22.7.05

A espada, o arado e o livro


Flaubert; Salammbo Dois mercenários conversam sobre os seus planos após terminar a guerra entre Roma e Cartago. Um deles sonha comprar uma fazenda e um arado. O outro responde que não precisa disso para enriquecer. Mostra um gládio e diz: “Este é o meu arado”.
Dois Povos: um aposta no sucesso de um sistema económico; o outro usa esse sucesso como meio para criar armas. Um quer apenas dinheiro, e ilude-se pensando que o outro só quer o mesmo. Há quem alimente a ilusão, apostando que ela os ajudará a obter o que quer: o dinheiro e tudo o mais – o completo domínio cultural, político, militar e económico.
“Se o Walmart fosse um país” – escreve Ted C. Fishman no seu livro China, Inc ., “seria o quinto maior mercado de exportação da China”. Setenta por cento dos produtos aí vendidos são chineses. E em todo o mundo é difícil encontrar algum adereço, roupa ou bugiganga barata, que não seja fabricada na China. Em Portugal eram lojas de trezentos. Agora são grandes armazéns.
Lenine escreveu: “O inimigo há-de vender-nos a corda com que o iremos enforcar”. Agora: O marxismo morreu? Ou transferiu-se para a América? A relação entre liberdade de mercado e interesse nacional é problemática quando não há reciprocidade na abertura dos mercados, quando um dos Estados aposta tudo na liberdade económica e o outro no crescimento do poder nacional, usando como arma a abertura oferecida pelo outro. A abertura económica é fórmula boa para as relações entre povos comerciantes. Mas, entre o comerciante e o guerreiro, a vantagem é a favor deste último. A menso que intervenha o homem do livro.
Quem é o dono da espada ? E do arado? E quem é o dono do livro, o segredo de Flaubert ao falar dos outros símbolos profundos da civilização?

1 comment:

Zanela said...

Parabéns pelo seu blog amigo. Continue assim, com esses belos sábios escritos.

att.

Dartagnan Zanela
Reserva do Iguaçu/Paraná - Br
http://zanela.blogspot.com