8.7.07

Jornal de Campanha II


Lisboa Não Pode Viver Só de projectos imobiliários
OS candidatos do MPT com Pedro Quartin Graça numa visita ao vale de Santo António – Chelas - acompanhados por órgãos da comunicação social. A urbanização da EPUL, outorgada em 2004 a Bernardino Gomes está sob o olho da Polícia Judiciária e poderá haver mais arguidos. O plano de construção é medonho e vai contra tudo o que o urbanismo deve ser.
A cidade de Lisboa não pode limitar-se a viver de projectos imobiliários, "como se de um jogo do monopólio se tratasse". Para ser competitiva a cidade tem de possuir actividade criadoras de riqueza, mesmo que isso signifique projectos cuja rendibilidade não é imediata.
Segundo os estudos demográficos, urbanísticos e sociológicos, para se tornar competitiva a nível internacional, a capital precisa de apostar nas actividades económicas baseadas no conhecimento, como a banca e as telecomunicações.
Um antigo eixo de criação de riqueza da cidade do início do século passado - o eixo Beato-Marvila-Chelas - estarem a ser alvo de "projectos imobiliários desgarrados, construídos em cima dos restos que sobraram das antigas fábricas", em vez de estes locais serem aproveitados para desenvolver actividades económicas baseadas no conhecimento.
Além disso, o eixo Beato-Marvila-Chelas tem uma densimetria forte de palácios, mosteiros, quintas. Muitos datam do séc. XVI e XVII em que a aristocracia desceu para as praias de descarga das especiarias – como a Rua do Açúcar, em Xabregas, que podem ser pólos de circuitos turísticos, pólos de conhecimento e de habitação de qualidade.
Os grandes nomes da arquitectura internacional contratados pela Câmara de Lisboa para desenvolver projectos na capital estão a trabalhar apenas para alguns: para os que irão usufruir do resultado dos projectos imobiliários que lhes foram entregues.
Uma cidade ingovernável
Lisboa confronta-se neste momento com um problema de ingovernabilidade que radica na existência de nada menos de 53 freguesias na cidade, umas com uma área minúscula e praticamente sem habitantes, como é o caso das freguesias da Baixa, e outras gigantescas, como Benfica. A questão tem vindo a ser discutida pelos vereadores da Câmara de Lisboa e pelos deputados municipais.
A segunda parte do mega-estudo sobre Lisboa apresenta a dramática perda de população da cidade nos últimos anos que tem vindo a ser mal acompanhada por uma entrada de novos habitantes: entre 1996 e 2001 a cidade ganhou 53 mil pessoas mas os novos não chegam para repor os que saem. Por cada habitante novo havia dois a ir-se embora em 2001.
Um quarto dos novos residentes é proveniente do estrangeiro e 60% frequenta um estabelecimento de ensino. "Uma das grandes mais-valias da cidade são as suas escolas".
A estrutura familiar dos novos residentes tem dimensões menores do que é tradicional: 1,7 pessoas por família. Mas nada disto impede que Lisboa continue a ser das cidades mais envelhecidas da Europa e a mais envelhecida de Portugal. Nalguns bairros a percentagem de idosos ultrapassa a da cidade. Em Alvalade 45 por cento dos habitantes tem mais de 65 anos.
E não é por falta de casas que Lisboa não tem mais gente. Na década de 90 o número de alojamentos vagos aumentou 60 por cento, percentagem que se eleva aos 72,4 por cento quando se fala dos alojamentos vagos que nessa altura se encontravam fora do mercado de venda ou aluguer.
Inverter esta situação implica grandes transformações, imaginação e muito dinheiro. Só assim será possível reabilitar os milhares de prédios degradados em toda a cidade. "Qual a percentagem dos impostos pagos pelos munícipes que ficam na cidade?".

1 comment:

Anonymous said...

(fora do contexto) Inteligente, caro Mendo, o link que estranhamente agora se silencia, após a tropelia da campanha, do site "Legalização do Aborto | Eu voto sim!". Parabéns pela ágil ironia.
Pedro