordem da humanidade. Através do desenvolvimento singular do homem ocidental, a teoria política é um modo de análise da realidade que interpela toda a ordem da humanidade. Como tal, os seus princípios não são relativos ao Ocidente mas são centrais para a ordem da ciência do homem enquanto homem.
2. O desenvolvimento da consciência humana de ordem tem uma história. A teoria política não é um mito. Se queremos compreender a natureza da teoria, devemos investigar a sua origem na oposição ao mito.
3. A Cristandade modificou a teoria política recebida da herança de Sócrates, Aristóteles e Platão. A teoria política clássica procurou responder a questões acerca da ética e da política colocadas pelos cidadãos das cidades-estado gregas. As suas respostas eram aplicáveis a gregos e a não-gregos no âmbito da pólis grega, mas não em impérios ecumênicos. A resposta clássica à questão “Qual o melhor modo de vida?” é ainda “a vida do justo”. E permanece válida a afirmação socrática de que a existência não vigilante não vale a pena ser vivida. Mas a existência numa sociedade não mítica, delineada pelas aquisições da filosofia clássica e da Cristandade é qualitativamente diferente. A teoria política é praticada por pessoas conscientes da sua humanidade universal; a justiça ou injustiça das suas vidas reflete normas, costumes e razão delineados pelas verdades teológicas de Israel e da Cristandade.
4. A razão e a crença são ambas de ordem racional, como expressa a máxima de Santo Agostinho “Credere ut inteligere”. Como Michael Polanyi argumentou, mesmo os cientistas progridem na sua tarefa confiando em princípios de conhecimento científico elaborados fora da sua especialidade. Dentro da sua especialização não progridem mediante a eliminação de todas as alternativas possíveis, mas de acordo com a crença tácita de que uma série de experiências trará melhores resultados do que outra.
Há um outro nível de racionalidade que sublinha a crença. Como afirmou Platão ao criar o conceito de teologia, as verdades teológicas são verdadeiras porquanto são racionais. A verdade da filosofia política clássica – o homem é responsável pelas suas ações, não os deuses – tem o seu correlato na verdade teológica de que Deus é transcendente, não é intra-cósmico. Com base neste princípio, Platão desenvolveu uma filosofia política que investiga racionalmente a relação entre as realidades humana e divina. Por seu turno, isto conduziu à formulação de verdades que seriam a pedra cimeira da legislação sobre a comunidade política “absolutamente melhor”: os deuses são a origem do que é bom, não do mal e não mudam de forma. A este começo teológico (ignorá-lo implica uma distorção da filosofia política platônica) acrescentaram-se as verdades teológicas de Israel e dos Evangelhos, e encontram um eco difuso nas religiões do que Karl Jaspers chamou de Era Axial. A experiência revelatória, embora simbolicamente distinta da experiência noética da teoria política clássica, é a experiência humana. Como tal é um aspecto da ordem política e deve ser considerada numa história da teoria política.
5. O desenvolvimento da teoria política moderna, apesar de evidenciar uma continuação das propriedades formais da filosofia política, representa uma ruptura com as simbolizações da ordem e da história presentes na Hélade, em Israel e no Cristianismo. Esta ruptura é visível em várias características da teoria moderna, entre as quais: a) pretensa irracionalidade da verdade revelada; b) dicotomia radical entre sujeito e objeto; c) prioridade do eu autônomo sobre a comunidade; d) tendência para a neutralidade ética; e) necessidade de uma religião civil para suplantar a teologia civil Cristã que perdeu autoridade; f) asserção unilateral dos direitos do homem contra o clássico direito da natureza e a lei natural Cristã; g) eclipse dos valores tradicionais. Na sua forma mais perniciosa, a teoria política moderna degrada-se totalmente na forma de ideologia.
6. A recuperação da teoria política esteve em curso no séc. XX como se depreende das novas filosofias da história (Bergson, Voegelin); da análise das origens religiosas da rebelião moderna (Arendt, Camus); da dimensão teológica da teoria política clássica (Jaeger); da recuperação do papel do mito nas civilizações pré-filosóficas (Frankfort, Eliade, Pessoa); do valor da teoria clássica e cuidadosa interpretação de textos (Strauss); e das dimensões tácitas da ciência (Polanyi, Lonergan).
A força principal deste trabalho reside no fato de que a investigação especializada, sobre o qual assenta, já está realizada. Falta agora orquestrar os materiais disponíveis num texto legível cujas intuições sejam partilhadas numa nova história da filosofia política. Como tal, este trabalho é um esforço de resistência às hipóteses e cenários dominantes de muita teoria política contemporânea, de “direita” e de “esquerda”. Escusado será dizer que tal empenho é raro e subverte as forças intelectuais corrosivas que dominam o clima presente de opinião, tais como o relativismo moral, o materialismo filosófico, a mentalidade de fim da história, as desconstruções pós-modernistas, o agnosticismo, o niilismo, o ativismo milenarista, as religiões new age, o poder pervasivo do dinheiro, etc.
Dias 5 e 6 de março de 2008 das 19h30 às 22h30
Local: Espaço Cultural É Realizações
Rua França Pinto, 498 - Vila Mariana - São Paulo - SP
(próximo ao metrô Ana Rosa)
Inscrições e informações: (11) 5572-5363 ou eventos@erealizacoes.com.br
Valor: R$ 200,00
Docente: Prof. Dr. Mendo Castro Henriques
18.2.08
Mais um "projéctil" governamental

Os detalhes da construção da ponte Chelas-Barreiro nunca foram revelados publicamente pela RAVE ou pelo Ministério, para uma avaliação pelo cidadão. Tudo é feito por forma a tornar o processo num facto consumado. José Almada explica tudo no jornal on line Portugueses
12.2.08
3.2.08
Louvor em vez de cerimónias fúnebres

Agora que passou o momento fúnebre do 1 de Fevereiro, li isto em As Vicentinas de Bragança:
"À Monarquia devemos várias coisas: o não sermos Espanhóis, o, lentamente, termos desenvolvido aquela fronteira vital, que é a da Língua; a nossa maior epopeia, enquanto povo, os Descobrimentos, e, por fim, uma restauração da Independência, sobre a qual muito haveria a dizer, mas não hoje, e a implantação de uma Democracia Parlamentar que, mais coisa, menos coisa, é a irmã mais velha do sistema em que hoje vivemos, e convivemos."
Concordo. Em rigor, como escreveu o Paulo Bernardino, devia ter-se celebrado um Te Deum pelo que fizeram os reis vivos na memória, em vez de um Requiem apenas pelos assassinados no Terreiro do Paço.
1.2.08
Hoje estarei no Terreiro do Paço
Hoje estarei no Terreiro do Paço e contei aqui a minha história
26.1.08
O fim da América - 1
III - (Re)leituras: "On the Choice of Books", de Thomas Carlyle, por André Bandeira
No fundo, Carlyle só aconselha um livro,"The History of Reformation", de John Knox, o arauto do protestantismo escocês, e de quem a mulher do próprio Carlyle, Jane Welsh, era descendente. Enfim, a prelecção só nos faz lembrar o que já se sabe de Carlyle: a sua veracidade, a sua tempestade, as suas posições de Direita, a sua Esperança e também um pouco a sua súbita escuridão. O discurso é feito cinco anos antes da publicação de "The Descent of Man", em que Darwin assume aquilo que T.H. Huxley já tornara público, ou seja que todos descendemos "do macaco". Tirando as interpretações nesse largo laboratório em auto-gestão que é a "Natureza", Carlyle, no reino da Cultura, parece uma gesticulação de quem acha que não é justo que essa ferida aberta da nossa animalidade se não feche e nos venha finalmente a matar. Sempre em "minoria de um", incapaz de entabular um diálogo, infiel ao que dissera antes mas apenas porque o facto de o ter dito não lhe dava razão por isso, Carlyle era alguém que, se lhe vaticinassem quão difícil ia ser a sua Vida, nem por isso acreditaria em bruxas.
Acho que era um Homem realmente com pouca sorte mas que se atreveu, não por arrogância ou orgulho, a lutar com a má-sorte. Esse seu brilho escuro, no fim, nada tem de diabólico: é apenas o encolhimento final de quem vai morrer e, por isso, talvez seja o pouco de paz celeste que ainda existe na nossa animalidade. Reza a Enciclopédia Britânica que os amigos íntimos diziam ser Carlyle impotente. É possível...mas mais impotente é a Enciclopédia Britânica, porque Carlyle, sem braços, nadou com os ombros e o seu naufrágio foi uma bela oração ao Deus de Job, o Deus da Esperança.
22.1.08
Hoje leio Gilberto Freyre
( Mais em http://www.somosportugueses.com/mch/modules/icontent/index.php?page=753)
20.1.08
Esperança --- Uma num milhão

Princesa Dona Isabel,
Mamãe disse que a senhora
Perdeu seu trono na terra,
Mas tem um mais lindo agora.
No céu está esse trono,
Que agora a senhora tem,
Que além de ser mais bonito
Ninguém lho tira, ninguém.
Cantiga popular brasileira a propósito de D. Isabel de Bragança que ao assinar a Lei nº. 3353, a Lei Áurea (lei de ouro), redimiu da responsabilidade de governantes dos povos português e brasileiro, que haviam escravizado os negros. Também redimia a história do Império brasileiro, cuja mancha negra fora sempre a ESCRAVIDÃO. Por fim, remia a todos os negros do Brasil, os que ainda se encontravam no cativeiro - cerca de 600 a 700 mil -, mas a todos, que passavam a CIDADÃOS BRASILEIROS.





