31.5.06

Montenegro, 21 de Maio de 2006

No passado 27 de Maio, em Roma da Igreja de Santo António dos Portugueses, rezou-se missa em acção de graças pela independência do Montenegro. Que engraçada mistura do séc. XXI e da continuidade histórica. Presentes, Duarte de Bragança, Nicolau II do Montenegro, e o presidente do Montenegro. Outro traço aproxima os dois países, ambos forma invadidos pelo marechal Marmont, durante as guerras napoleónicas. E ambos lhe resistiram.
A grande devolução continua, quebrando os estados nação republicanos do séc. XX em entidades menores. A 21 de Maio foi a vez do minúsculo Montenegro, com uma população de 630.000 habitantes, votar a secessão e tornar-se um micro-estado independente. Está quase terminado o Frankenstein geopolítico chamado Jugoslávia. O caldeirão das tensões étnicas, religiosas e tribais entre sérvios, croatas, eslovenos, bósnios, albaneses, montenegrinos, magiares, e macedónios. Só o punho de ferro Tito mantinha este Estado.
A independência de Montenegro foi decidida por referendo em 21 de Maio de 2006. 55.5% dos eleitores deram uma vitória tangencial por 2.300 votos. A UE e Sérvia respeitarão os resultados Votaram no Montenegro 2.000 emigrantes dos E. U.A. A Sérvia organizou viagens para Montenegrinos que vivem fora do país e que estavam contra a independência. É preciso 2/3 no Parlamento Montenegrino para rever a constituição. A bandeira nacional mudou para a de 1918, falando-se que o rei exilado, o príncipe Nicolau II Petrovi-Njego, pode retornar ao país como monarca constitucional.

Os Montenegrinos são uma nação de guerreiros ferozes, nunca conquistados totalmente pelos turcos. Virtualmente idênticos na cultura, na raça e na religião aos Sérvios, não aceitaram a Grande Sérvia criminosa de Milosevic, Ratko Mladic e Radovan Karadzic. O divórcio era inevitável.
Entrando para a EU, como os outros estados pequenos que emergiram da babugem da Jugoslávia, há-de prosperar na paz comercial da Europa. Como todos os povos de Balcãs, pode agradecer aos EUA ter liquidado o regime de Milosevic, impedir uma guerra generalizada e promover a democracia na região. Foi a América no seu melhor. Felizmente para os Balcãs, não há petróleo, e Clinton era presidente. Para a morte final da Jugoslávia só falta o Kosovo. Com 95% de albaneses étnicos numa população de dois milhões, a independência é inevitável lógico e provável. Falta resolver a situação de 75.000-100.000 sérvios do Kosovo. A Sérvia terá de ser compensada pela perda dolorosa de Montenegro e de Kosovo, pela ascensão às riquezas da UE e a remissão das penas por crimes de guerra.

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