1.10.06

Assassinato em Samarcanda


O ex-embaixador britânico no Uzbekistão, Craig Murray, escreveu um livro extraordinário sobre os anos em que serviu em Tashkent, de 2002 a 2004. Aí levanta a ponta do véu sobre a "guerra ao terror" de Bush-Blair. Claro que há grupos de terroristas islâmicos contra o Ocidente. Mas o centro da política americana na Ásia central é sobre o petróleo e o gás. Por detrás das pequenas " bases de nenúfar" dos E. U.A, com 1.000 a 3.000 homens cada, está o cerco do "Grande Médio oriente" que inclui a região do Mar Cáspio, Tengiz, as reservas do gás de Turkmenistão e Uzbekistão e o Golfo Persa. Em emergências, estas bases podem albergar 40.000 homens, como um nenúfar que se abre para receber uma rã ou um sapo. Com a ascensão dos gigantes económicos China e Índia, aumentará a pressão sobre o combustível nas décadas seguintes. A Europa é um importador. E Washington protege o acesso a combustível. O exagero da ameaça da al-Qaeda é um pretexto para a estratégia de cerco. Murray não o diz mas a estratégia inclui a conquista e a ocupação militar do Afeganistão e do Iraque.

O Uzbekistan tem reservas do gás. E o governo de Karimov, velho apparatchik soviético é apoiado por EUA. Desde 2002 Murray recebia provas das técnicas de tortura dos dissidentes. Corpos, baleados, esfaqueados, e escaldados Na base aérea de Karshi-Khanabad em Uzbekistan, torturava-se. Os E. U.A esperava contratos do gás natural de Uzbekistan. Mas em 2004 atrasado, os Uzbeks contrataram com a Gazprom

A CIA falava de operacionais conhecidos do al-Qaeda no Uzbekistan. Mas a informação vinha da polícia secreta de Karimov. E os dissidentes torturados falavam da al-Qaeda.

“Assassinato em Samarcanda" deve ajudar ao despertar sobre o embuste da "guerra no terror." Se esta "guerra no terror" promove um Karimov, e os dirigentes “vodka”; se tortura para obter falsas informações sobre meia dúzia de "terroristas" da "al-Qaeda que cada vez menos diferença fazem, mas que justificam a própria “ guerra ao terror”, estamos perante a morte moral do Ocidente. Este é o ponto central. Os EUA perderam a superioridade moral para conduzir o Ocidente. Os europeus não têm a superioridade material para o fazer. E agora?

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