14.7.08

Barrilaro Ruas morreu a 14 de Julho de 2003



Tinha de ser. Tinha de morrer a 14 de Julho, o velho bardo da monarquia portuguesa com a memória exacta dos acontecimentos porque lhes conhecia o peso específico. No campo político, pela sua acção e livros contribuiu para o descomprometimento dos monárquicos com o salazarismo. Autor de obras sobre temas históricos, eclesiásticos, literários, pedagógicos, e de ensaio político, a que se junta uma vasta bibliografia dispersa por revistas, dicionários e enciclopédias, o essencial da obra de HBR foi o de chamar a atenção para os fundamentos das questões de identidade nacional como ressalta na sua monumental edição de Os Lusíadas que contém materiais indispensáveis para reconfigurar a interpretação da obra, como sejam o “discurso a D. Sebastião” que atravessa a epopeia, a «imagem pessoal» de Camões, ou os silêncios sobre a história de Portugal.
Muyito mais ele fez mas, por isso mesmo, apenas aqui deixo esta evocação
"Em todas as culturas ( ou civilizações) e apesar do espírito crítico e das revoluções da mentalidade, sempre a Monarquia guardou algum vestígio ao menos do revestimento (ou substância) do sagrado que deriva em linha recta da sua originária experiência religiosa"
H. Barrilaro Ruas - Do artigo Monarquia na Enciclopédia POLIS

5 comments:

Anonymous said...

De certeza que não morreu, pelo muito que valeu. Para os que o lêem, para os que o ouvem, mesmo quando a sua voz já não se sente.

André

Anonymous said...

De certeza que não morreu, pelo muito que valeu. Para os que o lêem, para os que o ouvem, mesmo quando a sua voz já não se sente.

André

P.Moura said...

O Barrilaro era de origem galega ou italiana?

P.Moura said...

Gostava de saber se ele fez algum comentário àquele acto de D.Afonso Henriques quando este recambiou rudemente o emissário de Roma.

Luis Miguel da Fonseca Barrocas said...

Normalmente o que sucede é que a nobreza imprime o seu cunho carismático quer em termos de uma espiritualidade secular quer no que se refere à transcendência.
No mundo hodierno parece que apenas existe um domínio do "homem sobre o homem" (em que estão "uns contra os outros", como diria Gabriel Marcel); em que tudo se explica e reduz a leis económicas de tipo darwinista; de uma divisão de tarefas e consequente especialização e complexidade crescente no domínio civilizacional, tipíco de um Taylorismo; em que a física e a biologia são paradigmas dominantes explicativos da substância do mundo e da substância humana.
Não obstante essencial, a evolução oriunda da aliança entre a técnica e a ciência, poderá assentar num religar-se a uma espiritualidade presente por exemplo na ideia de "serviço", e que parece ausente dos conceitos que enformam as teorias de cariz mais positivista e reducionista presentes no saber e na prática quotidianas.